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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA A SAÚDE VI

5 Viver Retamente
             Viver retamente é, portanto, o passo seguinte.             
 As ações que se sucedem transformam-se no modus operandi de cada indivíduo que aí passa a ter o seu modus vivendi.
Quem age retamente, vive retamente.
O seu hoje representa as ações antes realizadas e o seu amanhã defluirá das suas atividades hoje desenvolvidas.
Não se homizia no erro, não se exalta, não se deprime.
Suas horas transcorrem harmoniosas e as suas lutas, mesmo quando desgastantes, não o infelicitam, porque elas são conquistas de patamares mais elevados, que aguardam.
A vida adquire sentido e significação, porque não se acabando no túmulo, amplia-se ao infinito, rica de oportunidades excelentes de aprendizagem e plenificação.
Ghandi recomendava a igualdade racial, de deveres e direitos. Todavia, para que os seus fossem ideais legitimamente respeitados, vivia conforme preconizava, trabalhando no tear e acolhendo os párias no seu ashram, a eles concedendo a mesma consideração que dispensava a qualquer outra pessoa.
Viveu pobremente, de acordo com o que considerava as necessidades básicas para a vida, que prescrevia para as demais criaturas.
Jesus não tinha “uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves do céu tivessem os seus ninhos e as feras os seus covis”, porque para Ele uma só coisa era importante: dar-se, num mundo de coisas que valem o que se lhes atribui, já que não tem valor real...
Uma vivência de tal natureza impõe um grande esforço, já que é larga a porta que conduz à perdição.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sábado, 15 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA A SAÚDE V

4 Operar Retamente                     
                Logo surge o momento da ação, que equivale à diretriz do operar retamente.
                Os requisitos anteriores alcançam o seu momento máximo na ação, sem o que, deixam de influenciar, como necessário, o comportamento, que retrata a realidade íntima da pessoa.
                A retidão impõe-se em todos os passos da existência humana.
                Um coração tranquilo é resultado de uma conduta reta e, por consequência, fator basilar para uma consciência de paz.
                Interdependem-se, portanto, esses elementos, para uma vida feliz, desde que, olhar-se para trás sem remorsos, agir-se sem medo, face aos sentimentos enobrecidos, produzem um estado de paz que nada perturba, porque enraizada na maneira de operar, conduzindo a caminhada retamente.
                O mundo progrediu sempre graças àqueles que agem com retidão. Os seus exemplos de dedicação às causas dignificadoras tornaram-se a base do processo de engrandecimento da vida e das demais criaturas.
                Conscientes das suas responsabilidades não temeram as perseguições, as lutas ásperas, os sacrifícios, nem mesmo o holocausto, quando este se fazia necessário, desde que permanecesse impoluto o ideal que sustentavam. Sabiam que a morte do corpo não destrói a ideia grandiosa, e que é no sangue do martirológio que a semente da verdade germina, a fim de poder frondejar mais tarde, abençoando com flores e frutos.
                Como se medem a grandeza ou pequenez das criaturas graças aos ideais que possuem, é na ação que se avalia a excelência das suas aspirações, pois que aí, ao operá-las, trazê-las ao mundo objetivo, é que elas experimentam a intensidade dos fornos onde são lançadas antes de se tornarem realidade.
                Entre companheiros doentes e em uma sociedade injusta, é um verdadeiro desafio operar retamente. As propostas da insensatez se multiplicam, os conchavos da desonestidade bem urdidos e disfarçados de legais enxameiam, as concessões morais e conivências fazem-se quase normais, dificultando a ação correta. Quem age com retidão parece alienado, é malvisto, tido por excêntrico ou como se o fizesse para pretender chamar a atenção. Há uma oposição sistemática, ancestral, arquitetada contra o correto, de modo a impedir o desmascarar da fraude e da corrupção em predomínio.
                Operar retamente é técnica de terapia preventiva quanto curadora para o sofrimento.
                Quem não atua errado, não tem necessidade de repetir a experiência, refazer o caminho, ressarcir débitos...
                Tal ação, entretanto, começa nas pequenas decisões, nas realizações mais simples e de aparente significação sem importância.
                Tudo é importante na vida. Os pequenos atos são preparatórios dos gestos grandiosos e das realizações vultosas.
                Manter o mesmo nível de conduta reta em uma pequena como noutra atividade de relevo é forma de treinamento para uma vivência equilibrada.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA A SAÚDE IV

3 Falar Retamente
                Quando se crê e se quer crer retamente, fala-se com a mesma qualidade de intenção, e essas palavras, conforme se refere o Evangelho, exteriorizam o de que está cheio o coração.
                Indispensável, portanto, a vivência íntima das aspirações superiores, a fim de que a música da palavra traduza-as para o exterior retamente.
                A palavra é valioso instrumento de comunicação, que tem entorpecido grandes ideais da humanidade, por não ser fiel aos sentimentos que deveria expressar.
                Fala-se por falar-se; fala-se para dissimular emoções e ideais; fala-se com objetivos sórdidos e prejudiciais.
                A palavra que liberta, igualmente faz-se meio de escravidão.
                Por isso, a arte de falar impõe requisitos que são essenciais para expressar-se retamente.
                Deve-s por na palavra a discrição que sabe como e quando falar, evitando gerar constrangimento e amargura.
                Não faltam, no mundo, acusadores e palradores da inutilidade, das ideias vazias de conteúdo, de ironias e sentidos dúbios. Eles inquietam e anatematizam, infelicitam e desajustam, dominados por idealismos falsos e paixões inferiores.
                O falar retamente fomenta o progresso, desenvolvendo as aspirações que se exteriorizam em ideais de liberdade e amor, impulsionando as criaturas para a frente, para o bem.
                As boas palavras enrijecem o caráter, dulcificam o coração e iluminam a vida. As más, entorpecem os sentimentos, deformam a conduta e matam os ideais de enobrecimento.
                Crer, querer e falar retamente produzem uma vibração de paz que fomenta a saúde, alterando o comportamento emocional que refaz o equilíbrio da energia, modificando o campo no qual se instalam as enfermidades.
                São inevitavelmente, caminhos para uma existência saudável.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA A SAÚDE III

2 Crer Retamente
                Crer retamente conduz ao querer retamente.
                Uma das razões do sofrimento humano é o querer equivocadamente, conforme a ilusão do prazer imediatista e alucinado, que elege o dispensável em detrimento do essencial, de acordo com o transitório e não com o permanente. E para lográ-lo, age segundo as tendências negativas, comprometendo-se moral e espiritualmente.
                Esse querer equivocado escraviza o  ser às paixões inferiores, cujas algemas o retêm inexoravelmente aos efeitos infelizes da eleição.
                Para o seu prazer, o indivíduo quer o que não lhe convém, permitindo que o egoísmo se sobreponha aos interesses gerais, prejudicando todos aqueles que possam constituir-lhe impedimento ou provocar-lhe dificuldade.
                Querer retamente propõe métodos compatíveis com os objetivos da crença anelada. Os meios incorretos não são justificáveis quando usados para fins nobres, porquanto degeneram os ideais que devem permanecer pulcros. Sem o uso dos meios correspondentes, as realizações perdem a qualidade de que se devem revestir.
                As supostas facilidades muito aneladas pelas criaturas são uma forma de evitar os meios hábeis, complexos às vezes, que compõem o quadro do querer de maneira elevada.
                Não que as realizações mais fáceis signifiquem desvio de meta. Elas ocorrem amiúde, como é natural, não devendo tornar-se regra geral, que desencoragem as demais que proponham esforço, persistência e sacrifício.
                Quem elege a montanha, não evita a ascensão difícil, porquanto faz parte da aspiração que se sustenta interiormente.
                O ato de querer torna menos ásperos os desafios e as dificuldades.
                Querendo retamente difundir a mensagem de Jesus, Paulo aplicou os mais desgastantes esforços, padecendo enfermidades, abandono, apedrejamento e quase morte, afirmando, confiante: “Ai de mim se não pregar o Evangelho”, vivendo com sacrifício o ideal que o abrasava.
                A preservação do querer com retidão rechaça as propostas ignóbeis, mesmo quando se apresentam como fórmulas salvacionistas, solucionadoras.
                O que não tem a chancela da retidão desmerece a qualidade da ação.
                Jesus sempre quis retamente e sempre assim agiu, tornando a Sua mensagem uma luz inapagável a varar os séculos, superando desfigurações, interpolações e adulterações lamentáveis.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA A SAÚDE II

                Buda, no passado, recomendava uma via de salvação, em oito passos, que são indispensáveis para a iluminação pelo amor e a plenitude pela felicidade.
1 Crer Retamente          
A criatura humana sempre crê, até naquilo que nega. O seu ato de negar é uma forma de crer, que defende com entusiasmo e vigor. A negação, por isso mesmo, é um tipo de afirmação, demonstrando a crença natural ou racional  em torno da sua convicção.
Crer retamente, porém, é direcionar o pensamento de forma positiva, edificante, firmando-o em propósitos saudáveis, que favorecem a realização excelente dos postulados, nos quais se crê.
Essa é uma crença estimuladora que enriquece de beleza e aciona os mecanesmos da vida, alterando, profundamente, o comportamento para melhor e propondo uma vivência pautada na força da crença.
Diante de todos os enfermos que O buscavam, Jesus era peremptório, quanto ao ato do paciente crer nEle e na recuperação da saúde.
A Sua resposta positiva criava a reação orgânica favorável à movimentação da energia bloqueada pelos condicionamentos doentios, pelas seqüelas cármicas propiciadoras dos distúrbios degenerativos, nas áreas do corpo, da mente ou da emoção. A abertura mental e emocional do enfermo á certeza de que era possível a recuperação, e que Jesus podia consegui-lo, proporcionava-lhe a receptividade necessária ao imediato processo de cura.
Assim, a fé tudo pode, pois aciona inexplorados mecanismos íntimos do homem, geradores de forças não utilizadas, modificando por completo a paisagem interna, depois externa do ser.
“A fé remove montanhas”, acentuou Jesus. Ela é a canalização de todas as possibilidades psíquicas alterando a ação das forças habituais. Quando se apresenta, estimula à ação e vibra interiormente, gerando energias que vitalizam toda a maquinaria pela qual se movimenta.
A crença reta faculta uma visão otimista da vida, que se enriquece de motivações, que nada perturba. Sabe esperar e estimula ao prosseguimento da empresa, mesmo quando as circunstâncias parecem conspirar contra, ocasionando confusão ao projeto abraçado.
Todas as conquistas da humanidade tiveram início no ato de crer corretamente, graças ao qual se movimentavam as pessoas, persistindo na execução dos planos mentais transferidos para a realidade objetiva.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

terça-feira, 11 de agosto de 2015

CAMINHOS PARA A SAÚDE I

                O sofrimento é via de redenção espiritual, face ao incompleto desenvolvimento moral do indivíduo. Opção pessoal, é roteiro destituído de qualquer ação punitiva, educando ou reeducando através dos mesmos mecanismos, graças aos quais houve comprometimento, desvio de rota, desrespeito à leis da vida.  A sua presença vige, enquanto se faz necessária a depuração. As únicas exceções se apresentam nos quadros de iluminação coletiva, quando os missionários do bem e do amor mergulham nas sombras do mundo, a fim de clareá-las com os seus exemplos. Não mais lhes sendo necessárias as dores físicas e morais, elegem-nas ou aceitam-nas como holocaustos espontâneos, a fim de ensinarem coragem, abnegação e sacrifício aos que estão na retaguarda, comprometidos com a ignorância e a ilusão, a rebeldia e a violência, o egoísmo e a negação do dever, todos eles geradores de sofrimentos, de enfermidades e dores.
                A saúde integral, a paz, a alegria interior resultam da lucidez mental, que elege os atos corretos para a existência modeladora da ascensão.
                Enquanto não se convençam as criaturas de realizar o equilíbrio, a homeostase ideal entre o psiquismo e o corpo físico, debater-se-ão nas malhas de qualquer tipo de sofrimento. Advertência ao desvio da linha de harmonia, ele se apresenta em forma de energia comprometida, bloqueada ou desequilibrada, facultando a instalação de doenças, de desares, de padecimentos de qualquer natureza.
                Certamente, as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar as condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio estrutural do ser.
                Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento e para a sua compensação pelo bem.
                Allan Kardec, através da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral.
                A caridade, que é o amor na sua expressão mais elevada, para ser real exige a iluminação de quem a pratica, facultando-lhe, ao mesmo tempo, um constante aprimoramento de propósitos que induzem á abnegação e à vitória sobre as tendências primitivas, que permanecem dominadoras.
                Pelo seu extraordinário conteúdo emocional, a caridade dulcifica aquele que a pratica e abençoa quem a recebe, dignificando-o, promovendo-o e ajudando-o a superar-se. Por isso, verdadeiramente, a sua é uma ação de profundidade, que exige requisitos especiais, adquiridos através do esforço de constante aprimoramento espiritual.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

terça-feira, 28 de julho de 2015

MOTIVOS DE SOFRIMENTOS III

                A mente e o corpo susceptíveis à dor pela posse ou perda das coisas externas sempre atravessarão largos períodos de sofrimentos, transferindo-se de uma para outra forma de sofrimento, sem conseguir a libertação. Essa ocorre quando o homem se esvazia de ambição, instalando a abnegação no íntimo e superando os desejos.
                O ato de querer (desejar para si, manifestando apego) é fator prenunciador de perda (transferência para outrem, porque o que se detém se deve, não se possui), assim suscitando o domínio responsável pelas sensações de ansiedade, insegurança, medo, que são geradores de sofrimentos.
                O autoconhecimento coopera para que se possa discernir em torno do que é útil ou supérfluo, indispensável ou secundário à vida feliz.
                As conquistas dispensáveis pesam na economia emocional e passam a constituir preocupação que desvia a mente das metas que deve perseguir.
                É muito difícil liberar-se dos atavismos: pertences e hábitos que se impregnam ao comportamento passam a constituir uma nova natureza, e predominante. Sob o fardo dessas dependências, o ser não logra ver a luz, discernir a meta, libertar-se para encontrar-se.
                Confunde a paz com a tranquilidade dos recursos que possui, dos quais aufere conforto, destaque social; através dos quais desperta inveja, podendo perdê-los, de um para outro momento, na existência física, em razão das normais vicissitudes que a todos surpreende, como da compulsória pela morte, que o obriga a deixar tudo, nem sempre facultando a liberação, desde que o tormento prossegue além das vibrações orgânicas...
                O sofrimento deve ser superado pelo amor, pela meditação, pela compreensão da sua presença na vida dos seres, fator de progresso, necessidade de reeducação, mecanismo da evolução que é, e que permanece nos indivíduos que discernem e pensam por eleição deles mesmos, já que a meta da reencarnação é a de lograr a vitória sobre ele.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

segunda-feira, 27 de julho de 2015

MOTIVOS DE SOFRIMENTOS II

                Há indivíduos que dispõem de somas consideráveis, prestigio social, fama e inteligência, graças aos quais adquirem o que lhes apraz, viajam para onde desejam, relacionam-se com os mais diferentes indivíduos e, não obstante, são atormentados pelo vazio, pelo tédio, pela insatisfação, fortes causas de sofrimento.
                Invariavelmente as pessoas colocam os acontecimentos e interesses fora de sua realidade, no mundo exterior, passando a considerá-los a fonte dos sofrimentos ou dos gozos, conforme conseguem fruí-los ou não. Todavia, a questão é mais profunda e pertinente à sua vida íntima. Não havendo um real significado interior, o aparente sentido que demonstram perde-se tão logo sejam conseguidos. Nisso reside a maior soma de frustrações e de insatisfações que causam sofrimentos.
                Algo vale somente quando inspira o mesmo sentido para todas as pessoas, que projetam as suas necessidades íntimas e aspirações legítimas na sua conquista.
                Os lugares belos, as cidades ricas e cosmopolitas que a uns indivíduos causam impacto, provocando o desejo incomum de aí ficarem, noutros despertam mal-estar, desconforto e desagrado. Ilhas paradisíacas e refúgios de oração que a uns fascinam, a outros causam sensações desencontradas, angústias e desesperos insuportáveis. Vestuários luxuosos e jóias cobiçadas, que aumentam a cupidez em alguns, noutros não conseguem a sensibilização, não lhes geram qualquer interesse, nem qualquer sofrimento, por não possuí-los.
A busca da realidade, do Eu, deve partir de uma análise profunda e interna das necessidades legítimas da vida, jamais da preferência de adornos, objetos e situações, que destacam o ego e perturbam-no, tornando-o jactancioso, prepotente ou, na sua falta, magoado, ressentido, receoso...
Primeiro, é necessário adquirir um estado de espírito de paz, para passar por tudo sem ater-se a nada.
A chama que clareia exteriormente projeta luz, mas faz sombra; enquanto a que se manifesta do interior, irradia-se por igual em todas as direções, sem gerar qualquer escuridão.

(continua)
               
Fonte: PLENITUDE         

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem:google

domingo, 26 de julho de 2015

MOTIVOS DE SOFRIMENTOS I

                Na busca incessante do prazer, o homem transfere-se, exteriormente, de uma para outra sensação, sem dar-se conta de que o desequilíbrio gerador de ansiedade é responsável pelo sofrimento que o aturde, ameaçando-o de desespero cruel. Enquanto não se resolva por selecionar os valores reais daqueles aos quais atribui significado e que são apenas fogos-fátuos, terá dificuldade em afirmar-se e seguir uma diretriz propiciadora de paz.
                Vivendo sob a injunção de uma máquina, que lhe impõe necessidades a serem atendidas e o predispõe a falsas necessidades perturbadoras, ele opta pelas últimas, que são produto das sensações do ego dominador, empurrando-o para as aspirações mais grosseiras, em detrimento daqueloutras sutis e enobrecedoras, que adquirem resistência na renúncia, no esforço elevado, na abnegação, no cultivo da vida interior, no domínio da matéria pelo espírito.
                O corpo deve ser considerado um instrumento transitório para o ser eterno, temporariamente um santuário, face à finalidade edificante de propiciar à alma a sua ascensão, mediante as experiências iluminativas que faculta, nos aspectos moral, espiritual, intelectual, pelo exercício das virtudes que devem ser postas em prática, e jamais para atendimento das sensações que lhe caracterizam a constituição molecular.
                Certamente, aqui não cabe também o comportamento asceta, alienador, que fomenta a fuga da realidade aparente, porquanto, o importante é a vida mental modeladora da física. Pode-se mudar de lugar sem alterar a conduta, vivendo-se um estado exterior e outro íntimo. Pela falta de sintonia entre as duas formas de vida, surge a desagregação do indivíduo, com aparecimento de neuroses e psicoses devastadoras, impondo sofrimentos que poderiam ser evitados, caso se permitisse uma melhor compreensão das finalidades existenciais.
                O exame racional e lúcido das necessidades legítimas faculta o direcionamento saudável, com as compensações da harmonia íntima e do equilíbrio emocional.
                A ambição desmedida pelas coisas, divertimentos e gozos nunca preenche os espaços do prazer, pelo contrário, frustram aqueles que lhe tombam nas armadilhas.

(continua)
               
Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 10 de julho de 2015

ALTRUÍSMO VII

                Por fim, após a vivência desses variados itens, a sabedoria se instala na mente e no coração do homem, libertando-o da ignorância, apontando-lhe o objetivo real da existência corporal, impulsionando-o para novos tentames, cada vez mais sedutores e agradáveis, brilhando à frente.
                Confunde-se a sabedoria com o conhecimento intelectual, o burilamento da mente, a fixação da cultura que, apesar de valiosos, são uma conquista horizontal.
                Torna-se indispensável que, ao lado dessa importante aquisição, o sentimento lúcido e profundo do amor se torne a grande vertical do processo evolutivo.
                Essa conquista vertical é a responsável pelo discernimento de como agir, facultando os recursos lógicos para tal, ao mesmo tempo dilcificando pelo afeto a aspereza ocasional do processo de execução.
                A sabedoria faz que o amor seja prudente e um sentimento generoso, doador, altruístico, evitando que se entorpeça com as manifestações do pieguismo, que disfarça os esquemas do ego enfermo. Simultaneamente, proporciona ao intelecto a serena percepção de que à razão se deve unir o sentimento humano, sereno e afável, responsável pelo arrastamento das pessoas.
                O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive mais do que fala, ensina mais pelo exemplo do que pelas palavras.
                Quando são desenvolvidos os passos que contribuem para o altruísmo e se adquire sabedoria, ilumina-se o espírito, e a vida ganha sentido, superando-se os limites de tempo e espaço, face à grande meta que se deve conquistar.
                Os sofrimentos cedem, então, lugar à paz. Porque desaparecem os fatores cármicos, vencidos pelas novas ações libertadoras, e, porque ao sejam geradas causas atuais negativas, o futuro não se desenha sombrio nem ameaçador. Assim, o altruísmo viceja na mente e no coração, não sendo mais o homem quem vive e sim o Cristo que nele passa a viver, conforme acentuou Paulo e o sentiram outros mártires, heróis e sábios de todos os tempos, que se entregaram ao altruísmo em favor da humanidade.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 8 de julho de 2015

ALTRUÍSMO VI

                Outro fator essencial ao altruísmo é a concentração nele, sem cujo contributo a mente se desvia, abrindo brechas para que se instalem idéias pessimistas, desanimadoras.
                Centralizar o pensamento na ação altruística permite o estabelecimento de um programa eficiente, graças ao qual se delineiam técnicas e se logram recursos para executá-la.
                A concentração amplia os horizontes enquanto fortalece o íntimo, por facultar o intercâmbio de energias superiores que passam a vitalizar o indivíduo, renovando-lhe as forças quando em exaurimento, especialmente no mister altruístico.
                Desacostumados aos gestos de elevação, os homens reagem contra eles, tornando-se agressivos e ingratos, para reconhecerem os resultados positivos só posteriormente. Essa atitude não poucas vezes desanima as pessoas abnegadas e menos preparadas, que recuam ou desistem, porque não buscaram o apoio da meditação e deixaram-se intoxicar pelo bafio pestilento em expansão.
                Meditando-se, percebe-se a necessidade de maior contribuição altruística e sacrificial, compreendendo-se que a imensa carência de amor responde pela dureza dos sentimentos, e a agressividade predominante atesta a gravidade das doenças morais em desenvolvimento nas criaturas.
                A meditação amplia a visão a respeito do mal, ao tempo em que equipa o homem de lucidez, fornecendo-lhe os instrumentos próprios para cuidar desse adversário cruel.
                A arte da concentração é uma conquista valiosa e demorada, que exige cultivo e exercício, a fim de responder de maneira eficiente às necessidades emocionais do homem.
                Habituado a concentrar-se nos fenômenos que decorrem das paixões ou sensações mais fortes, tais como o desejo, o ciúme, o ódio, o ressentimento, a sensualidade, a gula, os vícios em geral, quando se trata das aspirações mais elevadas e sutis, o indivíduo justifica-se com escusas de que não consegue concentrar-se, que lhe falta capacidade para deter-se no assunto, exclusivamente por comodidade mental ou porque prefere fugir às responsabilidades que advêm da mudança de programa.
                Sem o contributo da concentração quaisquer atividades perdem o brilho e são mal executadas. É ela que propicia o enriquecimento dos detalhes, a visão particular e geral do empreendimento, revigorando o indivíduo, concedendo-lhe lucidez e inspiração.
                Todos os grandes realizadores devem à  concentração, ao esforço e à paciência o êxito que alcançaram. Esqueciam-se de tudo, quando fixados no propósito de algo realizar.
                Certamente, a tenacidade com que se mantinham era resultado da experiência que se alongava no tempo, propiciando-lhes a capacidade crescente de se afastarem mentalmente de quaisquer outros objetivos, fixando-se na ação a que se entregavam.
                A concentração ilumina o altruísmo e revigora-o nos momentos difíceis, por facultar compreender as circunstâncias dos acontecimentos e os problemas nos quais as pessoas se emaranham. Capacita-o com energia especial e irradia-se em ondas de bem-estar, que impregnam todos quantos se aproximam da pessoa que a exercita. E quanto mais o faz, tanto maior se lhe torna a capacidade de exteriorização. É, portanto, essencial ao altruísmo, propiciando a anulação das causas do sofrimento, por facultar a vigência dos sentimentos elevados da vida em plena realização do bem.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

terça-feira, 7 de julho de 2015

ALTRUÍSMO V

                A erradicação das causas geradoras do sofrimento somente é possível através do esforço com que se empreende a tarefa, a ela dedicando-se com empenho, sem o que se malogra, adiando a oportunidade.
                O esforço bem direcionado caracteriza o grau de evolução do ser, porquanto, mais expressivo nuns do que noutros, distingui-os, demonstrando as conquistas já logradas, ao tempo em que faculta a percepção do muito a conseguir.
                Insistir, portanto, com seriedade, pela conquista do altruísmo, encetando atividades que devem ser concluídas etapa a etapa, constitui passo de segurança para a libertação do sofrimento.
                Mede-se, desse modo, o caráter de um homem, pelo esforço que empreende para crescer, para melhorar-se, a fim de enfrentar as reações que o seu ideal e empreendimento provocam.
                Aquele que cede ante o obstáculo, que desiste diante da dificuldade já perdeu a batalha sem a ter enfrentado. Não raro, o obstáculo e a dificuldade são mais parentes que reais, mais  ameaçadores do que impeditivos. Só se pode avaliá-los após o enfrentamento. Ademais, cada vitória conseguida se torna aprimoramento da forma de vencer e cada derrota ensina a maneira como não se deve tentar a luta. Essa conquista é proporcionada mediante o esforço de prosseguir sem desfalecimento e insistir após cada pequeno ou grande insucesso. O objetivo deve ser conquistado, e, para tanto, a coragem do esforço contínuo é indispensável.
                Muitas vezes será necessário parar para refletir,  recuar para renovar forças e avançar sempre. É uma salutar estratégia aquela que faculta perder agora o que é de pequena monta para ganhar resultados permanentes e de valor expressivo depois.
                O esforço estimula o desenvolvimento dos recursos que dormem no próprio homem, agigantando-se, à medida que realiza. A canalização correta do esforço dinamiza-o, já que o arrastamento para o vício, que quebra as resistências morais, é também uma forma de força arrebatadora, que poderia ser direcionada em sentido superior.
                O altruísmo não vige sem o esforço para a sua manifestação, considerando-se que parece haver uma conspiração por parte do egoísmo, a fim de impedir-lhe a presença e o predomínio na área da emoção.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

ALTRUÍSMO IV

                A paciência é o próximo passo na execução do programa altruístico.
                Há um inter-relacionamento entre os vários requisitos para a integral vivência do altruísmo, que erradica as causas dos sofrimentos. Um fator depende do outro, que são conquistas do espírito na sua busca de perfeição.
                Tornando-se saudável exercício de elevação moral, cada um promove a área do sentimento, desenvolvendo o intelecto na arte de compreender para servir, de crescer para libertar-se, de entesourar conhecimentos para os distribuir.
                A paciência, em razão disso, é relevante, pelo significado de criar condições no tempo próprio para cada realização. Nem a postergação do labor, tampouco, pressa, irreflexão, que não conduzem aos resultados que se esperam.
                Ela harmoniza as aspirações humanas, elucidando sobre o valor da ação contínua, bem elaborada, que atende a cada tarefa ao momento oportuno.
                Faculta repetir qualquer labor malogrado com o mesmo entusiasmo, ensinando como realizá-lo da maneira mais eficiente, sem o cansaço que induz ao pessimismo, ao abandono da realização. Sabe que tudo quanto hoje não pode ser feito sê-lo-á depois, desde que se persevere no tentame.
                A vida se agiganta, molécula a molécula, em clima de harmonia, em paciente e incessante movimentação.
                A paciência estimula a coragem, que se esforça para colimar os resultados. Essa coragem é fruto do conhecimento das leis que propiciam a insistência no programa do altruísmo.
                A coragem é valor moral para enfrentar a luta e perseverar nela, nunca a abandonando sob qualquer pretexto. O esforço contínuo permite o prosseguimento da ação, que realiza o programa estabelecido.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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domingo, 5 de julho de 2015

ALTRUÍSMO III

                O altruísmo, no processo de expansão, apresenta-se, também, com uma formulação ética.
                Entendamos essa ética, na condição de serenidade que respeita todos os comportamentos, sem impor a sua forma de ser, de encarar a vida, de manifestar-se. Além de uma ética moral, tem um caráter universal, superando os interesses e convenções geográficas, que estabelecem conceitos de conveniência, estribados em preconceitos e limites, estatuídos em leis transitórias, às vezes, necessárias, mas que não objetivam o bem comum.
                Assim, observamos éticas que apóiam estados escravocratas, limitam a liberdade de movimento, freiam a procriação, perseguem os que discordam dos seus códigos, punem e dizimam a seu bel-prazer.
                A ética da generosidade centraliza suas atenções na lei natural ou de amor, que respeita a vida em todos os seus estágios e ampara todos os seres sencientes, facultando-lhes a expansão.
                Allan Kardec recebeu dos benfeitores da humanidade as diretrizes éticas perfeitas, oriundas da lei natural, porque procedente de Deus, a irradiar-se em várias outras, que fomentam o progresso, preservam a vida e dignificam a todo, promovendo o homem através do trabalho, igual ao seu irmão na origem e diferente nas conquistas intelecto-morais, sem privilégios, porém, ao alcance de todos.
                Essa ética faculta discernir o correto do equivocado, impulsionando a criatura à aquisição de uma consciência elevada, resultado da eleição dos valores positivos, que tornam a vida digna de ser fruída.
                A sua moral é centrada na generosidade, sem a falácia da anuência ao erro ou qualquer atentado aos códigos da ordem, do dever, da justiça.
                Toda a sua estrutura de responsabilidade visa a promoção dos seres e do seu habitat, ao considerar a interdependência que existe entre eles.
                Não elege os seres em detrimento de outros, embora a sua expressão de amor varie de acordo com as respostas afetivas, o que não invalida a necessidade de superar a pertinácia dos maus e tê-los em conta como necessitados também da generosidade, qu pode e lhes deve ser dispensada.
                Normalmente, sob a ação do desejo, as demais pessoas são classificadas de acordo com o interesse que fomentam, com o lucro que proporcionam, tornando-as afáveis e amigas, antipáticas ou inimigas, insignificantes ou indiferentes. Manifestam-se, então, os sentimentos do amor possessivo, do desamor e do ódio, e de desinteresse ou indiferença. A ética da generosidade propõe a conquista dos valores que permanecem escondidos nos últimos, e a compreensão, quando os primeiros não correspondem ao modelo ao qual foram submetidos.
                Não é castradora, por apresentar-se destituída de caráter punitivo; não obstante, o seu senso crítico analisa tudo e todos de modo a produzir o melhor.
                A ética da generosidade é tranquila e, nesse conceito, pode ser considerada como a conquista da serenidade, conforme o seu significado profundo em sânscrito.
                Como efeito, é paciente, não antecipando apressadamente realizações, nem buscando resultados imediatos.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sábado, 4 de julho de 2015

ALTRUÍSMO II

                A existência do altruísmo revela-se por diversos sentimentos de grandeza moral, que dão dignidade á vida. Ente esses, a generosidade assume papel de destaque, por ser-lhe a primeira manifestação prática, portanto, a sua forma inicial de exteriorizar-se na ação.
                Costuma-se afirmar que, aquele que não abre a mão, mantém fechado o coração. E com fundamento, porquanto a generosidade tem início no sentimento que ama e deseja ajudar, a fim de concretizar-se na ação que socorre.
                Abrir a mão é o gesto de deixar verter do coração ao mundo exterior o fluxo generoso em forma de doação, a fim de alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação. A generosidade, portanto, doa, de início, coisas, objetos e utensílios, roupas e alimentos, agasalhos e teto, para depois brindar sentimentos, aprimorando a arte de servir até poder doar-se.
                Somente quem se exercita na oferta material, predispõe-se às dádivas transcendentes, aquelas que não têm preço, “não enferrujam” nem “os ladrões roubam”.
                A generosidade mais se enriquece quanto mais distribui, mais se multiplica quanto mais divide, pois que tudo aquilo que se oferece possui-se, não obstante, qualquer valor que se retenha passa-se a dever. A felicidade, desse modo, resulta da ação de doar, dos benefícios dela decorrentes.
                O homem generoso irradia simpatia e gera bem-estar onde se encontra.
                Visceral adversária do egoísmo, a generosidade arranca, pela raiz, as tenazes desse responsável pela causalidade dos sofrimentos.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sexta-feira, 3 de julho de 2015

ALTRUÍSMO I

                O altruísmo, que é lição viva de caridade, expressão superior do sentimento de amor enobrecido, abre as portas á ação, sem a qual não teria sentido a sua existência.
                Dilatação da solidariedade, alcança o seu mais significativo mister quando reparte bênçãos e comparte aflições, trabalhado por minimizar-lhes os feitos, erradicando-lhes as causas.
                É o próprio amor ensinado por Jesus, que esquece de si mesmo para concentrar-se no bem do seu próximo, olvidando todo o mal para agigantar-se nas aspirações do progresso, da ordem e da felicidade.
                Antítese do egoísmo, cicatriza as lesões da alma, que este produz, fomentando a vigência da saúde integral.
                Estrela luminar, irradia paz envolvente, que alcança e vence as grandes distâncias emocionais e preconceituosas que separam os homens. Arrasta os corações que se deixam impregnar pela sua irradiação, assinalando, indelevelmente, os períodos das vidas com a sua presença.
                O desejo de posse, de gozo, de superioridade, que tipifica o egoísmo, na área libertadora do altruísmo, se converte em anelo de doação, de felicidade, de fraternidade.
                O próprio desejo muda de conteúdo, perdendo a face tormentosa de jogo de prazeres, para constituir-se numa aspiração de serviço.
                Os impulsos da carne, que buscam satisfazer os instintos e as paixões mais fortes, mais primárias, transformam-se em arrebatamentos de bondade e compreensão humana.
                O próximo deixa de ser usado para ser dignificado. Todos os estímulos são conduzidos para o seu crescimento e triunfo sobre as falsas necessidades, trabalhando-lhe as virtudes em despertamento, a fim de que o homem espiritual sobreponha a sua à natureza dominante do homem animal.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sábado, 11 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VIII

                No que tange aos meios para facultarem a cessação do sofrimento, as ações meritórias, conforme já enfocadas, são preponderantes, destacando-se aquelas inabituais, que caracterizam os temperamentos nobres, os sentimentos abnegados.
                Distinguir-se através dos gestos incomuns, desconhecidos, é forma de buscar a iluminação mediante o concurso da realização de tudo quanto internamente se conjuga para esse fim.
                Quem acumula um tesouro tem em mente aplicá-lo em finalidades específicas. Se portador de sabedoria, pensa em multiplicá-lo ao tempo que o investe, escolhendo os empreendimentos mais rentáveis, seja do ponto de vista econômico, assim como de retribuição emocional. Com essa atitude promove o progresso, gera oportunidades de serviço e dignifica as vidas que antes estavam sob a ameaça do desespero e da inutilidade.
                Da mesma forma, os recursos espirituais e emocionais elevados devem ser canalizados para as atividades incomuns, superiores, as quais nem todos se atrevem realizar.
                As ações incomuns variam desde os contributos materiais valiosos, irrigados de amor e de ternura até os gestos extraordinários do silêncio ante ofensas, do perdão às agressões e do esquecimento do mal.
                Todo aquele que dilui as forças negativas que teima por obstruir-lhe o avanço, utilizando-se do detergente do amor, evita contaminar-se, e se já visitado por elas liberta-se, fazendo com isso que cessem as causas e desapareçam os sofrimentos.
                O campo mental indefeso faculta eu as farpas do mal aí proliferem, infestando a área com resíduos pestíferos, responsáveis por males incontáveis.
                A defesa, em relação aos fatores perniciosos, é somente possível quando a irradiação de energias saudáveis vitaliza a organização psíquica, que reflete as aspirações do espírito, resguardando-a das agressões externas. Não gerando pensamentos destrutivos nem acumulando vibrações perturbadoras de ódio, medo, ciúme, rancor, mágoa, concupiscência, não se faz vítima dos conteúdos internos degenerativos.
                Esse estado interior impulsiona aos atos incomuns superiores, passo próximo da iluminação.
                Somente iluminando-se o homem supera todas as dores; erradicando-lhes as causas, resguarda-se de agressões destrutivas.
                A iluminação resulta do esforço da busca íntima do ser profundo, opção de sabedoria que é, em relação ao ego que prevalece no mapeamento das aspirações humanas mais imediatas, portadoras de distúrbios vitais e fragorosas derrotas na luta, que é a breve existência corporal.
                O desenvolvimento da chama divina imanente em todos os seres merece todos os sacrifícios e empenhos, a fim de que arda em todo o seu esplendor, vencendo as teimosas sombras, que são a herança demorada das experiências nas faixas primitivas do processo inicial da evolução.
                A verdadeira iluminação promove o homem que, superando as contingências-limite da estância carnal, anula todas as causas de sofrimento, fazendo-as cessar. Já não necessita da dor para alcançar metas, pois o amor lhe constitui a razão única do existir, em sintonia com o pensamento divino que o atrai cada vez com mais vigor para a meta final.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VII

                Porque se fantasia a existência terrena com quimeras e sonhos, a realidade, desfazendo essa imagem infantil, leva ao sofrimento todos aqueles que, imaturos, confiaram em demasia na transitoriedade das formas e da apresentação física, das promessas de afeto imorredouro e de fidelidade perpétua, de alegria sem tristeza e meio-dia sem crepúsculo no fim da jornada.
                Assim, a morte da ilusão fere aqueles que lhe confiaram a existência, entregando-se-lhe sem reserva, sem precaução.
                A ilusão é, pois, anestésico para o espírito.
                Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo. Entretanto, firmar-se nos alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia movediça ou solo pantanoso coberto por água tranquila apenas na superfície.
                Há quem postergue a realidade, evitando-a, para não sofrer. E existem aqueles que pretendem apoiar-se no realismo rude, que não passa, muitas vezes, de outra forma errônea de ilusão.
                A consciência da realidade resulta da observância dos acontecimentos diários, da transitoriedade do chamado mundo objetivo e de uma análise tranqüila e lúcida a respeito do que é verdadeiro em relação ao aparente, do essencial ao secundário, e sucessivamente.
                A compaixão por si mesmo – amor a si próprio – faculta a visão realista, sem agressão, dos objetos da existência terrena, impulsionando a compaixão pelo seu irmão – amor ao próximo – solidarizando-se com  a sua luta e dando-lhe a mão amiga, a fim de sustentá-lo ou erguê-lo para que prossiga na marcha.
                Essa atitude, ao invés de produzir uma postura pessimista, cética, amargurada, resultante da morte da ilusão, alenta e engrandece, dando sentido e significado a todos os acontecimentos.
                Por isso, a compaixão se torna fator que faz cessar os sofrimentos, como resultado natural dos outros passos, partindo da emoção para a ação.
                Apresenta-se, então, no painel do comportamento, a necessidade de agir com inteireza, com abnegação, transformando os propósitos mantidos em realização enobrecedora.
                Todas as experiências humanas constituem formas de amadurecimento da criatura. Algumas decorrem dos deveres imediatos e são comuns a todos, constituindo a sua vivência um fenômeno natural, sem o qual se experimenta inevitável alienação, com todas as suas conseqüências perniciosas.
                O fato de participar do contexto social, mesmo que sem gestos incomuns ou de arrebatamento, equipa o indivíduo com recursos emocionais que lhe trabalham a existência, aformoseando-a com estímulos crescentes para o seu prosseguimento.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VI

                É o amor que leva à piedade fraternal, à compaixão, induzindo o homem à solidariedade e mesmo ao sacrifício.
                Há um tipo de compaixão que, não resultando da ação dinâmica do amor profundo, pode ser perniciosa e até deprimente. Trata-se daquela que lamenta o sofrimento e escoroçoa quem o experimenta, como uma forma de aureolá-lo de desdita e abandono, de falta de sorte e desgraça. Essa atitude transparece e resulta de uma óptica equivocada sobre o sofrimento, deixando a perspectiva de que o mesmo é punição arbitrária, injustiça perturbadora.
                A compaixão junta-se ao companheirismo, que comparte dos sentimentos alheios, sem enfraquecer-lhes as resistências morais, incitando o indivíduo à perseverança nos ideais e postulados relevantes, que o impulsionam ao incessante avanço, sem possibilidade de retrocesso.
                Compaixão pelo bem, fruto do amor, o ser age adequadamente, mudando a estrutura do sofrimento, do qual o cinzel da ternura arranca as asperezas e anfractuosidades. Esse sentimento é semelhante à suavidade do luar em noite escura espraiando luz tênue e confortadora sobre a paisagem. Faculta uma visão propiciadora de ações úteis, onde predominavam as sombras do desalento, do medo e  do desespero em crescimento.
                A paixão pelo serviço de elevação irradia piedade construtiva, que estimula à  beneficência e dá calor à filantropia, aureolando-a de vigor fraternal, graças ao qual os sentimentos solidários expressam o amor em sua multiface.
                A ausência de compaixão envilece o homem e a falta de paixão pelo bem torna o ser revel, quando não o mantém apenas na indiferença mórbida, qual observador mumificado diante dos acontecimentos do cotidiano.
                O serviço do bem, com a correspondente paixão de sustentá-lo, transforma-se em caridade que plenifica aquele que recebe o socorro e quem o propicia. Enseja a ação de dupla via: a satisfação que faculta àquele a quem é dirigida e a que retorna como resposta interior da consciência tranqüila pela emoção experimentada.
                A vida sempre responde de acordo com a maneira como é inquirida. A cada ação resulta uma equivalente reação, desencadeando sucessivos efeitos que se tornam conseqüências desta última, por sua vez geradora de novos resultados.
                Para eu seja interrompido o ciclo, quando pernicioso, a compaixão por si mesmo e pelo próximo induz o homem às ações construtivas, nas quais se instalam os mecanismos que desencadeiam resultados favoráveis ao progresso, assim interrompendo a onda propiciadora de sofrimento.
                A paixão de Cristo por todas as criaturas é um estímulo constante a que se compadeçam os indivíduos uns pelos outros, sustentando-se nas dores e dificuldades, jamais piorando as suas necessidades ou afligindo-os mais através dos instintos agressivos, por acaso prevalecentes em sua natureza animal.
                É de vital importância a compaixão no comportamento humano. Ela conduz à análise a respeito da fragilidade da existência corporal e de todos os engodos que a disfarçam.
                Sendo a ilusa um fator responsável por incontáveis sofrimentos, a compaixão desnuda-a.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO V

                Sem o passo inicial, ninguém vence as distâncias.
                O egoísmo é a estaca zero, às vezes perniciosa, para ensejar os primeiros movimentos no rumo da solidariedade, do bem comum. Pior que ele é o desinteresse, a morbidez da indiferença, deixando transparecer que o amor está morto, não obstante se encontre dormindo, aguardando o estímulo correspondente para despertar.
                A vida é impossível sem o amor.
                Da mesma forma que o crime se disfarça e os sentimentos inferiores se escamoteiam sob máscaras diversas, há várias expressões positivas que surgem no homem refletindo o amor de que ele ainda não se deu conta. À medida que se agiganta, neutraliza o sofrimento e a sua vigência contribui para que cessem as causas degenerativas que facultam o sofrimento. Quando atinge elevada qualidade, em somente uma pessoa, anula a fúria e o ódio com suas incontáveis vítimas, bem como dos seus fomentadores.
                Irradiando-se, à semelhança da luz, domina todos os escaninhos e tudo arrasta na direção do fulcro gerador da energia.
                Amor é sinônimo de saúde moral e quem o possui elimina as geratrizes envenenadas que se expandem produzindo sofrimento.
                O amor é sutil e sensível, paciente e constante, não se irritando nem se impondo nunca. No entanto, quem lhe experimenta o mimetismo, jamais o esquece. Mesmo que momentaneamente lhe interrompa o fluxo, ele sempre volve.
                Na raiz de toda ação enobrecida está a seiva do amor, produzindo vida  e sustentando-a.
                Usar essa energia vital constitui dever e, com a consciência lúcida de sua magnitude, aplicá-la em prol da harmonia faz cessar o sofrimento. Ela é vibração positiva, que enseja entusiasmo e otimismo, dando colorido à existência. Reverdece a terra cansada do coração e drena o charco, no qual a pestilência das paixões deixou que se descompusessem a esperança e a alegria.
                Ninguém ama inerte.
                Dinâmico, o amor induz à ação construtiva, responsável pelo progresso.
                Objetivando sempre o bem, concentra suas forças nele e não desiste enquanto não lobriga a meta. Ainda aí permanece solidário, de modo a evitar que o ser depereça e tombe ao desânimo.
                Como o sofrimento decorre da insatisfação, da distonia, da degeneração dos tecidos e dos fenômenos biológicos desajustados, o amor age sobre as moléculas como onda vitalizante e, restaurando-lhes o equilíbrio, vence o sofrimento, interrompendo-lhe o fluxo causal.
                Quando, porém, perseveram as dores físicas, efeitos dos desarranjos orgânicos, a resignação e a coragem do amor amortecem-lhes os efeitos, tornando-os suportáveis e produzindo os heróis do sofrimento, cujo martírio de qualquer procedência, deles fazem modelos que dão força e dignidade às demais criaturas, assim embelezando a vida moral e humana na Terra.
                Sob a ação do amor, são processados novos mecanismos cármicos positivos, que interrompem aqueles de natureza perniciosa, porquanto o bem anula o mal e suas conseqüências, liberando os infratores das leis, quando eles as recompõem e corrigem os mecanismos que haviam desarticulado.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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