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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


terça-feira, 30 de novembro de 2010

PRINCÍPIOS REDENTORES

Não se esqueça de que Deus é o tema central de nossos destinos.
Deseje o bem dos outros, tanto quanto deseja o próprio bem.
Concorde imediatamente com os adversários.
Respeite a opinião dos vizinhos.
Evite contendas desagradáveis.
Empreste sem aguardar restituição.
Dê seu concurso às boas obras, com alegria.
Não se preocupe com os caluniadores.
Agradeça ao inimigo pelo valor que ele lhe atribui.
Ajude as crianças.
Não desampare os velhos e doentes.
Pense em você, por último, em qualquer jogo de benefícios.
Desculpe sinceramente.
Não critique a ninguém.
Repare seus defeitos, antes de corrigir os alheios.
Use a fé e a prudência.
Aprenda a semear, preparando boa ceifa.
Não peça uvas ao espinheiro.
Liberte-se do peso de excessivas convenções.
Cultive a simplicidade.
Fale o menos possível, relativamente a você e a seus problemas.
Estimule as qualidades nobres dos companheiros.
Trabalhe no bem de todos.
Valorize o tempo.
Metodize o trabalho, sabendo que cada dia tem as suas obrigações.
Não se aflija.
Sirva a toda gente sem prender-se.
Seja alegre, justo e agradecido.
Jamais imponha seus pontos de vista.
Lembre-se de que o mundo não foi feito apenas para você.

Do livro: Agenda Cristã – Chico Xavier/André Luiz

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CRUELDADE III

Terapia para a Crueldade

            Diante dos indivíduos cruéis, são necessárias condutas de segurança moral, a fim de que as suas provocações não se transformem em razão de sofrimento.
            Credores de compaixão, mais necessitados se encontram de tratamento cuidadoso, mediante psicoterapia especializada, onde o psicoterapeuta pode recorrer a regressão de memória, para diminuir-lhes o fluxo dos sentimentos contraditórios que ressumam do inconsciente, alterando-lhes as fixações de perversidade como mecanismo de vingança.
            Praxiterapias conseguem gerar interesse por atividades dantes desconsideradas. Conversações pacientes e contínuas, músicas relaxantes, danças e todo arsenal psicoterapêutico são recursos valiosos para auxiliar o paciente cruel.
            Em alguns casos, a terapia psiquiátrica auxiliará no regularização das neurocomunicações restabelecendo o correspondente equilíbrio.
            A terapêutica da bioenergia consegue efeitos salutares, por alcanças os delicados campos de energia do espírito reencarnado, renovando-lhe o raciocínio e orientando-o.
            Pode encontrar-se vinculados a espíritos que foram vítimas do paciente e dele se utilizam para o comércio da vampirização, roubando-lhe forças preciosas e vingando-se do padecimento a eles imposto.
            As atividades de desobsessão constitue recurso rico de valiosos processos libertadores.
            Todos os indivíduos experimentam alguma vez repentinas crises de crueldade, quando são agredidos, maltratados ou discriminados.
            Conveniente a manutenção de terapia preventiva, mediante a reflexão ponderada, a meditação, a oração e a prática incessante da caridade, que robustecem os sentimentos e aumentam a capacidade de resistência pessoal à invasão dos agentes destrutivos da saúde e da paz.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

sábado, 27 de novembro de 2010

CRUELDADE II

Desenvolvimento da Crueldade
            O enfermo emocional aparenta ser portador de comportamento normal, porém, pequeno incidente pode atear a labareda que o incendeia, irrompendo o desejo de punir quem lhe criou qualquer embaraço real ou imaginário.
            Dissimula e planeja com riqueza de detalhes, a melhor maneira de infligir-lhe sofrimentos, experimentando bem-estar antecipado ante a perspectiva do êxito que o transforma em sadista.
            Essa conduta cruel teve manifestações na infância, quando impôs padecimentos a aves e animais, crianças que maltratou, desenvolvendo uma indiferença por tudo e por todos, que o imunizou à emoção e à piedade.
            Não foge ao convívio social, para poder estar mais próximo das futuras presas que elege, motivado pela inveja, despeito ou simplesmente por alguém que está no momento errado, no lugar equivocado.
            Quanto mais se aplica à crueldade, mais adquire habilidades para oculta-la e torna-la pior, alcançando níveis perversos impensáveis por mente saudáveis.
            O prazer decorrente do crime oculto, estimula-o ao prosseguimento da ação doentia.
            É sagaz e rápido no raciocínio, escamoteando a verdade e comprazendo-se em iludir até tombar nas armadilhas que programa para os demais.
            Não experimenta qualquer arrependimento sendo capaz de ceifar a vida de pessoas que deveriam ser queridas com a mesma indiferença que o faria a um ser abjeto.
            Nem todos são induzidos ao homicídio, maltratando, de outras maneiras, aqueles que se lhes acercam, mediante indiferença, desdenhando os valores morais e sociais que dignificam a humanidade, fazendo-se hábeis na arte de ironizar e mentir, colocando-se acima do bem e do mal, como se fossem inatingíveis.
            Os indivíduos cruéis são sonâmbulos emocionais que torpedeiam quanto podem os objetivos nobres e dignificadores da espécie humana.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

EMMANUEL - biografia

Emmanuel é o nome do espírito que vem tutelando a atividade mediúnica de Francisco Cândido Xavier, o maior médium psicógrafo de sempre, hoje com mais de 350 obras psicografadas.
Ao tempo da passagem de Jesus pela Terra, chamou-se Públio Lentulus - senador romano -, e, ao que se sabe, foi a única autoridade que efetuou perfeito descrição Dele, através da célebre carta, publicada em numerosas línguas, autêntica obra-prima do gênero pessoalmente, encontrou-O, solicitando-Lhe auxílio para a cura de sua filha Flávia, que, supomos, estaria leprosa desencarnou em Pompéia, no ano 79, vítima das lavas do Vesúvio, encontrando-se na altura invisual anos depois, reencarnaria como judeu na Grécia, em Éfeso, já não mais sob a toga de orgulhoso senador romano, mas sim na estamenha de modesto escravo Nestório, que, na idade madura, participava das reuniões secretas dos cristãos nas catacumbas de Roma.
Podemos ficar com melhor conhecimento da história desse espírito através das suas obras: Há Dois Mil Anos e Cinquenta Anos Depois , transmitidas mediunicamente através de Chico Xavier. Estas obras constituem verdadeiras obras primas de literatura mediúnica e histórica.
O dr. Elias Barbosa diz-nos que Emmanuel, o mentor espiritual que todos respeitamos, foi a personalidade de Manoel da Nóbrega, renascido em 18 de Outubro de 1517, em Sanfins, Entre Douro e Minho, Portugal, quando reinava D. Manuel I, o Venturoso . Inteligência privilegiada, ingressou na Universidade de Salamanca, Espanha, aos 17 anos, e, com 21, inscreve-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra, frequentando aulas de Direito Canônico e Filosofia a 14 de Junho de 1541, em plena mocidade, recebe a láurea doutoral, sendo, então, considerado doutíssimo Padre Manoel da Nóbrega , pelo doutor Martim Azpilcueta Navarro.
Mais tarde, a 25 de Janeiro de 1554, seria um dos principais fundadores da grande metrópole São Paulo. Foi também o fundador da cidade de Salvador, Bahia, a primeira capital do Brasil.
A informação de que Emmanuel teria sido o Padre Manoel da Nóbrega, foi dada pelo próprio Emmanuel em várias comunicações através da mediunidade idônea e segura de Francisco Cândido Xavier.
No início da atividade mediúnica de Chico, nos anos trinta, ainda sem se identificar, disse-lhe que gostaria de trabalhar com ele durante longos anos, mas que necessitaria de três condições básicas para o fazer: 1ª disciplina, 2ª disciplina e 3ª disciplina. O que Chico cumpriu até hoje. Foi um modesto funcionário público do Ministério da Agricultura que jamais misturou a sua atividade profissional com o exercício da mediunidade. Não poderemos deixar de registrar, sob pena de cometermos grave omissão, que, durante as décadas que esteve ao serviço do Estado, nunca - não obstante a sua precária saúde e o trabalho doutrinário, fora das horas de serviço - deu uma única falta ou gozou qualquer tipo de licença, conforme documentos facultados pelo M.A. Também no início da sua nobre missão, Emmanuel disse-lhe que se alguma vez ele o aconselhar a algo que não esteja de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, deverá procurar esquecê-lo, permanecendo fiel a Jesus e Kardec.
Emmanuel fez também parte da falange do Espírito da Verdade que trouxe à Terra o Cristianismo restaurado, definição sua da Doutrina Espírita. No Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec inseriu uma mensagem de Emmanuel, recebida em Paris, 1861, intitulada O Egoísmo (Cap. XI - 11)
Para além dos dois livros históricos citados, temos ainda várias dezenas de outros, dos quais destacamos: Paulo e Estevão , obra que, segundo Herculano Pires, justificaria, por si só, a missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier; Ave Cristo e Renúncia, livros estes que, juntamente com os citados anteriormente, ajudam-nos a entender o nascimento do Cristianismo e, depois, à sua gradual adulteração este cinco livros são baseados em fatos históricos verdadeiros. Foi considerado o 5º evangelista, pela superior interpretação do pensamento de Jesus. Analisemos os seus livros: Caminho, Verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva.
Visto ser completamente impossível, num trabalho deste gênero, falar de toda a sua obra transmitida através de Chico Xavier, gostaríamos, no entanto, de registrar os livros: A Caminho da Luz , que nos relata uma História da Civilização à Luz do Espiritismo e Emmanuel, livro constituído por diversas dissertações importantes sobre Ciência, Religião e Filosofia, que preocupam a Humanidade.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SINAIS

Sua conversação dirá das diretrizes que você escolheu na vida.
Suas decisões, nas horas graves, identificam a posição real de seu espírito.
Seus gestos, na luta comum, falam de seu clima interior.
Seus impulsos definem a zona mental em que você prefere movimentar-se.
Seus pensamentos revelam suas companhias espirituais.
Suas leituras definem os seus sentimentos.
Seu trato pessoal com os outros esclarece até que ponto você tem progredido.
Suas solicitações lançam luz sobre os seus objetivos.
Suas opiniões revelam o verdadeiro lugar que você ocupa no mundo.
Seus dias são marcas no caminho evolutivo. Não se esqueça de que compactas assembléias de companheiros encarnados e desencarnados conhecem-lhe a personalidade e seguem-lhe a trajetória pelos sinais que você está fazendo.

Do Livro: Agenda Cristã – Chico Xavier/Emmanuel







quarta-feira, 24 de novembro de 2010

DESAFIO DOS SETE

Esse desafio me foi feito pelo Jorge do blog “Boa Nova” (http://espiritismoeboanova.blogspot.com/) e consiste em 7 questões com 7 respostas cada.

 
7 coisas que pretendo fazer antes de morrer
1. vivenciar cada momento da minha vida
2. Estudar muito
3. dominar a impaciência
4. Aprender a amar mais
5. acolher mais
6. Difundir mais a doutrina espírita
7. cultivar o Amor pela minha família

7 coisas que mais digo
1. Olá!
2. Tudo bem?
3. Bom dia!
4. Eu pensei
5.vou pro computador
6. estou com saudade
7. já vou!

 7 coisas que faço bem
1. Trabalhos manuais
2. escrever
3. conversar
4. lavar louça
5. organizar
6. trabalhar
7. Mudar coisas

7 defeitos meus
1. impaciente
2. teimoso
3. Perfeccionista
4. apressada
5. muito racional
6. Apego aos bens materiais
7. crítico


7 coisas que amo
1. Minha filha
2. Minha família
3. Meu marido
4. Meu trabalho voluntário
5. Livros espíritas
6. Comer
7. Minha cadela


7 qualidades minhas
1. Ser ousada
2. Ponderada
3. Fiel
4. Honesta
5. Cumpridor dos deveres
6. Leal
7. Trabalhadora


7 amigos para participarem desse desafio

1.http://lucinhafortaleza2.blogspot.com
2.http://batepapocomapris.blogspot.com
3.http://sherimendonca.blogspot.com
4.http://claridadeeamor.blogspot.com
5.http://walkyria-suleiman.blogspot.com
6.http://neusinhabrotto.blogspot.com
7.http://espirita-doutrina.blogspot.com

Um abraço!

CRUELDADE I

Psicogênese da Crueldade
            Na raiz da crueldade existe um transtorno profundo da personalidade.
            Essa alienação perversa origina-se em conduta criminosa pretérita, quando o espírito, sentindo-se injustiçado por não entender as leis de equilíbrio que vigem no Cosmo, tomou a falsa justiça como sua responsabilidade.
            O crime não foi desvelado, ficando no agressor as marcas do sentimento perverso, que se ressumam em crueldade.
            Pode ser que a justiça haja descoberto o homicida e tenha-o levado ao tribunal para prestar contas à sociedade, sendo-lhe aplicada a punição compatível, conforme a lei. Ao invés do transgressor utilizar-se da corrigenda para refazer-se emocionalmente, revoltou-se e na convivência de outros companheiros desditosos, introjetou o veneno do ódio, infelicitando-se. Hoje encontram-se assinaladas na conduta as reações de mágoa e de vingança contra a humanidade que passou a detestar.
            Ao renascer, imprimiu nos tecidos do cérebro as impressões grotescas que lhe influenciam as conexões neuroniais, dando lugar a uma personalidade alienada, insensível, hedionda.
            Em face da lei de causa e efeito renasceu em um lar desagregado, a fim de experimentar os efeitos infelizes das suas ações nefastas, padecendo a injunção de sofrimentos impostos pela mãe enferma ou alcoólica, do pai desarvorado e destituído de compaixão, que lhe aplicaram injustificadas punições ou o expulsaram do lar, atirando-o na voragem das ruas infectas e sombrias da criminalidade.
            Sob outro aspecto, num ambiente mais róseo, econômica em oralmente desenvolveu a inveja e a amargura, não conseguindo superar a inferioridade espiritual que o precipitou novamente nos desvãos da perversidade, cultivando desdém contra as demais criaturas, desejando criva-las de espinhos.
            Em alguns quadros da esquizofrenia encontramos o paciente perverso, que é totalmente destituido de sentimento de culpa ou de consciência de dever, mantendo-se impassível diante do mais tenebroso comportamento que se permite.
            Com imensa capacidade de dissimular os sentimentos, pode manter-se de maneira afável e gentil, para logo expressar-se na sua realidade cruel, quando maltrata e predispõe –se a dizimar aquele contra quem volta o temperamento doentio.
            A ausência de amor, produziu-lhe desvios emocionais, em face do cérebro padecer a escassez de progesterona e serotonina, desarmonizando-lhe as sinapses.
            Sendo o criminoso fruto de uma convivência infeliz com a mãe desnaturada, que não teve condições de amar ou atender o filho, aplicando-lhe sovas contínuas, agredindo-o com expressões danosas, desenvolvendo nele a capacidade de odiá-la, que se refletiu na sociedade a quem culpa pelos sofrimentos experimentados. Toda vez quando agride ou fer, mata ou estupra, no seu inconsciente está fazendo-o à sua mãe ou ao pai detestados, que pretende destruir.
            Esta é a história de criminosos seriais, de bandidos profissionais remunerados para o crime, que apresentam altíssimo índice de crueldade, sem que dêem conta do estado em que se encontram.
            As punições legais aplicadas, nada conseguem com respeito à sua modificação emocional. Mais correto seria o tratamento psiquiátrico, para torna-los úteis, no cerceamento à liberdade, pelo menos a si mesmos, e mais remotamente à sociedade à qual não se sentem vinculados.
            Em pessoas de comportamento normal, a ingestão do ódio em face de preconceitos e injustiças impostas, pode desenvolver a crueldade sobrecarregada com o peso da culpa e da autocompaixão tornando-lhes o fardo mais afligente.
            Na amargura que as domina, surgem crises de arrependimento e formulam propósitos de renovação, que se podem fixar quando encontram apoio, afetividade e compreensão fraternal.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ARROGÂNCIA I

Um dos efeitos mais inconfessáveis da arrogância em nossos relacionamentos é a nossa falta de habilidade para conviver com honestidade emocional perante o brilho dos êxitos alheiros.
                Com rara facilidade, sob ação fascinadora da arrogância, julgamos-nos os melhores naquilo que fazemos. Esse é um efeito dos mais perceptíveis do estado orgulhoso de ser, isto é, a propriedade mental de nos toldar a visão para enxergar o quanto nos iludimos com as fantasias do ego.
                Na maioria das vezes, o mérito alheio ainda é recebido no nosso coração como uma ameaça ou até mesmo uma afronta. Raramente, admitimos tal verdade. O hábito milenar de racionalizar nossos sentimentos constitui uma couraça psicológica enrijecida pelo orgulho.
                A educação dos sentimentos depende de abundante honestidade emocional para conduzir-nos à verdade sobre nós mesmos. Sem consciência de suas raízes, jamais admitiremos a presença do ciúme e da inveja – monstros roedores da paz interior.
                Combalidos por antigas frustrações, desgostosos conosco mesmo, sentimo-nos desvalorizados, tomados por uma sensação de inutilidade e abandono que tentamos mascarar com alegrias fictícias e conquistas perecíveis.
                Os relacionamentos a todo instante sofrem os efeitos indesejáveis da carga vibratória dessas desconhecidas sombras íntimas, criando estados de desconforto que estipulam a antipatia ou mesmo a aversão, sem que haja, de nossa parte, qualquer intenção nesse sentido. São reflexos automáticos que trazemos na vida mental, com enorme poder de ação sobre as atitudes, sem que disso tenhamos consciência.
                E o que é mais grave: por desconhecer a natureza dessas emoções, vemos o argueiro no olho alheio, sendo que temos uma trave em nossa visão espiritual, conforme a assertiva evangélica. Sentimos que as relações não vão bem, mas por incapacidade ou falta de habilidade em analisar a nós próprios, instintivamente fazemos uma projeção na tentativa de descobrir do lado de fora, aquilo que, em verdade, está dentro de nós.
                Que nenhum discípulo de Jesus, perante os fracassos e perdas na vida interpessoal, julgue-se derrotado ou mal-intencionado. Nos serviços da Obra Cristã nos quais somos colaboradores iniciantes, jamais devemos nos permitir desacreditar nas intenções sinceras que sustentam nossos ideais de ascensão. Quase sempre, elas constituem nossa única garantia legítima em direção aos projetos de iluminação espiritual que abraçamos.
                A nobreza de intenções não é suficiente para impedir os efeitos lamentáveis da altivez que carregamos em nossos corações. Por muito tempo ainda, lutaremos tenazmente na colheita infeliz dos reflexos de prepotência e competição, que assinalam nossos impulsos uns perante os outros.
                É um processo natural da evolução. Nada há de errado em sentir o que sentimos. O problema surge quando rebelamos em aceitar e investigar a existência de semelhantes atitudes de cada hora.
                Perdoar e nos perdoar sempre será a solução. Olhemos para nós com lealdade, mas, igualmente, com carinho e misericórdia. Somos almas recém egressas das fileiras do mal. Estamos retomando nossos caminhos após as atitudes enfermiças de esbanjamento psicológico e emocional, que nos aprisionaram nas refregas do vazio existencial.
                Tolerância, indulgência, perdão, compaixão e benevolência são algumas das expressões morais imprescindíveis no trato de uns para com os outros.
                A consciência da extensão de nossas enfermidades nos levará a concluirmos que nosso movimento libertador é um hospital de vastas proporções e especificidades. Como doentes em busca da cura, reconheceremos as necessidades do amor, sem o qual adiaremos nossa alta médica. E que manifestação de amor aplicado mais palpável pode existir que a misericórdia?
                Nada dói tanto quanto a ofensa não intencional, as rusgas não desejadas, as perdas afetivas, as reações inesperadas de ingratidão, o vício em colecionar certezas irremovíveis que traduzem prepotência, a indiferença e o menosprezo. São os frutos da ausência de misericórdia no coração humano.
                Enquanto procurarmos as causas das decepções de nossas relações no estudo das imperfeições, não encontraremos respostas satisfatórias às nossas indagações e nem consolo para nossa alma. Somente compreendendo sinceramente quais lições evangélicas deixamos de aplicar em cada passo do caminho, obteremos alento, orientação e estímulo. Misericórdia para com as imperfeições alheias, piedade para com nossas falhas!
                As casas espíritas orientadas pelas atitudes de amor adotem sem demora o projeto da misericórdia fraternal. Grupos que se reúnam em vivências de honestidade emocional. Que tenham bondade para tratar de seus sentimentos e discuti-los em equipe. Sinceros, porém, acolhedores. Grupos que possam olhar de frente para a arrogância que ainda nos domina, e que tenham coragem de confrontá-la em público. Grupos que saibam pedir perdão. Conjuntos doutrinários dispostos a estimular o brilho das qualidades uns dos outros e dispostos à compaixão com os defeitos e motivados pela abolição da rigidez mórbida.
Do livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos
Wanderley de Oliveira/Ermance Dufaux

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ARROGÂNCIA II

O estudo do sentimento de egoísmo constitui elemento fundamental no entendimento de nossas necessidades espirituais. Significa estudar nossa própria história evolutiva. A sutil diferença entre pensar excessivamente em si e pensar em si com benevolência pode determinar a natureza de todos os sentimentos humanos. O excesso de interesse por si mesmo é um ciclo de ilusões que se repete sustentando o auto-desamor em milênios de perturbação. A benevolência é a bondade efetiva que caminha de braços dados com a edificação da paz interior.
                Na fieira do tempo o egoísmo sofreu mutações infinitas que compõem a versatilidade de toda a estrutura sentimental do Ser. O abuso desses germens de luz tem constituído entrave ao longo dos tempos. A paixão – ausência de domínio sob gerência da vontade – ensejou reflexos perniciosos, cujas raízes encontram-se no egocentrismo – o estado mental de fechamento nas nossas próprias criações.
                Nessa linha de evolução, o instinto de conservação desenvolveu a posse como sinônimo de proteção, vindo a constituir o núcleo da tormenta humana. 
                Alicerçados na necessidade apaixonada de proteção material, enlouquecemos através da posse e a conduta arrogante ensejou-nos a concretização dessa atitude de egoísmo.
                O princípio que gera a arrogância foi colocado no homem para o bem. É a ânsia de crescer e realizar-se. O impulso para progredir. O instinto de conservação que prevê a proteção, a defesa. Tais princípios são os fatores de motivação para a coragem, a ousadia, o encanto com os desafios. Graças a eles surgem os líderes, o idealismo e as grandes realizações inspiradas em visões ampliadas do futuro. O excesso de tudo isso, no entanto, criou a paixão. A paixão gerou o vício. O vício patrocinou o desequilíbrio.
                Comparemos o egoísmo como sendo o vírus e a arrogância a doença, seus efeitos nocivos e destruidores.
                No sentido espiritual podemos inferir vários conceitos para o sentimento de arrogar. Vejamos alguns: exacerbada estima a si mesmo. Supervalorização de si, autoconceito super dimensionado. Desejo compulsivo de se impor aos demais.
                O egoísmo é o sentimento básico. Arrogância é a atitude íntima derivada desse alicerce de sensações nascidas no coração ocupado, exclusivamente, com seu ego. Uma compulsiva necessidade de ser o primeiro, o melhor, manifestada através de um cortejo de pensamentos, emoções, sensações e condutas que determinam o raio espiritual no qual a criatura transita.
                Rigidez, competição, imprudência, prepotência, são as ações mais perceptíveis em decorrência do ato de arrogar que estruturam expressiva maioria dos estados psicológicos e emocionais do ser. A partir desse estado orgulhoso de ser, podemos perceber um quadro mental de rígida auto-suficiência, do qual nascem as ilusões e os equívocos da caminhada humana, arrojando-nos aos despenhadeiros da insanidade aceitável e da rivalidade envernizada.
                O traço predominante na personalidade arrogante é a não conformidade. Usada com equilíbrio, é fonte de crescimento e progresso. Todavia, sob ação dos reflexos da posse e do interesse pessoal, que marcaram, acentuadamente, nossas reencarnações, esse traço atingiu o patamar de rebeldia e obstinação enfermiça.
                A rebeldia tornou-se um condicionamento psicológico que dilata as ações da arrogância. Uma lente de aumento que decuplica e acelera as mutações da auto-suficiência.
                Estudemos as atitudes pilares da arrogância sob as lentes da rebeldia.
                A rigidez é a raiz das condutas autoritárias e da teimosia que, freqüentemente, deságuam nos comportamentos de intolerância. Sob ação da rebeldia, patrocina o desrespeito ao livre-arbítrio alheio e alimenta constantemente o melindre por a vida não ser como ele gostaria que fosse.
                A competição não existe sem a comparação e o impulso de disputa. Quando tomado pela paixão, a força motriz de semelhante ação é o sentimento de inveja. Na mira da rebeldia, causa o menosprezo e a indiferença que tenta empanar o brilho de outrem. A competição é o alimento do sentimento de superioridade.
                A imprudência é marcada pela ousadia transgressora que não teme e nem respeita os limites. Quase sempre, essa inquietude da alma alcança o perfeccionismo e a ansiedade que, freqüentemente, deságuam na necessidade de controle e domínio. Consubstanciam modos rebeldes de ser. Desejo de hegemonia. Sentimento de poder.
                A prepotência é um efeito natural da perspicácia que pode insuflar a megalomania, a presunção. Juntos formam o piso da vaidade. A rebeldia, nesse passo, conduz a uma desmedida necessidade de fixar-se em certezas que adornam posturas de infalibilidade.
                Conforme o temperamento e a história espiritual particular, a arrogância manifesta-se com maior ou menor ênfase em uma das quatro ações descritas, criando efeitos variados no comportamento. Apesar disso, a cadeia de reflexos íntimos é muito similar.
                Egoísmo que na sua mutação transforma-se em arrogância; essa, por sua vez, deriva um cortejo de outros sentimentos sob ação do orgulho e da rebeldia.
                A arrogância retira-nos o senso de realidade. Acreditamos mais naquilo que pensamos sobre o mundo e as pessoas do que naquilo que são realmente. Por essa razão, esse processo da vida mental consolida-se como piso de inumeráveis psicopatologias da classificação humana. A alteração da percepção do pensamento é o fator gerador dos mais severos transtornos psiquiátricos. São as manifestações enfermiças do eu na direção do narcisismo. Na rigidez, eu controlo. Na competição, eu sou maior. Na imprudência, eu quero. Na prepotência, eu posso. A arrogância pensa a vida e, ao pensá-la, afasta-nos dos nossos sentimentos.
                Essa desconexão com a realidade estabelece a presença contínua das fantasias no funcionamento mental, isto é, a interpretação ou imagem desvirtuada que a pessoa alimenta acerca de fatos, pessoas e coisas. Nesse passo existem dois tipos psicológicos mais comuns. A arrogância voltada para o passado, quando há uma fixação em mágoas decorrentes da inaceitação de ocorrências que, na sua excessiva auto-valorização, o arrogante acredita não merecê-la. O outro tipo é a arrogância dirigida ao futuro, quando a criatura vive de ideais, no mundo das idéias, acreditando-se mais capaz e valorosa que realmente o é. Passível de realizar grandes e importantes missões. Tais deslocamentos da mente são formas de evadir de algo difícil de aceitar no presente. De alguma maneira, constituem mecanismos protetores, todavia, quando se prolongam demasiadamente, podem gerar enfermidades psíquicas. A depressão é resultado da arrogância voltada ao passado. E a psicose em relação ao futuro.
                Interessante observar que uma das propriedades psicológicas doentias mais presentes na estrutura rebelde da arrogância é a incapacidade para percebê-la. O efeito mais habitual de sua ação na mente humana. Basta destacar que dificilmente aceitamos ser adjetivados de arrogantes. Entretanto, um estudo minucioso nos levará a concluir que, raríssimas vezes na Terra, encontraremos condutas livres dessa velha patologia moral.
                Relacionemos outros efeitos dessa doença:
1-      Perda do autodomínio.
2-      Apego a convicções pessoais.
3-      Gosto por julgar e rotular a conduta alheia.
4-      Necessidade de exercício do poder.
5-      Rejeição a críticas ou questionamentos.
6-      Negação de sentimentos.
7-      Ter resposta para tudo.
8-      Desprezo aos esforços alheios.
9-      Imponência nas expressões corporais.
10-   Personalismo.
11-   Auto-suficiência nas decisões.
12-   Bloqueio na habilidade da empatia.
13-   Incapacita para a alteridade.
14-   Turva o afeto.
15-   Acreditar que pode mais do que realmente é capaz.
16-   Buscar mais de que necessita.
17-   Querer ir além de seus limites.
18-   Exigir mais do que consegue.
19-   Sentir que somos especiais pelo bem que fazemos.
20-   Supor que temos a capacidade de dizer o que é certo e errado para os outros.
21-   Sentir-se com direitos e qualidades em função do tempo de doutrina e da folha de serviços.
22-   Acreditar que temos a melhor percepção sobre as responsabilidades que nos são entregues em nome do Cristo.
23-   Julgar-se apto a conhecer o que se passa no íntimo de nosso próximo.
24-   Desprezar o valor alheio.

A ausência de consciência sobre esse sentimento e suas manifestações de rebeldia tem sido responsável por inúmeros acidentes da vida interpessoal. Mesmo entre os seguidores das orientações do Evangelho, solapam as mais caras afeições, levando muita vez a tomar os amigos como autênticos adversários.
Ter autoconsciência é uma das habilidades da inteligência emocional. Saber dar nome aos nossos sentimentos é fundamental no processo de crescimento e reforma interior. A arrogância que costumamos rejeitar como característica de nossa personalidade é responsável por uma dinâmica metamorfose dos sentimentos.
A ignorância de seus efeitos em nossa vida é explorada pelos gênios astutos da perversidade no planeta.
Do livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos
Wanderley de Oliveira/Ermance Dufaux

domingo, 21 de novembro de 2010

ARROGÂNCIA III

O reflexo mais saliente do ato de arrogar é a disputa pela apropriação da verdade. Nossa necessidade compulsiva de estarmos sempre com a razão demonstra a ação egoísta pela posse da verdade, isto é, daquilo que chancelamos como sendo a verdade.
                De posse dessa sensação orgulhosa de possuir o certo em nosso ponto de vista, há milênios adotamos condutas que nos causam a agradável ilusão de possuirmos autoridade suficiente para julgar com precisão a vida alheia.
                É com base nesse estado orgulhoso de ser que sustentamos o velho processo psíquico de autofascinação com o qual nutrimos exacerbada convicção nas opiniões pessoais, especialmente em se tratando das intenções e atitudes do próximo.
                Na raiz desse mecanismo psicológico encontra-se a neurótica necessidade de sentirmos superiores uns em relação aos outros, a disputa.
                O orgulho é o sentimento de superioridade pessoal e a arrogância é a expressão doentia desse traço moral.
                Os reflexos mentais do orgulho ainda não nos permitem vencer o sentimento de importância pessoal. Reconhecer pelo coração o valor alheio na Obra do Cristo ainda constitui um enorme desafio educativo para nossas almas.
                A mais destruidora atitude na convivência humana é a nossa arrogância de acreditar convictamente no julgamento que fazemos acerca de nosso próximo. Mesmo imbuídos de intenções solidárias, somo néscios em matéria de limites nas relações humanas. Quase sempre somos assaltados por velhos ímpetos arquivados na bagagem da vida afetiva que nos inclinam a atitudes de invasão e desrespeito para com o semelhante.
                O que faz uma pessoa importante é a sua capacidade de servir, realizar. O impulso para ser útil, edificar, superar limites, alcançar novos patamares de conquistas. É o mesmo princípio originário da arrogância. Entretanto, invertendo a ordem, desenvolvemos a destrutiva acomodação em ser servido.
                Nossa grande dificuldade reside em desconhecer nosso real tamanho evolutivo. Não sabemos quem somos e partimos para adotar referências para fora de nós. Por isso não disputamos quem é o maior conosco e sim o próximo. E para que essa disputa seja legítima, criamos o hábito de julgar através da apropriação da verdade. Diminuindo o outro, sentimo-nos maiores.
                Humildade é saber quem se é. Nem mais, nem menos. É o estado da mente que se despe das comparações para fora e passa a comparar-se consigo própria, mensurando a realidade de si mesma.
                Quem se compara com o outro cria a tormenta e não descobriu sua singularidade, seu valor pessoal. Não se ama e, por isso mesmo, necessita compulsivamente estabelecer disputas, incendiando-se de inveja e colecionando rótulos inspirados em irretorquíveis certezas pessoais.
                Quando nos abrimos para legitimar a humildade em nossas vidas, adotamo-nos como somos, aceitamos nossas imperfeições. Aprendendo a gostar de nós, eliminamos a ansiedade de competir para denegrir ou excluir.
                Quando nos amamos, a ânsia de progredir transforma-se em fornalha crepitante de entusiasmo, distanciando-nos da atitude patológica de prestígio ou reconhecimento. Somente no clima do auto-amor elencamos condições essenciais para analisar as tarefas doutrinárias como campo de oportunidade e aprendizado, crescimento e libertação. Sem auto-amor e respeito aos semelhantes, vamos repetir a velha cena do Evangelho para saber quem é o maior.
                Por que essa compulsão por ser o primeiro em uma obra que não nos pertence?
                Na Obra de nosso Mestre há tarefas e lugares para todos.
                Tarefas maiores, à luz da mensagem do Cristo, não significam prerrogativas para adoção de privilégios ou garantia de autoridade. A expressividade da responsabilidade na Obra do Cristo obedece a dois fatores; necessidade de remissão perante a consciência e merecimento adquirido pela preparação. Em ambas as situações predomina uma só receita para o aproveitamento da oportunidade: esforço, sacrifício, renúncia e humildade.
                Sobre o ombro daqueles que realçam e brilham no movimento doutrinário pesam severos compromissos interiores perante suas consciências. Compromissos que, certamente, não daríamos conta por agora. Portanto, repensemos nosso foco sobre quantos estejam assoberbados com tarefas de realce, analisando seus caminhos como espinhosa senda  corretiva, repleta de desafios e inquietantes angústias da alma.
                Quem se impressiona com o brilho de suas ações se surpreenderia ao conhecer a intensidade dos incômodos e cobranças íntimas que lhos absorvem a consciência ante a grandeza de suas realizações. Ninguém imagina a natureza das tormentas que experimentam os corações sinceros para aprenderem a lidar com o assédio das multidões, atribuindo-lhes virtudes ou qualidades que eles sabem ainda não possuírem. Quanta angústia verte entre o aplauso de fora e as lutas a vencer na sua intimidade.
                Não existem pessoas mais ou menos valiosas no serviço de implantação do bem na Terra. Existem resultados mais abrangentes e expressivos que outros, no entanto, não conferem privilégios ou são sinônimos de sossego interior aos seus autores.
                Uma das mais graves angústias é a revolta que nutrem contra si mesmos quando conscientizam não serem tão essenciais e importantes quanto supunham no plano físico. Vários se entorpeceram com os efeitos sutis e envernizados da arrogância, acreditando-se indispensáveis, missionários e credores de vantagens em razão das realizações espirituais.
                A outra faceta da arrogância é a baixa auto-estima. O desgaste das forças íntimas ao longo desse trajeto de ilusões na supervalorização de si trouxe como efeito o vazio existencial.
                O sentimento de indignidade é o reverso da arrogância. O complexo de inferioridade é a resultante dos desvios clamorosos nesta longa caminhada evolutiva.
                Por essa razão aprender o auto-amor é fundamental.
Do livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos
Wanderley de Oliveira/Ermance Dufaux