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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS, SE NÃO NASCER DE NOVO

                Observamos que durante nossa existência atual, imergidos ainda nas paixões materiais, nossos objetivos imediatos são aqueles que dizem respeito à família, às amizades, às relações sociais, ao trabalho e tantos outros que fazem parte de nossas aspirações existenciais atuais e materiais. Quando tudo concorre ao nosso bem-estar e conquistas isso nos garante satisfação física e emocional momentânea.
                Embora muitos de nós mesmos, possuindo esclarecimento doutrinário, muitas vezes já resolvidos materialmente e tendo garantido conquistas que nos deixam satisfeitos, devido nossa posição na vida atual, encontramo-nos, muitas vezes, mortos, pelo desânimo e incapacidade de realizar algo que não é material e sim moral.
                Quantos de nós ainda estamos mortos, pelo orgulho do perdão não realizado, pelo remorso do tempo perdido, pela preguiça da prática no bem por considerarmos que já estamos com uma vida estabilizada e nada mais precisamos realizar! Quando sabemos que a verdadeira vida não é a material e sim a espiritual, o que remete a prática de ações benéficas e transformações morais que devemos realizar... reconhece-se o verdadeiro espírita pelos esforços que faz para mudar suas más inclinações.
                É imprescindível que mesmo com as dificuldades que temos, os problemas que sempre atormentam a alma, os desânimos que nos acometem, tenhamos coragem para nascer de novo.
                Nascer de novo para o perdão, nascer de novo para vencer nossos vícios, nascer de novo para buscar a mudança íntima que deve ser realizada pouco à pouco, e assim sermos exemplos para aqueles que estão a nossa volta.
                É nesse sentido que abordamos o tema ora estudado, onde observamos que estamos tendo a dádiva da presente reencarnação, para buscarmos nosso progresso e realizarmos ações que nos promovam o progresso espiritual.
                Na pergunta 167 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: Qual é o objetivo da reencarnação? Responde o Espírito da Verdade: expiação, aprimoramento progressivo da humanidade, sem isso, onde estaria a justiça?
                Deus que é soberanamente justo e bom dá-nos agora a oportunidade de realizar, aprimorar e corrigir nossas mazelas e buscar o progresso.
                Pois como na frase de Kardec: Nascer, viver, morrer, renascer de novo e progredir continuamente, tal é a lei, temos o devido esclarecimento e a base para que sigamos convictos de nossa posição e missão junto a Doutrina Espírita e nossa transformação moral.
                Assim, sigamos confiantes ante aos obstáculos que surgirão, com a certeza que estamos nascendo de novo a cada amanhecer, para realizar as obras que nos são confiadas.

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – set/2015
imagem: google

sábado, 17 de setembro de 2016

ENGANOS E EQUÍVOCOS

                “Crescerás horizontalmente, conquistarás o poder e a fama, reverenciar-te-ão a presença física na terra, mas, se não trouxeres contigo os valores do bem, ombrearás com os infelizes em marcha imprevidente para as ruínas do desencanto”.  (Emmanuel, no livro “Fonte Viva”, psicografia Francisco Cândido Xavier)
                Em todos os setores do mundo, nunca se observou tantas conquistas tecnológicas e avanços materiais como nos dias presentes, e, em todos os níveis humanos, nunca se identificou tantas dores e sofrimentos, aflições e angústias como nos momentos atuais.
                Cresce o homem em intelectualidade ao passo que distancia-se da moralidade. A vida na Terra torna-se mais confortável e atrativa e os dramas sociais e psicológicos prosperam assustadoramente.
                As criaturas, observando as condutas que imprimem, parecem querer viver de forma onde para se conseguir a realização dos sonhos e desejos, tudo pode, tudo vale, mesmo que o preço pago para isso seja alto demais.
                Os valores morais e espirituais seguem esquecidos ou relegados a planos secundários, enquanto os valores materiais, sensuais e transitórios são buscados com sofreguidão e ansiedade.
                Se estamos no mundo é obvio que não podemos deixar de viver nele e contar com os recursos de toda natureza que ele nos oferece, o perigo e o equívoco estão em se dedicar mais atenções ao que é efêmero, ilusório e passageiro do que ao que é definitivo e duradouro.
                O resultado aí está estampado; tragédias, dramas, complicações familiares, acidentes e outros que formam o cortejo indesejável, mas real, da vida que levamos.
                O consumo tabagista, com as consequências nefastas que trás, anda a níveis extraordinários, onde proporcionamos lucros às empresas fabricantes de cigarros e poluímos o nosso corpo com a sujeira dos malefícios que arruínam a nossa saúde.
                O álcool, esse veneno livre, tem imensa adesão e é aplaudido por quase a totalidade humana, deixando à retaguarda um rastro de violência e destruição, muitas vezes irreversível. E o que é ainda pior e triste, sendo consumido, cada vez mais, por crianças e jovens desavisados, principalmente diante da omissão dos próprios pais e responsáveis.
                Os tóxicos mais pesados, que movimentam clandestinamente milhões de reais, ajudam, com forte poder, a destruir a jovem geração do presente, esta que deverá forjar o caráter, o amadurecimento e as experiências daqueles que terão, em dias futuros, os destinos sociais nas mãos. Por quem e como seremos dirigidos amanhã?
                A sexualidade tomando caminhos bestiais, embrutecidos e animalizados, onde se substitui o sentimento das uniões respeitosas e dignas entre as pessoas, tornando-se uma ilha de prazer e loucuras sem freios, limites e medidas. Uniões e desuniões se processam num verdadeiro bailado de indiferenças para com os nobres valores humanos.
                E as famílias decorrentes desses descasos e sentimentos brutalizados vão se esfacelando, produzindo com isso criaturas desequilibradas, omissas e perigosas que chegando ao meio social esparramam a ruína e a dor.
                Será que essa é a proposta humana? Viver na Terra como se tudo possa durar tão pouco? Alguns anos, décadas? É, então, tempo de perguntar: De onde viemos, o que fazemos aqui e para onde vamos?
                Ainda dá para refletir e mudar. Informações não nos faltam, da ciência, da filosofia e da religião. Busquemos por elas para redirecionarmos a rota da nossa existência.
                Não estamos numa colônia de férias, nem num paraíso de delícias, mas neste mundo, em busca de consolidação dos valores definitivos, tais como amor, respeito, caridade, solidariedade, disciplina, paciência, etc, tudo o mais que diferir deles, por certo, nos acarretarão sérios problemas e dissabores.
                Todos desejamos a felicidade, mas a forma e a maneira de busca-la é que nos garantirão as condições básicas para conseguí-la ou não.
                Tomemos cuidado com os enganos e equívocos.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – Set/2015
imagem: google

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CARIDADE DO CENTRO ESPÍRITA

                A função primordial do Centro Espírita: ensinar, educar, divulgar, estudar... são caracteres da verdadeira caridade, sem prejuízo daquela a que todos nos envolvemos com mais facilidade que é a caridade material.
                Já é ponto pacífico no movimento espírita o entendimento da importância da divulgação e estudo de nossa Doutrina, como providência prioritária, para bem dotar a criatura humana de recursos que a auxiliem a vencer os desafios existenciais. Também, já é do conhecimento e prática dos espíritos a envolvimento e trabalho com as entidades assistenciais, inspiradas em nome do espiritismo, todas prestadoras de grandes serviços ao Brasil.
                Ao lado, porém, de todo esse trabalho executado ao longo de  décadas de dedicação e boa vontade, trago aos leitores alguns pontos para reflexão, extraídos do magnífico livro “Tramas do Destino”, do Espírito Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, relativos ao binômio Centro Espírita e assistência social. Acompanhe comigo (são trechos de diversos capítulos, em transcrições parciais do citado livro).
                São os seguintes pontos:
1.       Pensa-se muito em estômagos a saciar, corpos a cobrir, doenças a curar... Sem menosprezar-lhes a urgência, o Consolador tem por meta principal o Espírito, o ser em sua realidade imortal, donde procedem todas as conjunturas e situações, que se exteriorizam pelo corpo e mediante os contingentes humanos, sociais, terrenos.
2.       A assistência social no Espiritismo é valiosa, no entanto, se previnam os trabalhadores da última hora contra os excessos, a fim de que a exaustão com os labores externos não exaura as forças do entusiasmo nem derrube as fortalezas da fé, ao peso da extenuação e do desencanto nos serviços de fora.
3.       Evangelizar, instruir, guiar, colocando o azeite na lâmpada do coração, para que a claridade do espírito luza na noite do sofrimento, são tarefas urgentes, basilares, na reconstrução do Cristianismo.
4.       A caridade material merece consideração e carinho, dedicação e esforço de todos nós, que devemos conjugar forças para seu cumprimento. Mas a caridade mora, de profundidade, a tarefa do socorro espiritual, não contabilizada, nem difundida é urgentíssima, impondo-nos a necessidade de atenção e zelo.
5.       Que temos feito do valioso patrimônio da fé? Qual a nossa real posição perante a vida? Quais os esforços que envidamos para modificar a situação vingente?
6.       Dependerá do desejo salutar de nossa parte preservar e manter os estados vigentes do relaxamento moral e social, ou modificar as paisagens terrenas, iniciando a empresa em nós mesmos, desde agora...
7.       Estes dias resultam dos dias passados que se caracterizaram por sementeira infeliz.
8.       O futuro, no entanto, encontra-se aqui, a depender de nós todos e de cada um em particular.
9.       Multiplicam-se admiráveis locais de socorro humano, material, iniciados a expensas do Consolador, onde a técnica vem substituindo o amor, com a saturação do serviço pelo excesso e repetição gerando irritação e mal-estar e fazendo que se falhe nas horas do socorro moral, nos atos de paciência e humildade, nos ministérios espirituais da palavra esclarecedora, do passe reconfortador...
10.   Multiplicam-se os métodos de simplificação, ensejando frieza ao ministério e ausência de calor humano, falta de afeição espiritual ao sofredor.
11.   O tempo encolhe e a pressa lhe toma o lugar, não havendo, já, em muitas Entidades, lugar nem tempo para Jesus ou para os obsidiados, os ignorantes do espírito, os impertinentes, tais as preocupações, os compromissos sociais, as campanhas e movimentos pela aquisição argentária.
12.   Sem qualquer restrição à prática da caridade material, inadiável e sempre presente a todo tempo e em qualquer lugar, a excelente caridade moral, a luminosa caridade espiritual, que beneficiam o paciente e edificam o benfeitor, fortalecendo-os e alegrando-os no Senhor, com quem deverão manter fortes vínculos de perfeita comunhão interior, constituem-se em imperativo primordial e insubstituível.
Por isso, mãos à obra no trabalho de estudo e divulgação espírita. Investimento no estudo doutrinário, esforço na divulgação do livro, motivação ao próprio espírita para que se engaje mais e torne-se, também, um multiplicador desta mensagem forte de esperança e renovação do quadro social de nosso sofrido planeta.

Orson Peter Carrara


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – set/2015
imagem: google

terça-feira, 5 de julho de 2016

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI II

                A pluralidade dos mundos e das existências é um dos pilares do espiritismo. Se, por um lado, algumas religiões e doutrinas espiritualistas até aceitam a existência de um Deus, a imortalidade da alma e a vida futura, já não é tão frequente a aceitação dos conceitos da reencarnação e pluralidade dos mundos habitados. Mas, para quem se diz adepto do espiritismo, é fundamental crer que, num universo infinitamente grande, existem muitos mundos habitados por espíritos como nós, só que em diferentes graus de evolução. Essa aceitação nos aproxima da frase do Mestre de que são as muitas moradas na casa do Pai e exalta a grandeza da criação e o seu propósito. Claro que é preciso entender o homem como resultante da composição espírito+períspirito+corpo. Na condição de espíritos fora da carne, somos inteligências incorpóreas, vivendo em outra dimensão, caracterizada por organização e constituição diferente da Terra. São colônias ou comunidades de transição, onde os espíritos se reúnem de forma homogênea baseados em laços de afinidade, caracterizados pelo estágio de elevação moral.
                A literatura espírita nos dá conta da existência de várias esferas de vida no Mundo Maior, cada uma com suas peculiaridades. E o que torna a ideia palatável, tangível e muito mais adequada aos conceitos de Justiça, Poder e Bondade, atributos de Deus, é a de que estamos todos integrados ao trabalho. Ao contrário do que se prega, o labor não é castigo divino, trabalhar é a grande misericórdia divina atuando em nosso favor. Para conhecer e passar pelas diferentes moradias da Casa do Pai, precisamos aprender a labutar na seara do Mestre. É por isso que a doutrina espírita não se baseia na prosperidade terrena e, sim, na evolução moral. O ensino dos espíritos sobre a vida de além-túmulo é um constante lembrete ao espírito apraz o trabalho, porque a ociosidade não é o paraíso; no universo não há lugar algu destinado à contemplação estéril ou à beatitude ociosa. Não existe espaço vazio na criação de Deus, os buracos negros exaltados pela Ciência são aparentes, pois em tudo há vida. Todas as regiões do espaço estão povoadas por espíritos laboriosos. Aqui, ali e acolá, todos os dias, horas, minutos e segundos há bandos, enxames de almas que sobem, descem ou agitam-se no meio da luz ou na região das trevas. Seareiros da luz levam socorro e consolação aos desgraçados que os invocam. Na Terra ou em qualquer outra morada, cada um tem o seu papel e concorre para a grande obra, na medida de seu mérito e de seu adiantamento. Como León Denis vaticina, “o universos inteiro evolui. Como os mundos, os espíritos prosseguem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas. Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a aclamar, amor, expiação, devotamento, sacrifício, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os precipitam na obra; e, nessa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a vida.
                A imobilidade e a inação é o retrocesso. É a morte. Sob o impulso da Grande Lei, seres e mundos, almas e sóis, tudo gravita e move-se na órbita gifantesca traçada pela vontade divina”. (Depois da Morte)

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2015
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segunda-feira, 4 de julho de 2016

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI I

                “Há muitas moradas na casa de meu Pai” – disse Jesus. Milênios depois, os Espíritos erguem suas vozes para nos provarem com máxima clareza de que não estamos sozinhos no Universo. Apesar de tantas evidências, algumas constatadas pela própria ciência dos homens, ainda hoje não é raro encontrarmos aqueles que, em pleno terceiro milênio, na chamada Era do Conhecimento, ainda possuem do Universo a velha e ultrapassada visão que permeou a Idade Média de que “acima está o Céu, onde mora Deus, Jesus, o Espírito Santo e os Santos; na superfície da Terra, estamos nós, os seres humanos; e, debaixo da Terra, está o Inferno, com o Diabo e as almas de todos os condenados.”
                Visão simplista, mas que perdura, principalmente entre aqueles que não exercitam sua capacidade de raciocínio e preferem viver sob os véus dos “mistérios da fé”. Mesmo entre aqueles cristãos em que a visão do universo não seja tão antiquada, ainda há muita resistência em aceitar a ideia de que há muito mais gente no mundo do que os viventes neste planeta. Quando se fala em vida inteligente fora da Terra, o pensamento ainda nos conduz aos filmes de ficção, dos homenzinhos verdes e dos discos voadores.
                Houve um tempo, em que alguns homes sofreram agruras porque ousaram, depois de muito estudar e pesquisar o universo, considerar que a Terra não era o centro do universo e que existiam outros mundos. Para os poderosos da época, estes pensadores, de certa maneira, retiravam a “importância” que as religiões davam à Terra como mundo solitário. Mesmo hoje, miitos de nós ainda cremos num Jesus filho único de Deus, que veio salvar a humanidade, derramando o seu sangue. Achamos que já nascemos em pecado (teoria do pecado original), e que o propósito de Deus foi nos enviar o seu filho amado para morrer numa cruz só para nos “redimir” dessa nódoa de nascença. O raciocínio é este: Deus cria o mundo; Deus arrepende-se; Deus cria os anjos, um deles se rebela e vira demônio; Deus cria o bem, o demônio inventa o mal e contamina os homens; então, Deus destrói o mundo com um dilúvio universal; mas, Deus arrepende-se novamente, e desta vez, envia o seu filho único para morrer numa cruz e nos libertar do pecado. Objetivamente, aí está o resumo da crença das várias religiões cristãs. É a Terra constituindo todo o universo e Deus conjeturando todo o seu poder apenas para salvá-la.
                Aí, então, os séculos passam... As ciências se aprimoram, novos equipamentos surgem, os homens partem para o espaço com suas naves potentes. Vem a impiedosa e incorruptível ciência mostrar-nos que a Terra, no universo, nada mais é do que um grãos de areia nos desertos da Terra. As naves espaciais provam que Deus não está “lá em cima”, vigiando atentamente a sua criação na Terra. Descobrimos uma infinidade de mundos, sistemas, planetas e entendemos que somos um “tiquinho” na vastidão do cosmos. Finalmente, escancara-se a grande verdade: há muitas moradas no universo. Mas, tudo isso é o quê? Quintal da Terra, paisagem para agradar o homem da Terra? Cientistas conceituados como Carl Sagan ou Stephen Hawking, ousam defender abertamente que, se existem outros planetas, existem outras formas de vida. E se existem outras formas de vida, algumas devem ser tão ou mais inteligentes do que nós. Não! Berram os antigos que ainda moram dentro de nós. Sim! Afirmam os Espíritos. Sim! Nos mostra, também, a razão.

(continua)

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2015
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terça-feira, 7 de junho de 2016

ESTRUTURA FAMILIAR

                A família é, incontestavelmente, uma célula educadora. Nela a criatura aprende a ampliar responsabilidades, a multiplicar sentimentos, a valorizar a fraternidade, a desenvolver o senso de proteção, a pensar em conjunto, a perder a individualidade e a banir a solidão.
                Sem qualquer dúvida, trata-se da base social.
                Jamais podemos pensar na deificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sem contarmos com a devida, necessária e indispensável estruturação da família. Se registramos, na coletividade, comportamentos nocivos e deletérios, onde seres humanos se apresentam de forma desequilibrada e fora dos padrões da decência e da dignidade que se espera, certamente a origem das distorções, na maioria dos casos, tem o nascedouro na família em desalinho.
                Edifica a família aquele que tem plenas convicções da urgência e necessidade de educar os filhos formando-lhes o caráter, não apenas dando-lhes instrução, pois que isso a escola também pode fazer, educar é tarefa prioritária da família, onde exemplo é a lição mais forte.
                Edifica a família os cônjuges que se respeitam sentimentalmente, mantendo-se fiéis aos compromissos de fidelidade. Diferença de opinião não se caracteriza como motivo para desavenças e querelas. Podemos, perfeitamente, ter pensamentos diferentes uns dos outros e caminharmos juntos.
                Edifica a família os membros eu elegem o trabalho como base de sobrevivência e aprendizado, sem que um seja peso econômico para o outro. Trabalho não é castigo, é sagrada oportunidade de aprendizado e de equilíbrio físico e mental.
                Edifica a família quem mantém em seu lar um clima de cortesia, afabilidade, entendimento e solidariedade, onde se vislumbra as qualidades dos componentes e se trabalha em conjunto para a correção dos defeitos naturais que ainda ostentam.
                Edifica a família quem carrega para dentro dela noções de religiosidade, pois ninguém conseguirá entender as razões lógicas da vida sem refletir, maduramente, na grandeza, bondade e perfeição das leis divinas.
                Edifica a família aquele que permanece dentro dela mesmo carregando grande cota de sacrifício sobre os ombros, pois quem não consegue servir ao próximo mais próximo terá dificuldade em encontrar a paz.
                Edifica a família quem sabe perdoar, esquecer e cultivar a resignação, pois que num agrupamento de seres humanos, ante o estágio evolutivo que nos encontramos, ainda são frequentes os momentos de desajustes que exigem paciência e calma.
                Estruturar a família não é tarefa fácil, mas indispensável para continuarmos sonhando com a paz e a felicidade, pois tais conquistas somente se fixarão, definitivamente, em nosso âmago, no instante em que conseguirmos plantá-las nos corações alheios, e, nada mais justo e lógico do que iniciarmos essa tarefa pelos nossos familiares.
                Em verdade, fácil é conquistar no mundo, difícil é vencer na família. Muitas criaturas conhecem a aprovação social pelos feitos que apresentam, mas recebem a reprovação dos familiares devido ao descumprimento dos deveres básicos. Ainda, a vitória fora do lar sem o amparo da família sólida, não terá o sabor que se espera.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2015
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segunda-feira, 2 de maio de 2016

DE ONDE SURGE A MALDADE II

                A humanidade vem nos últimos anos passando por transformações viscerais. A influência do materialismo sobre as questões e a vida social cresce consideravelmente. Os valores morais estão sendo corrompidos com assombrosa velocidade. Nunca o mundo precisou tanto dos ensinos espíritas como nestes tempos atuais. Vivenciamos instantes em que se aguça a revolta nos corações em face da imposições de ideologias falidas, e nos vendavais da tecnologia somos remetidos aos acirramentos das separatividades e isolamentos, estabelecendo-se níveis de revoltas sociais inaceitáveis.
                Obviamente não há como se desconhecer a luta pela subsistência. Há as enfermidades, as insatisfações, os conflitos emocionais, os desenganos. As imperfeições próprias daqueles com os quais convivemos. Enfim, as variadas vicissitudes da existência. Nessa autêntica desordem, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.
                Devemos interrogar a própria consciência, passando em revista os atos cotidianos, para a identificação dos desvios dos deveres a serem cumpridos e dos motivos alheios de queixa por conta dos nossos atos. Revisemos periodicamente nossas quedas e deslizes no campo moral, ativando a memória para nos lembrarmos dos tantos espinhos que já trazemos cravados na carne do espírito, tal como ensina Paulo de Tarso. Estes espinhos nos lembrarão a nossa condição de enfermos em estágio de longa recuperação, necessitados de cautela. O mal não é invencível, pelo contrário.
                Não conseguiremos nos livrar das consequências advindas dos males que praticamos. O mal que nasce em nós nos impregna e temporariamente passa a fazer parte de nossa personalidade. Paulo de Tarso, na sua carta aos romanos, tece comentários sobre as lutas que deve travar para combater o mal em nós mesmos, em frase já célebre: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. O mal a que se refere Paulo em suas epístolas é o mal trivial que subsiste em nós e é alimentado por nossa vontade. E que, em certa medida, nos proporciona prazer pelo torpor de consciência.
                A escuridão é somente ausência da luz. Não é real. Só Deus é vida; somente o bem é a finalidade da vida. Para que possamos vislumbrar um mundo sem angústias e nem problemas sociais, livres das misérias econômicas e políticas, apelemos para o amor incondicional, que possui os recursos eficazes para a conciliação, o perdão, a transformação moral, fomentando o bem para o progresso, o que concorre para enriquecer nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdade, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.
                Em suma, o mal deriva do coração humano e a batalha do bem contra o mal, tema de incontáveis livros e filmes, deve ser travada nos domínios dos nossos próprios corações, acima de tudo.

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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sábado, 30 de abril de 2016

DE ONDE SURGE A MALDADE? I

                O significado do termo maldade tem conexão com a qualidade daquele ou daquilo que é mau, com a ação maligna, a iniquidade e a crueldade. Mas por que alguns têm atrativo pela perversidade? O tema sempre inquietou os pensadores dos mais diversos campos do saber e da ação humana: filosofia, ciência, arte, religião.
                Historicamente, segundo alguns modelos previsíveis, os males humanos pareciam não mais destinados a preocupar os pensadores, pois que a maldade parecia ser circunscrita. Para alguns estudiosos o holocausto, durante a Segunda Grande Guerra, reacendeu-se o debate sobre os limites da barbárie, da perversidade humana, lançando no universo intelectual europeu e mundial uma onda de pessimismo e ceticismo.
                Hanna Arendit, filósofa judia, que estudou as questões do mal, escreveu o livro Eichmann em Jerusalém, que analisa o julgamento do verdugo nazista, mentor da morte de milhares de pessoas. Tendo como referencial o caso Eichmann, a autora justifica que o mal pode tornar-se banal e difundir-se pela sociedade como um fungo, porém apenas em sua superfície. Para Arendt, as raízes do mal não estão definitivamente instaladas no coração do homem e por não conseguirem penetrá-lo profundamente a ponto de fazer nele morada, podem ser extirpadas.
                Para muitos, o mal seria mais forte que o bem, e que os Espíritos do mal estariam conseguindo sobrepujar os Benfeitores espirituais, frustrando-lhes os desígnios superiores. Em que pese a antiga tradição de tais assertivas, elas são insustentáveis e falsas; diríamos mesmo absurdas. Admitir o triunfo do maligno a prejuízo da humanidade é o mesmo que negar ao Senhor da Vida os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser o Senhor da Vida.
                O mal não advém dos Estatutos do Todo-Poderoso como concebem alguns incautos, especialmente aqueles que vivem distanciados do entendimento da Boa Nova. O mal é transitório, não tem raízes. Para o Espiritismo o mal é criação do próprio homem e não tem existência senão temporária, transitória, pois no arranjo maior da Vida não tem sentido a permanência do mal. No capítulo em que trata da escala espírita, o Codificador, ao situar os Espíritos imperfeitos na terceira ordem, traça como seus caracteres gerais “Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes”. (Livro dos Espíritos – 89)

(continua)

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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segunda-feira, 11 de abril de 2016

AMOR: O MAIOR MANDAMENTO ENSINADO POR JESUS II

                Somente o amor fará com que extirpemos de nosso coração o egoísmo, pois ele impede nosso progresso moral. E para que consigamos vencer esse mal é preciso muita coragem. É preciso ter mais coragem para vence-se a si mesmo do que para vencer os outros. Isso porque o egoísmo é uma chaga tão ultrajante que é capaz de derrocar todas às inteligências. O egoísmo é a negação do amor.
                O amor é a caridade em ação e é impossível desvincular a palavra amor de caridade, pois caminham juntas e amar ao próximo como ensinou Jesus é dar de seu sentimento puro e único em favor do semelhante.
                Com o tempo devemos compreender que a caridade material, essa de dar coisas materiais, se dá com a consequência da espiritualidade e moralização do homem. Então entendemos que a caridade é uma disposição íntima ativa e dinâmica, que se manifesta das mais variadas formas: em pensamentos de amor e bondade, em conselhos úteis, em doar horas de nosso tempo e favor de ouvir alguém, em alimento e recursos na hora certa, em força que reanima!
                O comportamento caridoso é aquele que não espera ou exige reconhecimento, gratidão  ou qualquer tipo de recompensa e é justamente esse desapego dos resultados que caracteriza o indivíduo caridoso, pois ele se disponibiliza ao outro pela simples satisfação que isso lhe proporciona. A nossa felicidade verdadeira está em fazer os outros felizes.
                Na pergunta 886, de O Livro dos Espíritos, observamos a instrução dos espíritos frente ao posicionamento do verdadeiro cristão: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendia Jesus? Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.
                E o que é ser benevolente? É ter boa vontade para com os outros. É se deixar guiar pela amabilidade, pela generosidade e solidariedade, pelo interesse para com o bem-estar do outro, indistintamente.
                O que é ser indulgente? É a capacidade de aceitar e tolerar as atitudes alheias, julgando com bem menos severidade seus erros e equívocos. Suportando as diferenças uns dos outros.
                O que é perdão? É libertar-se, desvincular da raiva e do ressentimento que mentalmente os prendem ao outro, é sobrepor o amor ao orgulho ferido, sem mágoas no coração.
                A caridade, portanto, é o amor em ação. Mas, não esse amor da qual hoje a sociedade moderna nos insufla, esse não é o amor. É o amor como ensinado por Paulo na passagem aos Coríntios do Evangelho: “Se eu falar a língua dos homens e dos anjos, e não tiver a caridade, não tiver o amor, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine... se não tiver a caridade, o amor, eu nada sou.”
                O amor sem externar ação da caridade, seja das mais variadas formas, não é o verdadeiro amor!
                Sejamos nós, autores da ação íntima do verdadeiro germe do amor, distantes de instintos perturbadores e das sensações superficiais, das quais muitos buscam na atualidade e comprometem-se pelos prazeres mundanos. Sejamos a chama da ação do amor ao próximo, assim como ensinou Jesus.

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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sábado, 9 de abril de 2016

AMOR: O MAIOR MANDAMENTO ENSINADO POR JESUS I

                “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Mateus XXII)
                Eis a Lei que resume toda máxima e preceitos do cristo, a qual, no capítulo XV, do Evangelho Segundo o Espiritismo, também bem nos complementar as informações: “Não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo conta Deus’. Com um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e misericordioso, ela fez do amor de Deus e da caridade para com o próximo a condição indeclinável da salvação e nosso progresso, dizendo: “Amai a Deus sobre todas as coisas e o vosso próximo como a vós mesmos; nisto estão toda a lei e os profetas; não existe outra lei. Sobre esta crença, assentou o princípio da igualdade dos homens perante Deus e o da fraternidade universal”.
                E Jesus, o modelo a ser seguido, pautou toda Sua doutrina na Lei de Amor, pois o Amor é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. “No seu ponto de partida o homem só tem instintos, mais avançado e corrompido, só tem sensações, mais instruído e purificado, tem sentimentos. O amor é o requinte dos sentimentos.”
                O instinto é a germinação, são embriões do sentimento, e todos nós possuímos a centelha desse fogo sagrado, que é o Amor depositado em nossos corações. Esse germe do Amor se desenvolve e cresce com nossa moralidade e inteligência.
                Portanto, estamos ainda muito distantes desse amor sublime e verdadeiro tal qual ensinou e exemplificou Jesus, uma vez que encarnados muitas vezes levamos aos instintos materiais ou sensações, por ações físicas o que acreditamos ser amor! Somente mais instruídos e purificados, entenderemos o verdadeiro sentido do Amor. Daí a máxima deixada por Lázaro no Evangelho: “Feliz aquele eu ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo.”
                Então, percebemos como estamos cada dia mais adoentados da alma que reflete patologicamente no corpo. Quantas doenças existentes entre nós causadas pela angústia, cólera, raiva, ódio, intolerância e incompreensão são advindas porque não temos purificado em nós o sentimento do Amor.
                Arrastamos por anos em nossa existência atual pensamentos de vingança, nutrimos o ódio, a inveja dando lugar ao egoísmo nas relações humanas. Nunca estivemos tão sozinhos, solitários individualistas por nossa própria opção.
                Mas, para praticar a Lei de Amor como Deus a que, é necessário que amemos pouco a pouco e indistintamente a todos nossos irmãos. Essa tarefa é longa e difícil, mas será realizada pois, faz parte de nossa doutrina e cedo ou tarde seremos arrastados pelo progresso da humanidade.

(continua)

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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sexta-feira, 4 de março de 2016

UMA REFLEXÃO SOBRE A NOVA ERA

                “Na casa de meu Pai há muitas moradas”.  Jesus
                O nosso planeta já passou por inúmeras mudanças ao longo dos tempos.
                Desde sua criação, tivemos constantes mudança, mas todas em torno de guerras, o forte mandando no mais fraco. Desde o início dos tempos, sempre tivemos o orgulho a vaidade e toda sorte de comportamentos não edificantes dominando o planeta.
                Tantos já falaram em destruição do planeta, já criaram tantos deuses, como também já acabaram com DEUS inúmeras vezes.
                De tempos em tempos a espiritualidade nos dá um conforto, nos impulsiona para frente com o envio de profetas, espíritos iluminados, cientistas e filósofos, ou seja, pessoas que nos mostram sempre a possibilidade de um mundo melhor.
                Tivemos Sócrates, Platão, Moisés, osso Mestre Jesus, Francisco de Assis, bem como tantos cientistas, poetas e outros desconhecidos para nos mostrarem que o Amor sempre vence e vencerá.
                No final do século XIX tivemos Kardec, com a implantação do espiritismo, nos apresentando um caminho, chamado por Jesus de O Consolador. Nesse momento nos foi mostrado que uma nova fase estaria por chegar.
                Passamos pela fase de planeta primitivo, onde reinava os clãs, as tribos, não existia qualquer espaço para a inteligência formal, nem sentimentos mais profundos. Nessa fase nós estávamos mais próximos da animalidade do que da racionalidade.
                Depois entramos na fase de mundo de expiação e provas, na qual vivemos ainda hoje. Um planeta de sofrimento, a ponto de nos dizer Jesus: “A felicidade não é desse mundo”. Um mas de ilusões e paixões, um planeta onde, já em plena atividade intelectual, ainda com comportamento animalesco, egocêntrico e dependente do material, em círculos contínuos de idas e vindas em sucessivas reencarnações expiatórias.
                A marcha da evolução não para, e nós estamos para adentrar a Nova Era, esse novo período, falado por muitos espiritualistas como sendo uma nova fase de evolução. Um novo momento, uma nova energia dando oportunidade para espíritos preparados começarem a reencarnar, dando ao nosso planeta uma outra dimensão. No entanto, como no dizer de Jesus, nem todos poderão participar desse banquete, somente aqueles que estiverem vestidos com a roupa nupcial. Esta roupa não seria uma evolução compatível com o novo estado de espiritualização do planeta? Não seria um posicionamento nosso dentro de padrões éticos e morais condizentes com o novo momento?
                Não significa que estaremos no terceiro milênio dentro de um paraíso, mas sim, numa nova fase: muito ainda a caminhar; ainda sofrimento, mas não nos moldes atuais; ainda lutas, mas não dentro de injustiças como aparentemente podemos ver. As lutas estarão num outro contexto de evolução. O espiritismo já vem anunciando há muito tempo o advento dessa nova era.
                A preocupação atual da humanidade tem sido o prazer momentâneo, a conquista tecnológica, a busca da disputa em todos os níveis. Isso ainda poderá nos levar a dolorosos processos cármicos. Está na hora de mudar o foco para algo maior, mais profundo em nossas vidas. O momento, então, precisa ser de reflexão, de busca interior para o profundo do ser. Momento de renovação.
                Aquele que estiver preparado, com profunda base moral no trabalho e na caridade, será o herdeiro dessa nova era. Seriam os espíritas? Ateus? Outra religião ou religiosos? Nada disso importa. Na verdade, serão “aqueles que fizerem a vontade de meu Pai”, como nos alertou Jesus.

Wagner Ideali

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O ÓBVIO, NÃO É TÃO ÓBVIO ASSIM

                Ao observar os processos de qualquer empresa, seja ela pública ou privada, e em qualquer segmento, constata-se que os erros a atrapalhar todas as operações e causar constrangimentos com clientes e prejuízos de toda ordem ocorrem porque e alguma etapa da operação o tal do óbvio não foi feito.
                É óbvio que, para o cliente, ao não receber uma mercadoria a ele enviada, a nota fiscal e seu respectivo boleto devem ser cancelados, caso contrário o cliente será cobrado por uma mercadoria que não adquiriu.
                É óbvio que, se um professor lançar a nota errada do aluno, deverá fazer a correção o mais rápido possível, caso contrário o boletim do discente sairá com nota errada.
                É óbvio que, se eu dirigir o carro de minha empresa de forma indisciplinada, poderei causar um sério acidente ou levar uma multa de trânsito.
                O mesmo se dá nos relacionamentos humanos que, não raro, azedam porque faltou a observação do óbvio por um dos envolvidos.
                É o amigo que se esquece de dar os parabéns.
                O cônjuge que não se recorda da data de casamento.
                O filho que deixa de telefonar aos pais em datas especiais.
                As lembranças seriam óbvias em se tratando de pessoas que amamos e estimamos, mas...
                Sejamos sinceros: O óbvio parece ser a parte mais complicada de se realizar, porquanto comumente é ignorado.
                Entretanto, já que falamos tanto de óbvio, vejamos como o dicionário define esta palavra: que está diante dos olhos; que salta à vista; manifesto, claro, patente.
                Interessante definição, porém, com observação um pouco mais acurada dos processos e da própria condição de seres humanos em construção cai por terra, porque nem sempre o que está diante de seus olhos está diante do meu.
                Nem sempre o que para você é elementar o é para mim, e, também, nem sempre o que para mim é fundamental o é para você.
                E por quê? Porque somos seres diferentes e com isso enxergamos a vida e as situações que a compõem de forma completamente distinta da que outras pessoas enxergam.
                Criados por Deus simples e ignorantes, estamos, à custa de tropeços, quedas e arribadas, aprendendo a lidar com o óbvio.
                Impossível, portanto, falar que o óbvio para um é o mesmo óbvio para todas as criaturas.
                Você provavelmente deve estar se perguntando: ora, se você afirma que o óbvio não é tão óbvio assim, porque depende da condição de cada criatura enxergar mais ou menos as situações da vida, como então, melhorar processos em empresas ou mesmo o relacionamento humano a fim de atingir excelência?
                Simples. Esses enganos e desenganos, que surgem e ressurgem por conta de não nos atentarmos que o óbvio para nós não o é para o outro, podem ser sanados com comunicação.
                Basta iniciar nas empresas, no recinto religiosos ou no lar um processo de compreensão de que é preciso comunicar-se de forma eficaz e clara, sem querer adivinhar ou pensar pelo outro. Sem considerar que o meu óbvio é o mesmo que o seu.
                Portanto, fundamental falar abertamente o que se espera e o que se quer, não deixando nada subentendido para que as pessoas “pesquem”.
                Seja, pois, claro em suas atitudes, fale com firmeza com sua equipe, seu esposo, seus filhos, e deixe transparente o que você quer e espera deles, porque, sejamos sinceros: é óbvio que o óbvio não existe.

Wellington Balbo


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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domingo, 31 de janeiro de 2016

CASAMENTO

           Casamento, para Kardec, não era um ato formal, uma solenidade religiosa, nem uma bênção sacerdotal. Depreende-se da sua pergunta que ele entendia que casamento é um compromisso livremente assumido por dois espíritos, perante o altar de suas consciências.
A alguns pode parecer estranha a presença de adjetivo permanente no contexto, o que parece contrariar o exercício do livre-arbítrio. Mas a dúvida se desfaz quando se atenta para o diálogo mantido entre Kardec e os Espíritos, registrado no item 697: Está na lei da Natureza, ou somente na lei humana, a indissolubilidade absoluta do casamento? Ao que os Espíritos responderam: “É uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis”.
Pelo visto, depreende-se que a expressão permanente, nesse contexto, significa com perspectivas de permanência, isto é, que não se trata de uma união fortuita, baseada apenas num impulso passageiro, mas no amor e quando há realmente amor, o casamento não acaba. Se acaba, pelo menos um dos dois não experimentou realmente o amor, pois o verbo amar só tem pretérito na gramática.
À medida que o tempo passa, mais se evidencia o avanço do pensamento do Codificador em relação aos seus contemporâneos, pois o casamento tem perdido, ao longo dos anos, o caráter de ato sócia, religioso, passando a ser conceituado e respeitado como ato pessoal, íntimo. Atualmente, um casal se impõe perante a sociedade como legitimamente constituído, não mais por ter o seu compromisso matrimonial sido levado a efeito num templo, mas sim pelo ambiente de respeito e seriedade em que vivenciam a união.
Conforme se vê, casamento, na conceituação do Codificador e dos Espíritos que lhe responderam as perguntas, está muito acima de qualquer bênção de um clérigo ou de qualquer ato de um Juiz de Paz. Trata-se do estabelecimento de uma sociedade conjugal, levado a efeito pelo próprio casal, num plano eminentemente moral, ético. É compromisso sagrado, que leva um a ver no outro o próximo mais próximo.
Conforme se pode entender, o casamento não depende de nada exterior, de nenhuma ação alheia aos dois. As duas criaturas se casam, pois ninguém tem o poder de realizar o casamento de outrem. Na gramática, aprende-se que o verbo casar pode, entre outros regimes, ser transitivo, mas filosoficamente essa classificação é falsa. Poder-se-ia dizer que o verbo é recíproco, pelo fato de as pessoas se casarem, sem a interveniência de ninguém.
Nem Juiz de Paz promove o casamento. Essa autoridade apenas registra nos anais da sociedade, para os efeitos legais, o casamento que é diante dela declarado.
Se o Juiz de Paz não casa ninguém, muito menos o representante de uma religião pode fazê-lo, embora existam aqueles que se arrogam o direito de agir em nome de Deus, selando um compromisso matrimonial.
Com esse entendimento, conclui-se que o casal espírita apresenta-se diante da autoridade civil apenas para declarar o seu casamento, solicitando seja ele registrado, e não para receber qualquer tipo de legitimação. A legitimidade do casamento é dada pelo grau de responsabilidade e de amor que presidiu a formação do casal.
Quanto mais espiritualizado o casal, mais o ato transcende os limites da vida material, revestindo-se de características espirituais, o que leva naturalmente ao desejo de uma comunhão com o Alto, que poderá ser levada a efeito através de uma prece, proferida por um ou por ambos os nubentes, ou por alguém afetivamente ligado a eles, pois só o amor pode legitimar a condição de alguém na condição de suplicante de bênçãos sobre uma união matrimonial.

José Passini


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

SE NÃO TIVER

                Desde tempos memoriais, de quando o homem aprendeu a expressar seus sentimentos, através de múltiplas linguagens (visual e textual), muito tem se falado sobre o amor. Sobretudo, nos últimos dois mil anos, após o advento do Mestre Jesus, expectativas várias são criadas em torno desse sentimento. Nos dicionários, define-se a palavra latina amor pelos significados de afeição, compaixão, misericórdia, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. o conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação e é tido por muitos como a maior de todas as conquistas do homem. Pois bem, bonito no papel, mas o problema é que em nome deste sentimento, que o homem tem se hostilizado, dando origem a tragédias, gerado grandes dificuldades e muitos encargos espirituais.
                Emmanuel, através de psicografia de Chico Xavier, já nos falou em Perfeito e Imperfeito Amor, identificando-o em dois tipos: o do sentido evangélico, que nos foi exemplificado por Jesus, e o humano, como o do dicionário e das tragédias. Entre ambos, uma grande diferença, visto que o amor humano, está mais para algo nocivo e perigoso, já que se alicerça no egoísmo e no ciúme, no ter para si. É desastroso, acabando por das origens a vários males, que vão desde o assassinato até o suicídio. Como se percebe, bem distante do amor no conceito de Jesus, que se fundamenta na abnegação, na dedicação, na humildade, no ser para os outros.
                O amor humano, nas suas diversas tipologias: conjugal, materno, filial, civismo, étnico, dentre tantos, são apenas reflexos do verdadeiro amor do Cristo que abrange e penetra todos os seres e desabrocha sob formas variadas. O amor evangélico é o princípio da vida universal, que engrandece o ser, que enobrece a alma e nos leva de volta ao seio do Pai, no reino que não é deste mundo, aquele da felicidade inexprimível. Na nossa imperfeição, conhecemos profundamente o amor humano e o vivemos com intensidade, porém, como estamos distantes ainda do amor evangélico, perfeitamente desenvolvido. Como identificar um e outro? Amor humano é por determinada pessoa ou coisa, enquanto o Amor com “a” maiúsculo é um sentimento que se manifesta em todas as atitudes do ser e que tem como principal característica o real interesse pelas necessidades do outro, sejam elas quais forem. No divino, trata-se daquele em que o sentimento pelo próximo supera tudo o mais, e no humano, prevalecem apenas as necessidades doentias ou pessoais do ser.
                Emmanuel, ao tratar deste assunto, descreve que o imperfeito amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros é quase sempre o egoísmo em disfarce, buscando a si mesmo nas almas a fim para tormenta-las sob múltiplas formas de temor: a exigência e o crime, a crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e frustração. O verdadeiro amor, faz o bem e sacrifica-se sem esperar retribuição porque compreende que o Pai traçou caminhos para a evolução aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos e que amar significa entender, ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações no degrau de luta em que lhes é próprio. Desta maneira, para que nossa alma se expanda sem receio através das realizações que o Senhor nos confia é necessário saber amar com abnegação e ternura entre esperança incansável e o serviço incessante do bem.
                O verdadeiro amor, conforme ensina Jesus e nos relembra João, o perfeito amor lança fora o temor (João, 4:18), é o sentimento que leva a respeitar, interessar-se, auxiliar qualquer ser humano, a sentir em todos irmãos, a orientar no sentido da solidariedade e da cooperação. O amor humano pouco tem a ver com o preceito do Cristo, expresso no novo mandamento que Ele nos deu (Que vos amei uns aos outros como eu vos amei). O amor humano sonha com beijos, carinhos, abraços, paixão, enquanto Paulo nos adverte que o amor tudo sofre (I Coríntios 13:7). Ou seja, evidencia-se num modo de viver pessoal mais elevado; com a presença do trabalho, da renovação interior, da ajuda sem esperar retribuição; promovendo, enriquecendo, construindo o homem novo. O amor tudo sofre, assertiva apostólica que soa como um convite à aquisição do amor legítimo, conforme ensinou Jesus. Do sentimento que leva a respeitar, interessar-se, auxiliar qualquer outro ser humano; que orienta na direção da solidariedade, da cooperação, e do interesse social.

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO

                Jesus define como pobres de espírito aqueles que já ostentam em si a humildade, virtude um tanto difícil de se obter, uma vez que só é conseguida mediante cansativos esforços, na luta ferrenha e determinada contra o orgulho, essa terrível chaga que nos compromete e incontáveis prejuízos tem provocado à humanidade.
                A criatura orgulhosa acredita que o mundo deva curvar-se aos seus pés, julgando-se a mais importante de todas e que nenhum dos seus desejos ou anseios podem deixar de ser atendidos. Sofre amargamente quando vê frustração em suas vontades.
                Carrega um incêndio no coração, pois que estrutura a sua vida num pedestal ilusório de fantasias e ilusões, pensando enganosamente ser muito maior do que realmente é. Não se contenta com pouco, está sempre buscando possuir e ter mais, sempre mais, sendo insaciável em suas necessidades.
                Mantendo uma visão turva e equivocada sobre a realidade do quotidiano, onde se coloca como o centro das atenções, o orgulhoso alimenta valores absurdos que o conduz, com frequência, a deliberações infelizes que são os nascedouros dos seus próprios infortúnios e também do sofrimento dos que estão soba a sua danosa influência. Enganosamente cultiva a certeza de que sabe muito e é superior aos outros.
                Esse sentimento vil e destruidor tem sido o responsável por tantas tragédias humanas, vitimando pessoas, famílias, coletividades e nações, fazendo correr rios de sangue e de lágrimas e edificando montanhas de dor e de sofrimentos, onde milhões de pessoas tem sucumbido.
                Já o homem humilde é detentor de valorosa virtude. Despido do peso desnecessário da arrogância, do preconceito, da vaidade e da presunção, vive desarmado e com a liberdade de quem consegue passar pela vida como o mais fico de todos, pois que administra a sua existência visando sobreviver com um mínimo de necessidades.
                Reconhecendo o seu real valor no contexto da humanidade, vive com simplicidade, embora não medindo esforços e dedicação visando a superação dos seus limites. Contenta-se com o que tem e suas conquistas são feitas de forma a não prejudicar criatura alguma.
                A resignação, a fraternidade, o altruísmo e o firme desejo de fazer sempre o bem são atributos encontrados na intimidade dos humildes, que via de regra são cativantes, pacíficos e amáveis.
                Elege sempre um clima de solidariedade para viver, onde prioriza ações e comportamentos, buscando a valorização do bem-estar da criatura humana.
                Sente imensa satisfação ao identificar a alegria do próximo e trabalha diuturnamente para que o seu irmão do caminho encontre a plenitude de suas realizações e anseios.
                Tendo constantemente a preocupação de servir e amar por onde passa, consegue compreender aqueles que ainda estão seguindo na contra-mão daquilo que é realmente belo, nobre e sublime.
                Confiando plenamente no Criador, carrega a convicção absoluta de que tudo caminha sob os olhares atentos e responsáveis de Jesus e se dedica, ao máximo, visando contribuir com a definitiva implantação do reino de Deus aqui na Terra.
                Enquanto o orgulhoso se fecha, egoisticamente, em si mesmo, na defesa dos seus conceitos absurdos, carregando o peso da armadura, da insensibilidade, o humilde se expande livremente volitando nas asas da alegria em servir ao próximo, de viver com poucas necessidades, de ser um instrumento de paz entre os homens e de ajudar a construir um mundo mais humano, fraterno e solidário.
                Bem aventurados os pobres de espírito, disse Jesus. Bem aventurados os humildes, os simples, os desarmados, os fraternos, os solidários... bem aventurados os que conseguem colocar o sorriso no rosto alheio.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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sábado, 21 de novembro de 2015

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI II

                Assim como em uma cidade existem hospitais, e nem toda população encontra-se doente e hospitalizada, a humanidade inteira também não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, o homem evolui e sai da Terra para mundos mais felizes quando está curado de suas enfermidades morais.
                É desta forma que existe as diversas categorias de mundos habitados, e nós ainda engatinhamos no progresso da humanidade, tendo a impressão momentânea de que estamos evoluindo e ainda assim existirem tanta misérias. Isso ocorre porque evoluímos intelectualmente, mas moralmente estamos atrasados no progresso. A materialidade, consumismo, a vaidade, o orgulho, o egoísmo ainda estão latentes em nossa vida atual, da qual colheremos consequências avassaladoras para nossa existência.
                Santo Agostinho em O Evangelho Segundo o Espiritismo, nos fala que a superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indicam que ela não é mais um mundo primitivo, porém estes possuem numerosos vícios que indicam uma grande imperfeição moral. O que é o nosso caso na Terra, por isso expiamos e provamos incessantemente em nossa vida os excessos e desvios que causamos na atual existência – maltratamos, ofendemos, caluniamos, traímos, fazemos nosso irmão chorar e sofrer, pensamos somente em satisfazer nossas paixões e prazeres. Somos egoístas em excesso, melindramos em excesso, invejamos em excesso, odiamos em excesso, preguiçosos em excesso, comemos em excesso, alcoolizamos em excesso e vivemos a vida material toda desregrada e excessiva, mais tarde, colheremos as expiações e provas das falta que nós mesmos cometemos, nos tornando escravos de nossas sensações e desejos materiais.
                Jesus também nos disse: “Nunca te deixarei, nem te desampararei” (Paulo – Hebreus 13:5)
                Então trazendo as máximas do Cristo à luz do espiritismo, pedindo para que crêssemos Nele, e de que nunca nos deixaria e desampararia, observamos o Consolador prometido, a doutrina dos espíritos que nos esclarece e consola.
                Estamos colhendo neste mundo ações da qual praticamos, tendo uma oportunidade bendita nesta existência de reparar algumas faltas e mudar nossa conduta, assim a escola do progresso teremos a oportunidade no futuro de habitarmos mundos mais evoluídos, onde o bem predomina e o amor é uma equidade que regula todas as relações sociais, elevando-se a Deus e seguindo suas leis.
                Façamos a nossa lição de casa, e estejamos sempre preparados para fazer o bem, amar o próximo e corrigir nossas mazelas.
                A destruição que parece para nós o fim das coisas, é apenas um meio de leva-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer sempre.

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – jan/2015
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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI I

                Ao fazer o prenúncio destas máximas, Jesus deixa um alento, uma esperança enorme no porvir. Pede para que confiemos Nele e abrandemos o nosso coração.
                Desde estas máximas, temos os ensinamentos do Cristo afirmando-nos que não estamos sozinhos no Universo, de que Ele jamais nos abandonaria e ainda, nos sinaliza de que no futuro estaremos providos e amparados em um lugar em que Ele também estará.
                O futuro que Jesus anunciou nesta passagem já é agora? Ele está conosco? Que lugar é este?
                Muitas questões alardeiam o nosso íntimo, e as respostas para tantas perguntas a doutrina espírita vem nos mostrar.
                Podemos afirmar que o futuro que Jesus nos anuncia é este, é agora. Nunca estivemos tão aparelhados intelectualmente e tecnologicamente como acontece hoje. A velocidade das informações e acessibilidade dos indivíduos a estes sistemas nunca foram tão generalizados.
                Porém, ao mesmo tempo que presenciamos esta transformação tecnológica, observamos atrocidades, violências, misérias e degradações humanas, e questionamos muitas vezes onde está a misericórdia Divina.
                Nós que temos a oportunidade do esclarecimento salutar da Doutrina dos Espíritos, jamais podemos questionar os desígnios do Pai celestial: Deus não desampara nenhum de seus filhos.
                Então, quando Jesus afirma que há muitas moradas na casa de meu pai, nos esclarece que nós não somos os únicos a povoar o Universo, portanto existem mundos mais evoluídos do que a Terra.
                Por sermos ainda inferiores, e enxergar as coisas somente com os olhos materiais, acreditamos que Humanidade é somente esta que povoa nosso planeta, o qual habitamos.
                “toda humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo”. (Ev. S. E.)
                E nós que somos seres dotados de razão, fazemos parte de toda humanidade. O que acontece é que alguns habitam mundos mais evoluídos e outros inferiores, como é o nosso caso na Terra.
                O nosso comportamento mesquinho, individualista, egoísta e orgulhoso leva-nos muitas vzes a pensar que somos os únicos seres do Universo. Um grande engano.
                Habitamos hoje a Terra justamente porque somos inferiores. A Terra é classificada como um mundo de Expiações e Provas. Nestes mundos, a existência é toda material, as paixões e vícios reinam soberanas, a vida moral quase não existe, e o mal predomina.
                Por isso, muitas vezes o homem está exposto a tantas misérias e degradações. Mas, não podemos generalizar a espécie humana como miserável, isso seria uma visão estreita do todo, do conjunto.

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – jan/2015
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domingo, 1 de novembro de 2015

A SEPARAÇÃO DO JOIO E DO TRIGO

                Infelizmente, assistimos na atualidade a uma das mais sangrentas e hediondas demonstrações de disseminação do mal no planeta. É extremamente decepcionante ver ainda, em pleno século XXI, a existência de grupos terroristas tão cruéis como o dos membros do grupo ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante). A intenção dessa facção, que tem concentrado a sua ação na Síria e no Iraque, e cujo modus operandi e crenças abarcam o que há de mais atrasado e medieval, é impor a crença islâmica (isto é, princípios ou entendimentos eminentemente distorcidos a respeito desta) à força às populações. Os seus métodos cruéis de extermínio a ninguém poupa. As terríveis imagens disponíveis falam por si.
                Como se sabe, as vítimas indefesas são escravizadas (como é o caso das mulheres), fuziladas ou decapitadas sem misericórdia. É tamanha a força e tenacidade desse grupo, que até mesmo governos legitimamente constituídos lhe temem as ousadas investidas. Chega a ser dantesco ver jovens educados em países desenvolvidos, cobertos de afeto, atenção, e as melhores condições possíveis para o seu desenvolvimento intelecto-moral, se alistarem nas fileiras dessa agremiação trevosa.
                O momento presente da história humana comporta, lamentavelmente, aberrações coletivas como é o caso do ISIS. A julgar pelas práticas adotadas não fica difícil imaginar os valores e princípios cultuados pelos seus membros. E ao ver uma organização como essa surgir praticamente do nada sucumbindo povos pacíficos e indefesos, bem como assaltando, destruindo e dilapidando por toda parte, nos remete à lição evangélica que prega a necessidade da separação do joio e do trigo.
                É indiscutível que ao amorosos apelos e ensinamentos daquele que se colocou com toda a justiça como “o caminho, a verdade e a vida” não penetram – pelo menos por ora – nos corações empedernidos dos Espíritos pertencentes a esse grupo. As suas mentes devem estar tão obcecadas em impor à força ao mundo a sua estreita visão religiosa, que não há espaço mínimo sequer para acolher as sugestões e alvitres do bem. São vítimas da sua própria cegueira espiritual e fé cega, mal do qual muito acertadamente nos alertou outrora Allan Kardec.
                Por isso, não conseguem ainda vislumbrar a noção de pluralidade ou diversidade religiosa. As sublimes concepções de liberdade, livre-arbítrio e direito lhes incomodam profundamente. São seres, enfim, absolutamente despreparados para viver num mundo de regeneração, paz e respeito. Os ideais de amor e fraternidade não lhes penetraram no âmago do ser. O uso desmedido da violência e da desumanidade é talvez o único argumento capaz de proferir na sua trajetória insana de vida.
                É inegável que esses irmãos profundamente doentes do espírito e da alma estão provavelmente malbaratando derradeiras oportunidades nesse mundo. Afinal, assumindo a transição planetária como um imperativo impostergável, a Terra não poderá mais abrigar em seu seio almas desse jaez se se pretende a prevalência de um mínimo de equilíbrio.
                Seja como for, a misericórdia divina não os desamparará. O despertamento desses indivíduos para as excelsas realidades transcendentais certamente se fará em outras plagas – cujas condições obviamente deverão ser muito aquém das ora a eles proporcionadas. Lá deverão joeirar por meio de experiências santificantes todo o fel que lhes invade as almas, fazendo brilhar às duras penas a sua essência divina. Jesus, nosso mentor e amigo incomparável, asseverou que nenhuma das ovelhas do seu aprisco estaria perdida. Assim sendo, concluímos que esses Espíritos rebeldes não estarão abandonados pelas forças do amor e da sabedoria.

Anselmo Ferreira Vasconcelos


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – jan./2015
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