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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A CRUZ

Uma mulher, em meio de sofrimentos acerbos, apelara para Deus a fim de que se modificasse a volumosa cruz de sua existência. Como a filha de Cipião, vira nos filhos as joias preciosas da sua vaidade e do seu amor; mas, como Níobe, vira-os arrebatados no torvelinho da morte, impelidos pela fúria dos deuses. Tudo lhe falhara nas fantasias do amor, do lar e da aventura.
- Senhor – exclama ela -, por que me deste uma cruz tão pesada? Arranca dos meus ombros fracos esse insuportável madeiro!
Mas, mas nas asas brandas no sono, a sua alma de mulher viúva e órfã foi conduzida a um palácio resplandecente. Um Anjo do Senhor recebeu-a no pórtico, com a sua benção. Uma sala luminosa e imensa lhe foi designada. Toda ela se enchia de cruzes. Cruzes de todos os feitios.
- Aqui – disse-lhe uma voz suave – se guardam todas as cruzes que as almas encarnadas carregam na face triste do mundo. Cada um desses madeiros traz o nome do seu possuidor. Atendendo, porem, à tua súplica, ordena Deus que escolhas aqui uma cruz menos pesada do que a tua.
A mulher preferiu, conscientemente, aquela cujo peso competia com suas possibilidades, escolhendo-as entre todas.
Mas, apresentando ao Mensageiro Divino a de sua preferência, verificou que na cruz escolhida se encontrava esculpido o seu próprio nome, reconhecendo a sua impertinência e rebeldia.
- Vai – disse-lhe o Anjo – com a tua cruz e não descreias! Deus, na sua misericordiosa justiça, não poderia macerar os teus ombros com um peso superior às tuas forças.


Fonte: Crônicas de Além Túmulo – Chico Xavier/Humberto de Campos
imagem: google

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

AMOR SEM PREÇO

Havia um garoto que, nos seus quase oito anos, adquirira um hábito nada salutar. Tudo para ele se resumia em dinheiro. Queria saber o preço de tudo o que via. Se não custasse grande coisa, para ele não tinha valor algum.
Nem se apercebia o pequeno que há muitas coisas que dinheiro algum compra. E dentre essas coisas, algumas são as melhores do mundo.
Certo dia, no café da manhã, ele teve o cuidado de colocar sobre o prato da sua mãe um papelzinho cuidadosamente dobrado. A mãe o abriu e leu:
Mamãe me deve: por levar recados - três reais; por tirar o lixo - dois reais; por varrer o chão - dois reais; extras - um real. Total que mamãe me deve: oito reais.
A mãe espantou-se no primeiro momento. Depois, sorriu, guardou o bilhetinho no bolso do avental e não disse nada.
O garoto foi para a escola e, naturalmente, retornou faminto. Correu para a mesa do almoço.
Sobre o seu prato estava o seu bilhetinho com os oito reais. Os seus olhos faiscaram.
Enfiou depressa o dinheiro no bolso e ficou imaginando o que compraria com aquela recompensa. Mas então, percebeu que havia um outro papel ao lado do seu prato. Igualzinho ao seu e bem dobrado.
Abriu e viu que sua mãe também lhe deixara uma conta.
Filhinho deve à mamãe: por amá-lo - nada. Por cuidar da sua catapora - nada. Pelas roupas, calçados e brinquedos - nada. Pelas refeições e pelo lindo quarto - nada. Total que filhinho deve à mamãe - nada.
O menino ficou sentado, lendo e relendo a sua nova conta. Não conseguia dizer nenhuma palavra. Depois se levantou, pegou os oito reais e os colocou na mão de sua mãe.
A partir desse dia, ele passou a ajudar sua mãe por amor.
*   *   *
Nossos filhos são Espíritos que trazem suas virtudes e suas paixões inferiores de outras existências. Cabe-nos examiná-las para auxiliá-los na consolidação das primeiras e no combate às segundas.
Todo momento é propício e não deve ser desperdiçado.
As ações são sempre mais fortes que as palavras.
Na condução dos nossos filhos, cabe-nos executar a especial tarefa de agir sempre com dignidade e bom senso, o que equivale a dizer, educar-nos.
Com exceção dos filhos extremamente rebeldes, uma boa dose de amor somada à energia, sempre dá bons resultados.
*   *   *
É no lar que recebemos os primeiros ensinamentos sobre as virtudes.
Na construção do senso moral, dos conceitos de certo e errado são muito importantes os exemplos dados pelos pais.
É no doce mundo familiar que se adquire o hábito da virtude que nos guiará as ações quando sairmos mundo afora.


Fonte: Jornal Mundo Maior – www.jornalmundomaior.com.br

sábado, 4 de novembro de 2017

A LENDA DAS LÁGRIMAS

Rezam as lendas bíblicas que o Senhor, após os seis dias de grandes atividades da criação do mundo, arrancado do caos pela sua sabedoria, descansou no sétimo para apreciar a sua obra.
E o Criador via os portentos da Criação, maravilhado de paternal alegria. Sobre os mares imensos voejavam as aves alegres; nas florestas espessas desabrochavam flores radiantes de perfumes, enquanto as luzes, na imensidade, clarificavam as apoteoses da Natureza, resplandecendo no Infinito, para louvar-lhe a glória e lhe exaltar a grandeza.
Jeová, porém, logo após a queda de Adão e depois de expulsá-lo do Paraíso, a fim de que ele procurasse na Terra o pão de cada dia com o suor do trabalho, recolheu-se entristecido aos seus imensos impérios celestiais, repartindo a sua obra terrena em departamentos diversos, que confiou às potências angélicas.
O Paraíso fechou-se então para a Terra, que se viu insulada no seio do Infinito. Adão ficou sobre o mundo, com a sua descendência amaldiçoada, longe das belezas do éden perdido, e, no lugar onde se encontravam as grandiosidades divinas, não se viu mais que o vácuo azulado da atmosfera.
E o Senhor, junto dos Serafins, dos Arcanjos e dos Tronos, na sagrada curul da sua misericórdia, esperou que o tempo passasse. Escoavam-se os anos, até que um dia o Criador convocou os Anjos a que confiara a gestão dos negócios terrestres, os quais lhe deviam apresentar relatórios precisos, acerca dos vários departamentos de suas responsabilidades individuais. Prepararam-se no Céu festas maravilhosas e alegrias surpreendentes para esse movimento de confraternização das forças divinas e, no dia aprazado, ao som de músicas gloriosas, chegavam ao Paraíso os poderes angélicos encarregados da missão de velar pelo orbe terreno. O Senhor recebeu-os com a sua bênção, do alto do seu trono bordado de lírios e de estrelas, e, diante da atenção respeitosa de todos os circundantes, falou o Anjo das Luzes:
- “Senhor, todas as claridades que criastes para a Terra continuam refletindo as bênçãos da vossa misericórdia. O Sol ilumina os dias terrenos com os resplendores divinos, vitalizando todas as coisas da Natureza e repartindo com elas o seu calor e a sua energia. Nos crepúsculos, o firmamento recita os seus poemas de estrelas e as noites são ali clarificadas pelos raios tênues e puros dos plenilúnios divinos. Nas paisagens terrestres, todas as luzes evocam o vosso poder e a vossa misericórdia, enchendo a vida das criaturas de claridades benditas!...”
Deus abençoou o Anjo das Luzes, concedendo-lhe a faculdade de multiplicá-las na face do mundo.
Depois, veio o Anjo da Terra e das Águas, exclamando com alegria:
- “Senhor, sobre o mundo que criastes, a terra continua alimentando fartamente todas as criaturas; todos os reinos da Natureza retiram dela os tesouros sagrados da vida. E as águas, que parecem constituir o sangue bendito da vossa obra terrena, circulam no seu seio imenso, cantando as vossas glórias incomensuráveis. Os mares falam com violência, afirmando o vosso poder soberano, e os regatos macios dizem, nos silvedos, da vossa piedade e brandura. As terras e as águas do mundo são plenas afirmações da vossa magnífica complacência!...”
E o Criador agradeceu as palavras do servidor fiel, abençoando-lhe os trabalhos.
Em seguida, falou, radiante, o Anjo das Árvores e das Flores:
- “Senhor, a missão que concedestes aos vegetais da Terra vem sendo cumpridas com sublime dedicação. As árvores oferecem sua sombra, seus frutos e utilidades a todas as criaturas, como braços misericordiosos do vosso amor paternal, estendidos sobre o solo do Planeta. Quando maltratadas, sabem ocultar suas angústias, prestando sempre, com abnegação e nobreza, o concurso da sua bondade à existência dos homens. Algumas, como sândalo, quando dilaceradas, deixam extravasar de suas feridas taças invisíveis de aroma, balsamizando o ambiente em que nasceram... E as flores, meu Pai, são piedosas demonstrações das belezas celestiais nos tapetes verdoengos da Terra inteira. Seus perfumes falam, em todos os momentos, da vossa magnanimidade e sabedoria...”
E o Senhor, das culminâncias do seu trono radioso, abençoou o servo fiel, facultando-lhe o poder de multiplicar a beleza e as utilidades das árvores e das flores terrestres.
Logo após, falou o Anjo dos Animais, apresentando a Deus um relato sincero, a respeito da vidas dos seus subordinados:
- “Os animais terrestres, Senhor, sabem respeitar as vossas leis, acatara vossa vontade. Todos vivem em harmonia com as disposições naturais da existência que a vossa sabedoria lhes traçou. Não abusam de suas faculdades procriadoras e têm uma época própria para o desempenho dessas funções, consoante aos vossos desejos. Todos têm a sua missão de cumprir e alguns deles se colocaram, abnegadamente, ao lado do homem, para substituí-lo nos mais penosos misteres, ajudando-o a conservar a saúde e a buscar no trabalho o pão de cada dia. As aves, Senhor, são turíbulos alados, incensando, do altar da natureza terrestre, o vosso trono celestial, cantando as vossas grandezas ilimitadas. Elas se revezam, constantemente, para vos prestarem essa homenagem de submissão e de amor, e, enquanto algumas cantam durante as horas do dia, outras se reservam para as horas da noite, de modo a glorificarem incessantemente as belezas admiráveis da Criação, louvando-se a sabedoria do seu Autor Inimitável!...”
E Deus, com um sorriso de júbilo paternal, derramou sobre o dedicado mensageiro as vibrações do seu divino agradecimento.
Foi quando, então, chegou a vez da palavra do Anjo dos Homens. Taciturno e entre angústias, provocando a admiração dos demais, pela sua consternação e pela sua tristeza, exclamou compungidamente:
- “Senhor!... ai de mim! enquanto meus companheiros vos podem falar da grandeza com que são executados os vossos decretos na face do mundo, pelos outros elementos da Criação, não posso afirmar o mesmo dos homens... A descendência de Adão se perde num labirinto de lutas criado por ela mesma. Dentro das possibilidades do seu livre-arbítrio, é engenhosa e sutil, a inventar todos os motivos para a sua perdição. Os homens já criaram toda sorte de dificuldades, desvios e confusões para a sua vida na Terra. Inventaram, ali, a chamada propriedade sobre os bens que vos pertencem inteiramente, e dão curso a uma vida abominável de egoísmo e ambição pelo domínio e pela posse; toda a Terra está dividida indebitamente, e as criaturas humanas se entregam à tarefa absurda da destruição das vossas leis grandiosas e eternas. Segundo o que observo no mundo, não tardará que surjam os movimentos homicidas entre as criaturas, tal a extensão das ânsias incontidas de conquistar e possuir...”
O Anjo dos Homens, todavia, não conseguiu continuar. Convulsivos soluços embargaram-lhe a voz; mas o Senhor, embora amargurado e entristecido, desceu generosamente do sólio de magnificências divinas e, tomando-lhe as mãos, exclamou com bondade:
- “A descendência de Adão ainda se lembra de mim?
- Não, Senhor!... Desgraçadamente os homens vos esqueceram... – murmurou o Anjo com amargura.
- Pois bem – replicou o Senhor paternalmente -, essa situação será remediada!...”
E, alçando as mão generosas, fez nascer, ali mesmo no Céu, um curso de águas cristalinas e, enchendo um cântaro com essas pérolas liquefeitas, entregou-a a seu último servidor, exclamando:
- “Volta à Terra e derrama no coração de seus filhos este licor celeste, a que chamarás água das lágrimas... Seu gosto tem ressaibos de fel, mas esse elemento terá a propriedade de fazer que os homens me recordem, lembrando-se da minha misericórdia paternal... Se eles sofrem e se desesperam pela posse efêmera das coisas atinentes à vida terrestre, é porque me esqueceram, olvidando a sua origem divina.”
E desde esse dia o Anjo dos Homens derrama na alma atormentada e aflita da Humanidade a água bendita das Lágrimas remissoras; e desde essa hora, cada criatura humana, no momento dos seus prantos e das suas amarguras, nas dificuldades e nos espinhos do mundo, recorda, instintivamente, a paternidade de Deus e as alvoradas divinas da vida espiritual. 


Fonte: Crônicas de Além Túmulo – Chico Xavier/Humberto de Campos
imagem: google

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

VISITA DE VALÉRIA

Em entrevista no programa da Hebe, ela perguntou ao médium se ele via algum significado no nome de Jesus.
Chico pediu licença para contar algo que havia acontecido entre os anos de 1953 e 1959. Nesse período ele ainda estava em Pedro Leopoldo e fazia, juntamente com outros companheiros, assistência às casas dos mais necessitados, levando balas, bolos e oração aos doentes. Essas pequenas
casas ficavam onde hoje se construiu o recinto de exposições em sua terra natal. Conheceu nessa época Valéria, moça hemiplégica e muda, irmã de Laura, uma das assistidas. Durante seis anos consecutivos eles levavam doces e guloseimas e sempre oravam com Valéria. De certa feita ela foi acometida de febre alta.
Era gripe forte às portas da pneumonia. Nesse dia, após a prece, Chico insistiu para que Valéria se lembrasse de que Jesus curava os enfermos. Ela deveria mentalizar as curas do Mestre e imaginar-se andando. O médium insistiu para que ela falasse o nome de Jesus. E Valéria com sua dicção imperfeita pronunciou - Zozuzo! Zozuzo! Todos ficaram muito alegres e logo imaginaram que ela ficaria boa. No dia seguinte, porém, Chico e os
companheiros foram chamados, porque Valéria havia partido para o mundo espiritual.
Os anos rolaram. Em 1976, Chico foi vítima de enfarte. Ficou vinte dias de repouso absoluto em sua residência, sob os cuidados de uma enfermeira, dona Dinorá Fabiano. Era proibida a visita dos encarnados, mas não dos desencarnados. E Chico passou a recebe-las à tarde e à noite.
Ele conversava em voz alta com as entidades. Uma tarde, entrou uma moça morena muito bonita. Chico pediu para que ela se sentasse. A moça esclareceu que era uma de suas amizades de Pedro Leopoldo. Chico pediu para que ela falasse o sobrenome da família porque ele havia tido um problema circulatório e não estava bom de memória, procurando, assim, justificar-se.
A moça disse: “Eu vou dizer apenas um nome - Zozuzo!”. Imediatamente, Chico lembrou-se de Valéria e ficou muito emocionado. Em seguida, ela colocou a mão sobre o seu coração. Disse que vinha lhe trazer confiança em Jesus e a dor desapareceu. Chico ficou muito emocionado com essa lembrança e em lágrimas lembrou a importância do nome do Cristo. (janeiro de 1986)


Fonte: LIÇÕES DE SABEDORIA - MARLENE ROSSI SEVERINO NOBRE
imagem: google

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

ENSINAMENTO E SURPRESA

                Um companheiro amargurado por desgostos do cotidiano, certa feita, através de emissora interiorana, ouviu a voz empolgante de um professor de otimismo que lhe cativou a atenção e a simpatia.
                De três em três dias, ei-lo prostrado junto ao receptor, a fim de registrar os conceitos do orientador distante.
                Tão admirado se viu com as respostas com que o prestimoso amigo reconfortava e instruía aos ouvintes, que lhe dirigiu a primeira carta, solicitando-lhe auxílio para sanar as inquietações de que se reconhecia objeto.
                Entusiasmado com os apontamentos que obtinha pelo sem fio, confiou-se à copiosa correspondência, na qual de expunha ao mentor, rogando-lhe as opiniões que chegavam, sempre sinceras e sensatas.
                Aquele homem, cujas palavras de paz e compreensão se espalhavam pelo rádio, devia conhecer as mais intrincadas questões humanas.
                Para quaisquer indagações, expedia a resposta exata e tanto adentrou na faixa dos pensamentos novos que lhe  eram endereçados que o amigo, dantes fatigado e pessimista, observou-se curado da angústia crônica que o possuía.
                Renovado e feliz, deliberou exteriorizar a gratidão que lhe vibrava nos recessos do ser, procurando abraçar o benfeitor pessoalmente.
                Combinaram dia e hora para o encontro e o beneficiado despendeu oito horas, em automóvel, varando estradas difíceis, de modo a reverenciar o professor que lhe reabilitara as forças para a vida.
                Só então, depois de atingir a cidade para a qual se dirigia, entre consternação e júbilo, conseguiu avistá-lo, verificando, por fim, que o distinto radialista, que lhe devolvera a alegria de viver e trabalhar, era paralítico e cego.
                Aprendamos a compreender para sermos compreendidos.


Fonte: Agora é o Tempo – Chico Xavier/Emmanuel
imagem: google

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O SANTO, O ANJO E O PECADOR


O pecador escutava a orientação de um santo, que vivia, genuflexo, à porta de templo antigo, quando, junto aos dois, um anjo surgiu na forma de homem, travando-se breve conversação entre eles.
O ANJO – Amigos, Deus seja louvado!
O SANTO – Louvado seja Deus!
O PECADOR – Louvado seja!
O ANJO (Dirigindo-se ao santo) – Vejo que permaneceis em oração e animo-me a solicitar-vos apoio fraternal.
O SANTO – Espero o Altíssimo em adoração, dia e noite.
O ANJO – Em nome dele, rogo o socorro de alguém para uma criança que agoniza num lupanar.
O SANTO – Não posso abeirar-me de lugares impuros...
O PECADOR – Sou um pobre penitente e posso ajudar-vos, senhor.
O ANJO – Igualmente, agora, desencarnou infortunado homicida, entre as paredes do cárcere... Quem me emprestará mãos amigas para dar-lhe sepulcro?
O SANTO – Tenho horror aos criminosos...
O PECADOR – Senhor, disponde de mim.
O ANJO – Infeliz mulher embriagou-se num bar próximo. Precisamos removê-la, antes que a morte prematura lhe arrebate o tesouro da existência.
O SANTO – Altos princípios não me permitem respirar no clima das prostitutas...
O PECADOR – Dai vossas ordens, senhor!
O ANJO – Não longe daqui, triste menina, abandonada pelo companheiro a quem se confiou, pretende afogar-se... É imperioso lhe estenda alguém braços fortes para que se recupere, salvando-se-lhe também o pequenino em vias de nascer.
O SANTO – Não me compete buscar os delinquuentes senão para corrigi-los.
O PECADOR – Determinai, senhor, como devo fazer.
O ANJO – Um irmão nosso, viciado no furto, planeja assaltar, na presente semana, o lar de viúva indefesa... Necessitamos do concurso de quem o dissuada de semelhante propósito, aconselhando-o com amor.
O SANTO – Como descer ao nível de um ladrão?
O PECADOR – Ensinai-me como devo falar com ele.
Sem vacilar, o anjo tomou o braço do pecador prestativo e ambos se afastaram, deixando o santo em meditação, chumbado ao solo.
Enovelaram-se anos e anos na roca do tempo, que tudo alterara. O átrio mostrava-se diferente. O santuário perdera o aspecto primitivo e a morte despojara o santo de seu corpo macerado por cilício e jejum, mas o crente imaculado aí se mantinha em Espírito, na postura de reverência.
Certo dia, sensibilizando mais intensamente as antenas da prece, viu que alguém descia da Altura, a estender-lhe o coração em brando sorriso.
O santo reconheceu-o. Era o pecador, nimbado de luz.
– Que fizeste para adquirir tanta glória? – perguntou-lhe, assombrado.
O ressurgido, afagando-lhe a cabeça, afirmou simplesmente:
– Caminhei.

Fonte: Contos Desta e Doutra Vida - Francisco Cândido Xavier/Irmão X 
imagem: google


quarta-feira, 26 de julho de 2017

TRABALHO

Narra-se que um religioso ao ver uma área verdejante e produtiva de grãos, recamada de flores e prosperidade, entusiasmando-se, disse ao agricultor:
- Que bela gleba Deus lhe ofereceu!
Olhando em derredor, o homem, com as mãos calosas, queimado de sol, respondeu-lhe com naturalidade:
 - O senhor necessitava ver como era antes, quando Ele dela cuidava sozinho.



Fonte: Autoconhecimento: uma busca interior – Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O PODER DA DOÇURA

O viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras. Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos, ele foi tomando volume e se tornando um rio maior.

O viajante continuou a segui-lo. Bem mais adiante, o que era um pequeno rio, se dividiu em dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes.

A música das águas atraiu mais o viajante, que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, finalmente, uma gruta. A natureza criara, com paciência, caprichosas formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.

De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos, que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913:

"Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."

Assim também acontece na vida. Existem pessoas que explodem por coisa nenhuma e que desejam tudo arrumar aos gritos e pancadas. E existem as pessoas suaves, que sabem dosar a energia e tudo conseguem. São as criaturas que não falam muito, mas agem bastante.


Enquanto muitos ainda se encontram à mesa das discussões para a tomada de decisões, elas á se encontram a postos, agindo... 

- autor desconhecido- 


imagem: google 

sábado, 9 de julho de 2016

O AVISO

                Valdira Bentevi tivera um dia exaustivo de trabalho. Além das lides profissionais, fora também à instituição de assistência, onde prestara colaboração amorosa no atendimento aos necessitados.
                Por isso naquela noite de sexta-feira, deitou-se mais cedo. Programara para o final de semana uma visita a casal de amigos, em fazenda próxima. Viajaria logo pela manhã.
                Como era costume, antes de dormir, abriu o Evangelho. Leu um tópico. Meditou alguns minutos. Depois, começou a orar.
                Quando terminou a prece, percebeu agradável sensação, invadindo-lhe o corpo cansado. Não dormia ainda, mas parecia que sonhava. A figura de uma senhora de meia idade, antiga assistida da instituição, de quem cuidara com zelo e carinho durante longa enfermidade, surgiu-lhe a frente, falando com indisfarçável apreensão:
                - Cuidado, dona Valdira. Vá à oficina.
                A visão durou apenas alguns segundos, seguindo-se de profundo sono.
                Só no dia seguinte, Valdira lembrou-se do ocorrido e, antes de viajar, passou pela oficina mecânica, para uma vistoria no carro.
                Descobriu-se, então, extenso defeito num pneu dianteiro, que sem dúvida estouraria durante a viagem, provocando grave desastre.
                O aviso salvara-lhe a vida.

Hilário Silva


Fonte: Novas Histórias – Antônio Baduy Filho
imagem: google

terça-feira, 21 de junho de 2016

HISTÓRIAS DO CHICO... QUE NUNCA PARAM DE NOS ENCANTAR!

Em seu livro "Mediunidade", Divaldo Franco conta que Chico Xavier, além da tradicional sopa distribuída na casa espírita de que participava, tinha o hábito de realizar visitas a famílias necessitadas, sem horário definido e fazendo-o, por vezes, mesmo à noite.

O médium, ainda em Pedro Leopoldo, costumava visitar pessoas que ficavam embaixo de uma velha ponte, numa estrada abandonada. Iam ele, sua irmã Luiza e mais duas ou três pessoas muito pobres de sua comunidade. E, na medida que eles aumentavam a frequência de visitas, os necessitados foram se avolumando, e mal conseguiam alimentos suficientes para o grupo. Afinal, as doações eram custeadas com seus próprios salários.

O esposo de Luíza, que era fiscal da prefeitura, recolhia na xepa das feiras-livres legumes e outros alimentos, e que eram doados para distribuir anonimamente, nos sábados, à noite, aos necessitados da ponte.

Um dia, porém, o pequeno grupo não tinha absolutamente nada. Decidiu-se, então, não irem, pois aquela gente estava com fome e nada teriam para oferecer. E eles próprios estavam vivendo com extremas dificuldades.

Foi quando apareceu-lhe o espírito do Dr. Bezerra de Menezes, que sugeriu colocassem algumas garrafas com água, que seria magnetizada para ser distribuída, havendo, ao menos, alguma coisa para dar.

Feito isto, o líquido teria adquirido um suave perfume, e então o Chico tomou as moringas e, com suas amigas, após a reunião convencional do sábado, dirigiram-se à ponte.

Quando lá chegaram encontraram umas 200 pessoas, entre crianças, adultos, enfermos em geral, pessoas com graves problemas espirituais, necessitados.

“Lá vem o Chico”, gritou alguém, enquanto o médium, constrangido e angustiado, pretendeu explicar a ocorrência.

Levantou-se e falou: “Meus irmãos, hoje nós não temos nada”, e narrou a dificuldade. As pessoas ficaram logo ofendidas, tomando atitudes de desrespeito e ele começou a chorar. Neste momento, uma das assistidas levantou-se e disse: “Alto lá! Este homem e estas mulheres vêm sempre aqui nos ajudar e hoje, que eles não têm nada para nos dar, vamos nós dar-lhes alguma coisa. Vamos dar-lhes a nossa alegria, vamos cantar, vamos agradecer”!

Neste momento, apareceu um caminhão carregado e o motorista procurava por Chico Xavier. Quando ele atendeu, o motorista perguntou se ele se lembrava de um certo Dr. Fulano de Tal? 

Chico recordava-se de um senhor de boa posição financeira, morador de São Paulo, que um ano antes estivera em Pedro Leopoldo e lhe contara o drama de vivia.

Seu filho falecera e o desespero atormentava o casal. Durante a reunião, o jovem veio trazido pelo Dr. Bezerra de Menezes e escreveu uma consoladora mensagem. Ambos ficaram muito gratos e garantiram que haveriam de retribuir a ajuda.

Foi quando o motorista lhe narrou: “Estou trazendo este caminhão de alimentos mandado pelo Dr. Fulano de Tal, que me deu o endereço do Centro onde deveria entregar a carga, mas tive um problema na estrada e atrasei; quando cheguei, estava tudo fechado”.

“Olhei para os lados - prosseguiu o motorista - e apareceu-me um senhor de idade com barbas brancas, e perguntou o que eu desejava. Disse que estava procurando Chico Xavier e ele me falou que, debaixo de uma ponte caída, estaria seu grupo. Este homem insistiu, ainda, para que dissesse ao Sr. que foi ele quem o orientou”.

“E qual o seu nome?”, perguntou o médium.

“Bezerra de Menezes”, respondeu o motorista.

Suas amigas ficaram espantadas, mas Chico limitou-se a dizer: “É um velho amigo”...

imagem: google

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A REENCARNAÇÃO DA MÃE DE CHICO XAVIER

O ano era 1997, numa terça-feira à noite. Quando chegamos para visitá-lo, ele contou-nos o seguinte caso:
-Hoje minha mãe (D. Maria João de Deus) me apareceu e disse-me:
-Meu filho, após tantos anos de estudo no mundo espiritual estou-me formando assistente social. Venho me despedir e dizer que não mais vou aparecer a você.
-Mas a senhora vai me abandonar?
-Não meu filho. Imagine você que seu pai precisa renascer e disse que só reencarna se eu vier como esposa dele. Fui falar com a Cidália, sua segunda mãe, que criou vocês com tanto carinho e jamais fez diferença entre os meus filhos e os dela.
 Ela contou-me que também precisa voltar à Terra. Então eu lhe disse:
-Cidália (Madrasta), você foi tão boa para meus filhos, fez tantos sacrifícios por eles, suportou tantas humilhações. Nunca me esqueci quando você disse ao João Cândido que só se casaria com ele se ele fosse buscar meus filhos que estavam espalhados por várias casas para que você os criasse.
Desde minha decisão de voltar ao corpo, tenho refletido muito sobre tudo isso e venho perguntar-lhe se você aceitaria nascer como nossa primeira filha?
 Abraçamo-nos e choramos muito. Quando me despedi dela, perguntei-lhe:
-Cidália há alguma coisa que eu possa fazer por você quando for sua mãe?
 Ela me disse:
 -Dona Maria, eu sempre tive muita inclinação para a música e não pude me aproximar de um instrumento. Sempre amei o piano.
-Pois bem, minha filha. Vou imprimir no meu coração um desejo para que minha primeira filha venha com inclinação para a música. Jesus há de nos proporcionar a alegria de possuir um piano.
A essa altura da narrativa o Chico estava banhado em lágrimas e nós também. Mas continuou a falar de Dona Maria:
 -Seu pai vai reencarnar em 1997. Vou ficar junto dele por aproximadamente três anos e renascerei nos primeiros meses do ano 2000.
 -Mas a senhora já sofreu tanto e vai renascer para ser esposa e mãe novamente?
-São os sacrifícios do amor. Até um dia meu filho.
 Neste momento, concluiu o Chico, também ela começou a chorar.

Extraído do livro MOMENTOS COM CHICO XAVIER, de Adelino Silveira, ed. GEP

imagem: google 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

HISTÓRIA DE UM PAI

                Certo genitor laborioso e dedicado ao dever tinha um filho que, ao contrário, era fútil, vivendo como parasita explorador do pai. Aplicava o tempo nos gozos materiais e na consumpção das energias morais, mesmo que escassas.
                O pai, maduro e sábio, sempre o advertia e lhe explicava que, pelo fenômeno natural da vida, seria o primeiro a morrer, e que os haveres, por mais abundantes, quando gastos sem renovação tendiam para o desaparecimento, para a extinção.
                Informava-o que os amigos que o cercavam não lhe tinham a menor estima, antes se interessavam pelos recursos de que dispunha e, quando esses escasseassem, também desapareceriam.
                Os conselhos soavam como velha balada conhecida e recusada.
                Oportunamente, o idosos trabalhador mandou construir nos fundos da propriedade um celeiro, colocando no seu interior uma forca, tendo fixada uma placa informativa com os seguintes dizeres: “Eu jamais ouvi os conselhos do meu pai”.
                Posteriormente, quando tudo estava concluído, chamou o filho, levou-o ao celeiro e explicou-lhe:
                - Filho, encontro-me velho, cansado e enfermo. Quando eu falecer, tudo que me pertence passará à sua propriedade. Caso você fracasse, porque atirará fora todos os bens que lhe transfiro, peço-lhe que me prometa que usará esta forca, como medida de reparação do mal que nos fez a ambos.
                O moço, sem entender exatamente o que o pai desejava dizer-lhe, silenciou, a fim de o não contrariar.
                O genitor desencarnou tempos depois e o jovem herdou-lhe os bens, passando a dissipá-los com mais extravagâncias e desperdícios. Pouco tempo transcorrido, deu-se conta de que havia malbaratado todos os negócios e recursos, e estava reduzido à miséria, à solidão, até mesmo porque os falsos amigos abandonaram-no.
                Recordou-se do pai e chorou copiosamente. No pranto, recordou-se da promessa que lhe fizera, de que se enforcaria após o fracasso. Trêmulo de emoção desordenada, dirigiu-se ao celeiro e lá encontrou  a forca assim como os dizeres terríveis. Teve uma iluminação, concluindo que essa seria a única vez na sua existência em que poderia agradar ao homem nobre que fora seu pai e sempre vivera decepcionado com a sua conduta.
                Subiu então na forca, colocou o laço no pescoço e atirou-se ao ar.
                O braço da engenhoca era oco e partiu-se, caindo dele diversas joias: diamantes, rubis, esmeraldas, uma verdadeira fortuna com um bilhete, que informava: “Esta é a sua segunda chance. Eu o amo de verdade. Seu pai”.
                A partir dali a sua vida tomou novo rumo e ele mudou completamente a maneira de encarar a oportunidade.

Fonte: Psicologia da Gratidão – Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

MOMENTOS DE CONSCIÊNCIA

                O jovem imaturo deslumbrava-se com as constelações cintilantes no firmamento e planejava conquista-las. Quando os primeiros momentos de compreensão mais ampla afloraram-lhe à mente, percebeu a impossibilidade de conseguir as galáxias e achou possível conquistar a Terra  que lhe servia de mãe gentil.
                As lutas amadureceram-no e as dificuldades aumentaram-lhe a visão da realidade, facultando-lhe compreender a impossibilidade de lograr o anelado e, amando a pátria onde nascera, acreditou que a poderia conquistar.
                Empenhou-se no embate arriscado, ganhou posição social e poder, porém, a soma de decepções e amarguras fê-lo desistir do intento e ele pensou em conquistar a comunidade na qual se movimentava.
                Injunções políticas favoreceram-no com os cargos elevados e, quando o destaque parecia havê-lo premiado, as artimanhas da hostilidade dos grupos beligerantes derrubaram-no.
                Mais amadurecido ainda e pensativo, voltou-se para a família e, enquanto a velhice acercava-se, ele se empenhou em conquistar o clã.
                Os interesses díspares no lar e na prole expulsaram-no, porque ele já pesava na economia domestica, superado, no conceito dos jovens sonhadores e ambiciosos quanto ele próprio o fora um dia...
                Nesse momento ele teve consciência da sua realidade, e só então entendeu a importância de conquistar-se a si mesmo.


Fonte: Momentos de Saúde e Consciência – Divaldo P. Franco/Joanna de  Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 30 de abril de 2014

DEUS TE ABENÇOE

Cap. X – Item 16
Logo após fundar o Lar “Anália Franco”, na cidade de S. Manuel, no estado de S. Paulo, viu-se D. Clélia Rocha em sérias dificuldades para mantê-lo.
Tentando angariar fundos de socorro, a abnegada senhora conduzia crianças, aqui e ali, em singelas atividades artísticas. Acordava almas. Comovia corações. E sustentava o laborioso período inicial da obra.
Desembarcando, certa noite, em pequena cidade, foi alvo de injusta manifestação antiespírita. Apupos. Gritaria. Condenações.
D. Clélia, com o auxílio de pessoas bondosas, protege as crianças.
Em meio à confusão, vê que um moço robusto se aproxima e, marcando-lhe a cabeça, atira-lhe uma pedra.
O golpe é violento. O sangue escorre. Mas a operosa servidora do bem procede como quem desconhece o agressor.
Medica-se depois.
Há espíritas devotados que surgem. D. Clélia demora-se por mais de uma semana, orando e servindo.
Acabava de atender a um doente em casa particular, quando entra senhora aflitíssima. É mãe. Tem o filho acamado com meningite e pede-lhe auxílio espiritual.
D. Clélia não vacila. Corre ao encontro do enfermo, e surpreendida, encontra nele o jovem que a ferira.
Febre alta. Inconsciência. A missionária desdobra-se em desvelo.
Passes. Vigílias. Orações. Enfermagem carinhosa.
Ao fim de seis dias, o doente está salvo. Reconhece-a envergonhado e, quando a sós, beija-lhe respeitosamente as mãos e pergunta:
– A senhora me perdoa?
Ela, contudo, disse apenas, com brandura:
– Deus te abençoe, meu filho.
Mas o exemplo não ficou sem fruto, porque o moço recuperado fez-se valoroso militante da Doutrina Espírita e, ainda hoje, onde se encontra é denodado batalhador do Evangelho.
Hilário Silva

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
imagem: cooperecomjesus.blogspot.com

domingo, 13 de abril de 2014

HISTÓRIA - O Pintor

                Certo pintor foi contratado para pintar o barco de um homem rico, que morava na mesma cidade que ele. Durante seu trabalho, perceber um furo no casco, que poderia provocar o afundamento da embarcação e por em risco seus ocupantes. Reparou o problema e concluiu seu trabalho, deixando o barco como novo.
                Dias depois, o dono do barco o procurou para pagar pelo serviço feito. Ao receber o cheque, o pintor notou que o valor era muito superior ao combinado. Estende-o de volta, informa o emitente sobre o erro e o valor correto. E o homem rico se explica:
                - O cheque é seu e você merece o valor que registrei aí. Depois que recebi o barco de volta, pintado, e deixei que meus filhos saíssem nele, é que me lembrei do furo no casco, que queria ter-lhe pedido que reparasse antes da pintura. Corri, desesperado, até à beira do lago, imaginando que o barco teria afundado e meus filhos morrido. Encontrando-os de volta à terra firme, tomei conhecimento de que você havia feito o conserto sem que eu lhe pedisse. Além do serviço perfeito, você não me cobrou por ele. Aliás, sequer o mencionou. Você tem ideia do que fez? Foi além do demandado e salvou a vida dos meus filhos. Receba o cheque – você merece cada centavo.
                O pintor ouviu com atenção e retrucou:
                - Por favor, pegue seu cheque de volta e me faça outro, no valor que havíamos combinado pela pintura. Não me tire a oportunidade e o prazer de ter sido útil sem ganho financeiro. A alegria que sinto, sabendo que fui útil, ainda mais acrescido com a possibilidade de ter salvado as vidas de seus filhos, é pagamento mais do que suficiente pelo que fiz. Além disso, creio que a vida deles vale muito mais do que isso. Mesmo que e aceitasse seu dinheiro, não creio que você consideraria que foi o suficiente.
                Essa parábola, cuja origem é desconhecida, nos leva a refletir nas nossas motivações. De tudo o que fazemos num dia de trabalho, o que é motivado pela remuneração pretendida, e o que é pelo espírito de servir além do pagamento? Quanto somos levados a agir em troca de algo, e quanto apenas pelo prazer de fazer um bem, mesmo que pequeno? Que fração de nós é mercantil, e que fração é benemérita? Já aprendemos a agir de forma totalmente desinteressada, pelo menos em algumas oportunidades, ou só nos movimentamos tendo em vista alguma compensação?
                Trabalhar por um salário é justo e necessário, afinal de contas precisamos sobreviver. Mas trabalhar só pelo salário é muito empobrecedor. Qualquer um que só vise o ganho, financeiro ou não, sempre recebe mais do que vale.
                O espírito de servir vai muito ale do simples trabalhar. Implica uma doação de algo que flui da alma e só pode fazê-lo quem tem o que doar. Mercenários que somos na maior parte do tempo, sempre pensamos em termos de reciprocidade. Num mundo mesmerizado pelo consumismo exacerbado, pensamos o tempo todo em termos de troca – o que ganho, se lhe dou isso? Qual a paga pelo meu esforço extra? Quanto vale cada gesto que faço?
                Nessa pauta, perdemos um dos prazeres mais puros e, talvez, o que mais dignifica o homem – o prazer de servir, de fazer o bem pelo bem. Essa incapacidade é que nos leva a cobrar a gratidão do outro – “Não precisa me pagar; basta-me um ‘muito obrigada’! “Na própria expressão de agradecimento está o aprisionamento moral do beneficiado, que passa a estar obrigado a uma contrapartida. E recusamos novos préstimos, se o outro não é agradecido o suficiente.
                Doadores não cogitam retorno.
                Conta-se que alguém, observando o trabalho abnegado de Madre Teresa de Calcutá, disse-lhe:
                - Irmã, por dinheiro nenhum do mundo eu faria o que a senhora faz!”.
E ela respondeu:
- “Nem eu, meu filho, nem eu.”
Poucos entendem essa postura, e muitos a reprocham.
O ato de bondade desinteressado é alimento para nossas almas.

José Lourenço de Souza Neto

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – janeiro/2014
imagem: www.sidneylace.com.br

domingo, 30 de março de 2014

HISTÓRIA - O Presente Errado


               
               Miie Tamaki resolveu largar tudo que fazia – era economista – para dedicar-se à pintura. Durante anos procurou um mestre adequado, até que encontrou uma mulher especialista em miniaturas, que viva no Tibete. Miie deixou o Japão e foi para as montanhas tibetanas, aprender o que precisava. Passou a morar com a professora, que era extremamente pobre.
                No final do primeiro ano, Miie voltou ao Japão por alguns dias, e retornou ao Tibete com malas cheias de presentes. Quando a professora viu o que ela tinha trazido, começou a chorar, e pediu que Miie não voltasse mais a sua casa, dizendo:
                - Antes, nossa relação era de igualdade e amor. Você tinha teto, comida e tintas. Agora, ao me trazer estes presentes, você estabelece uma diferença social entre nós. Se existe esta diferença, não pode existir compreensão e entrega.

Fonte: Coluna Paulo Coelho – Revista Bem-Estar
Encarte do jornal Diário da Região – 02/03/2014
São José do Rio Preto
imagem: www.bordadoscuritiba.com.br

segunda-feira, 10 de março de 2014

HISTÓRIA - Eu Quero Encontrar Deus

        
                O homem chegou exausto no mosteiro:
                - Venho procurando Deus há muito tempo – disse. – Talvez o senhor me ensine a maneira correta de encontrá-lo.
                - Entre e veja nosso convento – disse o padre, pegando-o pelas mãos e levando-o até a capela. – Aqui estão as mais belas obras de arte do século XVI, que retratam a vida do Senhor, e a Sua glória junto aos homens.
                O homem aguardou, enquanto o padre explicava cada uma das belas pinturas e esculturas que adornavam a capela. No final, repetiu a pergunta:
                - Muito bonito tudo o que vi. Mas eu gostaria de aprender a maneira mais correta de encontrar Deus.
                - Deus! – respondeu o padre. – Você disse muito bem: Deus!
                E levou o homem até o refeitório, onde estava sendo preparado o jantar dos monges.
                - Olhe a sua volta: daqui a pouco será servido o jantar, e você está convidado para comer conosco. Poderá ouvir a leitura das Escrituras, enquanto sacia sua fome.
                - Não tenho fome, e já li todas as escrituras – insistiu o homem. – Quero aprender. Vim até aqui para encontrar Deus.
                O padre de novo pegou o estranho pelas mãos, e começaram a caminhar pelo claustro, que circundava um belo jardim.
                - Peço aos meus monges para manterem a grama sempre cortada, e que tirem as folhas secas da água da fonte que você vê ali no meio. Penso que este é o mosteiro mais limpo e toda a região.
                O estranho caminhou um pouco com o padre, depois pediu licença, dizendo que precisava ir embora.
                - Você não vai ficar para jantar? Perguntou o padre.
                Enquanto montava no seu cavalo, o estranho comentou:
                - Parabéns por sua bela igreja, pelo refeitório acolhedor, pelo pátio impecavelmente limpo. Entretanto, eu viajei muitas léguas apenas para aprender a encontrar Deus, e não para deslumbrar-me com eficiência, conforto, e disciplina.
                Um trovão caiu do céu, o cavalo relinchou forte, e a terra foi sacudida. De repente, o estranho tirou seu disfarce, e o padre viu que estava diante de Jesus.
                - Deus está onde o deixam entrar – disse Jesus. – Mas vocês fecharam a porta deste mosteiro para Ele, usando regras, orgulho, riqueza, ostentação. Da próxima vez que um estranho se aproximar pedindo para encontrar Deus, não mostre o que vocês conseguiram em nome Dele: escute a pergunta, e tente respondê-la com amor, caridade, e simplicidade.
                Dizendo isso, desapareceu.

Fonte: Coluna Paulo Coelho – Jornal Diário da Região – 26/01/2014
São José do Rio  Preto
imagem: camaleonicajuice.blogspot.com

Nota: Esta semana vou estar ajudando na mudança de residência de minha mãe, por isso estarei ausente da internet. Espero voltar a postar no próximo domingo. Muita paz a todos!