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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

LEI DA DESTRUIÇÃO


Já foi dito que a vida orgânica é indispensável à evolução dos seres, e daí haver Deus estabelecido as leis de reprodução e de conservação com o fim de, por meio delas, assegurar o desenvolvimento do princípio inteligente que neles se elabora.
                Pois bem, a lei de destruição é, por assim dizer, o complemento do processo evolutivo, visto ser preciso morrer para renascer e passar por milhares de metamorfoses, animando formas corporais gradativamente moais aperfeiçoadas, e é desse modo que, paralelamente, os seres vão passando por estados de consciência cada vez mais lúcidos, até atingir, na espécie humana, o reinado da razão.
                Destarte, em última análise, a destruição não é mais que uma transformação que tem por finalidade a renovação e a melhoria dos seres vivos.
                A parte essencial dos seres não é o envoltório físico, mas o elemento anímico que o impulsiona, elemento esse que, sendo também imortal nos animais, retorna ao palco da vida terrena para a continuação de sua jornada progressiva, como ocorre com todas as criaturas de Deus.
                Sob outro prisma, ao se destruírem uns aos outros, pela necessidade de se alimentarem, os seres infra-humanos mantêm o equilíbrio na reprodução, impedindo-a e tornar-se excessiva, contribuindo, ainda, com seus despojos, para uma infinidade de aplicações úteis à humanidade.
                Restringindo o exame desta questão apenas ao procedimento do homem, que é o que mais nos interessa, aprendemos com a Doutrina Espírita que a matança de animais, bárbara sem dúvida, foi, é e será por mais algum tempo necessária aqui na Terra, devido às suas grosseiras condições de existência. À medida, porém, que os terrícolas de depurem, sobrepondo o espírito à matéria, o uso de alimentação carnívora será cada vez menor, até desaparecer definitivamente, qual se verifica nos mundos mais adiantados que o nosso.
                Aprendemos, mais, que em seu estado atual o homem só é escusado dessa destruição na medida em que tenha de prover ao seu sustento e garantir a sua segurança. Fora disso, quando se empenha em caçadas pelo simples prazer de destruir, ou em esportes mortíferos, como as touradas, o tiro aos pombos, etc, terá que prestar contas a Deus por esse abuso, que revela, aliás, predominância dos maus instintos.
                No que tange aos flagelos naturais, como as inundações =, as intempéries fatais à produção agrícola, os terremotos, os vendavais, etc, que soem causar tantas vítimas, instruem-nos, ainda, os mentores espirituais, são acidentes passageiros no destino da Terra, que haverão de cessar no futuro, quando a humanidade que a habite haja aprendido a viver segundo os mandamentos de Deus, pautados no Amor, dispensando, então, os corretivos da dor.
                Uma vez que a destruição se nos apresenta como uma lei natural, a pena de morte aplicada alhures, com o objetivo de eliminar os elementos tidos como perigosos, será também uma necessidade?
                Não! O homem julga necessária uma coisa, sempre que não descobre outra mais conveniente. À proporção que se instrui, vai compreendendo melhormente o que é justo e o que é injusto e repudia os excessos cometidos nos tempos de ignorância, em nome da justiça.
                Com efeito, há muitos outros meios comprovadamente mais eficazes de preservar a sociedade, do que o assassínio daqueles que a prejudicam, mesmo porque todo delinqüente é um enfermo da alma, e aos enfermos deve-se acudir com a medicina e não com a morte.
                A propósito, cumpre se diga que, graças ao progresso social, diminuiu consideravelmente o número de povos e dos casos em que tal pena continua em vigor, e dia virá em que será completamente abolida.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

LEI DA CONSERVAÇÃO - A Procura do Bem-Estar


Sendo a humanidade terrena uma das mais imperfeitas no concerto universal, compreende-se porque mais sofre do que goza. É o preço de sua primariedade.
                Cada um de nós, porém, pode e deve trabalhar para promover-se socialmente, conquistando, para si mesmo e para os seus, tudo quanto seja agradável, útil e concorra para aumentar a alegria de viver.
                Não é verdade, pois, que o homem deva aceitar, passivamente, tudo que o excrucia; conformar-se, submisso, com a má organização da sociedade, responsável pela miséria de tantos; ou mesmo impor-se penitências voluntárias, por serem estar coisas conformes aos planos divinos a nossos respeito.
                Se assim fora, Deus seria um sádico.
                O que Ele quer é a felicidade de todos, não apenas post-mortem, num suposto paraíso de delícias, onde ninguém tenha o que fazer, mas desde agora e aqui mesmo, contanto que Lhe compreendamos os amorosos e sábios desígnios e saibamos pautar nossos atos por uma fiel observância de Suas leis.
                Não, não é crime a busca do bem-estar.
                Criminosa, isto sim, é a ignorância em que os homens vêm sendo mantidos acerca de seus direitos naturais, direitos esses inerentes à sua condição de filhos de Deus, sem acepção de raça, cor ou nacionalidade.
                Criminosas são as manobras do egoísmo empregadas por juma minoria dominante, no sentido de impedir o advento da justiça social e a conseqüente melhoria do padrão de vida dos povos.
                Criminosos são os gastos enormes que se fazem por toda a parte em programas armamentistas, em detrimento da produção dos bens de consumo que escasseiam ou faltam por completo em milhões de lares.
                Criminoso é o desvio de vultuosas parcelas da humanidade dos trabalhos fecundos que ativam a civilização, para a improdutividade das casernas, ou o que é pior, para as operações bélicas que destroem, em minutos, o que levou séculos para edificar.
                Ao influxo da lei de evolução, pela qual tudo se engrandece e prospera, os mundos também progridem, pois se destinam a oferecer aos seus habitantes condições de morada cada vez mais aprazíveis.
                Não é possível, então, que a Terra permaneça, eternamente, como mundo de expiação e de provas.
                O aperfeiçoamento da estrutura sócio-econômica das nações terrenas é, assim, um imperativo categórico, e bom seria que, ao invés de resistir às medidas que o favoreçam, as classes privilegiadas, em cujas mãos se encontram as rédeas do poder, renunciassem espontaneamente a algo do que lhes sobeja, em favor do bem-estar coletivo.
Isso evitaria os processos violentos e dolorosos que hão assinalado, até o presente, a marcha do progresso neste minúsculo planeta, inaugurando uma nova era, de compreensão e boa vontade, que os reacionários batizarão com outros nomes, mas que representará o triunfo do Cristianismo em sua expressão mais autêntica, mais nobre e mais bela.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris

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domingo, 28 de outubro de 2012

A LEI DA CONSERVAÇÃO


O instinto de conservação, por ser uma das manifestações da lei natural, é inerente a todos os seres vivos.
                Maquinal entre os espécimes situados nos primeiros degraus da escala evolutiva, vai-se desenvolvendo à medida que os seres animam organismos mais complexos e melhor dotados, tornando-se, no reino hominal, inteligente e raciocinado.
                Sendo a vida orgânica absolutamente necessária ao aperfeiçoamento dos sers, Deus sempre lhes facultou os meios de conservá-la, fazendo que a terra produzisse quanto fosse suficiente à mantença de todos os que a habitam.
                Sabendo, entretanto, que, se as criaturas tivessem que usar os frutos da terra apenas em função de sua utilidade, a lei de conservação não seria cumprida, houve Deus por bem imprimir a esse ato o atrativo do prazer, dando a cada coisa um sabor especial que lhes estimulasse o apetite.
                A par disso, pela própria constituição somática com que modelou os seres, restringiu-lhes o gozo da alimentação ao limite do necessário, limite esse que, se observado, lhes asseguraria uma saúde perfeitamente equilibrada.
                O homem, porém, no exercício de seu livre arbítrio, frequentemente se desmanda, cometendo toda sorte de excessos e extravagâncias, resultando daí muitas das doenças que o excruciam e o conduzem à morte, prematuramente.
                Mas como nada se perde na economia da evolução, os sofrimentos decorrentes dos desregramentos que comete dão-lhe experiência, fortalecem-lhe a razão, habilitando-o, finalmente, a distinguir o uso do abuso.
                Poder-se-á dizer que, em certas regiões do globo, o solo, menos fértil, não produz o bastante para a nutrição de seus habitantes e que o grande número de pessoas que nelas sucumbem vitimadas pela fome parece desmentir haja uma Providência Divina a provê-los dos recursos com que cumprirem a lei de conservação da vida.
                Tais calamidades ocorrem, de fato, mas não por culpa de Deus, a quem não se pode imputar as falhas de nossa sociedade, na qual uns se regalam com o supérfluo, enquanto outros carecem do mínimo necessário.
                Fossem os homens menos egoístas, não tivessem apenas a máscara de religiosos, e, nessas contingências, prestar-se-iam mútuo apoio, já que a terra e eles mesmos pertencem a uma só família: a humanidade.
                Além disso, cumpre aos homens aplicarem-se no estudo dos problemas que os afligem a fim de dar-lhes a devida solução, seja aperfeiçoando cada vez mais as técnicas de cultivo da gleba, de modo a conseguirem aumento de produção, seja entregando-se a pesquisas, no sentido de descobrirem outras fontes de alimentos, esforços esses que lhes engrandecerão a inteligência, assinalando novas etapas no progresso da civilização.
                                                                         
Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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DIVULGANDO - EM SÃO JOSÉ DO RIO PRETO


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

LEI DE REPRODUÇÃO - O Aborto


Mesmo nos casos em que o controle da natalidade se imponha como absolutamente necessário, só são escusáveis os usos que objetivem impedir a concepção, nunca a interrupção da gravidez, pois, salvo uma única hipótese, isto constitui crime, e dos mais nefandos, por não dar à vítima qualquer possibilidade de defesa.
                Lamentavelmente, desde as mais priscas eras, este tem sido o recurso escolhido pela maioria da humanidade para frustrar os nascimentos não desejados.
                Apurou-se recentemente em diversas regiões brasileiras, e acreditamos tal aconteça no mundo inteiro, que em cada três casos de gravidez, dois são interrompidos pelo aborto provocado, e o que é de estarrecer, não raro, depois do quarto mês.
                Essa prática, conquanto se inclua entre as contravenções penais de todas as nações civilizadas, comumente fica impune pela justiça terrena, o que equivale a um tácito consentimento.
                O espiritismo esclarece-nos que a provocação do aborto só não é considerada culposa, quando o ser em formação ponha em perigo a vida de sua mãe. Nesta circunstância, é preferível sacrificar o primeiro e não a segunda, optando, entre dois males, pelo menor.
                Fora disso, porém, os atentados à vida fetal acarretam, sempre, terríveis consequências, tanto neste mundo como no outro.
                Um médico do Mundo Maior nos diz: “A mulher que o promove ou que venha a coonestar semelhante delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma, predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, com as quais, muita vez, desencarna, demandando o Além para responder, perante a Justiça Divina, pelo crime praticado.” (André Luiz – Ação e Reação)
                Não terminam aí, todavia, os funestos resultados do aborto provocado.
                Espiritualmente, os reflexos da criminosa irresponsabilidade dos pais, rechaçando aqueles que deveriam retornar à carne, com os quais, não raro, haviam assumido sagrados compromissos, são ainda mais de temer.
                Sentindo-se roubados, ou traídos, essas entidades passam a votar profundo ódio aos que se recusaram a recebê-los em novo berço e, quando não lhes infernizam a existência terrena, em longos processos obsessivos, aguardam, sequiosos de vingança, que façam o trespasse, para então tirarem a forra, castigando-os sem dó nem piedade.
                Talvez haja quem indague: e a Providência Divina permite fiquem os que fugiram ao cumprimento de suas obrigações, à mercê da sanha desses espíritos vingativos?
                Sim, permite, porque cada um precisa carpir seus próprios erros, sem o que jamais aprenderiam a respeitar, como deve, as leis de Deus.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

LEI DE REPRODUÇÃO II


Há quem não admita nenhum motivo para a limitação dos filhos, ou seja, o planejamento da família, na suposição de que tal medida se constitua um entrave à lei de progresso, por reduzir as oportunidades de que os desencarnados necessitam para expiar delitos do passado.
                Se raciocinassem um pouquinho, haveriam de compreender outrossim que, se existem tantos seres precisando retornar à Terra, para provações reparadoras, visto se acharem endividados perante a Justiça Divina, é precisamente porque faltou a muitos, nas encarnações anteriores, a orientação espiritual que só um lar bem constituído pode oferecer, e que lançar ao mundo proles enfermiças e deficientes, ou fisicamente bem dotadas, mas votadas ao abandono, absolutamente não ajuda o adiantamento da Terra, antes o retarda, pois contribui para aumentar o número dos desajustados, dos marginais e dos criminosos de toda sorte, infelizes que, por sua vez, exigiriam outras tantas oportunidades de reajuste e assim sucessivamente, numa progressão geométrica que não acabaria mais.
                Assim, aos olhos de Deus, que julga segundo as intenções de cada um, é preferível ter poucos filhos e fazer deles homens de bem, a tê-los numerosos, mas abandoná-los à própria   sorte, como acontece amiúde.
                Quanto aos casais que evitam ou limitam os filhos, atendendo tão só ao comodismo e quejandos, obviamente se tornam tanto mais repreensíveis quanto maiores sejam as suas possibilidades de concebê-los, criá-los e educá-los.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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terça-feira, 16 de outubro de 2012

LEI DE REPRODUÇÃO I


A ordenação bíblica – crescei e multiplicai-vos – não tem sido, até hoje, bem compreendida por todos.
                Os que se atêm à letra das Escrituras, sem penetrar-lhe o espírito, vêem nessas palavras uma lei divina, estabelecendo que a reprodução das espécies, inclusive a humana, deva ser livre e ilimitada, e que obstá-la seria grave pecado.
                Sem dúvida, a reprodução dos seres vivos é lei da natureza e preenche uma necessidade no mecanismo da evolução; isso não quer dizer, entretanto, seja proibido ao homem adotar certas medidas para a regular. Tudo depende da finalidade que se tenha em vista.
                No que tange ao controle da natalidade humana, a doutrina espírita nos autoriza a afirmar que, em havendo razões realmente justas para isso, pode o homem limitar sua prole, evitando a concepção.
                Pode haver, como de fato há, inúmeros casos em que se faz necessário não só restringir, mas até mesmo evitar qualquer quantidade de filhos.
                É preciso se reconheça que o lar não é um estabelecimento destinado a reproduzir seres humanos em série, mas sim um santuário-escola, onde os pais devem pontificar como plasmadores de nobres caracteres, incutindo nos filhos, a par do amor a Deus, uma vivência sadia, pautada nos princípios da moral e da justiça, de modo que se tornem elementos úteis a si mesmos, à família e à sociedade.
                O homem se distingue dos animais por obrar com conhecimento de causa. Portanto, o que dele se espera não é apenas que procrie por força do instinto sexual, qual mero reprodutor, mas que dignifique o nome de pai ou de mãe com que Deus lhe honra a existência.

(continua)

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

LEI DE ADORAÇÃO - Sacrifícios


Compulsando-se a história das religiões, verifica-se que o oferecimento de sacrifícios à Divindade remonta a um passado remotíssimo, a perder-se na noite das idades.
                As oferendas, que a princípio consistiam em frutos da terra, passaram, depois, a constituir-se de animais, cujas carnes eram queimadas nos altares, transformando-se, mais tarde, em sacrifícios humanos.
                Não era por maldade que os homens da antiguidade procediam dessa forma, mas sim por mera ignorância.
                Em nossos dias, quando nos dispomos a oferecer um presente a alguém, não o escolhemos de tanto maior valor quanto mais estima queiramos testemunhar a esse alguém, ou quanto mais interesse tenhamos em conquistar-lhe as boas graças a fim de solicitar-lhe certos favores?
                Daí porque nos ofícios sacrificatórios os produtos agrícolas foram, com o tempo, preteridos pelos animais, que, por sua vez, foram substituídos por seres humanos: estrangeiros ou inimigos, e, posteriormente, em lugar destes, os pais passaram a sacrificar os próprios filhos!
                É que, com estas oblatas, os deuses haveriam de sentir-se muito mais honrados.
                As pessoas esclarecidas compreendem, agora, que, conquanto praticados com piedosa intenção, tais sacrifícios nunca foram agradáveis a Deus, como não podem agradar-Lhe, tão pouco, as macerações e as penitências que certos religiosos continuam a impor-se, sem que aproveitem a ninguém.
                O único sacrifício abençoado por Deus é aquele que se faça por amor e em benefício do próximo, e que o melhor meio de honrá-Lo consiste em minorar os sofrimentos dos pobres e dos aflitos.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

A PROGRESSIVIDADE DA REVELAÇÃO DIVINA

Há uma opinião generalizada de que, sendo a Bíblia um livro de inspiração divina, tudo o que nela se contém, de capa a capa, forma um bloco indiviso, uma unidade indecomponível, um repositório de verdades eternas, e que, rejeitar-lhe uma palavra que seja, seria negar aquele seu caráter transcendente.
                É preciso, entretanto, dar-nos conta de que entre a época em que foi escrito o Pentateuco de Moisés e aquela em que João escreveu o Apocalipse, decorreram séculos, durante os quais a Humanidade progrediu, civilizou-se e sensibilizou-se, devendo ter ocorrido, paralelamente com esse desenvolvimento, um acréscimo correspondente nos valores morais da Revelação Divina, como de fato ocorreu.
                Por outro lado, sendo o progresso constante e infinito, essa revelação, necessariamente, também deve ser ininterrupta e eterna, não podendo haver cessado, por conseguinte, com o último livro do Novo Testamento.
                Certo, sendo Deus a perfeição absoluta, desde a eternidade, sempre revelou o que é perfeito, mas os recipientes humanos da antiguidade receberam imperfeitamente a perfeita revelação de Deus, devido à imperfeição desses humanos recipientes, porquanto, o quer que é recebido, é recebido segundo o modo do recipiente. Se alguém mergulhar no oceano um dedal, vai tirar, não a plenitude do oceano, mas a diminuta fração correspondente ao pequenino recipiente do dedal. Se mergulhar no mesmo oceano um recipiente de litro, vai tirar da mesma imensidade medida maior de água. O recipiente não recebe segundo a medida do objeto, mas sim segundo a medida do sujeito. Na razão direta que o sujeito recipiente ampliar o seu espaço, a sua receptividade, receberá maior quantidade do objeto.
                Aos homens das primeiras idades, extremamente ignorantes e incapazes de sentir a menor consideração para com os semelhantes, entre os quais o único tipo de justiça vigente era o direito do mais forte, não poderia haver outro meio de sofrear-lhes os ímpetos brutais senão fazendo-os crer em deuses terríveis e vingativos, cujo desagrado se fazia sentir através de tempestades, erupções vulcânicas, terremotos, epidemias, etc, que tanto pavor lhes causavam.
                O sentimento religioso dos homens teve, pois, como ponto de partida, o temor a um poder extraterreno , infinitamente superior ao seu.
                E foi apoiado nisso que Moisés pôde estabelecer a concepção de Jeová, uma espécie de amigo todo-poderoso, que, postando-se à frente dos exércitos do povo judeu, ajudava-o em suas batalhas, dirigia-lhe os destinos, assistia-o diuturnamente, mas exigia dele a mais completa fidelidade e obediência, bem assim o sacrifício de gado, aves ou cereais, conforme as posses de cada um.
                Era como levar os homens à aceitação do monoteísmo e encaminhá-los a um princípio de desapego dos bens materiais, que tinham em grande apreço.
                O Velho-Testamento oferece-nos um relato minucioso dessa etapa da evolução humana. Vê-se, por ali que o Deus de Abraão e de Isaac é uma divindade zelosa dos israelitas, que faz com eles um pacto (Êx., 34:10), pelo qual se compromete a obrar prodígios em seu favor, mas que, ciumento, manda passar à espada, pendurar em forcas ou lapidar os que se atrevam a adorar outros deuses e, com requintes de um mestre-cuca, estabelece como preparar e executar os holocaustos em sua memória ou pelos pecados do seu povo.
                Por essa época, conquanto fossem, talvez, os homens mais adiantados espiritualmente, os judeus não haviam atingido ainda um nível de mentalidade que lhes permitisse compreender que, malgrado a diversidade dos caracteres físicos e culturais dos terrícolas, todos pertencemos a uma só família: a Humanidade.
                E porque não pudessem assimilar lições de teor mais elevado, a par das ordenações de Moisés, especificamente nacionais, que tinham por objetivo levá-los a uma estreita solidariedade racial, e regas outras, oportunas, porém transitórias, que servissem para discipliná-los durante o êxodo, receberam, também, a primeira grande revelação de leis divinas – o Decálogo – que lhes prescrevia o que não deviam fazer em dano do próximo.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris
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