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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


terça-feira, 30 de julho de 2013

TRÊS ANOS DE EXISTÊNCIA

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Mais um ano de existência! Quero dividir com todos os amigos minha felicidade por essa data.
Continuo com o mesmo objetivo: divulgar a doutrina espírita. Porque? Por sentir-me auxiliada e querer compartilhar com todos os amigos a ajuda recebida pelas das lições recebidas através dos livros lidos. Todos os textos postados são frutos de minhas leituras e reflexões e muitos deles por mim digitados.
Que Jesus possa me auxiliar a postar sempre textos que auxiliem a todos os visitantes deste blog!
Muita paz!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A VIDA NO ALÉM II


Os espíritos inferiores conservam por muito tempo as impressões da vida material. Acreditam ainda viver fisicamente e continuam a sentir, às vezes durante anos, o engano de suas ocupações habituais. Para os materialistas, o fenômeno da morte permanece incompreensível. Por falta de conhecimentos prévios, confundem o corpo fluídico com o corpo físico. As ilusões da vida terrestre ainda persistem neles. Pelos seus gostos e até mesmo pelas suas necessidades imaginárias, estão como que amarrados à Terra. Depois, lentamente, com a ajuda de espíritos benfazejos, sua consciência desperta, sua inteligência se abre à compreensão desse novo estado de vida. Mas, desde que procuram se elevar, sua densidade os faz recair na Terra. As
atrações planetárias e as correntes fluídicas do espaço os reconduzem violentamente para nossas regiões, como folhas secas varridas pela tempestade.
Os crentes ortodoxos vagueiam na incerteza e procuram a realização das promessas do sacerdote e do pastor, o gozo das beatitudes prometidas. Às vezes, sua surpresa é grande, e um longo aprendizado é necessário para se iniciarem nas verdadeiras leis do espaço. Em vez de anjos ou demônios, encontram os espíritos dos homens que, como eles, viveram na Terra e os precederam.
Sua decepção é grande ao verem suas esperanças malogradas, suas convicções transformadas por fatos que de nenhum modo, na educação recebida, os havia preparado. Mas se durante a vida foram bons e submissos ao dever – tendo os atos sobre o destino ainda mais influência do que as crenças – essas almas não poderão ser infelizes.
Para os descrentes e todos aqueles que com eles se recusaram a admitir a possibilidade de uma vida independente do corpo, julgam-se mergulhados em um sonho, cuja duração irá se prolongar até que seu erro seja desfeito. Suas impressões são bastante variadas, assim como os valores das almas. Aquelas que, durante a vida terrestre, conheceram a verdade e a serviram, recolhem, logo que desencarnam, o benefício de suas investigações e de seus trabalhos.
A lei de atração no espaço é a das afinidades. Todos os espíritos estão sujeitos a ela. A orientação de seus pensamentos os leva naturalmente para o lugar que lhes é próprio, porque o pensamento é a própria essência do mundo espiritual, sendo a forma fluídica apenas o vestuário. Por todos os lugares, reúnem-se os que se amam e se compreendem.
Se é apegado às coisas materiais, o espírito permanece ligado à Terra e se mistura aos homens que têm os mesmos gostos, os mesmos apetites. Quando é voltado para o ideal, para os bens superiores, se eleva sem esforço para o objeto de seus desejos. Une-se às sociedades do mundo espiritual, participa de seus trabalhos e desfruta dos espetáculos, das harmonias e do infinito.
Se o pensamento cria, a vontade edifica. A fonte de todas as alegrias, de todas as dores está na razão e na consciência. É por isso que encontramos, cedo ou tarde, no além, as criações de nossos sonhos e a realização de nossas esperanças. Mas o sentimento da tarefa inacabada traz, ao mesmo tempo que os afetos e as lembranças, a maior parte dos espíritos para a Terra. Toda alma encontra o meio que os seus desejos reclamam e irá viver nos mundos sonhados, unida aos seres que estima; aí também encontrará as lamentações, os sofrimentos morais que seu passado gerou.
Nossas concepções e nossos sonhos nos seguem por toda parte. No surto de seus pensamentos e no ardor de sua fé, os adeptos de cada religião criam imagens nas quais acreditam reconhecer os paraísos entrevistos. Depois, pouco a pouco, percebem que essas criações são imaginárias, de pura aparência e comparáveis a vastos panoramas pintados na tela ou a imensos afrescos. Aprendem, então, a se desprender e desejam realidades mais altas e mais sensíveis. Sob nossa forma atual e no estreito limite de nossas faculdades, não poderíamos compreender as alegrias e os êxtases reservados aos espíritos superiores, nem as angústias profundas experimentadas pelas almas delicadas que chegaram aos limites da perfeição. A beleza está por toda parte; só os seus aspectos variam ao infinito, de acordo com o grau de evolução e de depuração dos seres.

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR
LÉON DENIS


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domingo, 28 de julho de 2013

A VIDA NO ALÉM I


A situação do espírito após a morte é a conseqüência direta de suas inclinações, seja para a matéria, seja para os bens da inteligência e do sentimento. Se as inclinações sensuais dominam, o ser forçosamente se imobiliza sobre os planos inferiores, que são os mais densos, os mais grosseiros. Se alimenta pensamentos belos e puros, eleva-se a esferas em relação com a própria natureza de seus pensamentos.
Entretanto, essa seleção não é imediata nem a transição é repentina. Se o olhar humano não pode passar bruscamente da obscuridade para a luz, o mesmo acontece com a alma. A morte nos faz entrar num estado transitório, uma espécie de prolongamento da vida física e anterior à vida espiritual. É o estado de perturbação de que falamos, estado mais ou menos prolongado, conforme a natureza espessa ou etérea do perispírito.
Livre do fardo material que a oprimia, a alma acha-se ainda envolvida na rede dos pensamentos e das imagens – sensações, paixões, emoções – gerada por ela no decurso das suas vidas terrestres; terá de familiarizar-se com a sua nova situação, tomar consciência do seu estado, antes de ser levada para o meio cósmico adequado ao seu grau de luz ou densidade.
A princípio, para a grande maioria, tudo é motivo de espanto nesse outro mundo, onde as coisas diferem essencialmente do meio terrestre. As leis da gravidade são menos rígidas. As paredes não são mais obstáculos. A alma pode atravessá-las e elevar-se nos ares. E, entretanto, certos entraves que ela não pode definir ainda a retêm. Tudo a deixa com medo e hesitação.
Mas os seus amigos de lá vigiam-na e guiam-lhe os primeiros vôos.
Os espíritos adiantados libertam-se rapidamente de todas as influências terrestres e tomam consciência de si mesmos. O véu material se rasga ao impulso de seus pensamentos e perspectivas imensas se abrem. Compreendem quase de imediato sua situação e adaptam-se a ela com facilidade. Seu perispírito, esse instrumento volitivo, organismo da alma da qual nunca se separa, que é a obra de todo o seu passado, pois ela o construiu e teceu pessoalmente com sua atividade, flutua algum tempo na atmosfera.
Depois, de acordo com seu estado de sutileza, de poder, correspondente às atrações distantes, ele se sente naturalmente atraído para associações similares, para agrupamentos de espíritos da mesma ordem, espíritos luminosos que rodeiam o recém-chegado com solicitude, para iniciá-lo nas condições de seu novo modo de existência.

(continua)

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR
LÉON DENIS


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sábado, 27 de julho de 2013

CONFLITOS DEGENERATIVOS DA SOCIEDADE


A crise de credibilidade, de confiança, de amor instaura o estado conflitivo da personalidade que perde o roteiro, inca­paz de definir o que é correto ou não, qual a forma de com­portamento mais compatível com a época e, ao mesmo tem­po, favorável ao seu bem-estar, anquilosando pessoas refra­tárias ao progresso nas idéias superadas ou produzindo gru­pos rebeldes fadados à destruição, que se entregam à desor­dem, à contra-cultura, buscando sempre chocar, agredir.
É necessário, portanto, que se dê a transformação, a evo­lução dos conceitos, o engrandecimento dos valores. Para tal fim, às vezes, é preciso que ocorra a demolição das estratificações, do arcaico, do ultrapassado. Lamentavelmente, po­rém, nesta ação demolidora, a revolta contra o passado, pre­tendendo apagar os vestígios do antigo, vai-lhe até as raízes, buscando extirpá-las.
O mesmo vem acontecendo com a sociedade que, para livrar-se das teias da hipocrisia, da hediondez, dos precon­ceitos, da vilania, da prepotência, elaborou os códigos da li­berdade, da igualdade, da fraternidade, em lutas sangrentas, ainda não considerados além das formulações teóricas e refe­rências bombásticas, sem repercussão real no organismo das comunidades humanas em sofrimento.
As recentes reações culturais contra a autenticidade da conduta têm produzido mais males que resultados positivos.
Em nome da evolução, sucedem-se as revoluções destru­tivas que não oferecem nada capaz de preencher os espaços vazios que causam.
A insatisfação do indivíduo fustiga e perturba o grupo no qual ele se localiza, sendo expulso pela reação geral ou tor­nando-se um câncer em processo metastático. Facilmente o pessimista e o colérico contaminam os desalentos, passando-lhes o morbo do desânimo ou o fogo da irritação, a prejuízo geral.
O personalismo se agiganta, as paixões servis se revelam, o idealismo cede lugar à vileza moral.
A predominância do egoísmo em a natureza humana faz-se responsável pelo caos em volta, no qual os conflitos dege­nerativos da sociedade campeiam.
Surgem as plataformas frágeis em favor do grupo desde que sob o comando e a alternativa única do ególatra, que ali­cia outros semelhantes, que se lhe acercam, igualmente ansi­osos por sucessos que não merecem, mas que pleiteiam. In­seguros, incapazes de competir a céu aberto, honestamen­te, aguardam na furna da própria pequenez, por motivos ver­dadeiros ou não, para incendiarem o campo de ação alheia, longe dos objetivos nobres, porém reflexos dos seus estados íntimos conflituosos.
Face às distonias pessoais de que são portadores, decan­tam a necessidade do progresso da sociedade e bloqueiam-no com a astúcia, a desarticulação de programas eficientes, an­tes de testados, atacando-os vilmente e aos seus portadores, a quem ferem pessoalmente, pela total impossibilidade de per­manecerem no campo ideológico, já que não possuem idea­lismo.
Em razão da insegurança pessoal desconfiam dos senti­mentos alheios e provocam distúrbios que se originam em suspeitas injustificáveis, a soldo do prazer mórbido que os assinala.
Cabe ao homem em conflito revestir-se de coragem, re­solvendo-se pelo trabalho de identificação das possibilida­des que dispõe, ora soterradas nos porões da personalidade assustada.
Sentindo-se incapaz de enfrentar-se, a busca de alguém capacitado a apontar-lhe o rumo e ajudá-lo a percor­rê-lo é tão urgente quão indispensável. Inúmeras terapias es­tão ao seu alcance, entre os técnicos da área especializada, assim como as da Psicologia Transpessoal apresentando-lhe a intercorrência de fatores paranormais e da Psicologia Espí­rita, aclarando-o com as luzes defluentes dos fenômenos ob­sessivos geradores dos problemas degenerativos no indiví­duo e na sociedade.
O conglomerado social, por sua vez, tem o dever de auxi­liar o homem em conflito, de ajudá-lo a administrar as suas fobias, ansiedades, traumas, e mesmo o de socorrê-lo nas expressões avançadas quando padecendo psicopatologias di­versas, em ética de sobrevivência do grupo, pois que, do con­trário, através do alijamento de cada membro, quando vier a ocorrência se desarticulará o mecanismo de sustentação da grei.
Os conflitos degenerativos da sociedade tendem a desa­parecer, especialmente quando o homem, em se encontrando consigo mesmo, harmonize o seu cosmo individual (micro), colaborando para o equilíbrio do universo social (macro), no qual se movimenta.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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sexta-feira, 26 de julho de 2013

CULPA, PERDÃO E AUTOPERDÃO

            
A excelência do sentimento do perdão saiu das hostes da religião e adentrou nos conceitos terapêuticos da psicologia e da medicina. Ninguém mais tem dúvidas de que a sanidade mental e o equilíbrio emocional tem raízes profundas no indivíduo que consegue exercer e receber o perdão.
                Desta forma, somos chamados diariamente a praticar o perdão no lar, no trabalho, no convívio social, nas pequenas coisas do cotidiano para que, quando necessário, possamos utilizá-lo nas grandes mágoas. É como o treinamento de um atleta de alta performance: muito exercício para atingir as grandes vitórias.
                O prefixo PER significa ao todo, total; DOAR, dar. Doar, totalmente, esforço para amar um pouco mais. Se alguém pisar no seu pé, sem querer, é relativamente fácil perdoar, mas se pisar no pé que está com a unha inflamada, cuja dor é muito superior, precisará de um esforço maior ainda...
                As vezes o perdão é quase instantâneo, também pode demorar algumas horas, dias, meses, anos, séculos, algumas reencarnações. Mas se entender que o perdão é inevitável à conquista da paz, da felicidade, peça fundamental na evolução do ser, e que sem o perdão sempre haverá pendências que mais cedo ou mais tarde deverão ser sanadas, o indivíduo, racionalmente, empreenderá todos os esforços para atingir este intento.
                No capítulo 10 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o apóstolo Paulo afirma:
                Perdoar os inimigos é pedir perdão para si mesmo. Perdoar aos amigos é dar-lhes prova de amizade. Perdoar as ofensas é mostrar que se tornou melhor do que antes. Perdoai, portanto, a fim de que Deus vos perdoe.
                Quando estamos perdoando o outro, estamos também exercendo o autoperdão; um é conseqüência do outro, porque somos com o outro como somos conosco mesmo.
                Allan Kardec indica a psicoterapia do perdão e autoperdão: arrependimento (dar-se conta que errou), expiação (desconforto e sofrimento moral pelo equívoco) e reparação (o ato final, a corrigenda do erro). O verdadeiro perdão sempre envolve atividades reparadoras.
                Mágoas, culpas e ressentimento servem como alerta, um despertador avisando que alguma coisa na nossa conduta está equivocada. Quando não trabalhados com a tolerância e o perdão, trazem como conseqüências transtornos psiquiátricos ou doenças físicas.
                Emmanuel nos diz que o remorso é um lampejo de Deus sobre o complexo de culpa eu se expressa por enfermidade da consciência.
                Como você se vê no futuro? Como afirmou Pierre Dac, líder francês da resistência nazista da Segunda Grande Guerra Mundial, o futuro é o passado em preparação.
                Val a pena investir no perdão consigo mesmo e com o outro para que o remorso e o arrependimento não sejam nossos companheiros no futuro.

Luís Roberto Scholl


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – jan/2013


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quinta-feira, 25 de julho de 2013

DESIDENTIFICAÇÃO


      Podemos considerar a personalidade humana constituída de essência e substância. A primeira são as energias que procedem do Eu profundo, as vibra­ções que dimanam da sua causalidade, e a segunda é a reunião dos conteúdos psíquicos, transformados em atos, experiências, realizações, decorrentes do ambiente, das circunstâncias, e reminiscências das existências passadas.
São as substâncias que respondem pelo compor­tamento do ser, propiciando-lhe liberdade ou escravi­dão e dando nascimento ao eu.
Numa pessoa média, portadora de consciência, sem a nobre conquista do discernimento e da vivên­cia compatível, a ilusão e os engodos se estruturam, passando à posição das realidades únicas, que igno­ram, por efeito, a legítima Realidade.
Essa deturpação psicológica proporcionada pelo ego, que se entorpece e se engana, contribui para as experiências utópicas e alienadoras, que lhe alteram a conduta, produzindo estados profundamente per­turbadores.
O hábito e o cultivo dos pensamentos viciosos, de qualquer natureza, tornam-se as substâncias que for­mam a personalidade doentia, que se adapta aos fa­tores dissolventes, rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento, empurrando para o trânsito pela senda da irrealidade.
Sem dúvida, a pessoa portadora de substâncias fragmentadoras move-se em um verdadeiro nevoeiro, que é mais compacto ou mais sutil, conforme as fixações, os vícios a que se aferra.
Identificando-se com as idéias que lhe são convenientes — algumas de pro­cedência psicopatológica — adapta-se-lhes e incorpo­ra-as, deformando a personalidade, e esta irrealida­de termina por afetar-lhe a individualidade, caso não se resolva pela psicoterapia específica e urgente.
Expressam-se essas identificações nas áreas fisio­lógicas — como sensações — e psicológica — como emoções.
Toda vez que a pessoa tenta a conscientização íntima, o encontro com o Eu profundo, a busca interior, as sensações predominantes nas paisagens físicas per­turbam-lhe a decisão, impedindo a experiência. São sen­sações visuais, gustativas, olfativas, auditivas, tácteis, com as quais convive em regime de escravidão, e que assomam no silêncio, na concentração, ocupando o es­paço mental, desviando a atenção da meta que busca.
São ruídos externos que, em outras circunstânci­as, não são percebidos; imagens visuais arquivadas, aparentemente esquecidas; olfação excitada, que pro­voca o apetite; coceiras e comichões que surgem, si­multâneos, em várias partes do corpo; salivação e de­sejo de alimentar-se, tomando os centros de interesse e desviando-os da finalidade libertadora.
Por outro lado, nos tentames do silêncio interior para reequilíbrio da personalidade, as sensações pro­duzem associações de idéias que levam a evocações insensatas.
Música e perfume retornam à sensibilidade orgâ­nica e induzem a recordações atribuladoras, com la­mentáveis anseios de repeti-las e frui-las novamente.
A mente viciada e o corpo acomodado dificultam o despertar da consciência para a lucidez.
A atividade de desidentificação, por isso mesmo, torna-se urgente.
Mediante a mudança dos hábitos mentais, do cul­tivo das idéias — substituindo as perturbadoras por outras saudáveis, já que todo espaço deve ser preen­chido — do exercício disciplinado dos pensamentos, passando à alteração dos prazeres e gozos ilusórios que devem ceder lugar àqueles que se expressam como manifestação da Realidade plenificadora, ocor­rerá a libertação dos vícios e fixações, desidentifican­do-se da conduta tormentosa.
Como envoltórios concêntricos que asfixiam as irradiações do Eu real, as identificações deverão ser liberadas de dentro para fora, portanto, da essência para a substância.
A medida que a consciência se desenovela dos impedimentos psíquicos, mais amplas descobertas são logradas nas áreas das identificações, que pas­sam a ser diluídas, permitindo-a fulgir qual estrela poderosa no velário da noite transparente.
A consciência desidentificada com a personalida­de fragmentada, enfermiça, proporciona bem-estar.
Essa conquista, a da consciência plena, faculta alegria. Como conseqüência, o silêncio interior cons­ciente, responsável pela saúde psíquica e emocional, predispõe o ser ao crescimento das aspirações e ao esforço dos ideais de enobrecimento.
Nessa fase de desidentificação e lucidez plena, a consciência predispõe-se à conquista do estágio mais elevado, pelo menos na área humana, que é a sua har­monização total com a de natureza Cósmica.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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quarta-feira, 24 de julho de 2013

ANTE A LIÇÃO

" Considera o que te digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo."
Paulo (II Timóteo, 2:7)

Ante a exposição da verdade, não te esquives à meditação sobre as luzes que recebes.
Quem fita o céu, de relance, sem contemplá-lo, não enxerga as estrelas; e quem ouve uma sinfonia, sem abrir-lhe a acústica da alma, não lhe percebe as notas divinas.
Debalde escutarás a palavra inspirada de pregadores ardentes, se não descerrares o coração para que o teu sentimento mergulhe na claridade bendita daquela.
Inúmeros seguidores do Evangelho se queixam da incapacidade de retenção dos ensinos da Boa Nova, afirmando-se ineptos à frente das novas revelações, e isto porque não dispensam maior trato à lição ouvida, demorando-se longo tempo na província da distração e da leviandade.
Quando a câmara permanece sombria, somos nós quem desata o ferrolho à janela para que o sol nos visite.
Dediquemos algum esforço à graça da lição e a lição nos responderá com as suas graças.
O apóstolo dos gentios é claro na observação. "Considera o que te digo, porque, então, o Senhor te dará entendimento em tudo."
Considerar significa examinar, atender, refletir e apreciar.
Estejamos, pois, convencidos de que, prestando atenção aos apontamentos do Código da Vida Eterna, o Senhor, em retribuição à nossa boa vontade, dar-nos-á entendimento em tudo.


Fonte: Fonte Viva – Chico Xavier/Emmanuel


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terça-feira, 23 de julho de 2013

DEPRESSÃO

           
           Quando sintas o desânimo agravar-se no teu currículo de ações; quando fores vítima de contínuos episódios de insônia com pensamentos conflitivos; quando experimentes indiferença afetiva em relação às pessoas queridas; quando o mau humor em forma de distimia passe a caracterizar-te; quando a irritação ou o desejo de isolamento social comecem a dominar-te, tem cuidado, pois que estás em processo depressivo.
            Atenta para a renovação interior, busca o auxílio espiritual e o especializado, não te afastando do psicoterapeuta sublime.
            Liberta-te da sombra doentia e inunda-te da luz do sol da alegria, rumando na direção da saúde que te aguarda.
            Nasceste para conquistar o infinito, e isso depende exclusivamente de ti.

Do livro: Entrega-te a Deus

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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segunda-feira, 22 de julho de 2013

NO REINO DO CORAÇÃO

Em verdade, asseverou Jesus que o Reino de Deus ainda não é deste mundo, no entanto, várias vezes, afirma que esse Reino permanece dentro de nós.
Muitos aguardam a vinda espetacular do Céu à Terra, ignorando que a construção do Céu há de começar em nós, se nos propomos alcançar a Vida Perfeita.
Não olvides o reino do coração, se anelas trabalhar pelo Reino do Cristo.
Não podes sustar a perturbação que ruge em derredor de teus passos, entretanto, é possível apaziguar a própria alma e encontrar dento dela um abrigo de serenidade e esperança.
Não podes paralisar o verbo que fere e vergasta, mas, é fácil guardar o próprio espírito em silêncio para somente movimentá-lo na bondade que ajuda, compreende e perdoa.
Não podes, sem dúvida, inventar, de repente, hospitais e escolas, lares e templos em que a coletividade enferma e sofredora encontre, de imediato, remédio e ensinamento, aconchego e fé viva, contudo, ainda hoje, é possível socorrer o parente desarvorado, amparar a criança infeliz, consolar o velhinho anônimo, auxiliar ao ignorante com uma frase amiga ou encorajar o irmão doente.
Não podes, de improviso, impedir a carreira do mal, no entanto, é justo te consagres ao bem, como ponto de apoio ao amor puro que se derrama da Esfera Divina, em benefício da Humanidade em crescimento para a Luz.
Para isso, porém, é preciso te escudes, hoje e amanhã, na boa vontade.
Lembremo-nos de que o valor de nossa existência está em função do valor que a nossa vida represente para as vidas que nos rodeiam.
Ainda mesmo que todas as circunstâncias te hostilizem, ajuda sempre.
A Eterna Sabedoria, a seu tempo, se manifestará, abençoando-te o sacrifício.
Realmente, não podes aguardar o Reino de Deus na Terra de agora, mas, desde agora, podes iluminar o Reino de Deus que está em ti.
Avalia as bênçãos que te marcam os dias e as vitórias íntimas que entesouraste no campo das próprias experiências e nunca te acomodes com o desespero.

Emmanuel


Fonte: Irmão – Chico Xavier/Espíritos Diversos


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domingo, 21 de julho de 2013

A LUZ SEGUE SEMPRE

"E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram." (LUCAS, 24:11.)

A perplexidade surgida no dia da Ressurreição do Senhor ainda é a mesma nos tempos que passam, sempre que a natureza divina e invisível ao olhar comum dos homens manifesta suas gloriosas mensagens.
As mulheres devotadas, que se foram em romaria de amor ao túmulo do Mestre, sempre encontraram sucessores. Todavia, são muito raros os Pedros que se dispõem a levantar para a averiguação da verdade.
Em todos os tempos, os transmissores de notícias de além-túmulo peregrinaram na Terra, quanto hoje.
As escolas religiosas deturpadas, porém, somente em raras ocasiões aceitaram o valioso concurso que se lhes oferecia.
Nas épocas passadas, todos os instrumentos da revelação espiritual, com raras exceções, foram categorizados como bruxos, queimados na praça pública, e, ainda hoje, são tidos por dementes, visionários e feiticeiros. É que a maioria dos companheiros de jornada humana vivem agarrados aos inferiores interesses de alguns momentos e as palavras da verdade imortalista sempre lhes pareceram consumado desvario. Entregues ao efêmero, não crêem na expansão da vida, dentro do infinito e da eternidade, mas a luz da Ressurreição prossegue sempre, inspirando seus missionários ainda incompreendidos.


Fonte: Vinha de Luz – Chico Xavier/Emmanuel


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sábado, 20 de julho de 2013

BASES

“Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se
eu não te lavar, não tens parte comigo.” — (JOÃO, capítulo 13, versículo
8.)

É natural vejamos, antes de tudo, na resolução do Mestre, ao lavar os pés dos discípulos, uma demonstração sublime de humildade santificante.
Primeiramente, é justo examinarmos a interpretação intelectual, adiantando, porém, a análise mais profunda de seus atos divinos. É que, pela mensagem permanente do Evangelho, o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina de amor e perdão.
O homem costuma viver desinteressado de todas as suas obrigações superiores, muitas vezes aplaudindo o crime e a inconsciência. Todavia, ao contacto de Jesus e de seus ensinamentos sublimes, sente que pisará sobre novas bases, enquanto que suas apreciações fundamentais da existência são muito diversas.
Alguém proporciona leveza aos seus pés espirituais para que marche de modo diferente nas sendas evolutivas.
Tudo se renova e a criatura compreende que não fora essa intervenção maravilhosa e não poderia participar do banquete da vida real.
Então, como o apóstolo de Cafarnaum, experimenta novas responsabilidades no caminho e, desejando corresponder à expectativa divina, roga a Jesus lhe lave, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL


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sexta-feira, 19 de julho de 2013

GENERALIDADES SOBRE OS ANIMAIS

Os animais são inteligentes, isto é, podem nos entender ou isso não acontece?
            Sem dúvida os animais são seres inteligentes. Para cada grau de evolução há um grau de inteligência e um corpo sobre o qual o espírito poderá se manifestar. Quanto mais inteligente o espírito que está estagiando nessa fase animal, melhor será o corpo para que seu espírito tenha mais condições de se manifestar inteligentemente. De nada adiantaria um ser inteligente estagiar em um corpo no qual não poderá expor todo o seu potencial. Por isso, a reencarnação dá a oportunidade de recebermos corpos cada vez mais adequados às nossas condições evolutivas. Como já foi provado pela ciência, o animal possui uma inteligência que se manifesta de acordo com as suas possibilidades. Há o caso dos cavalos de Elberfeld que sabiam resolver problemas complexos de raiz cúbica e raiz quadrada por um método de batidas com os cascos no chão. Certa vez um desses cavalos, que estava triste, estava sendo examinado por um cientista chamado Maeterlinck. Seu dono quis saber por que estava triste e o animal respondeu por meio de batidas com as patas no solo que o tratador bateu em um de seus companheiros.
            Há o caso de Rolf que também sabia resolver problemas matemáticos e  ainda conversava com a dona por um método próprio de toque com a pata dianteira. Em uma das oportunidades em que sua dona teve de se separar da filha, que iria estudar em outra cidade, ficou triste e chorou. Rolf aproximou-se pelos toques com as patas conseguia construir palavras e disse a ela: “Não chore, senão Rolf fica triste”. O cientista C. Lilly diz que os golfinhos ao mais inteligentes u os seres humanos porque eles possuem habilidades mentais que nós não temos e ainda têm 3 vezes mais células neurais que nossos cérebros. Eles processam informações 16 vezes mais rapidamente que nós.
            Em suma, não podemos menosprezar a inteligência dos animais, pois eles podem nos surpreender.

Fonte: A Espiritualidade dos Animais – Marcel Benedeti


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quinta-feira, 18 de julho de 2013

ILUSÃO II

               
A sensação de que podemos controlar a vida de parentes e amigos também é uma das mais freqüentes ilusões e, nem sempre, é fácil diferenciar a ilusão de controlar e a realidade de amar e compreender.
                A ação de controlar os outros se transforma, com o passar do tempo, em um nó que estrangula, lentamente, as mais queridas afeições. Se continuarmos a manter essa atitude manipuladora, veremos em breve se extinguir o amor dos que convivem conosco. Eles poderão permanecer ao nosso lado por fidelidade, jamais por carinho e prazer.
                Em outras circunstâncias, agimos com segundas intenções, envolvendo criaturas qu nos parecem trazer vantagens imediatas. Em nossos devaneios e quimeras, achamos que conseguiremos lograr êxito, mas, como sempre, todo plano oportunista, mais cedo ou mais tarde, será descoberto. Quando isso acontece, indignamo-nos, incoerentemente, contra a pessoa e não contra a nossa auto-ilusão.
                Escolhemos amizades inadequadas, não analisamos suas limitações e possibilidades de doação, afeto e sinceridade e, quando recebemos a pedra da ingratidão e da traição por parte deles, culpamo-los. Certamente, esquecemo-nos de que somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam com imaginamos que devam agir.
                A consciência humana está quase sempre envolvida por ilusões, que impossibilitam, por um lado, a capacidade de autopercepção; por outro, dificultam o contato com a realidade das coisas e pessoas.
                Não culpemos ninguém pelos nossos desacertos, pois somos os únicos responsáveis – cada um de nós – pela qualidade de vida que experimentamos aqui e agora.
                O sentimento de justiça está em a natureza o progresso moral desenvolve esse sentimento, mas não o dá. Deus o pôs no coração do homem...
                Procuremos auscultar nossas percepções interiores, usando nossos sentidos mais profundos e observando o que nos mostram as leis naturais estabelecidas em nossa consciência. Confiar no sentimento de justiça que sai do coração, conforme asseveram os Guias da Humanidade, é promover a independência de nossos pensamentos e viver com senso de realidade. Aliás, são essas as características mais importantes das pessoas espiritualmente maduras.
                Estamos na Terra para estabelecer uma linha divisória entre a sanidade e a debilidade; portanto, é imprescindível discernir o que queremos forçar que seja realidade daquilo que verdadeiramente é realidade. Muitas vezes, podemos estar nos iludindo a ponto de negar fatos preciosos que nos ajudariam a perceber a grandiosidade da Vida Providencial trabalhando em favor de nosso desenvolvimento integral.

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed        


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terça-feira, 16 de julho de 2013

ILUSÃO I

               
A criatura humana que modela suas reações emocionais através dos critérios dos outros, estabelece para si própria metas ilusórias na vida. Esquece-se, entretanto, de que suas experiências são únicas, como também únicas são suas reações, e de que o constante estado de desencontro e aflição é subproduto das tentativas de concretizar essas suas irrealidades.
                Constantemente, criamos fantasias em nossa mente, bloqueamos nossa consciência e recusamos aceitar a verdade. Usamos os mais diversos mecanismos de defesa, seja de forma consciente, seja de forma inconsciente, para evitar ou reduzir os eventos, as coisas ou os fatos de nossa vida que nos são inadmissíveis. A negação é um desses mecanismos psicológicos; ela aparece como primeira reação diante de uma perda ou de uma derrota. Portanto, negamos, invariavelmente, a fim de amortecer nossa alma das sobrecargas emocionais.
                Quanto mais sonhos ilógicos, mais cresce a luta para materializá-los, levando certamente os indivíduos a se tornarem prisioneiros de um círculo vicioso e, como resultado, a sofrerem constantes frustrações e uma decepção crônica.
                Um exemplo clássico de ilusão é a tendência exagerada de certas pessoas em querer fazer tudo com perfeição, aliás, querer ser o modelo perfeito. Essa abstração ilusória as coloca em situação desesperadora. Trata-se de um processo neurótico que faz com que elas assimilem cada manifestação de contrariedade dos outros como um sinal do seu fracasso e a interpretem como uma rejeição pessoal.
                O ser humano supercrítico tem uma necessidade compulsória de se considerado irrepreensível. Sua incapacidade de aceitar os outros como são é reflexo de sua incapacidade de aceitar a si próprio. Sua busca doentia da perfeição é uma projeção de suas próprias exigências internas. O perfeccionismo é, por certo, a mais comum das ilusões e, inquetionavelmente, uma das mais catastróficas, quando interfere nos relacionamentos humanos. Uma pessoa perfeita exigirá apenas companheiros perfeitos.

(continua)

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed  

      
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segunda-feira, 15 de julho de 2013

MORTE III


Quanto aos suicidas, a perturbação em que se encontram mergulhados após a morte é profunda, terrível, dolorosa. A angústia os oprime e os segue até sua reencarnação seguinte. Seu gesto criminoso causa ao corpo fluídico, o perispírito, um abalo violento e prolongado, que será transmitido ao organismo carnal no renascimento. A maior parte deles volta enferma à Terra. Estando a vida no suicida em toda a sua força, o ato brutal que a despedaça produzirá longas repercussões em seu estado vibratório e determinará doenças ou desequilíbrios nervosos em suas futuras vidas terrestres.
O suicida procura o nada e o esquecimento de todas as coisas, mas se defronta, ao contrário, em face de sua consciência, na qual permanece gravada, para todo o sempre, a lembrança lastimável de ter fugido do combate da vida. A prova mais dura, o sofrimento mais cruel que haja na Terra, é preferível a essa perpétua mancha da alma, à vergonha de não poder mais se prezar.
A destruição violenta de recursos físicos que ainda lhe poderiam ser úteis e até mesmo fecundos não livra o suicida das provas de que quis fugir, porque ele terá que reatar a cadeia quebrada de suas existências e tornar a passar pela série inevitável das provas, agravadas por atos e conseqüências que ele mesmo causou.
Os motivos do suicídio são de ordem passageira e humana; as razões de viver são de ordem eterna e sobre-humana.
O conhecimento que pudemos adquirir das condições da vida futura exerce uma grande influência sobre nossos últimos momentos. Ele nos dá mais segurança; abrevia a separação da alma.
Para se preparar utilmente para a vida do além, é preciso não apenas estar
convencido de sua realidade, mas também compreender suas leis, ver com o
pensamento as vantagens e as conseqüências de nossos esforços para o ideal moral. Nossos estudos psíquicos, as relações estabelecidas durante a vida com o mundo invisível, nossas aspirações a modos de existência mais elevados desenvolvem nossas faculdades adormecidas e, quando chega a hora definitiva, estando a separação corporal já em parte efetuada, a perturbação tem pouca duração. O espírito se reconhece rapidamente; tudo o que vê lhe é familiar; adapta-se sem esforço e sem emoção às condições de seu novo meio.
Quando se aproxima a hora derradeira, os moribundos muitas vezes entram em posse de seus sentidos psíquicos e percebem os seres e as coisas do invisível.
Em resumo, o melhor meio de garantirmos uma morte suave e tranqüila é viver dignamente, com simplicidade e sobriedade, com uma vida sem vícios nem fraquezas, desligando-nos antecipadamente de tudo o que nos prende à matéria, idealizando nossa existência, povoando-a com pensamentos elevados e com ações nobres.
O mesmo acontece com as condições boas ou ruins da vida de além-túmulo. Elas também dependem unicamente da maneira pela qual desenvolvemos nossas tendências, nossos apetites, nossos desejos. É no presente que é preciso se preparar, agir, se reformar, e não no momento em que se aproxima o fim terrestre.
Não temos outro juiz ou algoz no além-túmulo a não ser a nossa própria consciência. Livres dos obstáculos terrestres, ela adquire um grau de importância difícil de ser compreendido por nós. Muitas vezes adormecida durante a vida, ela acorda com a morte e sua voz se eleva; evoca as lembranças do passado; livres de qualquer ilusão, aparecem-lhe sob sua verdadeira luz, e nossas menores faltas tornam-se causa de lamentações.
                     
Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR

LÉON DENIS


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domingo, 14 de julho de 2013

MORTE II



Pouco a pouco, o nevoeiro vai ficando mais claro; as percepções se tornam mais nítidas. O espírito recupera sua lucidez; desperta para a nova vida, a vida do espaço. Instante solene para ele, mais decisivo, mais formidável que a hora da morte, porque, de acordo com seu valor e seu grau de pureza, esse despertar
será calmo e delicioso ou cheio de ansiedade e sofrimento.
No estado de perturbação, a alma está consciente dos pensamentos dirigidos a ela. Os pensamentos de amor, de caridade, as vibrações dos corações afetuosos brilham para ela como raios na neblina que a envolve e a ajudam a se separar dos últimos laços que a prendem à Terra, a sair da sombra em que está imersa.
É por isso que as preces inspiradas pelo coração, ditas com calor e convicção, especialmente as improvisadas, são fortalecedoras, benfazejas para o espírito que deixou a vida corporal. Pelo contrário, as orações vagas, infantis, das Igrejas, muitas
vezes não têm efeito algum. Pronunciadas maquinalmente, não têm poder vibratório que faz do pensamento às vezes uma força penetrante e, ao mesmo tempo, uma luz.
O cerimonial religioso em uso geralmente traz pouca ajuda e conforto aos mortos. A ignorância das condições da sobrevivência torna os participantes dessas manifestações indiferentes e distraídos. É quase um escândalo ver a displicência com que se assiste, em nossa época, a uma cerimônia fúnebre. A atitude dos assistentes, a falta de recolhimento, as conversas banais durante o funeral, tudo causa dolorosa impressão. Bem poucos dos que acompanham o enterro pensam no defunto e sentem
como um dever projetar para ele um pensamento afetuoso.
As preces fervorosas de seus amigos, de seus parentes, são bem mais eficazes para o espírito do morto do que as manifestações do culto mais pomposo. Entretanto, não é bom nos entregarmos desmedidamente à dor da separação. Certamente que as lamentações da partida são legítimas e as lágrimas sinceras são sagradas; porém, se essas lamentações são muito exageradas, entristecem e desanimam aquele a quem são dirigidas e, muitas vezes, testemunha delas. Em vez de lhe facilitarem o vôo para o espaço, elas o prendem nos lugares onde sofreram e onde ainda estão sofrendo aqueles que lhe são caros.
As existências interrompidas prematuramente em acidentes chegaram ao seu fim previsto. São, em geral, complementos de existências anteriores que foram truncadas por causa de abusos ou de excessos. Quando, em conseqüência de hábitos desregrados, gastaram-se os recursos vitais antes da hora marcada pela natureza, deve-se voltar e completar, em uma existência mais curta, o lapso de tempo que a existência anterior devia ter normalmente preenchido. Acontece que os seres humanos passíveis dessa reparação reúnem-se num ponto pela força do destino,
para resgatar numa morte trágica as conseqüências dos atos que estão relacionados com o passado anterior ao nascimento.
Daí as mortes coletivas, as catástrofes que lançam no mundo um aviso. Aqueles que partem assim acabaram o tempo que tinham de viver e vão se preparar para existências melhores.

(continua)

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR
LÉON DENIS

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