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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

IDENTIDADE, INDIVIDUALIDADE E PERSONALIDADE

            Podemos pensar que o espírito, o ser humano, é algo incognoscível em si, porém quando ele se expressa ele é e será sempre algo de si mesmo e do meio no qual se apresenta. Em suas manifestações externas ele sempre revela aspectos de sua essência mesclados a outros do meio no qual se apresenta. Sempre que se expresse será individual e coletivo ao mesmo tempo.
            Sua identidade estará condicionada ao momento, ao resultante do acúmulo de suas experiências reencarnatórias e à sua singularidade. Os espíritos são distintos não só pelas diferentes experiências ao longo da evolução como também pela singularidade que o Criador imprimiu em cada um, no ato da criação. Naquele momento, o Criador, sem estabelecer hierarquia ou injustiça, estabeleceu a unidade de cada ser.
            O espírito logicamente é único em si. Não é possível haver duas coisas iguais, pois a unidade é o fundamento do universo. A diversidade de unidades constitui uma Unidade.
            Nossa identidade se faz não apenas pelas aparências ou pelas características intelectuais, emocionais ou sociais adquiridas ao longo da evolução, mas principalmente pelo sentido pessoal de existir. Cada um é o que lhe constitui o mundo íntimo, construído por sobre a base da singularidade gerada pelo Criador. Buscar reconhecer em si a própria individualidade, isto é, aquilo que em nós difere dos outros, é fundamental para o crescimento espiritual.
            O que distinguiu um espírito de outro no ato da criação? A resposta não deverá contradizer o princípio da igualdade em Deus. Ele não nos fez em série ou em duplas. Somos singularidades divinas a serviço do próprio processo de auto-iluminação.
            A personalidade é a maneira singular pela qual o indivíduo responde ao meio. A personalidade não se resume em atos comportamentais, pois é também e principalmente a estrutura que os modela e que decide sobre as respostas a serem dadas. Alguns atributos do espírito antes de reencarnar serão privilegiados em face das provas a que ele se submeterá. O conhecimento prévio das provas e o meio em que encarnará permitirá que tais atributos sejam discriminados.
            O comportamento não define nem resume a personalidade humana. Ele é tão somente um de seus componentes, visto que boa parte do que se pensa e sente não se expressa nas atitudes. Não se pode desprezar a necessidade de estabelecer um conceito dinâmico para a personalidade. Não só pela condição essencial do espírito como elemento oriundo da força criadora divina, como pela necessidade de entendermos como resultante também da dinâmica da relação com um outro. Por si só o espírito não se define, visto que sua existência está atrelada à de Deus, e sua personalidade está à de outro ser.
            O desenvolvimento da personalidade, a partir da infância, refere-se à retomada do ego, ou melhor, à formação de um novo ego. É comum se confundir personalidade com ego. A estruturação ou consolidação do ego se dá por uma integração contínua de fatores motivacionais, emocionais e cognitivos internos. As características do ego não englobam os aspectos pertencentes à personalidade. A formação dela transcende os limites de uma existência e nela estão inclusos os conteúdos inconscientes. O ego é apenas uma forma dinâmica e funcional da personalidade se manifestar.
            O que chamamos de personalidade não é o espírito em si, visto que ele não apresenta a gama de sensações, emoções, pensamentos, idéias e sentimentos existentes na totalidade que engloba também o corpo e o perispírito.
            Muitas são as possibilidades da personalidade encarnada. Em si, o ser contém as potencialidades divinas e a capacidade de desenvolvê-las. Por conta da cultura e da sociedade nos privamos de manifestar tudo de bom que encerramos em nós mesmos. Acostumamos a projetar nossas melhores qualidades e potenciais em figuras que as apresentaram, acreditando, por vezes, que só elas as possuem. O que o outro possui existe potencialmente em nós. É dever de todo ser humano ir à busca do que realmente é. A individualidade é o próprio espírito com suas aquisições das leis de Deus. Ela independe do corpo físico e do perispírito, pois é o rótulo de Deus na natureza.

Do livro: PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes

domingo, 27 de fevereiro de 2011

LÉON DENIS - biografia

Léon Denis nasceu na França, em 1º de Janeiro de 1846, numa localidade chamada Foug, na região da Alsácia Lorena, iniciando uma vida exemplar, na qual desde a mais tenra infância conheceu as dificuldades materiais, o trabalho árduo, mas também coisas belas, as quais soube apreciar e valorizar: o aconchego familiar, as belezas naturais e os tesouros da civilização de seu país, as maravilhosas revelações contidas nos livros que, embora de difícil acesso para o jovem operário, lhe traziam conhecimentos que o deslumbravam e lhe proporcionavam "viagens" pelo mundo, pelos espaços infinitos, pelas riquezas inestimáveis do pensamento humano.
   Aos 18 anos, conheceu, de Allan Kardec. Pouco tempo depois, assistiu a uma conferência proferida pelo codificador da Doutrina Espírita em Tours, cidade na qual viveu, dos 16 anos até o fim de sua vida. Ali, de pé no jardim onde se realizou a conferência, sob a luz das estrelas, Denis bebeu as palavras de Kardec, que falava sobre a obsessão...e, desde então, entregou-se com todas as potências de sua alma,
à causa do estudo e da divulgação da Doutrina Espírita.
    E é nesse espírito de total entrega que ele atravessa, imperturbável, todas as tormentas da existência: guerras (inclusive a Primeira Guerra Mundial), cegueira, críticas, perda de entes queridos, etc, sempre firme em seu posto, escrevendo livros e artigos, fazendo palestras, presidindo Congressos, sempre esclarecendo, consolando, animando.
"Sempre para o mais alto!" É o lema que seu guia espiritual Jerônimo de Praga lhe dá para pautar a sua vida. É o exemplo que colhe da vida de sua amada "sorella", a heroína Joanna d'Arc. É o lema que ele nos dá a todos. Sua vida absolutamente coerente com a sua obra lhe vale o título de "Apóstolo do Espiritismo".
    A hora de partir para o plano espiritual, de onde continua sua missão, vem encontrar o trabalhador, já ancião, com 81 anos, em plena atividade. Apressa-se em concluir o livro "O Gênio Céltico e o Mundo invisível", para entregá-lo a seus editores. Não chegaria a vê-lo publicado.
    Dita para a sua secretária, Claire Baumard, o prefácio prometido a Henri Sauce, que irá publicar uma biografia de Kardec. Que trabalho seria mais digno de encerrar a carreira de Denis?
   Manhã chuvosa de 12 de abril de 1927...no quarto de Denis amigos fiéis acompanham seus últimos instantes. Gaston Luce e sua esposa estão entre eles. "Mademoiselle" Baumard tem nas suas as mãos do agonizante, que não cessa de lhe dar recomendações...pelo futuro da Doutrina Espírita. "Chamado ao espaço", Denis parte, vitorioso, e, de lá, continua
nos esclarecendo, consolando e animando:
"Homem! Meu irmão! Vamos para o mais alto! Mais alto!"



sábado, 26 de fevereiro de 2011

AMOR III

Sublimação do Amor
            O amor é o fundamento essencial a uma existência feliz.
            O homem e a mulher ocidentais contemporâneos herdaram quase quatrocentos anos de individualismo, de competitivismo, cuja conduta se caracteriza pela dominação do outro, do poder acima de qualquer outra condição, gerando incomum ansiedade, desmotivação para os ideais superiores, vazio existencial, insatisfação.
            O amor é o oposto desse comportamento, por exigir uma transformação de conceitos existenciais, de condutas emocionais, iniciando-se na reflexão e vivência do auto-amor.
            Somente é capaz de amar a outrem aquele que se ama. É indispensável que nele haja o auto-amor, o auto-respeito, a consciência de dignidade humana, a fim de que as suas aspirações sejam dignificantes com metas de excelente qualidade.
            Amando-se o indivíduo amadurece os sentimentos de compreensão da  vida, de deveres para com a auto-iluminação, de crescimento moral e espiritual, exercitando-se nos compromissos relevantes que o tornam consciente e responsável pelos seus deveres.
            Identificando os valores reais e os imaginários, descobre os limites, as imperfeições que lhe são comuns, e luta, a fim de supera-los, trabalhando-se com empenho e com bondade, sem exigências desnecessárias nem conflitos dispensáveis, perdoando-se quando erra,e repetindo o labor até realiza-lo corretamente.    
            O amor é um encantamento, uma forma de auto-percepção, em razão de exigir empatia com o outro, de afirmações e de descoberta de potencialidades que se unem em favor de ambos, sem a castração ou impedimento da liberdade.
            O amor não pode ser acidental, isto é, biológico ou ocasional.
            O amor é espontâneo. Ele deve brotar em forma de ternura e de emoção felicitadora, para que se não converta em pagamento.
            O amor não pode gerar dependência, a que se apegam pessoas ansiosas, irrealizadas, vazias, atormentadas, que transferem os seus conflitos para outrem, necessitando de uma segurança que ninguém lhes pode oferecer. Mediante essa conduta, a relação afetiva adquire quase um caráter comercial de trocas e de interesses na busca da satisfação de desejos e de incompletudes, alcançando o lamentável estado de masoquismo parasítico...
            Com esse exercício passa-se a compreender o seu próximo, a entender-lhe as dificuldades e as lutas, os esforços nem sempre exitosos e os sacrifícios.
            Da compreensão fraternal vêm o sentimento solidário, a amizade, a não exigência de torna-lo o que ele ainda não consegue ser, terminando por amá-lo.
            Pode ser inversa a forma: sentir o amor, sem conhecer o outro, porém, à medida que o vai identificando, tem facilidade para aceita-lo como é, sem as fantasias infantis e mitológicas dos períodos já ultrapassados, com capacidade emocional para perdoar e perseverar nos elevados propósitos do amor.
            Na polimorfia das apresentações do amor, ainda predominam os sentimentos apaixonados, resultados de precipitação, de necessidades fisiológicas ou emocionais de acompanhamento, sem o sentido profundo da afeição com toda a carga de responsabilidade que lhe é peculiar.
            O amor é característica definidora de condutas fortes, de indivíduos saudáveis e não daqueles que se dizem fracos, necessitados, porque, nada possuindo, infelizmente não têm o que dar, esperando sempre receber. É comum dizer-se na cultura moderna, que as pessoas fracas muito amam, olvidando-se que essa conduta é interesseira, ansiosa por proteção, pela cobertura emocional e física de outrem...
            Para que haja ternura no relacionamento é necessário que existam forças morais para superarem dificuldades, e quanto mais se entrega, mais alto nível de doação alcança, sem que perca a individualidade, suas metas, seus sonhos...
            Quando alguém se convence de que é fácil amar, num comportamento realista, faculta-se a disposição de abandonar as máscaras ilusórias e fantasistas com que muitos vestem o amor, permitindo-se a realização pessoal psicológica no ato da afeição.
            Logo, assim conduzindo-se, o ser humano passa a amar a Deus, na plenitude da vida que descobre rica de bênçãos em toda parte.
            O amor é influxo divino que alcança o ser nos primórdios do seu processo de evolução e que se desenvolve, crescendo, até poder retornar à Fonte Criadora.
            Partindo das manifestações dos desejos sexuais até as expressões de renuncia e santificação, o amor é o mais eficiente processo psicoterapêutico que existe, ao alcance de todos.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS  

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

MEDICAMENTOS EVANGÉLICOS

Ajude sempre.
Não tema.
Jamais desespere.
Aprenda incessantemente.
Pense muito.
Medite mais.
Fale pouco.
Retifique, amando.
Trabalhe feliz.
Dirija, equilibrado.
Obedeça, contente.
Não se queixe.
Siga adiante.
Repare além.
Veja longe.
Discuta serenamente.
Faça luz.
Semeie paz.
Espalhe bênçãos.
Lute, elevando.
Seja alegre.
Viva desassombrado.
Demonstre coragem.
Revele calma.
Respeite tudo.
Ore, confiante.
Vigie, benevolente.
Caminhe, melhorando.
Sirva hoje.
Espere o amanhã.

Do livro: Agenda Cristã – Chico Xavier/André Luiz

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

AMOR II

Desenvolvimento do Amor
            Em cada etapa da evolução do ser o amor experiência manifestações pertinentes ao próprio processo.
            Dos impulsos desconexos da proteção às crias, na fase animal, esse psiquismo avança na escala evolutiva sob a contribuição dos sentimentos de defesa e de orientação que surgem nos primórdios da razão, embora sob os impositivos da dor.
            O medo, que predomina em a natureza animal, transfere-se para o ser humano que aprende a submeter-se, de modo a poupar-se aos sofrimentos, a diminuir as aflições.
            A domesticação da fera transforma-se em educação do indivíduo humano e social, que aprende a discernir e a compreender o significado, o sentido psicológico e real da existência.
            A sensação do prazer cresce para tornar-se emoção de paz e de felicidade, fundindo a manifestação sensorial em expressão de sentimento que avança da fase física para a psíquica e emocional, através dos feixes nervosos que compõem o corpo sob o comando do espírito em pleno desenvolvimento.
            O amor possessivo, herança do pretérito, pode passar pelos dissabores das enfermidades emocionais, levando ao crime, em razão do ciúme, da insegurança, da ausência de auto-estima e de desconforto moral.
            Esse desenvolvimento ocorre mediante a contribuição moral do esforço para que o indivíduo adquira independência, seja capaz de amar, após exercitar-se no auto-amor, superando os conflitos da insegurança, do medo, das resistências à entrega.
            Jornadeando na infância emocional, o ser imaturo deseja receber sem dar, ou quando oferece espera a retribuição imediata, compensadora e fácil.
            Somente após descobrir que a vida é portadora de muitos milagres de doação em todos os aspectos em que se apresente, é que o self discerne, deixando de ter necessidade de receber para poder regatear emocionalmente, identificando a excelência do ato de amor sem restrições, sem as exigências egóicas que descaracterizam o ato de amar.
            O amor é a mais elevada e digna realização do self que se identifica plenamente com os valores da vida, passando a expandir-se em formas  de edificação em todas as partes.
            Os atavismos ancestrais estabelecem parâmetros a respeito do sentimento de amor, que não correspondem à realidade, por serem manifestações ainda primárias dos períodos antropológicos vencidos, mas não superados.
            Processos educativos castradores, métodos coercitivos de orientação emocional desenvolvem no adolescente e se aprofundam mais tarde, nos adultos, conflitos que não existiam na infância, gerando medo, ansiedade e desconfiança em relação às demais criaturas e à sociedade em geral.
            A espontaneidade infantil que existia no âmago do self cede lugar à hipocrisia adulta, à negociação para estar bem, mediante o engodo e a promessa, longe do comportamento natural e afetuoso que deve viger no amor.
            As expectativas de quem ama são decorrentes da visão distorcida da realidade afetuosa, esperando plenificar-se com a presença de outrem, esquecendo-se de que ninguém pode proporcionar ao ser mais amado aquilo que não foi gerado nele mesmo. Pode oferecer-lhe estímulos valiosos para o encontro do que já possui em germe, mas não pode transferir-lhe, por mais que o deseje.
            Da mesma forma, não consegue infelicitar senão àquele que já mantém o conflito da desarmonia interior, embora submersos em neblina, que vai dissipada pelo calor da realidade, que é a exteriorização do outro conforme é e não consoante a imagem que se lhe fez.
            Na experiência do amor, pe indispensável o auto-enriquecimento, a fim de poder entender e sentir a manifestação afetuosa do outro que lhe comparte as alegrias e que lhe reparte as satisfações.
            A viagem do amor é sempre de dentro para fora, sem ornamentos exteriores, que muitas vezes disfarçam-lhe a ausência em face dos conflitos nos quais o indivíduo se encontra mergulhado.
            Por imaturidade psicológica as pessoas fingem amar, sonham que amam, permutando brindes, como orientação para transações.
            Acostumados a negociar, pensam que a experiência do amor deve ser revestida de outros interesses que despertem cobiça e facultem a ansiedade de lucros. Por isso não são capazes de amar realmente, mesmo quando o desejam, vitimadas pelo medo de serem ludibriadas, feridas no sentimento, abandonadas ao se entregarem...
            Há um esquecimento em torno da emoção de que se pode amar e se deve amar, porém, nunca amar por necessidade de ter um amor.
            O amor resulta de um estado de amadurecimento psicológico do ser humano, que deve treinar as emoções, partilhado os sentimentos com tudo e com todos.
            Quando se ama a outrem, sempre se exige que o outro submeta-se, adquira valores que ainda não possui, cresça ao elevado patamar da expectativa de quem se lhe afeiçoa.
            No momento do amor, o fascínio exercido pela função da libido levaà necessidade da conquista de outrem, daquele que lhe desperta o desejo, a qualquer preço, dando lugar a sentimentos que não correspondem à realidade. Passado o período da novidade sexual, caídas as máscaras que foram afixadas na face do outro, daquele que se deseja conquistar, e no qual se projetam valores, beleza e talentos que realmente não possue, vem a decepção, surge o desencanto, e o antes sentimento dito de amor transforma-se em frustração, rebeldia, agressividade e mesmo ódio...
            O relacionamentos afetivos são individuais, tornando o amor uma emoção responsável, madura, preparada para enfrentamentos e desafios perturbadores, tornando-se gentil e incondicional.
            Num relacionamento amoroso, são duas metades que se completam, embora possuindo características diferentes que são harmonizadas pelo sentimento afetivo.
            Cada um deve manter a preocupação de oferecer mais do que recebe, resultando numa constante permuta de emoções felizes.
            A pessoa que ama deve medir quanto ama, a fim de que mantenha a responsabilidade de levar adiante o compromisso afetivo.
            Não havendo essa conscientização, em qualquer circunstância menos agradável abandona o outro, foge da realidade, sem conseguir evadir-se de si mesmo, o que é mais grave.
            Somente ama de fato aquele que é feliz, despojado de  conflitos, livre de preconceitos, identificado com a vida.
            As pessoas atormentadas pensam que poderão ser felizes quando forem amadas, sem a preocupação de serem aquelas que amam. Na sua inquietação e insegurança, esperam encontrar portos seguros para as embarcações das emoções desordenadas, sem a preocupação de curar-se para navegar em paz...
            Não havendo amor interno, asfixiando-se no desespero, transmitem essa sensação estranha e inquietadora, sem condições de saberem receber a bonança que lhes chega, quando lhes alcança.
            Logo, fazem-se exigentes, ciumentas, vigilantes e apreensivas em constante ansiedade, temendo perder o que gostaria que lhes pertencesse. Ninguém pode aprisionar o amor, se o tenta, asfixia-o, mata-o
            Enquanto viger o interesse físico, a busca da beleza, do contato sexual em face da atração irresistível, o amor estará distante, com todas as conseqüências da imprevidência, da precipitação, da ansiedade de agir para considerar depois do fato acontecido.
            O desenvolvimento do amor faz-se lentamente, conquista a conquista de experiência, de vivência, de entrega...

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS  

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

AMOR I

Psicogênese do Amor
            O amor é de essência divina, porque nasce na excelsa paternidade de Deus.
            Emanação sublime, encontra-se ínsito no hálito da  vida, quando o psiquismo em forma primitiva mergulha na aglutinação molecular, dando início ao grandioso processo da evolução.
            Na sua expressão mais primária manifesta-se como a força encarregada de unir as partículas, compondo as estruturas minerais, transferindo-se, ao largo dos bilhões de anos, para as organizações vegetais, nas quais desenvolve o embrionário sistema nervoso na seiva que mantém a vida, através do surgimento da sensibilidade.
            Um novo processo, que se desdobra por período multimilenar, trabalha a estrutura vibratória da energia psíquica de que se constitui, facultando-lhe o desdobramento das sensações até o momento em que surge o instinto nas formas animais. É nessa fase que se irá modelar o futuro da constituição do ego, enquanto o princípio inteligente, embora adormecido, inicie a elaboração da individualização do self.
            A predominância do instinto, na sucessão dos milhares de anos, desenvolverá o sentimento de posse, e este, o do medo da agressão, induzindo comportamento violento em defesa da própria vida.
            Ao longo dos milênios, ao alcançar o estado de humanidade, a herança acumulada nos milhões de anos transcorridos no processo de contínuas transformações, desencadeia a preponderância do egocentrismo, de início, segundo o caminho do egotismo exacerbado até o momento quando ocorre a mudança de nível de consciência adormecida para a desperta, responsável por aquisições emocionais mais enriquecedoras.
            É nessa fase de modificações que tem início o sentimento do amor, confundindo-se ainda com as manifestações do instinto em primitivas formas predatórias contra outras expressões de vida, prevalecendo as sensações que rumam para as emoções dignificantes.
            Somente quando alcança um equânime estado de desenvolvimento, é que os sentimentos podem ser educados e exercitados, fornecendo recursos à razão, mediante os equipamentos delicados e próprios para a elaboração da proposta de felicidade. Nada obstante, desde os primórdios do instinto que a educação exercerá uma contribuição fundamental para o crescimento e as aquisições dos valores pertinentes a cada faixa do fenômeno evolutivo.
            A conquista da razão, em decorrência dos automatismos inevitáveis da fatalidade antropossociopsicológica, faculta o surgimento da consciência lúcida, que esteve submersa em níveis inferiores, escrava dos impositivos dos instintos primários em prevalência.
            Nesse período de crescimento de valores éticos e estéticos, o amor desempenha um papel fundamental, pelo fato de constituir-se em estímulo para conquistas mais avançadas em direção do futuro.
            Da posse perversa e egotista do primarismo à renúncia abnegada do patamar de lucidez espiritual, toda uma larga experimentação, na área das emoções, encarrega-se de limar as arestas do ego, favorecendo o self com o desabrochar das emoções superiores.
            Em razão desse demorado processo, o imediatismo do instinto que domina e frui prazer sensorial, aperfeiçoa-se, tornando-se emoções espirituais que governarão o porvir do ser em desenvolvimento moral.
            A necessidade do amor, nesse longo trânsito, apresenta-se como propelente à conquista de mais nobres níveis de consciência responsáveis pela beleza, pelo conhecimento cultural e moral, pelas realizações afetuosas, pela solidariedade humana, pela conquista holística do pensamento universal.
            Atado às heranças do gozo asselvajado, pela imposição grosseira, o self passa lentamente a administrar os impulsos que se tornam, ao longo das encarnações, mais sutis e nobres, expandindo-se, tornando-se fonte vital de recursos para o progresso e desenvolvimento interior a que está destinado.
            O amor, apresentando-se em mínima expressão, nas primárias manifestações, encontrando estímulos desenvolve os sentimentos e transforma-se em um oceano de riquezas.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS  

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

VÍNCULOS FAMILIARES

            A rigor, família é uma instituição social que compreende indivíduos ligados entre si por laços consangüíneos.
            A formação do grupo familiar tem como finalidade a educação, implicando, porém, outros tantos fatores como amor, atenção, compreensão, coerência e, sobretudo, respeito à individualidade de cada componente do instituto doméstico.
            Com o espiritismo, porém, esse conceito de família se alarga, porque os velhos padrões patriarcais, impositivos e machistas do passado, cedem lugar a um clã familiar de visão mais ampla de vivência coletiva, dentro das bases da reencarnação. Por admitir que os laços da parentela são preexistentes à jornada atual, os preconceitos de cor, de sangue, sociais e afetivos caem por terra, em face da possibilidade de as almas retornarem ao mesmo domicílio, ocupando roupagens físicas conforme as necessidades evolutivas.
            As afeições reais do espírito sobrevivem à destruição do corpo e permanecem indissolúveis e eternas, nutrindo-se cada vez mais de mútuas afinidades, enquanto que as atrações materiais, cujo único objetivo são as ilusões passageiras e os interesses do orgulho, extinguem-se com a “causa que os fez nascer”.
            Assim, vemos famílias que adotam a “eliminação quase total da vida particular”. A atenção é focalizada de forma exclusiva no grupo familiar, cujos integrantes vivem neuroticamente uns para os outros. Bloqueiam seus direitos à própria vida, à liberdade de agir e de pensar e ao processo de desenvolvimento espiritual, para se ocuparem de cuidados improdutivos e alienatórios entre si. Vivem uns para os outros numa “simbiose doentia”.
            Os elementos que vivem presos a esse relacionamento de permuta egoísta afirmam para si mesmos: “Se eu me sacrifico pelo outro, exijo que ele se dedique a mim”. Não se trata de caridade, e sim de compromissos impostos entre dois ou mais indivíduos de juntos viverem, visando ao bem-estar familiar. Na verdade, não estão exercitando o discernimento necessário para enxergar a autêntica satisfação de cada um como pessoa.
            Não nos referimos aqui ao companheirismo afetivo, tão reconfortante e vital à família, mas a uma postura obrigatória pela qual indivíduos se vigiam e se encarceram reciprocamente.
            Encontramos também outras famílias que não se formaram por afeições sinceras; fazem comparações e observam características de outras famílias que invejam e que buscam copiar a qualquer custo: são as chamadas “alpinistas sociais”.
            Procuraram formar o lar afeiçoadas a modelos de elegância e a peculiaridades obstinadas de afetação social, moldando o recinto doméstico ao que eles idealizam a seu bel-prazer como “chique”.
            Vestem-se à imagem dos outros, comparam carros, móveis, gostos e comidas; negam a cada membro, de forma nociva, a verdadeira vocação, tentando sempre copiar modos de viver que não condizem com suas reais motivações.
            Há ainda outras agremiações familiares denominadas “exibicionistas”, em que os membros do lar se associam para suprir a necessidade que nutrem de ser vistos, ouvidos, apreciados e admirados. Ajudam-se mutuamente, ressaltando uns a imagem dos outros e focalizando áreas que podem ser valorizadas pelo social, como,m por exemplo, a beleza física ou o recurso financeiro.
            As pessoas vaidosas desse tipo familiar, quando bem sucedidas ou conceituadas, alimentam exibição sistemática diante  dos outros, como forma de compensação ao orgulho de que estão revestidas.
            Assim considerando, os laços de família formados em bases de fidelidade, amor, respeito e dedicação, perdurarão pela eternidade e serão cada vez mais fortalecidos. Os espíritos simpáticos envolvidos nessas uniões usufruem indizível felicidade por estar juntos trabalhando para o seu progresso espiritual. “Quanto às pessoas unidas pelo único móvel do interesse, elas não estão realmente em nada unidas uma à outra: a morte as separa sobre a Terra e no céu”, conforme nos certifica literalmente o texto de O Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo IV item 8.

Do livro: RENOVANDO ATITUDES

Francisco do Espírito Santo Neto – Espírito Hammed

domingo, 20 de fevereiro de 2011

MAHATMA GANDHI

            Numa das suas habituais viagens a Landres, o célebre Mahatma Gandhi deteve-se, oportunamente, no Aeroporto, a observar os objetos expostos, ricos e agradáveis aos olhos. Demorava-se a examiná-los e sorria de prazer. Preocupado com aquela atitude inabitual no homem que renunciara a todas as coisas do mundo, um membro da comitiva inglesa acercou-se-lhe, esclarecendo: - Se o Mahatma tem interesse por algum desses objetos, teremos o prazer de, em nome de Sua Majestade, oferecer-lhe, o que nos constituirá uma honra. O nobre missionário, que se havia encontrado consigo mesmo, sem desdém nem menosprezo respondeu, sorrindo: - Estou feliz ao olhá-los, e verificar quanta coisa eu já não necessito.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ARQUÉTIPO

            Buscando estabelecer uma base para o funcionamento da psique e estabelecendo uma estrutura que justificasse a gama dos fenômenos humanos, Jung intuiu o conceito de arquétipo. Ele penetrou na essência da criação do espírito, no que diz respeito ao seu contato primitivo com o mundo.
            O arquétipo é um conceito que representa uma estrutura psíquica pertencente à mente. Por ele passa o impulso criador oriundo do espírito. É uma palavra que define uma tendência a alguma ação e que está presente no psiquismo de todo ser humano. É um conceito que afirma a existência, no psiquismo individual, de tendências a agir coletivamente. Eles são as matrizes coletivas sobre as quais erigimos nossa individualidade. Originaram-se a partir das experiências repetidas que, embora automatizadas no corpo físico, geraram matrizes psíquicas. Não são tendências instintivas, visto que não pertencem ao corpo, mas ao perispírito. Os instintos não são perispirituais, mas orgânicos. Eles se enraízam no corpo vital e são a inteligência do organismo. Os arquétipos estão para o perispírito da mesma forma que os instintos estão para o corpo físico.
            Os arquétimos são formas virtuais e configurações da psique automática. Eles não são passíveis de percepção direta, mas sim através de representações e de imagens.
            São na verdade vetores das tendências da vontade, a qual se submete ao direcionamento deles. Sua estruturação se inicia no contato do espírito com a matéria através do perispírito. Portanto o arquétipo é uma estrutura funcional do perispírito e nele se enraíza. Não é um órgão fisiológico, mas um princípio de concepção e formação do pensamento e das emoções, sentimentos, ações.
            O arquétipo não é uma estrutura concebida a priori ao espírito. Ele se forma na sua ligação com o mundo. Fazendo uma comparação, pode-se dizer que o arquétipo primordial do ser é sua tendência ao encontro com Deus. Esse seria o primeiro arquétipo e, talvez o único.
            O arquétipo é uma espécie de funil por onde a vontade, o desejo, a motivação e o impulso criador atravessam, em busca de realização. Configura-se como um arranjo espacial da psique.
            O inconsciente coletivo ou a psique objetiva é o nome dado por Jung para os conteúdos da estrutura psíquica, a qual consta em todo ser humano e que se constitui de arquétipos.
            Os arquétipos são sistemas de prontidão que são ao mesmo tempo imagens e emoções. São hereditários como a estrutura do cérebro. Na verdade é o aspecto psíquico do cérebro. Constituem, por um lado, um preconceito instintivo muito forte e, por outro lado, são os mais eficientes auxiliares das adaptações instintivas. Propriamente falando, são a parte ctônica da psique, aquela parte através da qual a psique está vinculada a natureza, ou pelo menos em que seus vínculos com a terra e o mundo aparecem claramente. Os arquétipos são formas típicas de comportamento que, ao se tornarem conscientes, assumem o aspecto de representações, como tudo o que se torna conteúdo da consciência. Os arquétipos são anteriores à consciência e são eles que formam os dominantes estruturais da psique em geral, assemelhado-se ao sistema axial dos cristais que existe em potência na água-mãe, MS não é diretamente perceptível pela observação. Do ponto de vista empírico, o arquétipo jamais se forma no interior da vida orgânica em geral. Ele aparece ao mesmo tempo que a vida. Arquétipo significa um “typos” (impressão), um agrupamento definido de caracteres arcaicos, que, em forma e significado, encerra motivos mitológicos, os quais surgem em forma pura nos contos de fadas, nos mitos, nas lendas e no folclore.
            É algo virtual, além da estrutura do corpo físico e que permeia os comportamentos coletivos do ser humano. Algo que o leva além de sua própria individualidade e que não o diferencia dos demais seres humanos. Que não se encontra nem no espírito nem no corpo, mas na estrutura intermediária que liga um ao outro.

PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

HERCULANO PIRES - biografia

Nasceu em 25/09/1915, na antiga Província de Avaré, Zona Sorocabana e desencarnou a 09/03/1979, em São Paulo. Filho do farmacêutico José Pires Correa e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires. Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itai e Cerqueira César. Revelou sua vocação literária desde que começou a escrever. Aos 9 anos fez o seu primeiro soneto, um decassílabo sobre o Largo São João, da cidade natal. Aos 16 anos publicou seu primeiro livro, Sonhos Azuis (contos) e aos 18 anos o segundo livro, Coração (poemas livres e sonetos). Já possuía seis cadernos de poemas na gaveta, colaborava com jornais e revistas da época, da Província de São Paulo e do Rio. Teve vários contos publicados com ilustrações na Revista Artística do Interior.
Mudou-se para Marília em 1940 (com 26 anos), onde adquiriu o jornal Diário Paulista e o dirigiu durante seis anos. Em 1946 mudou-se para São Paulo e lançou seu primeiro romance O Caminho do Meio , que mereceu críticas elogiosas. Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e critico literário dos Diários Associados . Exerceu essas funções por cerca de trinta anos.
Autor de oitenta livros de Filosofia, Ensaios, Histórias, Psicologia, Parapsicologia e Espiritismo, vários de parceria com Chico Xavier.
É um dos autores mais críticos dentro da Doutrina Espírita. Sua linha de pensamento é forte e altamente racional, combatendo os desvios e mistificações.
Alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias. Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível.
Graduado em Filosofia pela USP, publicou uma tese existencial: O Ser e a Serenidade .

 Fonte: Livros de J. Herculano Pires - JRBC Jul/95


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

SELINHO GANHO

Ganhei este selinho de uma amiga virtual muito especial, Lucivânia, do blog Essência Estelar Maia.



1-Colocar nome e endereço do site que a indicou: Blog Essência Estelar Maia , http://pereirapequeno.blogspot.com

2-Dedicar para cinco seguidores assíduos e cinco seguidores novos do blog:
Dedico esse selinho a todos os amigos do blog Conheça o Espiritismo, ficarei muito feliz se aceitarem.

 
3-Colocar uma frase, trecho de música, citação que seja alegre:
Eu preciso te encontrar
Te falar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao tempo...
(Trecho da música Dia de Domingo, que eu adoro)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

EM FAVOR DE VOCÊ MESMO


Defrontado pelo erro, corrija-o primeiramente em você, e, em seguida, nos outros, sem violência e sem ódio.

Se a perfídia cruzar seu caminho, recuse-lhe a honra da indignação; examine-a, com um sorriso silencioso, estude-lhe o processo calmamente e, logo após, transforme-a em material digno da vida.

Ampare fraternalmente o invejoso; o despeito é indisfarçável homenagem ao mérito e, pagando semelhante tributo, o homem comum atormenta-se e sofre.

Habitue-se à serenidade e à fortaleza, nos círculos da luta humana; sem essas conquistas dificilmente sairá você do vaivém das reencarnações inferiores.

Do livro – Agenda Cristã – Chico Xavier/André Luiz

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CORAGEM III

Aplicação da Coragem

            Muitos pacientes demonstram coragem diante de doenças devastadoras, enquanto outros deixam-se arrastar por desesperação incontrolável. Merecem, no entanto, as duas atitudes algumas considerações.
            No primeiro caso, a pessoa pode ser constituída de grande resistência orgânica, de menor sensibilidade, que dificultam a manifestação das dores acerbas. No segundo caso, conflitos emocionais que desestruturam o comportamento, abrem espaço para que os fenômenos aflitivos, dores e padecimentos, assumam uma gravidade que, em realidade, não existe. O próprio desconserto emocional contribui para a exacerbação da sensibilidade, transformando-se em aflição desmedida.
            O equilíbrio moral faculta a coragem ou retira-a durante a injunção aflitiva.
            Na fase das ocorrências morais, aquelas que ferem os sentimentos que geram perturbação no raciocínio e ameaçam o equilíbrio mental é que a coragem faz-se testada.
            Torna-se constituída pelos elementos da autoconsciência, da compreensão do seu significado existencial e do raciocínio lógico para a diluição do gravame, diminuindo-lhe o significado.
            Aceitar o insucesso como uma experiência necessária para assegurar futura vitória, faculta e estimula a coragem para novos tentames.
            A consideração em torno da fragilidade pessoal, tendo em vista a vigilância, dispõe a um comportamento linear e estável de harmonia diante de infortúnios ou de alegrias no transcurso da existência.
            Assumir a identidade pessoal, evitando a conduta-espelho que reflete os outros em detrimento de si mesmo, propicia coragem para prosseguir de ânimo forte.
            Confunde-se coragem com intemperança, agressividade, intempestividade que são, não poucas vezes, reações do medo expresso ou escamoteado.
            A coragem é terapêutica, porque estimula ao trabalho, à realização de obras dignificadoras, mesmo quando as circunstâncias se fazem desfavoráveis.
            Recursos psicoterapêuticos  devem ser buscados, a fim de propiciar a coragem, o valor moral para auto-avaliação sem pieguismo e transformação interior para melhor, sem pressa.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CORAGEM II

Desenvolvimento da Força e da Virtude da Coragem
            A virtude da coragem tem lugar no momento em que o indivíduo liberta-se da proteção familiar, da segurança do lar, atravessando os diferentes períodos da adolescência e entrando na fase adulta, tendo que assumir responsabilidades.
            Nesse período é inevitável a aquisição da auto-consciência que deflui dos tentames contínuos para a identificação da própria realidade, para a conquista do self, abandonando os artifícios e mecanismos de fuga da responsabilidade, de modo a suportar os enfrentamentos que se impõem necessários.
            O desenvolvimento biológico sempre faz-se acompanhar pelo crescimento psicológico, no entanto, muitas áreas da emoção permanecem dependentes das circunstâncias anteriores, do protecionismo recebido na família, dos pais e mais velhos que procuraram poupar das adversidades, dos conflitos, das lutas da evolução o jovem em crescimento.
            A coragem apresenta-se equipando o ser em busca da realização pessoal, mediante a seleção de valores de que se deve munir para seguir no rumo das metas que elegerá na sucessão do tempo.
            Atado a imposições sociais, educacionais, tradicionais, não raro perde-se em conflitos desnecessários, gerando comportamentos de medo, de ansiedade e de insegurança, que se tornam verdadeiras cadeias retentivas na retaguarda.
            Necessário coragem para analisar com tranqüilidade cada fase da existência física, como parte do processo de crescimento inevitável que culmina na morte orgânica incapaz de extinguir a vida.
            Nesse processo de evolução a coragem assume diferentes aspectos, proporcionando relacionamentos saudáveis que são indispensáveis para o desiderato feliz.
            Todos necessitam de coragem fraternal para a convivência, resultando em vínculos de amizade profunda, capazes de resistir às agressões e  discordâncias que têm lugar nos comportamentos humanos.
            Insistir nos bons sentimentos da amizade, na procura dos relacionamentos afetivos na área do amor sexual, livrando-se dos conflitos de qualquer natureza, com a coragem de auto-superação, constitui uma das metas a alcançar na busca da saúde plena.
            Dispondo-se ao crescimento interior e à realização social e familiar, nos negócios e nos empreendimentos profissionais, o indivíduo necessita dessa coragem dinâmica, criativa e fortalecedora que não esmorece diante do aparente fracasso, por entender que toda conquista é portadora de um preço específico.
            A coragem é um ato de bravura moral. Nunca se deve alguém acovardar diante dos enfrentamentos, que são a fonte estimuladora do crescimento espiritual.
            O ser humano possui reservas de força moral quase inconcebíveis, desde que estimuladas pelas ocorrências.
            A coragem pode assumir também um outro delicado e sutil aspecto no comportamento humano, qual seja, criar, oferecendo beleza através da arte, da cultura, da religião, da bondade, da  solidariedade.
            Quando falta essa virtude no indivíduo, que parece haver-se cansado de trabalhar em favor dos ideais e da construção do grupo social melhor, pode-se considerar que essa conduta se firma numa acomodação covarde ante os impositivos do progresso. Sentindo-se compensado pela vida, avançado na idade, considerando a proximidade da morte, não sente mais interesse em ampliar as possibilidades de felicidade geral, derrapando no obscurantismo, na indiferença, deixando de viver plenamente, porque elegeu apenas o momento que passa.
            A coragem de lutar não espera compensação de qualquer natureza. Mesmo quando a morte do corpo se aproxima, o homem de coragem prossegue na sua faina de oferecer exemplos e contribuições que felicitam aqueles que vêm na retaguarda e avançam confiantes na contribuição daqueles que os precedem pelos caminhos da inteligência e do sentimento.
            Coragem é mais que destemor ante perigos, é a conquista da autoconsciência que faculta a segurança nas possibilidades e nos meios valiosos de prosseguir na conquista de si mesmo.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

domingo, 13 de fevereiro de 2011

CORAGEM I

Origem da Coragem
            Encontra-se radicada no cerne do ser, em face de experiências morais e conquistas sociais realizadas em vivências passadas, quando as lutas e os desafios apresentaram-se exigindo solução.
            No processo da evolução, as alterações de níveis dão-se a cada momento, porquanto, conquistado um patamar de realização pessoal, outro logo surge convidando ao avanço irrefragável.
            Surgem as lutas inevitáveis entre o ego e o self, que prosseguirão por período muito longo, até que este último predomine em todas as instâncias.
            É muito fácil oferecer-se coisas e alterar-se situações em nome de ideais e de interesses com o ego escamoteado por sentimentos, mesmo que legítimos de amor e de abnegação, no entanto, sem a coragem de dar-se, de esquecer-se completamente, a fim de fazer-lhe a vontade e não aquela que é peculiar a cada um.
            A coragem da superação do ego é grandiosa, porque totalmente feita de despojamento, de abandono pessoal, de sublimação do self.
            Trata-se de um desenvolvimento interno, mediante o qual as lutas exteriores ocorrem com facilidade, diferenciando-se do esforço veraz para o equilíbrio emocional.
            Normalmente, aqueles que ainda não desenvolveram os requisitos morais, nem se ativeram à introspecção de forma que descubram as excelências da harmonia, da saúde integral, desistem nas batalhas em que a coragem desempenha seu papel de alta importância.
            Acostumados aos gestos exteriores, nos quais o aplauso ou a repreensão têm significado e sentido emocional, não sabem entregar-se a essa luta interna, silenciosa, sem testemunhas.
            A coragem desenvolve-se lentamente, passando de um estágio a outro, galgando degraus mais elevados, favorecendo a criatura com mais altivez e autoconfiança.
            Torna-se indispensável que o indivíduo cultive os sentimentos do dever reto como essenciais para o desenvolvimento da coragem, somente assim, terá forças para os enfrentamentos de que se constituem os compromissos elevados.
            Não acostumado à reflexão nem ao descobrimento da essência do que se lhe apresenta como valioso, o self não dispõe de recursos para o avanço moral, deixando-se vencer pelo ego vicioso.
            Eis por que, a cada conquista realizada, novas áreas devem ser ampliadas, facultando mais valiosos empreendimentos.
            A coragem moral dispensa circunstâncias e posições relevantes.
Conquistar essa virtude algo esquecida é um proposta moderna para a aquisição da saúde integral.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

sábado, 12 de fevereiro de 2011

DISCIPLINA DOS DESEJOS

            Quando desejamos o bem, sentimos amor, a compaixão e a fraternidade pelo outro.
            Quando desejamos o mal, sentimos o ódio, a raiva e a indiferença ao outro.
            Quando desejamos estagnar, sentimos a preguiça, o pessimismo e a descrença.
            Quando desejamos o progresso, sentimos o idealismo, o otimismo e a fé.
            Entre nós é muito conhecido o enunciado “Desejando, sentes. Sentindo, mentalizas. Mentalizando, ages”, que estabelece uma realidade quase geral sobre a rotina da mente.
            Desejo, fenômeno da vida mental inconsciente, conquista evolutiva de valor na formação da consciência. Podemos classifica-lo como uma “inteligência instintiva” ampliando o  espectro das pesquisas modernas sobre a multiplicidade das inteligências.
            Temos o desejo de viver, desejo dos sentidos, desejo de amar, desejo de pensar, desejo de raciocinar, desejo de gratificação, todos consolidados no que vamos nomear como “inteligência primária automatizada”, guardando vínculos estreitos com as memórias estratificadas do psiquismo na evolução hominal. É dessa “inteligência” que são determinados o impulso do sentir conforme o desejo central, desejo esse que mais não é senão o reflexo indutor da rotina mental na vida do homem.
            Intensificando ainda mais essas “forças impulsivas” do desejo central, encontramos os estímulos sociais da atualidade delineando novos hábitos e atitudes, no fortalecimento de velhas bagagens morais da alma através do instinto de posse, degenerando em apego lamentável no rumo das apropriações desrespeitosas entre os homens.
            Na convivência, a intromissão desse hábito de posse estabelece o ciúme, a inveja, a dependência e a dor em complexas relações. Façamos uma análise mais atenta.
            O afeto, como expressão do sentimento humano, carreia, em muitos lances da experiência relacional, um conglomerado de desejos. Entre eles encontram-se aqueles que nos mantém na retaguarda espiritual, carecendo de educação a fim de não fazer da vida interpessoal um colapso de energias, em circuitos delicados de conflitos e atitudes desajustadas do bem, provenientes de ligações malsucedidas e possessivas.
            Devemos trabalhar para que todos consórcios de afeto, com quem seja, progridam sempre para a desvinculação, abstraindo-se de elos de idolatria e intimidade ou desprezo e mágoa - posturas extremas no terreno dos sentimentos que conduzem aos excessos.
            O afeto que temos é somente aquele que damos, porque o experimentamos nas nascentes do coração, irradiando de nós. E porque é nosso podemos dar, gratificando mais plenamente em cede-lo ao outro que criar vínculos doentios por exigi-lo de outrem, em aprisionamentos velados ou declarados. Em verdade, esse “possuir afetivo” é a nossa busca de completude, entretanto a verdadeira complementaridade gera autonomia, liberdade e crescimento, enquanto essa possessividade gera escravidão, desrespeito e desequilíbrio.
            A afeição deve ser administrada na medida exata. Nem frieza, nem excessos. Isso solicita a disciplina sobre os desejos que são, em boa parte, forças de propulsão nas fibras sensíveis da afetividade.
            Quando se trata do tema transformação íntima na vitória sobre nós mesmos, estamos referindo, sobretudo, a esses “impulsos-motrizes” de sentimento que são originados nas pulsões dos desejos. Graças aos desejos centrais que, costumeiramente, assenhoreiam nossa rotina mental, constata-se uma dicotomia entre pensar, sentir e fazer. Exemplo comum disso é o ideal de espiritualização que esposamos. Temos consciência da urgência de unirmos, amarmos, somar esforços, crescer e melhorar, porém, nem sempre é assim que sentimos sobre aquilo que já conhecemos. Fortes interferências no sentir causam solavancos e acidentes nos percursos da mudança interior. Falamos, pensamos e até agimos no bem em muitas ocasiões, mas nem sempre sentimos o bem que advogamos, estabelecendo “hiatos de afeto” no comprometimento com a causa, atraindo desmotivação, dúvida, preguiça, perturbação e ausência de identificação com as responsabilidades assumidas. Tudo isso coadjuvado por interferências de adversários espirituais, nos quadros da obsessão em variados níveis.
            É assim que nossos sentimentos sofrem a “carga psico-afetiva” milenar dos desejos exclusivistas e inferiores, que ainda caracterizam a rotina induzida nos campos da mentalização.
            E como instaurar matrizes novas no psiquismo de profundidade em favor da renovação de nossos sentimentos? Como renovar esse “coração milenar” pulsando independente da vontade?
            Eis um empreendimento desafiante e progressivo. A solução está na aplicação de intenso regime disciplinar dos desejos, deixando de fazer o que gostaríamos e não devemos, e fazendo o que não gostaríamos, mas é o dever.
            Em outras palavras, saber desejar afinando impulsos com os alvitres conscienciais.
            A disciplina dos desejos tem duas operações mentais principais, que são a contenção e a repetição, para que essa disciplina alcance o patamar de fator de educação emocional.
            Na contenção é utilizado todo o potencial da vontade ativa e esclarecida, com finalidade de assumir o controle sobre as fontes energéticas de teores primários e suscetíveis de causar “danos” aos novéis propósitos que acalentamos.
            Já a repetição é a força que coopera na dinamização dos exercícios formadores de hábitos novos, com os quais desenvolvemos os valores divinos depositados na intimidade do ser desde a criação.
            Contenção e repetição são movimentos mentais neutros, que adquirirão natureza e qualidade na dependência das cargas afetivas com as quais serão impregnadas, e nisso encontra-se a verdadeira transformação interior.

REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO

Ermance Dufaux