O apego aos bens materiais
torna-se uma jaula que aprisiona o possuidor distraído, que passa a pertencer
àquilo que supõe possuir.
Causa aflição, pelo medo de
perder o que acumula; pela ânsia de aumentar o volume dos recursos; pela
circunstância de ter que deixá-los ante a iminência da morte sempre presente na
vida.
Desvaria, porque intoxica de
orgulho e prepotência a criatura, que se crê merecedora de privilégios e
excepcionais deferências, que a não impedem de enfermar-se, neurotizar-se,
padecer de solidão e morrer como todas as demais.
Enrijece os sentimentos, que
perdem a tônica da solidariedade, da compaixão e da caridade, olvidando-se dos
outros para pensar apenas em si.
Faz pressupor que nasceu para
ser servido, abandonando o espírito de serviço que dignifica e favorece o
progresso.
O possuidor que não se interessa
por repartir os valores, oferecendo dignas oportunidades de trabalho, é escravo
que mais se envilece, quanto mais se prende às posses.
Rico é todo aquele que doa,
assim espalhando os recursos, que se multiplicam em diversas mãos em benefício
geral.
O rico verdadeiro é investidor
consciente, que não paralisa o crescimento da sociedade, antes amplia sua área
de realizações.
Sabe que é mordomo transitório e
não dono permanente, devendo prestar contas, oportunamente, dos valores que lhe
foram confiados.
Verdadeiramente, o homem nada
possui. Nem a si mesmo ou à sua vida, tornando-se usuário de tudo
quanto lhe chega e passa. A descoberta de tal realidade harmoniza-o
interiormente e com tudo quanto é temporário, em trânsito para o que é de sabor
eterno, que é a sua espiritualização.
No século desfruta, mas não
retém. Na Vida permanece, mas não abusa.
Fonte: JESUS E
ATUALIDADE
DIVALDO PEREIRA FRANCO/JOANNA DE
ÂNGELIS
imagem: professorantonioneves.blogspot.com


