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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA III

Terapia Libertadora

            Tendo-se em vista o largo processo de instalação do distúrbio sociopata da personalidade, o tratamento exige um longo período de libertação das raízes perturbadoras, que deram surgimento à insensibilidade e a todo o cortejo de distúrbios do comportamento.
            O paciente necessita de verdadeiro contributo de afetividade na família, a fim de reencontrar autoconfiança e desenvolver a auto-estima profundamente desorganizada.
            Persistindo os sintomas, o tratamento psiquiátrico auxilia-lo-á na reorganização do sistema nervoso central e no restabelecimento das neurocomunicações deficientes, que resultarão em benefícios psicossociais em seu favor.
            Vivendo-se num clima de intercâmbio de mentes, adversários do enfermo e da sociedade, nele encontram campo de fixação dos seus sentimentos ignóbeis, dando lugar aos complexos mecanismos de obsessões graves, que exigem os valiosos contributos da bioenergia e da doutrinação dos verdugos desencarnados.
            A inclinação para a violência atrai equivalentes do além-túmulo, gerando intercâmbio pernicioso, no qual a ferocidade das personalidades intrusas mescla-se com o temperamento desorganizado do hospedeiro, tornando-se mais grave a doença que ameaça o cidadão e a sociedade.
            Na terapia de natureza psicológica deve ser introduzida a orientação para leituras saudáveis, que podem sensibilizar o enfermo, apresentando-lhe outros padrões de conduta, as elevadas expressões, facultando-lhe a auto-realização e a plenitude.
            O recurso da prece irá proporcionar-lhe momentos de reflexão e bem-estar.
            Criado o hábito, que atrairá os benfeitores do mundo maior que passarão a libertar o paciente das vinculações mórbidas da obsessão, inspirando-o a novos cometimentos, constatando que o seu não é um problema isolado, mas faz parte das lutas nas quais se encontra a humanidade.
            Na educação moral pelo exemplo e pela retidão está a mais eficiente psicoterapia preventiva e curativa para todos os distúrbios da sociedade em si mesmo ou daqueles que a constituem como células de relevante importância.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA II

Desenvolvimento da Violência

            O cinismo é uma característica do indivíduo violento, que surge no período infantil, prolongando-se pela adolescência, em que revela os pendores agressivos com mais intensidade, assim alcançando a idade adulta, sem uma adaptação equilibrada ao meio social.
            Esse tipo de sociopatia faculta ao paciente uma existência egocêntrica, conduta teatral, superficial, sem controle da impulsividade, possuidor de muita leviandade, ausência de sentimentos fraternos em relação às demais pessoas, acreditando-se portador de valores que realmente não tem.
            Não dispondo de um sentimento organizado, é insensível ao amor, embora exigente e insatisfeito, sempre demonstrando ressentimento contra as pessoas a quem não se afeiçoa. Invariavelmente é hábil na maneira de manipular aqueles com quem convive, mentindo desordenadamente, sem escrúpulos, duvidando da inteligência dos outros...
            Quando desmascarado na conduta excêntrica e mentirosa que se permite, parece arrepender-se, a fim de cativar as suas vítimas, mantendo-se, porém, insensível a qualquer transformação moral para melhor.
            Sabe dissimular o comportamento, tornando-se gentil e simpático. Mesmo que esse distúrbio seja exclusivamente moral, torna-se necessário a ajuda médica, a fim de corrigir perturbações nas sinapses neuroniais que geram o desconforto comportamental.
            Revela-se na convivência doméstica, escolar, comunitária, na área de serviço quando o paciente trabalha regularmente, manifestando-se em conduta agressiva, culminando, quase sempre, em lutas com o usem armas.
            Quando não se pode desforçar naqueles que considera como adversários, maltrata os animais, as planta, destrói objetos pertencentes aos que tem como desafetos, de forma que produza mal-estar, ou entrega-se a verdadeiros comportamentos de vandalismo, que podem levar a lamentáveis ações de terrorismo covarde, qual vem ocorrendo na atualidade...
            Na juventude, sentindo-se frustrado, irrealizado, pode entregar-se a estupros, em face de conflitos a respeito da própria sexualidade desequilibrada.
            O paciente, quando não dispõe de coragem para a agressão, na qual pode ser vítima da impulsividade, derrapa em furtos e roubos, rejubilando-se com os prejuízos que causa a outros indivíduos e à comunidade, que procura depredar na insânia que o devasta.
            Alguns desses transtornos podem decorrer de desajustes do sistema nervoso central, perturbações profundas que geram alterações disrítmicas do sistema nervoso central, podendo ser consideradas como hiperatividade com déficit de atenção.
            Desajustando-se, cada vez mais, o paciente pode tombar num transtorno psicótico com delírios, que o leva a ações criminosas hediondas, sem dar-se conta do total desequilíbrio que o devasta.
            Esse tipo de delírio é de natureza persecutória – a mania de perseguição – em legítimas crises de paranóia, quando se sente acossado por pessoas ou grupos que se organizam com o fim de destruí-lo, por não o amare, em razão de ele estar programado para ações humanitárias e salvadoras da sociedade...
            A agressividade e o crime são quase que inevitáveis.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

domingo, 5 de dezembro de 2010

VIOLÊNCIA I

Psicogênese da Violência
            As tendências biológicas levam à violência, que se apresentaria como decorrência de componentes biológicos e psicológicos descompensados, resultantes das gravações das heranças espirituais no cérebro do indivíduo. Os fatores sociais apresentam-se como decorrência das condutas no contexto da sociedade.
            Caracteres morais sem resistência diante de discriminações impostas por circunstâncias sociais ou econômicas, sempre injustas, estimulam à reação pela violência, recurso audacioso de que os fracos se utilizam para impor-se, superando os conflitos daquilo que consideram como inferioridade, que é espicaçada pela perversidade de leis impiedosas ou pela sociedade egoísta e indiferente.
            É natural que a criatura humana seja dirigida pelas suas paixões, enquanto nela prevalecem os remanescentes ancestrais do processo evolutivo. Não conseguindo aquilo a que aspira de uma forma pacífica, apela para a violência, pouco dependendo de forças físicas, no que, os muito fracos podem vencer os fortes ou menos inteligentes superam os lúcidos e cultos, graças aos ardis do instinto predador de que são possuidores.
            O paciente pode ser considerado como portador de personalidade anti-social, o que representaria um considerável desvio conflitivo entre a conduta e os critérios estabelecidos, tornando-se difícil de ser corrigido, mesmo que sob injunções penosas, quais as de correção ou de punição, ou mesmo no defrontar de situações profundamente adversas.
            Existe, no paciente violento, uma baixa resistência às frustrações, às lutas, aos desafios, com tendência de culpar os outros ou de tornar-se radical diante de quaisquer ocorrências ou conceitos em que se apóie, termina por voltar-se contra a sociedade que o hospeda, transformando-o em portador de um transtorno amoral ou associal da personalidade.
            Pode-se identificar o portador do transtorno da personalidade anti-social, graças a um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que se inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Esse indivíduo é incapaz de sentir remorso. São conscientes do que fazem, no entanto, permanecem totalmente irresponsáveis.
            Quando não se apresente indiferente às conseqüências dos seus atos, executa um mecanismo de realização superficial para justificar a ação criminosa, quando esta ocorre, ou maltrata, furta, rouba outrem, não apresentando qualquer sentimento de culpa.
            Sempre se crê portador de razão, justificando que os outros são imbecis, havendo recebido o que mereceram da vida.
            Nunca procura modificar a conduta ou receber assistência que a conduziria ao equilíbrio moral e social.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

sábado, 4 de dezembro de 2010

HISTÓRIAS PARA REFLETIR

O Mestre
            Conta a tradição oriental que certa vez Sidarta Gautama, já em idade bem avançada, passava por uma floresta junto com seus discípulos quando encontrou aprendizes de outro mestre, e um deles logo foi dizendo:
“Nosso mestre é um grande avatar. Ele levita e faz materializações extraordinárias. Nós mesmos presenciamos isso, somos testemunhas!”.
            E, fixando o olhar nos discípulos de Buda, inquiriu:
“o que vocês têm a dizer sobre seu mestre? O que ele pode fazer, que milagres realiza?’.
            Sidarta Gautama tudo escutava silenciosamente e deixou a cargo de seus companheiros a resposta. Apenas observava o desempenho de cada um. Então, um logo se adiantou e respondeu:
“Nosso mestre, quando está com fome, come; quando ele tem sono, dorme. Ele nos ensina a andar, quando estamos andando; a comer, quando estamos comendo; a sentar, quando estamos sentados”.
            E um deles, inconformado, exclamou:
“O que vocês estão falando!? Chamam de milagres o óbvio?! Todos fazem essas coisas!”.
            E o ponderado discípulo de Buda retrucou:
“Engano de vocês. Quase ninguém faz isso. Quando as pessoas dormem pensam sem cessar, estão dispersas no sono. Quando comem, estão distraídas, falando mil coisas. Quando andam, estão desatentas e qualquer ocorrência lhes rouba a atenção. Mas, quando meu mestre dorme, ele apenas dorme: somente o sono existe naquele momento, nada mais. E quando sente fome, ele apenas come. Ele sempre está no lugar onde deve estar, ou seja, jamais é arrebatado pelos fatos ou acontecimentos  que se foram e pelos que hão de vir; vive sempre no momento presente”.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

IMPULSO CRIADOR

            Nada cresce ou se cria. Só o espírito se move. Ele representa o impulso criador da vida. Por ser ele que descreve e percebe a vida tal qual ela é, sua existência se torna  condição imprescindível. Tudo na vida, portanto, é impulso criador.
            O impulso que nos leva a  viver e a realizar no mundo não parece ser diferente para cada ser humano. Os desejos advém da estrutura íntima do espírito que contém a capacidade de ser receptivo ao influxo criativo de Deus e, ao mesmo tempo, a disposição de aplicar esse ganho externo vindo do Criador.
            Todos somos convidados ao uso desse impulso participando da organização e manutenção do universo. Usando a criatividade e aplicando as leis de Deus, com o livre-arbítrio, contribuímos com Ele na expansão da natureza. 
            A esse impulso, quando se manifesta na busca pela expressão instintiva que inclui a conservação da própria vida, atribuo o adjetivo de primário. É nessa fase que o ser solidifica sua existência pela estruturação e defesa da vida orgânica. É primário por que é básico e primitivo. Está presente em todos os seres da natureza. É a manifestação do Impulso Divino na forma mais inconsciente e embrutecida possível.
            Por usa causa o espírito estará atuando na vida deterministicamente, sem consciência de sua existência e, principalmente, de sua individualidade.
            Após o aprendizado, o ser viverá a fase em que ele se apresentará de forma secundária. É quando ele passa a expressá-lo de três formas distintas: do sexo, do desejo de referenciar-se e do estabelecimento de um espaço próprio. Embora continue a manifestá-lo na forma primitiva, ele buscará refinar esse impulso interno irrefreável, nas ações que podem ser, mesmo que por instantes, postergadas. Nesse período seu desejo de poder se manifestará, instalando-se nele as primeiras ocorrências egóicas.
            Em toda sua evolução o espírito estará sujeito a esse impulso, sendo característica de maturidade a educação de seu uso.
            O impulso terciário ocorrerá quando o espírito começar a compreender que é inevitável fugir dele e que deve utilizá-lo a serviço da vida. Com ele buscará livrar-se de seus medos, das tensões psíquicas provocadas pelas experiências comuns e estará consciente de sua utilidade na aquisição do conhecimento das leis de Deus.
            É ainda nessa fase que ele aprenderá o significado das relações afetuosas, do amor, do perdão e de outras formas superiores de expressão daquele impulso.
            A descoberta da necessidade de auto-realização pressupõe uma percepção plena da natureza do Impulso Divino, bem como do conhecimento de sua utilidade.
            Esse impulso se distribui pelo perispírito e nos permite a realização de todas as emoções, pensamentos e atitudes.

Do livro: PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PAULO DE TARSO - biografia

Era inicialmente chamado de Saulo, nascido na cidade de Tarso, capital da província romana da Cilícia, fabricante de tendas. Depois de Jesus, é considerado a figura mais importante do cristianismo.

Era um judeu da Diáspora (Dispersão), de uma importante e rica família. Começou a receber aos 14 anos a formação rabínica, sendo criado de uma forma rígida no cumprimento das rigorosas normas dos fariseus, classe religiosa dominante daquela época, e ensinado a ter o orgulho racial tão peculiar aos judeus da antiguidade.

Quando se mudou para Jerusalém, para se tornar um dos principais dos sacerdotes do Templo de Salomão, deparou-se com uma seita iniciante que tinha nascido dentro do judaísmo, mas que era contrária aos principais ensinos farisaicos.

Dentro da extrema honestidade para com a sua fé e sentindo-se profundamente ofendido com esta seita, que se chamava cristã, começou a persegui-la, culminando com a morte de Estêvão, diácono grego e grande pregador cristão, que foi o primeiro mártir do cristianismo.

No ano de 32 D.C., dois anos após a crucificação de Jesus, Saulo viajou para Damasco atrás de seguidores do cristianismo, principalmente de um, que se chamava Barnabé. Na entrada desta cidade, teve uma visão de Jesus, que em espírito lhe perguntava: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". Ficou cego imediatamente. Foi então levado para a cidade. Depois de alguns dias, um discípulo de Jesus, chamado Ananias, foi incumbido de curá-lo. Após voltar a enxergar, converteu-se ao cristianismo, mudando o seu nome para Paulo.

Paulo, a partir de então, se tornaria o "Apóstolo dos Gentios", ou seja, aquele enviado para disseminar o Evangelho para o povo não judeu.

Em 34 D.C., foi a Jerusalém, levado por Barnabé, para se encontrar com Pedro e Tiago, líderes da principal comunidade cristã até então.

Durante 16 anos , após sua conversão, ele pregou no vale do Jordão, na Síria e na Cilícia. Foi especialmente perseguido pelos judeus, que o consideravam um grande traidor.
Fez quatro grandes viagens missionárias: 1ª Viagem (46-48 D.C.), 2ª Viagem (49-52 D.C.), 3ª Viagem (53-57 D.C.), 4ª Viagem (59-62 D.C.), sendo que na última foi à Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para a Judéia.

Certamente escreveu inúmeras cartas, mas somente 14 destas chegaram até nós, chamadas de Epístolas Paulinas, que são:

Epístola aos Romanos;
1ª e a 2ª aos Coríntios;
aos Gálatas; aos Efésios,
aos Filipenses;
aos Colossenses;
1ª e a 2ª aos Tessalonicenses;
1ª e 2ª a Timóteo;
a Tito;
a Filemon e
aos Hebreus.

Através de suas cartas, Paulo transmitiu às comunidades cristãs e aos seus discípulos uma fé fervorosa em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição. A esta fé soma-se um fator fundamental: o seu temperamento, que era passional, enérgico, ativo, corajoso e também capaz de idéias elevadas e poéticas.

No ano de 64 D.C., foi morto pelas Legiões Romanas, nas perseguições aos Cristãos instauradas por Nero, depois do grande incêndio de Roma.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NOSSO LADO ESCONDIDO

Sombra Amigável


            A sombra designa o outro lado do ser humano, aquele em que vige a escuridão.
            Comumente destacamos a sombra negativa nos ambientes educativos da doutrina. Convém, porém, uma atenção à sombra positiva, que são nossos potenciais e talentos ainda não expressados ou descobertos. Em meio a essa escuridão da vida inconsciente existe muita sabedoria e riqueza ainda não exploradas.
            Escutando nossos sentimentos e o que eles têm a nos ensinar sobre nós mesmos, estaremos entrando em contato com esse material reprimido no inconsciente, com todas as habilidades instintivas que nos asseguram a Herança Inalienável de Filhos do Altíssimo em Sua Obra Magnânima.
            Escutar sentimentos é aceita-los. Aceitação quer dizer pensar sobre eles. Habitualmente exaramos a colocação: não quero nem pensar nisso!, referindo-nos a questões desagradáveis do mundo íntimo. Os sentimentos são os principais canais de conexão emitindo constantes mensagens do inconsciente.
            Quando usamos a expressão sentimentos mal resolvidos, estamos tratando de sentimentos não aceitos ou negados pela consciência e reprimidos para o inconsciente por alguma razão particular. A sombra originou-se basicamente em função dessa relação insatisfatória com nosso poder de sentir e os arquivou em forma de culpas, desejos estagnados, bloqueios, traumas, medos, criando todo um complexo psíquico que, em muitos lances, são fatores geradores das psicopatologias, desde as mais toleráveis até ás mais severas.
            Ao longo dos últimos milênios (aproximadamente quarenta mil anos, dependendo da história individual), o que mais fizemos foi negar e temer nossos sentimentos – um fato natural na trajetória evolutiva da animalidade para a hominilidade. O medo de sentir e do que sentimos acompanha-nos desde o momento em que começamos a tomar consciência  desse  mecanismo bio-psíquico-emocional-espiritual. Ainda hoje, esconder o que se sente, é uma conduta social comum e até necessária para a maioria das pessoas.O mundo prepara-se para o século do amor vivido e sentido. A pergunta mais formulada em todas as latitudes neste momento é: como está você? E o interesse por uma resposta que fale de sentimentos é eminente; tende a tornar-se um hábito. Estamos com enorme necessidade de falar do que sentimos e saber com mais clareza sobre o mundo das emoções, embora ainda temerosos de suas conseqüências.
            Quando digo sou minha sombra não significa que tenha que viver conforme sua orientação. Apenas admiti-la, entender suas mensagens.
            A sombra só é ameaça quando não é reconhecida. Só pode ser prejudicial quando negligenciamos identifica-la com atenção, respeito e afabilidade.
            É importante para a meta da individuação, isto é, da realização do si-mesmo, que o indivíduo aprenda a distinguir entre o que parece ser para si mesmo e o que é para os outros. É igualmente necessário que conscientize seu invisível sistema de relações com o inconsciente, ou seja, com anima, a fim de poder diferenciar-se dela. No entanto, é impossível que alguém se diferencie de algo que não conheça.
            Escutar sentimentos é a primeira lição na nossa educação espiritual para o auto-amor. Amaremos a nós mesmos somente quando deixarmos de culpar os outros pelas nossas dores e desacertos e tivermos a coragem de perscrutar o íntimo, interrompendo o fluxo das projeções e fugas ainda ignoradas nas nossas atitudes.
            Recebemos contínuos chamados do inconsciente através do que sentimos. Uma análise atenta de nossos impulsos e da nossa reação afetiva a tudo que nos cerca levar-nos-á a entender com exatidão as reclamações do psiquismo profundo. Nessa investigação da alma encontraremos indicativas seguras no entendimento das mais ocultas raízes de nossos conflitos. Percorreremos caminhos mentais até então incognoscíveis. Igualmente, descobriremos valores adormecidos que solicitam nossa criatividade para desenvolve-los a contento.
            Entretanto, somente daremos importância às mensagens da sombra quando nos relacionarmos amigavelmente com ela. O processo de ouvir a voz do inconsciente através dos sentimentos para por algumas etapas na alfabetização do sentir:
  • Imprescindível o auto-respeito. O que sentimos é indiscutível, individual, é a nossa forma de viver a vida. Com isso não devemos admitir que os apelos do coração devem ser seguidos como brotam. Muito menos supô-los a expressão da Verdade. Apenas tenhamos respeito por nós sem reprimendas e condenações, procurando compreender os recados do coração.
  • Havendo respeito, instaura-se o clima da serenidade, da ausência de conflitos e batalhas interiores. Somente serenos vamos conseguir uma comunicação sem interferências. É o silencio interior. O fio que nos leva ao intercâmbio produtivo.
  • Aprender a linguagem dos sentimentos exige meditação, atenção. Separar a imagem programada pela educação social da imagem idealizada é um trabalho lento. Diferenciar o que pensam que sou daquilo que penso que sou é o caminho para se chegar ao que sou verdadeiramente.
  • Utilizar indagações. A sombra adora dar respostas. Nossa tarefa será discernir no tempo a natureza dessas respostas. No início elas serão confusas, enganosas, talvez decepcionantes.
Na medida que se dilata esse exercício, a intuição vai aclarando a capacidade de perceber e sentir o que nos convém. Teremos a sensação do melhor caminho, das melhores escolhas, do que queremos. É o início da identificação com o projeto singular do Criador a nosso respeito.
As pessoas, quando educadas para enxergarem claramente o lado sombrio de sua própria natureza, aprendem ao mesmo tempo a compreender e amar seus semelhantes.
Ao conquistarmos a sombra de maneira amigável, criaremos uma relação de paz com a vida íntima e, nesse ponto, as projeções não serão mecanismos defensivos contra nossas imperfeições, mas reflexos da bondade e harmonia que habitarão a vida mental. Nessa postura mental amaremos a vida com mais ardor. Será muito mais interessante olhar o nosso próximo, senti-lo e perceber a grandeza da vida que nos cerca.
O crescimento pessoal e a felicidade incluem a missão de explorar as riquezas do inconsciente.
Escutar sentimentos é a arte de mergulhar na vida profunda e descobrir o manancial de força e beleza que possuímos.

Do livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos
Wanderley de Oliveira/Ermance Dufaux