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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

EVOLUÇÃO ANÍMICA

O ciclo nascimento e morte condiciona o ser humano à idéia de que a vida não é eterna. A necessidade de formar um ego a cada encarnação reforça essa idéia e contamina a psique à configuração bipolarizada nos extremos funcionais do inconsciente e do consciente. A percepção da individualidade e singularidade do ser humano, representa importante aquisição evolutiva e só se dá após muitas encarnações. Aquele ciclo, muitas vezes repetido, influencia a percepção da gênese do espírito, visto que tende à crença de que ela é fruto da combinação de gametas.

O princípio espiritual é a denominação que se dá ao princípio inteligente quando ainda acoplado a alguma forma material anterior ao corpo humano. Ele é o futuro espírito, denominação atribuível só após o acoplamento a um corpo humano. No processo evolutivo ele vai formando o corpo espiritual, o qual, um dia, no estágio humano, também terá a denominação específica de perispírito.

O princípio espiritual, sendo em si o espírito, interage com o mundo inicialmente por um simples impulso provocando irritabilidade, ou atrito, o qual será o embrião da futura sensação. O desenvolvimento da sensação e as repetições de experiências sucessivas promoverão o instinto. Este dará surgimento às emoções viscerais. A razão só ocorrerá após o desenvolvimento de estruturas perispírituais capazes do estabelecimento de conexões cognitivas e pela aquisição de certas leis de Deus pelo espírito. O aparecimento dos sentimentos só se fará após a consolidação da razão.

A sensação, a imagem e a percepção são etapas conquistadas após experiências do espírito no contato com a matéria, as quais o capacitaram para a aquisição da razão. Nada ocorre sem esse contato externo. A formação de uma idéia e de um juízo se dá após milenares experiências de convívio e de intensas conexões inconscientes. O surgimento da afetividade, por sua vez, exigirá muito mais experiências do que qualquer outra formação intelectual. A consolidação de um sentimento nas camadas do perispírito exigirá evolução do princípio espiritual jamais experimentada por qualquer animal.

O princípio espiritual necessita de uma unidade orgânica para descer à matéria. Ele precisa de um fluido para animar a matéria. Esse fluido tem a característica de permitir o acoplamento do princípio espiritual à matéria. Ele foi chamado de princípio vital, é uma diferenciação do elemento ou princípio material.

A complexidade é crescente na formação do perispírito que será o instrumento capaz de flexibilizar o desabrochar das leis de Deus no espírito.

As estruturas básicas da psique se formam desde os primórdios da concepção do espírito, após sua entrada no mundo da matéria. É uma evolução infinita em busca do próprio infinito. Um dia não precisaremos do perispírito, pois já estaremos na condição de espírito puro e, assim veremos Deus. O espírito é criado como uma configuração que direciona a vontade Divina. Ele prosseguirá, independente de seu próprio eu, na direção do alvo estabelecido pelo Criador.



Do Livro: PSICOLOGIA DO ESPÍRITO


Adenáuer Novaes

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

ARROGÂNCIA

A passagem evangélica do Filho Pródigo, é a história da peregrinação humana ao longo dos evos. A história de nosso caminhar pela conquista da humanização.

Consideremos o egoísmo como a doença original do ser. Ninguém escapou de experimenta-lo na espiral do crescimento. Até certa etapa, foi impulso para frente. Depois, quando a racionalidade permitiu a capacidade de escolher, tornou-se a matriz nosológica das dores humanas, transformando-se no hábito doentio de atender aos caprichos pessoais.

A centralidade do homem no ego estruturou a arrogância – sentimento de exagerada importância pessoal. Perdemos o contato com a fonte inexaurível da vida – o self Divino – e passamos a peregrinar sob a escravidão do eu. O resultado mais infeliz desse caminhar apartado de Deus foi uma terrível sensação de abandono e inferioridade. O ato de arrogar constituiu, pois, a proteção instintiva da alma contra a sensação de menos-valia. Esse foi seu primeiro passo no processo evolutivo em direção à ilusão, ou seja, a criação de uma imagem idealizada – um mecanismo de defesa para não desistir -, que fixou a vida mental em noções delirantes sobre si mesma. Assim nasceram no tempo as matrizes psíquicas das mais graves patologias mentais.

Essa auto-imagem é o delírio-primitivo, um recurso que, paulatinamente, a consciência foi obrigada a construir no conjunto das percepções de si mesma para se defender da sensação de indignidade perante a vida.

Nessa ótica podemos pensar as psicopatologias como uma recusa em ser humano, uma desobediência por não querer assumir o que se é na caminhada do progresso. Tornar-se humano significa assumir sua pequenez no todo universal, ter consciência da cruel sensação de desconexão com o Criador e do que realmente representamos no contexto do bailado cósmico. Mas também significa assumir-se como Filho de Deus, um Filho Pródigo de heranças excelsas que precisa descobri-las por si próprio e adquirir o título de Herdeiro em Sua Obra. Isso exige trabalho, dinamismo, ação e responsabilidade.

Existe um desajuste original, um gatilho milenar dos processos psíquicos do Espírito, agravados pelas sistemáticas recusas em admitir a realidade íntima no peregrinar das reencarnações.

Esse mecanismo defensivo primitivo foi trazido para a Terra por almas desobedientes que o consolidaram em outros orbes. As noções de abandono e castigo trazidas com os deportados incitaram os habitantes singelos da Terra a imitarem as atitudes de rebeldia, orgulho, revolta e desvalor. Analisar o adoecimento psíquico sem essa anamnese ontológico-espiritual é desconsiderar a causa profunda das enfermidades sob a perspectiva sistêmica da evolução.

Algumas patologias constitucionais, endógenas, encontram explicações ricas na compreensão das histórias longínguas da deportação. Isso não é uma hipótese tão distante quanto se imagina, porque os efeitos dessa história milenar são ativos e determinantes na atualidade em bilhões de criaturas atormentadas e enfermas. O desajuste primário, a dificuldade em aceitar a realidade terrena, é fator patogênico de bilhões de almas reencarnadas e de mais um conjunto de bilhões de outras fora do corpo, formando uma teia vibratória psicótica no cinturão da psicosfera terrena. A energia emanada da sensação coletiva de inferioridade é uma força epidêmica que puxa o homem para traz e dificulta o avanço dos que anseiam pela ascensão.

O tamponamento mental na transmigração intermundos foi parcial. Os símios psíquicos, quando fora do corpo pelo sono físico, tinham noções claras do sucedido, acendendo o destrutivo pavio da inconformação ao regressarem à carne, dilatando a sensação de prisão, ódio e rebeldia. O ato de rebelar-se passou a ser uma constante nas comunidades que se formaram. Estamos falando de um tempo aproximado de trinta a quarenta mil anos passados.

Surgem, nesse contexto emocional e psicológico, entre dez e vinte mil anos atrás, as primeiras manifestações de perfeccionismo – o anseio neurótico de resgate do perfeito dentro da concepção dos anjos decaídos. Um litígio que essas almas deportadas assumiram com Deus para provarem a grandeza que supunham possuir.

É imperioso considerar a relação entre psicopatologia e erraticidade. Existem ignorados lances de dor e morte psicológica que são deflagrados em aglomerações subcrostais ou regiões abissais da Terra onde transita uma semicivilização de almas. Autênticos símios psíquicos.

Em tempo algum, como atualmente, no orbe terreno, tivemos mais que 1/5 de sua população geral em processo de reencarnação. Reencarnar não é tão fácil quanto possa parecer. É oportunidade rara e disputada. Cada história individual requer inúmeros quesitos para ser disponibilizada. Laços afetivos, urgência das necessidades sociais, natureza das habilidades desenvolvidas pelo espírito, natureza dos compromissos com os seres das regiões da maldade. Os pontos de análise que pesam para a possibilidade de um espírito reencarnar são muito variados. Há corações que nesse trajeto de deportação, ou seja, nos últimos quarenta mil anos, estiveram no corpo menos de vinte vezes. O que significa afirmar que reencarnam aproximadamente de dois em dois mil anos. Outros não reencarnam há mais de dez mil anos.

Portanto, como analisar doenças mentais graves sem considerar que estagiamos na vida dos espíritos, pelo menos, 2/3 do tempo da evolução, incluindo a emancipação pelos desdobramentos noturnos? Enquanto os homens, à luz do espiritismo, analisam a raiz de suas lutas íntimas, lançando o olhar para as vidas passadas, urge uma reflexão sobre a influência das experiências do espírito errante.

Inúmeras almas já renasceram adoecidas, isto é, com os componentes psíquicos enfermiços em efervescência. Perdem o prazer de viver ou nunca o experimentam em decorrência da força que ainda mantêm com essas regiões infernais da erraticidade.

Os profissionais da saúde mental e mesmo quantos sofrem o amargor do adoecimento psíquico necessitam aprofundar a sonda do conhecimento nessas desafiantes questões. Somente através de laboratórios de amor nos serviços de intercâmbios socorristas, realizados distantes de preconceitos e convenções, poderá o médico ou o pesquisador espírita deflagrar um leque imenso de observações e informações para auxiliar a humanidade cansada e oprimida.

Além dos reflexos que conduzem em si mesmos, os doentes mentais cujos quadros exibem componentes dessa natureza ainda sofrem de simbioses intrigantes e desconhecidas até mesmo pelos mais experientes doutrinadores.

É por conta desse sentimento de condenação, incrustado no psiquismo desde tempos imemoriais, que a criatura não consegue ou desconhece o prazer de viver, a saúde.

A rota evolutiva dos Filhos Pródigos – que somos todos nós – é um percurso de esbanjamento psíquico através da atitude arrogante. Tal ação não poderia ser correspondida com outra sensação senão de vazio interior, cansaço de si e desvalimento, que são os elementos emocionais estruturadores da depressão – doença da alma ou estado afetivo de penúria e insatisfação. A terminologia contemporânea que melhor define esse caos sentimental é a baixa auto-estima, quadro psicológico que nos enseja ampliar ostensivamente os limites conceituais dos episódios depressivos, sob enfoque do espírito imortal.

Nesta hora grave pela qual passa a Terra, um destrutivo sentimento de indignidade aninha-se na vida psicológica dos homens. Raríssimos corações escapam dos efeitos de semelhante tragédia espiritual, causadora de feridas diversas. Uma dolorosa sensação de inadequação e desvalor pessoal assoma o campo das emoções com efeitos lastimáveis. Abandono, carência, solidão, sensação de fracasso e diversos tormentos da mente agrupam-se na construção de complexos psíquicos de desamor e adversidade consigo próprio.

Imprescindível atestar que nossa trajetória eivada de quedas e erros não retirou de nenhum de nós a excelsa condição de Filhos de Deus. A Celeste bondade do Mais Alto, mesmo ciente de nossas mazelas, conferiu-nos a bênção da reencarnação com enobrecedores propósitos de aquisição da Luz. É a lei do amor, mola propulsora do progresso e das conquistas evolutivas.

A Misericórdia, todavia, não é conivente. Espera-nos no cadinho educativo do serviço paciente de burilamento íntimo. Contra os anelos de ascensão, encontramos em nossa intimidade os frutos amargos da semeadura inconseqüente. São forças vivas e renitentes a vencer.

Sem dúvida, a ignorância cultural é causa de misérias sociais incontáveis, entretanto, a ignorância moral, aquela que mata ideais e aprisiona o homem em si mesmo, é a maior fonte de padecimentos da humanidade terrena.

O amor a si mesmo ainda é uma lição a aprender.

Criados para o amor, nosso destino glorioso é a integração com a energia da vida e com a liberdade em seu sentido de plenitude e paz interior.

Descobrir nosso valor pessoal na Obra da Criação é assumirmo-nos como somos. Sois Deuses, eis a mensagem de inclusão e o convite para uma participação mais consciente e responsável no destino de cada um de nós.

Do Livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos


Wanderley de Oliveira/ Espírito Ermance Dufaux





terça-feira, 28 de setembro de 2010

RESISTINDO A MUDANÇAS

Porque se resiste a mudanças? Qual o princípio que asfixia os germes de renovação que nascem em quase todos os instantes na alma dos discípulos do Evangelho?

Obviamente que não é uma condição natural da vida transformações constantes e súbitas. As ciências que estudam as funções do corpo físico definem homeostase como a tendência à estabilidade do meio interno do organismo. Portanto, a resistência à mudança é um instinto perfeitamente natural e, por isso, compreensível.

Não podemos esquecer que os costumes são instrumentos importantes e determinantes na evolução, porém só quando inspirados do fluxo da Vida Superior. Existe o lado útil das convenções, mas é preciso identifica-lo.

É hábito comum da sociedade aderir muito mais ao rigor do convencionalismo do que se ligar às novidades elaboradas pelas revoluções sociais e morais. Os seres humanos têm medo inato do desconhecido.

Os grandes gênios da civilização ofereceram à criatura humana contribuições importantíssimas em todas as áreas do pensamento. Investigaram as leis naturais e cooperaram efetivamente com o avanço da humanidade. Abandonaram o sábado da passagem evangélica, que representa a tradição rigorosa, e adotaram a independência interior para perceber o que é bom, agradável e perfeito, conforme assevera Paulo.

Quando o apóstolo dos gentios escreveu essa exortação, desejava dizer que a vontade de Deus regula o aperfeiçoamento da humanidade, mas é preciso que suas criaturas fiquem receptivas à marcha do progresso inspirada por Ele.

É contra-senso valer-nos do nome do Cristo para ficarmos estagnados no interior do edifício carcomido do passado, que não está mais em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações.

A resistência a mudança e a renovação que impera na família cristã em seus diversos setores tem raízes:

- na falta de amadurecimento – esquecendo que a natureza não dá saltos, atribuímos tudo o que não conseguimos compreender á influenciação de espíritos maléficos, e procuramos o inimigo na vida exterior, quando devíamos reconhecer nossa imaturidade.

- na privação de instrução generalizada – requer-se da equipe espírita, e de cada um de nós pessoalmente, um conhecimento mais global. Não apenas de um setor, o espiritual, por exemplo; é preciso integrarmos os conhecimentos e sua devida correspondência com todas as áreas da cultura vigente;

- no egoísmo – as mudanças podem ser boas para os outros, ou mesmo para todo o grupo de ação, mas, se não forem particularmente boas para nós, refutamos a elas;

- na ausência de autoconfiança – inovações exigem capacidade e novas habilidades a ser adquiridas; porém se não temos auto-estima suficiente para enfrentar desafios, nós as condenamos;

- em preconceitos – é difícil nos libertarmos das correntes de preconceitos que muitos de nós reverenciamos. É necessário esperar e compreender o aperfeiçoamento natural e espaçado da marcha humana.

O Senhor da Vida concede-nos no presente mudança e renovação, para que possamos libertar-nos da ignorância do passado e adquirir conhecimentos para o futuro, rumo à ascensão espiritual. Batuíra.

Do Livro: CONVIVER E MELHORAR – Como lidar com os encontros,reencontros e desencontros – Francisco do Espírito Santo Neto – Espíritos Lourdes Catherine e Batuíra

domingo, 26 de setembro de 2010

AUTO-CONHECIMENTO

Inúmeros mitos revelam a complexidade da luta íntima vivida pelas criaturas, isto é, a necessidade de enganar a si próprio ou a outras pessoas, por falta de total compreensão de si mesmo.

Os mitos podem significar a análise do conteúdo real dos acontecimentos, ou os sentimentos envolvidos nesses mesmos fatos.

Você só se tornará saudável quando começar a se auto-observar e a certificar-se de que é o agente de seus pensamentos, ações e reações. Quando se tornar um espectador imparcial de tudo o que ocorre dentro e fora de você, chegará à conclusão de que está forjando sua misteriosa doença.

As pessoas não criam intensionalmente um sintoma: sua motivação é inconsciente. Em diversos casos, o paciente escolhe uma determinada moléstia porque ela representa a melhor simbologia para o mal que o golpeia.

As percepções são o portal da alma. É através delas que você se liga ao mundo exterior, e como resultado passa a compreender melhor tudo o que acontece em seu íntimo.

Se quiser findar essa longa crise turbulenta, deve aprender a ficar aberto e receptivo a todas as suas emoções – origem de seu sintoma pungente. Seus sentimentos devem ser expressos, quer dizer, dirigidos para fora, não para dentro.

São considerados inadequados tanto ao ato de conter-se como o de exceder-se na demonstração dos sentimentos. O ideal será aprender a equilibra-los e lidar mais conscientemente com seu mundo interior.

Certas agitações da alma atrapalham a capacidade do ser humano de “ingerir”. Há coisas da vida que não se pode e também não se quer engolir. A ingestão compulsória pode causar uma sensação de estrangulamento e muitas horas de amargura. Existem questões que ficam engasgadas – verdadeiros nós na garganta.

Isso está entalado em mim é uma frase comumente usada na dor oculta; mostra a relação entre os processos orgânicos e os somáticos. É preciso que você aprenda o que deve e pode aceitar em seu reino interno.

O remédio para lhe restaurar as chagas do coração fatigado vem da farmácia da vida – dentro de si mesmo.



Do Livro: CONVIVER E MELHORAR – Como lidar com os encontros,reencontros e desencontros – Francisco do Espírito Santo Neto – Espíritos Lourdes Catherine e Batuíra

sábado, 25 de setembro de 2010

MEDO I

Psicopatologia do Medo

Os erros e crimes praticados durante a fase inicial de conquista da razão, ressumam dos arquivos profundos do self e reaparecem na personalidade com imposição constrangedora.

Instala-se a consciência de culpa que inconscientemente induz ao medo.

Trata-se de um medo absurdo, que se transforma em transtorno de comportamento agravado pela natural aceitação do paciente, que o aumenta em face da insegurança emocional, tornando-se uma patologia que pode desencadear síndromes do pânico ou transtornos depressivos graves.

Quando se apresenta em comportamentos assinalados pela timidez, há uma natural tendência para a alienação ao convívio social, isolando-se e ruminando pensamentos pessimistas em relação a si mesmo e aos demais ou transformando o sentimento em raiva malcontida que empurra para pavores imprevisíveis.

Todos são vítimas do medo em relação ao desconhecido como ocorrência normal.

Em face da instabilidade dos fenômenos existenciais o medo ocupa um lugar de destaque, assim como ocorre com outros sentimentos. Todavia, quando extrapola, gerando situações conflitivas, propiciando ansiedade, identifica-se de imediato um pavor que assoma e ameaça a estabilidade emocional.

Instala-se o transtorno fóbico, que a cada dia mais temível se torna, violentando a lógica e gerando outros distúrbios no comportamento do indivíduo.

O medo condicionado é resultado de um processo de acúmulo desse fanômeno, desde que associado a qualquer estímulo do meio quase sempre de natureza neutra, responde ao estímulo.

Quase sempre cultivado, deveria ser racionalizado, a fim de inutilizar-se-lhe a procedência, para constatar que tem origem maior na imaginação receosa do que em fator real de desequilíbrio e de prevenção de perigo.

Existem fatores endógenos e exógenos que respondem pela presença do medo. No primeiro caso, os comportamentos infelizes de reencarnações imprimem-no nos refolhos do perispírito, instalado no inconsciente profundo o receio de ser identificado como autor dos danos que foram produzidos noutrem e procurou ignorar, mascarando-se de inocente. Podemos incluir as perturbações de natureza espiritual, conseqüência dos atos inditosos que ficaram sem regularização no passado. No segundo caso, as atitudes educacionais no lar, os relacionamentos familiares agressivos, o desrespeito pela identidade infantil, as narrativas apavorantes nas quais muitos adultos se comprazem atemorizando as crianças, os comportamentos agressivos das pessoas, desenvolvem medos que adquirem volume à medida que o crescimento mental e emocional amplia a capacidade de conduta do educando.

Ao mesmo tempo, os fenômenos sismicos, o terrorismo, a violência urbana, as injustiças sociais, a competição no mundo dos negócios, produzem medo naqueles cuja constituição emocional, perturbada desborda-se em pavores inquietantes.

É como se aquilo que mais se teme sempre acontecesse, exatamente por estar registrada no cerne do ser a necessidade dessa experiência para vir a ser vivenciada, para contribuir eficazmente em favor do amadurecimento psicológico, do crescimento cultural, da realização pessoal.

Nos fenômenos de obsessão espiritual, a indução telepática do perseguidor faz que o vitimado ressinta-se de tudo quanto à sua volta possa trabalhar pela sua recuperação, pela reconquista da saúde e do equilíbrio. Teleguiado pelo adversário invisível, experimenta o desconforto que se deriva do medo que lhe é infligido, adotando conduta estranha, doentia...

De maneira idêntica ocorre quando se está preocupado demais com a realização de um projeto, o cansaço, a não renovação do entusiasmo desencadeiam o medo de não ser bem-sucedido, passando-se a adotar essa postura desastrosa.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

MEDO II

Diferentes Manifestações do Medo


Embora inconsciente, o medo da morte predomina, como se ele traduzisse o pavor do aniquilamento da vida.

Disso resultante, apresentam-se os inumeráveis medos: da perda de emprego, de objetos valiosos, de afeições compensadoras, da confiança nos demais, de amar...

O medo do desconhecido, do escuro, de altura, de pessoas, de multidões, de animais e insetos que se apresentam como condutas fóbicas são outros desafios perturbadores.

Acrescente-se o medo de adoecer, de sofrer...

Cultivados esses sentimentos, a existência torna-se um continuo sofrimento.

Assumisse a atitude do amor e constatar-se-ia que ele é o grande eliminador de qualquer expressão de receio e inquietação, porque oferece resistência moral para os enfrentamentos, para os fenômenos que fazem parte do processo de evolução.

Transitando-se num corpo de constituição molecular que se altera a cada segundo, no qual as mudanças processam-se continuamente, não há como adquirir-se estrutura de permanência, exceto quando o self assume o comando consciente das funções orgânicas que she dizem respeito conduzir.

Mesmo em referência aos automatismos fisiológicos e psicológicos, que aparentemente independem da vontade, esta exerce tal predomínio na organização celular, que bem-direcionada pode gerar novos condicionamentos, sobre os quais se podem estruturar hábitos de saúde e de bem-estar.

Perdem-se oportunidades de viver-se integralmente o momento existencial receando o que possa acontecer no futuro.

Nas mudanças biológicas e emocionais, cada ocorrência expressa-se de maneira muito própria, variando de um para outro indivíduo, tendo em vista a sua constituição emocional.

Eis porque nunca se deve avaliar como seria enfrentada uma situação calamitosa num paralelo pela forma como outrem a tem suportado.

Nutrindo-se de autoconfiança pela valorização das próprias energias, podem-se desmascarar os medos que se apresentam em forma de ciúme (insegurança emocional), inveja(conflito de insegurança), ódio (incapacidade de compreender e desculpar), despeito (ausência de autovalorização), todos provenientes de imaturidade psicológica.

Esse sentimento de medo destrutivo, não impede que os transtornos ocorram, razão porque deve ser combatido com toda decisão, desde que retira o prazer de viver.

A mudança de óptica em torno do seu desenvolvimento na emoção, produz a redução de máscaras sob as quais oculta-se o danoso inimigo.

Considerar-se que se têm os mesmos direitos de todo ser humano de fazer-se o que aprouver, desde que não agrida os interesses alheios, de proceder-se a escolhas e tomar-se decisões, constitui um passo decisivo para a superação do medo. Quando, por alguma razão, não sejam essas as melhores e os resultados apresentem-se frustrantes, ao invés de desencorajamento, concluir-se pelos lucros e a experiência da tentativa, ensejando-se maior campo de habilidades para futuras seleções e ações.

O terrível medo de amar, em face da possibilidade de sofrer a indiferença ou o desprezo da pessoa eleita, deixa tremenda angústia pelo não experimentado.

Melhor que se haja vivido uma experiência cujos resultados não foram os mais agradáveis, do que permanecer-se na incerteza de como seria tal realização.

Luta-se com o medo para evitá-lo, para superá-lo, mais do que se pensa conscientemente, gastando tempo valioso que poderia ser aplicado em experiências exitosas em forma de realizações não tentadas.

O próprio ato de viver no corpo são processos desafiadores do organismo.

Na execução do programa de cada vida todos tropeçam, que são ensinamentos dos mais eficientes para alcançar-se as metas a que se propõem.

Nada é fácil, sempre apresentando-se como recurso de aprendizagem e de evolução.

O medo oculta-se na fantasia de tudo muito fácil, sem suores nem lágrimas, sem sofrimentos nem lutas, gerando incertezas em torno do ato de existir.

Os medos são perversos e traiçoeiros, porque se amontoam uns sobre os outros, cada vez mais complexos e difíceis de solucionados, caso não sejam enfrentados desde as primeiras manifestações.

Todos têm planos e objetivos de felicidade que o medo ensombra e dificulta a realização.

Convém enfrentá-lo enquanto é possível realizar esses projetos, porque momento chega em que os recursos disponíveis de tempo, de saúde e de oportunidade já não existem mais.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis




domingo, 19 de setembro de 2010

MEDO III


ERRADICAÇÃO DO MEDO

A coragem de manter contado com os próprios medos é recurso terapêutico valioso para sua erradicação.

Graças aos medos aprende-se como fazer-se algo, o que se deseja fazer e para que se quer realizar.

Enquanto não se apresenta como transtorno patológico, muitos recursos encontram-se ao alcance de quem os deseje para libertar-se dos medos.

A consciência de que se é portador do medo e se está disposto a enfrentar-lhe as nuanças e manifestações, apresenta-se como um passo inicial de excelentes resultados. O prosseguimento da atitude de confiança em favor da liberação auxilia na conquista de espaço mental, substituindo-o por novos cometimentos e aspirações edificantes que se lhe opõem.

A vitória sobre qualquer conflito resulta de esforços inteligentes e contínuos que o indivíduo se propõe com decisão e coragem.

Mesmo quando superado o medo, não significa sua eliminação, novas situações podem exigir precaução e vigilância que se apresentarão em forma de temor.

Alicerçadas nos bons resultados já conseguidos, as novas tentativas serão mais fáceis.

A grande terapia para todos os tipos de medo é o amor. Amor a si mesmo, ao seu próximo e a Deus.

A si mesmo, de forma respeitosa e racional, considerando a utilidade da existência e o que a vida espera de cada um, desde que todos somente esperam da vida a sua contribuição. Quando diminuam as doações que a vida oferece, chega o momento da retribuição, no qual é preciso que se lhe dê sustentação, harmonia para que o melhor mossa acontecer em relação aos demais.

Assim expressa-se o amor ao próximo, mediante o qual a vida adquire sentido e o relacionamento se vitaliza, porque centrado no interesse pelo bem-estar do outro, irradia-se bondade e ternura em seu benefício, sem o propósito negocista de receber-se compensação.

Esse intercâmbio que une as criaturas umas às outras, leva-as à afeição pela natureza e por todas as formas vivas ou não, alcançando o amor a Deus, no esforço de preservação de tudo.

Quando ama, o ser enriquece-se de coragem, embora não possa evitar os enfrentamentos em face dos impulsos edificantes que do amor emanam.

Assim, a solidariedade abre os braços fraternos em favor do próximo, experimentando-se valiosa fortuna de amar-se, desmascarando-se a artimanha do medo que o distanciava dessa emoção.

Mantendo-se o sentimento de amor no imo, torna-se fácil converter desilusão em nova esperança e insucesso em experiência positiva.

A escolha é de cada um: o medo ou o amor, já que os dois não convivem no mesmo espaço emocional.

É comum ouvir-se alguém em queixa a respeito da própria capacidade de conhecimento, das possibilidades de realização pessoal em face do medo de insucesso e de erro.

Muito pior é não tentar, não saber com segurança a respeito de si mesmo, preferindo a dúvida mesquinha.

Quando não se consegue êxito, adquire-se o exato conhecimento de onde se encontra a falha ou a carência, podendo-se e devendo-se voltar aos tentames com novas cargas de que não se dispunha antes.

Quando os medos são inspirados por adversários desencarnados, a oração-terapia gera um clima psíquico tão elevado que o opositor perde contato com a vítima. Haurem-se resistência e vitalidade para vencer-se os limites e vitalizar-se de forças.

Ao equivocar-se, ao invés de uma reação de raiva pelo erro, permita-se compaixão, considerando-se o estágio de humanidade em que se encontra e age.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

sábado, 18 de setembro de 2010

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA EDUCAÇÃO

Esse é o maior campo de aplicação dos princípios da Inteligência /emocional, visto que é onde aprendemos a cultura e os valores da sociedade na qual estamos integrados.

A educação baseia-se em passar conhecimentos e em fazer com que o próprio aluno construa seu saber.

Para preparar o aluno para descobrir seu próprio saber é necessário um método que antecipe a aprendizagem e que vise prepará-lo a enfrentar suas próprias deficiências e a conhecer seu mundo emocional. É preciso preparar o aluno para aprender e isso deve começar no lar e ter sua continuidade na pré-escola.

O professor precisa adequar-se à exigência da preparação emocional, isto é, aprender a educar e regular os próprios estados emocionais.

O professor deve buscar:

1. Compreensão melhor a respeito dos sentimentos dos outros, percebendo as emoções das crianças;

2. Facilidade de fazer amigos, reconhecendo na emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado e transmissão de experiência;

3. Aprender a adiar gratificações;

4. Saber lidar com os altos e baixos da vida, considerando que a criança também vive essa realidade, impondo limites ao mesmo tempo em que explora estratégias para a solução dos problemas que ela porventura atravessa;

5. A empatia como base da educação competente, considerando que ouvir acolhendo legitima os sentimentos da criança;

6. Entender que educar é também mexer com a emoção, ajudando a criança a encontrar as palavras para identificar e verbalizar aquela que ela está sentindo;

7. Perceber que as interações emocionais entre os membros de um grupo passam a ser a base da transmissão de valores e da formação de pessoas equilibradas.



Os pais devem ser educados como co-participantes dessa magna tarefa.

Lidar com crianças exige, sobretudo, empatia, capacidade de ouvir e vontade de ver as coisas pela ótica dela, além de uma boa dose de generosidade.

Encontramos pais que, de forma simplista, não dão importância, ignoram ou banalizam as emoções negativas ou positivas da criança. Há aqueles que, de forma crítica, desaprovam as manifestações emocionais dos filhos, principalmente as demonstrações dos sentimentos negativos. Há outros que, embora aceitem as demonstrações emocionais dos filhos, não orientem nem estabelecem empatia educativa. É preciso citar os autoritários que impõem limites e exigem obediência irrestrita sem qualquer possibilidade de que seus filhos exteriorizem suas manifestações emocionais.

Nós pais devemos aprender que temos o dever de impor limites aos nossos filhos, porém também de sermos flexíveis, compreendê-los em suas dificuldades, dando-lhes boa dose de carinho e atenção amorosa. Inclusive é importante que os pais expressem suas emoções para que seus filhos aprendam a viver as deles, isto é, não ter vergonha de ser gente perante eles.

A violência é característica da sociedade enferma e, por esse motivo, precisamos preparar nossos filhos para essa doença sem lhes incutir o desejo de responder também com a mesma moeda. A preparação emocional é fundamental para que não nos armemos nem nos tornemos estranhos uns aos outros. Por outro lado, cada vez mais os jovens estão antecipando a atividade sexual sem a maturidade necessária para exercê-la e para fazer as escolhas adequadas à sua evolução espiritual. É aí também que a preparação emocional contribui na definição dos valores que vão nortear as escolhas adequadas. Os vícios ligados a drogas, em particular à maconha e ao álcool, proliferam sem que se tenha controle da situação. Muitas vezes, isso decorre da falta de preparação emocional no lar, no qual se deveria buscar o entendimento, a fraternidade, a compreensão emocional. Há conflitos naturais no lar e, via de regra, eles começam na adolescência, debaixo dos olhares de seus pais.

Para melhor lidar com nossos filhos devemos:

1. Olhar sempre nos olhos quando lhes falarmos;

2. Conversar muito com eles sobre vários assuntos;

3. Reservar espaço no tempo deles para a música;

4. Estimular a pessoa criativa que mora dentro deles;

5. Aplaudir e estimular seus acertos.



A educação das emoções não exclui a disciplina. Quanto mais envolvidos com os filhos, mais se participa da vida deles. Quanto mais envolvidos na vida deles, mais influência se tem sobre eles.

Outro ambiente onde necessitamos desenvolver habilidades emocionais é o do trabalho profissional. Ali ocorrem conflitos cuja solução se tornaria bem simples se tivéssemos um pouco mais de Inteligência Emocional.

Quando nossas crenças e valores entram em choque com os de pessoas com as quais lidamos diretamente ou mesmo com os da empresa, quando não encontramos motivação para a execução de tarefas as quais somos obrigados a executar, quando nos sentimos diminuídos e inferiorizados perante situações onde o poder está em jogo; e, quando nossos trabalho interfere na saúde física e psicológica sobrevindo mal estar e estresse, é fundamental buscarmos o necessário preparo emocional para enfrentar esses desafios.

Há conflitos no trabalho também no que diz respeito à própria organização da empresa, envolvendo mudanças estruturais, alteração de metas e objetivos empresariais, bem como limitação de recursos financeiros. Essas situações interferem direta ou indiretamente na vida da pessoa exigindo respostas emocionais à altura.

Para melhorar nossa inteligência emocional e despertar o potencial criativo interior que a fortalece, devemos:

1. Não nos aborrecer com coisas pequenas;

2. Cultivar o otimismo e o entusiasmo, que significa ter Deus dentro de si;

3. Cultivar a persistência objetiva;

4. Desenvolver a própria singularidade, um estilo pessoal e a simplicidade no viver;

5. Sempre reconhecer os próprios erros;

6. Saber ouvir e escutar o outro;

7. Aprender a fazer distinção entre os atos e a pessoa que os pratica;

8. Olhar nos olhos da pessoa com quem falar;

9. Acreditar naquilo que dizemos;

10. Dar feedback emocional;

11. Reconhecer e sentir a emoção, sem negá-la ou minimizá-la;

12. Cultivar a amorosidade, a humanização e a compaixão.



Na busca em direção ao aprendizado da inteligência emocional devemos acreditar no sucesso pessoal e na vida, independentemente da saúde física, considerando que qualquer derrota é aprendizado importante, tanto quanto a vitória. Persistir em buscar alternativas diferentes para os problemas aparentemente insolúveis, sem se atribuir incompetência. Manter as expectativas, considerando-as e ampliando-as também para resultados negativos, pois fazem parte de qualquer caminhada.

Além dos objetivos imediatos e mais próximos, devemos desenvolver internamente a crença num objetivo global para a vida como um presente de Deus. Considerar importante planejar, organizar e responsabilizar-se por tudo que ocorre na própria vida. Aprender a guiar-se pala razão e pelos sentimentos, buscando alternativas que conciliem essas possibilidades. Estimular em si mesmo, no próprio caráter, os aspectos mais puros e nobres que possui. Amar a simplicidade, as pessoas, a si mesmo, e a vida. Considerar-se cria do universo, acreditando em si mesmo e não desenvolvendo obstáculos ao próprio crescimento espiritual.

Fundamental é desenvolver a auto-estima. Para tanto não é preciso nada de excepcional na personalidade. É suficiente considerar-se filho de Deus e para tanto, detentor de habilidades mínimas de desempenho adequado na arte de viver. Cultivar a segurança física, valorizando adequadamente o corpo, não se sentindo intimidado ou com medo da vida. Ter sua crença pessoal sobre a própria origem divina, sentindo-se pertencente a um grupo, consciente de ter senso de capacidade e competência e, acima de tudo, tendo o sentimento de que a própria vida tem significado e uma direção definida.

Buscar não se perturbar com pequenas derrotas, consciente de que melhorará o próprio desempenho na próxima vez. Não permitir que a própria ansiedade atrapalhe o preparo para enfrentar novas provas. Cultivar a simpatia e o encanto pessoal, administrando a vaidade natural. Aprender a nominar instantaneamente as próprias emoções.

Analisar os seguintes itens:

CONFIANÇA – senso de controle e de domínio sobre a maneira de encarar suas probabilidades de vencer ou fracassar nos projetos que põe em prática;

CURIOSIDADE – como se colocar diante da vontade de descobrir coisas. Sentir verdadeiramente prazer em descobrir coisas novas;

AUTOCONTROLE – capacidade de controlar suas emoções dentro de limites. Tempo mínimo em que “guarda” raiva, medo, tristeza, frustração;

INTENCIONALIDADE – você agride a pessoa que o aborrece ou responde ao gesto que lhe desagradou? Você intenciona agredir ou apenas responde às agressões?

RELACIONAMENTO – capacidade de entrosar-se com outras pessoas. Compreender e ser compreendido. Verificar se cumprimenta as pessoas com respeito emocional.

COMUNICAÇÃO – ser claro nas idéias que passa. Percepção dos sentimentos que desperta nas outras pessoas.

COOPERATIVIDADE – ser prestativo sem bajulação. Equilibrar necessidades suas com as do grupo.

EMPATIA – colocar-se no lugar do outro. Sentir-se como o outro. Solidariedade. Simpatia.

RECONHECER AS EMOÇÕES DO OUTRO – ouvir o outro com interesse e consideração.

LEGITIMAR OS SENTIMENTOS DO OUTRO – não negar ou minimizar o sentimento do outro.

CAPACIDADE DE CRÍTICA – criticar o gesto e não a pessoa. Distinguir a atitude separadamente da pessoa que a toma.

ENCORAJAR SOLUÇÕES – não ter respostas prontas.

As emoções são reconfigurações do espírito. O uso da inteligência não deve se limitar a conhecer os objetivos ou mesmo servir para lhes caracterizar com nomes ou utilidades. Ela apresenta aquisição superior do espírito e deve ser colocada a serviço do amor, em o quel se trona ferramenta inútil e perigosa.

A inteligência emocional, ou a capacidade de administrar afetos, emoções e sentimentos, é o fator mais importante da evolução do espírito em seu atual estágio no planeta. Essa aquisição possibilitará a percepção de leis transcendentes que o capacitarão a alcançar limites fora do sistema solar.

Do Livro: PSICOLOGIA DO ESPÍRITO


Adenáuer Novaes

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O PARADOXO DO NOSSO TEMPO

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.

Adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.

Conquistamos o espaço, mas não nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; excesso de reuniões e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis,

das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar 'delete'.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre.

Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer "eu te amo" à sua companheira(o) e às pessoas que ama.

Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.

O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas amar tudo que você tem.

Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.



George Carlin.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RAIVA I

Raiva e Primarismo


A raiva é um sentimento que se exterioriza toda vez que o ego sente-se ferido, liberando esse abominável adversário que destrói a paz no indivíduo.

Inerente a todos os animais, no ser humano, porque portador de vontade e discernimento, é responsável por transtornos que conseguem obscurecer-lhe a razão e perturbar-lhe o equilíbrio, produzindo danos emocionais de pequeno ou grande alcance, a depender da extensão e da profundidade de que se reveste.

Quando existe a prioridade dos instintos agressivos, na contextura do ser, este, diante de qualquer ocorrência desagradável, real ou imaginária, afunda-se na situação danosa, cujos resultados são sempre lamentáveis.

Predominando nele o instinto de arbitrária dominação, em falsa postura de superioridade, percebendo a fragilidade dessa conduta e a impossibilidade de impor-se, porque não considerado quanto gostaria, recorre ao mecanismo psicológico da raiva para exteriorizar a violência ancestral que lhe dorme no íntimo.

A raiva pode iniciar-se por uma simples insinuação de pequena monta, transformando-se em vulcão de cólera destruidora que avassala.

Há indivíduos dotados da facilidade de enraivecer-se, que alternam essa emoção com a psicastenia (forte tendência para a depressão, o medo, a incapacidade de suportar desafios e dificuldades mentais).

A raiva produz uma elevada descarga de adrenalina e cortisol, no sistema circulatório, alcançando o sistema nervoso central, que se agita, produzindo ansiedade e mantendo o sangue na parte superior do corpo, no que resultam diversos prejuízos para as organizações físicas, emocionais e psíquicas.

Repetindo-se com freqüência, produz o endurecimento das artérias e predispõe a vários distúrbios orgânicos.

De alguma forma, a raiva é um mecanismo de defesa do referido instinto de conservação da vida, que se opõe a qualquer ocorrência que interpreta como agressão, reagindo, de imediato, quando deveria agir de maneira racional. Porque obscurece a faculdade de discernir, irrompe, desastrosa, assinalando a sua passagem por desconforto, cansaço e amolestamento das forças, logo cessa o seu furor...

O ser humano agride antes, por medo de ser agredido, aumentando a gravidade de qualquer ato sob a coerção do pânico que se lhe instala de momento, ante situações que considera perigosas, evitando racionalizar a atitude, antes parecendo comprazer-se nela, sustentando a sua superioridade sobre o outro, aquele a quem atribui o perigo que lhe ronda.

O seu processo de evolução do pensamento e da consciência, porque estacionado nos remanescentes do período egocêntrico, ora transformado em egóico, estimula esse comportamento inoportuno e prejudicial, cujos efeitos danosos logo serão sentidos em toda a sua extensão.

O círculo da raiva é vicioso, porque o indivíduo adapta-se a essa injunção, passando a gerar um comportamento agressivo, quando não vivenciando uma postura contínua de mau humor.

Essa raiva é resultado de pequenas frustrações e contínuas castrações psicológicas, iniciadas no ceio da família, quando pais rigorosos e imprudentes, violentos e injustos, assumem postura coercitiva em relação aos filhos, impondo-se-lhes, sem a possibilidade de diálogos esclarecedores.

Lentamente vão-se acumulando esses estados de amargura pela falta de oportunidade de defesa ou de justificação, que se convertem em revolta surda, explodindo, indevidamente, quando já se faz uma carga muito pesada na conduta.

Por natural necessidade de afirmação da personalidade, a criança é teimosa, gerando atritos com pais e familiares, que nem sempre estão dispostos a conversas com esclarecimentos. Ou quando não se interessam pelos problemas da prole, causando-lhe um fundo ressentimento, desdobrando em raiva acumulada.

Ou como resultado da timidez, o indivíduo refugia-se na raiva, e porque não a pode expressar foge para transtornos profundos que o torturam.

A falta de conhecimento das próprias debilidades emocionais, faz que não disponha de equilíbrio para enfrentamentos, competições, discussões, derrapando facilmente no comportamento infeliz da raiva.

Não admitem a vitória do outro, em qualquer campo político ou esportivo, a quem consideram adversário, quando é somente competidor, enraivecendo-se e dando lugar a situações graves, muitas vezes redundando em crimes absurdos.

A raiva é choque violento que abala profundamente o ser humano, deixando rastros de desalento e de infelicidade.

Ao invés da análise tranqüila do fenômeno, a tirania do ego exalta-o, o instinto de predominância do mais forte ressuma e a pessoa acredita que está sendo diminuída, criticada, passando a reagir antes de ouvir, a defender-se antes da acusação, partindo para a agressão desnecessária de que sempre arrepende-se depois.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

domingo, 12 de setembro de 2010

RAIVA II

Raiva e Transtorno Emocional

A raiva tem duas vertentes de procedência: primeira, mais remota, de natureza espiritual, originária em existência pregressa, quando impôs-se onde se encontrava, desenvolvendo sentimentos de opressão e desrespeito alheios, sempre desconsiderados; a segunda, de procedência atual, quando fatores temperamentais, educacionais, socioeconômicos empurram-no à situação penosa geradora de conflitos.

No primeiro caso, existe um conflito ancestral, que se encontra ínsito como culpa, armando-o para constante alerta em mecanismo de autodefesa. O inconsciente impõe-lhe a tese falsa de que o mundo é-lhe hostil e as pessoas encontram-se equipadas de valores para submete-lo ao seu talante.

No segundo caso, origina-se uma especial disposição para a instalação do conflito de insegurança psicológica desencadeador da raiva.

Quando ocorre qualquer fato que não é entendido de imediato, sentindo-se incapaz de autopromover-se ou acreditando-se espezinhado, o complexo de inferioridade empurra-o para as atitudes grotescas e agressivas.

Terapia preventiva – manter-se o equilíbrio possível diante de qualquer acontecimento novo, inesperado, procurando entende-lo antes que permanecer na defensiva, como se as demais pessoas se lhe estivessem agredindo, fossem-lhe adversárias e todo mundo se lhe opusesse.

O acumular das pequenas raivas não liberadas termina por infelicitar o ser, afligindo-o emocionalmente e levando-o a transtornos depressivos, pela falta de objetivo existencial, por desinteresse de prosseguir na luta, fixando-se com revolta, nas ocorrências inditosas em relação a si mesmo.

Parceiros que sobrevivem no fluxo da existência corporal em relação ao outro que desencarnou, acumulam raivas que se tornam ressentimento, por não haverem liberado quando se apresentaram em forma de frustrações e desagrados enquanto na convivência deles. Havendo a morte interrompido o ciclo da experiência física, aquele que permanece no corpo sente-se lesado, por haver sofrido sem necessidade, conforme supõe, por descobrir infidelidades que ignorava, por despertar do letargo que a união lhe impôs, passando a viver de ressentimentos profundos...

Sob outro aspecto, o ego exaltado rememora os momentos felizes e enraivece-se ante o fato da haver sido muito amado e encontrar-se agora a sós, como se a morte houvesse resultado da opção do outro.

Nos suicídios, aqueles que ficam, ao invés de compadecer-se dos infelizes que optaram pela fuga, antes são dominados pela raiva de se sentirem culpados ou não amados, ou não consultados antes do gesto, ruminando mágoas que se acumulam e terminam por intoxica-los freqüentemente.

A raiva envilece o sentimento da criatura humana.

A sua constância responde por problemas do sistema nervoso central, por disfunções de algumas das glândulas de secreção endócrina, por diversos problemas do aparelho digestivo e pelo irregular comportamento psicológico.

Quando isso ocorre, surgem as somatizações que terminam em processos degenerativos da alguns órgãos.

A culpa inconsciente domina grande número dos encarnados.

Liberada pelo inconsciente profundo, o paciente considera que será punido e, quando na ocorre, assume uma das seguintes posturas:

A – autopune-se, negando-se a alegria de viver, fugindo de qualquer recurso que pode torna-lo mais feliz, impedindo-se de relacionamentos afáveis, por acreditar não os merecer;

B- arma-se de agressividade para evitar aproximações ou para considerar-se vítima dos artifícios maléficos da sociedade.

Enquanto o self não seja conscientizado da necessidade de autoconhecimento, mediante o qual ser-lhe-á possível a identificação da culpa nos seus arcanos e proponha-se a auto-estima, o auto-respeito, a auto-consideração, ela vicejará cruel:

disfarçada de ciúme - insegurança e autodesvalorização

de infelicidade – complexo de inferioridade

de inveja – mesquinhez do caráter

de autopunição – tormento masoquista

Tensões desnecessárias invadem o sistema emocional, gerando desgaste improcedente, através do qual mais facilmente instalam-se os distúrbios de comportamento, como fenômeno catártico que não pode mais ser postergado.

A raiva é um sentimento de desajuste da emotividade, que merece contínua vigilância, a fim de que não se transforme em uma segunda natureza na conduta do indivíduo.

Na raiz psicológica do sentimento de raiva existe um tipo qualquer de medo inconsciente que a desencadeia, levando o indivíduo a atacar antes de ser agredido, o que o torna violento e descompensado na emoção.

A insegurança do próprio valor e o temor de ser ultrapassado predispõe à postura armada contra tudo e todos, como se essa fosse a melhor maneira de poupar-se a sofrimentos e desafios perturbadores.

Por conseqüência, os instintos primários predominam orientando as decisões, quando estas deveriam ser controladas pela razão que sempre discerne qual a melhor postura a assumir-se.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis









sábado, 11 de setembro de 2010

RAIVA III

Terapia para a Raiva


O ser humano processa o seu desenvolvimento intelecto-moral passo a passo.

Algumas vezes é natural que se equivoque, a fim de reiniciar o mecanismo auto-iluminativo sem qualquer trauma ou desconforto, desde que a meta é o bem-estar, a conquista da harmonia.

A incidência da raiva é normal, tornando-se grave a não capacidade de administra-la.

Sempre que invadido pelo desequilíbrio dessa natureza, o paciente deve adiar decisões, responder para esclarecer, discutir em nome da autodefesa, pois o ego ferido precipita-o em postura inadequada de que se arrependerá.

O silêncio diante de circunstância perturbadora, não se permitindo a invasão dos petardos mentais desferidos pelo opositor, constitui recurso imprescindível para evitar o tomo na irritação e seus conseqüentes danos.

Devemos considerar-nos pessoas portadoras de virtudes e de deficiências plausíveis de corrigenda, estando sujeito às variações do humor e de comportamento, susceptível de contrariedades, predispõe à vigilância. Se advertido, ouvir com atenção e avaliar a proposta apresentada, mesmo quando de maneira agressiva. Quando útil, incorpora-la, identificando sentimentos negativos por parte do outro, não lhe atribuir qualquer valor ou significado.

O exercício da paciência auxilia a aceitar a vulnerabilidade de que se é constituído, não ampliando a irrupção da raiva quando ocorrer.

Tornando-se contínua, como resultado de estresse e ansiedade, de insegurança e de medo mórbido, faz-se indispensável uma terapia psicológica, de modo a ser detectada a causa desencadeadora do fenômeno perturbador, que tende a agravar-se quando não cuidado de forma adequada.

A psicoterapia remontará a conflitos adormecidos no inconsciente, que tiveram origem no período infantil ou durante a adolescência, quando as circunstâncias induziam à aceitação de situações penosas, sem o direito de explicação ou de justificação. As pequenas contrariedades acumularam-se, e porque não diluídas conforme deveriam, explodem quando algo proporciona aumento de volume à carga existente, fazendo-a insuportável.

Ao mesmo tempo, a terapia da prece e da meditação constitui salutar recurso para o controle das emoções, reabastecimento de energias vigorosas que se encarregam de asserenar o sistema nervoso central, impedindo ou diminuindo a incidência da ira.

As boas leituras também funcionam como procedimento terapêutico de excelente qualidade, por enriquecerem a mente com idéias otimistas, substituindo muitos dos clichês psíquicos viciosos que induzem a comportamentos insanos.

A aplicação da bioenergia é de inadiável importância a esse tipo de paciente.

Por fim, o autocontrole que cada qual deve manter em relação às suas reações emocionais de qualquer natureza, disciplinando a vontade, educando os sentimentos e adaptando-se a novos hábitos saudáveis imprescindíveis a uma existência saudável.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

BEM QUERER

A solidariedade virá como conseqüência do conhecimento de si mesmo. À medida que for investigando quem você é, poderá saber quais as verdadeiras razões que o levam a ajudar os outros.

Geralmente as pessoas vivem adormecidas, sem ter uma consciência lúcida do sentido real da vida. São induzidas pelos outros, não sabem o que querem, o que estão fazendo e por que estão fazendo; e, quando sentem algo incomum, normalmente não procuram conhecer as razões desse sentimento.

Algumas criaturas buscam na ajuda ao próximo a salvação das almas; por isso, utilizam-se do seu eu-crença. Outras lançam mão de uma dedicação desenfreada, valendo-se do seu eu-criança, para suprir as carências de amor na infância e equilibrar sua existência enraizada em sentimentos de autodesvalorização. Diversos companheiros cooperam generosamente porque desejam ter um comitê eleitoral, ocupando-se do seu eu-político; enquanto muitos outros abraçam causas filantópicas servindo-se do seu eu-social, para participar das condecorações e homenagens da vida comunitária. Você precisa saber quem é que o dirige: seus eus aparentes ou o legítimo eu que existe em seu ser profundo.

Quando se sente alegria mesclada com a satisfação de ajudar aos semelhantes, é porque se fez uma perfeita conexão com a alma. Tudo é espontâneo e natural. Assemelha-se à serena brisa que nos acaricia nos passeios por campos floridos.

Quando a solidariedade, entretanto, não passar de uma linda teoria intelectual, como vivenciam alguns, a entrega aos outros permanecerá difusa e restrita, porque a hipotética ajuda é prestada ao próprio ego, centralizado na realização de interesses imediatos.

São inúmeras as pessoas que, escravas da imagem que desejam ter de si mesmas, intensificam todos os esforços para alimenta-las. Muitas, presas às idéias medievais de céus e infernos, preocupam-se em ser boas aos outros para receber recompensas e evitar as penas eternas.

Ser caridoso com o intuito de conseguir uma benção não é bondade. Cumprir os preceitos da benevolência por temor ao castigo não é concreta prática do bem.

Os que são bondosos por causa da gratificação ou da punição divina são órgãos da plenitude do amor.

Se você ignora quem é, faz de suas ações uma demonstração de generosidade, porque lhe falta consciência do reino de Deus que está em seu interior.

Se soubesse prestar atenção em seus mais íntimos sentidos – bússola divina a guia-lo – talvez aprenderia muito mais sobre a beneficência.

Solidariedade é o sentimento que leva os homens ao auxílio mútuo; já o autoconhecimento, aliado a esse altruísmo, leva-os ao reconhecimento de que o templo de Deus está em toda parte, e não somente em lugares predeterminados. Percebem igualmente a presença divina nas pétalas de uma rosa, na sombra majestosa de uma vetusta árvore, no silêncio de uma prece, no borbulhar das fontes de águas cristalinas, na transcendência de um amanhecer, enfim nas obras da criação universal.

A ajuda a si mesmo durante muito tempo foi vista como egoística ou narcisista. No entanto, no auto-amor encontramos o elixir da vida, base de onde se origina todo o aprendizado do amor integral.

Quem aprendeu a amar a si mesmo vive em harmonia, em profunda compreensão das emoções humanas e distanciado das atitudes possessivas.

Portanto, conheça a si mesmo; assim, sua vida será um constante compartilhar, um compartilhar solidário sem exigir ou pedir qualquer recompensa neste ou no plano espiritual.

Quando você for convidado a fazer alguma coisa pelo mundo ou por seus companheiros de humanidade, precisa saber quem é que realmente o está motivando para esses eventos. Se tiver desenvolvido a autoconsciência, estará em contato com as verdadeiras razões e, dessa maneira, modificará de forma significativa o valor e a importância de seu bem-querer.

Do Livro: CONVIVER E MELHORAR – Como lidar com os encontros,reencontros e desencontros – Francisco do Espírito Santo Neto – Espíritos Lourdes Catherine e Batuíra

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ESCUTANDO A ALMA

Trabalhar pelo desenvolvimento dos potenciais e das virtudes humanas, esse o objetivo do espiritismo no sáculo XXI. Educar para ser, educar para conviver bem consigo, educar para ser feliz, eis os pilares da harmonia interior e da felicidade à luz do Espírito imortal neste século do coração.

A informação consola e instrui. A transformação liberta e moraliza.

A informação impulsiona. A transformação descobre.

Os informados pensam. Os transformados criam.

A teoria impulsiona a busca de novos valores. A reeducação dos sentimentos enseja a paz interior.

As diretrizes doutrinárias estimulam convenções que sevem de limites disciplinadores. A renovação da sensibilidade conduz-nos ao encontro da singularidade que permite a plenitude íntima.

Inteligência – o instrumento evolutivo para as conquistas de fora.

Sentimento – conquista evolutiva para aquisições íntimas.

Na acústica da alma existem mensagens sobre o Plano do Criador para nosso destino. Aprender a ouvi-las é exercitar a plena atenção aos ditames libertadores dos sentimentos. Interferências internas e externas subtraem-nos, constantemente, a apreensão desses “recados do coração”.

Escutar os sentimentos não significa adota-los prontamente, mas aceita-los em nossa intimidade e criar uma relação amigável com todos eles. Aceita-los sem reprimir ou se envergonhar. Essa atitude é o primeiro passo para um diálogo educativo com nosso mundo íntimo. Somente assim teremos uma conexão com nossa real identidade psicológica, possibilitando a rica aventura do autodescobrimento no rumo da singularidade – a identidade cósmica do espírito.

Escutar os sentimentos é cuidar de si, amar a si mesmo. É uma mudança de atitude consigo. O ato de existir ocorre no sentimento. Quem pensa corretamente sobrevive; quem sente nobremente existe. O pensamento é a janela para a realidade; o sentimento é o ponto de encontro com a verdade. É pela nossa forma de sentir a vida que nos tornamos singulares, únicos e celebramos a individualidade. Quando entramos em sintonia com nossa exclusividade e manifestamos o que somos, a felicidade acontece em nossas vidas.

O sentimento é a maior conquista evolutiva do espírito. Aprendendo a escuta-lo, estaremos entendendo melhor a nossa alma. Não existe um só sentimento que não tenha importância no processo do crescimento pessoal. Quando digo a mim mesmo “não posso sentir isto”, simplesmente estou desprezando a oportunidade de auto-investigação, de saber qual é ou quais são as mensagens profundas da vida mental.

O exercício do auto-amor está em aprender a ouvir a “voz do coração”, pois nele residem os ditames para nossa paz e harmonia.

Os sentimentos são guias infalíveis da alma na sua busca de ascensão e liberdade. O auto-amor consiste na arte de aprender a escuta-los, estudar a linguagem do coração.

Pela linguagem dos sentimentos, entendemos o apoio do universo a nosso favor. Devemos educar para ouvir nossos sentimentos. Radiografar nosso coração. Desenvolver estudos sistematizados de si mesmo.

Como cuidar de nós próprios? Jesus estabelece: amai ao próximo como a ti mesmo.

Os impulsos do self não atendidos, com o tempo, transformam-se em tristeza, angústia, desânimo, mau-humor, depressão, irritação, melindre e insatisfação crônica.

Além dos fatores de ordem evolutiva, encontramos gravames sociais para a questão da baixa auto-estima.

As gerações nascidas na segunda metade do século XX atingem o alvorecer do século XXI com “feridas psicológicas” profundas resultantes de uma sociedade repressiva, cujas relações de amor, com raras e heróicas exceções, foram vividas de modo condicional através de exigências. Para ser amada, a criança teve que atender a estereótipos de conduta. Um amor compensatório. Um rigor que afasta o ser humano de sua individualidade soterrando sua vocação, seus instintos, suas habilidades e até mesmo imperfeições. O pior efeito dessa repressão social é a distância que se criou dos sentimentos.

Essa geração pós-guerra vive na atualidade o conflito decorrente de céleres mudanças na educação e na ciência, que constrange ao gigantesco desafio de responder à intrigante questão: quem sou eu?

Paciência, atenção, perdão, tolerância, não julgamento, caridade e tantos outros ensinos do evangelho que procuramos na relação com o próximo, devem ser aplicados, igualmente, a nós mesmos. Como?

Auto-amor não é treinar o pensamento para beneficiar a si, mas educar o sentimento para escutar Deus em nós. Descobrir nosso valor pessoal na Obra da Criação.

Self = é o arquétipo da totalidade, isto é, tendência existente no inconsciente de todo ser humano à busca do máximo de si mesmo e ao encontro com Deus. É o centro organizador da psique. É o centro do aparelho psíquico, englobando o consciente e o inconsciente. Como arquétipo, se apresenta nos sonhos, mitos e contos de fadas como uma personalidade superior; como um rei, um salvador ou um redentor. É uma dimensão da qual o ego evolui e se constitui. O self é o arquétipo central da ordem, da organização. São numerosos os símbolos oníricos do self, a maioria deles aparecendo como figura central no sonho. (Mito Pessoal e Destino Humano – Adenáuer Novaes)

Sombra = é a parte da personalidade que é por nós negada ou desconhecida, cujos conteúdos são incompatíveis com a conduta consciente. (Psicologia e espiritualidade – Adenáuer Novaes)

Do Livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos


Wanderley de Oliveira


Ermance Dufaux

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

HISTÓRIAS PARA REFLETIR

Coleção de Porcelana

Narra antigo koan que um príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara quão antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa. Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças. Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita. A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu devolver a ordem à coleção. Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de alvinitente linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel. Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as todas. Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse: - Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me. Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada. Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos, nada valem.

Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o ancião e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma, particularmente a humana.

domingo, 5 de setembro de 2010

PREGUIÇA I

Fatores causais da preguiça

A preguiça, ou propensão para a inatividade, para não trabalhar, também conhecida como lentidão para executar qualquer tarefa, ainda caracterizada como negligência, moleza, tardança, é desvio de conduta, que merece maior consideração do que aquela que lhe tem sido oferecida.

Surge, expressando-se como efeito de algum tipo de cansaço ou mesmo necessidade de repouso, de recomposição das forças e do entusiasmo para a luta existencial.

Quando se torna prolongado o período reservado para o refazimento das energias, optando-se pela comodidade que se nega às atitudes indispensáveis ao progresso, apresenta-se como fenômeno anômalo de conduta.

É normal a aspiração por conforto e descanso, no entanto, não são poucos os indivíduos que se lhes entregam, sem que apliquem esforço físico ou moral pelo conseguir.

A preguiça pode expressar-se de maneira tranqüila, quando o paciente se permite muitas horas de sono, permanência prolongada no leito, mesmo após haver dormido, cortinas cerradas e ambiente de sombras, sem que o tempo seja aproveitado de maneira correta para leituras, reflexões e preces.

Não perturba aos demais, igualmente não se predispõe ao equilíbrio nem à ação.

Lentamente essa conduta faz-se enfermiça, gerando conflitos psicológicos ou deles sendo resultante, em face das idéias perturbadoras de que não se é pessoa de valor, de que nada lhe acontece de favorável, de que não tem merecimento, nem os demais não lhe oferecem consideração.

Esse tormento, que se avoluma, transforma-se em pessimismo que propele, cada vez mais, a situações de negatividade e de ressentimento.

Pode também transformar-se em mecanismo de autodestruição, em face da crescente ausência de aceitação de si mesmo, perdendo o necessário contributo da auto-estima para uma existência saudável.

A pessoa assume posição retraída e silenciosa, evitando qualquer tipo de estímulo que a possa arrancar da constrição a que se submete espontaneamente.

Torna os membros lassos, a mente lenta no raciocínio, apresentando distúrbios de linguagem e de locomoção.

Sob outro aspecto, pode apresentar-se como perda do entusiasmo pela vida, ausência de motivação para realizar qualquer esforço dignificante ou algum tipo de ação estimuladora.

O seu centro de atividade é o ego, que somente se considera a si mesmo, evitando espraiar-se em direção das demais pessoas, em cuja convivência poderia haurir entusiasmo e alegria, retomando o arado que sulcaria o solo dos sentimentos para a plantação da boa vontade e do bem-estar.

A avaliação feita pelo indivíduo nesse estágio é sempre deprimente, porque não tem capacidade de ver as conquistas encorajadoras que já foram realizadas, nem as possibilidades quase infinitas de crescimento e de edificação.

O tédio domina-lhe as paisagens íntimas e a falta de ideal reflete-se-lhe na indiferença com que encara qualquer acontecimento que, noutras circunstâncias, constituiriam emulação para novas atividades.

Esse desinteresse surge, quase sempre, da falta de horizontes mentais mais amplos, da aceitação de antolhos idealistas que impedem a visão profunda e complexa das coisas e das formulações espirituais, limitando o campo de observação cada vez mais estreito, que perde o colorido e a luminosidade.

Em outra situação, pode resultar de algum choque emocional não digerido conscientemente, no qual o ressentimento tomou conta da área mental, considerando-se pessoa desprestigiada ou perseguida, cuja contribuição para o desenvolvimento geral foi recusada.

Normalmente, aquele que assim comporta-se, é vítima de elevado egoísmo, que somente sente-se bem quando se vê em destaque, embora não dispondo dos recursos hábeis para as ações que deve desempenhar.

Detectando-se incapacitado, refugia-se na inveja e na acusação aos demais, negando-se a oportunidade de recuperação interior, a fim de enfrentar os embates que são perfeitamente naturais em todos e qualquer empreendimentos.

O desinteresse pe uma forma de morte do idealismo, em razão da falta de sustentação estimuladora para continuar vicejando.

Pode-se, ainda, identificar uma outro maneira em que se escora a preguiça para continuar afligindo as pessoas desavisadas. É aquela na qual o isolamento apresenta-se como uma vingança contra a sociedade, não desejando envolver-se com nada ou ninguém, distanciando-se cada vez mais de tudo quanto diz respeito ao grupo familiar, social, espiritual.

Normalmente, esse comportamento é fruto de alguma injustificada decepção, decorrente do excesso de autojulgamento superior, que os outros não puderam confirmar ou não se submeteram ao seu desplante.

Gerando grande dose de ressentimento, não há como esclarecer-se ao indivíduo, na postura a que se entrega, mantendo raiva e desejo de destruição de tudo quanto lhe parece ameaçar a conduta enfermiça.

Do ponto de vista espiritual, o paciente da preguiça, que se pode tornar crônica, ainda se encontra em faixa primária de desenvolvimento, sem resistências morais para as lutas, nem valores pessoais para os desafios.

Diante de qualquer impedimento, recua, acusando aos outros ou a si mesmo afligindo, no que se compraz, para fugir à responsabilidade, que não deseja assumir.

A preguiça prolongada pode expressar também uma síndrome de depressão, mediante, a qual, instalam-se os distúrbios de comportamento afetivo e social, gerando profundos desconfortos e ansiedade.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PREGUIÇA II

Transtornos Gerados pela Preguiça

A entrega à ociosidade torna débil o caráter do paciente, impedindo-o de realizar qualquer esforço em favor da recuperação.

Sentindo-se bem com a falta de atividade, a tendência é ficar inútil, tornando-se um pesado fardo para a família e a sociedade.

Em relação a qualquer um dos motivos que desencadeiam a preguiça, a baixa estima e a fuga psicológica são os fatores predominantes nesse comportamento doentio.

O corpo é instrumento do espírito, que necessita do exercício, de movimentação, de atividade, a fim de preservar a própria estrutura. Enquanto o espírito exige reflexões, pensamentos edificantes contínuos para nutrir-se de energia saudável, o corpo impõe outros deveres, a fim de realizar o mister para o qual foi elaborado. A indolência paralizadora pela falta de ação, conduz à flacidez muscular, à perda de movimentação, às dificuldades respiratórias, digestivas, num quadro doentio que tende a piorar cada vez mais, caso não haja uma reação positiva.

Em razão do pessimismo que se assenhoreia do enfermo, a sua convivência faz-se difícil e o seu isolamento mais o atormenta, porque a autolamentação passa a constituir-se uma idéia fixa, culpando, também, as demais pessoas por não se interessarem pelo seu quadro, nem procurarem auxilia-lo, o que equivale dizer, ficarem inúteis também ao seu lado, auxiliando-o na autocomiseração que experimenta.

Em realidade, não está pedindo ou desejando ajuda real, antes apresenta-se reclamando da sua falta para melhor comprazer-se na situação a que se entrega espontaneamente.

A existência, na Terra, é constituída por contínuos desafios que sempre estão estimulando à conquista de novas experiências, ao desenvolvimento das aptidões adormecidas, ao destemor e à coragem, em contínuas atividades enriquecedoras.

A mente, não exercitada em pensamentos saudáveis, descamba para o entopecimento ou para o cultivo de idéias destrutivas, vulgares, insensatas, que sempre agravam a conduta perniciosa.

Pensar é benção, auxiliando a capacidade do raciocínio, a fim de poder elaborar projetos e propostas que mantenham o entusiasmo e a alegria de viver.

Surge, vez por outra, alguma lucidez, e o paciente critica-se por não dispor de forças para modificar a situação em que se encontra, desanimando ainda mais por acreditar na impossibilidade da reabilitação. Faz-se um circulo vicioso: o paciente não dispõe de energias para lutar e nega-se à luta por acreditar na inutilidade do esforço.

Outras vezes, oculta-se no mau humor, tornando-se ofensivo contra aqueles que o convidam à mudança de alternativa, explicando-lhe que tudo depende dele, já que ninguém lhe pode tomar a medicação de que somente ele necessita.

A destreza, o esforço, a habilidade, são decorrentes das tentativas exitosas ou fracassadas, resultando a repetição para a conquista e a realização pessoal.

Na preguiça ocorrem uma adaptação à inutilidade e uma castração psicológica de referência aos tentames libertadores.

O paciente prefere ser lamentado a receber amor, experimentar compaixão a ter companheirismo estimulante, permanecer em solidão a experienciar uma convivência agradável.

Foge daqueles que o desejam auxiliar infundindo-lhe ânimo, e quando é surpreendido por alguma orientação, reage com violência intempestiva.

O outro não conhece o transtorno que se opera no enfermo, mas sabe que o esforço desprendido poderá contribuir para alterar a situação em que se encontra.

A partir de então, o amigo torna-se evitado, é tido como adversário, censor, perturbador da sua paz, como se a indolência algo tivesse a ver com a tranqüilidade e harmonia íntima.

A quase total insensibilidade em relação a si mesmo, à sua recuperação e ao sofrimento que ocasiona à família que se desestrutura complica mais o quadro porque bloqueia o discernimento dos próprios deveres, transferindo para o próximo as responsabilidades que lhe pesam na consciência e as tarefas que devem ser desempenhadas em seu benefício.

A preguiça muna a autoconfiaça e destrói as possibilidades de pronta recuperação.

É natural que atraia espíritos ociosos que se comprazem no banquete das energias animais do paciente, telementalizando e conduzido às fases mais graves, de forma que prossiga vampirizado.

Os centros vitais da emoção e do comportamento são explorados por essas entidades infelizes e decompõem-se, funcionando com irregularidade, destrambelhando a organização somática, já que a psíquica e os sentimentos estão seriamente afetados.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis