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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


terça-feira, 30 de abril de 2013

ORGULHO I


Para ser bom mestre não é preciso fazer seguidores ou discípulos, nem mesmo possuir cortejos ou comitivas, mas simplesmente fazer com que cada ser descubra em si mesmo o seu próprio guia. Não devemos ditar nossas regras aos indivíduos, mas fazer com que eles tomem consciência de seus valores internos (senso, emoções e sentimentos) e passem a usá-los sempre que necessário. Essa a função dos que querem ajudar o progresso espiritual dos outros.
                Os indivíduos portadores de uma personalidade orgulhosa se apóiam em um princípio de total submissão às regras e costumes sociais, bem como os defendem energicamente.
                Utilizam-se de um impetuoso interesse por tudo aquilo que se convencionou chamar de certo ou errado, porque isso lhes proporciona uma fictícia “cartilha do bem”, em que, ao manuseá-la, possam encontrar os instrumentos para manipular e dominar e, assim, se sintam ocupando uma posição de inquestionável autoridade.
                Quase sempre se autodenominam bem-intencionados e sustentam uma aura de pessoas delicadas, evoluídas e desprendidas, distraindo os indivíduos para que não percebam as expressões sintomáticas que denunciariam suas posturas de severo crítico, policial e disciplinador das consciências.
                Nos meios religiosos, os dominadores e orgulhosos agem furtivamente. Não somente representam papéis de virtuosos, como também acreditam que o são, porque ainda não alcançaram a autoconsciência.
                Exigem e esperam obediência absoluta, são superpreocupados com exatidão, ordem e disciplina, irritando-se com pequenos gestos que fujam aos padrões preestabelecidos.
                Possuem uma inclinação compulsiva ao puritanismo, despertando, com isso, simpatia e consideração nas pessoas simplórias e crédulas. Algumas, no entanto, por serem mais avisadas e conscientes, não se deixam enganar, discernindo logo o desajuste emocional.
                A missão primordial das almas é a de melhorarem-se pessoalmente e, ale, disso, concorrerem para a harmonia do universo, executando as vontades de Deus.

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

EVOLUÇÃO E FINALIDADE DA ALMA


A alma, como dissemos, vem de Deus; é em nós o princípio da inteligência e da vida. Essência misteriosa, escapa à análise, como tudo que se origina do Absoluto. Criada pelo amor, criada para amar, tão diminuta que pode ser aprisionada em uma forma limitada e frágil, tão grande que, com um impulso de seu pensamento, abrange o infinito, a alma é uma parcela da essência divina projetada no mundo material.
A alma persegue sua marcha evolutiva, percorre as inúmeras estações de sua viagem e vai rumo a um objetivo grande e desejável, um objetivo divino, que é a perfeição.
O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre – como muitos acreditam erroneamente –, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que estejamos inteiramente desenvolvidos e elevados ao estado celeste. Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento, por excelência, da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que sem ele permaneceria retardado nos caminhos da sensualidade. A dor física e moral forma nossa experiência. A sabedoria é o prêmio. Livre dentro dos limites que as leis eternas determinam, ele se torna o arquiteto de seu destino. Seu adiantamento é sua obra. Nenhuma fatalidade o oprime, a não ser a de seus próprios atos, cujas conseqüências nele recaem. Mas só pode desenvolver-se e crescer na vida coletiva com a cooperação de cada um e em proveito de todos. A matéria é o obstáculo útil; ela provoca o esforço e desenvolve a vontade, contribui para a elevação dos seres, impondo-lhes necessidades que os obrigam a trabalhar.

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR
LÉON DENIS


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domingo, 28 de abril de 2013

ÓDIO E SUICÍDIO II


Sem discutirmos a validade ou não da experiência, o ho­mem é pássaro cativo fadado a grandes vôos; ser equipado com recursos superiores, que viaja do instinto para a razão, desta para a intuição e, por fim, para a sua fatalidade plena, que é a perfeição.
Uma psicologia baseada em terapêutica de agressão e li­bertação de instintos, evitando as pressões que coarctam os anseios humanos, certamente atinge os primeiros propósitos, sem erguer o paciente às cumeadas da realização interior, da identificação e vivência dos valores de alta monta, que dão cor, objetivo e paz à existência.
Se não é recomendável para as referidas escolas, a repres­são, pelos males que proporciona, menos será liberar alguns, aos outros agredindo, graças aos falsos direitos que tais paci­entes requeiram para si, arremetendo contra os direitos alheios.
A sociedade, considerada como castradora, marcha para terapias que canalizem de forma positiva as forças humanas, suavizando as pressões, eliminando as tensões através de pro­gramas de solidariedade, recreio e serviços compatíveis com a clientela que a constitui.
O ódio pressiona o homem que se frustra, levando-o ao suicídio. Tem origens remotas e próximas.
Nas patologias depressivas, há muito fenômeno de ódio embutido no enfermo sem que ele se dê conta. A indiferença pela vida, o temor de enfrentar situações novas, o pessimis­mo disfarçam mágoas, ressentimentos, iras não digeridas, ódios que ressumam como desgosto de viver e anseio por interromper o ciclo existencial.
Falhando a terapia profunda de soerguimento do enfer­mo, o suicídio é o próximo passo, seja através da negação de viver ou do gesto covarde de encerrar a atividade física.
Todos os indivíduos experimentam limites de alguma pro­cedência.
Os extrovertidos conquistadores ocultam, às vezes, lar­gos lances de timidez, solidão e desconfiança, que têm difi­culdade em superar.
Suas reuniões ruidosas são mais mecanismos de fuga do que recursos de espairecimento e lazer.
Os alcoólicos que usam, as músicas ensurdecedoras que os aturdem, encarregam-se de mantê-los mais solitários na confusão do que solidários uns com os outros.
As gargalhadas, que são esgares festivos, substituem os sorrisos de bem-estar, de satisfação e humor, levando-os de um para outro lugar-nenhum, embora se movimentem por cidades, clubes e reuniões diversos.
O ser humano deve ter a capacidade de discernimento para eleger os valores compatíveis com as necessidades reais que lhe são inerentes.
Descobrir a sua realidade e crescer dentro dela, aumen­tando a capacidade de ser saudável, eis a função da inteligên­cia individual e coletiva, posta a benefício da vida.
As transformações propõem incertezas, que devem ser enfrentadas naturalmente, como as oposições e os adversári­os encarados na condição de ocorrências normais do proces­so de crescimento, sem ressentimentos, nem ódios ou fugas para o suicídio.
O homem que progride cada dia, ascende, não sendo atin­gido pelas famas dos problematizados que o não podem acom­panhar, por enquanto, no processo de crescimento.
Alcançado o acume desejado, este indivíduo está em con­dições de descer sem diminuir-se, a fim de erguer aquele que permanece na retaguarda.
Ora, para alcançar-se qualquer meta e, em especial, a da paz, torna-se necessário um planejamento, que deflui da au­toconsciência, da consciência ética, da consciência do conhe­cimento e do amor,
O planejamento precede a ação e desempenha papel fun­damental na vida do homem.
Somente uma atitude saudável e uma emoção equilibra­da, sem vestígios de ódio, desejo de desforço, podem plane­jar para o bem, o êxito, a felicidade.

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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sábado, 27 de abril de 2013

ÓDIO E SUICÍDIO I


Liberar-se do forte cipoal das paixões animalizantes para os logros da razão é o grande desafio que tem pela frente.
Onde quer que vá, encontra-se consigo mesmo.
Os mitos de todos os povos, na história das artes, das filo­sofias e das religiões, apresentam a luta contínua do ser liber­tando-se da argamassa celular, arrebentando algemas para fir­mar-se na liberdade que passa a usar, agressivamente, no co­meço, até converter-se em um estado de consciência ética plenificador, carregado de paz.
Em cada mito do passado surge o homem em luta contra forças soberanas que o punem, o esmagam, o dominam.
Gerado o conceito da desobediência, o reflexo da puni­ção assoma dominador, reduzindo o calceta a uma posição ínfima, contra a qual não se pode levantar, sequer justificar a fragilidade.
Essa incapacidade de enfrentar o imponderável — as for­ças desgovernadas e prepotentes — mais tarde se apresenta camuflada em forma de rebelião inconsciente contra a exis­tência física, contra a vida em si mesma.
Obrigado mais a temer esses opressores, do que a os amar, compelido a negociar a felicidade mediante oferendas e cul­tos, extravagantes ou não, sente-se coibido na sua liberdade de ser, então rebelando-se e passando a uma atitude formal em prejuízo da real, a um comportamento social e religioso conveniente ao invés de ideal, vivendo fenômenos neuróti­cos que o deprimem ou o exaltam, como efeitos naturais de sua rebelião íntima.
Ao mesmo tempo, procurando deter os instintos agressi­vos nele jacentes, sem os saber canalizar, sofre reações psi­cológicas que lhe perturbam o sistema emocional.
O ressentimento — que é uma manifestação da impotência agressiva não exteriorizada — converte-se em travo de amar­gura, a tornar insuportável a convivência com aqueles contra os quais se volta.
Antegozando o desforço — que é a realização íntima da fraqueza, da covardia moral — dá guarida ao ódio que o com­bure, tornando a sua existência como a do outro em um ver­dadeiro inferno.
O ódio é o filho predileto da selvageria que permanece em a natureza humana. Irracional, ele trabalha pela destrui­ção de seu oponente, real ou imaginário, não cessando, mes­mo após a derrota daquele.
Quando não pode descarregar as energias em descontrole contra o opositor, volta-se contra si mesmo articulando me­canismos de autodestruição, graças aos quais se vinga da so­ciedade que nele vige.
Os danos que o ódio proporciona ao psiquismo, por des­trambelhar a delicada maquinaria que exterioriza o pensa­mento e mantém a harmonia do ser, tornam-se de difícil cata­logação.
Simultaneamente, advêm reações orgânicas que se refletem nas funções hepáticas, digestivas, circulatórias, dando origem a futuros processos cancerígenos, cardíacos, cere­brais...
A irradiação do ódio é portadora de carga destrutiva que, não raro, corrói as engrenagens do emissor como alcança aquele contra quem vai direcionada, caso este sintonize em faixa de equivalência vibratória.
Lixo do inconsciente, o ódio extravasa todo o conteúdo de paixões mesquinhas, representativas do primarismo evo­lutivo e cultural.
Algumas escolas, na área da psicologia, preconizam como terapia, a liberação da agressividade, do ódio, dos recalques e castrações, mediante a permissão do vocabulário chulo, das diatribes nas sessões de grupo, das acusações recíprocas, pre­tendendo o enfraquecimento das tensões, ao mesmo tempo a conquista da auto-realização, da segurança pessoal.

(continua)

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis

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sexta-feira, 26 de abril de 2013

CARIDADE ALÉM DAS ESMOLAS


A diferença social entre a classes pode ser notada facilmente, no deslocamento das vias todos os dias, o ser humano se depara com cidadãos “sem um teto para chamar de seu”, abandonados a própria sorte, nas ruas, padecendo todos os tipos de necessidade, inclusive aquelas mais básicas.
                Grande parte da população está tão preocupada com a sua própria vida, que se esquece de olhar para o lado, para aquele que está tão próximo. Alguns dizem por aí que o Brasil não vai para frente, porque os políticos não executam as suas tarefas da forma adequada, não respeitam o ser humano. E nós, o que fazemos de diferente para tentar mudar essa realidade?
                O brasileiro por hábito, costuma ceder esmolas aos necessitados, que em grande parte das vezes, mais do que uns trocados, necessitam de apoio social e moral, sem contar que nem sempre essas doações são feitas espontaneamente. Por vezes, pequenas quantias são doadas, por pressão social, ou para livrar-se do pedinte.
                Será que esta é a caridade que Jesus demonstrou quando esteve na Terra?
                Para o espiritismo, o termo caridade vai muito além do seu significado, e não é só uma questão material: dar o que não é mais utilizado. É preciso doar o que os indivíduos tem de melhor: conhecimento, solidariedade, fraternidade, carinho e amor.
                Os espíritos superiores deixaram claro na questão 886, que “o amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer todo o BM que está ao nosso alcance e que gostaríamos que nos fosse feito. Esse é o sentido das palavras de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como irmãos”. A caridade, para Jesus, não se limita à esmola. Ela abrange todas as relações com nossos semelhantes, sejam inferiores, iguais ou superiores. Ensina a indulgência, porque temos necessidade dela, e não nos permite humilhar os outros, ao contrário do que muitas vezes se faz. Se uma pessoa rica nos procura, temos por ela mil atenções, mil amabilidades; se é pobre, parece não haver necessidade de nos incomodar. Porém, quanto mais lastimável sua posição, mais se deve respeitar, sem nunca aumentar sua infelicidade pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar o inferior aos seus próprios olhos, diminuindo a distância entre ambos”.
                Se o mundo fosse movido pela caridade, muitos sentimentos destrutivos não se apossariam do ser humano: inveja, orgulho, rancor, pessimismo, etc. quem ajuda, não tem tempo para cultivar pensamentos negativos. Mas devemos nos lembrar, que a caridade precisa começar a ser exercida dentro de casa. Se não consigo ser bom com quem está próximo, como posso estender a minha mão para os que estão distantes?
                Sigamos os exemplos de Jesus, que trabalhou no bem, durante toda sua jornada na Terra, e caminhemos em prol de um mundo de regeneração e paz, que será construído com nossas próprias mãos, tijolo por tijolo, com edificação firme, pois casas construídas na areia são sempre levadas pelo vento.

Renata Girodo

Fonte: Jornal Verdade e Vida – fev/mar - 2013


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quarta-feira, 24 de abril de 2013

ENFERMIDADE E CURA III


O auto-amor induz à elevação dos sentimentos e à conquista de valores éticos que promovem o indiví­duo e o iluminam interiormente, Nele estão os cuida­dos pelo corpo e sua preservação através dos recur­sos ao alcance, estimulando órgãos e células a um funcionamento harmônico, decorrente dos pensamen­tos auto-estimulantes, auto-refazentes. Igualmente é necessário desenvolver o intelecto e a emoção para marcharem juntos como asas para largo vôo, ense­jando-se conhecimento e atividade fraternal benefi­cente, que faz bem primeiro àquele que a pratica, auxiliando depois quem dela necessita.
Não é um referencial ao gozo pessoal nem às auto-satisfações dos sentidos, mas um notável recurso de equilíbrio íntimo com vistas à iluminação pessoal.
Esse amor terapêutico auxilia os campos vibrató­rios afetados pelas doenças, restaurando-lhes as defi­ciências e recompondo a harmonia do todo.
Com efeito, não evita que se adoeça ou que se morra, o que, se ocorresse, agrediria a lei da vida que estabelece: Tudo quanto nasce, morre, no que se refe­re ao fenômeno biológico terminal da matéria, em in­cessantes transformações.
Nessa visão do auto-amor, a enfermidade e a morte não constituem fracasso do ser, antes o caminho para a vida. O conceito de realidade então se altera, pas­sando a constituir-se uma plenitude que se alcança no corpo e fora dele, com naturais acidentes de per­curso. A saúde não é mais uma compulsória para a existência corporal, senão um estado sujeito a múlti­plas alterações que decorrem das variantes compor­tamentais do ser integral e que somente será lograda plenamente após o despir dos andrajos físicos, desde que estes são temporais, impermanentes.
Não obstan­te, o auto-amor enseja o desfrutar de bem-estar, de equilíbrio, de funções e órgãos saudáveis, cooperan­do para a estabilidade emocional.
Tem-se asseverado que a tensão nervosa é um dos tiranos destruidores do corpo e dos seus equipamen­tos, no entanto, a forma como é enfrentada, tem muito mais a ver com os seus prejuízos.
Na amorterapia a tensão cede lugar à confiança e amortece-se face à entrega do ser a Deus, relaxando os focos de desespero e ansiedade, os compressores dos nervos, geradores de tensão.
No auto-amor, a confiança irrestrita na realidade, da qual ninguém foge, faculta o equilíbrio propiciador da saúde. Esse sentimento produz otimismo, que é fator preponderante para o restabelecimento do cam­po de energia afetado pelo transtorno, que favorece com uma mudança de comportamento mental, portan­to, agindo no fulcro gerador das vibrações.
Quando se vive de forma diversa à que se exterio­riza, isto é, quando se fala e aparenta algo que se não faz, há uma tendência a contrair algum tipo de enfer­midade, porque a saúde não suporta essa duplicida­de, que é geradora de infortúnio.
Há um inter-relacionamento entre mente e corpo mais sério do que parece. Desse modo, o auto-amor estimula à veracidade dos atos e das palavras, sus­tentando a saúde ou corrigindo a doença.
Os tecidos orgânicos interagem por intermédio de substâncias químicas que se movimentam na corren­te sanguínea e pelos hormônios do aparelho endócri­no. A hipófise é-lhes a responsável, que recebe os es­tímulos mediante impulsos nervosos do hipotálamo, que regula a maior parte dos fenômenos e automa­tismos fisiológicos. Todo esse mecanismo ocorre atra­vés de fibras nervosas, procedentes do cérebro, que as comanda sob as ordens da mente, consciente ou inconscientemente. Por isso, a indução do auto-amor promove vibrações harmônicas que terminam por manter, organizar ou reparar o organismo, propician­do-lhe saúde, quando enfermo.
Psicologicamente o auto-amor é, sobretudo, auto-encontro, conquista de consciência de si mesmo, ma­turidade, equilíbrio.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis

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terça-feira, 23 de abril de 2013

ENFERMIDADE E CURA II


As provações, por sua vez, são corretivos tempo­rários que servem de advertência à insânia ou à co­modidade, ao erro ou ao vício, facultando a reconquis­ta da harmonia mediante esforço justo de recompo­sição interior, reintegrando o ser na ordem vigente do Universo.
Não nos referimos aqui aos quesitos das neces­sidades morais e sociais, detendo-nos, apenas, na­queles pertinentes à saúde e à doença.
Esses quadros das ações morais geram as reações correspondentes, como leis de causa e efeito, prope­lindo a resgates idênticos aos danos e prejuízos pro­duzidos.
Conhecidos esses efeitos como carma, também esse pode ser positivo e edificante conforme as reali­zações anteriores, que propiciem felicidade e paz.
Vulgarmente, porém, o conceito de carma passou a ser aceito como imperativo afugente e reparador, a que ninguém foge, por efeito das suas más ações. Entretanto, esse carma, quando provacional, tem a liberar o livre-arbítrio daquele que o padece, como através do mesmo pode mais encarcerar-se, a depen­der do novo direcionamento que lhe ofereça.
As realizações morais geram energias positivas que anulam aquelas negativas, que propiciam o sofri­mento de qualquer natureza, ensejando estímulos para a superação das antigas conjunturas atormentantes.
Sujeito, por espontânea escolha, ao carma nega­tivo, o ser expressa, além dos problemas na área da saúde, conflitos diversos na emoção, no comportamen­to, a surgirem como complexo de culpa (inconscien­te), timidez, medo, ansiedade, insegurança... Ao mes­mo tempo, autodesvalorização, ausência da auto-es­tima, presença de outros complexos, como os de superioridade, de inferioridade, narcisismo, de Édipo, de Eletra, e mais outros, gerando patologias graves que, não obstante, podem ser superadas mediante terapi­as especializadas e grande esforço pessoal.
No vasto quadro das enfermidades, a ausência do auto-amor do paciente responde pela desarmonia que o aflige. Nem sempre essa manifestação é consciente, estando instalada nos seus refolhos como forma de desrespeito, desconfiança e mágoa por si mesmo, de­fluentes das ações infelizes pretéritas.
Quando uma doença se instala no organismo físico há uma fissura no conjunto vibratório que o mantém. A mente deve então ser acionada de imediato para corri­gir tal distúrbio, de modo a propiciar-se a saúde.
Quase sempre, porém, os tóxicos da ira, da re­beldia e do ressentimento são introjetados no orga­nismo, agravando mais a paisagem afetada.
Quase sempre inseguro, o ser considera que não merece o que lhe ocorre agora e teme pelo agravamen­to do mal, que se lhe transforma em problema afugente, ao qual acrescenta os fantasmas da dúvida, do aturdi­mento, do desamor cultivado sob muitos disfarces.
A amorterapia tem as suas diretrizes firmadas no ensinamento evangélico, proposto por Jesus, quando estabeleceu: — Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, como a si mesmo é um imperativo que não pode ser confundido com o egoísmo, ou o egocentrismo, mas com o respeito e direito à vida, à felicidade que o indivíduo tem e merece.
Trata-se de um amor pre­servador da paz, do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais, espirituais, intelectuais para consi­go mesmo, sem o que, a manifestação do amor ao próximo é transferência da sua sombra, da sua ima­gem (fracassada) que logo se transforma em decep­ção e amargura, ou a Deus, a Quem não vê, tudo dEle esperando, ainda como mecanismo de fuga da res­ponsabilidade.

(continua)

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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segunda-feira, 22 de abril de 2013

ENFERMIDADE E CURA I


O fenômeno biológico do desgaste orgânico, das distonias emocionais e mentais da criatura humana, é perfeitamente natural como decorrência da fragilida­de estrutural de que se constitui.
Equipamentos delicados, que são, sofrem as influ­ências externas e internas que contribuem para as suas alterações, e até mesmo a sua morte, mediante as in­cessantes transformações a que se encontram sujeitos.
Temperaturas que se alternam e ultrapassam os limites da sua resistência, condições outras atmosféri­cas e de insalubridade, colônias de bactérias e microor­ganismos agressivos, quão destruidores, atacam-lhe as peças e quase sempre as vencem, estabelecendo dis­túrbios que se transformam em enfermidades variadas.
Por outro lado, choques emocionais, estados ina­bituais de depressão e ansiedade, pressões de qual­quer ordem, especialmente as psicossociais e econô­micas, as afetivas, arrastam-nos a desorganizações perturbadoras. Seqüelas de várias doenças, muitas delas agridem esses mais intrincados conjuntos ele­trônicos, produzindo perturbações funcionais e psíqui­cas, que tipificam desequilíbrios da mente e da emoção.
A própria constituição desses órgãos tem muito a ver com as origens genéticas e, posteriormente, com os fatores organizadores do lar, da família, do grupo social, contribuindo decisivamente para as manifes­tações de saúde ou de desconserto.
O ser, porém, em si mesmo trinitário — Espírito, perispírito e matéria — é o resultado de largo proces­so de educação e desenvolvimento, através das con­tínuas experiências reencarnacionistas.
Em cada fase da vilegiatura, no corpo ou fora dele, o Espírito conquista bênçãos que incorpora ao patri­mônio evolutivo, moldando os futuros corpos de acor­do com tais aquisições, que são afetadas vibratoria­mente pelas ondas de energia positiva ou negativa que emite sem cessar.
Como conseqüência, cada criatura é especial, com reações específicas e modelagem própria, embora semelhanças profundas em umas, quão discordantes em outras.
Esse logros da evolução refletem-se na constitui­ção orgânica, na emocional e na psíquica, selecionan­do genes e valores que lhes facultem estabelecer os aparelhos correspondentes e necessários para o prosseguimento da evolução.
Assim organizam-se moralmente as estruturas expiatórias e provacionais, como recursos necessári­os para a aprendizagem e a fixação dos valores propi­ciatórios ao progresso.
As expiações normalmente talam o ser orgânico ou psíquico de maneira irreversível, como decorrên­cia dos atos pretéritos de rebeldia: suicídio, homicí­dio, perversidade, luxúria, concupiscência, avareza, ódio e os seus sequazes.

(continua)

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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domingo, 21 de abril de 2013

ANTE A ORAÇÃO


Acatemos na oração a presença da luz que nos descortina a estrada para a Vida Superior, sem prevalecer-nos dela, a fim de queixar-nos de outrem ou espancar verbalmente seja a quem seja, quando a nossa comunhão com Deus e com a Espiritualidade Superior não seja possível em lugar á parte, no silêncio do coração, conforme a recomendação de Jesus.

Fonte: Sinal Verde – Chico Xavier/André Luiz





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sábado, 20 de abril de 2013

CILADA


Nunca desanimes, quando te sentires assediado por esses vândalos do mundo espiritual inferior.
                Quanto mais responsabilidades tenhas, maior será o cerco em volta dos teus passos.
                Porque és fiel ao objetivo que persegues, mais violentas serão as técnicas usadas nas ciladas que preparam.
                Dulcifica-te e não reajas ao mal.                                                  
                Age com bondade e sê fiel em qualquer circunstância ao ideal ao qual te afervoras.
                Nunca revides, mesmo quando agredido, desperdiçando valiosa quota de energia com o que realmente não tem significado real, exceto aquele que lhe atribuis.
                Ora e confia, alegrando-te quando sob chuva de calhaus e sorrindo quando jornadeando sobre cardos, deixando pegadas de dor e de júbilo pelo caminho, a fim de que demonstres que segues aquele que aparentemente morreu vencido em uma cruz de vergonha, e que, após essa máxima cilada dos maus, retornou triunfante conforme prometera.

Do livro: Entrega-te a Deus
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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sexta-feira, 19 de abril de 2013

ALMAS EM PROVA

É possível estejas atravessando a provação de observar criaturas queridas, nas
sombras de provação maior.
Almas queridas anestesiadas no esquecimento de obrigações que lhes dizem respeito; companheiros dominados por enganos que lhes furtam a paz; filhos que se terão marginalizado em desequilíbrio; e amigos que se afirmam cansados de esperar pela vitória do bem para abraçarem depois larga rede de equívocos que se lhes farão caminhos dolorosos...
Ao invés de reprová-los, compadece-te deles e continua fiel ao trabalho de
elevação que esposaste.
Se permanecem contigo, tolera-lhes com bondade os impulsos de incompreensão, auxiliando-os, quanto puderes, a fim de que se retomem na segurança de que se distanciam.
Se te abandonam, não lhes impeças a marcha, no rumo das experiências para
as quais se dirigem.
Sobretudo, abençoa-os com os teus melhores pensamentos de proteção.
Recorda que se consegues ajuizar quanto às necessidades de alma que patenteiam, é forçoso reconhecer que são eles doentes perante a sanidade em que te mostras.
Busca entender-lhes a perturbação e ora por eles.
São companheiros que a rebeldia alcançou em momentos de crise; corações que
se renderam ao materialismo que admite os prodígios da vida unicamente por um dia; seres amados que ainda não suportam a disciplina pelo próprio burilamento ante a imaturidade em que se encontram ou espíritos queridos sob a hipnose da obsessão.
Embora pareça não te amem, ama-os mesmo assim.
Entretanto, se te permutam a fé por insegurança ou se trocam a luz pelo nevoeiro, não precisas acompanhá-los porque os ames.
Se tudo já fizeste para sustentá-los em paz, entrega-os à escola do tempo que
de ninguém se desinteressa.
Os que procuram voluntariamente espinheiros e pedras na retaguarda, um dia,
voltarão à seara do bem que deixaram...
Onde estiveres, abençoa-os.
Como estiverem, abençoa-os.
E a inda que isso te doa ao coração, continua fiel a ti mesmo, no lugar de servir
que a vida te confiou, porque Deus os protege e restaura no mesmo infinito amor com que vela por nós.
Teus mais íntimos pensamentos são ímãs vigorosos trazendo-te ao roteiro as
forças que procuras.

Emmanuel

Fonte: Irmão – Chico Xavier/Espíritos Diversos


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quinta-feira, 18 de abril de 2013

O NECESSÁRIO


"Mas uma só coisa é necessária." -Jesus. (LUCAS, 10:42.)

Terás muitos negócios próximos ou remotos, mas não poderás subtrair-lhes o caráter de lição, porque a morte te descerrará realidades com as quais nem sonhas de leve...
Administrarás interesses vários, entretanto, não poderás controlar todos os ângulos do serviço, de vez que a maldade e a indiferença se insinuam em todas as tarefas, prejudicando o raio de ação de todos os missionários da elevação.
Amealharás enorme fortuna, todavia, ignorarás, por muitos anos, a que região da vida te conduzirá o dinheiro.
Improvisarás pomposos discursos, contudo, desconheces as conseqüências de tuas
palavras.
Organizarás grande movimento em derredor de teus passos, no entanto, se não construíres algo dentro deles para o bem legítimo, cansar-te-ás em vão.
Experimentarás muitas dores, mas, se não permaneceres vigilante no aproveitamento da luta, teus dissabores correrão inúteis.
Exaltarás o direito com o verbo indignado e ardoroso, todavia, é provável não estejas senão estimulando a indisciplina e a ociosidade de muitos.
"Uma só coisa é necessária", asseverou o Mestre, em sua lição a Marta, cooperadora dedicada e ativa.
Jesus desejava dizer que, acima de tudo, compete-nos guardar, dentro de nós mesmos, uma atitude adequada, ante os desígnios do Todo-Poderoso, avançando, segundo o roteiro que nos traçou a Divina Lei. Realizado esse "necessário", cada acontecimento, cada pessoa e cada coisa se ajustarão, a nossos olhos, no lugar que lhes é próprio. Sem essa posição espiritual de sintonia com o Celeste Instrutor, é muito difícil agir alguém com proveito.

Fonte: Vinha de Luz – Chico Xavier/Emmanuel


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quarta-feira, 17 de abril de 2013

EVOLUÇÃO DA ALMA ANIMAL

Alguns animais são muito inteligentes e algumas vezes parecem ter mais sentimentos do que muitas pessoas que conheço. Será que eles não são mais inteligentes do que a gente pensa e por causa desta nossa ignorância os tratamos como se fossem objetos?
            Quando falamos sobre a mediunidade dos animais, nós comentamos sobre a dificuldade de comunicação que existe entre nós e os animais. Seria como se tentássemos nos entender com algum estrangeiro que somente consegue pronunciar palavras em seu idioma e não os compreendemos. Se deparamos com este estrangeiro, somente pelo fato de não conseguir se expressar por um idioma que entendamos, não se pode julgar que ele seja um idiota, ou que seja completamente desprovido de inteligência. Talvez ele tenha uma inteligência média, ou talvez tenha uma inteligência elevada, mas como saber se não os entendemos, se não sabemos o que ele diz?
            Com os animais acontece o mesmo. Enquanto não nos comunicarmos convenientemente com eles, não poderemos saber o que pensam. Do ponto de vista deles é provável que nos achem estúpidos também porque não os entendemos.
            Nos Estados Unidos, em uma universidade, alguns cientistas treinaram um animal, um bonobo, que é uma espécie de chimpanzé, para que acionasse um teclado que poderia simular a voz humana ao toque de uma das teclas. Cada tecla acionada reproduzia um pedido, uma palavra ou uma frase feita. Por intermédio dele, o macaco foi capaz de se comunicar com os cientistas por meio de palavras inteligíveis e coordenadas, demonstrando que eles são inteligentes e pensam. Com o teclado foi capaz de emitir opiniões e fazer comentários sobre alguns assuntos. Na Alemanha do século IX, um senhor treinou seus cavalos para que pudessem se comunicar por batidas com as patas no solo formando um código. Os eqüinos não somente podiam falar por este método, mas também resolviam problemas matemáticos complexos. Aprendendo a usar a linguagem das mãos para surdo-mudos, a gorila Koko, que perdeu um filhote, pediu que lhe dessem uma gata para adotar e acabou por receber uma gatinha que cuidou como se fosse seu filhote. Na Inglaterra viveu no século IX um chimpanzé chamado Essau, que somente andava de smoking, ia aos restaurantes com seu dono, pagava as contas e assistia a peças de teatro.

Fonte: A Espiritualidade dos Animais – Marcel Benedeti


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terça-feira, 16 de abril de 2013

ORGULHO II

                 
Nenhuma ocorrência, fato ou pensamento deverá ser sentido ou analisado separadamente, pois o “Grande Sistema”, que nos rege, age de forma interdependente.
                Apesar de sermos únicos, todos fomos criados para contribuir coletivamente no mundo e para usar as possibilidades de nossa singularidade.
                Para tudo há um sentido e uma explicação no universo. Sempre estará implícita uma mensagem proveitosa para nosso progresso espiritual, muitas vezes, porém, de forma inarticulada e silenciosa.
                Nunca nos esqueçamos de que a vida sempre agirá em nosso benefício, quer nos setores da solidão, quer nos de muitas companhias, ou seja, entre encontros, desencontros e reencontros. A aflição também é um benefício: “Todo sofrimento é um ato importantíssimos de conhecimento e aprendizagem”.
                Se bem entendermos, no entanto, as verdadeiras intenções das lições a nós apresentadas, retiraremos tesouros imensos de progresso e amadurecimento espiritual.
                As dificuldades que a vida nos apresenta têm sempre um caráter  educativo. Mesmo que as vejamos agora como castigo ou punição, mais tarde tomaremos consciência de que eram unicamente produtos de nosso limitado estado de compreensão e discernimento evolutivos.
                Descobrir a vida como um todo será sempre um constante processo de trabalho dos homens. Efetivamente, a vida é trabalho e movimento, e para fazermos nosso aprendizado evolutivo há um certo tempo de gestação, se assim podemos dizer. Na vida nada está perdido; aliás, existe a época certa para cada um saber o que é preciso para se desenvolver.
                Nosso orgulho quer transformar-nos em super-homens, fazendo-nos sentir heroicamente estressados, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.
                Poderemos agir no processo de formação e progresso das criaturas, nunca forçar o processo ou criticar o seu andamento.
                A pretensão do orgulhoso leva-o a acreditar que existe uma santidade desvinculada da realidade humana, ou seja, organizada e estruturada de forma diferente dos princípios pertencentes à natureza; portanto, não é de ordem divina, mas é da mentalidade deturpada de alguns místicos do passado.
                Nada é inútil no universo. A Divindade age sem cessar em solicitude e consideração a cada uma de suas criaturas e criações. O progresso da humanidade é inevitável. Todos estamos progredindo e crescendo, ainda que, algumas vezes, não nos apercebamos disso.

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed


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segunda-feira, 15 de abril de 2013

ORGULHO I


Desprezar é sentir ou manifestar desconsideração por alguém ou por alguma coisa; portanto, é uma atitude sempre inadequada nas estradas de nossa existência evolutiva. Menosprezar é um sentimento pelo qual nos colocamos acima de tudo e de todos, avaliando com arrogância os acontecimentos e os fatos do alto da “torre do castelo” de nosso orgulho.
                A nenhuma coisa ou criatura deve-se atribuir o termo desprezível, pois tudo o que existe sobre a Terra é criação divina; logo, útil e proveitosa, mesmo que agora não possamos compreender seu real significado.
                Talvez não entendamos de imediato nosso papel na vida, mas podemos ter a certeza de que todos somos importantes e todos fomos convocados a dar nossa contribuição ao universo.
                A cada instante, estamos criando impressões muito fortes na atmosfera espiritual, emocional, mental e física da comunidade onde vivemos. Todo envolvimento na vida tem um propósito determinado cujo entendimento, além de esclarecer nosso valor pessoal favorecerá o amor, o respeito e a aceitação de cada um de nossos semelhantes.
                Frequentemente, dizemos que certas pessoas são indispensáveis e que muitos indivíduos são improdutivos, e perguntamos mais além: qual o propósito da vida para com estas criaturas ociosas?
                Não julguemos, com nossos conceitos apressados, os acontecimentos em nosso derredor; antes, aguardemos com calma e façamos uma análise mais profunda da situação. Assim agindo, poderemos avaliar melhor todo o contexto vivencial.
                Desempenham função útil no universo os espíritos inferiores e imperfeitos. Todos têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício, não concorre tanto o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?

(continua)

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed


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domingo, 14 de abril de 2013

A PERSONALIDADE INTEGRAL

           
Ser uma pessoa é ter uma consciência, um “eu” que reflete, examina-se, recorda-se. Porém, podem-se conhecer, analisar e descrever o “eu”, seus mistérios ocultos, suas forças latentes, seus gérmens fecundos, suas atividades silenciosas? As psicologias, as filosofias do passado o tentaram em vão e apenas tocaram de leve a superfície do ser consciente. Suas camadas internas e profundas permaneceram obscuras, inacessíveis, até o dia em que as experiências do hipnotismo, do Espiritismo, da regressão da memória finalmente projetaram aí alguma luz. Então se pôde ver que em nós se reflete, se repercute todo o universo, em sua dupla imensidade de espaço e de tempo. Dizemos “de espaço”, pois a alma, em suas livres e plenas manifestações, não conhece as distâncias. Dizemos “de tempo”, pois um passado inteiro dorme nela, onde o futuro, ao seu lado, permanece no estado de embrião.
Vemos, no decorrer da existência terrestre, desde a infância até a velhice, o “eu” se modificar sem cessar; a alma atravessa uma sucessão de estados; ela anda em mudança contínua; entretanto, no meio dessas diversas fases, seu controle sobre o organismo não varia. A fisiologia destacou essa sábia e harmoniosa coordenação de todas as partes do ser, essas leis da vida orgânica e do mecanismo nervoso que não podem ser explicadas sem a presença de uma unidade central. Essa unidade soberana é a fonte e a causa conservadora da vida; ela reúne todos os elementos, todos os aspectos.

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR - LÉON DENIS


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sábado, 13 de abril de 2013

FOBIA SOCIAL II


O homem é o único animal ético existente.
Para adquirir a condição de uma consciência ética é con­vidado a desafios contínuos, graças aos quais discerne o bem do mal, o belo do feio, o lógico do absurdo, imprimindo-se um comportamento que corresponda ao seu grau de compre­ensão existencial.
Aprofundando-se no exame dos valores, distingue-os. passando a viver conforme os padrões que estabelece como indispensáveis às metas que persegue, porqüanto pretende constituir-lhe a felicidade.
A fim de lograr o domínio desses legítimos valores, apli­ca outra das suas características essenciais, que é o de ser um animal biossocial.
A vida de relação com os demais indivíduos é-lhe essen­cial ao progresso ético.
Isolado, asselvaja-se ou entrega-se a uma submissão in­diferente, perniciosa.
As imposições do relacionamento social exterior, sem profundidade emocional, respondem por esta explosão fóbi­ca, face à ausência de segurança afetiva entre os indivíduos e à competição que grassa, desenfreada, fazendo que se veja sempre, no atual amigo, o potencial usurpador da sua função, o possível inimigo de amanhã.
Tal desconfiança arma as pessoas de suspeição, levando-as a uma conduta artificial, mediante a qual se devem apre­sentar como bem estruturadas emocionalmente, superiores às vicissitudes, capazes de enfrentar riscos, indiferentes às agressões do meio, porque seguras das suas reservas de for­ças morais.
Gerando instabilidade entre o que demonstram e aquilo que são realmente, surge o pavor de serem vencidas, deixa­das à margem, desconsideradas. O mecanismo de fuga da luta sem quartel apresenta-se-lhes como alternativa saudável, por poupar-lhes esforços que lhes parecem inúteis, desde que não se sentem inclinadas a usar dos mesmos métodos de que se crêem vítimas.
Simultaneamente, as atividades trepidantes e as festas ruidosas mais afastam os amigos, que dizem não dispor de tempo para o intercâmbio fraternal, a assistência cordial, re­ceosos, por sua vez, de igualmente tombarem, vitimados pelo mesmo mal que os ronda, implacável.
Nestas circunstâncias, mentes desencarnadas, deprimen­tes, se associam aos pacientes, complicando-lhes o quadro e empurrando-os para as psicoses profundas, irreversíveis.
A desumanização do homem, que se submete aos capri­chos do momento dourado das ilusões, conspira contra ele próprio e o seu próximo, tornando esta a geração do medo, a sociedade sem destino.

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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sexta-feira, 12 de abril de 2013

FOBIA SOCIAL I


Pressionado pelas constrições de vária ordem, exceção feita aos fenômenos patológicos, na área da personalidade, o indivíduo tímido, desistindo de reagir, assume comportamen­tos fóbicos.
Neuroses e psicoses se lhe manifestam, atormentando-o e gerando-lhe um clima de pesadelo onde quer que se encon­tre.
A liberdade, que lhe é de fundamental importância para a vida, perde o seu significado externo, face às prisões sem paredes que são erguidas, nelas encarcerando-se.
Da melancolia profunda ele passa à ansiedade, com alter­nâncias de insatisfação e tentativas de autodestruição, e da desconfiança sistemática tomba, por falta de resistências morais, diante dos insucessos banais da existência. Nem mes­mo o êxito nos negócios, na vida social e familiar, consegue minimizar-lhe o desequilíbrio que, muitas vezes, aumenta, em razão dejá não lhe sendo necessário fazer maiores esfor­ços para conseguir, considera-se sem finalidade que justifi­que prosseguir.
Os estados fóbicos desgastam-lhe os nervos e conduzem-no às depressões profundas. São vários estes fenômenos no comportamento humano.
Surge, porém, no momento, um que se generaliza, a pou­co e pouco, o denominado como fobia social, graças ao qual, o indivíduo começa a detestar o convívio com as demais pes­soas, retraindo-se, isolando-se.
A princípio, apresenta-se como forma de mal-estar, de­pois, como insegurança, quando o homem é conduzido a en­frentar um grupo social ou o público que lhe aguarda apre­sença, a palavra.
O grau de ansiedade foge-lhe ao controle, estabelecendo conflitos psicológicos perturbadores.
A ansiedade comedida é fenômeno perfeitamente natu­ral, resultante da expectativa ante o inusitado, face ao traba­lho a ser desenvolvido, diante da ação que deve ser aplicada como investimento de conquista, sem que isto provoque de­sarmonia interior com reflexos físicos negativos.
Quando, então, se revela, desencadeada por problemas de somenos importância, produzindo taquicardias, sudorese álgida, tremores contínuos, estão ultrapassados os limites do equilíbrio, tornando-se patológica.
A fobia social impede uma leitura em voz alta, uma assi­natura diante de alguém que acompanhe o gesto, segurar um talher para uma refeição, pegar um vaso com líquido sem o entornar... O paciente, nesses casos, tem a impressão de que está sob severa observação e análise dos outros, passando a detestar as presenças estranhas até os familiares e amigos mais íntimos.
Em algumas circunstâncias, quando o processo se encon­tra em instalação, a concentração e o esforço para superar o impedimento auxiliam-no, facultando-o somente relaxar-se e adquirir naturalidade após constatar que ninguém o observa, perdendo, assim, o prazer do diálogo, face à tensão gerada pelo problema.
A tendência natural do portador de fobia social é fugir, ocultar-se malbaratando o dom da existência, vitimado pela ansiedade e pelo medo.

(continua)

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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quinta-feira, 11 de abril de 2013

NÃO JULGUEIS


              Quando exercitamos o mister de julgar, invocamos para nós a posição de Deus, pois que somente Ele pode julgar com exatidão e na boa media, pois conhece o mais íntimo de nós. O apóstolo Tiago (4:12) nos diz: “Só há um legislador e juiz, a saber, aquele que pode salvar e destruir. Tu, porém, o que és para julgar o teu irmão”? na nossa inferioridade, deveríamos saber que o verbo julgar não pode pertencer ao dicionário de quem se diz cristão. Jesus nos exemplificou, inúmeras vezes, que seu Evangelho era de amor. E amar, significa ser capaz de aceitar o outro mesmo com todos os seus defeitos, sem condenar. Em suma, exercitar o pleno perdão.
                Quem já leu a passagem bíblica que relata o episódio da Mulher Adúltera, entende a verdadeira mensagem cristã. No tempo de Jesus, quando surgia algum caso legal difícil de ser solucionado, era costume da comunidade levar o problema para que o rabino tomasse uma decisão. Estando o povo sob domínio romano, os escribas e os fariseus quiseram desacreditar Jesus, colocando-o “entre a cruz e a espada”. Trouxeram-no uma mulher surpreendida em adultério, crime grave de acordo com a lei judaica. Os rabinos diziam: “Todo judeu deve morrer antes de cometer idolatria, adultério ou assassinato”; portanto invocavam a pena de morte, com base no que está escrito em Levítico 20:10: “Se um homem comete adultério com a mulher de seu próximo, o adultero e a adúltera indefetivelmente serão mortos”. No Deuteronômio 22, 23-24, estabelece-se a pena de morte por apedrejamento no caso da mulher já estar casada. Também a Mishna estabelece que a pena para o adultério é o estrangulamento para o homem e o apedrejamento para a mulher.
                Em suma, na opinião dos escribas e fariseus, se Jesus seguisse a lei, determinaria que a mulher fosse morta. Com isso, o Mestre perderia a fama que conquistou por seu amor aos fracos e sua misericórdia aos pecadores. Além disso, Jesus iria desafiar a lei romana, que tirara dos judeus o direito de condenar alguém à morte. Ou seja, se a condenasse, Jesus se condenaria também, perderia o respeito da população e ainda se tornaria um criminoso diante do Império Romano. Se, ao contrário, Jesus a absolvesse, de imediato os seus algozes diriam que Ele ensinava a desobedecer a Lei de Moisés, tornando-o um incentivador do adultério, um propagador do pecado. O que fez Jesus? Começou a escreve sobre o solo,  oferecendo a sua primeira lição: antes de qualquer decisão, é preciso pensar, refletir, orar. Deu também ao povo um tempo necessário para que todos tomassem consciência do que estavam fazendo.
                Ante o olhar arrogante, lascivo e malicioso dos escribas e fariseus, enfrentando a curiosidade da multidão, que se divertia com a vergonha da mulher, vaticinou: “O homem que estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra”. Após um ligeiro silêncio, lentamente, os acusadores, envergonhados, foram se afastando. Em seu Sermão, Santo Agostinho decreta o fim da passagem: “Ficou uma grande miséria, a da mulher. E uma grande misericórdia, a de Jesus”. Todo mundo sabe o que aconteceu depois; Jesus perguntou à mulher: “Ninguém te condenou?”. “Ninguém, Senhor”, ela respondeu. “Então, vá e não peques mais”. Ao contrário dos escribas e fariseus, os eruditos legais da época, que acreditavam que autoridade era o poder para condenar, o meigo rabi da Galiléia fez ver que a autoridade pode e deve basear-se na compreensão e que seu objetivo é o de recuperar o pecador, jamais humilhá-lo. A autoridade autêntica é aquela que vem de Jesus, que se baseia na compreensão. Por isso, ao vermos um criminoso na televisão, ao invés de desejar-lhe a pena de morte, deveríamos dizer: “Graças à Deus, não estou no lugar dele”.
                Jesus disse “Não julgueis, para que não sejais julgados (Mateus 7:1). Disse também que aquele que pretende julgar a seu irmão é como quem tem uma trave no olho e trata de tirar o cisco do olho do outro (Mateus 7:3-5). Jesus foi mais além quando completou “vá e não peques mais”. Além de não condená-la, lança-lhe um desafio, para que ela se esforce e vença seus erros. O espiritismo nos esclarece que o espírito culpado é quem se julga a si mesmo e nesse tribunal da consciência, não adiantam advogados caros e nem promotores impiedosos como nos tribunais humanos. Em lugar do julgamento seguido da condenação dos culpados, os espíritos transgressores, encarnados ou desencarnados, são conduzidos às retificações através das provas e expiações, pela lei da reencarnação, o instrumento da Justiça Divina.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – Nov/2012


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