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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 15 de abril de 2015

ALFABETIZAÇÃO ESPIRITUAL: UMA OBRIGAÇÃO DE TODOS NÓS II

                Obviamente, o curso do autodesenvolvimento espiritual não e tarefa para apenas uma existência. Certamente continuará do lado de lá, assim como em outras encarnações. Também não podemos imaginar que tal aprendizado advirá exclusivamente de determinados cursos que venhamos a frequentar. Eles podem, na melhor das hipóteses, ajudar em determinados momentos, mas a maior parte desse processo de alfabetização ocorrerá mediante: constantes e solitários exercícios de reflexão e meditação acerca das atitudes tomadas no dia a dia; a busca incessante do autoconhecimento; a coragem para enfrentar as sombras da personalidade; e a determinação para proceder tomando sempre o bem como bússola. Paralelamente a esse esforço, o aluno deverá voltar-se a Deus através da oração sincera e confiante a fim de que os seus canais intuitivos captem sempre as melhores sugestões.
                Não poderá abdicar também de mergulhar a sua atenção em leituras edificantes, esclarecedoras, eivadas de sabedoria e experiências humanas valiosas que lhe facultem condições de vislumbrar a dimensão antes ignorada, isto é, a da vida espiritual. Pode-se prever que o bom aluno mudará consideravelmente a sua percepção e conduta a partir daí. Os seus gostos, preferências e aspirações sofrerão profundas mudanças, a sua sensibilidade no trato com os semelhantes será amplificada, assim como dilatada a sua capacidade de compreensão dos fatos e eventos, entre outros tantos benefícios. Com toda certeza estará mais preparado para ouvir, dialogar e entender os companheiros de jornada.
                Muitas vezes o bom aluno ver-se-á envolvido numa aparente solidão. Afinal, a sua gama de interesses e até mesmo objetivos transmutam-se completamente. Mas é na quietude da alma que encontrará respostas e conclusões para os mais importantes dramas existenciais. Concomitantemente, compreenderá que deverá desenvolver os recursos da paciência, discernimento, humildade, renúncia, emoções positivas, amor, fraternidade e tolerância – algumas matérias, convenhamos, nem sempre lecionadas nas salas educativas da Terra. O novo ser que emergirá dessa alfabetização dominará não apenas pensamentos, emoções e poderosas forças interiores, mas estará apto a entender e a cooperar de maneira mais incisiva na obra do Criador sendo uma criatura melhor sob todos os aspectos e sentidos.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – setembro/2014
imagem: google

terça-feira, 14 de abril de 2015

ALFABETIZAÇÃO ESPIRITUAL: UMA OBRIGAÇÃO DE TODOS NÓS I

                A vida moderna nos impõe inúmeras obrigações e deveres. Grosso modo, uma existência bem aproveitada implica em administrar com proficiência problemas e dificuldades de toda sorte. Jesus – nosso modelo e guia – e outros expoentes da espiritualidade convivem com labores altamente complexos e desafiadores. Se o Pai Celestial trabalha, como asseverou o Mestre outrora, “eu trabalho também” (João 5:17), deixando entrever a pesada carga de responsabilidades advindas da sua sublime missão de educador dos corações humanos. Portanto, não podemos, então, de nossa parte, esperar algo substancialmente diferente. À medida que evoluímos mais deveres abraçamos. Uma força incoercível nos compele a dar, entregar e a compartilhar mais de nós mesmos. Passamos a perceber, enfim, que somos muito menos que uma gota – e estou sendo generoso – do oceano.
                No entanto, dada a nossa precariedade cognitiva e considerando as paisagens de sofrimento e destruição que, infelizmente ainda, caracterizam a Terra, temos a obrigação individual de nos autoiluminarmos para transformá-la uma das belas moradas da casa do Pai. E tal desiderato não pode ser atingido sem o esforço pessoal de nos alfabetizarmos espiritualmente. Dito de outra maneira, a criatura humana necessita urgentemente educar a sua própria alma. São raros aqueles que, concomitantemente às exigências da vida moderna – onde sempre predominam as coisas de natureza material -, dão também atenção aos assuntos de origem transcendental. Aliás, se tivéssemos a curiosidade de averiguar quanto do nosso tempo é despendido em coisas ligadas à matéria ou de importância duvidosa, ficaríamos estarrecidos.
                De maneira similar, necessitamos dar mais atenção à educação do espírito. Nós necessitamos aprender a desenvolver uma profunda liberdade interior e consciência para nos tornarmos mais alertas espiritualmente. A capacidade para espiritualidade está presente em todos os seres humanos, mas necessita ser ativada e realizada. Isso significa que tem de ser ensinada de algum modo, e isso requer novos enfoques para a educação espiritual.

Anselmo Ferreira Vasconcelos

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – setembro/2014
imagem: google

segunda-feira, 13 de abril de 2015

CAMINHA ALEGREMENTE

Cap. VIII – Item 1                             
“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus e de que nenhuma raiz de
amargura, brotando, vos perturbe e, por ela, muitos se contaminem.” – Paulo.
(Hebreus, 12: 15)
Raízes de amargura existirão sempre, nos corações humanos, aqui e ali, como sementes de plantas inúteis ou venenosas estarão no seio de qualquer campo.
Contudo, tanto quanto é preciso expulsar a erva daninha para que haja colheita nobre e farta, é indispensável relegar ao esquecimento os problemas superados e as provações vencidas, para que reminiscências destruidoras não brotem no solo da alma, produzindo os frutos azedos das palavras e das ações infelizes.
Mãos prestimosas arrancarão o escalracho, em torno da lavoura nascente, e atitudes valorosas devem extirpar do espírito as recordações amargas, suscetíveis de perturbar o caminho.
Se alguém te trouxe dano ou se alguém te feriu, pensa nos danos e nas feridas que terás causado a outrem, muitas vezes sem perceber. E tanto quanto estimas ser desculpado, perdoa também, sem quaisquer restrições.
Observa a sabedoria de Deus na esfera da Natureza.
A fonte dissolve os detritos que lhe arrojam.
A luz não faz coleção de sombras.
Caminha alegremente e constrói para o bem, porque só o bem permanecerá.
Seja qual for a dor que hajas sofrido, lembra-te de que tudo amanhã será melhor se não engarrafares fel ou vinagre no coração.
Emmanuel

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
imagem: google

domingo, 12 de abril de 2015

TEMPO DE CONFIANÇA

“E disse-lhes: Onde está a vossa fé?” — (LUCAS 8:25)

A tempestade estabelecera a perturbação no ânimo dos discípulos mais fortes. Desorientados, ante a fúria dos elementos, socorrem-se de Jesus, em altos brados.
Atende-os o Mestre, mas pergunta depois:
— Onde está a vossa fé?
O quadro sugere ponderações de vasto alcance. A interrogação de Jesus indica claramente a necessidade de manutenção da confiança, quando tudo parece obscuro e perdido. Em tais circunstâncias, surge a ocasião da fé, no tempo que lhe é próprio.
Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á
igualmente a confiança na hora adequada.
Ninguém exercitará otimismo, quando todas as situações se conjugam para o bem-estar. É difícil demonstrar-se amizade nos momentos felizes.
Aguardem os discípulos, naturalmente, oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor.
Sem isso, seria impossível aferir valores.
Na atualidade dolorosa, inúmeros companheiros invocam a cooperação direta do Cristo. E o socorro vem sempre, porque é infinita a misericórdia celestial, mas, vencida a dificuldade, esperem a indagação:
— Onde está a vossa fé?
E outros obstáculos sobrevirão, até que o discípulo aprenda a dominar-se, a educar-se e a vencer, serenamente, com as lições recebidas.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL
imagem: google

sábado, 11 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VIII

                No que tange aos meios para facultarem a cessação do sofrimento, as ações meritórias, conforme já enfocadas, são preponderantes, destacando-se aquelas inabituais, que caracterizam os temperamentos nobres, os sentimentos abnegados.
                Distinguir-se através dos gestos incomuns, desconhecidos, é forma de buscar a iluminação mediante o concurso da realização de tudo quanto internamente se conjuga para esse fim.
                Quem acumula um tesouro tem em mente aplicá-lo em finalidades específicas. Se portador de sabedoria, pensa em multiplicá-lo ao tempo que o investe, escolhendo os empreendimentos mais rentáveis, seja do ponto de vista econômico, assim como de retribuição emocional. Com essa atitude promove o progresso, gera oportunidades de serviço e dignifica as vidas que antes estavam sob a ameaça do desespero e da inutilidade.
                Da mesma forma, os recursos espirituais e emocionais elevados devem ser canalizados para as atividades incomuns, superiores, as quais nem todos se atrevem realizar.
                As ações incomuns variam desde os contributos materiais valiosos, irrigados de amor e de ternura até os gestos extraordinários do silêncio ante ofensas, do perdão às agressões e do esquecimento do mal.
                Todo aquele que dilui as forças negativas que teima por obstruir-lhe o avanço, utilizando-se do detergente do amor, evita contaminar-se, e se já visitado por elas liberta-se, fazendo com isso que cessem as causas e desapareçam os sofrimentos.
                O campo mental indefeso faculta eu as farpas do mal aí proliferem, infestando a área com resíduos pestíferos, responsáveis por males incontáveis.
                A defesa, em relação aos fatores perniciosos, é somente possível quando a irradiação de energias saudáveis vitaliza a organização psíquica, que reflete as aspirações do espírito, resguardando-a das agressões externas. Não gerando pensamentos destrutivos nem acumulando vibrações perturbadoras de ódio, medo, ciúme, rancor, mágoa, concupiscência, não se faz vítima dos conteúdos internos degenerativos.
                Esse estado interior impulsiona aos atos incomuns superiores, passo próximo da iluminação.
                Somente iluminando-se o homem supera todas as dores; erradicando-lhes as causas, resguarda-se de agressões destrutivas.
                A iluminação resulta do esforço da busca íntima do ser profundo, opção de sabedoria que é, em relação ao ego que prevalece no mapeamento das aspirações humanas mais imediatas, portadoras de distúrbios vitais e fragorosas derrotas na luta, que é a breve existência corporal.
                O desenvolvimento da chama divina imanente em todos os seres merece todos os sacrifícios e empenhos, a fim de que arda em todo o seu esplendor, vencendo as teimosas sombras, que são a herança demorada das experiências nas faixas primitivas do processo inicial da evolução.
                A verdadeira iluminação promove o homem que, superando as contingências-limite da estância carnal, anula todas as causas de sofrimento, fazendo-as cessar. Já não necessita da dor para alcançar metas, pois o amor lhe constitui a razão única do existir, em sintonia com o pensamento divino que o atrai cada vez com mais vigor para a meta final.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem:google

sexta-feira, 10 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VII

                Porque se fantasia a existência terrena com quimeras e sonhos, a realidade, desfazendo essa imagem infantil, leva ao sofrimento todos aqueles que, imaturos, confiaram em demasia na transitoriedade das formas e da apresentação física, das promessas de afeto imorredouro e de fidelidade perpétua, de alegria sem tristeza e meio-dia sem crepúsculo no fim da jornada.
                Assim, a morte da ilusão fere aqueles que lhe confiaram a existência, entregando-se-lhe sem reserva, sem precaução.
                A ilusão é, pois, anestésico para o espírito.
                Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo. Entretanto, firmar-se nos alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia movediça ou solo pantanoso coberto por água tranquila apenas na superfície.
                Há quem postergue a realidade, evitando-a, para não sofrer. E existem aqueles que pretendem apoiar-se no realismo rude, que não passa, muitas vezes, de outra forma errônea de ilusão.
                A consciência da realidade resulta da observância dos acontecimentos diários, da transitoriedade do chamado mundo objetivo e de uma análise tranqüila e lúcida a respeito do que é verdadeiro em relação ao aparente, do essencial ao secundário, e sucessivamente.
                A compaixão por si mesmo – amor a si próprio – faculta a visão realista, sem agressão, dos objetos da existência terrena, impulsionando a compaixão pelo seu irmão – amor ao próximo – solidarizando-se com  a sua luta e dando-lhe a mão amiga, a fim de sustentá-lo ou erguê-lo para que prossiga na marcha.
                Essa atitude, ao invés de produzir uma postura pessimista, cética, amargurada, resultante da morte da ilusão, alenta e engrandece, dando sentido e significado a todos os acontecimentos.
                Por isso, a compaixão se torna fator que faz cessar os sofrimentos, como resultado natural dos outros passos, partindo da emoção para a ação.
                Apresenta-se, então, no painel do comportamento, a necessidade de agir com inteireza, com abnegação, transformando os propósitos mantidos em realização enobrecedora.
                Todas as experiências humanas constituem formas de amadurecimento da criatura. Algumas decorrem dos deveres imediatos e são comuns a todos, constituindo a sua vivência um fenômeno natural, sem o qual se experimenta inevitável alienação, com todas as suas conseqüências perniciosas.
                O fato de participar do contexto social, mesmo que sem gestos incomuns ou de arrebatamento, equipa o indivíduo com recursos emocionais que lhe trabalham a existência, aformoseando-a com estímulos crescentes para o seu prosseguimento.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quinta-feira, 9 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VI

                É o amor que leva à piedade fraternal, à compaixão, induzindo o homem à solidariedade e mesmo ao sacrifício.
                Há um tipo de compaixão que, não resultando da ação dinâmica do amor profundo, pode ser perniciosa e até deprimente. Trata-se daquela que lamenta o sofrimento e escoroçoa quem o experimenta, como uma forma de aureolá-lo de desdita e abandono, de falta de sorte e desgraça. Essa atitude transparece e resulta de uma óptica equivocada sobre o sofrimento, deixando a perspectiva de que o mesmo é punição arbitrária, injustiça perturbadora.
                A compaixão junta-se ao companheirismo, que comparte dos sentimentos alheios, sem enfraquecer-lhes as resistências morais, incitando o indivíduo à perseverança nos ideais e postulados relevantes, que o impulsionam ao incessante avanço, sem possibilidade de retrocesso.
                Compaixão pelo bem, fruto do amor, o ser age adequadamente, mudando a estrutura do sofrimento, do qual o cinzel da ternura arranca as asperezas e anfractuosidades. Esse sentimento é semelhante à suavidade do luar em noite escura espraiando luz tênue e confortadora sobre a paisagem. Faculta uma visão propiciadora de ações úteis, onde predominavam as sombras do desalento, do medo e  do desespero em crescimento.
                A paixão pelo serviço de elevação irradia piedade construtiva, que estimula à  beneficência e dá calor à filantropia, aureolando-a de vigor fraternal, graças ao qual os sentimentos solidários expressam o amor em sua multiface.
                A ausência de compaixão envilece o homem e a falta de paixão pelo bem torna o ser revel, quando não o mantém apenas na indiferença mórbida, qual observador mumificado diante dos acontecimentos do cotidiano.
                O serviço do bem, com a correspondente paixão de sustentá-lo, transforma-se em caridade que plenifica aquele que recebe o socorro e quem o propicia. Enseja a ação de dupla via: a satisfação que faculta àquele a quem é dirigida e a que retorna como resposta interior da consciência tranqüila pela emoção experimentada.
                A vida sempre responde de acordo com a maneira como é inquirida. A cada ação resulta uma equivalente reação, desencadeando sucessivos efeitos que se tornam conseqüências desta última, por sua vez geradora de novos resultados.
                Para eu seja interrompido o ciclo, quando pernicioso, a compaixão por si mesmo e pelo próximo induz o homem às ações construtivas, nas quais se instalam os mecanismos que desencadeiam resultados favoráveis ao progresso, assim interrompendo a onda propiciadora de sofrimento.
                A paixão de Cristo por todas as criaturas é um estímulo constante a que se compadeçam os indivíduos uns pelos outros, sustentando-se nas dores e dificuldades, jamais piorando as suas necessidades ou afligindo-os mais através dos instintos agressivos, por acaso prevalecentes em sua natureza animal.
                É de vital importância a compaixão no comportamento humano. Ela conduz à análise a respeito da fragilidade da existência corporal e de todos os engodos que a disfarçam.
                Sendo a ilusa um fator responsável por incontáveis sofrimentos, a compaixão desnuda-a.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 8 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO V

                Sem o passo inicial, ninguém vence as distâncias.
                O egoísmo é a estaca zero, às vezes perniciosa, para ensejar os primeiros movimentos no rumo da solidariedade, do bem comum. Pior que ele é o desinteresse, a morbidez da indiferença, deixando transparecer que o amor está morto, não obstante se encontre dormindo, aguardando o estímulo correspondente para despertar.
                A vida é impossível sem o amor.
                Da mesma forma que o crime se disfarça e os sentimentos inferiores se escamoteiam sob máscaras diversas, há várias expressões positivas que surgem no homem refletindo o amor de que ele ainda não se deu conta. À medida que se agiganta, neutraliza o sofrimento e a sua vigência contribui para que cessem as causas degenerativas que facultam o sofrimento. Quando atinge elevada qualidade, em somente uma pessoa, anula a fúria e o ódio com suas incontáveis vítimas, bem como dos seus fomentadores.
                Irradiando-se, à semelhança da luz, domina todos os escaninhos e tudo arrasta na direção do fulcro gerador da energia.
                Amor é sinônimo de saúde moral e quem o possui elimina as geratrizes envenenadas que se expandem produzindo sofrimento.
                O amor é sutil e sensível, paciente e constante, não se irritando nem se impondo nunca. No entanto, quem lhe experimenta o mimetismo, jamais o esquece. Mesmo que momentaneamente lhe interrompa o fluxo, ele sempre volve.
                Na raiz de toda ação enobrecida está a seiva do amor, produzindo vida  e sustentando-a.
                Usar essa energia vital constitui dever e, com a consciência lúcida de sua magnitude, aplicá-la em prol da harmonia faz cessar o sofrimento. Ela é vibração positiva, que enseja entusiasmo e otimismo, dando colorido à existência. Reverdece a terra cansada do coração e drena o charco, no qual a pestilência das paixões deixou que se descompusessem a esperança e a alegria.
                Ninguém ama inerte.
                Dinâmico, o amor induz à ação construtiva, responsável pelo progresso.
                Objetivando sempre o bem, concentra suas forças nele e não desiste enquanto não lobriga a meta. Ainda aí permanece solidário, de modo a evitar que o ser depereça e tombe ao desânimo.
                Como o sofrimento decorre da insatisfação, da distonia, da degeneração dos tecidos e dos fenômenos biológicos desajustados, o amor age sobre as moléculas como onda vitalizante e, restaurando-lhes o equilíbrio, vence o sofrimento, interrompendo-lhe o fluxo causal.
                Quando, porém, perseveram as dores físicas, efeitos dos desarranjos orgânicos, a resignação e a coragem do amor amortecem-lhes os efeitos, tornando-os suportáveis e produzindo os heróis do sofrimento, cujo martírio de qualquer procedência, deles fazem modelos que dão força e dignidade às demais criaturas, assim embelezando a vida moral e humana na Terra.
                Sob a ação do amor, são processados novos mecanismos cármicos positivos, que interrompem aqueles de natureza perniciosa, porquanto o bem anula o mal e suas conseqüências, liberando os infratores das leis, quando eles as recompõem e corrigem os mecanismos que haviam desarticulado.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quinta-feira, 2 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO IV

                A bondade é um pequeno esforço do dever de retribuir com alegria todas as dádivas que o homem frui, sem dar-se conta, sem nenhum esforço, por automatismo – como o sol, a lua e as estrelas, o firmamento, o ar, as paisagens, a água, os vegetais, os animais – e que, inadvertidamente, o homem vem consumindo, poluindo com alucinação, matando com impiedade.
                A vida cobra aos seus agressores o preço da interferência negativa na sua ordem e estrutura.
                Assim, devolver-lhe a bonde é respeitar-lhe os códigos da existência, da sobrevivência, fomentando-lhe o aumento, a continuidade, a própria vida, onde quer que ela se expresse. Essa bondade, que se pode denominar como dever retributivo, abre espaços ao hábito pra outras formas de manifestá-la.
                Os sentimentos nobres que não são estimulados à ação por largo período embotam-se, debilitam, quase desaparecem. Desse modo, a bondade cresce por meio do exercício, tornando-se um hábito de vida ou desaparecendo por falta de ação.
                Optar por agir ou não com bondade é atitude da mente e produzir o bem é do coração.
                Há em todos os seres o instinto de conservação da vida e uma natural inclinação para o b, em razão de serem herdeiros de Deus em aprendizagem, na forma da utilização dos recursos à sua disposição.
                A escolha do rumo a seguir depende do interesse imediato de resultados ou da lúcida preferência de frutos posteriores duradouros, mediante a renúncia do momento.
                A ascese longa e, às vezes, difícil, será lograda fatalmente, face à destinação assinalada para todos os seres. Torná-la iluminada e agradável deve ser a opção de todos quantos pensam e anelam por fazer cessarem os próprios sofrimentos.
                O exercício da bondade faculta campo para a vigência do amor, cuja conquista plena coroa a vida, libertando-a de todas as algemas que a retêm. O amor é a vibração do Pai irradiando-se na direção do Pai irradiando-se na direção do filho e dele se exteriorizando em todas as direções. Mesmo nos indivíduos mais cruéis, nos verdugos mais insensíveis, vigem os lampejos do amor em ondas de ternura, gestos de carinho, expressões de sacrifício.
                Preservando a vida da prole, as feras se expõem por instinto, traindo a presença imanente do amor em forma irracional.
                No homem, o amor esplende e cria o heroísmo, o holocausto, o sacrifício com que a vida se engrandece e triunfa sobre a morte, qual dia perene sobre a noite transitória.
                O exercício do amor, dilatando o sentimento que se harmoniza com a alma da vida em tudo pulsando, favorece a cessação do sofrimento, acaso existente. É o antídoto mais poderoso para quaisquer fenômenos degenerativos, em forma de dor ou ingratidão, agressividade ou desequilíbrio, crime ou infâmia. Ele possui os ingredientes que diluem o mal e favorecem o surgimento do bem oculto.
                Onde viceja o progresso, o amor se manifesta. Há exceções, como no caso do crescimento horizontal, em que o interesse e a ganância fomentam o desenvolvimento econômico, tecnológico e social. Mesmo aí, o amor se encontra presente, embora direcionado para o egoísmo, a satisfaço dos próprios sentidos, de onde partirá para os gestos altruísticos, que proporcionam a alegria de outrem, o bem-estar geral.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 1 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO III

                Descobrir a bondade que dorme em todos os seres e necessita ser despertada, estimulada, a fim de que frondeje, enflorescendo e produzindo frutos bons.
                Não há ninguém que não possua bondade interior, há, nos refolhos da alma, a presença de Deus como luz coagulada, aguardando os estímulos de fora, a fim de brilhar com alta potência.
                Pessoas agressivas, que se comprazem em atormentar, produzindo sofrimentos, são portadoras de muitas dores íntimas, que buscam disfarçar sob a máscara da violência, da falsa superioridade, da alucinação.
                Mesmo os animais selvagens, sob domesticação, tornam-se amigos, e recebendo a vibração do amor alteram a constituição do instinto agressivo, mudando de comportamento, o que atesta a presença do psiquismo divino em germe, em tudo e todos.
                Trata-se de uma conquista de sabedoria poder penetrar na bondade latente dos seres, buscando sintonizar com esse estado de vida, ao invés de vincular-se apenas às manifestações exteriores, às suas reações defensivas-agressivas, que são portadoras de vibrações morbíficas, portanto, desencadeadoras de muitos males que respondem pelos sofrimentos.
                Da experiência de identificar a bondade nos seres em geral vem a extraordinária conquista de descobrir a presença de Deus em toda parte, em todas as criaturas, estabelecendo vínculos emocionais de intercâmbio consciente, já que, inconscientemente, o indivíduo experimenta uma interdependência de que ninguém se exime. Fazer que o fenômeno automático do intercâmbio se torne lúcido é empreendimento válido que faculta o progresso dos homens, desenvolvendo aptidões mais eloqüentes e expressivas.
                A vida é um permanente desafio, rica de oportunidades de crescimento e penetração nos seus profundos arcanos, que se revelam cada vez mais fascinantes e grandiosos. Por isso, não cessa o desenvolvimento dos valores intelecto-morais do espírito na sua faina de evoluir.
                A dor e o sofrimento em geral são estágios mais primitivos do processo de desenvolvimento que, através das sensações e emoções afligentes, propelem o ser para outros planos, patamares mais elevados, nos quais os estímulos se apresentam de maneira diversa, mais nobremente convidativos. Em tudo e em todos jazendo a presença de Deus, é necessário saber descobrir neles a bondade que expressa a sua essência, a sua origem, igualmente presente em todas as vidas.
                Nesse estágio, cumpre acentuar o desejo de retribuir essa bondade, essa presença divina.
                A harmonia universal resulta da diversidade de formas, de expressões, de apresentações, em sutis processos de sintonia, de similaridade.
                Da mesma forma, ao ser identificado qualquer valor relevante, especialmente a bondade em pessoas e animais, nos elevados objetivos da vida  vegetal, é preciso planejar retribuir esse sentimento.
                Partindo da intenção, deixar crescer o desejo de devolver, por natural fenômeno de retribuição, a bondade, já mais desenvolvida no seu mundo interior.
                Do pensamento à palavra, à ação, passo a passo se agiganta a intenção que se converte em realidade criadora, retributiva, desenvolvendo recursos de alta magnitude em derredor. Essa movimentação de energia positiva é saudável esforço para evitar-se o sofrimento ou dele liberar-se.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google