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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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domingo, 7 de setembro de 2014

LUZ PARA TODOS

(Emmanuel)
Estariam os princípios espíritas endereçados a segregação para uso exclusivo daqueles irmãos que carregam provas visíveis no plano material?
Encontramos, com frequência, na Terra quem suponha deva ser a Nova Revelação limitada ao trabalho em favor dos que sofrem a penúria do corpo, sob pena de perder a própria simplicidade.
Entretanto, a fulguração solar será menos luz quando clareia o recôncavo de um vale e o topo de um arranha-céu ao mesmo tempo? E, acaso, a fonte se diminuirá em grandeza por deixar-se canalizar em serviço a cidade grande, após haver saciado a sede aos lares do campo?
Decerto, a mensagem da Vida Maior tem significação mais imediata em auxilio a quantos se vejam no mundo em dificuldades abertas, seja no chão das exigências primarias da natureza ou na sombra das grandes tribulações em que a inconformidade os compele a se tornarem francamente infelizes.
Imperioso, porém, pensar naqueles outros companheiros da humanidade que a vida situou em outros setores.
Não é a face externa da criatura que lhe determina o grau da necessidade espiritual.
Dói-nos ver as mãos que se nos estendem nas ruas, a cata de pão; no entanto, será justo, igualmente, compreender os obstáculos daqueles que se esfalfam em serviço para que haja pão, tanto quanto possível, a mesa de todos.
Aflige-nos registrar os empeços do amigo em profissão singela, cujo salário não lhe satisfaz a todos os requisitos da vida simples, mas não nos será licito esquecer os óbices daqueles que se atormentam na orientação da oficina para que o trabalho não se perturbe ou escasseie.
Magoa-nos surpreender irmãos diversos, acomodados nos palheiros humildes que lhes servem de residência; contudo, não podemos desconhecer os impedimentos daqueles outros que encanecem nas administrações, construindo caminhos ao progresso e traçando horizontes ao reconforto geral.
Sensibiliza-nos o martírio das mães que vagueiam nas vias publicas a busca de socorro para filhinhos padecentes; entretanto, seria injusto desconsiderar o sofrimento daquelas outras que se aniquilam, pouco a pouco, dentro de casa, em posição de incessante sacrifício, para sustentarem os descendentes, de modo a que a dignidade humana possa honrosamente sobreviver.
Reflitamos no conjunto dos problemas humanos e a ninguém deserdemos da verdade e do amor, de vez que em qualquer situação pertencemos todos a Deus e, segundo as nossas necessidades, é natural que Deus nos atenda a cada um.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: www.anjodeluz.net

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A CRIANÇA E O ESPIRITISMO II

                Nossos filhos são espíritos! Tal afirmativa é axiomática, ou seja, ninguém a coloca em dúvida. Isso nos leva à reflexão sobre como o Centro Espírita pode auxiliar a nova geração que precisa se transformar e que reencarnou buscando exatamente isso. É importante questionar a eficiência do modelo escolar tradicional. Copiá-lo nas atividades do Centro pode nos conduzir aos mesmos erros. O que realmente é essencial, no ensino e na aprendizagem, é o tipo de relação entre educador e educandos e dos educandos entre si. Não há uma receita, um padrão único, mas, sem dúvida, algumas premissas são fundamentais. A primeira é desligar-se da ideia de que aprendizagem somente ocorre na sala de aula. A segunda é aceitar que temos múltiplas inteligências, o que acaba com a supremacia das atividades lápis-papel em detrimento de outras. A terceira é assumir como um equívoco que há: uma pessoa que educa e outra que é educada. A educação é um processo coletivo e, nessa perspectiva, cada Centro pode ter uma experiência singular de evangelização infantil e, no entanto, com resultados que se assemelham a outros. O intercâmbio e a troca de experiência entre Centros deveriam ser dinamizados.
                O envolvimento dos pais nas atividades de evangelização no Centro é fundamental e as novas concepções de educação precisam ser conhecidas e discutidas. Há muita coisa nova acontecendo no âmbito da educação e antigos educadores também estão sendo revisitados. Filmes vêm registrando discussões de temas recorrente, como, por exemplo, a educação proibida. Enfim, precisamos encarar os novos desafios e não podemos nos acomodar com medo de experimentar novos procedimentos e, sobretudo, não podemos ignorar os riscos que a infância atual enfrenta. Se há algum tempo atrás podíamos alegar ignorância, hoje, graças às novas tecnologias, dispomos de muito conhecimento, facilmente acessado. E, nesse sentido, é importante criar espaços no Centro para acessar e usar o conhecimento disponível, auxiliando os pais na arte de educar as futuras gerações.
 Almir Del Prete
 Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2014
imagem: umolharespirita1.blogspot.com

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A CRIANÇA E O ESPIRITISMO I

                A proteção à infância é um requisito fundamental, não apenas para a sobrevivência da humanidade, mas, também, para o aperfeiçoamento da civilização. Há séculos que pensadores de diferentes áreas de conhecimento chamam a atenção para os fiscos a que a criança está exposta. Tais pensadores, como, por exemplo, Léon Denis, realçam a importância de uma educação voltada para o aperfeiçoamento das novas gerações, que sucederiam as atuais nas várias atividades da vida social.
                O que significa proteger a infância? Como isso pode ser realizado? O que o Centro Espírita pode e deve fazer? Essas são questões que exigem reflexão cuidadosa. No capítulo VII, de O Livro dos Espíritos, o item VI, “Da infância”, traz vários apontamentos importantes sobre essa fase do desenvolvimento. Chama à atenção a pergunta 385, na qual Allan Kardec interroga a espiritualidade sobre as modificações que ocorrem no indivíduo, principalmente a partir do final da adolescência. São várias e interessantes as considerações feitas a essa pergunta, contudo, vamos nos deter a um ponto relacionado a este artigo: ... os espíritos não ingressam na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, para se melhorarem... Ao aceitarmos tal afirmação, precisamos, com urgência, verificar se as atividades que propiciamos ou permitimos aos nossos filhos podem, de fato, ajudá-los no aperfeiçoamento espiritual.
                Muitas pesquisas vêm relatando o que sucede em um dia típico da vida das crianças. A resposta preocupante na atualidade é o tempo que a criança fica exposta à mídia. Na década de 70, uma criança ficava cerca de duas horas diante da televisão. Hoje, ela permanece quatro horas ou mais vendo TV ou entretida em games nada inocentes. Nesses divertimentos elas são estimuladas à aquisição e ao consumo de diversos produtos comestíveis e utilitários como roupas, calçados, brinquedos, etc.
                Esse é o principal processo para induzir as crianças a se tornarem consumistas quase obcecadas. Qual é o mecanismo indutor? Muito fácil de entender: há uma associação nada sutil entre o produto exposto e um estado da criança. Por exemplo, no caso dos games, a movimentação rápida de personagens, o jogo de cores e sombras, os sons repetitivos, a necessidade de decodificar a cena e responder a ela em fração de segundo, tudo isso produz uma hiperexcitação no cérebro, ou em algumas áreas do cérebro. Tal excitação é suavizada pela interrupção do jogo e pela visão de biscoitos, refrigerantes, barbies, roupas, etc. Produto e logomarca ficam registrados no inconsciente da criança e reaparecem em diferentes situações do cotidiano. Algo semelhante ocorre diante da TV. O resultado desse estilo de vida, para uma boa parte das crianças é bem conhecido: consumismo, diminuição de oportunidades de engajamento em outras atividades e efeitos colaterais do tipo obesidade, diabetes, TDAH, agressividade, risco à drogadição, erotismo infantil e demais mazelas associadas.
 (continua)
 Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2014