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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CAUSAS DE INFIDELIDADE CONJUGAL I

                O assunto é complexo, pelas múltiplas facetas que carrega. Talvez por causa disso Jesus se mantivesse inicialmente silencioso, quando chamado a se pronunciar sobre a questão da mulher que fora flagrada em adultério, limitando-se a escrever e olhar para a terra, como a sinalizar que esta questão diz respeito a todos nós, que habitamos o Planeta.
                Há muitos motivos que causam a ruptura da fidelidade a dois. Muito raro encontrar uma só justificativa para o abandono da responsabilidade conjugal; ao contrário, os fatores que a explicam são inúmeros, colocados em rede de influenciação. É tão complexo identificá-lo quanto julgá-los.
                Um exercício de compreensão ajuda a lidar com o adultério, bem como a restabelecer o relacionamento, se for o caso. Entretanto, independentemente de separação, o perdão se impõe como necessidade de saúde física, emocional, mental e espiritual.
                Surgem fatores causais desta vida, como de outras encarnações.

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

CASAMENTO E DINHEIRO II

                Há casais que articulam bem o manejo do dinheiro, traduzindo estarem em dia, não só com os aspectos econômico-financeiros e racionais, mas também em suas interações nos campos afetivo/emocional e espiritual/moral.
                São aqueles parceiros que não gastam mais do que ganham; que alternam, periodicamente, o comando da gestão financeira doméstica como forma de aprendizado para ambos: um ajuda o outro na regulação da administração monetária quando existe tendência para o descontrole; não há depreciação de valor sobre quem disponha de menor remuneração, tampouco ufanismo por quem percebe um bom salário.
                O dinheiro é uma das manifestações da força de trabalho, todavia, nem todo trabalho traz um valor quantificado pecuniariamente. Existem afazeres que não têm custo, não podendo ser dimensionados em recursos amoedados dentro da convivência conjugal e familiar.
                Estão nessa posição aqueles que mais se demoram na educação dos filhos; os que dispensam longas atenções aos pais e sogros em estado de carências diversificadas; os que cuidam da infraestrutura da casa dando suporte ao outro, que assume mais a provisão monetária; os que atendem aos afazeres fora do lar, não profissionais, mas fundamentais para uma boa administração da prole; os que desenvolvem atividades religiosas e caritativas, ensejando proteção espiritual para todo o lar.
                Identificar semelhantes trabalhos não remunerados feitos pelo outro parceiro e qualificá-los como tão importantes ou mais do que aqueles geradores de proventos econômicos, é atitude de sabedoria conjugal propiciadora de se colocar o dinheiro, perante os esposos, na sua exata posição.
                                                                                                                                               

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

CASAMENTO E DINHEIRO I

                Não se consegue atribuir às moedas um valor puramente econômico, ainda que os nossos conteúdos de vida estejam nele embutidos, inevitavelmente.
                Desse modo, vamos identificar quais papéis a moeda pode estar desempenhando dentro da relação de conjugalidade, procurando perceber se o dinheiro está a serviço do crescimento, quando usado positivamente, ou se está dilapidando o relacionamento no uso desequilibrado dentro do casamento.
                A maioria dos casais não consegue avaliar quantas inadequações e negatividades, sutis ou ostensivas, vigem no trato com o dinheiro, como reflexos de deficiências variadas na convivência matrimonial.
                Às vezes, ele está representando o domínio de um sobre o outro, quando existe uma dependência financeira que fica a serviço do controle por parte daquele que detém o monopólio do metal. Atrás do controle neurótico escondem-se a insegurança afetiva, o ciúme, a mania de comandar, o medo de ser abandonado, etc.
                Noutras circunstâncias, ele significa a moeda de compra nas manifestações afetivas daquele que o usa, substituindo atenção, carinho e cuidados, numa tentativa de driblar a frieza ou a culpa pela sua ausência no relacionamento. Surgem presentes caros, talões de cheque, cartões de crédito disponíveis com limites astronômicos, dentre outros expedientes compensatórios.
                Em situações diversas, o dinheiro entra como tapa buraco, quando o parceiro dele se vale de forma compulsiva, para sanear carências emocionais em face da escassez na nutrição emocional doméstica. Passa a comprar tantas roupas, sapatos, bolsas, etc., que não consegue utilizá-los todos ao longo da vida, deixando-os mofar nos armários.
Nas ocorrências de desemprego demorado do esposo, pode significar baixa estima, se ele for muito orgulhoso ou se houver cobrança despropositada. Sentimentos similares podem suceder se ele tiver remuneração inferior à da esposa.
Em várias ocasiões, o dinheiro representa o status da vaidade que se procura manter a qualquer custo, ostentando uma máscara social de bem casados, disfarçando problemas e conflitos que o casal experimenta e esconde.
Quantas vezes os recursos amoedados definem quem vale mais, numa luta conjugal insana por quem obtém mais, financeiramente. Consumindo tempo e energia numa disputa de poder que encobre inseguranças recíprocas de almas  com baixo autoamor, os parceiros procuram sobrepor-se um ao outro, ignorando que o problema não é de ordem econômica, mas de autoafirmação.
Em alguns episódios, os aspectos morais são o foco do quanto os casais precisam de cuidados de cunho ético e moral para reorientarem comportamentos perdulários, esbanjadores, ou então de usura, ambição, cobiça, ou ainda de agiotagem e corrupção, reveladores de má educação, de cultura de princípios lassos e de valores imorais.
                Em alguns eventos, as cédulas falam, de forma dramática, de conteúdos muito complexos. Eles se apresentam na forma de compulsões graves, cleptomanias, estelionatos e outros, exigindo atendimento especializado, não só de natureza moral e espiritual, mas médico-terapêutico, por se tratar de espíritos que trazem comprometimentos graves, oriundos desta ou de outras vidas.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

domingo, 31 de janeiro de 2016

CASAMENTO

           Casamento, para Kardec, não era um ato formal, uma solenidade religiosa, nem uma bênção sacerdotal. Depreende-se da sua pergunta que ele entendia que casamento é um compromisso livremente assumido por dois espíritos, perante o altar de suas consciências.
A alguns pode parecer estranha a presença de adjetivo permanente no contexto, o que parece contrariar o exercício do livre-arbítrio. Mas a dúvida se desfaz quando se atenta para o diálogo mantido entre Kardec e os Espíritos, registrado no item 697: Está na lei da Natureza, ou somente na lei humana, a indissolubilidade absoluta do casamento? Ao que os Espíritos responderam: “É uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis”.
Pelo visto, depreende-se que a expressão permanente, nesse contexto, significa com perspectivas de permanência, isto é, que não se trata de uma união fortuita, baseada apenas num impulso passageiro, mas no amor e quando há realmente amor, o casamento não acaba. Se acaba, pelo menos um dos dois não experimentou realmente o amor, pois o verbo amar só tem pretérito na gramática.
À medida que o tempo passa, mais se evidencia o avanço do pensamento do Codificador em relação aos seus contemporâneos, pois o casamento tem perdido, ao longo dos anos, o caráter de ato sócia, religioso, passando a ser conceituado e respeitado como ato pessoal, íntimo. Atualmente, um casal se impõe perante a sociedade como legitimamente constituído, não mais por ter o seu compromisso matrimonial sido levado a efeito num templo, mas sim pelo ambiente de respeito e seriedade em que vivenciam a união.
Conforme se vê, casamento, na conceituação do Codificador e dos Espíritos que lhe responderam as perguntas, está muito acima de qualquer bênção de um clérigo ou de qualquer ato de um Juiz de Paz. Trata-se do estabelecimento de uma sociedade conjugal, levado a efeito pelo próprio casal, num plano eminentemente moral, ético. É compromisso sagrado, que leva um a ver no outro o próximo mais próximo.
Conforme se pode entender, o casamento não depende de nada exterior, de nenhuma ação alheia aos dois. As duas criaturas se casam, pois ninguém tem o poder de realizar o casamento de outrem. Na gramática, aprende-se que o verbo casar pode, entre outros regimes, ser transitivo, mas filosoficamente essa classificação é falsa. Poder-se-ia dizer que o verbo é recíproco, pelo fato de as pessoas se casarem, sem a interveniência de ninguém.
Nem Juiz de Paz promove o casamento. Essa autoridade apenas registra nos anais da sociedade, para os efeitos legais, o casamento que é diante dela declarado.
Se o Juiz de Paz não casa ninguém, muito menos o representante de uma religião pode fazê-lo, embora existam aqueles que se arrogam o direito de agir em nome de Deus, selando um compromisso matrimonial.
Com esse entendimento, conclui-se que o casal espírita apresenta-se diante da autoridade civil apenas para declarar o seu casamento, solicitando seja ele registrado, e não para receber qualquer tipo de legitimação. A legitimidade do casamento é dada pelo grau de responsabilidade e de amor que presidiu a formação do casal.
Quanto mais espiritualizado o casal, mais o ato transcende os limites da vida material, revestindo-se de características espirituais, o que leva naturalmente ao desejo de uma comunhão com o Alto, que poderá ser levada a efeito através de uma prece, proferida por um ou por ambos os nubentes, ou por alguém afetivamente ligado a eles, pois só o amor pode legitimar a condição de alguém na condição de suplicante de bênçãos sobre uma união matrimonial.

José Passini


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
imagem: google

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CASAIS COM FILHOS DE OUTRO CASAMENTO

                Mais complicado e complexo é o novo encaixe afetivo, se ambos os parceiros já constituíram família com filhos.
                É comum, em um novo relacionamento, estabelecer-se uma competição entre o homem que se aproximou para nova conjugação e os filhos da mulher que está sendo outra vez desposada. Um cabo de guerra se apresenta sutil ou explícito, onde, de um lado, um homem puxa a sua mulher; do outro, o filho requisita a mãe. A mulher-mãe fica no meio, estrangulada pelas demandas diferentes. Idêntico processo se dá quando é a mulher que se aproxima do pai separado com filhos.
                É importante considerar que são papéis distintos, com funções específicas que devem ser respeitadas, especialmente pelos adultos, que precisam ter maior consciência para evitar, assim, uma luta inglória, desnecessária e sem vencedores.
                Torna-se imprescindível compreender que os filhos, quase sempre, mesmo que inconscientemente, alimentam a possibilidade de reatamento da relação dos seus pais, ainda que de forma mágica. Este desejo será tanto maior quanto mais recente for a separação e menos maduros forem os espíritos dos filhos.
                Desse modo, quem se aproxima deve ter toda paciência para permitir que esse sentimento de luto se conclua naquela família na qual a separação tiver ocorrido recentemente, ao tempo em que aquele que chega se aplica em conquistar os futuros enteados.
                É de boa lembrança destacar que jamais o padrasto ou a madrasta deve usurpar o papel do pai ou da mãe existente, considerando que a separação foi conjugal e não parental. Isto favorecerá que o pai (ou a mãe) aceite com menos resistência a pessoa que ocupará o lugar do novo parceiro daquela de quem se separou, e não se sinta ameaçado de perder seus filhos para quem chega.
                Cabe, também, ao padrasto alimentar e proteger as relações sagradas já existentes no âmbito pais/filhos, entrando como aliado, e não intruso, a benefício de todos os membros, inclusive dele próprio, que se aproxima.
                Compete igualmente ao pai ou à mãe facilitar a aproximação do novo parceiro com os enteados, minimizando os conflitos que possam surgir, bem como evitando empurrar goela abaixo dos filhos o novo cônjuge, contornando, assim, as resistências previsíveis para a convivência que vai se estabelecendo e, ao mesmo tempo, fazendo a prevenção para que os filhos não minem a nova conjugalidade em curso.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

CASAMENTO E CULTURA DO DIÁLOGO I

                Dentre as dificuldades na dinâmica conjugal se destaca a carência de comunicação como uma das mais graves. Muito embora seja o ser humano o único animal capaz de articular a palavra, como símbolo mediador do entendimento, falta-lhe esta competência tão indispensável em qualquer interação social, mormente naquela de natureza íntima, como a relação de conjugalidade.
                A nossa ineficiência tem início quando somos crianças e não desenvolvemos a capacidade de expressão verbal; não somos estimulados. Decorre dessa matriz a nossa fragilidade em promovermos uma conversa rica e eficaz, propiciadora de crescimento. É na infância que aprendemos essa arte, que está muito além da técnica vocal, propriamente; so quando as emoções são consideradas pode-se propiciar um diálogo expressivamente maduro. Quando ficamos com buracos em nosso desenvolvimento emocional, torna-se impossível ter competência dialogal na relação com qualquer interlocutor.
                A fala não traz somente som, mas nos traduz as entranhas, revelando nossos conteúdos de vida, entre os quais emoção, razão, sensação, intuição, moral e outros, que são exteriorizados por meio do campo energético que os caracterizam. Nossa voz é tão sui generis eu podemos compará-la a um filme de nós mesmos, revelando quem somos.
                Somos escultores da nossa palavra e edificamos, quando casados, uma obra de arte assinada a dois, que deve ser esculpida com maestria.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

PAPÉIS DENTRO DO CASAMENTO III

                Quando não houver encaixes harmoniosos, será problemático, pois conflitos emergirão, desde os mais simples até os mais graves, chegando, em inúmeros casos, a promover a ruptura da interação afetiva.
                Desta feita, pode-se observar variados desencontros tendo em vista não existirem, numa certa circunstância, ressonâncias entre o que um espera do outro, e como o outro corresponde. Daí tem-se:
                - esposa, naquele dia, como filha, busca a figura parental no esposo, e ele se apresenta como homem ansiando união sexual. Caso ela ceda ao sexo, não se sentirá bem, pois é como se estivesse estabelecendo uma relação incestuosa, simbolicamente, com o pai.
                - esposo, em certo momento, como filho, procura o aconchego maternal na esposa, mas esta responde emocionalmente como filha. Instala-se o atrito pela frustração dele em não encontrar o acolhimento que esperava da parceira-mãe.
                Assim, podem se repetir em vários momentos da vida do casal conflitos por falta de entrosamento na dança do casamento, quando desempenham papéis não alinhados como: pai-mulher, homem-mãe, filho-mulher, filho-filha, etc.
                Porém, é lamentável e mais doloroso quando, ao longo da vida, em vez de uma situação eventual, o casal mantém um padrão fixo de convivência numa das disfuncionalidades mencionadas. O conflito e o desgaste progressivo do relacionamento serão inevitáveis.
                Em resumo, o par deve observar os dois pontos fundamentais para constituir uma relação conjugal, conforme preconiza Allan Kardec: a lei divina material, a união sexual, e a lei divina moral, o amor.
                Sem prejuízo das funções essenciais, o casal pode e deve apresentar funções complementares, sincrônica e sinergicamente, quais sejam: pai/filha, filho/mãe, amigo/amiga, companheiro/companheira, etc.
                É necessário haver autopercepção e conhecimento mútuo para a identificação de como anda a interação afetiva com cada parceiro no cotidiano existencial.
                É saudável que ambos criem o hábito de verbalizar claramente como estão emocionalmente seus desejos e expectativas, carências e outros conteúdos emergentes. Isto para que cada um possa ajustar-se criativamente junto ao outro, assumindo o papel que lhe cabe para estabelecer um bom encaixe em cada circunstância de vida – e na vida como um todo – casando-se dia após dia, conforme propõe Emmanuel.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

PAPÉIS DENTRO DO CASAMENTO II

                De outro jeito mais profundo, o casal amoroso pode seguir um padrão duplo de associação homem/mulher e pai/filha; aqui, além da comunhão sexual, o esposo desenvolve as funções da figura paterna quando a esposa apresenta demandas de filha. Situação similar se dá no padrão homem/mulher e filho/mãe.
                Ainda de modo mais amplo, os consortes podem apresentar triplas transações emocionais: homem/mulher; pai/filho e filho/mãe. Neste tipo de interação, além da sexualidade presente, o esposo assume as funções de um pai junto à esposa, quando demonstra conteúdos da filha que carrega internamente;. Bem como o parceiro pode encontrar apoio para as carências do filho que traz dentro de si, perante a esposa que se revela maternal, acolhendo-o.
                Nos casais de maior envergadura, a dança pode apresentar transações mais complexas e abrangentes: homem/mulher, pai/filha, filho/mãe, amigo/amiga, etc. estes consortes exibem uma coreografia amorosa magnífica, agregando muito papéis em sua interação afetiva, traduzindo boa flexibilidade agenciadora de enriquecimento conjugal.
                Mesmo que estejam presentes vários papéis, é importante frisar que o casal, habitualmente, estará disfuncional quando a função de conjugalidade (homem/mulher) de forma duradoura for excluída da relação amorosa sem motivo justo.
                É verdade que há situações específicas em que o casal, a despeito do amor recíproco, se vê impedido, ou prescinde da união sexual propriamente dita: são casais cuja enfermidade alcançou um dos membros da relação, inviabilizando a cópula; são pessoas em idade avançada, em que a permuta da energia sexual se faz estritamente de forma psicoemocional; é um parceiro com doenças sexualmente transmissíveis e incuráveis, o que motiva o casal a optar pela abstinência sexual numa família já constituída; é um traumatismo com lesão neurológica, comprometendo a ereção; são espíritos de escol em tarefas especializadas na dita. Enfim, são ocorrências de exceção que justificam uma vida matrimonial com comunhão sexual exclusivamente psíquica.
                É importante dizer que, à luz da reencarnação, um homem pode ser um espírito com muitas conquistas na feminilidade e, além de esposo, ser capaz de desempenhar papéis feminis perante a esposa, acolhendo-a, por exemplo, de forma maternal nas suas demandas como uma filha ansiando pela mãe.
                Igualmente, pode ser dito a uma mulher cujo espírito traga grande bagagem viril assegurando-lhe competência para, além de esposa, desempenhar papéis masculinos junto ao esposo, quando essa necessidade se apresentar.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

terça-feira, 3 de novembro de 2015

PAPÉIS DENTRO DO CASAMENTO I

                O casamento exige competências variadas para que se estabeleça e se mantenha. Para tanto, é importante perceber a existência de uma dança entre os parceiros; quanto mais ampla em sua flexibilidade, maior será a possibilidade de sucesso e felicidade conjugal.
                Ao lado da lei de amor, há uma função também fundamental que caracteriza o matrimônio – a de natureza sexual – configurando, desse modo, uma união conjugal.
                Contudo, podem coexistir outros papéis, secundariamente, dentro da dinâmica do acasalamento, e que precisam ser considerados e avaliados, a fim de se perceber o quanto a interação está em harmonia e cresce consolidando-se.
                Trazendo cada um a sua história biográfica e espiritual, deve-se considerar a presença de alguns movimentos que falam de várias necessidades passadas e atuais, e que se manifestam nas nossas relações, inclusive dentro do casamento, por meio de papéis como, no parceiro, o de pai, filho, amigo, companheiro, etc, e, do mesmo modo, na parceira, o de mãe, filha, amiga, companheira, etc.
                Assim, é possível detectar vários encaixes funcionais entre a dupla, quando os papéis não colidem entre si e respeitam a conjugalidade, não a excluindo.
                Desse modo, pode-se ter, por exemplo, dentro da amorosidade entre um esposo e uma esposa, além da posição básica conjugal homem/mulher, o desempenho de outros papéis em perfeita harmonia nas interações: pai/filha, filho/mãe, amigo/amiga, etc.
                Portanto, pode o esposo adoecer e, alquebrado como uma criança, buscar a esposa que, prontamente, o atende como uma mãe; pode a mulher ter um achaque emocional no trabalho, e chegar ao lar ansiando pelo pai protetor, e o esposo a acolhe nessa posição, como um pai o faria.
                Muitas vezes, o esposo carente vai em direção à esposa procurando uma amiga confidente, e ela lhe corresponde; doutra feita, é a esposa querendo ouvir um amigo conselheiro, telefona para o esposo que, receptivo, a atende como um amigo.
                Em algumas circunstâncias, o cônjuge encontra, no seu par, o profissional para uma permuta de idéias, e trocam experiências fecundas e enriquecedoras como companheiros profissionais.
                Além desses episódios circunstanciais, o casal pode manter um padrão fixo de funcionamento ao longo de toda uma vida com posições bem definidas, em regime adequado de suplementação.
                Assim sendo, há parceiros que assumem a vida inteira a atitude afetiva no encaixe de homem/mulher somente, ou seja, experimentam apenas a interação relativa à união sexual, embasados pelo vínculo amoroso. É um bailado funcional, porém estreito.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CASAMENTO E ESTILO DE COMUNICAÇÃO II

                Sucede ao casal complementar, caso não se ajuste em harmonia na dinâmica de interação comunicacional. Nasce uma disfuncionalidade, configurando uma doença no acasalamento chamada de rigidez. Nessa posição, os companheiros da afetividade se fixam em suas verdades, entrincherando-se em seus pontos de vistas. Aqui não há espaço para a flexibilidade, pois sobra orgulho.
                Nesse perfil distorcido de relacionamento, um quer afirmar seu jeito sobre o outro, advogando a área em que transita com mais facilidade, em detrimento de outra, cuja habilidade pertence ao companheiro de caminhada, como se se tratasse de competências excludentes, de verdades inconciliáveis.
                Por isso, de acordo com as características dos parceiros, vemos o litígio entre eles, pela dualidade emoção e razão; objetividade e subjetividade; força e ternura; intuição e análise; digressão e praticidade, dentre outros. Frequentemente, os traços antagônicos presentes no modo de ser do casal se manifestam como num duelo, em disputa desengonçada dentro do relacionamento: um loquaz e o outro lacônico; um observador e o outro fazedor; um visual e o outro sinestésico; um visionário e o outro pragmático; um apressado e o outro, lento...
                Também as suas diferentes negatividades se prestam para acusações despropositadas, sujeitas que ficam a uma análise sob critérios de pessoas que funcionam bem distintas. Decorre, então, entre eles, a defesa estabelecida por meio do ataque.
                A rigidez de personalidade faz com que cada um se cristalize na sua verdade, no seu ponto de vista, gastando muito tempo e energia em tentar convencer o outro, bem como em desqualificar a posição diferente da sua.
                Em algumas situações, essa atitude é tomada como birra, teimosia, ignorância em face da resistência em mudar de posição; às vezes, é significada como atitude de desamor ou de agressão por parte daquele que não consegue entender o porquê de o parceiro se manter fixo na sua posição, e assim reciprocamente.
                Desse modo, todos os casais são chamados a exercer a arte da boa comunicação mediante o manejo de seus conteúdos de semelhanças e diferenças coexistentes em todas as relações afetivas; seja no casal similar, seja no casal complementar, valendo-se da humildade como parte da competência amorosa, única  capaz de promover uma comunicação conjugal em nível de excelência.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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domingo, 18 de outubro de 2015

CASAMENTO E ESTILO DE COMUNICAÇÃO I

                O que define um bom acasalamento é a arte amorosa de articular bem as diferenças e as semelhanças, no contexto da cotidianidade.
                Portanto, podemos ter patologias da conjugalidade muito bem diagnosticadas, devido à forma como se desenha a transação afetiva.
                Quando o casal similar não consegue manter uma boa relação de interação, surge, então, a disfuncionalidade. Esta doença se configura pela disputa interminável, na qual cada parceiro busca, incessantemente, ultrapassar o outro, vencê-lo na competição conjugal. Estes casais fazem dos seus perfis parecidos, fonte de embates, habitualmente ansiando a afirmação de um sobre o outro, revelando dificuldades psicológicas ou morais.
                Assim, brigam acerca das competências e habilidades, disputando quem tem maior relevo e, igualmente, nas negatividades comuns à dupla, buscando escamotear o lado sombra, a fim de celebrar vitória sobre o outro. São comuns as expressões: sou menos egoísta, sou menos obeso, sou menos colérico, sou menos compulsivo, etc. Enfim, é como diz o brocardo popular: o sujo falando do mal lavado.
                Como causa desse modelo de comportamento está o orgulho sustentando a disputa. Não é verdade que não se amam. Amam-se, todavia, há uma ampla contaminação de orgulho que, com o tempo, ameaça destruir a relação afetiva, sufocando o amor.
                Quando, ao contrário, o casal similar articula adequadamente as suas semelhanças pela vias da humildade, desponta um movimento muito saudável na interação, definido por um apoio recíproco, altamente desejável para o crescimento de cada um dos membros do consórcio, e de excelentes resultados para a união do casal.
                Quando o casal complementar, humildemente, se decide a fazer das diferenças um espaço de respeito e troca de suas verdades, cria-se um enriquecimento na aprendizagem, ampliando o patrimônio intelecto-moral de cada um dos parceiros. De igual maneira, surge como conseqüência a qualificação da relação de acasalamento.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

NAMORO NO CASAMENTO

                É natural que o casamento suceda ao namoro, como evolução espontânea nas etapas de uma relação afetiva. O que é comum é que depois do casamento não haja mais namoro.
                Não é apenas uma questão de palavras. Efetivamente, depois das núpcias, o namoro declina vertiginosamente.
                Não deveríamos deixar de namorar para casar, e sim, levar o namoro para o casamento, considerando que só o enAMORamento é capaz de vitalizar a conjugalidade no avançar do tempo.
                O cotidiano, a rotina, os problemas, as dificuldades, etc, acabam por ir engessando o casamento na armadilha da mesmice, da relação burocrática e, depois, burrocrática, porque conduz o relacionamento para uma sequência de negatividades: desajustes, tédio, indiferença e morte.
                Se for verdade que o fogo devorador da paixão e motivador da aproximação da dupla afetiva cede com o passar do tempo, não menos verdadeiro é que a apatia se  constitui em um verme dilacerador dos sentimentos.
                Todo relacionamento deveria assegurar uma dose de apaixonamento muito saudável e necessária por parte de ambos os cônjuges, evitando a ameaça da insipidez que o tempo inexorável pode trazer com o avançar da idade, se houver descuido.
                Por isso, é justo se recomendar que o casal inclua o namorar no âmbito do casamento, trazendo um toque do romantismo que caracteriza a frase pré-conjugal, a fim de incrementar o matrimônio. Portanto, namorar, assegurando atitudes e palavras de amor pelo outro, sem que haja outra razão senão a da gratulação, pelo simples prazer de amar.
                Esse comportamento gera uma singular nutrição, que deixa os parceiros acesos, vivos, mantendo um tônus relacional cuja energia sustenta o cotidiano da vida sem cair no enfado, além de coroar de plenificação a interação conjugal.
                Namorar no casamento é trazer os atributos da fase de encantamento para temperar o ambiente dasafiador da convivência íntima de duas pessoas que comparecem com as suas diferenças, manifestas por meio de suas histórias de vida, suas manias, seus limites, suas virtudes. Para entretecer o entendimento das demandas do dia a dia, nem sempre fáceis e frequentemente encontradas num ambiente de aridez ou monotonia, é de ao lembrança ressaltar ao casal a necessidade do élan do romance. Isto a fim de vitalizar, suavizar e arejar a vida conjugal, viabilizando o amadurecimento e a consolidação da relação afetiva.
                Se o convite de Emmanuel ao par conjugal destaca que acima da conjunção corpórea, fácil de se concretizar, é imperioso que a dupla se case em espírito dia por dia, de idêntica maneira é acertado afirmar que só o amor manifesto no contínuo enamoramento consegue sustentar e perenizar o acasalamento de alma para alma.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sábado, 29 de agosto de 2015

CASAMENTO E RITO DE PASSAGEM II

                É clara a necessidade de seguir-se uma sequência na evolução do envolvimento emocional, nomeando-se cada fase, de forma que o casal esteja consciente sobre o que significa aquele encaixe amoroso e o que ele representa como responsabilidade afetiva recíproca.
                Quando se faz o enquadramento adequado da dinâmica relacional, fica evidente a importância do rito psicológico para cada um caracterizar aquele momento de envolvimento sentimental. Tal ocorre, por exemplo, quando se avança dentro do namoro para a aliança de compromisso ou para o noivado, devendo-se solenizar a mudança de cada fase.
                Posteriormente, o casal avançará para a etapa do casamento que, por meio de outro rito de passagem, lhe facultará melhor apropriação do relacionamento, assumindo com profundo respeito a conjugalidade estabelecida.
                Desse modo, evitam-se desencontros quanto ao encaminhamento da relação diante da presença natural dos conflitos que surgem no cotidiano da dinâmica emocional. Se não estiver explícito qual o significado da relação, o casal poderá surpreender-se com a impropriedade em seu trato, pelas atitudes de indiferença, fugas, desconsiderações, deserções, abandonos capazes de acarretar lesões afetivas imprevisíveis.
                Por tudo isso, quando o casal assume solenemente o casamento, favorecido por um rito social, estabelece-se no psiquismo um compromisso socioafetivo e também espiritual, - mesmo sem casamento religiosos formal, - que sugere maior cuidado com o patrimônio afetivo em construção, evitando, inclusive, a banalização de separações irresponsáveis.
                Em resumo, para os espiritismo não cabe casamento religioso, tampouco mediação de figuras de autoridades religiosas em culto exterior.
                O matrimônio, segundo o espiritismo, segue o preceito do “dar a César o que é de César”, atendendo às necessidades civis, sociopsicológicas, e incluindo, assim, o rito de passagem. E o “dar a Deus o que é de Deus” significando que, do ponto de vista divino, o casamento resulta da união dos sexos e da união amorosa.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CASAMENTO E RITO DE PASSAGEM I

                Se um casamento sob o olhar espírita é destituído de culto externo religioso, isto não implica que os nubentes não façam a celebração social segundo o estilo dos noivos naquilo que psicologicamente se pode denominar de rito de passagem.
                Os ritos são adotados, nas diversas circunstâncias da vida, a fim de que, em nível psicológico, se consagre algum evento. Por isso, observamos os ritos presentes nos aniversários, no acesso às universidades, nas formaturas, na posse de cargos profissionais, etc, atendendo às demandas emocionais, claramente necessárias na estruturação psíquica do espírito, em trânsito na sua encarnação.
                Um rito de passagem que pode prescindir totalmente de uma formalidade religiosa traduz a demarcação de nova etapa de vida social, a exemplo do encontro de Jesus com João Batista. Tem grande significação psicológica para ajudar um casal a assumir o novo compromisso afetivo valendo-se da presença de amigos e parentes, por exemplo, em comemoração social para esse fim.
                Há em nossa cultura vigente uma relação muito confusa quanto aos compromissos emocionais estabelecidos, a ponto de os participantes dos relacionamentos terem dificuldade em definir claramente que tipo de vinculação está sendo vivenciada. Parece existir um medo crescente de assumir responsabilidades à medida que o relacionamento vai avançando, e é comum não haver consenso quando se pergunta ao par: O que é a relação de vocês? Como vocês chamam a esse tipo de relacionamento?
                Na atualidade, com frequência, existe certa dificuldade em nominar o tipo de relação, sobretudo quando ela está mudando de nível. Por isso, habitualmente, o casal não consegue ter consenso quando se lhe pergunta sobre a dinâmica que eles estão vivendo, sendo comum o desencontro na caracterização do relacionamento, mormente quando estão em crise, ou se separando. Surgem, então, as opiniões não coincidentes, variando entre: casado, ficando, rolo, namorando, coabitando, experimentando, união estável, convivendo, juntos, etc.
                É evidente que falta um varal onde se coloquem gradualmente os compromissos, facilitando melhor ao casal situar a sua relação, dispondo, assim, de maior clareza sobre as etapas em que se desenvolve o aprofundamento dos laços afetivos, e permitindo, desse modo, a assunção de responsabilidades proporcionais e em caráter de reciprocidade.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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domingo, 23 de agosto de 2015

O CULTIVO DO AMOR

(J. Herculano Pires)
A lei civil do casamento, “tem por fim regular as relações sociais e os interesses familiares, segundo as exigências da civilização”. E a seguir vem esta observação, do Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Mas nada, absolutamente, impede que ela seja um corolário da lei de Deus”. E a lei de Deus, no caso, é a lei do amor. Quer dizer que o casamento civil deve efetuar-se por amor e não por conveniência de qualquer espécie. A falta de conjugação dessas duas leis, a humana e a divina, é a causa principal dos fracassos no casamento.
Entre os interesses que podem influir na determinação do casamento figuram também a vaidade e a atração sexual, ambos elementos estranhos ao amor e por isso mesmo de natureza efêmera. Em casos dessa natureza, como em vários outros, a separação se torna inevitável e o divorcio aparece então como a lei civil que serve de remédio a separação dos casais, permitindo aos pares frustrados a reconstrução do lar em bases legítimas com outros cônjuges. “Um dia se perguntará – diz ainda o trecho citado – se uma cadeia indissolúvel não aumentará o número das uniões irregulares”.
Mas quando o lar se formou com base no amor as decepções que podem surgir tem o remédio no próprio amor. Quem ama sabe tolerar e perdoar. As dificuldades serão superadas dia a dia pelo cultivo do amor. Basta que cada cônjuge se lembre de que as frustrações são recíprocas. O mesmo acontece com o artista na realização de sua obra. O ideal esta sempre acima do real. Mas o verdadeiro artista sabe disso e procura superar a sua frustração pelo esforço constante de aperfeiçoamento. O cultivo do amor é como o cultivo da arte. E quem romper um casamento de amor, por simples intolerância, não encontrará mais remédio para a sua solidão.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
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sábado, 22 de agosto de 2015

CASAR-SE

(Emmanuel)
Não basta casar-se. Imperioso saber para que.
Dirás provavelmente que a resposta e óbvia, que as criaturas abraçam o matrimônio por amor.
O amor, porém, reclama cultivo. E a felicidade na comunhão afetiva não é prato feito e sim construção do dia-a-dia.
As leis humanas casam as pessoas para que as pessoas se unam segundo as Leis Divinas.
Se desposaste alguém que te constituía o mais belo dos sonhos e se encontras nesse alguém o fracasso do ideal que acalentaste, é chegado o tempo de trabalhares mais intensivamente na edificação dos planos que ideaste de inicio.
Ergueste o lar por amor e tão só pelo amor conseguirás conservá-lo.
Não será exigindo tiranicamente isso ou aquilo de quem te compartilha o teto e a existência que te desincumbirás dos compromissos a que te empenhaste.
Unicamente doando a ti mesmo em apoio da esposa ou do esposo é que assegurarás a estabilidade da união em que investiste os melhores sentimentos.
Se sabes que a tolerância e a bondade resolvem os problemas em pauta, a ti cabe o primeiro passo a fim de patenteá-las na vivencia comum, garantindo a harmonia doméstica.
Inegavelmente não se te nega o direito de adiar realizações ou dilatar o prazo destinado ao resgate de certos débitos, de vez que ninguém pode aceitar a criminalidade em nome do amor. Entretanto, nos dias difíceis do lar recorda que o divórcio é justo, mas na condição de medida articulada em última instancia. E nem te esqueças de que casar-se é tarefa para todos os dias, porquanto somente da comunhão espiritual gradativa e profunda é que surgirá a integração dos cônjuges na vida permutada, de coração para coração, na qual o casamento se lança sempre para o Mais Alto, em plenitude de amor eterno.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
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terça-feira, 4 de agosto de 2015

CASAMENTO, ESPIRITISMO E RITO RELIGIOSO

                O espiritismo é claramente a favor do casamento e da família, sem pretender uma indissolubilidade conjugal, por ser esta absolutamente fora das Leis Naturais da Vida.
                Casamento não é um ato marcado por assinatura de papéis, muito embora as leis civis de um país assim o possam requerer, como formalidade para atender a necessidades legais, dando-se “a César o que é de César”.
                O matrimônio se alicerça num processo de união de alma para alma, exigindo do par um contrato de coração a coração, que se vai afirmando no tempo. Compreensível, portanto, considerar o casamento não somente como o ato de casar-se, mas sim como um hábito de caminhar no acasalamento.
                É natural consignar-se a importância do rito de passagem, o qual funciona como uma necessidade psicológica perfeitamente aceitável. Isto não significa ritual religiosos, muitos embora possa estar associado à cultura social, de acordo com as crenças dos nubentes.
                Na perspectiva espírita não há rito religioso, não comportando, pois, atitudes que lembrem celebrações litúrgicas oficiadas por autoridades eclesiásticas, dentro de uma hierarquia sacerdotal que é de todo inexistente no espiritismo.
                Para a Doutrina Espírita, o casamento deve observar a lei divina, ou seja, se estabelece pela lei de amor, aliada à união sexual em nível material, conforme propõe Allan Kardec. A dimensão religiosa do espiritismo não contempla culto externo como manifestação de crença, dispensando, desse modo, todo e qualquer ritualismo, simbolismos religiosos e sacramentos, não obstante respeite profundamente as religiões que se valem desses expedientes como parte de sua estrutura de funcionamento.
                Também é justo lembrar que são os noivos que estão se consorciando, e não seus pais. Estes, com freqüência, fazem chantagens emocionais perante os filhos, a fim de imprimir, nas celebrações, seus modos, gostos e crenças, às vezes em completo desrespeito ao fator individualidade. Em muitas ocorrências chegam ao despropósito de afirmar que, caso não se concretize o matrimônio religiosos dentro das determinações que tentam impor aos filhos, não reconhecerão o enlace conjugal, ou não se farão presentes às bodas.
                É perfeitamente adequado que os nubentes orem na intimidade, a sós, ou na companhia daqueles que compartilham a experiência, rogando diretamente a Deus as bênçãos com que se fortalecerão para arcar com a responsabilidade de direcionar o navio do casament6o pelo mar da vida.
                Para a doutrina espírita, o que, efetivamente, torna sagrado um matrimônio não é a intermediação de alguém a quem se atribui uma autoridade religiosa, nem sempre em dia com a Divindade, mas sim, a qualidade divina da interação das almas que se entrelaçam nas juras de amor.
                O que diviniza um casamento não são as festividades das bodas de um dia, fáceis de concretizar, porém o quanto de amor se acrescenta a cada dia na conjugação afetiva, por meio do cuidado, do respeito, da fidelidade, da compreensão, do devotamento, da ternura, do perdão.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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domingo, 19 de julho de 2015

PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO IV

                A vida sempre devolve aos espíritos aquilo que ficou em suspenso, precisando ser solucionado, aprendido.
                Faz-se imprescindível, e com urgência, usar a autoanálise pela reflexão, meditando continuamente para identificar essas encrencas. Trazê-las à luz do consciente, a fim de dissolvê-las, integrando novos e inadiáveis aprendizados para nossa evolução intelecto-moral.
                Este não é um trabalho simples e de rápida execução. Ao contrário, requer o esforço continuado de um garimpeiro para identificar as pedras preciosas da boa convivência, separando-as do cascalho das negatividades arroladas ao longo dos anos de convivência com pais e outras pessoas que foram significativas na formação de nossa personalidade.
                Perceber as pedras preciosas é tomar consciência das virtudes como um legado, e que agora são incorporadas com reverência e gratidão.
                Refazer mazelas destrutivas herdadas dos nossos pais ao é renegá-los ou desconsiderá-los, transformando as dores em dons, com o aprendizado eu se poderá haurir das experiências, agora transformadas em lições.
                Dedicação, tato, paciência são recursos indispensáveis nessa tarefa da própria reeducação continuada.
                Os filhos adultos enxergarão, nos parceiros atuais, espelhos eu refletirão com transparência as suas relações ancestrais, facultando estabelecer, ao mesmo tempo, uma nova compreensão da sua história familiar e a reconciliação com seus pais e com outras figuras psicologicamente representativas da sua infância, bem como a possibilidade de estarem mais livres e maduros para viabilizar relações amorosas mais fecundas no presente.
                O evangelho sob a óptica do espiritismo é matéria-prima de excelência para apoiar os futuros cônjuges na elaboração das sombras de ontem, a fim de transmutá-las em luz no hoje, facultando conquistas de competências virtuosas que se revelarão o casamento, na nova família e na vida em geral.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sábado, 18 de julho de 2015

PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO III

                Os filhos não são afetados apenas pelo comportamento dos pais como cônjuges, mas também pelas relações pais/filhos. Ou seja, todas as pendências, vazios, abandonos, castrações, agressões e outros conflitos que resultaram da convivência entre pais e filhos pequenos reaparecem nos filhos adultos nas interações amorosas em geral, e, especialmente, nas de natureza conjugal.
                Precisando atualizar as suas relações com seus pais, os filhos transferem essas necessidades na direção de outras pessoas, dentre elas as que ocupam o lugar de namoradas ou esposas, por exemplo.
                Não é por outra razão que buscam pessoas muito parecidas com o pai e/ou a mãe, na ânsia inconsciente de equacionar problemas não resolvidos em sua história de vida.
                Justifica-se, desse modo, o faro com que identificam, mediante micromensagens, pessoas com as quais passam a se relacionar, sem se darem conta de que são escolhas inconscientes, automáticas, estabelecidas por comandos psicológicos estruturados ao longo de sua história de vida, implicadas com seus genitores.

(continua)

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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sexta-feira, 17 de julho de 2015

PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO II

                Se as figuras parentais foram exemplares nos papéis de cônjuges, a repercussão nos filhos será muito positiva, favorecendo a reedição de comportamentos adequados e virtuosos.
                Os filhos reproduzem com maior ou menor fidelidade e competência a forma apropriada como os pais se tratavam, cuidavam-se, assistiam-se, revelando o que viram quando eram crianças. Como atores, reeditam exatamente o texto que aprenderam, seguindo o roteiro da peça amorosa escrita e encenada por seus pais.
                Todavia, se os filhos presenciaram vivências destrutivas e atitudes infelizes dos seus pais, na posição de consortes, será inevitável que tragam ,inconscientemente, scripts com tendência para repetir, nas relações afetivas de namoro ou de acasalamento, as cenas que assistiram. Reproduzem, assim, comportamentos muito similares àqueles que seus pais tiveram entre si, ou então assumem atitudes outras, radicalmente diferentes, mas raramente equilibradas, em oposição inconsciente ao que experimentaram no lar.
                Escolhemos pessoas que nos suscitam reproduzir o tipo de transação emocional que frequentemente vimos em nossa família de origem. Talvez como uma tentativa de limpar os conteúdos conflituosos que carregamos de nossa história de vida e que não conseguimos elaborar ou resolver.
                É por isso que vemos as cenas familiares se reescreverem, em reprise indesejada, trazendo os mesmos conteúdos, com variações a depender de cada espírito encarnado.
                O eco conjugal dos pais alcança os filhos até em sua idade adulta, exigindo destes apurada atenção para identificá-los e tratá-los, a fim de que tais ruídos não infelicitem a sinfonia da nova conjugalidade.

(continua)
                                                                                                                                                     

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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