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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


domingo, 12 de setembro de 2010

RAIVA II

Raiva e Transtorno Emocional

A raiva tem duas vertentes de procedência: primeira, mais remota, de natureza espiritual, originária em existência pregressa, quando impôs-se onde se encontrava, desenvolvendo sentimentos de opressão e desrespeito alheios, sempre desconsiderados; a segunda, de procedência atual, quando fatores temperamentais, educacionais, socioeconômicos empurram-no à situação penosa geradora de conflitos.

No primeiro caso, existe um conflito ancestral, que se encontra ínsito como culpa, armando-o para constante alerta em mecanismo de autodefesa. O inconsciente impõe-lhe a tese falsa de que o mundo é-lhe hostil e as pessoas encontram-se equipadas de valores para submete-lo ao seu talante.

No segundo caso, origina-se uma especial disposição para a instalação do conflito de insegurança psicológica desencadeador da raiva.

Quando ocorre qualquer fato que não é entendido de imediato, sentindo-se incapaz de autopromover-se ou acreditando-se espezinhado, o complexo de inferioridade empurra-o para as atitudes grotescas e agressivas.

Terapia preventiva – manter-se o equilíbrio possível diante de qualquer acontecimento novo, inesperado, procurando entende-lo antes que permanecer na defensiva, como se as demais pessoas se lhe estivessem agredindo, fossem-lhe adversárias e todo mundo se lhe opusesse.

O acumular das pequenas raivas não liberadas termina por infelicitar o ser, afligindo-o emocionalmente e levando-o a transtornos depressivos, pela falta de objetivo existencial, por desinteresse de prosseguir na luta, fixando-se com revolta, nas ocorrências inditosas em relação a si mesmo.

Parceiros que sobrevivem no fluxo da existência corporal em relação ao outro que desencarnou, acumulam raivas que se tornam ressentimento, por não haverem liberado quando se apresentaram em forma de frustrações e desagrados enquanto na convivência deles. Havendo a morte interrompido o ciclo da experiência física, aquele que permanece no corpo sente-se lesado, por haver sofrido sem necessidade, conforme supõe, por descobrir infidelidades que ignorava, por despertar do letargo que a união lhe impôs, passando a viver de ressentimentos profundos...

Sob outro aspecto, o ego exaltado rememora os momentos felizes e enraivece-se ante o fato da haver sido muito amado e encontrar-se agora a sós, como se a morte houvesse resultado da opção do outro.

Nos suicídios, aqueles que ficam, ao invés de compadecer-se dos infelizes que optaram pela fuga, antes são dominados pela raiva de se sentirem culpados ou não amados, ou não consultados antes do gesto, ruminando mágoas que se acumulam e terminam por intoxica-los freqüentemente.

A raiva envilece o sentimento da criatura humana.

A sua constância responde por problemas do sistema nervoso central, por disfunções de algumas das glândulas de secreção endócrina, por diversos problemas do aparelho digestivo e pelo irregular comportamento psicológico.

Quando isso ocorre, surgem as somatizações que terminam em processos degenerativos da alguns órgãos.

A culpa inconsciente domina grande número dos encarnados.

Liberada pelo inconsciente profundo, o paciente considera que será punido e, quando na ocorre, assume uma das seguintes posturas:

A – autopune-se, negando-se a alegria de viver, fugindo de qualquer recurso que pode torna-lo mais feliz, impedindo-se de relacionamentos afáveis, por acreditar não os merecer;

B- arma-se de agressividade para evitar aproximações ou para considerar-se vítima dos artifícios maléficos da sociedade.

Enquanto o self não seja conscientizado da necessidade de autoconhecimento, mediante o qual ser-lhe-á possível a identificação da culpa nos seus arcanos e proponha-se a auto-estima, o auto-respeito, a auto-consideração, ela vicejará cruel:

disfarçada de ciúme - insegurança e autodesvalorização

de infelicidade – complexo de inferioridade

de inveja – mesquinhez do caráter

de autopunição – tormento masoquista

Tensões desnecessárias invadem o sistema emocional, gerando desgaste improcedente, através do qual mais facilmente instalam-se os distúrbios de comportamento, como fenômeno catártico que não pode mais ser postergado.

A raiva é um sentimento de desajuste da emotividade, que merece contínua vigilância, a fim de que não se transforme em uma segunda natureza na conduta do indivíduo.

Na raiz psicológica do sentimento de raiva existe um tipo qualquer de medo inconsciente que a desencadeia, levando o indivíduo a atacar antes de ser agredido, o que o torna violento e descompensado na emoção.

A insegurança do próprio valor e o temor de ser ultrapassado predispõe à postura armada contra tudo e todos, como se essa fosse a melhor maneira de poupar-se a sofrimentos e desafios perturbadores.

Por conseqüência, os instintos primários predominam orientando as decisões, quando estas deveriam ser controladas pela razão que sempre discerne qual a melhor postura a assumir-se.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis









sábado, 11 de setembro de 2010

RAIVA III

Terapia para a Raiva


O ser humano processa o seu desenvolvimento intelecto-moral passo a passo.

Algumas vezes é natural que se equivoque, a fim de reiniciar o mecanismo auto-iluminativo sem qualquer trauma ou desconforto, desde que a meta é o bem-estar, a conquista da harmonia.

A incidência da raiva é normal, tornando-se grave a não capacidade de administra-la.

Sempre que invadido pelo desequilíbrio dessa natureza, o paciente deve adiar decisões, responder para esclarecer, discutir em nome da autodefesa, pois o ego ferido precipita-o em postura inadequada de que se arrependerá.

O silêncio diante de circunstância perturbadora, não se permitindo a invasão dos petardos mentais desferidos pelo opositor, constitui recurso imprescindível para evitar o tomo na irritação e seus conseqüentes danos.

Devemos considerar-nos pessoas portadoras de virtudes e de deficiências plausíveis de corrigenda, estando sujeito às variações do humor e de comportamento, susceptível de contrariedades, predispõe à vigilância. Se advertido, ouvir com atenção e avaliar a proposta apresentada, mesmo quando de maneira agressiva. Quando útil, incorpora-la, identificando sentimentos negativos por parte do outro, não lhe atribuir qualquer valor ou significado.

O exercício da paciência auxilia a aceitar a vulnerabilidade de que se é constituído, não ampliando a irrupção da raiva quando ocorrer.

Tornando-se contínua, como resultado de estresse e ansiedade, de insegurança e de medo mórbido, faz-se indispensável uma terapia psicológica, de modo a ser detectada a causa desencadeadora do fenômeno perturbador, que tende a agravar-se quando não cuidado de forma adequada.

A psicoterapia remontará a conflitos adormecidos no inconsciente, que tiveram origem no período infantil ou durante a adolescência, quando as circunstâncias induziam à aceitação de situações penosas, sem o direito de explicação ou de justificação. As pequenas contrariedades acumularam-se, e porque não diluídas conforme deveriam, explodem quando algo proporciona aumento de volume à carga existente, fazendo-a insuportável.

Ao mesmo tempo, a terapia da prece e da meditação constitui salutar recurso para o controle das emoções, reabastecimento de energias vigorosas que se encarregam de asserenar o sistema nervoso central, impedindo ou diminuindo a incidência da ira.

As boas leituras também funcionam como procedimento terapêutico de excelente qualidade, por enriquecerem a mente com idéias otimistas, substituindo muitos dos clichês psíquicos viciosos que induzem a comportamentos insanos.

A aplicação da bioenergia é de inadiável importância a esse tipo de paciente.

Por fim, o autocontrole que cada qual deve manter em relação às suas reações emocionais de qualquer natureza, disciplinando a vontade, educando os sentimentos e adaptando-se a novos hábitos saudáveis imprescindíveis a uma existência saudável.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

BEM QUERER

A solidariedade virá como conseqüência do conhecimento de si mesmo. À medida que for investigando quem você é, poderá saber quais as verdadeiras razões que o levam a ajudar os outros.

Geralmente as pessoas vivem adormecidas, sem ter uma consciência lúcida do sentido real da vida. São induzidas pelos outros, não sabem o que querem, o que estão fazendo e por que estão fazendo; e, quando sentem algo incomum, normalmente não procuram conhecer as razões desse sentimento.

Algumas criaturas buscam na ajuda ao próximo a salvação das almas; por isso, utilizam-se do seu eu-crença. Outras lançam mão de uma dedicação desenfreada, valendo-se do seu eu-criança, para suprir as carências de amor na infância e equilibrar sua existência enraizada em sentimentos de autodesvalorização. Diversos companheiros cooperam generosamente porque desejam ter um comitê eleitoral, ocupando-se do seu eu-político; enquanto muitos outros abraçam causas filantópicas servindo-se do seu eu-social, para participar das condecorações e homenagens da vida comunitária. Você precisa saber quem é que o dirige: seus eus aparentes ou o legítimo eu que existe em seu ser profundo.

Quando se sente alegria mesclada com a satisfação de ajudar aos semelhantes, é porque se fez uma perfeita conexão com a alma. Tudo é espontâneo e natural. Assemelha-se à serena brisa que nos acaricia nos passeios por campos floridos.

Quando a solidariedade, entretanto, não passar de uma linda teoria intelectual, como vivenciam alguns, a entrega aos outros permanecerá difusa e restrita, porque a hipotética ajuda é prestada ao próprio ego, centralizado na realização de interesses imediatos.

São inúmeras as pessoas que, escravas da imagem que desejam ter de si mesmas, intensificam todos os esforços para alimenta-las. Muitas, presas às idéias medievais de céus e infernos, preocupam-se em ser boas aos outros para receber recompensas e evitar as penas eternas.

Ser caridoso com o intuito de conseguir uma benção não é bondade. Cumprir os preceitos da benevolência por temor ao castigo não é concreta prática do bem.

Os que são bondosos por causa da gratificação ou da punição divina são órgãos da plenitude do amor.

Se você ignora quem é, faz de suas ações uma demonstração de generosidade, porque lhe falta consciência do reino de Deus que está em seu interior.

Se soubesse prestar atenção em seus mais íntimos sentidos – bússola divina a guia-lo – talvez aprenderia muito mais sobre a beneficência.

Solidariedade é o sentimento que leva os homens ao auxílio mútuo; já o autoconhecimento, aliado a esse altruísmo, leva-os ao reconhecimento de que o templo de Deus está em toda parte, e não somente em lugares predeterminados. Percebem igualmente a presença divina nas pétalas de uma rosa, na sombra majestosa de uma vetusta árvore, no silêncio de uma prece, no borbulhar das fontes de águas cristalinas, na transcendência de um amanhecer, enfim nas obras da criação universal.

A ajuda a si mesmo durante muito tempo foi vista como egoística ou narcisista. No entanto, no auto-amor encontramos o elixir da vida, base de onde se origina todo o aprendizado do amor integral.

Quem aprendeu a amar a si mesmo vive em harmonia, em profunda compreensão das emoções humanas e distanciado das atitudes possessivas.

Portanto, conheça a si mesmo; assim, sua vida será um constante compartilhar, um compartilhar solidário sem exigir ou pedir qualquer recompensa neste ou no plano espiritual.

Quando você for convidado a fazer alguma coisa pelo mundo ou por seus companheiros de humanidade, precisa saber quem é que realmente o está motivando para esses eventos. Se tiver desenvolvido a autoconsciência, estará em contato com as verdadeiras razões e, dessa maneira, modificará de forma significativa o valor e a importância de seu bem-querer.

Do Livro: CONVIVER E MELHORAR – Como lidar com os encontros,reencontros e desencontros – Francisco do Espírito Santo Neto – Espíritos Lourdes Catherine e Batuíra

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ESCUTANDO A ALMA

Trabalhar pelo desenvolvimento dos potenciais e das virtudes humanas, esse o objetivo do espiritismo no sáculo XXI. Educar para ser, educar para conviver bem consigo, educar para ser feliz, eis os pilares da harmonia interior e da felicidade à luz do Espírito imortal neste século do coração.

A informação consola e instrui. A transformação liberta e moraliza.

A informação impulsiona. A transformação descobre.

Os informados pensam. Os transformados criam.

A teoria impulsiona a busca de novos valores. A reeducação dos sentimentos enseja a paz interior.

As diretrizes doutrinárias estimulam convenções que sevem de limites disciplinadores. A renovação da sensibilidade conduz-nos ao encontro da singularidade que permite a plenitude íntima.

Inteligência – o instrumento evolutivo para as conquistas de fora.

Sentimento – conquista evolutiva para aquisições íntimas.

Na acústica da alma existem mensagens sobre o Plano do Criador para nosso destino. Aprender a ouvi-las é exercitar a plena atenção aos ditames libertadores dos sentimentos. Interferências internas e externas subtraem-nos, constantemente, a apreensão desses “recados do coração”.

Escutar os sentimentos não significa adota-los prontamente, mas aceita-los em nossa intimidade e criar uma relação amigável com todos eles. Aceita-los sem reprimir ou se envergonhar. Essa atitude é o primeiro passo para um diálogo educativo com nosso mundo íntimo. Somente assim teremos uma conexão com nossa real identidade psicológica, possibilitando a rica aventura do autodescobrimento no rumo da singularidade – a identidade cósmica do espírito.

Escutar os sentimentos é cuidar de si, amar a si mesmo. É uma mudança de atitude consigo. O ato de existir ocorre no sentimento. Quem pensa corretamente sobrevive; quem sente nobremente existe. O pensamento é a janela para a realidade; o sentimento é o ponto de encontro com a verdade. É pela nossa forma de sentir a vida que nos tornamos singulares, únicos e celebramos a individualidade. Quando entramos em sintonia com nossa exclusividade e manifestamos o que somos, a felicidade acontece em nossas vidas.

O sentimento é a maior conquista evolutiva do espírito. Aprendendo a escuta-lo, estaremos entendendo melhor a nossa alma. Não existe um só sentimento que não tenha importância no processo do crescimento pessoal. Quando digo a mim mesmo “não posso sentir isto”, simplesmente estou desprezando a oportunidade de auto-investigação, de saber qual é ou quais são as mensagens profundas da vida mental.

O exercício do auto-amor está em aprender a ouvir a “voz do coração”, pois nele residem os ditames para nossa paz e harmonia.

Os sentimentos são guias infalíveis da alma na sua busca de ascensão e liberdade. O auto-amor consiste na arte de aprender a escuta-los, estudar a linguagem do coração.

Pela linguagem dos sentimentos, entendemos o apoio do universo a nosso favor. Devemos educar para ouvir nossos sentimentos. Radiografar nosso coração. Desenvolver estudos sistematizados de si mesmo.

Como cuidar de nós próprios? Jesus estabelece: amai ao próximo como a ti mesmo.

Os impulsos do self não atendidos, com o tempo, transformam-se em tristeza, angústia, desânimo, mau-humor, depressão, irritação, melindre e insatisfação crônica.

Além dos fatores de ordem evolutiva, encontramos gravames sociais para a questão da baixa auto-estima.

As gerações nascidas na segunda metade do século XX atingem o alvorecer do século XXI com “feridas psicológicas” profundas resultantes de uma sociedade repressiva, cujas relações de amor, com raras e heróicas exceções, foram vividas de modo condicional através de exigências. Para ser amada, a criança teve que atender a estereótipos de conduta. Um amor compensatório. Um rigor que afasta o ser humano de sua individualidade soterrando sua vocação, seus instintos, suas habilidades e até mesmo imperfeições. O pior efeito dessa repressão social é a distância que se criou dos sentimentos.

Essa geração pós-guerra vive na atualidade o conflito decorrente de céleres mudanças na educação e na ciência, que constrange ao gigantesco desafio de responder à intrigante questão: quem sou eu?

Paciência, atenção, perdão, tolerância, não julgamento, caridade e tantos outros ensinos do evangelho que procuramos na relação com o próximo, devem ser aplicados, igualmente, a nós mesmos. Como?

Auto-amor não é treinar o pensamento para beneficiar a si, mas educar o sentimento para escutar Deus em nós. Descobrir nosso valor pessoal na Obra da Criação.

Self = é o arquétipo da totalidade, isto é, tendência existente no inconsciente de todo ser humano à busca do máximo de si mesmo e ao encontro com Deus. É o centro organizador da psique. É o centro do aparelho psíquico, englobando o consciente e o inconsciente. Como arquétipo, se apresenta nos sonhos, mitos e contos de fadas como uma personalidade superior; como um rei, um salvador ou um redentor. É uma dimensão da qual o ego evolui e se constitui. O self é o arquétipo central da ordem, da organização. São numerosos os símbolos oníricos do self, a maioria deles aparecendo como figura central no sonho. (Mito Pessoal e Destino Humano – Adenáuer Novaes)

Sombra = é a parte da personalidade que é por nós negada ou desconhecida, cujos conteúdos são incompatíveis com a conduta consciente. (Psicologia e espiritualidade – Adenáuer Novaes)

Do Livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos


Wanderley de Oliveira


Ermance Dufaux

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

HISTÓRIAS PARA REFLETIR

Coleção de Porcelana

Narra antigo koan que um príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara quão antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa. Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças. Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita. A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu devolver a ordem à coleção. Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de alvinitente linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel. Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as todas. Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse: - Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me. Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada. Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos, nada valem.

Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o ancião e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma, particularmente a humana.

domingo, 5 de setembro de 2010

PREGUIÇA I

Fatores causais da preguiça

A preguiça, ou propensão para a inatividade, para não trabalhar, também conhecida como lentidão para executar qualquer tarefa, ainda caracterizada como negligência, moleza, tardança, é desvio de conduta, que merece maior consideração do que aquela que lhe tem sido oferecida.

Surge, expressando-se como efeito de algum tipo de cansaço ou mesmo necessidade de repouso, de recomposição das forças e do entusiasmo para a luta existencial.

Quando se torna prolongado o período reservado para o refazimento das energias, optando-se pela comodidade que se nega às atitudes indispensáveis ao progresso, apresenta-se como fenômeno anômalo de conduta.

É normal a aspiração por conforto e descanso, no entanto, não são poucos os indivíduos que se lhes entregam, sem que apliquem esforço físico ou moral pelo conseguir.

A preguiça pode expressar-se de maneira tranqüila, quando o paciente se permite muitas horas de sono, permanência prolongada no leito, mesmo após haver dormido, cortinas cerradas e ambiente de sombras, sem que o tempo seja aproveitado de maneira correta para leituras, reflexões e preces.

Não perturba aos demais, igualmente não se predispõe ao equilíbrio nem à ação.

Lentamente essa conduta faz-se enfermiça, gerando conflitos psicológicos ou deles sendo resultante, em face das idéias perturbadoras de que não se é pessoa de valor, de que nada lhe acontece de favorável, de que não tem merecimento, nem os demais não lhe oferecem consideração.

Esse tormento, que se avoluma, transforma-se em pessimismo que propele, cada vez mais, a situações de negatividade e de ressentimento.

Pode também transformar-se em mecanismo de autodestruição, em face da crescente ausência de aceitação de si mesmo, perdendo o necessário contributo da auto-estima para uma existência saudável.

A pessoa assume posição retraída e silenciosa, evitando qualquer tipo de estímulo que a possa arrancar da constrição a que se submete espontaneamente.

Torna os membros lassos, a mente lenta no raciocínio, apresentando distúrbios de linguagem e de locomoção.

Sob outro aspecto, pode apresentar-se como perda do entusiasmo pela vida, ausência de motivação para realizar qualquer esforço dignificante ou algum tipo de ação estimuladora.

O seu centro de atividade é o ego, que somente se considera a si mesmo, evitando espraiar-se em direção das demais pessoas, em cuja convivência poderia haurir entusiasmo e alegria, retomando o arado que sulcaria o solo dos sentimentos para a plantação da boa vontade e do bem-estar.

A avaliação feita pelo indivíduo nesse estágio é sempre deprimente, porque não tem capacidade de ver as conquistas encorajadoras que já foram realizadas, nem as possibilidades quase infinitas de crescimento e de edificação.

O tédio domina-lhe as paisagens íntimas e a falta de ideal reflete-se-lhe na indiferença com que encara qualquer acontecimento que, noutras circunstâncias, constituiriam emulação para novas atividades.

Esse desinteresse surge, quase sempre, da falta de horizontes mentais mais amplos, da aceitação de antolhos idealistas que impedem a visão profunda e complexa das coisas e das formulações espirituais, limitando o campo de observação cada vez mais estreito, que perde o colorido e a luminosidade.

Em outra situação, pode resultar de algum choque emocional não digerido conscientemente, no qual o ressentimento tomou conta da área mental, considerando-se pessoa desprestigiada ou perseguida, cuja contribuição para o desenvolvimento geral foi recusada.

Normalmente, aquele que assim comporta-se, é vítima de elevado egoísmo, que somente sente-se bem quando se vê em destaque, embora não dispondo dos recursos hábeis para as ações que deve desempenhar.

Detectando-se incapacitado, refugia-se na inveja e na acusação aos demais, negando-se a oportunidade de recuperação interior, a fim de enfrentar os embates que são perfeitamente naturais em todos e qualquer empreendimentos.

O desinteresse pe uma forma de morte do idealismo, em razão da falta de sustentação estimuladora para continuar vicejando.

Pode-se, ainda, identificar uma outro maneira em que se escora a preguiça para continuar afligindo as pessoas desavisadas. É aquela na qual o isolamento apresenta-se como uma vingança contra a sociedade, não desejando envolver-se com nada ou ninguém, distanciando-se cada vez mais de tudo quanto diz respeito ao grupo familiar, social, espiritual.

Normalmente, esse comportamento é fruto de alguma injustificada decepção, decorrente do excesso de autojulgamento superior, que os outros não puderam confirmar ou não se submeteram ao seu desplante.

Gerando grande dose de ressentimento, não há como esclarecer-se ao indivíduo, na postura a que se entrega, mantendo raiva e desejo de destruição de tudo quanto lhe parece ameaçar a conduta enfermiça.

Do ponto de vista espiritual, o paciente da preguiça, que se pode tornar crônica, ainda se encontra em faixa primária de desenvolvimento, sem resistências morais para as lutas, nem valores pessoais para os desafios.

Diante de qualquer impedimento, recua, acusando aos outros ou a si mesmo afligindo, no que se compraz, para fugir à responsabilidade, que não deseja assumir.

A preguiça prolongada pode expressar também uma síndrome de depressão, mediante, a qual, instalam-se os distúrbios de comportamento afetivo e social, gerando profundos desconfortos e ansiedade.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

PREGUIÇA II

Transtornos Gerados pela Preguiça

A entrega à ociosidade torna débil o caráter do paciente, impedindo-o de realizar qualquer esforço em favor da recuperação.

Sentindo-se bem com a falta de atividade, a tendência é ficar inútil, tornando-se um pesado fardo para a família e a sociedade.

Em relação a qualquer um dos motivos que desencadeiam a preguiça, a baixa estima e a fuga psicológica são os fatores predominantes nesse comportamento doentio.

O corpo é instrumento do espírito, que necessita do exercício, de movimentação, de atividade, a fim de preservar a própria estrutura. Enquanto o espírito exige reflexões, pensamentos edificantes contínuos para nutrir-se de energia saudável, o corpo impõe outros deveres, a fim de realizar o mister para o qual foi elaborado. A indolência paralizadora pela falta de ação, conduz à flacidez muscular, à perda de movimentação, às dificuldades respiratórias, digestivas, num quadro doentio que tende a piorar cada vez mais, caso não haja uma reação positiva.

Em razão do pessimismo que se assenhoreia do enfermo, a sua convivência faz-se difícil e o seu isolamento mais o atormenta, porque a autolamentação passa a constituir-se uma idéia fixa, culpando, também, as demais pessoas por não se interessarem pelo seu quadro, nem procurarem auxilia-lo, o que equivale dizer, ficarem inúteis também ao seu lado, auxiliando-o na autocomiseração que experimenta.

Em realidade, não está pedindo ou desejando ajuda real, antes apresenta-se reclamando da sua falta para melhor comprazer-se na situação a que se entrega espontaneamente.

A existência, na Terra, é constituída por contínuos desafios que sempre estão estimulando à conquista de novas experiências, ao desenvolvimento das aptidões adormecidas, ao destemor e à coragem, em contínuas atividades enriquecedoras.

A mente, não exercitada em pensamentos saudáveis, descamba para o entopecimento ou para o cultivo de idéias destrutivas, vulgares, insensatas, que sempre agravam a conduta perniciosa.

Pensar é benção, auxiliando a capacidade do raciocínio, a fim de poder elaborar projetos e propostas que mantenham o entusiasmo e a alegria de viver.

Surge, vez por outra, alguma lucidez, e o paciente critica-se por não dispor de forças para modificar a situação em que se encontra, desanimando ainda mais por acreditar na impossibilidade da reabilitação. Faz-se um circulo vicioso: o paciente não dispõe de energias para lutar e nega-se à luta por acreditar na inutilidade do esforço.

Outras vezes, oculta-se no mau humor, tornando-se ofensivo contra aqueles que o convidam à mudança de alternativa, explicando-lhe que tudo depende dele, já que ninguém lhe pode tomar a medicação de que somente ele necessita.

A destreza, o esforço, a habilidade, são decorrentes das tentativas exitosas ou fracassadas, resultando a repetição para a conquista e a realização pessoal.

Na preguiça ocorrem uma adaptação à inutilidade e uma castração psicológica de referência aos tentames libertadores.

O paciente prefere ser lamentado a receber amor, experimentar compaixão a ter companheirismo estimulante, permanecer em solidão a experienciar uma convivência agradável.

Foge daqueles que o desejam auxiliar infundindo-lhe ânimo, e quando é surpreendido por alguma orientação, reage com violência intempestiva.

O outro não conhece o transtorno que se opera no enfermo, mas sabe que o esforço desprendido poderá contribuir para alterar a situação em que se encontra.

A partir de então, o amigo torna-se evitado, é tido como adversário, censor, perturbador da sua paz, como se a indolência algo tivesse a ver com a tranqüilidade e harmonia íntima.

A quase total insensibilidade em relação a si mesmo, à sua recuperação e ao sofrimento que ocasiona à família que se desestrutura complica mais o quadro porque bloqueia o discernimento dos próprios deveres, transferindo para o próximo as responsabilidades que lhe pesam na consciência e as tarefas que devem ser desempenhadas em seu benefício.

A preguiça muna a autoconfiaça e destrói as possibilidades de pronta recuperação.

É natural que atraia espíritos ociosos que se comprazem no banquete das energias animais do paciente, telementalizando e conduzido às fases mais graves, de forma que prossiga vampirizado.

Os centros vitais da emoção e do comportamento são explorados por essas entidades infelizes e decompõem-se, funcionando com irregularidade, destrambelhando a organização somática, já que a psíquica e os sentimentos estão seriamente afetados.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis