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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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terça-feira, 8 de março de 2016

TRAIÇÃO CONJUGAL E PERDÃO I

                À medida que se aprofunda o conhecimento das almas humanas imbricadas na trama afetiva conflituosa da ruptura da fidelidade, mais se firma uma compreensão que nos inclina a atitudes de maior sensatez, capazes de nos autorizar a assumirmos posições mais ou menos ante os erros do amor.
                Inicialmente, ainda na presença do choque, procuramos o culpado: é o outro que traiu, ou aquele com quem ele caiu. Neles depositamos todas as emoções que emerge no clímax da nossa dor, tais como raiva, indignação, ódio, agressividade, outras... Podemo-nos fixar uma vida inteira nessa posição, imobilizando-nos no papel de vítima, guardando sentimentos de rancor, tristeza, ódio, revolta e... adoecendo.
                Se fizermos escolhas mais ricas para aprofundar o entendimento, vamos detectar que não é só o outro o culpado, simplesmente. Num movimento pendular, um dos cônjuges passa a se eleger como culpado: identifica que empurrou o outro para os braços de alguém, por meio de um conjunto de comportamentos negativos. Nessa hora, assume a culpa sozinho, e corre o risco de se fixar na posição da culpa tóxica, enveredando por descaminhos que seguem as etapas implacáveis do autojulgamento, da autocondenação e da autopunição. Às vezes, essa atitude vem antes daquela em que se foca num outro como o único culpado.
                Caso se decida a avançar na busca da verdade, registra que não há um só culpado – ele/ela ou eu – mas sim que são ambos culpados. Socializa, portanto, a causa da dor, e traz para a dimensão relacional o compartilhamento da culpa. Aqui podemos também nos fixar numa amargura interminável e improdutiva – infelizes para sempre!
                Contudo, num mergulho mai profundo em nossas consciências, percebemos qe não somos culpados, e sim responsáveis. Mudamos a maneira de atribuir significado à dor. Identificamos uma teia ancestral contribuindo, direta e indiretamente, para nossas decisões atuais.
                Por isso, passamos para a atitude da responsabilidade, ou seja, sem perder de vista o que está por trás, assumimos a nossa cota pelas escolhas que fazemos. Todavia, fazemos isso de uma forma amorosa, sem nos crucificarmos, tampouco sem nos isentarmos de encarar a parte que nos compete.
                Responsabilizar-se é a habilidade em dar resposta. Assim partimos para a reparação justa, naquilo que nos diz respeito, sem vitimização e sem a intoxicante culpabilização.
                Quando conseguimos colocar-nos nessa posição, aprendemos e crescemos com a dor, retirando da situação vivida tudo quanto a vida pode nos ensinar. Tornamo-nos mais maduros para continuar a nossa caminhada, seja recasando-nos após a reconciliação, seja restabelecendo uma nova parceria no futuro, se for o caso. Tudo isso, porém, em bases mais solidadas.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

CAUSAS DE INFIDELIDADE CONJUGAL IV

                Para efeito de compreensão mais detalhada, pode-se visualizar só o momento atual da convivência, para serem entrevistos alguns outros componentes que estão presentes no aqui e agora e jazem negligenciados, porque, se é verdade que a maioria das situações somente é compreensível quando se olha para trás, igualmente é justo considerar que existem ocorrências nas quais uma simples olhadela no hoje já basta para se perceber por que a relação desaguou no precipício da separação traumática.
                Focando de forma específica na relação propriamente dita, observamos alguns fatores que contribuem para o distanciamento do casal, tornando-o mais vulneráveis a tropeços no âmbito da fidelidade:
                - quantos abandonos, gerando carências afetivas;
                - quantos maus-tratos verbais, e às vezes físicos, impulsionam o outro a buscar conforto em alguém que lhe conquista o coração;
                - quantas desqualificações diminuindo a autoestima do outro, tornando-o sensível a banais seduções externas;
                - quantas insatisfações sexuais expõem o outro a buscar afirmação fora do lar;
                - quantas traições suscitam vinganças infelizes por parte do outro;
                - quantas atitudes de desamor deixam o outro na mão de quem lhe oferece algumas migalhas de carinho;
                - quantas insinuações injustas de infidelidade levam o outro a dar veracidade, como desforra;
                - quantas ofensas repetidas esmagam sentimentos, desconectando o outro da afeição conjugal;
                - quantos abusos de alcoólicos suprimem a razão e engendram lances em que o instinto assume o comando do comportamento;
                - quantos descuidos no trato das questões morais suscitam obsessões sutis que empurram para vinculações afetivas descabidas;
                - quantas interferências indébitas de sogros ou parentes ajudam a quebrar o liame, já tênue, do amor conjugal.
                Estas vicissitudes ocorrem habitualmente em arranjo múltiplo, trazendo algumas das situações mencionadas, além de outras mais remotas que se escondem por trás de fatores mais visíveis, conforme citado.
                É difícil identificar as causas de uma traição, posto se trate de uma interação que envolve duas pessoas diretamente, mais uma terceira e uma rede por trás da tríade. E que falam das suas histórias de vida carregadas de scripts, pulsões, bloqueios, crenças, valores, etc, compondo a base que sustenta a ponta do iceberg – a traição.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

domingo, 21 de fevereiro de 2016

CAUSAS DE INFIDELIDADE CONJUGAL III

                Aliam-se às causas de vidas passadas aquelas da vida atual que, a seu turno, podem dizer respeito à sua história de vida – história biográfica – e às dificuldades do relacionamento matrimonial recente – história conjugal.
                No que tange à sua biografia, vamos encontrar muitas motivações, conforme as circunstâncias de vida de  cada um, que podem induzir a comportamentos de não fidelização ao parceiro na caminhada afetiva.
                Aqui podemos mencionar algumas situações muito freqüentes:
                - Quando vítimas de abuso sexual na infância ou na adolescência;
                - quando sofrem traumas no campo afetivo, tendo presenciado traições de seus pais ou de pessoas representativas do ponto de vista psicológico;
                - quando abandonados emocionalmente por mãe ou pai, ainda crianças ou mesmo adolescentes;
                - quando foram confidentes dos pais nos relatos de traições conjugais;
                - quando tiveram como referência de modelo pai ou mãe com comportamentos reiterados no adultério;
                - quando, na idade infantil, se transformaram em cúmplices no segredo de infidelidades para que o lar não se desfizesse;
                - quando assimilaram crenças negativas de pessoas importantes acerca do casamento, da monogamia, da fidelidade;
                - quando testemunharam a cristalização da dor em um dos pais, depois de abandonado pelo outro, para conviver, prematuramente, com uma terceira pessoa;
                - quando experimentaram traição de namorado na adolescência, às vezes com uma pessoa amiga;
                - quando se sentiram descartáveis, após se sentirem trocados por outra pessoa;           - quando viveram traição em relação estável.
                É verdade que muitas outras vicissitudes podem instalar propensão às traições conscientes ou inconscientes, variando de acordo com cada situação vivida e da forma como se significou o evento experimentado. Às vezes, um fato que habitualmente traumatiza é suplantado com elaboração e transformação psicológica, dependendo do nível de consciência de quem vive a ocorrência.
                Quanto maior for a evolução do espírito, maior será a sua competência para lidar com esses conteúdos de vida.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

sábado, 20 de fevereiro de 2016

CAUSAS DE INFIDELIDADE CONJUGAL II

                De outras vidas comparecem inúmeras ocorrências:
                - Quantos espíritos trazem um passado longínquo de herança na poligamia, com reminiscência das fases primitivas e tribais, época em que as nossas movimentações eram, sobretudo, instintivas, ainda despertando para conteúdos emocionais, intelectuais, morais;
                - quantos renascem com um passado poligâmico recente, experimentado em culturas e religiões que acolhem múltiplas parcerias em regime de naturalidade, obedecendo a uma ética que defende relações conjugais plurais;
                - quantos, em outras eras, encontraram na prostituição a forma de sobrevivência, diante de conjunturas constritoras;
                - quantos tiveram, em suas últimas encarnações, vivências francamente viciosas, por motivos vários;
                - quantos trazem seqüelas de dores de outra vida, ainda não superadas, que se manifestam como transtornos psiquiátricos, interferindo na confiabilidade entre consortes afetivos.
                Enfim, estas e outras tantas experiências que interferem, inconscientemente, no uso da sexualidade e da afetividade, e que inclinam a pessoa para um padrão poligâmico, caso não disponha de recursos para o analisai, vigiai e orai preconizados por Jesus e suscetível de lhe oferecer sustentação para um comportamento de fidelidade monogâmica.
                                                                                                                                         

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CAUSAS DE INFIDELIDADE CONJUGAL I

                O assunto é complexo, pelas múltiplas facetas que carrega. Talvez por causa disso Jesus se mantivesse inicialmente silencioso, quando chamado a se pronunciar sobre a questão da mulher que fora flagrada em adultério, limitando-se a escrever e olhar para a terra, como a sinalizar que esta questão diz respeito a todos nós, que habitamos o Planeta.
                Há muitos motivos que causam a ruptura da fidelidade a dois. Muito raro encontrar uma só justificativa para o abandono da responsabilidade conjugal; ao contrário, os fatores que a explicam são inúmeros, colocados em rede de influenciação. É tão complexo identificá-lo quanto julgá-los.
                Um exercício de compreensão ajuda a lidar com o adultério, bem como a restabelecer o relacionamento, se for o caso. Entretanto, independentemente de separação, o perdão se impõe como necessidade de saúde física, emocional, mental e espiritual.
                Surgem fatores causais desta vida, como de outras encarnações.

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

CASAMENTO E DINHEIRO II

                Há casais que articulam bem o manejo do dinheiro, traduzindo estarem em dia, não só com os aspectos econômico-financeiros e racionais, mas também em suas interações nos campos afetivo/emocional e espiritual/moral.
                São aqueles parceiros que não gastam mais do que ganham; que alternam, periodicamente, o comando da gestão financeira doméstica como forma de aprendizado para ambos: um ajuda o outro na regulação da administração monetária quando existe tendência para o descontrole; não há depreciação de valor sobre quem disponha de menor remuneração, tampouco ufanismo por quem percebe um bom salário.
                O dinheiro é uma das manifestações da força de trabalho, todavia, nem todo trabalho traz um valor quantificado pecuniariamente. Existem afazeres que não têm custo, não podendo ser dimensionados em recursos amoedados dentro da convivência conjugal e familiar.
                Estão nessa posição aqueles que mais se demoram na educação dos filhos; os que dispensam longas atenções aos pais e sogros em estado de carências diversificadas; os que cuidam da infraestrutura da casa dando suporte ao outro, que assume mais a provisão monetária; os que atendem aos afazeres fora do lar, não profissionais, mas fundamentais para uma boa administração da prole; os que desenvolvem atividades religiosas e caritativas, ensejando proteção espiritual para todo o lar.
                Identificar semelhantes trabalhos não remunerados feitos pelo outro parceiro e qualificá-los como tão importantes ou mais do que aqueles geradores de proventos econômicos, é atitude de sabedoria conjugal propiciadora de se colocar o dinheiro, perante os esposos, na sua exata posição.
                                                                                                                                               

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CASAMENTO E DINHEIRO I

                Não se consegue atribuir às moedas um valor puramente econômico, ainda que os nossos conteúdos de vida estejam nele embutidos, inevitavelmente.
                Desse modo, vamos identificar quais papéis a moeda pode estar desempenhando dentro da relação de conjugalidade, procurando perceber se o dinheiro está a serviço do crescimento, quando usado positivamente, ou se está dilapidando o relacionamento no uso desequilibrado dentro do casamento.
                A maioria dos casais não consegue avaliar quantas inadequações e negatividades, sutis ou ostensivas, vigem no trato com o dinheiro, como reflexos de deficiências variadas na convivência matrimonial.
                Às vezes, ele está representando o domínio de um sobre o outro, quando existe uma dependência financeira que fica a serviço do controle por parte daquele que detém o monopólio do metal. Atrás do controle neurótico escondem-se a insegurança afetiva, o ciúme, a mania de comandar, o medo de ser abandonado, etc.
                Noutras circunstâncias, ele significa a moeda de compra nas manifestações afetivas daquele que o usa, substituindo atenção, carinho e cuidados, numa tentativa de driblar a frieza ou a culpa pela sua ausência no relacionamento. Surgem presentes caros, talões de cheque, cartões de crédito disponíveis com limites astronômicos, dentre outros expedientes compensatórios.
                Em situações diversas, o dinheiro entra como tapa buraco, quando o parceiro dele se vale de forma compulsiva, para sanear carências emocionais em face da escassez na nutrição emocional doméstica. Passa a comprar tantas roupas, sapatos, bolsas, etc., que não consegue utilizá-los todos ao longo da vida, deixando-os mofar nos armários.
Nas ocorrências de desemprego demorado do esposo, pode significar baixa estima, se ele for muito orgulhoso ou se houver cobrança despropositada. Sentimentos similares podem suceder se ele tiver remuneração inferior à da esposa.
Em várias ocasiões, o dinheiro representa o status da vaidade que se procura manter a qualquer custo, ostentando uma máscara social de bem casados, disfarçando problemas e conflitos que o casal experimenta e esconde.
Quantas vezes os recursos amoedados definem quem vale mais, numa luta conjugal insana por quem obtém mais, financeiramente. Consumindo tempo e energia numa disputa de poder que encobre inseguranças recíprocas de almas  com baixo autoamor, os parceiros procuram sobrepor-se um ao outro, ignorando que o problema não é de ordem econômica, mas de autoafirmação.
Em alguns episódios, os aspectos morais são o foco do quanto os casais precisam de cuidados de cunho ético e moral para reorientarem comportamentos perdulários, esbanjadores, ou então de usura, ambição, cobiça, ou ainda de agiotagem e corrupção, reveladores de má educação, de cultura de princípios lassos e de valores imorais.
                Em alguns eventos, as cédulas falam, de forma dramática, de conteúdos muito complexos. Eles se apresentam na forma de compulsões graves, cleptomanias, estelionatos e outros, exigindo atendimento especializado, não só de natureza moral e espiritual, mas médico-terapêutico, por se tratar de espíritos que trazem comprometimentos graves, oriundos desta ou de outras vidas.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

CASAMENTO E SOGRA III

                Travar disputas por espaços emocionais que não lhes pertencem gera lutas acerbas, com prejuízo para as famílias de origem e para a recém construída, resultando em constantes ameaças à integridade da ecologia familiar.
                Transformar o filho em campo de disputas significa esquartejá-lo, de vez que a mãe o puxa de um lado e a nora/genro, do outro.
                O filho não precisa escolher entre mãe e esposa, pois são papéis diferenciados e não excludentes, e saber distinguir o dever de filho dos de esposo, é de indispensável bom senso.
                Cuidar de respeitar os papéis que representam os lugares apropriados de mãe/filho, esposo/esposa e sogra/genro ou nora é de bom tom, tendo em mente que são papéis sociais distintos, não colidindo suas respectivas funções se forem respeitadas as fronteiras psicoemocionais.
                Buscar conquistar a sogra, desfazendo a imagem de nora ou genro raptor de filho ou filha, e, se possível, conquistar-lhe o papel de segunda mãe, quando necessário, é um dos desafios àqueles que se aproximam de uma conjugalidade objetivando a formação de uma nova família.
                Envidar esforços para acolher a nora ou genro, assegurando a privacidade do novo casal sem invadir o campo de experiências que lhe são próprias ao aprendizado, apenas apoiando quando solicitada, e de forma parcimoniosa, é medida razoável.
                Quando há coabitação entre a nora ou genro e os sogros, é de relevância saber de quem é a casa, quem está recebendo quem, pois cabe ao visitante respeitar as regras já estabelecidas no lar que o recepciona.
                Portanto, quando, depois de casado, o filho/filha for morar um tempo na casa dos pais, os visitantes devem observar as regras que regulam aquele lar, procurando se adaptar ao cotidiano ali existente, inclusive controlando seus rebentos, caso existam.
                Se, ao contrário, os pais foram morar na casa do filho/filha, cabe aos sogros respeitarem as normas que lá vão encontrar estabelecidas. Nada de querer mudar a decoração da casa, ditar o cardápio, alterar a educação dos netos, modificar os horários da casa ao seu talante. Antes, devem buscar se ajustar à rotina daquele lar, valendo-se do diálogo para construir uma sintonia fina.
                                                                                                                                       

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

domingo, 17 de janeiro de 2016

CASAMENTO E SOGRA II

Tomando como exemplo a relação mãe/filho, cujas dificuldades são muito freqüentes.
A mãe, com muita frequência, acha que só ela sabe o que é melhor para o filho; que a “outra” não sabe do que o seu filho precisa, mesmo tendo-lhe passado a guarda, ou que a esposa não saberá cuidar dele como ela o faz.
                Experimentando uma regressão psicológica, a mãe trata o filho como se fosse uma criança, e não como um adulto que já conquistou independência.
                Há certo sentimento de onipotência e onisciência maternais.
                Não se pode negar, aqui, o amor incomensurável da mãe, sua histórica capacidade protetora, sua incondicional dedicação. Todavia, apenas se questiona aquilo que vem junto, contaminando esses mananciais de luminosidade, e que requer um olhar atencioso, a fim de não respingar para a conjugalidade em vista.
                Curiosamente, o filho reforça a conduta maternal, revelando os receios ante a nova etapa de vida.
                Às vezes, denunciando uma atitude psicológica também regressiva, ele exagera os medos no enfrentamento da vida conjugal e da família atual, que se iniciam com todas as responsabilidades que lhes são inerentes.
                Agravam-se esses medos, após o casamento, quando o filho transfere para a esposa os anseios filiais que ele traz, suspirando ainda pela presença da mãe. Às vezes, até na verbalização no trato doméstico vêem-se as expressões mãezinha e mãe comparecerem indevidamente. Efetivamente, se a esposa pode circunstancialmente desenvolver este papel – o de mãe -, fica claro, porém, que o exagero, tendendo a engolir o papel de esposa, poderá representar problemas à vista para a vida esponsalícia. O papel principal da mulher casada, junto ao esposo, é o de esposa e não de mãe. Aliás, o lugar de mãe jamais deve ser negado para a sogra; existe a figura da ex-esposa, mas não a da ex-mãe.
                Por outro lado, a nora às vezes quer encontrar, na sogra, a presença da mãe que não teve, ou não foi suficiente, e passa a nutrir expectativas de ser adotada. Passa, então, mais do que esperar, a exigir da sogra aquilo que muitas vezes esta não pode lhe dar, fazendo com que surjam os conflitos.
                Tudo isso contribui, juntamente com outros conteúdos, para transformar a presença da sogra na vida conjugal dos filhos em um terreno movediço e delicado, pelas múltiplas facetas que essas interações revelam, exigindo muitas competências de todas as partes; e não é comum encontrá-las.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

sábado, 16 de janeiro de 2016

CASAMENTO E SOGRA I

                Compreensível o anseio dos filhos pela emancipação doméstica por meio do casamento, deixando a família de origem para a construção de um novo lar. Como deveria ser, igualmente, a expectativa dos pais, pois já percorreram, outrora, esse mesmo caminho. É a lei natural.
                Contudo, de mãos atadas, quantas dificuldades sentem aqueles que vivem essa transição, especialmente por envolver uma relação habitualmente muito mais estreita e profunda, ainda que nem sempre saudável, de mãe/filho.
                Muito embora haja exceções, comumente a interação mãe/filho é uma das vinculações         mais intensas, duradouras e bem configuradas na cicatriz umbilical, que remete sempre à lembrança histórica de uma relação de entranhas, ou seja, uterina.
                O desvelo maternal alcança tal rigor, que é costumeiro tomá-lo como medida de comparação quando se quer fazer menção ao amor divino.
                Assim, o filho guarda esta sinalização da vida impressa no seu abdome como lembrete para a eterna gratidão.
                É preciso ressaltar, também, que se trata de uma relação duplamente importante, pois embute uma dimensão quantitativa e outra qualitativa.
                A quantitativa se refere ao tempo de convivência íntima, que se estende continuamente por vinte, trinta ou mais anos; a qualitativa fala do período em que cabe à mãe, especialmente, lhe dar os primeiros sinais de vida, ou seja, é quando se estabelecem as bases para a formação do novo eu humano – o ego – e justamente por se reportar aos primeiros anos de vida, torna-se fundamental para a definição da personalidade.
                Por estas e outras razões que se revelam quando levamos em conta a reencarnação, surgem as dificuldades para a emancipação do filho da família de origem, em um claro exercício de amor e desapego para os membros envolvidos na triangulação que se forma: mai, filho/filha e nora/genro.
O sentimento de posse, da mãe, de dependência, do filho, e o apego de ambos conspiram conta o novo relacionamento, ao lado de outros conteúdos que se agregam, variando de acordo com cada caso.
               


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CASAIS COM FILHOS DE OUTRO CASAMENTO

                Mais complicado e complexo é o novo encaixe afetivo, se ambos os parceiros já constituíram família com filhos.
                É comum, em um novo relacionamento, estabelecer-se uma competição entre o homem que se aproximou para nova conjugação e os filhos da mulher que está sendo outra vez desposada. Um cabo de guerra se apresenta sutil ou explícito, onde, de um lado, um homem puxa a sua mulher; do outro, o filho requisita a mãe. A mulher-mãe fica no meio, estrangulada pelas demandas diferentes. Idêntico processo se dá quando é a mulher que se aproxima do pai separado com filhos.
                É importante considerar que são papéis distintos, com funções específicas que devem ser respeitadas, especialmente pelos adultos, que precisam ter maior consciência para evitar, assim, uma luta inglória, desnecessária e sem vencedores.
                Torna-se imprescindível compreender que os filhos, quase sempre, mesmo que inconscientemente, alimentam a possibilidade de reatamento da relação dos seus pais, ainda que de forma mágica. Este desejo será tanto maior quanto mais recente for a separação e menos maduros forem os espíritos dos filhos.
                Desse modo, quem se aproxima deve ter toda paciência para permitir que esse sentimento de luto se conclua naquela família na qual a separação tiver ocorrido recentemente, ao tempo em que aquele que chega se aplica em conquistar os futuros enteados.
                É de boa lembrança destacar que jamais o padrasto ou a madrasta deve usurpar o papel do pai ou da mãe existente, considerando que a separação foi conjugal e não parental. Isto favorecerá que o pai (ou a mãe) aceite com menos resistência a pessoa que ocupará o lugar do novo parceiro daquela de quem se separou, e não se sinta ameaçado de perder seus filhos para quem chega.
                Cabe, também, ao padrasto alimentar e proteger as relações sagradas já existentes no âmbito pais/filhos, entrando como aliado, e não intruso, a benefício de todos os membros, inclusive dele próprio, que se aproxima.
                Compete igualmente ao pai ou à mãe facilitar a aproximação do novo parceiro com os enteados, minimizando os conflitos que possam surgir, bem como evitando empurrar goela abaixo dos filhos o novo cônjuge, contornando, assim, as resistências previsíveis para a convivência que vai se estabelecendo e, ao mesmo tempo, fazendo a prevenção para que os filhos não minem a nova conjugalidade em curso.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

CASAMENTO E CULTURA DO DIÁLOGO II

Deficiências na tentativa de diálogo:
      1-      Transformamos a conversa em monólogo.
Uma boa conversa segue a sabedoria do corpo: dois ouvidos, uma boca e uma cabeça, tendo uma base – o coração. Simbolicamente, devemos ouvir mais do que falar; sempre usar a cabeça, ou seja, a reflexão, a ponderação, o ajuizamento; fazer isso a partir do coração, consagrando, assim, a integração de tudo o que falamos em bases amorosas.
2-      Só tentamos dizer as coisas que sentimos na hora das brigas.
Devemos exercitar o entendimento em cima da crise; todavia, será de boa lembrança reservar tempo à conversação nos momentos de armistício, para tratarmos dos assuntos conflituosos que suscitam as arengas. Falar o que se deve de cabeça quente e conseguindo paz é muito difícil, mas dissolver o nó do desentendimento com a cabeça fria é mais factível e prudente, por ser mais sábio.
3-      Atacamos, transformando a fala em instrumento de esgrima.
A partir das idéias que cada um apresenta pela conversação, o casal constrói um entendimento novo, superando os velhos argumentos que lhe serviram de ponto de partida.
Quando alguém vence no diálogo, o casal perde, porque o diálogo não deve ser uma disputa; antes, a busca de novas possibilidades de encontro.
4-      Achamos que sempre detemos a verdade.
O parceiro que se encastela na sua verdade como a única, em detrimento da do outro, esquece que, no diálogo, a verdade é sempre algo a ser descoberto, elaborado a dois, com base nas antigas verdades de cada um. O ponto de vista é a janela pela qual cada um enxerga o mundo, constituindo a sua verdade naquele momento.
Sempre, entre duas pessoas, há pelo menos quatro verdades: a de cada uma delas, a construída pelo casal e a Verdade. As três primeiras são verdades relativas; só a última é absoluta.
5-      Reprimimos inoportunamente nosso verbo, ante a fala do outro, em falsa atitude de resignação e obediência.
Segundo Kardec, a obediência e a resignação são duas virtudes que operam em nível de razão e sentimento, respectivamente, não sendo, portanto, nocivas à comunicação do casal; antes, são necessárias à construção do diálogo, calculando-se a dose certa de silêncio e fala, a benefício da dupla em interação.
Quando sempre represamos a nossa expressão vocal, apenas adiamos sua inevitável manifestação, que surge, muitas vezes, na hora errada, no lugar inapropriado e num tom indesejável.
6-      Em vez de falar, gritamos, como se o outro sofresse de surdez sensorial.
O grito é uma das formas de defesa imatura de alguém que não sustenta o enfrentamento saudável de idéias, raciocínios e argumentos diferentes; gritar é uma das formas de silenciar o outro, ou de impor suas razões pela força... no grito.
7-      Vomitamos o que represamos, indebitamente, ao longo de meses ou anos.
É melhor esvaziar costumeiramente as demandas internas, evitando o acúmulo sempre perigoso de transbordar em ocasião inadequada e com atitude desproporcional. O hábito de conversar sempre, cotidianamente, evita explosões desnecessárias e nocivas.
8-      Saímos do recinto como crianças desapontadas, quando deveríamos apresentar nosso arrazoado.
Acostumamo-nos a ter nossos caprichos satisfeitos, quando crianças, e daí reagimos emocionalmente de maneira imatura diante de alguém que contrarie e recuse nossas opiniões pessoais.          
9-      Sempre queremos ter razão, e para isso às vezes manipulamos as palavras, a fim de vencermos o outro no debate transformado em competição.
Sofismar representa fragilidade moral com que se pretende compensar a nossa falta de argumentos. Um pouco de humildade faz reconhecer que a opinião ou ação do outro é mais justa, devendo ser mais bem considerada para a felicidade do casal.
10-   Não terminamos um ciclo de debates, ou seja, não conseguimos ir até o fim de uma conversação. Sempre fugimos.
É comum interrompermos a discussão de um assunto por motivos variados, deixando, “ad aeternum”, aquilo que está em pauta, pela metade, aos pedaços, retardando ou evitando encontros genuínos.
Um diálogo fecundo tem começo, meio e fim, ainda eu não se conclua definitivamente o assunto, mas amplia-se a análise com o aprofundamento da compreensão. Mais tarde, cada parceiro pode refletir “de per si” sobre os conteúdos produzidos. E assim, quando ambos retomam o tema, já amadureceram em relação ao assunto discutido.
                Por todo o mencionado, e saudável para a vida comum a cultura do adestramento na arte do diálogo a dois, favorecendo a troca de experiência no cotidiano. E auxiliando, também, no equacionamento de questões espinhosas que surjam exigindo destreza conjugal, de tal modo que não precisemos chamar uma ou duas testemunhas, tampouco a “igreja”, o grupo.

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA 
imagem: google

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CASAMENTO E CULTURA DO DIÁLOGO I

                Dentre as dificuldades na dinâmica conjugal se destaca a carência de comunicação como uma das mais graves. Muito embora seja o ser humano o único animal capaz de articular a palavra, como símbolo mediador do entendimento, falta-lhe esta competência tão indispensável em qualquer interação social, mormente naquela de natureza íntima, como a relação de conjugalidade.
                A nossa ineficiência tem início quando somos crianças e não desenvolvemos a capacidade de expressão verbal; não somos estimulados. Decorre dessa matriz a nossa fragilidade em promovermos uma conversa rica e eficaz, propiciadora de crescimento. É na infância que aprendemos essa arte, que está muito além da técnica vocal, propriamente; so quando as emoções são consideradas pode-se propiciar um diálogo expressivamente maduro. Quando ficamos com buracos em nosso desenvolvimento emocional, torna-se impossível ter competência dialogal na relação com qualquer interlocutor.
                A fala não traz somente som, mas nos traduz as entranhas, revelando nossos conteúdos de vida, entre os quais emoção, razão, sensação, intuição, moral e outros, que são exteriorizados por meio do campo energético que os caracterizam. Nossa voz é tão sui generis eu podemos compará-la a um filme de nós mesmos, revelando quem somos.
                Somos escultores da nossa palavra e edificamos, quando casados, uma obra de arte assinada a dois, que deve ser esculpida com maestria.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

PAPÉIS DENTRO DO CASAMENTO III

                Quando não houver encaixes harmoniosos, será problemático, pois conflitos emergirão, desde os mais simples até os mais graves, chegando, em inúmeros casos, a promover a ruptura da interação afetiva.
                Desta feita, pode-se observar variados desencontros tendo em vista não existirem, numa certa circunstância, ressonâncias entre o que um espera do outro, e como o outro corresponde. Daí tem-se:
                - esposa, naquele dia, como filha, busca a figura parental no esposo, e ele se apresenta como homem ansiando união sexual. Caso ela ceda ao sexo, não se sentirá bem, pois é como se estivesse estabelecendo uma relação incestuosa, simbolicamente, com o pai.
                - esposo, em certo momento, como filho, procura o aconchego maternal na esposa, mas esta responde emocionalmente como filha. Instala-se o atrito pela frustração dele em não encontrar o acolhimento que esperava da parceira-mãe.
                Assim, podem se repetir em vários momentos da vida do casal conflitos por falta de entrosamento na dança do casamento, quando desempenham papéis não alinhados como: pai-mulher, homem-mãe, filho-mulher, filho-filha, etc.
                Porém, é lamentável e mais doloroso quando, ao longo da vida, em vez de uma situação eventual, o casal mantém um padrão fixo de convivência numa das disfuncionalidades mencionadas. O conflito e o desgaste progressivo do relacionamento serão inevitáveis.
                Em resumo, o par deve observar os dois pontos fundamentais para constituir uma relação conjugal, conforme preconiza Allan Kardec: a lei divina material, a união sexual, e a lei divina moral, o amor.
                Sem prejuízo das funções essenciais, o casal pode e deve apresentar funções complementares, sincrônica e sinergicamente, quais sejam: pai/filha, filho/mãe, amigo/amiga, companheiro/companheira, etc.
                É necessário haver autopercepção e conhecimento mútuo para a identificação de como anda a interação afetiva com cada parceiro no cotidiano existencial.
                É saudável que ambos criem o hábito de verbalizar claramente como estão emocionalmente seus desejos e expectativas, carências e outros conteúdos emergentes. Isto para que cada um possa ajustar-se criativamente junto ao outro, assumindo o papel que lhe cabe para estabelecer um bom encaixe em cada circunstância de vida – e na vida como um todo – casando-se dia após dia, conforme propõe Emmanuel.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

PAPÉIS DENTRO DO CASAMENTO II

                De outro jeito mais profundo, o casal amoroso pode seguir um padrão duplo de associação homem/mulher e pai/filha; aqui, além da comunhão sexual, o esposo desenvolve as funções da figura paterna quando a esposa apresenta demandas de filha. Situação similar se dá no padrão homem/mulher e filho/mãe.
                Ainda de modo mais amplo, os consortes podem apresentar triplas transações emocionais: homem/mulher; pai/filho e filho/mãe. Neste tipo de interação, além da sexualidade presente, o esposo assume as funções de um pai junto à esposa, quando demonstra conteúdos da filha que carrega internamente;. Bem como o parceiro pode encontrar apoio para as carências do filho que traz dentro de si, perante a esposa que se revela maternal, acolhendo-o.
                Nos casais de maior envergadura, a dança pode apresentar transações mais complexas e abrangentes: homem/mulher, pai/filha, filho/mãe, amigo/amiga, etc. estes consortes exibem uma coreografia amorosa magnífica, agregando muito papéis em sua interação afetiva, traduzindo boa flexibilidade agenciadora de enriquecimento conjugal.
                Mesmo que estejam presentes vários papéis, é importante frisar que o casal, habitualmente, estará disfuncional quando a função de conjugalidade (homem/mulher) de forma duradoura for excluída da relação amorosa sem motivo justo.
                É verdade que há situações específicas em que o casal, a despeito do amor recíproco, se vê impedido, ou prescinde da união sexual propriamente dita: são casais cuja enfermidade alcançou um dos membros da relação, inviabilizando a cópula; são pessoas em idade avançada, em que a permuta da energia sexual se faz estritamente de forma psicoemocional; é um parceiro com doenças sexualmente transmissíveis e incuráveis, o que motiva o casal a optar pela abstinência sexual numa família já constituída; é um traumatismo com lesão neurológica, comprometendo a ereção; são espíritos de escol em tarefas especializadas na dita. Enfim, são ocorrências de exceção que justificam uma vida matrimonial com comunhão sexual exclusivamente psíquica.
                É importante dizer que, à luz da reencarnação, um homem pode ser um espírito com muitas conquistas na feminilidade e, além de esposo, ser capaz de desempenhar papéis feminis perante a esposa, acolhendo-a, por exemplo, de forma maternal nas suas demandas como uma filha ansiando pela mãe.
                Igualmente, pode ser dito a uma mulher cujo espírito traga grande bagagem viril assegurando-lhe competência para, além de esposa, desempenhar papéis masculinos junto ao esposo, quando essa necessidade se apresentar.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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terça-feira, 3 de novembro de 2015

PAPÉIS DENTRO DO CASAMENTO I

                O casamento exige competências variadas para que se estabeleça e se mantenha. Para tanto, é importante perceber a existência de uma dança entre os parceiros; quanto mais ampla em sua flexibilidade, maior será a possibilidade de sucesso e felicidade conjugal.
                Ao lado da lei de amor, há uma função também fundamental que caracteriza o matrimônio – a de natureza sexual – configurando, desse modo, uma união conjugal.
                Contudo, podem coexistir outros papéis, secundariamente, dentro da dinâmica do acasalamento, e que precisam ser considerados e avaliados, a fim de se perceber o quanto a interação está em harmonia e cresce consolidando-se.
                Trazendo cada um a sua história biográfica e espiritual, deve-se considerar a presença de alguns movimentos que falam de várias necessidades passadas e atuais, e que se manifestam nas nossas relações, inclusive dentro do casamento, por meio de papéis como, no parceiro, o de pai, filho, amigo, companheiro, etc, e, do mesmo modo, na parceira, o de mãe, filha, amiga, companheira, etc.
                Assim, é possível detectar vários encaixes funcionais entre a dupla, quando os papéis não colidem entre si e respeitam a conjugalidade, não a excluindo.
                Desse modo, pode-se ter, por exemplo, dentro da amorosidade entre um esposo e uma esposa, além da posição básica conjugal homem/mulher, o desempenho de outros papéis em perfeita harmonia nas interações: pai/filha, filho/mãe, amigo/amiga, etc.
                Portanto, pode o esposo adoecer e, alquebrado como uma criança, buscar a esposa que, prontamente, o atende como uma mãe; pode a mulher ter um achaque emocional no trabalho, e chegar ao lar ansiando pelo pai protetor, e o esposo a acolhe nessa posição, como um pai o faria.
                Muitas vezes, o esposo carente vai em direção à esposa procurando uma amiga confidente, e ela lhe corresponde; doutra feita, é a esposa querendo ouvir um amigo conselheiro, telefona para o esposo que, receptivo, a atende como um amigo.
                Em algumas circunstâncias, o cônjuge encontra, no seu par, o profissional para uma permuta de idéias, e trocam experiências fecundas e enriquecedoras como companheiros profissionais.
                Além desses episódios circunstanciais, o casal pode manter um padrão fixo de funcionamento ao longo de toda uma vida com posições bem definidas, em regime adequado de suplementação.
                Assim sendo, há parceiros que assumem a vida inteira a atitude afetiva no encaixe de homem/mulher somente, ou seja, experimentam apenas a interação relativa à união sexual, embasados pelo vínculo amoroso. É um bailado funcional, porém estreito.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CASAMENTO E ESTILO DE COMUNICAÇÃO II

                Sucede ao casal complementar, caso não se ajuste em harmonia na dinâmica de interação comunicacional. Nasce uma disfuncionalidade, configurando uma doença no acasalamento chamada de rigidez. Nessa posição, os companheiros da afetividade se fixam em suas verdades, entrincherando-se em seus pontos de vistas. Aqui não há espaço para a flexibilidade, pois sobra orgulho.
                Nesse perfil distorcido de relacionamento, um quer afirmar seu jeito sobre o outro, advogando a área em que transita com mais facilidade, em detrimento de outra, cuja habilidade pertence ao companheiro de caminhada, como se se tratasse de competências excludentes, de verdades inconciliáveis.
                Por isso, de acordo com as características dos parceiros, vemos o litígio entre eles, pela dualidade emoção e razão; objetividade e subjetividade; força e ternura; intuição e análise; digressão e praticidade, dentre outros. Frequentemente, os traços antagônicos presentes no modo de ser do casal se manifestam como num duelo, em disputa desengonçada dentro do relacionamento: um loquaz e o outro lacônico; um observador e o outro fazedor; um visual e o outro sinestésico; um visionário e o outro pragmático; um apressado e o outro, lento...
                Também as suas diferentes negatividades se prestam para acusações despropositadas, sujeitas que ficam a uma análise sob critérios de pessoas que funcionam bem distintas. Decorre, então, entre eles, a defesa estabelecida por meio do ataque.
                A rigidez de personalidade faz com que cada um se cristalize na sua verdade, no seu ponto de vista, gastando muito tempo e energia em tentar convencer o outro, bem como em desqualificar a posição diferente da sua.
                Em algumas situações, essa atitude é tomada como birra, teimosia, ignorância em face da resistência em mudar de posição; às vezes, é significada como atitude de desamor ou de agressão por parte daquele que não consegue entender o porquê de o parceiro se manter fixo na sua posição, e assim reciprocamente.
                Desse modo, todos os casais são chamados a exercer a arte da boa comunicação mediante o manejo de seus conteúdos de semelhanças e diferenças coexistentes em todas as relações afetivas; seja no casal similar, seja no casal complementar, valendo-se da humildade como parte da competência amorosa, única  capaz de promover uma comunicação conjugal em nível de excelência.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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domingo, 18 de outubro de 2015

CASAMENTO E ESTILO DE COMUNICAÇÃO I

                O que define um bom acasalamento é a arte amorosa de articular bem as diferenças e as semelhanças, no contexto da cotidianidade.
                Portanto, podemos ter patologias da conjugalidade muito bem diagnosticadas, devido à forma como se desenha a transação afetiva.
                Quando o casal similar não consegue manter uma boa relação de interação, surge, então, a disfuncionalidade. Esta doença se configura pela disputa interminável, na qual cada parceiro busca, incessantemente, ultrapassar o outro, vencê-lo na competição conjugal. Estes casais fazem dos seus perfis parecidos, fonte de embates, habitualmente ansiando a afirmação de um sobre o outro, revelando dificuldades psicológicas ou morais.
                Assim, brigam acerca das competências e habilidades, disputando quem tem maior relevo e, igualmente, nas negatividades comuns à dupla, buscando escamotear o lado sombra, a fim de celebrar vitória sobre o outro. São comuns as expressões: sou menos egoísta, sou menos obeso, sou menos colérico, sou menos compulsivo, etc. Enfim, é como diz o brocardo popular: o sujo falando do mal lavado.
                Como causa desse modelo de comportamento está o orgulho sustentando a disputa. Não é verdade que não se amam. Amam-se, todavia, há uma ampla contaminação de orgulho que, com o tempo, ameaça destruir a relação afetiva, sufocando o amor.
                Quando, ao contrário, o casal similar articula adequadamente as suas semelhanças pela vias da humildade, desponta um movimento muito saudável na interação, definido por um apoio recíproco, altamente desejável para o crescimento de cada um dos membros do consórcio, e de excelentes resultados para a união do casal.
                Quando o casal complementar, humildemente, se decide a fazer das diferenças um espaço de respeito e troca de suas verdades, cria-se um enriquecimento na aprendizagem, ampliando o patrimônio intelecto-moral de cada um dos parceiros. De igual maneira, surge como conseqüência a qualificação da relação de acasalamento.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

NAMORO NO CASAMENTO

                É natural que o casamento suceda ao namoro, como evolução espontânea nas etapas de uma relação afetiva. O que é comum é que depois do casamento não haja mais namoro.
                Não é apenas uma questão de palavras. Efetivamente, depois das núpcias, o namoro declina vertiginosamente.
                Não deveríamos deixar de namorar para casar, e sim, levar o namoro para o casamento, considerando que só o enAMORamento é capaz de vitalizar a conjugalidade no avançar do tempo.
                O cotidiano, a rotina, os problemas, as dificuldades, etc, acabam por ir engessando o casamento na armadilha da mesmice, da relação burocrática e, depois, burrocrática, porque conduz o relacionamento para uma sequência de negatividades: desajustes, tédio, indiferença e morte.
                Se for verdade que o fogo devorador da paixão e motivador da aproximação da dupla afetiva cede com o passar do tempo, não menos verdadeiro é que a apatia se  constitui em um verme dilacerador dos sentimentos.
                Todo relacionamento deveria assegurar uma dose de apaixonamento muito saudável e necessária por parte de ambos os cônjuges, evitando a ameaça da insipidez que o tempo inexorável pode trazer com o avançar da idade, se houver descuido.
                Por isso, é justo se recomendar que o casal inclua o namorar no âmbito do casamento, trazendo um toque do romantismo que caracteriza a frase pré-conjugal, a fim de incrementar o matrimônio. Portanto, namorar, assegurando atitudes e palavras de amor pelo outro, sem que haja outra razão senão a da gratulação, pelo simples prazer de amar.
                Esse comportamento gera uma singular nutrição, que deixa os parceiros acesos, vivos, mantendo um tônus relacional cuja energia sustenta o cotidiano da vida sem cair no enfado, além de coroar de plenificação a interação conjugal.
                Namorar no casamento é trazer os atributos da fase de encantamento para temperar o ambiente dasafiador da convivência íntima de duas pessoas que comparecem com as suas diferenças, manifestas por meio de suas histórias de vida, suas manias, seus limites, suas virtudes. Para entretecer o entendimento das demandas do dia a dia, nem sempre fáceis e frequentemente encontradas num ambiente de aridez ou monotonia, é de ao lembrança ressaltar ao casal a necessidade do élan do romance. Isto a fim de vitalizar, suavizar e arejar a vida conjugal, viabilizando o amadurecimento e a consolidação da relação afetiva.
                Se o convite de Emmanuel ao par conjugal destaca que acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case em espírito dia por dia, de idêntica maneira é acertado afirmar que só o amor manifesto no contínuo enamoramento consegue sustentar e perenizar o acasalamento de alma para alma.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FRONTEIRAS ENTRE CONJUGES E FILHOS

                Qualquer interferência dos filhos no espaço matrimonial pode trazer conseqüências indesejáveis para todos os envolvidos.
                Por isso, o casal deve discernir quando estão funcionando como pais e quando atuam como cônjuges.
                Há uma ligação estreita entre os pois e os filhos, com uma hierarquia funcional muito bem definida, considerando a autoridade e que se reveste o papel dos pais na educação dos filhos e, como conseqüência, os filhos dando o retorno para os pais, numa relação de via de mão dupla.
                É natural, portanto, os filhos darem palpites na educação que estão recebendo, reivindicando direitos não atendidos, reclamando regalias que foram concedidas somente para algum dos irmãos, etc. os pais, ao seu tempo, também conversam com os filhos, explicando suas atitudes, argumentando sobre as queixas e reivindicações deles, esmiuçando valores morais, etc.
                Todavia, na dinâmica conjugal deve haver certa distância, para resguardar não só a intimidade do casal, mas do mesmo modo, assegurar uma interação matrimonial livre das interveniências impróprias dos filhos.
                Entretanto, em muitas situações é o próprio casal, infelizmente, que busca os filhos para participar de encrencas que não lhes dizem respeito.
                Este ou aquele cônjuge vale-se de um ou mais filhos, a fim de estabelecer alianças contra o parceiro em posição antagônica. Quantos transformam o filho em depositário das suas confidências matrimoniais; em várias ocasiões, colocam o filho como advogado de defesa face aos litígios com o seu par; em muitas ocorrências, o filho é chamado à posição de juiz para arbitrar sobre demandas conflituosas conjugais; algumas vezes, a criança é usada como arma contra o outro, separado, jogada como carteiro que traz correspondências abertas, conduzindo os recados. Em outras circunstâncias, os filhos são cristos com braços abertos, puxados pelos crucificadores, tal a disputa do casal que os reivindica como trunfos, um contra o outro, em completa desconsideração pela dor dos filhos ameaçados de serem esquartejados pela imaturidade dos litigantes.
                Enfim, estes são alguns dos inúmeros papéis que os filhos desempenham à revelia de si mesmos, por soberana decisão dos cônjuges, em franca disfuncionalidade. Os problemas do casal devem ser resolvidos pelo casal e não pelos filhos, que se ressentem tanto mais intensamente quanto mais imaturos são.
                São numerosas as situações em que os filhos, presenciando conflitos conjugais, buscam por eles mesmos intervir para resolver os problemas encontrados. É comum que o façam de acordo com a consciência disponível, experimentando as dificuldades inerentes à sua posição de filhos que, nessa qualidade, atuam tanto mais desengonçadamente quanto menores são e, na maioria das vezes, mais complicando do que ajudando no encaminhamento das questões em foco.
                Ante as brigas dos cônjuges na presença dos filhos estes oferecem tentativas de ajuda espontâneas, habitualmente imaturas e refletem o desejo de silenciar conflitos deflagrados em família. Porém, sem conseguirem discernir que aquelas demandas dizem respeito mais aos pais como casal do que aos pais no papel de pais.
                É de bom-tom que os filhos e cônjuges se mantenham a uma distância ecológica, para que as dificuldades do casal não fiquem agravadas pelas intervenções indébitas dos filhos, bem como os filhos não fiquem onerados por um encargo que não lhes pertence.
                Quando esses espaços se misturam, é comum surgirem seqüelas para os filhos, especialmente nos acasalamentos atormentados, difíceis, pelos exemplos negativos que testemunham e pelas suas participações inadequadas; é freqüente o fato de as conseqüências infelizes aparecerem mais tarde, quando os filhos se casam, repetindo os padrões disfuncionais que internalizaram modelando seus pais numa vivência recheada de cenas infelizes. Igualmente, surgem na vida dos filhos, agora adultos, culpas introjetadas indevidamente pelo que na conseguiram evitar entre seus pais, esquecidos de que não eram competências suas, mas sim de seus pais na função de casal.
                É comum os pais lamentarem as dores transferidas aos filhos, que poderiam ter sido evitadas caso os tivessem poupado de presenciar os conflitos conjugais negativos. Sentem ainda mais quando solicitaram ou aceitaram a participação dos filhos na vã expectativa de solucionarem conflitos que não lhes estavam afetos.
                É verdade que os filhos podem e devem observar os pais como cônjuges, todavia, não devem se imiscuir nos conflitos destes, cujo equacionamento é exclusivo da esfera conjugal.
                Também é compreensível que o casal possa e deva dar bom exemplo de como se lida com os desafios da vida a dois, no convívio social com os filhos, marcando-lhes a personalidade com o esforço para um bom desempenho matrimonial. Porém, o casal não deve se esquecer de salvaguardar os filhos de participarem de encaminhamentos que somente a eles, parceiros conjugais, pertencem, assim como jamais devem atribuir aos filhos as responsabilidades conjugais que somente a eles, esposos, competem.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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