- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -

- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CIUME I

Terapia para o Ciúme

                Todo e qualquer distúrbio orgânico, psicológico ou mental, necessita de tratamento especializado.
                Essas terapias não podem esquecer-se que o espírito, em si mesmo, é o grande enfermo. Esse conhecimento pode minimizar os efeitos perturbadores através do reencontro com as causas da existência presente, que tiveram origem no lar agressivo ou negligente, no grupo social perverso, nas condutas extravagantes ou em processos enfermiços que atingiram a organização física.
                Em todos os indivíduos encontram-se os conflitos inconscientes e os mecanismos de defesa, diferenciando-se através de como são resolvidos.
                O paciente ciumento, em sua insegurança, não tem qualquer consideração por si próprio, necessitando de ser conduzido à auto-estima, à superação dos conflitos de inferioridade e de insegurança, tomando conhecimento lúcido das infinitas possibilidades de equilíbrio e de afetividade que lhe estão ao alcance.
                A libertação das idéias masoquistas que nele permanecem, da culpa inconsciente que necessita de punição, bem direcionada pelo psicoterapeuta, ensejar-lhe-á a compreensão de que todos erram, de que todos devem assumir a consciência dos equívocos, mas a ninguém é  concedido o direito de permanecer no muro das lamentações em torno de reais ou imaginárias aflições.
                O amor faculta saúde emocional e bem-estar a todos.
                Quando buscado com afã, torna-se neurótico e perturbador.
                A ação fraternal da solidariedade enseja uma visão diferente daquela na qual o paciente encarcera-se, acreditando-se, apenas ele, como pessoa que vive um tipo de incompletude.
                A ação de benemerência direcionada ao próximo conduz ao descobrimento de quanto é saudável ajudar, facultando o entendimento dos dramas alheios e encontrando solução para os próprios conflitos.
                A terapêutica da bondade ao lado da psicoterapia especializada constitui elemento constritivo para a superação do ciúme, porque, nesse serviço, o afeto se amplia, os horizontes alargam-se, os interesses deixam de ser personalistas e a visão a respeito do mundo e da sociedade torna-se mais complacente e menos rigorosa.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

terça-feira, 16 de novembro de 2010

CIÚME II

Comportamentos Doentios

                Na morbidez do ciúme o paciente estertora sempre na inquietação.
                Anela pelo amor e recusa-o pelo receio de ser traído. Não se sentindo portador de sentimentos de abnegação e devotamento, desconsidera as belezas da afetividade, tidas como recurso de conquista de coisas, sem procurar entender a nobreza deste sentimento.
                A busca neurótica pelo amor prevalece nesses comportamentos ansiosos. E porque o indivíduo pensa que a satisfação do instinto poderá acalmar-lhe a ansiedade, frustra-se com facilidade, já que as suas exigências de afeto são excessivas, totais. A mínima insatisfação fá-lo pensar que foi recusado, sentindo-se rejeitado. Assim, aumenta-lhe a ansiedade, que o tornará mais afatigado na busca do afeto ainda não alcançado, ampliando as possibilidades de repulsa.
                Desvairado, permite-se a hostilidade que não consegue identificar, sempre receando a perda total do ser que diz amar. Desvaloriza-se a si mesmo, a fim de enaltecer o outro a quem se afeiçoa ou passa a desconsiderar, imaginando que se equivocou, quando atribuiu excessivos valores e recursos que a pessoa não possui.
                Em face desta insegurança deixa-se dominar por idéias perversas de autocídio ou homicídio. O ciúme está na raiz de muitos crimes.
                Sentindo-se recusado porque é cansativo o apego do paciente e o outro parceiro exaure-se na sua convivência, isso pe tido como rejeição, passa a pensar que outrem interfere no relacionamento.
                Desencadeada a idéia suspeitosa, a maquinação doentia aumenta, pondo-se em observação alucinada, deformando os acontecimentos de uma óptica distorcida, confirmando o que deseja que esteja acontecendo.
                Quando a mente descontrola o comando do discernimento, o paciente introduz pessoas suspeitas no convívio do lar, para melhor poder confirmar as expectativas, culminando em loucura ou crime.
                O ciúme estimula a inveja o ambos trabalham em comum acordo para anular a ação daquele que lhes inspira o sentimento negativo.
                Se a criatura é indiferente ou agressiva, ao encontrar outra equivalente forma o grupo social desinteressado pelo bem-estar comum.
                Os indivíduos tímidos ou que sofreram agressões na infância, sentem-se rejeitados e repelidos, expulsos sem consideração, em mecanismo evocativo inconsciente do que experimentaram durante a construção da personalidade.
                Irão formar bolsões de adversários inconscientes uns dos outros, todos eles insensíveis aos sentimentos de humanidade, porque se sentem excluídos da sociedade.
                A convivência com o paciente ciumento é martirizante, especialmente quando se recusa ao tratamento libertador.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

CIÚME III

Psicogênese do Ciúme
                O espírito imaturo, vitimado por desvios de comportamentos em existências transatas, renasce assinalando o sistema emocional com as marcas infelizes disso resultantes.
                Inquieto e insatisfeito, não consegue desenvolver em profundidade a auto-estima, permanecendo em deplorável situação de infância psicológica. Mesmo quando atinge a idade adulta possui reações de insegurança e capricho, caracterizando suas dificuldades para um ajustamento equilibrado no contexto social.
                Aspira ao amor e teme entregar-se-lhe, porquanto o sentido de posse que lhe daria autoconfiança está adstrito à dominação de coisas, de pessoas e de interesses imediatistas, ambicionando transferi-lo para quem não se permitirá dominar pela sua morbidez. Quando se trata de um relacionamento com outra personalidade igualmente infantil, esta deixa-se, temporariamente, manipular-se por acomodação ou sentimento subalterno, reagindo a posteriori de maneira imprevisível.
                Em outras oportunidades permite-se conduzir, desinteressando-se das próprias aspirações, enquanto submete-se aos caprichos do dominador, resultando numa afetividade doentia, destituída de significados nobres e de vivências enriquecedoras.
                Porque a culpa se lhe encontra no íntimo, esse indivíduo não consegue decodifica-la, a fim de libertar-se, ocultando-a na desconfiança que permanece no seu inconsciente, assim experimentando tormentos e desajustes.
                Incapaz de oferecer-se em clima de tranqüilidade ao afeto, desconfia das demais pessoas, supondo que também são incapazes de dedicar-se com integração desinteressada, sem ocultar sentimentos infelizes.
                Porque não consegue manter um bom nível de auto-estíma, acredita não merecer o carinho nem o devotamento de outrem, afligindo-se, em razão do medo de perder-lhe aa companhia. Esse tormento faz-se tão cruel, que se encarrega, inconscientemente, de afastar a outra pessoa, tornando-lhe a convivência insuportável, em face da geração de contínuos conflitos que o inseguro se permite.
                A imaturidade psicológica daqueles que assim agem, torna-se tão grave, que procura justificar o ciúme como o sal do amor, como se a afetividade tivesse qualquer tipo de necessidade de conflito, de desconfiança.
                O amor nutre-se de amor e consolida-se mediante a confiança irrestrita que gera, reafirmando-o com belas vibrações de ternura e da amizade bem estruturada.
                Incapaz de enfrentar a realidade e as situações que se apresentam como necessárias ao crescimento contínuo da capacidade de discernimento e de luta, faculta-se a permanência na fantasia, no cultivo utópico da ilusão, imaginando um mundo irreal que gostaria de habitar, evitando a convivência com o destemor e o trabalho sério, de forma que se conduz asfixiado pelo que imagina em relação ao que defronta na vida real.
                Torna-se capaz de manter uma vida interior conflitiva, que mascara com sorrisos e outros disfarces, padecendo o medo e a incerteza de ser feliz.
                Sempre teme ser descoberto e conduzido à vivência dos fatos conforme são e não consoante desejaria.
                Evita diálogos profundos, receando falsear e ser identificado.
                Procedentes de uma infância, na qual teve de escamotear a verdade e disfarçar as próprias necessidades por medo de punição ou de incompreensão dos demais, atinge a idade adulta sem a libertação das inseguranças juvenis.
                Sentindo-se sempre desconsiderado, porque não consegue submeter aqueles a quem gostaria de amar-dominando, entrega-se aos ciúmes injustificáveis, nos quais a imaginação atormentada exerce uma função patológica.
                Transfere as fantasias do seu mundo íntimo para subjulgar o ser a quem diz amar.
                Atormentado pela autocompaixão, refugia-se na infelicidade, de modo a inspirar piedade, quando deveria esforçar-se para conquistar afeição; subestima-se ou sobrevaloriza-se assumindo posturas inadequadas à idade fisiológica que deveria estar acompanhada do desempenho saudável de ser psicológico maduro.
                Compara aflições alheias com as próprias, defendendo a idéia de que ninguém é fiel, pessoa alguma consegue dedicar-se a outrem sem que não mantenha sentimentos servis.
                Incapaz de afeiçoar-se pelo prazer de querer bem, portador de insatisfações em relação a si mesmo, mesquinho no que se refere à autodoação... Enxerga o amor como mecanismo de manipulação ou instrumento para conquista de valores amoedados ou de projeção política ou social sem entender que exista outra maneira de amar.
                O ciúme tem raízes no egoísmo exagerado, superável mediante trabalho de autodisciplina e entrega pessoal.
                Quanto mais o indivíduo valorizar o ego, sem administrar-lhe as heranças da inferioridade, mais se atormenta, em face da necessidade do relacionamento interpessoal que, sem a presença da afetividade, sempre torna-se frio, distante, sem sentido nem continuidade.
                Trabalhar a emoção, reflexionar em torno dos sentimentos próprios e do próximo constituem uma saudável psicoterapia para a aquisição da confiança em si mesmo e nos outros.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

domingo, 14 de novembro de 2010

PORQUE AS PESSOAS GRITAM

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? - Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.
Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?
Elas não gritam.
Falam suavemente.
E por quê?
Porque seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena.
Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta"

(Mahatma Gandhi)

sábado, 13 de novembro de 2010

MENTE, CÉREBRO E PENSAMENTO

A mente, aparelho psíquico, se situa no perispírito e é responsável pela gama de fenômenos que atravessa o cérebro a caminho do espírito. Não é uma criação arbitrária da evolução, mas um mecanismo de captação e atuação de que se serve o espírito e que foi deliberadamente constituída para servir a seus propósitos.
A psique é um enigma. Temos apenas uma pálida e imperfeita idéia do que ela é.
Podemos perceber que o cérebro, como qualquer máquina, obedece a um programa pré-definido. Sua deficiência, por uma disfunção, não impede o ato de pensar, visto que este surge na intimidade do espírito e se irradia através das propriedades do perispírito. O cérebro não gera pensamento, tanto quanto não é responsável pelos fenômenos sutis da mente. Esta, tanto quanto o pensamento, é anterior a ele e em nada dele depende.
Embora alguns problemas psicológico possam indiretamente decorrer de disfunções cerebrais, as anomalias ou transtornos psíquicos decorrem de deficiências estruturais na mente.
A construção do ego decorre da necessidade de organizar os pensamentos que surgem do inconsciente, da influência de entidades desencarnadas, dos fenômenos telepáticos, bem como dos que, pelo ato da vontade, se formam na consciência.
O pensamento parece ocorrer como uma fala dentro do cérebro, porém ele é uma emanação ou expressão do espírito, o qual utilizando-se da sutil energia do perispírito, faz surgir.
Para que o pensamento se desenvolva e forme uma idéia é preciso que ocorram algumas operações básicas, nas quais interferem os afeto, o desejo e a vontade. As operações básicas são: o conceito, o juízo e o raciocínio. O conceito é a expressão dos elementos gerais dos objetos e fenômenos e decorrem sempre da generalização. O juízo ocorre quando estabelecemos uma relação entre dois ou mais conceitos. E o raciocínio decorre da relação entre juízos. Essas operações ocorrem no perispírito e não dependem das estruturas cerebrais, salvo quando estamos encarnados e desejamos expressá-las.
Ele é uma espécie de voz interior que  constantemente nos obriga a conectá-lo a algo consciente. Torna-se difícil não pensar, salvo se o espírito utilizar-se de outra forma de expressão para manifestar a Vontade Divina.
Em termos materiais o pensamento é uma onda de freqüência altíssima que impressiona a matéria de forma sutil, mas consistente a tal ponto de movê-la.
O pensamento é uma emanação obrigatória enquanto tivermos um corpo, seja este carnal ou perispiritual. Sua matéria prima é a energia sutil do universo. Seu fluxo é determinado pelo impulso criativo do espírito. Sua construção é de responsabilidade do espírito. Seus elementos e símbolos de ligação são encontrados na consciência e no inconsciente.
O ego, enquanto função, parece ser o filtro de um feixe luminoso proveniente do espírito que, constantemente apontando para a vida externa, perpassa por entre as redes de conexões emocionais existentes na zona inconsciente.
Esse filtro tem funções de alcance interno, dentro de limitas estabelecidos pela evolução do espírito. A lembrança é uma ação na qual o filtro estará conectando-se a conteúdos internos, resultantes das experiências havidas e arquivadas no perispírito e na consciência, assim como a conteúdos externos, os quais ainda estejam no córtex. Ele também estará permeável à força de algum conteúdo inconsciente com o qual se conectou, oriundo de influência espiritual.
O pensar, isto é, o organizar o pensamento em torno de uma idéia diretora é um dialogar consigo mesmo. Isso se dá através da comparação que fazemos com algo conhecido.
Os “biochips” poderão servir futuramente à armazenagem de processos informacionais úteis e que talvez possam vir a alcançar a mente.
O corpo não parece ter sido construído para abrigar um ser espiritual. O cérebro não contempla mecanismos com os quais o espírito possa manifestar suas potencialidades. A máquina orgânica foi concebida e está sendo estruturada para a vida na matéria, a fim de fazer face aos desafios das condições externas. Tudo no organismo humano, em particular no cérebro, gira em torno da  vida material e de atender a respostas a estímulos oriundos dela. O cérebro foi concebido para regular o corpo a fim de que ele se adapte aos embates físicos. É quimera querer, através dele, explicar o espírito. Ele é mero reflexo imperfeito e pobre do corpo espiritual. Seu funcionamento e sua estrutura não correspondem nem ao seu molde perispiritual, que dirá ao espírito.
Estudar o cérebro é dever da ciência e ele deve ser cada vez mais conhecido a fim de que possa ser utilizado todo o potencial que o corpo pode oferecer ao espírito para seu aprendizado. É equívoco pensar que se possa alcançar o espírito tendo-se mapeado o cérebro e pós a descoberta de todas as funções que ele desempenha. Não há região no corpo onde se possa limitar o espírito ou mesmo o perispírito.
Notamos que há uma certa confusão entre o que é a mente e seus atributos e o que é o espírito. Os processos mentais ou psicológicos estão presentes tanto nos encarnados quanto nos desencarnados. As percepções extra-sensoriais não são reveladoras ou provas da existência do espírito, mas tão somente uma demonstração de propriedades psíquicas pertencentes ao perispírito. No perispírito,quer ligado ao corpo físico ou não, há estruturas que permitem o pensar, o sentir, o memorizar, bem como todas as funções que atribuímos ao cérebro além de outras por hora desconhecidas.
A mente não parece tocar o cérebro, mas justapor-se a ele sofrendo-lhe e provocando-lhe influência. A ligação entre o perispírito e o corpo físico, através de conexões sutis na base do cérebro, percebida por videntes, estabelece uma íntima união entre os dois corpos. Essas conexões são de natureza energética e se enraízam na estrutura molecular, porém de forma não impregnante.

Do Livro : PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NÃO ESTRAGUE O SEU DIA

A sua irritação não solucionará problema algum.
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida.
A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.
A sua tristeza não iluminará os caminhos.
O seu desânimo não edificará a ninguém.
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.
As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.
Não estrague o seu dia. Aprenda, com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem.

Do Livro: Agenda Cristã – Chico Xavier/Emmanuel

domingo, 7 de novembro de 2010

PODER

                O poder, enquanto desejo de dominar e determinar o destino alheio representa a assunção do orgulho como complexo preponderante na consciência. É o egoísmo levado ao extremo.

                Como expressão do egoísmo e do orgulho, o poder é radicalmente contrário ao amor, sendo impossível sua convivência com ele. Onde o poder se apresenta o amor se recolhe.
                Quando se permite que o ego domine a vida e ele se identifique com as representações da autoridade, da subserviência e do predomínio da obediência cega, surge o poder, cuja manifestação básica corrompe as forças amorosas do espírito.
                Não obstante as manifestações destrutivas do poder, sua experimentação, quer na posição de mando ou de obediência, é necessária ao espírito. As experiências no exercício do poder o farão apreender leis que o ajudarão a co-criar em nome de Deus. Não basta saber obedecer; é preciso ao espírito também aprender a mandar.
                Por ser criado da Divina Essência, mais tarde, quando a evolução lhe permite, é comum ao espírito acreditar que é Deus. Não percebe a necessidade de entender a distinção essencial entre Criador e criatura. Deus é. O ser humano existe a partir de Sua Vontade. A evolução do espírito também é a descoberta de sua essência e a constatação paulatina de seu poder interior. Descobre ele que seu crescimento em busca de Deus é a conquista da própria liberdade de ser. Caso não fosse um processo de amadurecimento espiritual levá-lo-ia ao desejo desenfreado de poder.
                Quando se afirma que “querer é poder” deve-se ter em mente que o querer foi burilado para que não se imagine a possibilidade de algo absoluto. Seria melhor afirmar-se que “saber querer é poder” ou ainda que “descobrir o querer da Vida é poder”. Esse poder representa a capacidade de motivar-se para realizar.
                Quando vamos a busca do poder estamos querendo afirmar a necessidade de estabelecer uma identidade pessoal, a qual se encontra perdida no emaranhado do inconsciente. A inferioridade certamente está lá, exigindo compensação. O poder que se exerce porventura sobre alguém, deverá sempre ser percebido como algo de extrema responsabilidade, pois somos responsáveis por entrar no destino alheio.
                Quando a Vida nos oferece uma posição de comando, devemos entender que precisamos exercê-la com o máximo de equilíbrio a fim de desempenharmos, naquele instante, o papel a nós reservado por Deus. Ele nos confere a sublime tarefa de representá-lO junto àqueles que ainda não O percebem.
                Por mais que queiramos fugir dessa responsabilidade, um dia estaremos exercendo esse papel. O feliz e responsável desempenho será determinante para a vivência de experiências em outros campos da Vida.
                Por muito tempo prevaleceu na sociedade humana, como também entre os animais, o predomínio do poder sobre a igualdade natural. A força, o poderio militar, as reservas econômicas e as conquistas intelectuais estabeleceram hierarquias entre as coletividades. Um dia, quando o amor vigorar como princípio de união entre nós, prescindiremos daquelas formas de domínio.

Do Livro : PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes