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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

LEI DO PROGRESSO


O progresso é lei natural, cuja ação se faz sentir em tudo no universo, não sendo admissível, por conseguinte, possa o homem frustrá-la ou contrapor-se-lhe.
                Com efeito, impulsionado por ela, o homem foi perdendo, ao longo dos séculos, as ferezas do troglodita, a amoralidade do bárbaro, a insipiência do selvagem, num desenvolvimento intelecto-moral vagaroso, mas seguro e ininterrupto, eis que, imagem e semelhança de Deus, está fadado a adquirir todos os conhecimentos da Sabedoria e todas as virtudes da Santidade.
                Claro que ele se encontra, ainda, bastante distanciado dessa perfeição, mas quem quer que conheça um pouquinho de história da civilização, não pode deixar de reconhecer o enorme avanço, não só na técnica como nos costumes, que conseguiu realizar.
                É verdade, sim, que o seu progresso moral se acha muito aquém do fabuloso progresso intelectual a que chegou,  e daí porque prevalece, em nossos dias, uma ciência sem consciência, valendo-se, não poucos, de suas aquisições culturais, apenas para prática do mal.
                Os funestos resultados do mau emprego de sua inteligência recairão, porém, fatalmente, sobre si mesmo, arrancando-lhe sangue, suor e lágrimas em crescente profusão, até que, trabalhado pela dor, ganhará experiência, aprendendo então a equilibrar as forças da mente e do coração, como lhe convém, para que sua marcha ascensional se efetue sem quedas nem desvios.
                É verdade, também, que o egoísmo e o orgulho, inspiradores de muitas das leis iníquas em vigência neste mundo, favorecendo os poderosos em prejuízo dos fracos, podem retardar, como efetivamente têm retardado, a prosperidade e o bem-estar comuns.
                E que a Providência, para dar ao homem o mérito do elevar-se pelo próprio esforço e livre iniciativa, sempre lhe concede moratória para que corrija e aperfeiçoe suas instituições, visando aquele objetivo.
                De tempo em tempo, entretanto, esgotados os compassos de espera, sacode-as violentamente, destruindo privilégios odiosos, preconceitos estúpidos e govdrnos opressores, dando ensejo a que, embora a contragosto dos reacionários e dos retrógrados, o progresso se faça e a conduta humana se harmonize, gradativamente,com a Lei Divina, que outra coisa não quer senão que os bens terrenos sejam partilhados equitativamente por quantos hajam concorrido para produzi-los, e que a paz, alicerçada na justiça, seja uma bênção a felicitar todas as raças e nações.
                Antes de malsinar a civilização, urge que cada um de nós ofereça a sua contribuição pessoal para que ela se apure; e, em vez de tentarmos embaraçar a torrente do progresso, acompanhemo-lo, porque, resistir-lhe, é correr o risco de ser esmagado.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ABORTO DE ANENCÉFALO


                Abortar o feto anencéfalo é matar quem muito precisa da nossa ajuda.
                “O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?
                Há sempre crime, quando se transgride a lei de Deus. A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento”. (Questão 358, de O Livro dos Espíritos – Allan Kardec)
                Dentro da lógica e da evidência da realidade, não temos dúvidas em concluir que somos espíritos eternos, criados por Deus na simplicidade e na ignorância, tendo como objetivo atingir a perfeição, onde lograremos usufruir da paz e da felicidade que tanto almejamos.
                Mas, no contexto dessa longa jornada, que nos conduzirá do estado inferior à angelitude, fazemos uso do livre arbítrio e do esforço próprio.
                A Providência Divina, no âmbito da sua sabedoria, fraternidade e justiça, nos aquinhoa com os recursos e mecanismos de que temos necessidade, visando a concretização da nossa proposta de evolução, mas a tarefa de crescer espiritualmente é totalmente nossa.
                Somos absolutamente livres para decidir e escolher caminhos, devendo apenas, dentro da lei de ação e reação e de causa e efeito, colher os reflexos de cada ação praticada. “Do que plantares, colherás”. (Paulo, Gálatas, 6:8)
                Em relação ao aborto, esse lamentável e covarde gesto de aniquilar o corpo em formação, de quem não tem como se defender, podemos imaginar a seguinte comparação:
                Um familiar querido, numa ação equivocada, desobedecendo as leis de trânsito sofre um grave acidente, ficando com visíveis sequelas em seu corpo. Necessita dos serviços hábeis de médicos competentes, remédios adequados, hospital bem equipado e corpo de enfermagem bem equipado e corpo de enfermagem bem estruturado, para que recupere a normalidade do seu físico ferido.
                Qualquer um de nós que amamos a criatura do exemplo citado, faremos o máximo esforço e nos dedicaremos ao extremo para vê-la refeita e saudável. Movimentaremos toda a nossa potencialidade em favor da sua recuperação. Deixá-la à própria sorte seria comportamento desumano e infeliz.
                Diante do familiar recuperado nos exultaremos de alegria e contentamento e ele se desdobrará em agradecimentos por todos que o socorreram.
                Vislumbremos, agora, na tela da imaginação, o sofrimento de um espírito, também querido familiar nosso, depois de ter falido na sua existência física, deixando o mundo material pelas nefastas vias do suicídio, mediante o disparo de uma arma de fogo contra a sua cabeça.
                O ferimento provocado no corpo físico, por deliberação própria, em momento de aflição e desespero, deixando fortes sequelas em seu corpo espiritual, ao ponto de remetê-lo ao mundo dos desencarnados em grave estado de perturbação e desequilíbrio, somente poderá ser sanado com a volta do espírito, numa nova reencarnação, para reparar na matéria, os danos perpretados.
                Precisa ele de um novo corpo, a se formar no ventre de uma mãe que possa entender as suas dores e angústias. Acontece, então, a gravidez e esse espírito ferido, desarrumado, perturbado e sofrido, cheio de esperança na harmonização emocional, psíquica e física, comanda a formação do novo corpo, que tem como modelo o seu perispírito.
                No entanto, o seu perispírito, devido ao suicídio de ontem, encontra-se estrambelhado o que determinará a formação de um corpo também estrambelhado, dando origem a um feto anencéfalo. Mas, nessas condições, quanto mais tempo o espírito ficar ligado à matéria, mais condições tem de reparar os danos perispirituais.
                Assim, mesmo que o feto do anencéfalo viva tão somente até o seu nascimento ou quem sabe um pouco mais, terá o espírito reencarnante feito um valioso trabalho de reequilíbrio mental e emocional.
                Abortá-lo será negar-lhe a possibilidade de recuperação. Isso acontecendo, o espírito ferido vê suas esperanças esvaírem.          
                Onde, estão os nossos princípios cristãos? Onde o nosso amor e fraternidade por um familiar necessitado? Como determinar a morte de um ser amado, cujas mãos suplicantes nos imploram socorro?
                Abortar o feto anencéfalo... em nome do amor, não façamos isso...

Waldenir Cuin

Fonte: Jornal do Espiritismo Estudado – setembro/2012


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

AUTOCOMPAIXÃO


       Psicologicamente, o homem que cultiva a autopi­edade desenvolve tormentos desnecessários que o deprimem na razão direta em que a eles se entrega.
       Reflexões sobre dificuldades pessoais constituem fenômeno auxiliar para ações dignificadoras, facultan­do a identificação dos recursos disponíveis, bem como avaliação das atitudes que redundaram em insuces­so ou desequilíbrio, a fim de as evitar no futuro ou corrigi-las quanto antes.
       Toda aprendizagem assenta-se nos critérios do erro e do acerto, selecionando as experiências consi­deradas saudáveis, benéficas, que se fixam pela na­tural repetição.
       Desse modo, os insucessos são patamares que propiciam avanços para que se alcancem degraus mais elevados.
       Quando, porém, o indivíduo elege a posição de vítima da vida, assumindo a lamentável condição de infelicidade, encontra-se a um passo de perturbações emocionais graves, logo derrapando em psicopato­logias devastadoras.
A mente, conforme seja acionada pela vontade, torna-se cárcere sombrio ou asas de libertação, e nin­guém se lhe exime à influência.
Conduzida pelos escuros corredores da lamenta­ção, desatrela condicionamentos que aprisionam o ser demoradamente.
Por isso mesmo, o cultivo da autocompaixão, me­diante a insistente reclamação em torno dos aconteci­mentos da vida, demonstrando insatisfação sistemá­tica, transforma-se em mecanismo masoquista de perturbadora presença no psiquismo. A pseudo-afli­ção mantida converte-se em motivo de alegria, reali­zando um mecanismo de valorização pessoal, cujo desvio comportamental plenifica o ego.
Todo aquele que se faculta a autocompaixão neu­rótica é portador de insegurança e de complexo de inferioridade, que disfarça, recorrendo, inconscientemente, às transferências da piedade por si mesmo, sem qualquer respeito pelas demais pessoas. Desenvolve os sentimentos de indiferença pelos problemas dos outros, fechando-se no círculo diminuto da personali­dade mórbida.
No seu atormentado ponto de vista, somente a sua é uma situação dolorosa, digna de apoio e solidarie­dade. E, quando essas expressões de socorro lhe são dirigidas, reage, recusando-as, a fim de permanecer na postura de infelicidade que o torna feliz.
Aquele que se entrega à autocompaixão nunca se satisfaz com o que tem, com o que é, com os valores de que dispõe e pode movimentar. Não raro, encon­tra-se mais bem aquinhoado do que a maioria das pessoas no seu grupo social; no entanto, reclama e convence-se da desdita que imagina, encarcerando-se no sofrimento e exteriorizando mal-estar à volta, com que contamina as pessoas que o cercam ou que se lhe acercam.
Os grandes vitoriosos do mundo lutaram com te­nacidade para romper os limites, os problemas, as enfermidades, os desafios. Não nasceram fortes; tor­naram-se vigorosos no fragor das batalhas travadas. Não se detiveram na lamentação, porque investiram na ação todo o tempo disponível.
Quando se mantém a autocompaixão, extermina-se o amor, não se amando, nem tampouco a ninguém.
O homem tem o dever de aprofundar meditações em torno das aflições e dos seus problemas, a fim de os superar.
O desenvolvimento saudável do ser psicológico impele-o à confiança e o induz à atividade para a aqui­sição do sentido da vida, da sua finalidade.
Quem de si se compadece, recusa-se a crescer e não luta, estagiando na amargura com a qual se com­praz.
Fator de desintegração da personalidade, a auto-compaixão deve ser rechaçada sempre e sem qualquer consideração, cedendo espaço mental para os tenta­mes que levam à vitória, à saúde emocional e à har­monia íntima.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

HISTÓRIA - Você não é Vítima


                Há muito tempo, num reino distante, havia um rei que não acreditava na bondade de Deus. Havia, porém, um súdito que em toda situação lhe dizia:
                - Meu rei, não desanime, porque tudo que Deus faz é perfeito. Ele não erra.
                Dia foram caçar e uma fera atacou o rei. O súdito conseguiu salvá-lo mas não pôde evitar que ele perdesse um dedo da mão.
                Furioso, sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse:
                - Deus é bom? Se Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido um dedo.
                O servo apenas respondeu:
                - Meu rei, apesar de todas essas coisas só posso lhe dizer que Deus é bom e que mesmo perdendo um dedo, foi para seu bem. O que Deus faz é perfeito. Ele nunca erra!
                Indignado com a resposta, o rei mandou prender o súdito.
                Tempos depois saiu o rei para outra caçada e foi capturado por selvagens que faziam sacrifícios humanos.
                Já no altar, pronto para o sacrifício, os selvagens percebem que lhe falta um dedo. Então, soltam-no, pois ele não era perfeito e não poderia ser oferecido aos deuses.
                Ao voltar para o palácio, o rei mandou soltar o súdito e o recebeu carinhosamente.
                - Meu caro, Deus foi realmente bom comigo. Escapei de ser sacrificado justamente por não ter um dedo. Mas tenho uma dúvida: Se Deus é realmente bom, por que permitiu que você, que tanto O defende, fosse preso?
                - Meu rei, se eu não estivesse preso, iria com o senhor para a caçada e como não me falta dedo algum, eu teria sido sacrificado. Por isso lembre-se: tudo o que Deus faz é perfeito. Ele nunca erra. Muitas vezes nos queixamos da vida e das coisas aparentemente ruins que nos acontecem. Esquecemos que tudo tem um propósito.
                Toda a manhã ofereça seu dia à Presença Divina que habita seu coração. Peça-lhe para inspirar seus pensamentos, guiar seus passos, apaziguar seus sentimentos. E nada tema, pois Deus nunca erra.

Terapia Antiqueixa - Roosevelt Andolphato Tiago

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

DEFENDA-SE

Não converta seus ouvidos num paiol de boatos. A intriga é uma víbora que se aninhará em sua alma.

Não transforme seus olhos em óculos da maledicência. As imagens que você corromper viverão corruptas na tela de sua mente.

Não faça de suas mãos lanças para lutar sem proveito. Use-as na sementeira do bem.

Não menospreze suas faculdades criadoras, centralizando-as nos prazeres fáceis. Você responderá pelo que fizer delas.

Não condene sua imaginação às excitações permanentes. Suas criações inferiores atormentarão seu mundo íntimo.

Não conduza seus sentimentos á volúpia de sofrer. Ensine-os a gozar o prazer de servir.

Não procure o caminho do paraíso, indicando caos outros a estrada para o inferno. A senda para o céu será construída dentro de você mesmo.

Do livro: Agenda Cristã – Chico Xavier/André Luiz


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domingo, 25 de novembro de 2012

A REENCARNAÇÃO DOS ANIMAIS


P: Eles podem reencarnar na mesma família onde eram queridos?
R: Os animais, principalmente os domésticos, aprendem conosco, que somos, além de irmãos, seus professores. Durante o tempo em que permanecem conosco, passam por várias experiências, como encarnados e, quando já for o suficiente, provavelmente ele reencarnará em outra família e em outra localidade onde aprenderá coisas que não podemos oferecer. Mas em geral retornam várias vezes ao mesmo lar.
Os animais cumprem alguns roteiros padronizados de aprendizado, além de outros mais particularizados e, desde que passem à contento, seguem para outra fase evolutiva e de aprendizado em companhia de pessoas diferentes que podem oferecer outras novas experiências a eles. O fato de serem queridos é importante, mas não é o fator determinante para que retornem ao mesmo lar.

Marcel Benedeti – Site Comunidade Espírita


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sábado, 24 de novembro de 2012

O RECONHECIMENTO DO AMAR AO PRÓXIMO NA ADOLESCÊNCIA III


Os grandes ideais da humanidade encontraram nos jovens o seu campo de desenvolvimento e de liderança, quando inspirados por homens e mulheres de pensamento e de ação, mas que não podiam conduzir as propostas como se faziam necessárias. Nos jovens, esses ideais floresceram e deram frutos sazonados que passaram para a posteridade como fenômenos transformadores e relevantes, que abriram as portas para o progresso e para o surgimento de novas condutas.
A revolução hyppie, como reação às calamitosas guerras e à hipocrisia vitoriana, proporcionaram à sociedade uma visão mais correta da realidade, das necessidades juvenis, dos seus direitos, das suas imensas possibilidades de realização e de crescimento.
É certo que houve excessos, alguns dos quais ainda não foram corrigidos. Mas é natural que isso aconteça, porquanto toda grande transformação social gera conflitos e danos nos momentos das mudanças, por causa do exagero dos imprevidentes e precipitados. O tempo, no entanto, se encarrega de proporcionar soluções compatíveis, que ensejam novos desafios e novas conquistas.
A conquista do amor, pelo adolescente, nele desenvolve o comportamento altruístico, no qual se destacam a empatia, o sentimento de compartilhar a preocupação e o problema do seu próximo, sem que isso propicie conflito. Ao mesmo tempo, desde o período infantil, o surgimento do autocontrole torna-se indispensável para o êxito do amor, a fim de que os excessos na solidariedade não se tornem comprometedores.
É necessário saber preservar-se, de forma que possa continuar com os valores aceitos sem o desgaste das decepções e choques que ocorrem no inter-relacionamento pessoal, particularmente na área da afetividade. A autoestima sabe selecionar o que fazer, como fazer e quando realizá-lo, de forma que o adolescente possa continuar com o entusiasmo que experimenta, quando ama, sem o exagero da paixão sem orientação, ou a frieza da indiferença que resultaria na morte do amor.
A auto-conscientização que se vem desenvolvendo desde a infância, nesse comenos, torna-se mais importante, propondo a valorização dos atributos morais, espirituais e culturais que devem ser preservados, enquanto os outros que transitam passam a receber a consideração normal, sem o apego que escraviza nem o desprezo que desnorteia.
É evidente que esse processo continuará por toda a vida, já que as etapas da consciência se desdobram paulatinamente em sentido ascensional e de profundidade, que o milagre do amor e do conhecimento consegue estimular para prosseguir.
O grande desafio do amor na vida, quando solucionado, proporciona ao adolescente a paz de que se deixa penetrar, bem como a auto-realização que passa a fazer parte do seu programa de crescimento e de felicidade.

ADOLESCÊNCIA E VIDA                
DIVALDO PEREIRA FRANCO/JOANNA DI ÂNGELIS


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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O RECONHECIMENTO DO AMAR AO PRÓXIMO NA ADOLESCÊNCIA II



           As experiências desenvolvidas na infância, no que diz respeito à cooperação, resultado das brincadeiras que ampliaram a capacidade de trocar brinquedos e alimentos, transformam-se em sentimentos de amor, que crescem em altruísmo e solidariedade. Esse partilhar, esse expressar solidariedade, exige a contribuição valiosa e inestimável do sacrifício pessoal, sem correr o risco da competitividade, do conflito, já que proporciona a compensação de descobrir-se útil, portanto, participante do progresso que se torna inevitável.
A auto-estima acentua-se, no adolescente, que descobre ser aceito pelo seu grupo social, particularmente pelos valores íntimos de que se faz portador, pela capacidade de cooperar, de eliminar dificuldades e impulsionar para a frente todos aqueles que se lhe acercam. Essa valorização do si exterioriza-se como forma de auto-conhecimento, que expande o amor, favorecendo a lídima fraternidade.
Naturalmente surgem momentos difíceis, caracterizados por decisões que não são ideais, mas a experiência do erro demonstra que aquela é a forma menos eficaz para a colheita de resultados felizes, o que ajuda no amadurecimento das realizações.
Sem receio de novas tentativas, permite-se ampliar o círculo de relacionamentos e contribuir de alguma forma em favor das demais pessoas.
Esse tentame sócio-afetivo começa no lar, onde o adolescente redescobre a família, reaproxima-se dos pais, entendendo-lhes a linguagem e os interesses que mantiveram em oferecer o melhor, nem sempre pelos caminhos mais certos. Aparece um valioso sentimento de afetividade e de tolerância para os erros da educação, eliminando mágoas e reservas emocionais que eram mantidas, ao mesmo tempo transformando-se em motivo de contentamento geral.
Da reintegração no conjunto da família se alarga em novas motivações com os colegas e amigos, na escola, no trabalho, no clube de esportes e área de folguedos, porque os seus são sentimentos do amor que plenifica.
É característica desse período não exigir ser amado, mas compensar-se enquanto ama, efetuando uma auto-realização emocional.
A sua filosofia de vida o induz ao espírito de solidariedade mais ampla, cabendo a doação de coisas e até mesmo uma certa forma de autodoação.

ADOLESCÊNCIA E VIDA                
DIVALDO PEREIRA FRANCO/JOANNA DI ÂNGELIS


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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O RECONHECIMENTO DO AMAR AO PRÓXIMO NA ADOLESCÊNCIA I


O despertar do sentimento do amor na adolescência é sempre enriquecedor. Uma poesia nova toma conta da existência e todas as coisas se tornam coloridas, oferecendo impressões dantes não percebidas, que se transformam em fonte de inspiração para as definições de atitudes e prosseguimento daquelas que já se incorporaram ao seu perfil humano e à sua identidade em relação à vida.
A aceitação pelo grupo social emula-o a permanecer desenvolvendo as suas tendências, que são elegidas conforme a capacidade mesma de amar ao próximo e sentir quanto poderá contribuir em favor de melhores dias e mais dignas realizações que lhe estejam ao alcance.
Nesse momento, há o descobrimento da necessidade do interrelacionamento pessoal, escolhendo melhor os indivíduos com os quais deve conviver e crescer, permitindo-se envolver por aqueles que provocam maior empatia e se lhe tornam modelares pela riqueza de valores morais e culturais de que se fazem portadores.
O sexo experimenta mais saudável orientação, deixando de ser direcionado pelos impulsos do instinto, para ser emulado pelo sentimento da afetividade.
O próximo já não se lhe apresenta como estranho, o ser distante, mas a pessoa mais perto dele, seja pelo sentimento de fraternidade, seja pelo companheirismo, tornando-se membro do seu clã, cuja presença e afetividade o compensam emocionalmente.
Sob a motivação do amor, os seus planos em relação ao futuro ganham significado e o tecido social não mais se lhe mostra esgarçado conforme ocorria antes.
Afinal, a vida física tem como finalidade precípua contribuir em favor da sociedade modificada para melhor, quando as criaturas adquirem motivações para prosseguirem no desempenho das suas atividades, libertando-se dos conflitos externos e das pressões que geram desequilíbrios, levando as massas de roldão ao desespero.

ADOLESCÊNCIA E VIDA                
DIVALDO PEREIRA FRANCO/JOANNA DI ÂNGELIS
                                                              

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO


       Um semeador, durante todo o dia, semeou grãos de trigo no seu campo.
       Ao por do sol voltou para casa, cansado, mas, feliz por haver realizado sua missão de trabalho. Se­meara trigo e estava contente porque aquele trigo seria, em breve, transformado em pão, para ali­mento de muita gente.
       Porém, esse homem tinha um inimigo que inve­java suas plantações. O inimigo era mau e queria, a todo custo prejudicar as sementeiras do fazendeiro.
       “Que farei?” — pensava o inimigo. E teve a idéia maldosa de semear pequenas pedras no campo de trigo; mas, poderiam ser retiradas e seu ódio não ficaria satisfeito. Resolveu, então, semear joio onde o trigo havia sido semeado. Foi esse o plano maldoso do inimigo do semeador.
       O joio é uma planta muito parecida com o trigo, mas, não serve para a alimentação do homem, po­dendo até envenená-lo. Eis porque o inimigo do fa­zendeiro quis fazer a mistura do joio com o trigo no campo, visando prejudicar a colheita e causar males aos que se alimentassem do produto daquele campo.
       O inimigo fez o que pensou. Durante a noite, enquanto o fazendeiro e seus trabalhadores dormiam, o homem maldoso entrou no campo e semeou joio no meio do trigal. Completada sua obra de ódio e ruindade, ele se retirou, cuidadosamente.
       Algum tempo depois, quando as espigas de trigo já surgiam no campo, apareceu também o joio.
Então, os trabalhadores foram dizer ao fazen­deiro o que haviam visto no campo:
— Senhor, não semeaste no campo somente boas sementes? Por que, então, está nascendo joio no tri­gal?
O fazendeiro já havia descoberto tudo e respon­deu aos servidores:
— Foi um inimigo que fez isso...
Os trabalhadores lhe perguntaram:
— Senhor, queres que vamos, agora mesmo, arrancar o joio?
O senhor, porém, lhes respondeu com uma expli­cação:
          - Não é possível fazer isso agora. Vocês sabem que o joio é muito parecido com o trigo.
          Se vocês quiserem arrancar o joio, que foi plantado junto com o bom grão, arrancarão também o trigo, pois as raizes de ambos muitas vezes se entrelaçam. Deixem que cresçam juntos o joio e o trigo. Na época da ceifa, eu direi aos ceifeiros que colham primeiro o joio e o atem em feixes para queimá-lo; e depois juntem o trigo no meu celeiro.
(Mateus, capítulo 13º, versículos 24 a 30, e 36 a 43)

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Esta Parábola do Joio e do Trigo, Jesus a contou ao povo da Galiléia. Seus discípulos estavam presen­tes, mas, não a entenderam. Quando Jesus chegou à casa de Simão Pedro, os discípulos lhe pediram que lhes explicasse a parábola.
E o Divino Mestre interpretou-a com muita sim­plicidade.
O Semeador, é Ele mesmo, Jesus, que semeia a boa semente.
O campo é o mundo, Terra onde vivemos.
A boa semente são os filhos do Reino, isto é, são as almas que ouvem o Evangelho e fazem todos os esforços para compreendê-lo e praticá-lo.
O joio são os filhos do Maligno, o que quer dizer, as almas que não querem ouvir as leis divinas nem as cumprir, mas, buscam os maus caminhos do vicio, da maldade e do pecado.
O inimigo, que semeou o joio, é o Diabo, palavra que traduz as Forças do Mal, os Espíritos das Trevas, que lutam contra a obra de Jesus, induzindo as almas ao crime, ao pecado e à injustiça.
A ceifa é o fim do mundo, isto é, a época da regeneração da Terra, quando o nosso planeta dei­xar de ser um mundo de expiação e de provas para ser elevado à categoria de mundo de regeneração, com o surgimento do Reinado de Jesus entre os homens.
Os ceifeiros são Mensageiros da Luz, verdadeiros chefes invisíveis da humanida­de; são os Grandes Espíritos que, em nome de Deus, dirigem os nossos destinos e vão presidir a trans­formação do mundo.
Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será também na época da Grande Regenera­ção em nosso mundo. Haverá uma verdadeira sepa­ração das almas obedientes das rebeldes. Os que desejam sinceramente o caminho do Bem e da Jus­tiça serão distanciados daqueles que, por gosto próprio, preferem o caminho da maldade e da injus­tiça.
Os Grandes Espíritos presidirão a essa separa­ção, que não está longe de ser feita. Todos os que cometem escândalos, maldades, injustiças serão des­tinados aos mundos inferiores, onde serão purifica­dos pelo fogo da dor e da expiação. Nesses mundos inferiores, as almas rebeldes sofrem imensamente.
Outro, bem diferente, é o destino dos justos, das almas obedientes e fiéis. Disse Jesus: “Elas brilha­rão como o sol, no Reino de Deus”. Aqueles que, neste mundo, buscarem fazer o bem aos semelhantes e cumprir os mandamentos divinos, serão, na Eterni­dade, Espíritos bons e dignos, seres felizes, belos e resplandecentes. Eis a recompensa que Deus destina aos Seus filhos bondosos e fiéis.

Do livro: HISTÓRIAS QUE JESUS CONTOU
CLÓVIS TAVARES                                           


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terça-feira, 20 de novembro de 2012

LEI DE SOCIEDADE - A Missão dos Pais


                Como todos sabem, os seres infra-humanos tornam-se adultos e portanto independentes dos pais em menos de um décimo do tempo médio de vida da respectiva espécie, enquanto o homem precisa de um terço de sua existência para alcançar a maturidade.
                Em face disso, os cuidados e obrigações dos pais para com os filhos, entre aqueles, são também muitíssimo menores do que na espécie humana.
                O amor dos animais pela prole é mais instinto do que sentimento, e dura apenas enquanto seja necessário protegê-la contra aquilo e aqueles que lhe ameacem a sobrevivência, cessando, geralmente, quando ela se mostre apta a defender-se e a prover-se, por si mesma, do que tenha mister para a sua conservação.
                Nos homens, essa amor não só é mais duradouro, pois persiste até a morte, como se manifesta em maior intensidade, atingindo, não raro, as raias do heroísmo.
                Essa virtude, entretanto, como acontece com as demais, não se acha igualmente desenvolvida em todos os indivíduos.
                Alguns existem que não têm pelos filhos o carinho e a solicitude das aves e dos mamíferos, já que não titubeiam em dá-los ou mesmo abandoná-los à própria sorte desde a mais tenra idade. Tais criaturas não se compenetraram, ainda, de quanto é sagrada a missão de ser pai ou mãe.
                Outros, ao contrário, fazem dos filhos verdadeiros ídolos, que colocam acima de tudo e de todos, inclusive de Deus. Em seu fanatismo por eles, julgam-nos possuidores das mais excelsas qualidades, recusando-se a admitir sejam capazes de qualquer ação menos digna. Daí porque sempre encontram um meio de justificar-lhes os erros e as sordícias, enxergando neles, invariavelmente, vítimas inocentes da maldade do mundo.
                Essa falta de equilíbrio entre o amor materno ou paterno e o senso de justiça, pode levar muitos pais a praticarem crueldades tremendas, desde que se trate de livrar os filhos de um vexame, de dificuldade ou uma sanção dolorosa, embora lhes caiba inteira responsabilidade por tais situações.
                Essa dedicação das mães pelos frutos de suas entranhas, conquanto compreensível e indispensável até certo ponto, pode tornar-se prejudicial se não for controlada pela mente, isto é, se não obedecer aos ditames da razão, porquanto, aqueles aos quais chamamos nossos filhos são, como nós, espíritos em evolução, reencarnados em nossos lares para que os auxiliemos a melhorarem, a se despojarem de suas imperfeições.
                Sob a aparência de angelitude que lhes caracteriza a infância, podem ocultar-se individualidades que se transviaram do bom caminho, necessitadas de reajuste, a exigirem de nós um pulso firme para conter-lhes os maus pendores, a par de segura orientação cristã para que possam reformar seus caracteres, adquirindo o gosto pelo que é belo, puro e nobre.
                Nos primeiros anos de vida dos filhos, mais no período infantil do que na adolescência, é que podem os pais exercer salutar influência em favor do aprimoramento moral deles, através dos bons conselhos e, o que é mais importante, dos bons exemplos que lhes possam oferecer.
                Se se descuidarem disso, ou, movidos por um amor piegas, deixarem sem corrigenda seus impulsos inferiores, vê-los-ão, ao atingirem a maioridade, reintegrarem-se na posse de si tenha unido aqui na Terra será levado em conta por Deus, no sentido de garantir que continuemos juntos no além? E a mãe que haja merecido o céu, poderá trabalhar pela salvação dos filhos supostamente condenados ao inferno, de modo a poder aconchegá-los, novamente, em seus braços?
As almas formam, no outro lado da vida, grupos afins, nos quais todos aqueles que se estimam permanecem unidos, integrando comunidades tanto mais felizes quanto mais perfeitas as qualidades morais que hajam adquirido. Quando uns reencarnam, seja em missão ou em expiação, os outros que se mantêm na pátria espiritual velam por eles, ajudando-os a saírem vitoriosos. Frequentemente aceitam novas encarnações no mesmo país, no mesmo meio social ou na mesma família, a fim de trabalharem juntos pelo ideal comum  ou pelo seu mútuo adiantamento.
Mesmo os que tenham fracassado numa ou mais existências,  e se achem, por isso, em regiões purgatoriais, sofrendo com as conseqüências de seus erros ou de suas paixões infamantes, não permanecem nessa situação mais que o tempo necessário a que se arrependam e se disponham a redimir-se. Tão logo isso aconteça, aqueles que os amam, embora retardando o seu progresso ou renunciando à felicidade a que fazem jus, descem a ampará-los, encorajam-nos e, não raro, precedem-nos no retorno à Terra, para recebê-los em tutela e encaminhá-los na senda do aperfeiçoamento.
Não se creia, todavia, que todos quantos aqui estiveram ligados pelo parentesco mantenham esses mesmos vínculos nas esferas espirituais. Enganam-se os que imaginam seja assim. As uniões, lá, conforme dissemos acima, obedecem à afeição real, à semelhança de inclinações ou à igualdade de nível evolutivo. Destarte, as pessoas que se uniram, neste mundo, apenas pela atração física, por mera conveniência ou por outra razão qualquer, sem que, em tal convívio, a simpatia lhes fizessem vibrar as cordas do coração, estas, em verdade, não tem nenhum motivo para se procurarem no mundo dos espíritos, visto que as relações de natureza carnal ou de interesse exclusivamente material se extinguem com a causa que lhes deu origem.
Pela lei da reencarnação, as almas amigas se mantêm solidárias, não apenas durante o fugaz período que vai do berço ao túmulo, mas pelos milênios afora, gravitando, juntas, em busca de Deus, nosso Pai Celestial.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

LEI DE SOCIEDADE


O homem é um animal social, já o dizia, com acerto, famoso pensador da Antiguidade, querendo com isso significar que ele foi criado para viver, ou melhor, conviver com seus semelhantes.
                A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege a humanidade.
                É que Deus, em Seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, fez-nos perfectíveis; assim, para atingirmos a perfeição a que estamos destinados, todos precisamos uns dos outros, pois não na como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte de nosso espírito seria o embrutecimento e a estiolação.
                Sendo o fim supremo da sociedade promover o bem-estar e a felicidade de todos os que a compõem, para que tal seja alcançado há necessidade de que cada um de nós observe certas regas de procedimento ditadas pela justiça e pela moral, abstendo-se de tudo que as possa destruir.
                Com efeito, a boa ordem na sociedade depende das virtudes humanas. À medida que nos formos esclarecendo, tomando consciência de nossos deveres para com nós mesmos e para com a comunidade de que somos parte integrante, cumprindo-os à risca, menores e menos freqüentes se irão tornando os atritos e conflitos que nos afligem; mais deleitável a harmonia que devem reinar em seu seio.
                A par disso, para que a sociedade funcione e possa corresponder à sua finalidade, um outro princípio existe que precisa, também, ser observado: o da autoridade.
                Se os indivíduos e os grupos não derem correto atendimento às normas traçadas pelo governo, antes as infrinjam ou desobedeçam, a desordem não tardará a fazer-se senhora da situação, resultando nulas as medidas propostas no sentido do progresso social.
                Porém, ninguém deve exorbitar de suas funções, seja impondo uma sobrecarga de obrigações aos que estejam subordinados à sua jurisdição, seja frustrando-lhes o gozo de seus direitos individuais, porque isso, então, já não seria autoridade, e sim tirania, despotismo.
                Estes conceitos, ampliados, são válidos igualmente para a sociedade natural, formada pelo concerto das nações, cujos membros devem respeitar-se e auxiliar-se mutuamente, tudo fazendo pela concórdia entre os povos e a prosperidade universal, porque, interdependentes que  são, sempre que alguns componentes do cosmo social entrem em guerra ou se vejam a braços com crises econômicas, todos haveremos, de uma forma ou de outra, de sofre-lhes as danosas conseqüências.
                Aqueles que se isolam completamente do contato do mundo, revela forte dose de egoísmo e só merece reprovação, visto que não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a ninguém.
                Já aqueles que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranqüilidade reclamada por certa natureza de ocupação, assim os que se recolhem a determinadas instituições fechadas para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, obviamente, embora afastados da convivência social, prestam excelentes serviços à sociedade, adquirindo duplos méritos, porquanto, além da renúncia às satisfações mundanas, tem a seu favor a prática das leis do trabalho e da caridade cristã.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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sábado, 17 de novembro de 2012

BEBER ALCOÓLICOS É UM FLAGELO SOCIAL


                Se analisarmos atentamente os flagelos da sociedade, na base dos homicídios, quase sempre estão ocorrências atreladas ao consumo de álcool. Os tribunais estão abarrotados de processos em face dos delitos oriundos do consumo de alcoólicos. As penitenciárias estão superlotadas por questões vinculadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Muitas famílias estão aniquiladas, desestruturadas por causa dos alcoólicos de vários arranjos (destilados ou fermentados).
                Os alcoólicos não matam a sede, não aquecem no frio, ao relaxam músculos. Revoguemos esses e outros mitos de que os alcoólicos podem ser bebidos com moderação – isso quase sempre não é verdade. Sob o escudo das desculpas esfarrapadas, um espantoso número de pessoas tem absolvido a devassidão do consumo de bebidas alcoólicas em suas práticas usuais. Muitos são os paranóicos de plantão que se abeiram da insensatez para afiançar eu até mesmo o Cristo bebeu vinho. Nada mais hediondo que essa forma leviana de rebaixar o Mestre até as alamedas de imoralidade e morbidez em que estagiam os viciados.
                Beber é histórica e culturalmente considerado um hábito social inofensivo, um prazer, uma curtição. Tudo muito irônico, até no escárnio das piadas sobre os bêbados. A rigor, o alcoolismo é uma enfermidade grave e crônica que, como qualquer dependência, não tem cura, porém tem tratamento. Desde 2003, os cientistas já afirmavam ter descoberto um gene importante para a explicação dos inúmeros efeitos do álcool no cérebro, e esperavam poder produzir um medicamento que desativasse alguns dos efeitos de prazer ligados à ingestão do álcool, e talvez tentar combater o alcoolismo com remédio. Não deu certo!
                O vício, seja revestido de que caráter for, e onde for e por quem for cometido, nunca deixará de ser um ato nefasto, carecendo ser eliminado a fim de que se reerga o sujeito a ele jugulado, para conseguir seus apropriados caminhos de renovação e exultação.
                Nessas vias em que o vício se oferece como coisa admitida, existem os que fazem questão de se despontar impassíveis a quaisquer advertências do bom senso, sinalizando com o livre-arbítrio, enquanto outros perpetram deboches dos que pregam virtudes, provocando-os com a ridícula exposição de suas moléstias, tão logo acabam de ouvir ou de ler qualquer admoestação ponderada.
                Ingerir alcoólicos apenas para manter companhias sociais, ou para que tragam excitações artificiais para a desinibição ou para o que for, poderá denotar longo período de destrambelhamento e de agonias nos imperiosos desagravos do corpo e da mente, em função dessas autodestruições que se vão perpetrando à sombra de muitas falácias que encachaçam os ouvidos com citações de efeito, bem arranjadas, mas que não impetram apaziguar a consciência, onde agitam as Sublimes Leis.
                Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de status, atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído. Vale ressaltar que ao reencarnarmos trazemos conosco os remanescentes de nossas faltas como raízes congênitas dos males que nós mesmos plantamos. O espiritismo também relata e adverte sobre a influência espiritual oculta, ou seja, o meio espiritual que respiramos pode contribuir para o surgimento de um determinado vício. O viciado e álcool quase sempre tem a seu lado entidades inferiores que o induzem á bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo as mesmas sensações etílicas.
                Há o mito de que a nefasta maconha leva os jovens a outras drogas. Mas é o álcool que faz esse papel. E a própria família incentiva o consumo. O álcool gera uma doença de longa evolução (dez anos em média) e o abuso entre jovens os leva a drogas maiores – uma delas é o exstasy, encontrado em dois tipos de pastilha: a MAP (meta-anfetamina) e a MDMA (metil-dietil-MA), esta com propriedades alucinógenas. O adolescente se expõe hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há s perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool.
                Sabemos que tudo se inicia no primeiro gole. Depois vem a necessidade do segundo, do terceiro e o alcoolismo se instala em nossas vidas. A sede, o sabor, a oportunidade social, as comemorações, a obrigatoriedade em aceitar um drinque oferecido por um amigo, são as muitas desculpas nas quais nos apoiamos para ingerir as doses que mais tarde serão letais. Precisamos estar atentos para não cometer exageros, abusos, e não resvalar por ess hábito social, que pode terminar por nos condicionar a ele e nos transformar num trapo de gente, num farrapo humano. Ressalte-se que os limites entre o uso social e a dependência nem sempre são claros.
                Allan Kardec indagou à espiritualidade se o homem poderia, pelos seus próprios esforços, vencer suas inclinações más. Os espíritos, de maneira objetiva, responderam afirmativamente, explicando que o que falta nos homens (sobretudo nos viciados) é a força de vontade e a legítima fé em Deus.

Jorge Hessen

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – setembro/2012


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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

NEUROSE


        Com características próprias e sem causalidade cerebral, a neurose desequilibra a emoção e gera desajustes fi­siológicos sem patogênese profunda.
As neuroses, porque de apresentação sutil no seu começo — tiques nervosos, repetições de palavras ou de gestos, dependências de bengalas psicológicas, fi­xações psíquicas que se agravam — grassam, na soci­edade, especialmente em decorrência de exigências do grupo social e da coletividade, em formas de pres­sões reais ou aparentes, que, nos temperamentos frá­geis, produzem desarmonia, dando curso a inquieta­ções, às vezes, alarmantes.
É comum fazerem-se acompanhar de episódios e fenômenos somáticos mui variados, como taquicardi­as, prisões de ventre, dores que parecem reais. A me­dida que se agravam, podem levar a paralisias, distúr­bios de postura, de fonação, movimentos desconexos...
Quando se apresentam com manifestações fóbi­cas — medos de ambientes fechados, de altura, de do­enças, amnésia, etc. — trazem componentes graves, de mais difícil recuperação.
O quadro dos estados histéricos, conversivos e ansiosos, radica-se na psique e tende a avançar para as fixações obsessivas e compulsivas atormentantes.
Não raro, as neuroses apresentam-se com caráter de culpa, atormentando o paciente com a inquietante idéia de que, sobre todo mal e insucesso que lhe acon­tece, a responsabilidade pertence-lhe. A manifesta­ção do pensamento de culpa tem um significado auto­punitivo, perturbador, que dissocia a personalidade, fragmentando-a.
Outras vezes, expressam-se como forma de transferência, e a necessidade de culpar outrem aturde o paciente, que se apresenta sempre na condição de vi­tima, buscando, fora de si, as razões que lhe justifi­quem as ocorrências mínimas ou máximas que o de­sagradem. Quando ele não encontra um responsável próximo e direto, apela para a figura do abstrato cole­tivo: a sociedade, o governo, Deus...
Os estados neuróticos são profundamente inquie­tadores e desarmonizam o psiquismo humano, neces­sitando receber conveniente terapia, bem como per­severante esforço de recomposição psicológica.
Aprofundando-se a sonda da inquirição na psi­cogênese dos fenômenos neuróticos, defrontar-se-ão as causas reais na conduta anterior do paciente, que atrelou a consciência a comportamentos desvariados e passou injustamente considerado, recebendo sim­patia e amizade dos amigos e conhecidos, quando deveria haver sido justiçado, transferindo os receios e inseguranças, que permaneceram camuflados por aparência digna para a atual reencarnação, na qual assomam do inconsciente profundo as culpas e os con­flitos que ora se manifestam como processos repara­dores.
Eis por que, ao lado das neuroses, surgem episó­dios de obsessão espiritual que agravam a débil cons­tituição do enfermo, empurrando-o para processos lon­gos de loucura.
Assim ocorre, porque as vítimas das suas ações ignóbeis morreram, porém não se consumiram, e por­que prosseguiram vivendo, reencontram, por afinida­de de consciência de dívida-e-cobrança, os adversá­rios, inflingindo-lhes então maior soma de aflições, a princípio telepaticamente, depois sujeitando-os pelo controle mental e, ainda, mais tarde, de natureza físi­ca, quando ocorrem as subjugações lamentáveis.
A consciência inquieta, que reflete na psicologia do indivíduo os estados neuróticos, encontra-se vin­culada a acontecimentos pretéritos, negativos, quão infelizes.
As moléstias, particularmente na área psíquica, instalam-se, por serem doentes da alma os seus por­tadores.
Toda terapia liberativa deve ter como recurso de auxílio a renovação moral do paciente, sua reeduca­ção através das disciplinas espirituais da oração, da meditação, da relevante ação caridosa, por cujo meio ele se lenifica e se apazigua com aqueles que o odei­am e consigo mesmo, por constatar a excelência da própria recuperação.
Lentamente, a Psicologia Transpessoal identifica esses seres — personalidades anômalas, dúplices, etc. — que interferem no comportamento das criaturas hu­manas e as perturbam, não sendo outros, senão, as almas dos homens que antes viveram na Terra e per­manecem vivos.
Como terapia preventiva a qualquer distúrbio neu­rótico, a auto-análise freqüente, com o exame de cons­ciência correspondente, desidentificando-se das ma­trizes perturbadoras do passado, e abrindo-se às rea­lizações de enobrecimento no presente, com os ansei­os da conquista tranqüila do futuro.
Atuar sempre com segurança após saudável re­flexão, pensar com retidão e viver em paz consigo mesmo, representam o mais equilibrado e expressi­vo caráter psicológico de criatura portadora de saú­de mental.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

HISTÓRIA - Perfume de Gratidão



Jovem e idealista, ela partiu de sua terra natal, a Suíça, para ajudar a reconstruir a Polônia, depois da Segunda Guerra Mundial.
Ela assentou tijolos, colocou telhados, levantou paredes. Até o dia em que um homem cortou a perna e lhe descobriram os dotes para a medicina. Aí, junto a duas outras voluntárias, que tinham conhecimentos de medicina básica, foi servir num improvisado posto médico.
Certa noite, em que suas colegas tinham se deslocado para atender pessoas em outra localidade, ela ficou sozinha. Tomou o seu cobertor, enrolou-se e deitou sob a luz das estrelas.
Nada haverá de me acordar, hoje. Estou morta de cansaço.
No entanto, um pouco depois da meia-noite, um choro de criança a despertou. Ela pensou estar sonhando e não abriu os olhos. O choro voltou a lhe chegar aos ouvidos.
Meio dormindo, ainda, ouviu uma voz de mulher:
Desculpe acordá-la, mas meu filho está doente. Você precisa salvá-lo.
Bastou Elisabeth olhar, de forma rápida, para o garoto de três anos para descobrir que ele era portador de tifo.
Explicou para a mulher que não tinha remédio algum no posto. A única coisa que podia lhe oferecer era uma xícara de chá.
A mulher cravou nela os olhos, com aquele olhar que somente as mães em desespero possuem:
A senhora tem de salvar meu filho. Durante a guerra, nos campos de concentração, morreram doze dos meus filhos e este nasceu lá. Ele não pode morrer. Não agora que o pior já passou.
Elisabeth tomou uma decisão. Se aquela mulher andara tantos quilômetros para chegar até ali, se ela vira serem mortos uma dúzia de filhos na guerra e ainda tinha ânimo para rogar pela vida do único afeto que lhe restava, ela merecia todos os sacrifícios.
Tomou da criança e, com a mãe, caminhou trinta quilômetros, até encontrar um hospital. Depois de muita insistência, conseguiu que a criança fosse internada.
Mas havia uma condição: somente depois de três semanas, elas poderiam retornar para saber notícias. Afinal, o hospital estava cheio e os médicos atolados de tarefas.
Elisabeth voltou para as atividades do seu posto médico e tanto trabalho teve nas semanas seguintes, que até esqueceu o garoto.
Certa manhã, ao despertar, encontrou ao lado do seu cobertor, um lenço cheio de terra. Abrindo-o, viu, junto com a terra, um bilhete: Para a pani doutora.  Da senhora W.  Cujo último dos treze filhos você salvou, um pouco de terra abençoada da Polônia.
O menino estava vivo.
Um grande sorriso se abriu no rosto cansado de Elisabeth.
E ela compreendeu o que acontecera. A mulher andara mais de trinta quilômetros até o hospital e apanhara ali o seu filho vivo.
De Lublin, levara-o de volta até o povoado onde vivia. Pegara um punhado de terra do seu chão e tornara a andar muito para deixar, quieta, sem perturbar, na calada da noite, o seu presente de gratidão.
Elisabeth Kübler-Ross guardou o embrulhinho de terra que se tornou para ela o presente mais valioso que jamais recebera.
*   *   *
A gratidão é perfume acondicionado no frasco d’alma. As criaturas o deixam evolar-se, de forma sutil, envolvendo aqueles a quem são gratos, numa aura de bem-estar.
Naturalmente, ninguém realiza o bem esperando agradecimento mas, quando a gratidão se manifesta, é como a brisa que abençoa a tarde morna com sua presença.
Refaz corações e aumenta a disposição para novas realizações, em prol do próximo.
Redação do Momento Espírita,


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