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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sábado, 30 de janeiro de 2016

SE VOCÊ FIZER FORÇA

Cap. XXVII – Item 8
Diz você que não pode respirar o clima de luta na experiência doméstica; entretanto, se fizer força no cultivo da renúncia santificante, fará da própria casa um refúgio de amor.
Diz você que não mais suporta o amigo desajustado, mas se fizer força, no exercício da tolerância, é possível consiga convertê-lo amanhã em colaborador ideal.
Diz você experimentar imenso cansaço, diante do chefe atrabiliário e inconseqüente; contudo, se fizer força, sustentando a paciência, obterá nele, ainda hoje, um amigo fiel.
Diz você que não adianta ensinar o bem; no entanto, se fizer força para exemplificar o que ensina, atingirá realizações de valor inimaginável.
Diz você que se nota assaltado por enorme desânimo na pregação construtiva; entretanto, se fizer força, na sementeira da educação, transfigurará o seu verbo em facho de luz.
Diz você estar desistindo da caridade, ante os golpes da ingratidão, mas se fizer força para prosseguir, ajudando sem exigência, surpreenderá na caridade a perfeita alegria.
Diz você que está doente e nada consegue de nobre e útil; no entanto, se fizer força para superar as próprias deficiências, vencerá a enfermidade, avançando em serviço e merecimento.
Diz você que conversação já lhe esgotou a reserva nervosa e dispõe-se à retirada para o repouso justo; contudo, se fizer força para continuar atendendo aos ouvintes, olvidando a própria fadiga, ninguém pode prever a extensão da colheita de bênçãos que virá da
sua plantação de gentileza e bondade.
O grande bem de todos é feito nos pequenos sacrifícios de cada um.
E se fizermos força para viver, segundo os bons conselhos que articulamos para uso dos outros, em breve tempo transformaremos a Terra em luminoso caminho para a glória real.
André Luiz

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
imagem: google

sábado, 19 de dezembro de 2015

INCONFORMISMO E REVOLTA III

                Recebe o insucesso como fenômeno normal nos tentames do teu processo evolutivo.
                Não te consideres inatingível.
                Acostuma-te à fragilidade do corpo e às necessidades de crescimento como espírito que és.
                Nenhuma dor te alcança sem critério superior de justiça.
                Sofrimento algum no teu campo emocional, que se não acabe, deixando o resultado do seu trânsito.
                Utiliza-te das ocorrências que trazem dor, para crescer, e não te apresentes inconformado.
                Jesus, que veio à Terra exclusivamente para viver e ensinar o amor, sem qualquer culpa, nasceu em modesta gruta, passou pelo carreiro de inumeráveis injunções e partiu numa cruz, sob apupos e malquerenças, volvendo, no entanto, Sol Divino que é, em insuperável madrugada que dura até hoje, para que ninguém reclame, nem se revolte, nem se inconforme ante as ocorrências dolorosas do mundo...


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

INCONFORMISMO E REVOLTA II

                - Prefiro não saber. – Informam as pessoas passadistas, quando convidadas ao exame da vida menos densa.
                - Não consigo acreditar. – Escusam-se as criaturas invitadas ao esclarecimento imortalista, como se estivessem indenes ao fenômeno da cessação da vida biológica.
                - Irei aproveitar o meu tempo, gozando. – Justificam-se os imediatistas ante qualquer referência à meditação, à caridade, ao sacrifício...
                É natural que, visitados por acontecimentos não habituais no canhenho das suas conveniências, derrapem no inconformismo, no desespero, na alucinação...
                A ação inexorável do tempo, entretanto, aguarda todos e modela-os, submetendo-os.
                Mesmo quando se pretende fugir da situação a que se vai arrojado, cai-se na realidade da vida, que predomina em toda parte.
                                                                                                                 

Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

INCONFORMISMO E REVOLTA I

                - Não me conformo! – Explodem, revoltados, aqueles que da vida somente esperam vantagens e recompensas, quando surpreendidos por acontecimentos que lhes parecem desastrosos e trágicos.
                - Deus é injusto! – Proferem estentóricos, os que se supõem credores apenas de receber dádivas, embora desassisados, da vida somente retiram lucros e comodidades.
                - Não mereço isto! – Bradam, desatinados, quantos são colhidos pelo que denominam infortúnios e desgraças, que os desarvoram.
                - Não creio em mais nada! – Estridulam as pessoas tomadas por insucessos desta ou daquela natureza, que afinal, se fossem examinadas com seriedade e reflexão, constituiriam ocasião iluminativa, roteiro de felicidade.
                O homem teima em permanecer anestesiado pela ilusão, sem dar-se conta, conscientemente, da fragilidade da organização carnal de que se encontra temporariamente revestido.
                Cada um, por isso mesmo, a si se concede privilégios e se faculta méritos que não possui.
                Examinassem melhor a vida, verificariam que as ocorrências do trivial, que atingem os outros, a eles também alcançarão, procurando preparar-se para enfrentar com dignidade quaisquer injunções ou dissabores, que são igualmente transitórios.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 15 de julho de 2015

PREOCUPAÇÕES

Não se aflija por antecipação, porquanto é possível que a vida resolva o seu problema, ainda hoje, sem qualquer esforço de sua parte.

Não é a preocupação que aniquila a pessoa e sim a preocupação em virtude da preocupação.

Antes das suas dificuldades de agora, você já faceou inúmeras outras e já se livrou de todas elas, com o auxílio invisível de Deus.

Uma pessoa ocupada em servir nunca dispõe de tempo para comentar injúria ou ingratidão.

Disse um notável filósofo: "uma criatura irritada está sempre cheia de veneno", e podemos acrescentar: "e de enfermidade também".

Trabalhe antes, durante e depois de qualquer crise e o trabalho garantirá sua paz.

Conte as bênçãos que lhe enriquecem a vida, em anotando os males que porventura lhe visitem o coração, para reconhecer o saldo imenso de vantagens a seu favor.

Geralmente, o mal é o bem mal‐interpretado.

Em qualquer fracasso, compreenda que se você pode trabalhar, pode igualmente servir, e quem pode servir carrega consigo um tesouro nas mãos.

Por maior lhe seja o fardo do sofrimento, lembre‐se de que Deus, que
aguentou com você ontem, aguentará também hoje.


Fonte: Sinal Verde – Chico Xavier/André Luiz
imagem: google

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

INVEJA I

                Se tivéssemos o hábito de investigar nossos comportamentos autodestrutivos e fizermos uma análise desses antecedentes históricos em nossa vida, poderemos, cada vez mais, compreender o porquê de permanecermos presos em certas áreas prejudiciais à nossa alegria de viver.
                Esses comportamentos infelizes a que nos referimos não são apenas as atitudes evidentemente desastrosas, mas os diminutos atos cotidianos que podem passar como aceitáveis e completamente admissíveis. Entretanto, tais atos são os grandes perturbadores de nossa paz interior.
                Muitos indivíduos não se preocupam em estudar as raízes de seus comportamentos rotineiros, porque acreditam que, para assumir a responsabilidade da renovação íntima, precisariam desprender um enorme sacrifício. Sendo assim, preferem permanecer apegados aos antigos costumes, utilizando-se dos preconceitos e de crenças distorcidas, sem se darem conta de que estes são as matrizes de seus prontos vulneráveis.
                Para afastar todo e qualquer anseio de transformação interior, utilizam-se de um processo psicológico denominado racionalização – artifício criado para desviar a atenção dos verdadeiros motivos das atitudes e ações – para se verem livres das crises de consciência, procurando assim justificar os fatos inadequados de suas vidas.
                Somente alteraremos nossos atos e atitudes doentios quando tomarmos plena consciência de que são eles as raízes de nossas perturbações emocionais e dos inúteis desgastes energéticos. É examinando nossos dia a dia à luz das escolhas que fizemos ou que deixamos de fazer é que veremos com clareza que somos, na atualidade, a soma integral de nossas opções diante da vida.


Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed
imagem: google

quarta-feira, 19 de março de 2014

RELACIONAMENTOS PERTURBADORES


Os indivíduos de temperamento neurótico, tornam-se in­capazes de manter um relacionamento estável. Pela própria constituição psicológica, são perturbadores de afetividade obsessiva e, porque inseguros, são desconfiados, ciumentos, por conseqüência depressivos ou capazes de inesperadas ir­rupções de agressividade.
Os conflitos de que são portadores os levam a uma atitu­de isolacionista, resultado da insatisfação e constante irrita­bilidade contra tudo e todos. Crêem não merecer o amor de outrem e, se tal acontece, assumem o estranho comportamento de acreditar que os outros não lhes merecem a afeição, po­dendo traí-los ou abandoná-los na primeira oportunidade. Quando se vinculam, fazem-se absorventes, castradores, exi­gindo que os seus afetos vivam em caráter de exclusividade para eles. São, desse modo, relacionamentos perturbadores, egocêntricos.
O amor é uma conquista do espírito maduro, psicologica­mente equilibrado; usina de forças para manter os equipamentos emocionais em funcionamento harmônico. É uma forma de negação de si mesmo em autodoação plenificadora. Não se escora em suspeitas, nem exigências infantis; elimina o ciúme e a ambição de posse, proporcionando inefável bem-estar ao ser amado que, descomprometido com o dever de retribuição, também ama. Quando, por acaso, não correspondido, não se magoa nem se irrita, compreendendo que o seu e o objetivo de doar-se, e não de exigir. Permite a liberdade ao outro, que a si mesmo se faculta, sem carga de ansiedade ou de compulsão.
Quando estas características estão ausentes, o amor é uma palavra que veste a memória condicionada da sociedade, em torno dos desejos lúbricos, e não do real sentimento que ele representa.
Esse relacionamento perturbador faz da outra pessoa um objeto possuído, por sua vez, igualmente possuidor, gerando a desumanização de ambos.
Ao dizer-se meu amigo, minha esposa, meu filho, meu companheiro, meu dinheiro, a posse está presente e a sub­missão do possuído é manifesta sem resistência, evitando conflitos no possuidor, não obstante, em conflito aquele que se deixa possuir, até o momento da indiferença, por satura­ção, desinteresse, ou da reação, do rompimento, transforman­do-se o afeto-posse em animosidade, em ódio.
O homem deve comprometer-se ao autodescobrimento, para ser feliz, identificando seus defeitos e suas boas quali­dades, sem autopunição, sem autojulgamento, sem autocon­denação.
Pescá-los, no mundo íntimo, e eliminar aqueles que lhe constituem motivos de conflitos, deve ser-lhe a meta... Não se sentir feliz ou desventurado, porém empenhar-se por atenuar as manifestações primitivas de agressividade e pos­se, desenvolvendo os valores que o equipem de harmonia, vivendo bem cada momento, sem projetos propiciadores de conflitos em relação ao futuro ou programas de reparação do passado.
Simplesmente deve renovar-se sempre para melhor, agin­do com correção, sem consciência de culpa, sem autocom­paixão, sem ansiedade. Viver o tempo com dimensão atem­poral, em entrega, em confiança, em paz.
Pode-se dizer que, no amor, quando alguém se identifica com a pessoa a quem supõe amar, esta, apenas, realizando um ato de prolongamento de si mesmo, portanto, amando-se, e não à outra pessoa. Esta identificação se baseia na memória do prazer e da dor, das alegrias e dos insucessos, portanto, amando o passado e as suas concessões, e não a pessoa em si, neste momento, como é. É habitual dizer-se: “— Amo, porque ela (ou ele) tem compartido da minha vida, das minhas lutas; ajudou-me, sofreu ao meu lado, etc.”
O sentimento que predomina aí é o de gratidão, e grati­dão, infelizmente, não é amor, é reconhecimento que deve retribuir, compensar, quando em verdade, o amor é só doa­ção.
Os relacionamentos humanos tornam-se, portanto, per­turbadores, desastrosos, por falta de maturidade psicológica do homem, em razão, também, dos seus conflitos, das suas obsessões e ansiedades.
Graças ao autoconhecimento ele adquire confiança, e os seus conflitos cedem lugar ao amor, que se transforma em núcleo gerador de alegria com alta carga de energia vitaliza­dora.
O amor, porém, entre duas ou mais pessoas somente será pleno, se elas estiverem no mesmo nível.
A solução, para os relacionamentos perturbadores, não é a separação, como supõem muitos.
Rompendo-se com al­guém, não pode o indivíduo crer-se livre para um outro tentame, que lhe resultaria feliz, porquanto o problema não é a da relação em si, mas do seu estado íntimo, psicológico. Para tanto, como forma de equacionamento, só a adoção do amor com toda a sua estrutura renovadora, saudável, de plenifica­ção, consegue o êxito almejado, assim, para onde ou para quem o indivíduo se transfira, conduzirá toda a sua memória social, o seu comportamento e o que é.
Desse modo, transferir-se não resolve problemas. Antes, deve solucionar-se para trasladar-se, se for o caso, depois.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis
imagem: blog.cancaonova.com

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O HOMEM MODERNO


   Buscando enganar a sua realidade mediante a própria fan­tasia, o homem moderno procura a projeção da imagem sem o apoio da consciência. Evita a reflexão esclarecedora, que pode desalgemar dos problemas, e permanece em contínuas tentativas de negar-se, mascarando a sua individualidade. O ego exerce predominância no seu comportamento e estereo­tipa fantasias que projeta no espelho da imaginação.
Irrealizado, porque fugindo do enfrentamento com o seu eu, transfere-se de aspirações e cuidados a cada novidade que depara pelo caminho. Não dispõe de decisão para desmasca­rar o ego, por temer petrificar-se de horror.
Obviamente, esse espelho representa a consciência lúci­da, que descobre e separa objetivamente o que é real daquilo que apenas parece. Nesse sentido, o ego que vive e reincide nos conteúdos inconscientes, necessita de conscientizar-se, desidentificando-se dos seus resíduos emergentes.
O homem vive na área das percepções concretas e, ao mesmo tempo, das abstratas.
A cultura da arte faz que ele se porte, ora como observa­dor, ora como observado e ainda o observador que se observa, a fim de poder transformar os complexos ou conflitos inconscientes em conhecimentos que possa conduzir, senhor da sua realidade, dos seus atos.
Sua meta é poder sair da agitação, na qual se desgoverna, para observar-se, a distância, evitando o sofrimento macerador.
A este ato chamaremos a separação necessária entre o sujeito e o objeto, através da qual se observam os aconteci­mentos sem os sofrer de forma dilacerante, modificando o estado de ânimo angustiante para uma simples expressão do conhecimento, mediante a transferência da realidade que jaz no espírito para o exterior das formas e da emoção.
A reflexão constitui um admirável instrumento para o lo­gro, apoiando-se na cultura e na realização artística, social, solidária, que desvela os mananciais de sentimento e de cons­ciência humanos.
Jogado em um mundo exterior agressivo, no qual predo­minam a luta pela sobrevivência do corpo e a manutenção do status, o homem acumula conteúdos psíquicos não descartá­veis nem digeríveis, avançando, apressado, para o stress, as neuroses, as alienações.
Acumula coisas e valores que não pode usar e teme per­der, ampliando o campo do querer, mais pelo receio de pos­suir de forma insuficiente, sem dar-se conta da necessidade de viver bem consigo mesmo, com a família e os amigos, participando das maravilhosas concessões da vida que lhe estão ao alcance.
Comedir-se, agir com sensatez e tranqüilidade, confiar nos próprios valores e nas possibilidades latentes são regras que vão ficando esquecidas, a prejuízo da harmonia pessoal dos indivíduos.
Os interesses competitivos postos em jogo, a aflição por vencer os outros, o sobrepor-se às demais pessoas desarticu­laram as propostas da vitória do homem sobre si mesmo, da sua realização interior, da sua harmonia diante dos proble­mas que enfrenta. As linhas do comportamento alteradas, in­duzindo ao exterior, devem agora ser revisadas, sugerindo a conduta para o conhecimento dos valores reais, a redescober­ta do sentido ético da existência, a busca da sua imortalidade.
Quando o homem moderno passar a considerar a própria imortalidade em face da experiência fugaz do soma, empre­enderá a viagem plenificadora de trabalhar pelos projetos du­radouros em detrimento das ilusões temporárias, observando o futuro e vivendo-o desde já, empenhado no programa da sua conscientização espiritual. Nele se insculpirá , então, o modelo da realização em um ser integral, destituído do medo da vida e da morte, da sombra e da luz, do transitório e do permanente, da aparência e da realidade.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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domingo, 20 de outubro de 2013

A TRAGÉDIA DO COTIDIANO II


A tragédia do cotidiano se apresenta nas mil faces da ­violência que se mescla ao comportamento geral, muitas vezes disfarçando-se até em formas de submissão rebelde e humildade-humilhante, que descarregam suas frustrações adquiri­das ao lado dos mais fortes, no dorso desprotegido dos mais fracos.
Os conteúdos psicológicos, mantenedores do equilíbrio, fragmentam-se ao choque do cotidiano agitado e desestrutu­ram o homem que se asselvaja, ou foge para a furna sombria da alienação, considerando-se incapaz de enfrentar a convi­vência difícil do grupo social, igualmente superficial, inte­resseiro, despreparado para a conjuntura vigente.
Graças a isso, os indivíduos fracassam ou enfermam, atri­tam ou debandam enquanto os crédulos ressuscitam os mitos das velhas crendices de males feitos, de perseguições da in­veja, do ciúme e do despeito, ou arregimentam argumentos destituídos de lógica para explicarem as ocorrências malsu­cedidas, danosas...
Certamente, sucedem tais perseguições; busca-se o mal­fazer; campeiam as paixões inferiores que são pertinentes ao homem, ainda em estágio infantil da sua evolução, sem que seja mau.
A sua aparente maldade resulta dos instintos agressivos ainda não superados, que lhe predominam em a natureza ani­mal, em detrimento da sua natureza espiritual.
Em toda e qualquer tragédia do cotidiano, ressaltam os componentes psicológicos encarregados da desestruturação do homem, nesse processo de individuação para adquirir uma consciência equilibrada, capaz de proporcionar-lhe paz, saú­de, realização interior, gerando, no grupo social, o equilíbrio entre os contrários e a satisfação real da convivência não com­petitiva, no entanto cooperativa.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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sábado, 19 de outubro de 2013

A TRAGÉDIA DO COTIDIANO I


  Os conteúdos psicológicos do homem hodierno são de aturdimento, instabilidade emocional, insegurança pessoal, levando-o à perda do senso trágico.
Desestruturados pelos choques comportamentais e esmagados pelo volume das informações impossíveis de serem digeridas, as massas eliminam arquétipos ou os transferem para indivíduos imaturos portadores de fragilidade psicoló­gica, aterrando-os, soterrando-os, na avalanche das necessi­dades mescladas com os conflitos existenciais.
Simultaneamente, desaparecem os mitos ancestrais indi­viduais e a cultura devoradora investe contra os outros, os coletivos, deixando as criaturas desprotegidas das suas cren­ças, dos seus apoios psicológicos.
A fé cega substituída pela ditadura da razão, destruiu ou substituiu os mitos nos quais se sustentavam os homens, apre­sentando outros, igualmente frágeis, que novamente sofrem a agressão dos valores contemporâneos.
A consciência coletiva, herdeira do choque dos opostos, do ser e do não ser, da coragem e do medo, do homem e da mulher, não sobrevive sem a segurança mítica.
Ao lado da violência que se espraia dominadora, vicejam religiões apressadas, salvadoras, na sua ingenuidade mítica, arrastando multidões desprevenidas e sem esclareci­mento que, fracassadas, no contubérnio social, ali se refugi­am, cultuando o paraíso eterno que lhes está reservado como prêmio ao sofrimento e ao desprezo de que se sentem objeto pela cultura consumista e desalmada.
A auto-realização pelo fanatismo mantém os bolsões da miséria sócioeconômica, por não trabalhar o idealismo laten­te no homem, a fim de que transforme os processos gerado­res da desgraça atual em realização pessoal e felicidade, na Terra, mesmo.
De certa maneira, o arrebanhar das multidões para as cren­ças salvadoras diminui, de alguma forma, o volume da vio­lência, que irrompe, paralelamente, porqüanto, sem o mito da salvação pela fé, toda essa potencialidade seria canaliza­da na direção da agressividade destruidora.
A agressividade salvacionista a que dá lugar, embora os prejuízos éticos e sociais que engendra, acalma os conteúdos psicológicos desviando os sujeitos dos crimes que poderiam cometer.
O mito da violência, por sua vez, nascido nos porões do submundo da miséria sócioeconômico-moral e graças à eclo­são das drogas em uso abusivo, engendra o símbolo da força, do poder, do estrelismo, no campeonato da aventura e da bra­vata, exibindo as heranças atávicas da animalidade primitiva ainda predominante no homem.
Toma-se pela força o que deveria ser dado pela fraterni­dade, através do equilíbrio da justiça social e dos deveres humanos, em solidário empenho pela promoção dos indiví­duos, dignos de todos os direitos à vida que apenas alguns desfrutam.

(continua)


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

DOENÇAS FÍSICAS E MENTAIS


      A expressiva soma de atividades físicas e mentais atesta que o homem é um ser inacabado. A sua estrutura orgânica aprimorada nos milênios da evolução antropológica, ainda padece a fragilidade dos elementos que a constituem.
Vulnerável a transformações degenerativas, é tecido que reveste o psiquismo e que através dos seus neurônios cere­brais se exterioriza, afirmando-lhe a preexistência conscien­cial, independente das moléculas que constituem a aparelha­gem material.
A consciência, na sua realidade, é fator extrafísico, não produzido pelo cérebro, pois que possui os elementos que se consubstanciam na forma que lhe torna necessária à exterio­rização.
Essa energia pensante, preexistente e sobrevivente ao cor­po, evolve através das experiências reencarnacionistas, que lhe constituem processo de aquisição de conhecimentos e sentimentos, até lograr a sabedoria. Como conseqüência, faz-se herdeira de si mesma, utilizando-se dos recursos que ame­alha e deve investir para mais avançados logros, etapa a eta­pa.
A doença é um efeito de dis­túrbios profundos no campo da energia pensante ou Espírito.
As doenças orgânicas se instalam em decorrência das ne­cessidades cármicas que lhe são inerentes, convocando o ser a reflexões e reformulações morais proporcionadoras do ree­quilíbrio.
Nas patologias congênitas, o psicossoma impõe os fato­res cármicos modeladores necessários à evolução, sob impo­sitivos que impedem, pelos limites de injunções difíceis, a reincidência no fracasso moral.
Assim considerando, à medida que a Ciência se equipa e soluciona patologias graves, criando terapias preventivas e proporcionando recursos curativos de valor, surgem novas doenças, que passam a constituir-se tremendos desafios. Isto se dá, porque, à evolução tecnológica e científica da socieda­de não se apresenta, em igual correspondência, o mecanismo de conquistas morais.
Outrossim, as tensões, frustrações, vícios, ansiedades, fobias facultam as distonias psíquicas que são somatizadas aos problemas orgânicos ou estes e suas sequelas dão surgi­mento aos tormentos mentais e emocionais.
Todo equipamento para funcionar em harmonia com ajustamento, para as finalidades a que se destina, exige per­feita eficiência de todas as peças que o compõem.
Da mesma forma, a maquinaria orgânica depende dos flu­xos e refluxos da energia psíquica e esta, por sua vez, das respostas das diversas peças que aciona. Nessa interdepen­dência, a vibração mental do homem é-lhe propiciadora de equilíbrio ou distonia, conscientemente ou não.
Sabendo ca­nalizar-lhe a corrente vibratória, organiza e submete os im­plementos físicos ao seu comando, produzindo efeitos de saú­de, por largo período, não indefinidamente, face à precariedade dos elementos construídos para o uso transitório.
As doenças contemporâneas, substituindo algumas anti­gas e somando-se a outras não debeladas ainda, enquadram-se no esquema do comportamento evolutivo do ser, no seu processo de harmonização interior, de deificação.
A mente equilibrada comandará o corpo em harmonia e, nesse intercâmbio, surgirá a saúde ideal.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

OS COMPORTAMENTOS NEURÓTICOS II


O comportamento neurótico, assustador e predominante na sociedade consumista, procura esconder o desajuste e as fobias do homem contemporâneo, que se afunda em meca­nismos patológicos.
Receando ser ele mesmo, torna-se pessoa-espelho a re­fletir as conveniências dos outros, ou homem-parede a reagir contra todas as vibrações que lhe são dirigidas, antes de as examinar.
“Agredir antes, evitando ser agredido” é a filosotia dos fracos, fechando-se no círculo apertado dos receios e da não aceitação dos outros, forma neurótica de ocultar a não aceita­ção de si mesmo.
São raros aqueles que preferem ser homens-pontes, colo­cados entre extremos para ajudarem, facilitarem o trânsito, socorrerem nos abismos existenciais...
O espírito de competição neurotizante vigente e estabele­cido como fomentador das riquezas, deve ceder lugar ao de cooperação, responsável pela solidariedade e pela paz, hu­manizando a sociedade e tornando a pessoa bem identifica­da.
Competir não é negativo, desde que tenha por meta pro­gredir, e não vencer os outros; porém, superar-se cada vez mais, desenvolvendo capacidades latentes e novas na indivi­dualidade.
Da mesma forma, deixar-se viver sem aventurar-se, no bom sentido do termo, como se transitasse em um sonho cu­jos acontecimentos inevitáveis se dão sem qualquer ingerên­cia da pessoa, é uma atitude patológica, irracional, em se con­siderando a capacidade de discernimento e a de realização que caracteriza a criatura humana.
O homem-ação de equilíbrio gera os fatores do próprio desenvolvimento, abandonando o conformismo neurótico, a fim de comandar o destino sempre maleável a injunções no­vas e motivadoras.
Os comportamentos neuróticos são desgastantes, extra­polando os limites das resistências orgânicas, que passam a somatizá-los, abrindo campo para várias enfermidades que poderiam ser evitadas.

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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terça-feira, 17 de setembro de 2013

OS COMPORTAMENTOS NEURÓTICOS


Produtos do inconsciente profundo, a se manifestarem como comportamentos neuróticos, os fatores psicogênicos têm suas raízes na conduta do próprio paciente em reencarnações passadas, nas quais se desarmonizou interiormente. Fosse mediante conflitos de consciência ou resultados de ações ig­nóbeis, os mecanismos propiciadores de reabilitação íntima imprimem no inconsciente atual as matrizes que se exteriori­zam como dissociações e fragmentações da personalidade, alucinações, neuroses e psicoses.
Ínsitas no indivíduo, essas causas endógenas se associam às outras, de natureza exógena, tornando-se desagregadoras da individualidade vitimada pelas pressões que experimenta.
As pressões de qualquer natureza são decisivas para esta­belecer o clima comportamental da criatura.
Por formação antropológica, em luta renhida contra os fatores compressivos e adversários, o homem aspira pela liberdade. Todos os seus esforços convergem para uma atitu­de, uma atuação, um movimento, livres de empeços, de de­tenções, de aprisionamento.
As pressões que lhe limitam os espaços emocionais e fí­sicos aturdem-no, dando margem a evasões, agressividade, disfarces e violências, através dos quais tenta escamotear o seu estado real. Isto, quando não tomba na depressão, no pes­simismo.
Quando estes estímulos são emuladores à felicidade, eis o homem atuante e encorajado, trabalhando pelo progresso próprio e geral, mediante um comportamento otimista. No sentido oposto, quase nunca se motiva à reação, para ascen­der aos sentimentos ideais que promovem a vida, libertando-se das constrições naturalmente transitórias.
Equivocado quanto aos referenciais da existência, deixa-se imbuir pelas sensações da posse, do prazer fugidio, caindo em depressões, seja pela constituição psicológica fragmentá­ria ou porque estabelece como condição de triunfo a aquisi­ção das coisas que se podem amealhar e perdem o valor, quan­do se não possui o essencial, que é a capacidade de adminis­trá-las, não se lhes submetendo ao jugo enganoso.
Assim, apresentam-se os que se crêem infelizes porque não têm e os que se fazem desditosos porque tendo, não se contentam face à ausência da plenitude interior.
A experiência, no entanto, fazendo a pessoa aprofundar-se na consciência dos valores, altera-lhe o campo de compre­ensão, favorecendo o entesouramento do equilíbrio. Todavia, tal ocorrência é resultado da luta que deve ser travada sem cessar.
Assim, a saúde psicológica decorre da autoconsciência, da libertação íntima e da visão correta que se deve manter a respeito da vida, das suas necessidades éticas, emocionais e humanas.

(continua)

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O PRIMEIRO LUGAR E O HOMEM INDISPENSÁVEL


   Na área dos conflitos psicológicos a competição surge, quase sempre, como estímulo, a fim de fortalecer a combali­da personalidade do indivíduo que, carente de criatividade, apega-se às experiências exitosas que outros realizaram, para impor-se e, assim, enfrentar as próprias dificuldades, esca­moteando-as com o esforço que se aplica na conquista do que considera meta de triunfo.
Ambicionando a realização pessoal e temendo o insuces­so que, afinal, é um desafio à resistência moral e à sua perse­verança no ideal, prefere disputar as funções e cargos à fren­te, sem qualquer escrúpulo, em luta titânica, na qual se des­gasta, esperando compensações externas, monetárias e de promoção social, assim massageando o ego, ambicioso e frá­gil.
O homem que age desta forma, está sempre um passo atrás da sua vítima provável, que de nada suspeita e ajuda-o, esti­mula-o até padecer-lhe a injunção ousada quão lamentável.
Por sua vez, o triunfador não se apercebe que. no degrau deixado vago, já alguém assoma utilizando-se dos mesmos artifícios ou mascarando-os com os olhos postos no seu tro­no passageiro.
A competição saudável, em forma de concorrência, fo­menta o progresso, multiplica as opções, abre espaços para todos que, criativos, propõem variações do mesmo produto, novidades, idéias originais, renovação de mercado.
De outra forma, as personalidades conflituosas, arquite­tando planos de segurança, apegam-se ao trabalho que reali­zam, às empresas onde laboram, crendo-se indispensáveis, responsáveis pelo primeiro lugar que conseguiram com sa­crifício, e transferem-se, psicologicamente, para a sua Entidade. Somente se sentem felizes e compensadas quando discutem o seu trabalho, a sua execução, a sua importância. O lar, a família, o repouso, as férias se descobrem, porque não preenchem as falsas necessidades do ego exacerbado. Respi­ram o clima de preocupação do trabalho em toda parte e vi­vem em função dele.
Sentem o triunfo após os anos de lutas exaustivas, e in­formam que, a sua saída seria uma tragédia, um caos para a organização, já que são pessoas-chaves, molas-mestras, sem as quais nada funciona, ou se tal se dá é precariamente.
Não percebem que o tempo escoa na ampulheta das ho­ras, os métodos de ação se renovam, o cansaço os vence, a vitalidade diminui e, no degrau, imediatamente inferior, já está o competidor, jovem ambicioso aguardando, disputan­do, aprendendo a sua técnica e mais bem equipado do que ele, em condições de substituí-bo com vantagens. A sua ce­gueira não lhes permite enxergar.
Quando o observam, depri­mem-se, revoltam-se contra os limites orgânicos inexoráveis, utilizando-se de artifícios para prosseguirem.
Dão-se conta que passaram a ser constrangimento no tra­balho, que pensavam pertencer-lhes, lamentando-se, queixan­do “que deram a vida e agora colhem ingratidão”. Certamen­te, os homens indispensáveis doaram a vida como fuga de si mesmos e ofereceram-na a um ser sem alma, sem coração, que apenas objetiva lucros, portanto, insensível, impessoal... Ali, os filhos substituem os pais, expulsam-nos, jovialmente, sob a alegação de que estes merecem o justo repouso, as viagens de férias que nunca tiveram; aposentam-nos. Livram a Empresa deles, de sua dominação, não mais condizente com os tempos modernos. Eles foram bons e úteis no começo, não mais agora, quando começam a emperrar a máquina do pro­gresso, a impedirem, por inadaptação óbvia, o curso do cres­cimento e desenvolvimento da entidade...
Assim, chega o momento da realidade para o homem que ocupa o primeiro lugar, o indispensável. É convidado a soli­citar a aposentadoria, quando não é jubilado sem maior consideração.
Como não cultivou outros valores, outros interesses, ar­roja-se ao fosso da autodestruição, egoisticamente, esqueci­do dos familiares e amigos, afinal, aos quais nunca deu maior importância nem valorização. Afasta-se mais do convívio social e, não raro, suicida-se, direta ou indiretamente.
A em­presa não lhe sente a falta, prossegue em funcionamento.                                
Somente quem realizou uma boa estrutura de personali­dade, enfrenta com razoável tranqüilidade o choque de tal natureza, para o qual se preparou, antevendo o futuro e pro­gramando-se para enfrentá-lo, transferindo-se de uma ação para outra, de uma empresa para um ideal, de uma máquina para um grupamento humano respirável, emotivo, pensante.
Ninguém é indispensável em lugar nenhum. O primeiro de agora será dispensável amanhã, assim como o último de hoje, possívelmente, estará no comando no futuro. A morte, a cada momento, demonstra-o.
A polivalência das aspirações é reflexo de normalidade, de equilíbrio comportamental, de harmonia da personalidade, convidando o homem a buscar sempre e mais.
A desincumbência do dever reflete-lhe o valor moral e a nobreza da sua consciência. Segurar as rédeas da dominação em suas mãos fortes, denota insegurança íntima, crise de con­duta.
O homem tem o dever de abraçar ideais de enobrecimen­to pessoal e grupal, participar, envolver-se emocionalmente, fazer-se presente na comunidade, como complemento da sua conduta existencial.
A criatura terrena está em viagem pela Terra, e todo trân­sito, por mais demorado, sempre termina. Ninguém se enga­ne e não engane a outros.
Uma auto-análise cuidadosa, uma reflexão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, a meditação sobre os objetivos da vida concedem pautas e medidas para a harmo­nia, para o êxito real do ser.
A finalidade da existência corporal é a conquista dos va­lores eternos, e o êxito consiste em lograr o equilíbrio entre o que se pensa ter e o que se é realmente, adquirindo a estabi­lidade emocional para permanecer o mesmo, na alegria como na tristeza, na saúde conforme na enfermidade, no triunfo qual sucede no fracasso.
Quem consiga a ponderação para discernir o caminho, e o percorra com tranqüilidade, terá começado a busca do êxito que, logo mais, culminará com alegria.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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quinta-feira, 25 de julho de 2013

DESIDENTIFICAÇÃO


      Podemos considerar a personalidade humana constituída de essência e substância. A primeira são as energias que procedem do Eu profundo, as vibra­ções que dimanam da sua causalidade, e a segunda é a reunião dos conteúdos psíquicos, transformados em atos, experiências, realizações, decorrentes do ambiente, das circunstâncias, e reminiscências das existências passadas.
São as substâncias que respondem pelo compor­tamento do ser, propiciando-lhe liberdade ou escravi­dão e dando nascimento ao eu.
Numa pessoa média, portadora de consciência, sem a nobre conquista do discernimento e da vivên­cia compatível, a ilusão e os engodos se estruturam, passando à posição das realidades únicas, que igno­ram, por efeito, a legítima Realidade.
Essa deturpação psicológica proporcionada pelo ego, que se entorpece e se engana, contribui para as experiências utópicas e alienadoras, que lhe alteram a conduta, produzindo estados profundamente per­turbadores.
O hábito e o cultivo dos pensamentos viciosos, de qualquer natureza, tornam-se as substâncias que for­mam a personalidade doentia, que se adapta aos fa­tores dissolventes, rompendo a linha do equilíbrio e do discernimento, empurrando para o trânsito pela senda da irrealidade.
Sem dúvida, a pessoa portadora de substâncias fragmentadoras move-se em um verdadeiro nevoeiro, que é mais compacto ou mais sutil, conforme as fixações, os vícios a que se aferra.
Identificando-se com as idéias que lhe são convenientes — algumas de pro­cedência psicopatológica — adapta-se-lhes e incorpo­ra-as, deformando a personalidade, e esta irrealida­de termina por afetar-lhe a individualidade, caso não se resolva pela psicoterapia específica e urgente.
Expressam-se essas identificações nas áreas fisio­lógicas — como sensações — e psicológica — como emoções.
Toda vez que a pessoa tenta a conscientização íntima, o encontro com o Eu profundo, a busca interior, as sensações predominantes nas paisagens físicas per­turbam-lhe a decisão, impedindo a experiência. São sen­sações visuais, gustativas, olfativas, auditivas, tácteis, com as quais convive em regime de escravidão, e que assomam no silêncio, na concentração, ocupando o es­paço mental, desviando a atenção da meta que busca.
São ruídos externos que, em outras circunstânci­as, não são percebidos; imagens visuais arquivadas, aparentemente esquecidas; olfação excitada, que pro­voca o apetite; coceiras e comichões que surgem, si­multâneos, em várias partes do corpo; salivação e de­sejo de alimentar-se, tomando os centros de interesse e desviando-os da finalidade libertadora.
Por outro lado, nos tentames do silêncio interior para reequilíbrio da personalidade, as sensações pro­duzem associações de idéias que levam a evocações insensatas.
Música e perfume retornam à sensibilidade orgâ­nica e induzem a recordações atribuladoras, com la­mentáveis anseios de repeti-las e frui-las novamente.
A mente viciada e o corpo acomodado dificultam o despertar da consciência para a lucidez.
A atividade de desidentificação, por isso mesmo, torna-se urgente.
Mediante a mudança dos hábitos mentais, do cul­tivo das idéias — substituindo as perturbadoras por outras saudáveis, já que todo espaço deve ser preen­chido — do exercício disciplinado dos pensamentos, passando à alteração dos prazeres e gozos ilusórios que devem ceder lugar àqueles que se expressam como manifestação da Realidade plenificadora, ocor­rerá a libertação dos vícios e fixações, desidentifican­do-se da conduta tormentosa.
Como envoltórios concêntricos que asfixiam as irradiações do Eu real, as identificações deverão ser liberadas de dentro para fora, portanto, da essência para a substância.
A medida que a consciência se desenovela dos impedimentos psíquicos, mais amplas descobertas são logradas nas áreas das identificações, que pas­sam a ser diluídas, permitindo-a fulgir qual estrela poderosa no velário da noite transparente.
A consciência desidentificada com a personalida­de fragmentada, enfermiça, proporciona bem-estar.
Essa conquista, a da consciência plena, faculta alegria. Como conseqüência, o silêncio interior cons­ciente, responsável pela saúde psíquica e emocional, predispõe o ser ao crescimento das aspirações e ao esforço dos ideais de enobrecimento.
Nessa fase de desidentificação e lucidez plena, a consciência predispõe-se à conquista do estágio mais elevado, pelo menos na área humana, que é a sua har­monização total com a de natureza Cósmica.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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sexta-feira, 12 de julho de 2013

INSEGURANÇA E CRISES III




Por desinformação ou fruto de um contexto imediatista ­consumista, elaborou-se a tese de que a segurança pessoal é o resultado do ter, que se manifesta pelo poder e recebe a res­posta na forma de parecer. Todos os mecanismos responsá­veis pelo homem e sua sobrevivencia se estribam nessas pro­postas falsas, formando uma sociedade de forma, sem pro­fundidade, de apresentação, sem estrutura psicológica nem equilíbrio moral.
O homem deve ser educado para conviver consigo pró­prio, com a sua solidão, com os seus momentâneos limites e ansiedades, administrando-os em proveito pessoal, de modo a poder compartir emoções e reparti-las, distribuir conquis­tas, ceder espaços, quando convidado à participação em ou­tras vidas, ou pessoas outras vierem envolver-se na sua área emocional.
As uniões fraternais então se desar­ticulam, as afetivas se convertem em guerras surdas, o matri­mônio naufraga, o relacionamento social sucumbe disfarça­do nos encontros da balbúrdia, da extravagância, dos exage­ros alcoólicos, tóxicos, orgíacos, em mecanismos de fuga da realidade de cada um.
A educação, a psicoterapia, a metodologia da convivên­cia humana devem estruturar-se em uma consciência de ser, antes de ter; de ser, ao invés de poder, de ser, embora sem a preocupação de parecer.
O que o homem é, suas realizações íntimas, sua capacida­de de compreender-se, às pessoas e ao mundo, sua riqueza emocional e idealística, estruturam-no para os embates, que fazem parte do seu modus vivendi e operandi, neste processo incessante de crescimento e cristificação.
A coragem para os enfrentamentos, sem violência ou re­cuos, capacita-o para os logros transformadores do ambiente social, que deslocará para o passado a ocorrência das crises de comportamento, iniciando-se a era de construção ideal e de reconstrução ética, jamais vivida antes na sua legitimida­de.
A segurança íntima conseguida mediante o autodescobri­mento, a humanização e a finalidade nobre que se deve im­primir à vida são fatores decisivos para a eliminação das cri­ses, porqüanto, afinal, a descrença que campeia e o descon­certo que se generaliza são defluentes do homem moderno que se encontra em crise momentânea, vitimado pela insegu­rança que o aturde.

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis

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