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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A TIMIDEZ DOS BONS E A OUSADIA DOS MAUS

                No contexto social em que vivemos, ante os dissabores que a sociedade tem colhido, coo decorrência dos desajustes no âmago dos relacionamentos humanos, sugere o Espírito da Verdade, a Allan Kardec, àqueles que já despertaram para os reais valores da vida, que assumam a preponderância, isto é, que deixem a zona de conforto em que vivem, neutralizando a timidez e aguçando a ousadia.
                Ser ousado, aguerrido, atrevido mesmo, não significa insuflar a violência, mas ter a coragem e o arrojo de defender, com bravura e interesse, aquilo que é nobre, digno e ético.
                Não se pode deixar o mal prosperar nos espaços deixados pela timidez que domina os homens de bem. A criatura humana, além de ser boa ainda é indispensável que seja justa. Calar quando se deve falar, esconder quando se deve apresentar, omitir quando se deve participar, obviamente são práticas que em nada contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
                Os maus são ousados, pois que não temem ela reputação, pela probidade, nem se preocupam com a indignação ou opinião das pessoas, são maus e pronto. Fazem barulho, assustam, destroem, e, no momento da perversidade, anestesiados pelo desequilíbrio, a consciência de nada os acusam, por isso são atrevidos e atuam nos espaços onde os bons deveriam estar, ostentando a bandeira da decência, da honestidade e da fraternidade.
                Os bons precisam estar presentes em todos os segmentos sociais; na escola do filho, na associação de bairro, no grêmio estudantil, na associação filantrópica e assistencial, na política, na organização trabalhista, na organização patronal, nas decisões que interessam a comunidade em que vive... enfim, tem que participar, pois se não se apresentarem para a ocupação dos espaços que são seus, sem dúvida, virão os maus e, sem cerimonia, ocuparão as cadeiras vazias e farão o estrago que já é do conhecimento geral.
                Então, não basta criticar, reclamar, gritar por um mundo mais decente, ordeiro e próspero, imperioso se torna a participação para que tais conquistas cheguem mais depressa e sem tento sofrimento.
                Para tanto não será preciso ser expoentes da cultura, da força, da intelectualidade, da fortuna, da virtude, do desprendimento, da caridade, mas sim será preciso, e muito, é de boa vontade e uma hercúlea dose de esforços. Isso, obviamente, está ao alcance de todos... basta querer.
                Sem nenhuma violência, quando os maus perceberem que os espaços estão sendo preenchidos pela ousadia e coragem dos bons, baterão em retirada, por falta de opção e oportunidade, dai em diante será erguido, com segurança, o edifício da paz e da serenidade que tanto desejamos.
                Observemos, então, qual o espaço que nos pertence, na ordem do progresso e ocupemos a nossa cadeira... para servir, obviamente.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2015
imagem: google

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A FORÇA DO PERDÃO

                O que é o perdão? Como praticá-lo? Porque?
                O amor já era uma força revelada por outras tradições religiosas, inclusive, no seio do próprio judaísmo, embora com uma diferença fundamental, pois, enquanto estas estimulavam o amor unicamente entre seus pares, produzindo sectarismo, tais como visto no seio do bramanismo e do judaísmo, Jesus ensinou sobre o amor universal, independentemente do sangue e de castas.
O perdão é uma força revelada com primazia por Jesus. Antes do Mestre, a lei que regia as relação humanas era a do talião, a qual institucionalizara a vingança contida na máxima “olho por olho, dente por dente”.
Na lição ministrada a Pedro, Jesus ensinou a necessidade irrestrita do perdão, representada na operação matemática: 70 x 7. Na divina Oração Dominical apresenta-o como a única relação condicional do Pai para com os filhos: “perdoai nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Não foi por acaso que Jesus se valeu de suas últimas forças físicas para exaltar a força do perdão, ao rogar ao ai nos perdoasse a ignorância.
Como o amor, o perdão é uma força da alma. Fruto do desenvolvimento das potencialidades do espírito, ele transforma o simples ser inteligente em uma Criatura Divina, a qual já se reconhece e ao próximo, como idênticos em capacidades, pois tem a mesma origem e destinação: Deus.
O perdão é o antídoto mais eficiente contra o orgulho, pois, ao reconhecer-se ainda falível, o espírito assume sua igualdade perante o semelhante: ninguém é, de fato, superior, senão o Pai.
Na sua origem o termo pecare significava apenas “errar o alvo”. Este é o real sentido desta palavra e, não, aquele equivocadamente apresentado pela ortodoxia da  igreja, qual seja, o erro que implica numa condenação eterna danação da alma falida. Por isso Jesus sentenciou: “quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”. Não é por outro motivo, aliás, que o próprio Mestre nos ensina: “O Pai não quer a morte do pecadro, mas, sim, a misericórdia!”
Uma análise corajosa desta força nos mostra que, se necessitamos perdoar nosso irmão 490 vezes pela mesma falta, algo está errado também conosco. Igualmente, se, intolerantes, cobramos de nosso irmão certo comportamento moral e ele não corresponde, pode ser porque não tivera ainda oportunidades de aprendizado em existências anteriores e, assim, estamos cobrando de quem não tem para dar. Por isso, sabendo sermos todos espíritos em evolução moral, devemos agir diante do pecador com a mesma misericórdia que o Pai sempre dedica para conosco.
Portanto, o perdão é uma força desenvolvida em benefício, não do outro, mas, sim, do próprio espírito que perdoa, pois este se liberta dos grilhões que nos aprisionam no mundo e nos impedem de atendermos ao pleno cumprimento da Lei de Amor. Foi por amor que Jesus, valendo-se de suas últimas forças, humilhado pelo madeiro da ignomínia, rogou ao Pai nos perdoasse, exemplificando, assim, no seu momento extremo, o que antes já lecionara: “perdoai, porque também tendes necessidade de perdão”.

Paulo Cezar Fernandes


Fonte: Jornal Tribuna do Espiritismo – jan/2016
imagem; google

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ENDINHEIRADOS, MÃOS À OBRA!

(continuação)
                O príncipe da Arábia Saudita, Alwaleed Bin Talal Al-Saud, é um dos homens mais ricos do mundo. Com uma fortuna que gira em torno dos US$ 32 bilhões, ele ocupa a 20ª posição no ranking de bilionários da Bloomberg. Porém, parece que ele quer mudar esse cenário. Ele pretende doar toda sua fortuna para causas filantrópicas. Em um comunicado em seu site, Al-Saud afirma que busca construir um mundo com mais tolerância, aceitação, igualdade e oportunidade para todos. O dinheiro vai para a Alwaleed Philanthropies, que tem parceria coma a Bill & Amp; Melinda Gates Foundation, Carter Center e Weill Cornell Medical College, para reforçar os cuidados de saúde e de controle de epidemias pelo mundo.
                Há pessoas arquimilionárias que tem experimentado significativo desprendimento. Como vimos acima, Warren Buffett, quarto homem mais rico do mundo, prometeu doar 99% de sua fortuna antes de desencarnar. Buffett começou anunciando o direcionamento de 83% para a Fundação Gates. O bilionário afirmou que quer dar aos seus filhos  somente o suficiente para que eles sintam que podem fazer tudo, mas não o bastante para que eles achem que não precisam trabalhar. O poderoso Bill Gates, Michael Bloomberg, Nigella Lawson e o músico inglês Sting não deixarão suas fortunas como herança para os filhos. Ambos defendem a tese que seus filhos precisam trabalhar para ganhar o próprio dinheiro.
                Em rápida digressão, vale aqui interpolar uma oportuna reflexão. No Brasil, o paternalismo e o inócuo assistencialismo estatal não atende às necessidades dos deserdados. Tal cultura gera cada vez mais dependência de raras doações e de crescentes arrecadações. Enfraquece a sociedade, diminui as expectativas de recursos para redistribuição de recursos financeiros. A filantropia pública é uma maneira disfarçada de ditadura ideológica, coerção de liberdade, que não sobrevive ante a necessidade do trabalho de todos. Para que a filantropia sustentável seja praticada, e preciso estímulo ao trabalho, igualdade nas ações públicas e eficiência na administração de recursos arrecadados (impostos). Temos muito o que amadurecer nesse quesito nestas plagas tupiniquins.
                Mormente para os ricaços brasileiros, vai aqui um alerta do além. A reflexão é do Espírito Humberto de Campos: “se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós (no além-túmulo), em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.
                Abastados mãos à obra!

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov./2015
imagem: google

sábado, 26 de novembro de 2016

ENDINHEIRADOS, MÃOS À OBRA!

                Christopher Catrambone, um milionário empresário americano dono de uma companhia que oferece seguros em zonas de conflitos, criou sua própria fundação de resgate de imigrantes. Desde  2014 sai com sua família pelo Mediterrâneo para salvar estrangeiros que se arriscam a atravessar o mar para chegar à Europa. Sem receio de investir toda fortuna e confiante de que se algum dia seu arrependimento em ter gasto todo dinheiro e tempo nas operações de resgate dos imigrantes.
                A tradição da filantropia americana vem de longe. Cremos que Andrew Carnegie seja seu maior ícone e, de certo modo, definidor conceitual. Imigrante pobre, Carnegie fez fortuna na siderurgia americana, na segunda metade do século XIX. Em 1901, aos 66 anos, vendeu suas indústrias ao banqueiro J.P. Morgan e tornou-se o maior filantropo americano. Uma de suas tantas proezas, não certamente a maior, foi construir mais de 3 mil bibliotecas nos Estados Unidos. Em 1889, escreveu o artigo “The Gospel of Weath”, defendendo que os rios deveriam viver com comedimento e tirar da cabeça a ideia de legar sua fortuna aos filhos. Melhor seria doar o dinheiro para alguma causa, ou várias delas, à sua escolha, ainda em vida.
                Em 2009 Bill Gates lançou, junto com Warren Buffett, o mais impressionante movimento de incentivo à filantropia já visto: The Giving Pledge. A campanha tem mais de 120 signatários para participar, basta ser um bilionário e assinar uma carta prometendo doar, em vida, mais da metade de sua fortuna a projetos humanitários. Para boa parte dessas pessoas, doar 50% é pouco. Larry Elisson, criador da Oracle, comprometeu-se em doar 95% de sua fortuna, hoje avaliada em US$ 56 bilhões. O próprio Buffett foi além: vai doar 99%. Como bem observou o filósofo alemão Peter Sloterdijk, parece que, ao contrário do que acreditávamos no século XX, não são os pobres, mas os ricos que mudarão o mundo.
                Sloterdijk obviamente não conhece bem o brasil. Aqui na suposta “Pátria do Evangelho” a grandeza d’alma dos milionários em prol do altruísmo é pura miragem, ressalvando-se as infrequentes exceções. Nos Estados Unidos, o valor das doações individuais à filantropia chega a US$ 330 bilhões por ano. No Brasil, os números são imprecisos, mas estima-se que o montante não passa de US$ 6 bilhões por ano. Apenas 3% do financiamento a nossas ONGs vem de doações individuais, contra mais de 70% no caso americano. Há, segundo a tradicional lista da revista Forbes, 54 bilionários no Brasil. Nenhum aderiu, até o momento, ao movimento da Giving Pledge.
                Explicações não faltam para essa disparidade. Há quem goste de debitar a mesquinhez dos endinheirados brasileiros na conta de nossa “formação cultural”. Por essa tese, estaríamos atados a nossas raízes ibéricas, sempre esperando pelas esmolas do Estado, indispostos a buscar formas de cooperação entre os cidadãos para construir escolas, museus e bibliotecas, ou simplesmente para consertar os brinquedos e plantar flores na praça do bairro. É possível que haja alguma verdade nisso. O rei Dom João III, lá por volta de 1530, dividiu o país em capitanias hereditárias e as repartiu entre fidalgos e amigos da corte portuguesa. Fazer o quê? Enquanto isso, os peregrinos do Mayflower desembarcaram nas costas da Nova Inglaterra (EUA), movidos pela fé e pelo amor ao trabalho, para construir um novo país.

(continua)

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2015
imagem: google

sábado, 12 de novembro de 2016

A VIRTUDE DOS FORTES

                “Sem a humildade, apenas vos adornais de virtudes que não possuis, como se trouxésseis um vestuário para ocultas as deformidades do vosso corpo”. (ESE cap. VII, item XI)
                O progresso moral do ser demanda, com é cediço, muito tempo e muito esforço, através dos quais o homem vai amealhando novas experiências, conhecimentos e virtudes, que, por extensão, fazem nele emergir as forças interiores da alma. Contudo, à medida que o homem dá mais importância aos bens terrenais do que aos espirituais – os únicos que lhe podem assegurar a verdadeira felicidade -, apega-se aos exterior, tira Deus do centro e coloca-se no lugar dEle.
                Há, neste sentido, uma interessante frase do Espírito Paulo de Tarso, inserta na quarta parte, cap. II, pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos: “Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade”. Gravitar, em sentido estrito, significa girar em torno. Nesta perspectiva, a bem de nosso progresso, devemos deixar Deus no centro.
                Para isso, porém, é necessário que sejamos humildes.
                Quando o orgulho sobressai em nossas atitudes, ficamos presos às nossas próprias limitações e incapazes, portanto, de avançar para as conquistas superiores. Na sociedade terrena atual viceja, de modo geral, o culto ao materialismo, disso resultando numa completa inversão de valores. Neste diapasão, adverte Joanna de Ângelis que:
                Há uma confusão muito grande entre os valores éticos que alçam os indivíduos aos patamares da grandeza moral e aqueles que degradam, que vendem sensações soezes, como se a existência humana devesse estar sempre num circo, dando prosseguimento indefinido ao burlesco, ao cínico, ao despudor. (Jesus e Vida)
                Em assim sendo, a falta de resistências morais dá azo a que permaneçamos, não raramente, adstritos a comportamentos impostos por indivíduos que se consideram heróis da atualidade. Ante isso, cumpre-nos citar novamente o pensamento da Benfeitora Espiritual acima mencionada:
                O heroísmo não se expressa través da vilania, da deformidade, do grotesco, mas, sim, em decorrência da coragem e da envergadura que caracterizam os espíritos fortes, humanos e dignificadores da sociedade. (Jesus e Vida)
                Todo e qualquer investimento aplicado na transformação dos recursos espirituais para melhor e do esforço contínuo em favor da promoção da sociedade constitui ato de heroísmo. Não apenas aqueles que tornam os seus realizadores conhecidos e comentados pelo grupo social, mas especialmente quando passam ignorados, constituindo admirável empreendimento interior em benefício da harmonia.
                Desta forma, inferimos que é ato de coragem lutar contra toda essa onda de materialismo e insensatez que grassa em nosso planeta nestes turbulentos dias. Para tal, é preciso ter coragem para fazer diferente. E ser humilde é fazer diferente, pois a humildade é panaceia contra os males originados pelas suscetibilidades do amor-próprio. Eis por que consideramos a humildade como sendo a virtude dos fortes.

Andres Gustavo Arruda


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov./2015
imagem: google

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A VIRTUDE DOS FORTES

                A frase “sem a humildade, apenas vos adornais de virtudes que não possuis, como se trouxésseis um vestuário para ocultar as deformidades do vosso corpo”, (ese, cap. VII, item XI), chama a atenção.
                Afinal, o progresso moral do ser demanda, como é cediço, muito tempo e muito esforço, através dos quais o homem vai amealhando novas experiências, conhecimentos e virtudes, que, por extensão, fazem nele emergir as forças interiores da alma. Contudo, à medida que o homem dá mais importância aos bens terrenais do que aos espirituais – os únicos que lhe podem assegurar a verdadeira felicidade – apega-se ao exterior, tira Deus do centro e coloca-se no lugar d’Ele.
                Há, neste sentido, uma interessante frase do Espírito Paulo de Tarso, inserta na quarta parte, cap. II, pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos: “Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da humanidade”. Gravitar, em sentido estrito, significa girar em torno. Nesta perspectiva, a bem de nosso progresso, devemos deixar Deus no centro. Para isso, porém, é necessário que sejamos humildes.
                Quando o orgulho sobressai em nossas atitudes, ficamos presos às nossas próprias limitações e incapazes, portanto, de avançar para as conquistas superiores. Na sociedade terrena atual viceja, de modo geral, o culto ao materialismo, disso resultando numa completa inversão de valores. Neste diapasão, adverte Joanna de Ângelis que:
                “Há uma confusão muito grande entre os valores éticos que alçam os indivíduos aos patamares da grandeza moral e aqueles que degradam, que vendem sensações soezes, como se a existência humana devesse estar sempre num circo, dando prosseguimento indefinido ao burlesco, ao cínico, ao despudor.” (Jesus e Vida)
                Em assim sendo, a falta de resistências morais dá azo a que permaneçamos, não raramente, adstritos a comportamentos impostos por indivíduos que se consideram heróis da atualidade. Ante isso, cumpre-nos citar novamente o pensamento da Benfeitora Espiritual acima mencionada:
                “O heroísmo não se expressa através da vilania, da deformidade, do grotesco, mas sim, em decorrência a coragem e da envergadura que caracterizam os espíritos fortes, humanos e dignificadores da sociedade”.
                “Todo e qualquer investimento aplicado na transformação dos recursos espirituais para melhor e do esforço contínuo em favor da promoção da sociedade, constitui ato de heroísmo. Não apenas aqueles que tornam os seus realizadores conhecidos e comentados pelo grupo social, mas especialmente quando passam ignorados, constituindo admirável empreendimento interior em benefício da harmonia”. (Jesus e Vida)
                Desta forma inferimos que é ato de coragem lutar contra toda essa onda de materialismo e insensatez que grassam em nosso planeta nestes turbulentos dias. Para tal, é preciso ter coragem para fazer diferente. E ser humilde é fazer diferente, pois a humildade é panaceia contra os males originados pelas suscetibilidades do amor –próprio. Eis porque consideramos a humildade como sendo a virtude dos fortes.

Andres Gustavo Arruda


Fonte: Jornal Tribuna do Espiritismo – nov./2015
imagem: google

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

TEMPO DE PERSEVERAR

                É inegável que a modernidade trouxe consigo grandes benefícios para a humanidade. Hoje, temos acesso a pessoas, informações e produtos de maneira quase instantânea. Distâncias e temos foram virtualmente eliminados. Essa nova realidade, contudo, tem também os seus contratempos.
                Zygmunt Bauman, ilustre sociólogo polonês criador do conceito de “modernidade líquida” e um dos mais influentes pensadores da atualidade, afirmou em recente visita ao Brasil: “Se demoramos mais de um minuto para acessar a internet quando ligamos o computador, ficamos furiosos. Um minuto só! Nosso limiar de paciência diminuiu. Outra coisa é a persistência. Conseguir algo contém em si um número de fracassos que faz com que você perca tempo e tenha que recomeçar do zero. E isso é muito complicado. Não é fácil manter essa persistência nesse ambiente com tanto ruído e tantas informações que fluem ao mesmo tempo de todos os lados.
                O ser urbano e globalizado da atualidade vai, cada vez mais, perdendo contato com os ciclos e processos naturais de desenvolvimento presentes em cada aspecto da natureza, passando a acreditar que todos os mecanismos da vida são regidos pela mesma velocidade do mundo em que está inserido. Em termos de conquistas espirituais, no entanto, o processo é muito diverso, como nos adverte o benfeitor Emmanuel: “Não te creias capaz de trair o espírito de sequência que rege todas as forças e todas as tarefas da natureza”.
                É por alimentarem a ilusão de que as aparentes facilidades da modernidade estarão também presentes na busca pelos valores eternos que muitos se frustram e acabam desistindo ante os primeiros obstáculos encontrados, perdendo preciosas oportunidades de crescimento espiritual. Tudo que traga consigo algum tipo de dificuldade ou exija uma maior cota de sacrifício e de tempo para ser alcançado é então descartado, tido como inconveniente, valorizando-se assim, na maioria das vezes, as conquistas transitórias em detrimento das imperecíveis.
                Disse-nos, porém, o Mestre: “quem perseverar até ao fim, esse será salvo”. O termo utilizado pelo evangelista, traduzido no texto como perseverar, está vinculado à palavra grega hypomoné, de significação ampla, à qual também se podem relacionar, além da perseverança, a resistência, a firmeza e a paciência. Por essa razão, ora é traduzida nos evangelhos como perseverança, cora como paciência. Fica assim evidenciada a profunda ligação entre estas duas virtudes, definidas por Jesus como essenciais para a salvação, isto é, para a redenção espiritual do ser. Complementa ainda Emmanuel: “O tempo não respeita as edificações que não ajudou a fazer. Sem o concurso do tempo, secundado pela perseverança e pela paciência, não existem deificações reais para o espírito.
                As Leis Divinas não se harmonizam com privilégios ou subterfúgios. A questão é de vontade e esforço pessoal, de saber perseverar, com paciência, até à conquista dos valores imortais. Para todo aquele, pois, que se propõe a seguir as pegadas imperecíveis do Divino Mestre, ecoam, pelos séculos afora, as sublimes palavras: “Com a vossa perseverança adquiram as vossas almas”.

Artur Valadares 


Fonte: Jornal Tribuna do Espiritismo – nov/2015
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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS, SE NÃO NASCER DE NOVO

                Observamos que durante nossa existência atual, imergidos ainda nas paixões materiais, nossos objetivos imediatos são aqueles que dizem respeito à família, às amizades, às relações sociais, ao trabalho e tantos outros que fazem parte de nossas aspirações existenciais atuais e materiais. Quando tudo concorre ao nosso bem-estar e conquistas isso nos garante satisfação física e emocional momentânea.
                Embora muitos de nós mesmos, possuindo esclarecimento doutrinário, muitas vezes já resolvidos materialmente e tendo garantido conquistas que nos deixam satisfeitos, devido nossa posição na vida atual, encontramo-nos, muitas vezes, mortos, pelo desânimo e incapacidade de realizar algo que não é material e sim moral.
                Quantos de nós ainda estamos mortos, pelo orgulho do perdão não realizado, pelo remorso do tempo perdido, pela preguiça da prática no bem por considerarmos que já estamos com uma vida estabilizada e nada mais precisamos realizar! Quando sabemos que a verdadeira vida não é a material e sim a espiritual, o que remete a prática de ações benéficas e transformações morais que devemos realizar... reconhece-se o verdadeiro espírita pelos esforços que faz para mudar suas más inclinações.
                É imprescindível que mesmo com as dificuldades que temos, os problemas que sempre atormentam a alma, os desânimos que nos acometem, tenhamos coragem para nascer de novo.
                Nascer de novo para o perdão, nascer de novo para vencer nossos vícios, nascer de novo para buscar a mudança íntima que deve ser realizada pouco à pouco, e assim sermos exemplos para aqueles que estão a nossa volta.
                É nesse sentido que abordamos o tema ora estudado, onde observamos que estamos tendo a dádiva da presente reencarnação, para buscarmos nosso progresso e realizarmos ações que nos promovam o progresso espiritual.
                Na pergunta 167 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: Qual é o objetivo da reencarnação? Responde o Espírito da Verdade: expiação, aprimoramento progressivo da humanidade, sem isso, onde estaria a justiça?
                Deus que é soberanamente justo e bom dá-nos agora a oportunidade de realizar, aprimorar e corrigir nossas mazelas e buscar o progresso.
                Pois como na frase de Kardec: Nascer, viver, morrer, renascer de novo e progredir continuamente, tal é a lei, temos o devido esclarecimento e a base para que sigamos convictos de nossa posição e missão junto a Doutrina Espírita e nossa transformação moral.
                Assim, sigamos confiantes ante aos obstáculos que surgirão, com a certeza que estamos nascendo de novo a cada amanhecer, para realizar as obras que nos são confiadas.

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – set/2015
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sábado, 17 de setembro de 2016

ENGANOS E EQUÍVOCOS

                “Crescerás horizontalmente, conquistarás o poder e a fama, reverenciar-te-ão a presença física na terra, mas, se não trouxeres contigo os valores do bem, ombrearás com os infelizes em marcha imprevidente para as ruínas do desencanto”.  (Emmanuel, no livro “Fonte Viva”, psicografia Francisco Cândido Xavier)
                Em todos os setores do mundo, nunca se observou tantas conquistas tecnológicas e avanços materiais como nos dias presentes, e, em todos os níveis humanos, nunca se identificou tantas dores e sofrimentos, aflições e angústias como nos momentos atuais.
                Cresce o homem em intelectualidade ao passo que distancia-se da moralidade. A vida na Terra torna-se mais confortável e atrativa e os dramas sociais e psicológicos prosperam assustadoramente.
                As criaturas, observando as condutas que imprimem, parecem querer viver de forma onde para se conseguir a realização dos sonhos e desejos, tudo pode, tudo vale, mesmo que o preço pago para isso seja alto demais.
                Os valores morais e espirituais seguem esquecidos ou relegados a planos secundários, enquanto os valores materiais, sensuais e transitórios são buscados com sofreguidão e ansiedade.
                Se estamos no mundo é obvio que não podemos deixar de viver nele e contar com os recursos de toda natureza que ele nos oferece, o perigo e o equívoco estão em se dedicar mais atenções ao que é efêmero, ilusório e passageiro do que ao que é definitivo e duradouro.
                O resultado aí está estampado; tragédias, dramas, complicações familiares, acidentes e outros que formam o cortejo indesejável, mas real, da vida que levamos.
                O consumo tabagista, com as consequências nefastas que trás, anda a níveis extraordinários, onde proporcionamos lucros às empresas fabricantes de cigarros e poluímos o nosso corpo com a sujeira dos malefícios que arruínam a nossa saúde.
                O álcool, esse veneno livre, tem imensa adesão e é aplaudido por quase a totalidade humana, deixando à retaguarda um rastro de violência e destruição, muitas vezes irreversível. E o que é ainda pior e triste, sendo consumido, cada vez mais, por crianças e jovens desavisados, principalmente diante da omissão dos próprios pais e responsáveis.
                Os tóxicos mais pesados, que movimentam clandestinamente milhões de reais, ajudam, com forte poder, a destruir a jovem geração do presente, esta que deverá forjar o caráter, o amadurecimento e as experiências daqueles que terão, em dias futuros, os destinos sociais nas mãos. Por quem e como seremos dirigidos amanhã?
                A sexualidade tomando caminhos bestiais, embrutecidos e animalizados, onde se substitui o sentimento das uniões respeitosas e dignas entre as pessoas, tornando-se uma ilha de prazer e loucuras sem freios, limites e medidas. Uniões e desuniões se processam num verdadeiro bailado de indiferenças para com os nobres valores humanos.
                E as famílias decorrentes desses descasos e sentimentos brutalizados vão se esfacelando, produzindo com isso criaturas desequilibradas, omissas e perigosas que chegando ao meio social esparramam a ruína e a dor.
                Será que essa é a proposta humana? Viver na Terra como se tudo possa durar tão pouco? Alguns anos, décadas? É, então, tempo de perguntar: De onde viemos, o que fazemos aqui e para onde vamos?
                Ainda dá para refletir e mudar. Informações não nos faltam, da ciência, da filosofia e da religião. Busquemos por elas para redirecionarmos a rota da nossa existência.
                Não estamos numa colônia de férias, nem num paraíso de delícias, mas neste mundo, em busca de consolidação dos valores definitivos, tais como amor, respeito, caridade, solidariedade, disciplina, paciência, etc, tudo o mais que diferir deles, por certo, nos acarretarão sérios problemas e dissabores.
                Todos desejamos a felicidade, mas a forma e a maneira de busca-la é que nos garantirão as condições básicas para conseguí-la ou não.
                Tomemos cuidado com os enganos e equívocos.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – Set/2015
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CARIDADE DO CENTRO ESPÍRITA

                A função primordial do Centro Espírita: ensinar, educar, divulgar, estudar... são caracteres da verdadeira caridade, sem prejuízo daquela a que todos nos envolvemos com mais facilidade que é a caridade material.
                Já é ponto pacífico no movimento espírita o entendimento da importância da divulgação e estudo de nossa Doutrina, como providência prioritária, para bem dotar a criatura humana de recursos que a auxiliem a vencer os desafios existenciais. Também, já é do conhecimento e prática dos espíritos a envolvimento e trabalho com as entidades assistenciais, inspiradas em nome do espiritismo, todas prestadoras de grandes serviços ao Brasil.
                Ao lado, porém, de todo esse trabalho executado ao longo de  décadas de dedicação e boa vontade, trago aos leitores alguns pontos para reflexão, extraídos do magnífico livro “Tramas do Destino”, do Espírito Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco, relativos ao binômio Centro Espírita e assistência social. Acompanhe comigo (são trechos de diversos capítulos, em transcrições parciais do citado livro).
                São os seguintes pontos:
1.       Pensa-se muito em estômagos a saciar, corpos a cobrir, doenças a curar... Sem menosprezar-lhes a urgência, o Consolador tem por meta principal o Espírito, o ser em sua realidade imortal, donde procedem todas as conjunturas e situações, que se exteriorizam pelo corpo e mediante os contingentes humanos, sociais, terrenos.
2.       A assistência social no Espiritismo é valiosa, no entanto, se previnam os trabalhadores da última hora contra os excessos, a fim de que a exaustão com os labores externos não exaura as forças do entusiasmo nem derrube as fortalezas da fé, ao peso da extenuação e do desencanto nos serviços de fora.
3.       Evangelizar, instruir, guiar, colocando o azeite na lâmpada do coração, para que a claridade do espírito luza na noite do sofrimento, são tarefas urgentes, basilares, na reconstrução do Cristianismo.
4.       A caridade material merece consideração e carinho, dedicação e esforço de todos nós, que devemos conjugar forças para seu cumprimento. Mas a caridade mora, de profundidade, a tarefa do socorro espiritual, não contabilizada, nem difundida é urgentíssima, impondo-nos a necessidade de atenção e zelo.
5.       Que temos feito do valioso patrimônio da fé? Qual a nossa real posição perante a vida? Quais os esforços que envidamos para modificar a situação vingente?
6.       Dependerá do desejo salutar de nossa parte preservar e manter os estados vigentes do relaxamento moral e social, ou modificar as paisagens terrenas, iniciando a empresa em nós mesmos, desde agora...
7.       Estes dias resultam dos dias passados que se caracterizaram por sementeira infeliz.
8.       O futuro, no entanto, encontra-se aqui, a depender de nós todos e de cada um em particular.
9.       Multiplicam-se admiráveis locais de socorro humano, material, iniciados a expensas do Consolador, onde a técnica vem substituindo o amor, com a saturação do serviço pelo excesso e repetição gerando irritação e mal-estar e fazendo que se falhe nas horas do socorro moral, nos atos de paciência e humildade, nos ministérios espirituais da palavra esclarecedora, do passe reconfortador...
10.   Multiplicam-se os métodos de simplificação, ensejando frieza ao ministério e ausência de calor humano, falta de afeição espiritual ao sofredor.
11.   O tempo encolhe e a pressa lhe toma o lugar, não havendo, já, em muitas Entidades, lugar nem tempo para Jesus ou para os obsidiados, os ignorantes do espírito, os impertinentes, tais as preocupações, os compromissos sociais, as campanhas e movimentos pela aquisição argentária.
12.   Sem qualquer restrição à prática da caridade material, inadiável e sempre presente a todo tempo e em qualquer lugar, a excelente caridade moral, a luminosa caridade espiritual, que beneficiam o paciente e edificam o benfeitor, fortalecendo-os e alegrando-os no Senhor, com quem deverão manter fortes vínculos de perfeita comunhão interior, constituem-se em imperativo primordial e insubstituível.
Por isso, mãos à obra no trabalho de estudo e divulgação espírita. Investimento no estudo doutrinário, esforço na divulgação do livro, motivação ao próprio espírita para que se engaje mais e torne-se, também, um multiplicador desta mensagem forte de esperança e renovação do quadro social de nosso sofrido planeta.

Orson Peter Carrara


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – set/2015
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terça-feira, 5 de julho de 2016

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI II

                A pluralidade dos mundos e das existências é um dos pilares do espiritismo. Se, por um lado, algumas religiões e doutrinas espiritualistas até aceitam a existência de um Deus, a imortalidade da alma e a vida futura, já não é tão frequente a aceitação dos conceitos da reencarnação e pluralidade dos mundos habitados. Mas, para quem se diz adepto do espiritismo, é fundamental crer que, num universo infinitamente grande, existem muitos mundos habitados por espíritos como nós, só que em diferentes graus de evolução. Essa aceitação nos aproxima da frase do Mestre de que são as muitas moradas na casa do Pai e exalta a grandeza da criação e o seu propósito. Claro que é preciso entender o homem como resultante da composição espírito+períspirito+corpo. Na condição de espíritos fora da carne, somos inteligências incorpóreas, vivendo em outra dimensão, caracterizada por organização e constituição diferente da Terra. São colônias ou comunidades de transição, onde os espíritos se reúnem de forma homogênea baseados em laços de afinidade, caracterizados pelo estágio de elevação moral.
                A literatura espírita nos dá conta da existência de várias esferas de vida no Mundo Maior, cada uma com suas peculiaridades. E o que torna a ideia palatável, tangível e muito mais adequada aos conceitos de Justiça, Poder e Bondade, atributos de Deus, é a de que estamos todos integrados ao trabalho. Ao contrário do que se prega, o labor não é castigo divino, trabalhar é a grande misericórdia divina atuando em nosso favor. Para conhecer e passar pelas diferentes moradias da Casa do Pai, precisamos aprender a labutar na seara do Mestre. É por isso que a doutrina espírita não se baseia na prosperidade terrena e, sim, na evolução moral. O ensino dos espíritos sobre a vida de além-túmulo é um constante lembrete ao espírito apraz o trabalho, porque a ociosidade não é o paraíso; no universo não há lugar algu destinado à contemplação estéril ou à beatitude ociosa. Não existe espaço vazio na criação de Deus, os buracos negros exaltados pela Ciência são aparentes, pois em tudo há vida. Todas as regiões do espaço estão povoadas por espíritos laboriosos. Aqui, ali e acolá, todos os dias, horas, minutos e segundos há bandos, enxames de almas que sobem, descem ou agitam-se no meio da luz ou na região das trevas. Seareiros da luz levam socorro e consolação aos desgraçados que os invocam. Na Terra ou em qualquer outra morada, cada um tem o seu papel e concorre para a grande obra, na medida de seu mérito e de seu adiantamento. Como León Denis vaticina, “o universos inteiro evolui. Como os mundos, os espíritos prosseguem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas. Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a aclamar, amor, expiação, devotamento, sacrifício, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os precipitam na obra; e, nessa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a vida.
                A imobilidade e a inação é o retrocesso. É a morte. Sob o impulso da Grande Lei, seres e mundos, almas e sóis, tudo gravita e move-se na órbita gifantesca traçada pela vontade divina”. (Depois da Morte)

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2015
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segunda-feira, 4 de julho de 2016

HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI I

                “Há muitas moradas na casa de meu Pai” – disse Jesus. Milênios depois, os Espíritos erguem suas vozes para nos provarem com máxima clareza de que não estamos sozinhos no Universo. Apesar de tantas evidências, algumas constatadas pela própria ciência dos homens, ainda hoje não é raro encontrarmos aqueles que, em pleno terceiro milênio, na chamada Era do Conhecimento, ainda possuem do Universo a velha e ultrapassada visão que permeou a Idade Média de que “acima está o Céu, onde mora Deus, Jesus, o Espírito Santo e os Santos; na superfície da Terra, estamos nós, os seres humanos; e, debaixo da Terra, está o Inferno, com o Diabo e as almas de todos os condenados.”
                Visão simplista, mas que perdura, principalmente entre aqueles que não exercitam sua capacidade de raciocínio e preferem viver sob os véus dos “mistérios da fé”. Mesmo entre aqueles cristãos em que a visão do universo não seja tão antiquada, ainda há muita resistência em aceitar a ideia de que há muito mais gente no mundo do que os viventes neste planeta. Quando se fala em vida inteligente fora da Terra, o pensamento ainda nos conduz aos filmes de ficção, dos homenzinhos verdes e dos discos voadores.
                Houve um tempo, em que alguns homes sofreram agruras porque ousaram, depois de muito estudar e pesquisar o universo, considerar que a Terra não era o centro do universo e que existiam outros mundos. Para os poderosos da época, estes pensadores, de certa maneira, retiravam a “importância” que as religiões davam à Terra como mundo solitário. Mesmo hoje, miitos de nós ainda cremos num Jesus filho único de Deus, que veio salvar a humanidade, derramando o seu sangue. Achamos que já nascemos em pecado (teoria do pecado original), e que o propósito de Deus foi nos enviar o seu filho amado para morrer numa cruz só para nos “redimir” dessa nódoa de nascença. O raciocínio é este: Deus cria o mundo; Deus arrepende-se; Deus cria os anjos, um deles se rebela e vira demônio; Deus cria o bem, o demônio inventa o mal e contamina os homens; então, Deus destrói o mundo com um dilúvio universal; mas, Deus arrepende-se novamente, e desta vez, envia o seu filho único para morrer numa cruz e nos libertar do pecado. Objetivamente, aí está o resumo da crença das várias religiões cristãs. É a Terra constituindo todo o universo e Deus conjeturando todo o seu poder apenas para salvá-la.
                Aí, então, os séculos passam... As ciências se aprimoram, novos equipamentos surgem, os homens partem para o espaço com suas naves potentes. Vem a impiedosa e incorruptível ciência mostrar-nos que a Terra, no universo, nada mais é do que um grãos de areia nos desertos da Terra. As naves espaciais provam que Deus não está “lá em cima”, vigiando atentamente a sua criação na Terra. Descobrimos uma infinidade de mundos, sistemas, planetas e entendemos que somos um “tiquinho” na vastidão do cosmos. Finalmente, escancara-se a grande verdade: há muitas moradas no universo. Mas, tudo isso é o quê? Quintal da Terra, paisagem para agradar o homem da Terra? Cientistas conceituados como Carl Sagan ou Stephen Hawking, ousam defender abertamente que, se existem outros planetas, existem outras formas de vida. E se existem outras formas de vida, algumas devem ser tão ou mais inteligentes do que nós. Não! Berram os antigos que ainda moram dentro de nós. Sim! Afirmam os Espíritos. Sim! Nos mostra, também, a razão.

(continua)

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2015
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terça-feira, 7 de junho de 2016

ESTRUTURA FAMILIAR

                A família é, incontestavelmente, uma célula educadora. Nela a criatura aprende a ampliar responsabilidades, a multiplicar sentimentos, a valorizar a fraternidade, a desenvolver o senso de proteção, a pensar em conjunto, a perder a individualidade e a banir a solidão.
                Sem qualquer dúvida, trata-se da base social.
                Jamais podemos pensar na deificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sem contarmos com a devida, necessária e indispensável estruturação da família. Se registramos, na coletividade, comportamentos nocivos e deletérios, onde seres humanos se apresentam de forma desequilibrada e fora dos padrões da decência e da dignidade que se espera, certamente a origem das distorções, na maioria dos casos, tem o nascedouro na família em desalinho.
                Edifica a família aquele que tem plenas convicções da urgência e necessidade de educar os filhos formando-lhes o caráter, não apenas dando-lhes instrução, pois que isso a escola também pode fazer, educar é tarefa prioritária da família, onde exemplo é a lição mais forte.
                Edifica a família os cônjuges que se respeitam sentimentalmente, mantendo-se fiéis aos compromissos de fidelidade. Diferença de opinião não se caracteriza como motivo para desavenças e querelas. Podemos, perfeitamente, ter pensamentos diferentes uns dos outros e caminharmos juntos.
                Edifica a família os membros eu elegem o trabalho como base de sobrevivência e aprendizado, sem que um seja peso econômico para o outro. Trabalho não é castigo, é sagrada oportunidade de aprendizado e de equilíbrio físico e mental.
                Edifica a família quem mantém em seu lar um clima de cortesia, afabilidade, entendimento e solidariedade, onde se vislumbra as qualidades dos componentes e se trabalha em conjunto para a correção dos defeitos naturais que ainda ostentam.
                Edifica a família quem carrega para dentro dela noções de religiosidade, pois ninguém conseguirá entender as razões lógicas da vida sem refletir, maduramente, na grandeza, bondade e perfeição das leis divinas.
                Edifica a família aquele que permanece dentro dela mesmo carregando grande cota de sacrifício sobre os ombros, pois quem não consegue servir ao próximo mais próximo terá dificuldade em encontrar a paz.
                Edifica a família quem sabe perdoar, esquecer e cultivar a resignação, pois que num agrupamento de seres humanos, ante o estágio evolutivo que nos encontramos, ainda são frequentes os momentos de desajustes que exigem paciência e calma.
                Estruturar a família não é tarefa fácil, mas indispensável para continuarmos sonhando com a paz e a felicidade, pois tais conquistas somente se fixarão, definitivamente, em nosso âmago, no instante em que conseguirmos plantá-las nos corações alheios, e, nada mais justo e lógico do que iniciarmos essa tarefa pelos nossos familiares.
                Em verdade, fácil é conquistar no mundo, difícil é vencer na família. Muitas criaturas conhecem a aprovação social pelos feitos que apresentam, mas recebem a reprovação dos familiares devido ao descumprimento dos deveres básicos. Ainda, a vitória fora do lar sem o amparo da família sólida, não terá o sabor que se espera.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2015
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segunda-feira, 2 de maio de 2016

DE ONDE SURGE A MALDADE II

                A humanidade vem nos últimos anos passando por transformações viscerais. A influência do materialismo sobre as questões e a vida social cresce consideravelmente. Os valores morais estão sendo corrompidos com assombrosa velocidade. Nunca o mundo precisou tanto dos ensinos espíritas como nestes tempos atuais. Vivenciamos instantes em que se aguça a revolta nos corações em face da imposições de ideologias falidas, e nos vendavais da tecnologia somos remetidos aos acirramentos das separatividades e isolamentos, estabelecendo-se níveis de revoltas sociais inaceitáveis.
                Obviamente não há como se desconhecer a luta pela subsistência. Há as enfermidades, as insatisfações, os conflitos emocionais, os desenganos. As imperfeições próprias daqueles com os quais convivemos. Enfim, as variadas vicissitudes da existência. Nessa autêntica desordem, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.
                Devemos interrogar a própria consciência, passando em revista os atos cotidianos, para a identificação dos desvios dos deveres a serem cumpridos e dos motivos alheios de queixa por conta dos nossos atos. Revisemos periodicamente nossas quedas e deslizes no campo moral, ativando a memória para nos lembrarmos dos tantos espinhos que já trazemos cravados na carne do espírito, tal como ensina Paulo de Tarso. Estes espinhos nos lembrarão a nossa condição de enfermos em estágio de longa recuperação, necessitados de cautela. O mal não é invencível, pelo contrário.
                Não conseguiremos nos livrar das consequências advindas dos males que praticamos. O mal que nasce em nós nos impregna e temporariamente passa a fazer parte de nossa personalidade. Paulo de Tarso, na sua carta aos romanos, tece comentários sobre as lutas que deve travar para combater o mal em nós mesmos, em frase já célebre: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço”. O mal a que se refere Paulo em suas epístolas é o mal trivial que subsiste em nós e é alimentado por nossa vontade. E que, em certa medida, nos proporciona prazer pelo torpor de consciência.
                A escuridão é somente ausência da luz. Não é real. Só Deus é vida; somente o bem é a finalidade da vida. Para que possamos vislumbrar um mundo sem angústias e nem problemas sociais, livres das misérias econômicas e políticas, apelemos para o amor incondicional, que possui os recursos eficazes para a conciliação, o perdão, a transformação moral, fomentando o bem para o progresso, o que concorre para enriquecer nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdade, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.
                Em suma, o mal deriva do coração humano e a batalha do bem contra o mal, tema de incontáveis livros e filmes, deve ser travada nos domínios dos nossos próprios corações, acima de tudo.

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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sábado, 30 de abril de 2016

DE ONDE SURGE A MALDADE? I

                O significado do termo maldade tem conexão com a qualidade daquele ou daquilo que é mau, com a ação maligna, a iniquidade e a crueldade. Mas por que alguns têm atrativo pela perversidade? O tema sempre inquietou os pensadores dos mais diversos campos do saber e da ação humana: filosofia, ciência, arte, religião.
                Historicamente, segundo alguns modelos previsíveis, os males humanos pareciam não mais destinados a preocupar os pensadores, pois que a maldade parecia ser circunscrita. Para alguns estudiosos o holocausto, durante a Segunda Grande Guerra, reacendeu-se o debate sobre os limites da barbárie, da perversidade humana, lançando no universo intelectual europeu e mundial uma onda de pessimismo e ceticismo.
                Hanna Arendit, filósofa judia, que estudou as questões do mal, escreveu o livro Eichmann em Jerusalém, que analisa o julgamento do verdugo nazista, mentor da morte de milhares de pessoas. Tendo como referencial o caso Eichmann, a autora justifica que o mal pode tornar-se banal e difundir-se pela sociedade como um fungo, porém apenas em sua superfície. Para Arendt, as raízes do mal não estão definitivamente instaladas no coração do homem e por não conseguirem penetrá-lo profundamente a ponto de fazer nele morada, podem ser extirpadas.
                Para muitos, o mal seria mais forte que o bem, e que os Espíritos do mal estariam conseguindo sobrepujar os Benfeitores espirituais, frustrando-lhes os desígnios superiores. Em que pese a antiga tradição de tais assertivas, elas são insustentáveis e falsas; diríamos mesmo absurdas. Admitir o triunfo do maligno a prejuízo da humanidade é o mesmo que negar ao Senhor da Vida os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser o Senhor da Vida.
                O mal não advém dos Estatutos do Todo-Poderoso como concebem alguns incautos, especialmente aqueles que vivem distanciados do entendimento da Boa Nova. O mal é transitório, não tem raízes. Para o Espiritismo o mal é criação do próprio homem e não tem existência senão temporária, transitória, pois no arranjo maior da Vida não tem sentido a permanência do mal. No capítulo em que trata da escala espírita, o Codificador, ao situar os Espíritos imperfeitos na terceira ordem, traça como seus caracteres gerais “Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes”. (Livro dos Espíritos – 89)

(continua)

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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segunda-feira, 11 de abril de 2016

AMOR: O MAIOR MANDAMENTO ENSINADO POR JESUS II

                Somente o amor fará com que extirpemos de nosso coração o egoísmo, pois ele impede nosso progresso moral. E para que consigamos vencer esse mal é preciso muita coragem. É preciso ter mais coragem para vence-se a si mesmo do que para vencer os outros. Isso porque o egoísmo é uma chaga tão ultrajante que é capaz de derrocar todas às inteligências. O egoísmo é a negação do amor.
                O amor é a caridade em ação e é impossível desvincular a palavra amor de caridade, pois caminham juntas e amar ao próximo como ensinou Jesus é dar de seu sentimento puro e único em favor do semelhante.
                Com o tempo devemos compreender que a caridade material, essa de dar coisas materiais, se dá com a consequência da espiritualidade e moralização do homem. Então entendemos que a caridade é uma disposição íntima ativa e dinâmica, que se manifesta das mais variadas formas: em pensamentos de amor e bondade, em conselhos úteis, em doar horas de nosso tempo e favor de ouvir alguém, em alimento e recursos na hora certa, em força que reanima!
                O comportamento caridoso é aquele que não espera ou exige reconhecimento, gratidão  ou qualquer tipo de recompensa e é justamente esse desapego dos resultados que caracteriza o indivíduo caridoso, pois ele se disponibiliza ao outro pela simples satisfação que isso lhe proporciona. A nossa felicidade verdadeira está em fazer os outros felizes.
                Na pergunta 886, de O Livro dos Espíritos, observamos a instrução dos espíritos frente ao posicionamento do verdadeiro cristão: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendia Jesus? Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.
                E o que é ser benevolente? É ter boa vontade para com os outros. É se deixar guiar pela amabilidade, pela generosidade e solidariedade, pelo interesse para com o bem-estar do outro, indistintamente.
                O que é ser indulgente? É a capacidade de aceitar e tolerar as atitudes alheias, julgando com bem menos severidade seus erros e equívocos. Suportando as diferenças uns dos outros.
                O que é perdão? É libertar-se, desvincular da raiva e do ressentimento que mentalmente os prendem ao outro, é sobrepor o amor ao orgulho ferido, sem mágoas no coração.
                A caridade, portanto, é o amor em ação. Mas, não esse amor da qual hoje a sociedade moderna nos insufla, esse não é o amor. É o amor como ensinado por Paulo na passagem aos Coríntios do Evangelho: “Se eu falar a língua dos homens e dos anjos, e não tiver a caridade, não tiver o amor, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine... se não tiver a caridade, o amor, eu nada sou.”
                O amor sem externar ação da caridade, seja das mais variadas formas, não é o verdadeiro amor!
                Sejamos nós, autores da ação íntima do verdadeiro germe do amor, distantes de instintos perturbadores e das sensações superficiais, das quais muitos buscam na atualidade e comprometem-se pelos prazeres mundanos. Sejamos a chama da ação do amor ao próximo, assim como ensinou Jesus.

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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sábado, 9 de abril de 2016

AMOR: O MAIOR MANDAMENTO ENSINADO POR JESUS I

                “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. (Mateus XXII)
                Eis a Lei que resume toda máxima e preceitos do cristo, a qual, no capítulo XV, do Evangelho Segundo o Espiritismo, também bem nos complementar as informações: “Não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo conta Deus’. Com um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e misericordioso, ela fez do amor de Deus e da caridade para com o próximo a condição indeclinável da salvação e nosso progresso, dizendo: “Amai a Deus sobre todas as coisas e o vosso próximo como a vós mesmos; nisto estão toda a lei e os profetas; não existe outra lei. Sobre esta crença, assentou o princípio da igualdade dos homens perante Deus e o da fraternidade universal”.
                E Jesus, o modelo a ser seguido, pautou toda Sua doutrina na Lei de Amor, pois o Amor é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. “No seu ponto de partida o homem só tem instintos, mais avançado e corrompido, só tem sensações, mais instruído e purificado, tem sentimentos. O amor é o requinte dos sentimentos.”
                O instinto é a germinação, são embriões do sentimento, e todos nós possuímos a centelha desse fogo sagrado, que é o Amor depositado em nossos corações. Esse germe do Amor se desenvolve e cresce com nossa moralidade e inteligência.
                Portanto, estamos ainda muito distantes desse amor sublime e verdadeiro tal qual ensinou e exemplificou Jesus, uma vez que encarnados muitas vezes levamos aos instintos materiais ou sensações, por ações físicas o que acreditamos ser amor! Somente mais instruídos e purificados, entenderemos o verdadeiro sentido do Amor. Daí a máxima deixada por Lázaro no Evangelho: “Feliz aquele eu ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo.”
                Então, percebemos como estamos cada dia mais adoentados da alma que reflete patologicamente no corpo. Quantas doenças existentes entre nós causadas pela angústia, cólera, raiva, ódio, intolerância e incompreensão são advindas porque não temos purificado em nós o sentimento do Amor.
                Arrastamos por anos em nossa existência atual pensamentos de vingança, nutrimos o ódio, a inveja dando lugar ao egoísmo nas relações humanas. Nunca estivemos tão sozinhos, solitários individualistas por nossa própria opção.
                Mas, para praticar a Lei de Amor como Deus a que, é necessário que amemos pouco a pouco e indistintamente a todos nossos irmãos. Essa tarefa é longa e difícil, mas será realizada pois, faz parte de nossa doutrina e cedo ou tarde seremos arrastados pelo progresso da humanidade.

(continua)

Juliana P. C. Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – maio/2015
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sexta-feira, 4 de março de 2016

UMA REFLEXÃO SOBRE A NOVA ERA

                “Na casa de meu Pai há muitas moradas”.  Jesus
                O nosso planeta já passou por inúmeras mudanças ao longo dos tempos.
                Desde sua criação, tivemos constantes mudança, mas todas em torno de guerras, o forte mandando no mais fraco. Desde o início dos tempos, sempre tivemos o orgulho a vaidade e toda sorte de comportamentos não edificantes dominando o planeta.
                Tantos já falaram em destruição do planeta, já criaram tantos deuses, como também já acabaram com DEUS inúmeras vezes.
                De tempos em tempos a espiritualidade nos dá um conforto, nos impulsiona para frente com o envio de profetas, espíritos iluminados, cientistas e filósofos, ou seja, pessoas que nos mostram sempre a possibilidade de um mundo melhor.
                Tivemos Sócrates, Platão, Moisés, osso Mestre Jesus, Francisco de Assis, bem como tantos cientistas, poetas e outros desconhecidos para nos mostrarem que o Amor sempre vence e vencerá.
                No final do século XIX tivemos Kardec, com a implantação do espiritismo, nos apresentando um caminho, chamado por Jesus de O Consolador. Nesse momento nos foi mostrado que uma nova fase estaria por chegar.
                Passamos pela fase de planeta primitivo, onde reinava os clãs, as tribos, não existia qualquer espaço para a inteligência formal, nem sentimentos mais profundos. Nessa fase nós estávamos mais próximos da animalidade do que da racionalidade.
                Depois entramos na fase de mundo de expiação e provas, na qual vivemos ainda hoje. Um planeta de sofrimento, a ponto de nos dizer Jesus: “A felicidade não é desse mundo”. Um mas de ilusões e paixões, um planeta onde, já em plena atividade intelectual, ainda com comportamento animalesco, egocêntrico e dependente do material, em círculos contínuos de idas e vindas em sucessivas reencarnações expiatórias.
                A marcha da evolução não para, e nós estamos para adentrar a Nova Era, esse novo período, falado por muitos espiritualistas como sendo uma nova fase de evolução. Um novo momento, uma nova energia dando oportunidade para espíritos preparados começarem a reencarnar, dando ao nosso planeta uma outra dimensão. No entanto, como no dizer de Jesus, nem todos poderão participar desse banquete, somente aqueles que estiverem vestidos com a roupa nupcial. Esta roupa não seria uma evolução compatível com o novo estado de espiritualização do planeta? Não seria um posicionamento nosso dentro de padrões éticos e morais condizentes com o novo momento?
                Não significa que estaremos no terceiro milênio dentro de um paraíso, mas sim, numa nova fase: muito ainda a caminhar; ainda sofrimento, mas não nos moldes atuais; ainda lutas, mas não dentro de injustiças como aparentemente podemos ver. As lutas estarão num outro contexto de evolução. O espiritismo já vem anunciando há muito tempo o advento dessa nova era.
                A preocupação atual da humanidade tem sido o prazer momentâneo, a conquista tecnológica, a busca da disputa em todos os níveis. Isso ainda poderá nos levar a dolorosos processos cármicos. Está na hora de mudar o foco para algo maior, mais profundo em nossas vidas. O momento, então, precisa ser de reflexão, de busca interior para o profundo do ser. Momento de renovação.
                Aquele que estiver preparado, com profunda base moral no trabalho e na caridade, será o herdeiro dessa nova era. Seriam os espíritas? Ateus? Outra religião ou religiosos? Nada disso importa. Na verdade, serão “aqueles que fizerem a vontade de meu Pai”, como nos alertou Jesus.

Wagner Ideali

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O ÓBVIO, NÃO É TÃO ÓBVIO ASSIM

                Ao observar os processos de qualquer empresa, seja ela pública ou privada, e em qualquer segmento, constata-se que os erros a atrapalhar todas as operações e causar constrangimentos com clientes e prejuízos de toda ordem ocorrem porque e alguma etapa da operação o tal do óbvio não foi feito.
                É óbvio que, para o cliente, ao não receber uma mercadoria a ele enviada, a nota fiscal e seu respectivo boleto devem ser cancelados, caso contrário o cliente será cobrado por uma mercadoria que não adquiriu.
                É óbvio que, se um professor lançar a nota errada do aluno, deverá fazer a correção o mais rápido possível, caso contrário o boletim do discente sairá com nota errada.
                É óbvio que, se eu dirigir o carro de minha empresa de forma indisciplinada, poderei causar um sério acidente ou levar uma multa de trânsito.
                O mesmo se dá nos relacionamentos humanos que, não raro, azedam porque faltou a observação do óbvio por um dos envolvidos.
                É o amigo que se esquece de dar os parabéns.
                O cônjuge que não se recorda da data de casamento.
                O filho que deixa de telefonar aos pais em datas especiais.
                As lembranças seriam óbvias em se tratando de pessoas que amamos e estimamos, mas...
                Sejamos sinceros: O óbvio parece ser a parte mais complicada de se realizar, porquanto comumente é ignorado.
                Entretanto, já que falamos tanto de óbvio, vejamos como o dicionário define esta palavra: que está diante dos olhos; que salta à vista; manifesto, claro, patente.
                Interessante definição, porém, com observação um pouco mais acurada dos processos e da própria condição de seres humanos em construção cai por terra, porque nem sempre o que está diante de seus olhos está diante do meu.
                Nem sempre o que para você é elementar o é para mim, e, também, nem sempre o que para mim é fundamental o é para você.
                E por quê? Porque somos seres diferentes e com isso enxergamos a vida e as situações que a compõem de forma completamente distinta da que outras pessoas enxergam.
                Criados por Deus simples e ignorantes, estamos, à custa de tropeços, quedas e arribadas, aprendendo a lidar com o óbvio.
                Impossível, portanto, falar que o óbvio para um é o mesmo óbvio para todas as criaturas.
                Você provavelmente deve estar se perguntando: ora, se você afirma que o óbvio não é tão óbvio assim, porque depende da condição de cada criatura enxergar mais ou menos as situações da vida, como então, melhorar processos em empresas ou mesmo o relacionamento humano a fim de atingir excelência?
                Simples. Esses enganos e desenganos, que surgem e ressurgem por conta de não nos atentarmos que o óbvio para nós não o é para o outro, podem ser sanados com comunicação.
                Basta iniciar nas empresas, no recinto religiosos ou no lar um processo de compreensão de que é preciso comunicar-se de forma eficaz e clara, sem querer adivinhar ou pensar pelo outro. Sem considerar que o meu óbvio é o mesmo que o seu.
                Portanto, fundamental falar abertamente o que se espera e o que se quer, não deixando nada subentendido para que as pessoas “pesquem”.
                Seja, pois, claro em suas atitudes, fale com firmeza com sua equipe, seu esposo, seus filhos, e deixe transparente o que você quer e espera deles, porque, sejamos sinceros: é óbvio que o óbvio não existe.

Wellington Balbo


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
imagem: google