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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A CRUZ

Uma mulher, em meio de sofrimentos acerbos, apelara para Deus a fim de que se modificasse a volumosa cruz de sua existência. Como a filha de Cipião, vira nos filhos as joias preciosas da sua vaidade e do seu amor; mas, como Níobe, vira-os arrebatados no torvelinho da morte, impelidos pela fúria dos deuses. Tudo lhe falhara nas fantasias do amor, do lar e da aventura.
- Senhor – exclama ela -, por que me deste uma cruz tão pesada? Arranca dos meus ombros fracos esse insuportável madeiro!
Mas, mas nas asas brandas no sono, a sua alma de mulher viúva e órfã foi conduzida a um palácio resplandecente. Um Anjo do Senhor recebeu-a no pórtico, com a sua benção. Uma sala luminosa e imensa lhe foi designada. Toda ela se enchia de cruzes. Cruzes de todos os feitios.
- Aqui – disse-lhe uma voz suave – se guardam todas as cruzes que as almas encarnadas carregam na face triste do mundo. Cada um desses madeiros traz o nome do seu possuidor. Atendendo, porem, à tua súplica, ordena Deus que escolhas aqui uma cruz menos pesada do que a tua.
A mulher preferiu, conscientemente, aquela cujo peso competia com suas possibilidades, escolhendo-as entre todas.
Mas, apresentando ao Mensageiro Divino a de sua preferência, verificou que na cruz escolhida se encontrava esculpido o seu próprio nome, reconhecendo a sua impertinência e rebeldia.
- Vai – disse-lhe o Anjo – com a tua cruz e não descreias! Deus, na sua misericordiosa justiça, não poderia macerar os teus ombros com um peso superior às tuas forças.


Fonte: Crônicas de Além Túmulo – Chico Xavier/Humberto de Campos
imagem: google

sábado, 9 de setembro de 2017

AFLIÇÕES

“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições do Cristo.” — (1ª EPÍSTOLA A PEDRO 4:13)

É inegável que em vosso aprendizado terrestre atravessareis dias de inverno ríspido, em que será indispensável recorrer às provisões armazenadas no íntimo, nas colheitas dos dias de equilíbrio e abundância.
Contemplareis o mundo, na desilusão de amigos muito amados, como templo em ruínas, sob os embates de tormenta cruel.
As esperanças feneceram distantes, os sonhos permanecem pisados pelos ingratos. Os afeiçoados desapareceram, uns pela indiferença, outros porque preferiram a integração no quadro dos interesses fugitivos do plano material.
Quando surgir um dia assim em vossos horizontes, compelindo-vos à inquietação e à amargura, certo não vos será proibido chorar. Entretanto, é necessário não esquecerdes a divina companhia do Senhor Jesus.
Supondes, acaso, que o Mestre dos Mestres habita uma esfera inacessível ao pensamento dos homens?  Julgais, porventura, não receba o Salvador ingratidões e apodos, por parte das criaturas humanas, diariamente? Antes de conhecermos o alheio mal que nos aflige, Ele conhecia o nosso e sofria pelos nossos erros.
Não olvidemos, portanto, que, nas aflições, é imprescindível tomar-lhe a sublime companhia e prosseguir avante com a sua serenidade e seu bom ânimo.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL
imagem: google

sábado, 26 de agosto de 2017

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS II

                Grande parte das nossas dificuldades atuais são causadas por nós mesmos, na busca incessante por facilidades e confortos materiais. Para ganhar dinheiro, fama e poder, muitas vezes ofendemos, fazemos escolhas equivocadas, somos egoístas, impiedosos e orgulhosos. É justo que, no curso de uma nova existência, resgatemos nossos débitos com as criaturas e até conosco mesmo, entendendo que somos responsáveis por tudo que sentimos, pensamos e fazemos. Isso explica também as nossas provações e passamos a enxergar a Terra como um imenso território adequado para abrigar espíritos em evolução para a perfeição possível. Neste mundo de expiações e de provas, ainda há a necessidade de experiências dolorosas e desagradáveis, para que os espíritos descubram o prazer de fazer o bem e de viver como irmãos. Enquanto permanecer na rebeldia e não agradecer o benefício da aflição momentânea, a criatura irá de ações e reações, sofrendo o que fez sofrer, colhendo do que plantou, até compreender que somente dela depende libertar-se das aflições desta vida. Em suma, todas as atribulações de nossa vida terrena são consequências de nossas faltas. Quando volvemos nosso olhar para os missionários do mundo moderno, que tanto sofreram dores físicas com enfermidades terríveis, mister se faz lembrar da afirmação de Kardec de que muitas dessas aflições são provas escolhidas pelos próprios espíritos, que as pediram para apressar seu adiantamento ou para concluir processos purificatórios.
                Por último, muito embora o capítulo 5, do Evangelho Segundo o Espiritismo jamais nos permitirá ser tão conclusivos, é fundamental entender a diferença entre prova e expiação. Expiação é sofrer as consequências de nossas faltas, passar pelos mesmos sofrimentos causados a nós ou aos outros, para que desperte em nós a consciência do sofrimento que provocamos, aproveitando as oportunidades para reparar os males causados, corrigindo-nos e prosseguindo em nossa evolução em melhores condições. Já as provações são testes de avaliação do aprendizado, passando pelas mesmas dificuldades que deram origem às ações negativas para resolvê-las, sem ferir a ninguém, usando-as para o desenvolvimento das nossas qualificações intelectuais e morais. Kardec ensina que “a expiação serve sempre de provas, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não precisa ser provado”. Por tudo isso, entender que “bem-aventurados os aflitos” é entender  Deus e reconhecer a necessidade de resignar-se; submeter-se, voluntariamente, às Suas leis, compreendendo que sendo Ele, o Absoluto na perfeição e causa de tudo que existe, por certo não comete erros ou enganos e Suas leis sábias e amorosas se obedecidas, hão de nos levar à felicidade. Esta é a resignação preconizada pelo espiritismo, uma submissão ativa, fruto do entendimento dos objetivos da vida e dos seres, assimilando a promessa de Jesus quando oferta as bem-aventuranças aos que sofrem, aos aflitos. O Mestre não espera que não choremos pela dor, mas nos pede para que tentemos sorrir pela benção da oportunidade de ressarcimento das dívidas do passado, entregando-nos à vontade do Pai. A resignação é a coragem da virtude. (Caibar Schutel)

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS I

                Poucos realmente entendem o sentido que a expressão bem-aventurado tem no discurso do Mestre Jesus, até porque é muito difícil esta compreensão para quem, com os pés fincados numa única existência e num mundo materialista como este nosso, acredita que ser bem-aventurado é sinônimo de ser feliz. Dentro do axioma “ler Kardec, para entender Jesus”, o estudo da doutrina espírita, que alarga nosso campo de visão para além desta vida e nos faz compreender e aceitar as múltiplas encarnações, nos oferece a releitura das bem-aventuranças, percebendo que Jesus deixa expresso na sua alocução a ideia clara da imortalidade da alma, ensinando, todavia, que o universo é regido pela lei de causa e efeito. Ambos os pilares doutrinários, casualidade e imortalidade da alma, ampliam o nosso entendimento e, neste contexto, obtemos a chave para abrirmos o baú dos mistérios da fé. Portanto, entendendo que as aflições não são castigos divinos e muito menos pragas lançadas aleatoriamente pelo Criador para provocar o arrependimento de suas criaturas, compreendemos perfeitamente que a justiça divina é incorruptível e se alicerça na expressão “à cada um, segundo suas obras”.
                Por intermédio do estudo do pentateuco de Kardec, fica fácil entender porque uns vivem na opulência e outros na miséria. Nada de privilégios, apenas mecanismos disponibilizados pela bondade divina, para nos reconduzir ao caminho da redenção e da reforma íntima. Quem se locupletou na avareza e amealhou fortunas escravizando seu irmão, nada mais justo que agora experimente a provação e a dor de não enriquecer. Da mesma forma, porém, o consolo de saber que o espírito que já aprendeu a usar o dinheiro em prol do progresso da sua comunidade, não mais precisará passar pela prova da pobreza, a não ser que desejar para cumprir determinada missão. Portanto, se sofro agora e me mantenho resignado e confiante de que esta prova é para meu bem, bem-aventurada esta dor, porque me proporcionará mais venturosa minha próxima reencarnação.
                De posse deste conhecimento, a imensa injustiça que vige entre os homens na Terra adquire para nós um outro contorno. Deixamos de acreditar que tudo que nos rodeia, inclusive nossos sentimentos, emoções, inteligência, criatividade, etc, provêm da própria matéria ou do cérebro ao aceitar a existência de Deus e n’Ele depositarmos nossa fé e total confiança, vamos finalmente compreender a maravilhosa resposta dada pela espiritualidade maior à Kardec, na pergunta primeira de O Livro dos Espíritos, revelando o que é Deus, reconhecendo-o como a causa primária de todas as coisas. Sendo Deus soberanamente justo, toda aflição humana é efeito de uma causa humana e, por isso, não há como atribuir a Ele a injustiça dos homens, como bem esclarece Kardec, no capítulo V do Evangelho Segundo o Espiritismo, quando revela que “as vicissitudes da vida têm pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa”. Concluindo, no mundo não existem vítimas e nem sofredores inocentes.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

MADEIROS SECOS

“Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?” — Jesus. (LUCAS 23:31)

Jesus é a videira eterna, cheia de seiva divina, espalhando ramos fartos, perfumes consoladores e frutos substanciosos entre os homens, e o mundo não lhe ofereceu senão a cruz da flagelação e da morte infamante.
Desde milênios remotos é o Salvador, o puro por excelência.
Que não devemos esperar, por nossa vez, criaturas endividadas que somos, representando galhos ainda secos na árvore da vida?
Em cada experiência, necessitamos de processos novos no serviço de reparação e corrigenda.
Somos madeiros sem vida própria, que as paixões humanas inutilizaram,
em sua fúria destruidora.
Os homens do campo metem a vara punitiva nos pessegueiros, quando suas frondes raquíticas não produzem. O efeito é benéfico e compensador.
O martírio do Cristo ultrapassou os limites de nossa imaginação. Como tronco sublime da vida, sofreu por desejar transmitir-nos sua seiva fecundante.
Como lenhos ressequidos, ao calor do mal, sofremos por necessidade, em favor de nós mesmos.
O mundo organizou a tragédia da cruz para o Mestre, por espírito de maldade e ingratidão; mas, nós outros, se temos cruzes na senda redentora, não é porque Deus seja rigoroso na execução de suas leis, mas por ser Amoroso Pai de nossas almas, cheio de sabedoria e compaixão nos processos educativos.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL
imagem: google

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ALTERNATIVAS I

                A vida se expressa através de várias alternativas.
                Seja qual for o teu comportamento, enfrentarás a alternativa do sofrimento.
                Por mais procures evadir-te, não jornadearás imune à dor.
                Fenômeno biológico de desgaste dos implementos orgânicos encontra-se ínsita na aparelhagem fisiológica, obedecendo à programática para a qual foi elaborada.
                Fora dos equipamentos físicos, eis que as manifestações psicológicas e emocionais também geram destrambelhos e aflições, que se incorporam à paisagem da humana agonia.
                Além destas, surgem as dores morais, lancinantes e agudas, de que ninguém está imune.
                Dor, porém, é processo normal, enquadrado na vida.
                Ei-la em toda parte, expressando-se em manifestações variadas, dentro das dimensões do processo evolutivo, sendo maior quanto mais delicadas são as percepções do ser...
                Evolvido ou atrasado, o homem padece-lhe sempre a injunção; e porque se expressa na própria realidade do ser, resulta das ações pessoais que se praticam, numa existência, gênese de inevitáveis manifestações aflitivas noutra.
                A fé, de forma alguma liberar-te-á do sofrimento.
                Oferecer-te-á recursos para amenizá-lo, dando-te copreensão para enfrentá-lo e armando-te de coragem para te impedires o desespero, com o qual mais te mortificarias.
                A crença na mensagem cristã, em forma de serviço dirigido ao próximo, transforma-se em ideal relevante que, não obstante a sua magnitude, não libera a criatura de sofrer, de aprimorar-se.
                Os ideais sustentam a vida inteligente e favorecem com valores que a embelezam e a dignificam.
                Não imunizam, porém, o homem à aflição.
                O ideal enobrecido é um demorado parto. Todo processo parto dói...


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 28 de abril de 2017

SOFRIMENTO ANIMAL

Pergunta - Eu gostaria de algumas explicações sobre o sofrimento dos animais, uma vez que é difícil de entender, mesmo sendo espírita.
Resposta - Emmanuel, o espírito que acompanhou o saudoso Chico Xavier, dizia que o sofrimento é subproduto ou parte do processo evolutivo. Como dissemos, os animais são seres eternos. São espíritos em evolução e necessitam passar pelas mais diversas situações, por mais dolorosas que sejam. Pelo sofrimento, os espíritos que estagiam na fase animal aprendem o que seja isso. Se eles não tivessem ou se nós não tivéssemos contato com a dor, nunca saberíamos o que seria isso. Se não soubéssemos o que é a dor, como saber o que é a falta dela ou o amor? É necessário que haja esse contraste para que reconheçamos um e outro e saibamos diferenciá-los para aplicar em favor de nossa própria evolução. Todas as situações penosas são aprendizado para o nosso espírito que tem evolução dinâmica. O sofrimento é relativo somente ao corpo físico e não ao espírito, e é uma interpretação dada pelo nosso sistema neurológico. Quando recebemos anestesia, antes de passarmos por uma intervenção cirúrgica, deixamos de sentir dor e, portanto, não sofreemos.
            Mas isso acontece porque já atingimos u grau de aprendizado em que não é necessário sentir tanta dor quanto antigamente, quando a dor para nós era uma forma de nos despertar a compaixão, senão não saberíamos, por exemplo, o que é ser compassivo com aquele que sofre porque simplesmente não saberíamos o que é o sofrimento e a dor. Como ajudar a aliviar a dor de alguém que sofre se nunca experimentamos aquilo que o outro está sentindo. É provável que não ajudássemos ninguém. Seríamos deficientes espirituais. Tanto para nós quanto para os animais, isso é um aprendizado importante nesse mundo de dor.


Fonte: A ESPIRITUALIDADE DOS ANIMAIS – Marcel Benedeti
imagem: google

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ANGÚSTIA E PAZ II

                A angústia entorpece os centros mentais do discernimento e desarticula os mecanismos nervosos, transformando-se em fator positivo de alienações.
                Afeta o psiquismo, o corpo e a vida, enfermando o espírito.
                Rechaça a angústia, pondo sol nas tuas sombras-problemas.
                Não passes recibo aos áulicos da melancolia e dispersa com a prece as mancomunações que produzem angústia.
                Fomenta a paz, eu é o antídoto da angústia.
                Exercita a mente nos pensamentos otimistas e cultiva a esperança.
                Trabalha com desinteresse, fazendo pelo próximo o que dizes dele não receber.
                A paz é fruto que surge em momento próprio, após a germinação e desenvolvimento do bem no coração.
                Jamais duvides do amor de Deus.
                Fixado aos propósitos de crescimento espiritual, transfere para depois o que não logres agora, agindo com segurança.
                Toda angústia dilui-se na água corrente da paz.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 12 de abril de 2017

ANGÚSTIA E PAZ I

                Previne-te contra a angústia.
                Esta tristeza molesta, insidiosa, contínua, arrasta-te a estado perturbador.
                Essa insatisfação injustificável, perseverante, penosa, conduz-te a desequilíbrio imprevisível.
                Aquela mágoa que conservas, vitalizada pela revolta sem lógica, impele-te a desajuste insano.
                Isto que te assoma em forma de melancolia, que aceitas, empurra-te a abismo sem fundo.
                Isso que aflora com frequência, instalando nas tuas paisagens mentais de pressão constante, representa o surgimento de problema grave.
                Aquilo que remóis, propiciando-te dor e mal-estar, impele-te a estados infelizes, que te atormentam.
                A angústia possui gêneses várias.
                Procede de erros que se encontram fixados no ser desde a reencarnação anterior, como matriz que aceita motivos verdadeiros ou não, para dominar quem deveria envidar esforços por aplainar e vencer as impressões negativas e as compulsões torpes.
                Realmente, não há motivos que justifiquem os estados de angústia.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

ANIMAIS E ENERGIAS

Pergunta - Por que os animais sofrem mais que os seres humanos?
Resposta - Existem várias categorias de mundos. O nosso é um mundo primitivo onde os seres que vivem aqui são grosseiros com um propósito, pois ainda estamos em estágio inicial de desenvolvimento moral. Ainda assim nós, os humanos, estamos mais adiantados do que outros seres que convivem conosco. Os animais, por exemplo, que se encontram em fase de desenvolvimento anterior ao nosso, precisarão passar por experiências pelas quais nós já passamos e já experimentamos.
            Por isso eles sofrem mais que nós. Mas o nosso mundo primitivo onde todos sofrem tem por característica este atraso evolutivo no qual os instintos ainda são muito desenvolvidos nos seres que vivem aqui. Ainda vivemos neste mundo onde tais instintos de sobrevivência dizem para cada um cuidar de sua vida a qualquer custo.
            Sendo os ocupantes daqui tão primitivos assim, a preocupação com o bem-estar do próximo, pela população humana, ainda é algo que acontecerá somente no futuro. Por isso a maioria de nós não se preocupa com o seu próximo, seja humano ou animal. Ainda encontramos muitos que dizem ao ver um animal sofrendo: “É problema dele” ou “Não tenho nada com isso”, enquanto deveria ser: “É problema nosso” ou “Isso não pode mais acontecer”.


Fonte: A ESPIRITUALIDADE DOS ANIMAIS – Marcel Benedeti
imagem: google

sábado, 5 de dezembro de 2015

LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO

                Seja qual for o tipo de sofrimento, as suas garras produzem chagas de demorado processo degenerativo, que leva, às vezes, à alucinação, ao despautério, às arbitrariedades, especialmente as pessoas destituídas de resistências morais.
                Normalmente, a sua intensidade é captada conforme a sensibilidade de quem o experimenta.
                Sofredores há, na esfera física, portadores de alta capacidade para suportar-lhe a injunção, que, no entanto, tombam, desalentados, quando eles se apresentam no campo moral.
                A recíproca é verdadeira, consagrando os heróis das resistências quase inacreditáveis, sob o jugo dos terríveis acúleos cravados  nos tecidos da alma.
                O sofrimento está muito relacionado com o processo de evolução espiritual.
                A ampla sensibilidade faculta-lhe maior profundidade emocional, que responde pelas angústias e desagregações interiores, sem queixumes, nem acusações. O padecente silencia a dor e deixa-se estraçalha interiormente, em especial quando tomba nas aflições morais, derivadas da traição, da injustiça, da crueldade, do abandono, do isolamento...
                Se possuem fé religiosa e transferem o testemunho para o futuro espiritual, suportam melhor as lâminas cortantes com equilíbrio, logrando vencer a conjuntura, superando-se e saindo da crise com amadurecimento e paz. As enfermidades de larga duração aformoseiam-lhes o caráter e dão-lhes maior quota de amor aos sentimentos, que transbordam de ternura.
                Quando atingem aqueles que estagiam em faixas menos evolutivas, as enfermidades brutalizam-nos e asselvajam-lhes as bases dos sentimentos, que se desenvolviam noutra direção benéfica.
                O espiritismo, em razão da sua complexa estrutura cultural, científica, moral e religiosa, é a doutrina capaz de equacionar o sofrimento, liberando as suas vítimas.
                Carl Gustav Jung foi possivelmente quem melhor penetrou a realidade do sofrimento, propondo a sua elucidação e cura. Enquanto a preocupação geral se baseava nos resultados físicos, no bem-estar emocional, sob a angulação médica, ele recorreu a dois métodos para encontrar-lhe a gênese e a solução: os sonhos e a imaginação.
                Embora reconhecesse que toda generalidade peca por insuficiência de recursos para o atendimento, desde que cada caso é específico e exige uma linguagem terapêutica especial, adotava os dois comportamentos como método eficaz para os resultados saudáveis.
                Ao mesmo tempo recomendava o apoio religioso, portador de excelentes contribuições para a cura da alma, na qual se sediam todas as causas dos sofrimentos.
                A individuação e a marcha na direção do numinoso constituíram-lhe valiosos mecanismos terapêuticos para os problemas dos pacientes que o buscavam.
                A promoção moral proposta elo espiritismo e a contribuição extraordinária que dá, através do fato de ser a alma imortal – herdeira dos próprios atos que, equivocados, são geradores de sofrimentos – e da reencarnação – em cujos renascimentos o ser espiritual se depura, mediante, não raro, o sofrimento – constituem terapias irrecusáveis, no programa de eliminação da dor no homem e na Terra.
                O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem pra o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos os seres do mundo está reservada pelo Pai Criador.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sábado, 14 de novembro de 2015

SOFRIMENTO NO ALÉM-TÚMULO II

                Ninguém se evade das consequências dos seus atos, como planta alguma produz diferente fruto da sua própria estrutura fatalista.
                O amor é a grande lei da vida. É o amor que estabelece o critério de justiça com igualdade para todos, respondendo em reação conforme praticada a ação.
                A conduta mental e moral cultivada durante a existência corporal propicia resultados correspondentes, impregnando o ser com os hábitos que se transformam em experiências de libertação ou retenção, consoante a qualidade de que se revestem.
                O prolongamento da  vida após a morte física faz-se com as mesmas características, resultando as  fixações como futuros critérios de comportamento. Porque a mente viciada gera necessidades que não encontram correspondente satisfação, o sofrimento é a presença constante naqueles que se enganaram ou lograram prejudicar os outros.
                Consciências encarceradas na ignorância das leis da vida, quando são chamadas ao sofrimento purificador, entregam-se à rebeldia e buscam fugir da colheita que lhes chega mediante o suicídio horrendo.
                Para a própria desdita, mais dolorosa, encontra a vida que ultrajaram com o gesto desvairado, soando às novas dores a frustração por constatarem-se como indestrutíveis, e as aflições decorrentes do ato praticado, eu produz dilacerações no perispírito que passa então a sofrer males que não conduzia. Além desses, que estão na sua realidade espiritual, as consequências infelizes, tais: a dor dos familiares ou a revolta que neles se instala; o exemplo negativo, que estimula outras futuras defecções; os problemas que recaem sobre os que ficaram, produzindo-lhe sofrimentos inenarráveis, que se arrastam por decênios largos até o momento do retorno à Terra, com as marcas da deserção.
                Noutros casos, buscando fugir às enfermidades degenerativas, outras pessoas recorrem a eutanásia, na ingênua perspectiva do sono eterno sem despertar, quando tudo fala de vida, de atividade, de progresso.
                O letargo que buscam é povoado de pesadelos sombrios e presenças espirituais impiedosas, que lhes invectivam o ato e as atormentam sem descanso.
                A morte, em hipótese alguma, faz cessar o sofrimento, porque, não anulando a consciência, faculta-lhe logicar e vivenciar o prosseguimento das experiências, e porque as percepções pertencem ao espírito, continuam sendo transformadas nas delicadas engrenagens da energia em sensações e emoções. Daí a manifestação do sofrimento corrigindo os erros e conduzindo o infrator à reparação.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

SOFRIMENTO ANTE A MORTE I

                A impermanência de todas as coisas e pessoas no mundo físico é também extensiva à conjuntura do sofrimento.
                A sua vigência resulta da intensidade dos fatores causais que o engendraram.
                O campo de energia afetado, no caso das doenças, terminada a prova ou a expiação que depuram, recompõe-se, facultando o equilíbrio. Não obstante, nos sofrimentos morais, quando a desarmonia é emocional, por meio do autocontrole, da oração, da meditação, das ações de beneficência, o ser mais facilmente se libera, deixando de valorizar demasiadamente as ocorrências aflitivas, considerando-as naturais no processo evolutivo, e, por consequência, aceitáveis.
                A aceitação do sofrimento é o passo decisivo para a liberação dele, enquanto a rebeldia produz efeito totalmente contrário.
                Compreendendo-se que o corpo é uma organização delicada, sujeita a deterioramento, desgaste e transformação pelo fenômeno da morte, nele não se colocam as bases da vida, nem se fixam as realidades essenciais. Assim, quando lhe sucedam as desconexões e os desajuste, advindo-lhes a interrupção, a morte não se transforma em motivo de desgraça, de ruína.
                A preparação conveniente para enfrentar a morte faculta uma aceitação do seu fatalismo, e, portanto, uma diminuição do sofrimento.
                Quem, na vida material deposita todas as suas aspirações e nela vê um fim único, constatando-lhe a interrupção, o cessar de manifestações, experimenta superlativas dores morais, que se transformam em sofrimentos físicos sem lenitivo imediato.
                Assim, as dores tem mito a ver com as disposições psicológicas de cada indivíduo, a maneira de encarar a vida e a sua estrutura, os acontecimentos e as suas matrizes.
                A morte, por ignorância da vida, tem sido através dos milênios a causa de sofrimentos inimagináveis, desencadeadora de tragédias e de desconforto sem-fim.
                Todo fenômeno biológico que se inicia, naturalmente cessa. Tudo que nasce, no plano físico, interrompe-se, transforma-se, portanto, morre.
                Não há prazo, nem determinismo absoluto de tempo, dependendo de inumeráveis razões para que o ciclo que começou se encerre... Assim, a morte é inevitável e o sofrimento que ela gera resulta somente de má interpretação dos objetivos da vida.
                O apego à forma transitória, que se decompõe, produz a perturbação emocional, dando ideia de que tudo se consumiu, nada mais restando como finalidade da existência humana.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

terça-feira, 28 de julho de 2015

MOTIVOS DE SOFRIMENTOS III

                A mente e o corpo susceptíveis à dor pela posse ou perda das coisas externas sempre atravessarão largos períodos de sofrimentos, transferindo-se de uma para outra forma de sofrimento, sem conseguir a libertação. Essa ocorre quando o homem se esvazia de ambição, instalando a abnegação no íntimo e superando os desejos.
                O ato de querer (desejar para si, manifestando apego) é fator prenunciador de perda (transferência para outrem, porque o que se detém se deve, não se possui), assim suscitando o domínio responsável pelas sensações de ansiedade, insegurança, medo, que são geradores de sofrimentos.
                O autoconhecimento coopera para que se possa discernir em torno do que é útil ou supérfluo, indispensável ou secundário à vida feliz.
                As conquistas dispensáveis pesam na economia emocional e passam a constituir preocupação que desvia a mente das metas que deve perseguir.
                É muito difícil liberar-se dos atavismos: pertences e hábitos que se impregnam ao comportamento passam a constituir uma nova natureza, e predominante. Sob o fardo dessas dependências, o ser não logra ver a luz, discernir a meta, libertar-se para encontrar-se.
                Confunde a paz com a tranquilidade dos recursos que possui, dos quais aufere conforto, destaque social; através dos quais desperta inveja, podendo perdê-los, de um para outro momento, na existência física, em razão das normais vicissitudes que a todos surpreende, como da compulsória pela morte, que o obriga a deixar tudo, nem sempre facultando a liberação, desde que o tormento prossegue além das vibrações orgânicas...
                O sofrimento deve ser superado pelo amor, pela meditação, pela compreensão da sua presença na vida dos seres, fator de progresso, necessidade de reeducação, mecanismo da evolução que é, e que permanece nos indivíduos que discernem e pensam por eleição deles mesmos, já que a meta da reencarnação é a de lograr a vitória sobre ele.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

segunda-feira, 27 de julho de 2015

MOTIVOS DE SOFRIMENTOS II

                Há indivíduos que dispõem de somas consideráveis, prestigio social, fama e inteligência, graças aos quais adquirem o que lhes apraz, viajam para onde desejam, relacionam-se com os mais diferentes indivíduos e, não obstante, são atormentados pelo vazio, pelo tédio, pela insatisfação, fortes causas de sofrimento.
                Invariavelmente as pessoas colocam os acontecimentos e interesses fora de sua realidade, no mundo exterior, passando a considerá-los a fonte dos sofrimentos ou dos gozos, conforme conseguem fruí-los ou não. Todavia, a questão é mais profunda e pertinente à sua vida íntima. Não havendo um real significado interior, o aparente sentido que demonstram perde-se tão logo sejam conseguidos. Nisso reside a maior soma de frustrações e de insatisfações que causam sofrimentos.
                Algo vale somente quando inspira o mesmo sentido para todas as pessoas, que projetam as suas necessidades íntimas e aspirações legítimas na sua conquista.
                Os lugares belos, as cidades ricas e cosmopolitas que a uns indivíduos causam impacto, provocando o desejo incomum de aí ficarem, noutros despertam mal-estar, desconforto e desagrado. Ilhas paradisíacas e refúgios de oração que a uns fascinam, a outros causam sensações desencontradas, angústias e desesperos insuportáveis. Vestuários luxuosos e jóias cobiçadas, que aumentam a cupidez em alguns, noutros não conseguem a sensibilização, não lhes geram qualquer interesse, nem qualquer sofrimento, por não possuí-los.
A busca da realidade, do Eu, deve partir de uma análise profunda e interna das necessidades legítimas da vida, jamais da preferência de adornos, objetos e situações, que destacam o ego e perturbam-no, tornando-o jactancioso, prepotente ou, na sua falta, magoado, ressentido, receoso...
Primeiro, é necessário adquirir um estado de espírito de paz, para passar por tudo sem ater-se a nada.
A chama que clareia exteriormente projeta luz, mas faz sombra; enquanto a que se manifesta do interior, irradia-se por igual em todas as direções, sem gerar qualquer escuridão.

(continua)
               
Fonte: PLENITUDE         

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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domingo, 26 de julho de 2015

MOTIVOS DE SOFRIMENTOS I

                Na busca incessante do prazer, o homem transfere-se, exteriormente, de uma para outra sensação, sem dar-se conta de que o desequilíbrio gerador de ansiedade é responsável pelo sofrimento que o aturde, ameaçando-o de desespero cruel. Enquanto não se resolva por selecionar os valores reais daqueles aos quais atribui significado e que são apenas fogos-fátuos, terá dificuldade em afirmar-se e seguir uma diretriz propiciadora de paz.
                Vivendo sob a injunção de uma máquina, que lhe impõe necessidades a serem atendidas e o predispõe a falsas necessidades perturbadoras, ele opta pelas últimas, que são produto das sensações do ego dominador, empurrando-o para as aspirações mais grosseiras, em detrimento daqueloutras sutis e enobrecedoras, que adquirem resistência na renúncia, no esforço elevado, na abnegação, no cultivo da vida interior, no domínio da matéria pelo espírito.
                O corpo deve ser considerado um instrumento transitório para o ser eterno, temporariamente um santuário, face à finalidade edificante de propiciar à alma a sua ascensão, mediante as experiências iluminativas que faculta, nos aspectos moral, espiritual, intelectual, pelo exercício das virtudes que devem ser postas em prática, e jamais para atendimento das sensações que lhe caracterizam a constituição molecular.
                Certamente, aqui não cabe também o comportamento asceta, alienador, que fomenta a fuga da realidade aparente, porquanto, o importante é a vida mental modeladora da física. Pode-se mudar de lugar sem alterar a conduta, vivendo-se um estado exterior e outro íntimo. Pela falta de sintonia entre as duas formas de vida, surge a desagregação do indivíduo, com aparecimento de neuroses e psicoses devastadoras, impondo sofrimentos que poderiam ser evitados, caso se permitisse uma melhor compreensão das finalidades existenciais.
                O exame racional e lúcido das necessidades legítimas faculta o direcionamento saudável, com as compensações da harmonia íntima e do equilíbrio emocional.
                A ambição desmedida pelas coisas, divertimentos e gozos nunca preenche os espaços do prazer, pelo contrário, frustram aqueles que lhe tombam nas armadilhas.

(continua)
               
Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sábado, 11 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VIII

                No que tange aos meios para facultarem a cessação do sofrimento, as ações meritórias, conforme já enfocadas, são preponderantes, destacando-se aquelas inabituais, que caracterizam os temperamentos nobres, os sentimentos abnegados.
                Distinguir-se através dos gestos incomuns, desconhecidos, é forma de buscar a iluminação mediante o concurso da realização de tudo quanto internamente se conjuga para esse fim.
                Quem acumula um tesouro tem em mente aplicá-lo em finalidades específicas. Se portador de sabedoria, pensa em multiplicá-lo ao tempo que o investe, escolhendo os empreendimentos mais rentáveis, seja do ponto de vista econômico, assim como de retribuição emocional. Com essa atitude promove o progresso, gera oportunidades de serviço e dignifica as vidas que antes estavam sob a ameaça do desespero e da inutilidade.
                Da mesma forma, os recursos espirituais e emocionais elevados devem ser canalizados para as atividades incomuns, superiores, as quais nem todos se atrevem realizar.
                As ações incomuns variam desde os contributos materiais valiosos, irrigados de amor e de ternura até os gestos extraordinários do silêncio ante ofensas, do perdão às agressões e do esquecimento do mal.
                Todo aquele que dilui as forças negativas que teima por obstruir-lhe o avanço, utilizando-se do detergente do amor, evita contaminar-se, e se já visitado por elas liberta-se, fazendo com isso que cessem as causas e desapareçam os sofrimentos.
                O campo mental indefeso faculta eu as farpas do mal aí proliferem, infestando a área com resíduos pestíferos, responsáveis por males incontáveis.
                A defesa, em relação aos fatores perniciosos, é somente possível quando a irradiação de energias saudáveis vitaliza a organização psíquica, que reflete as aspirações do espírito, resguardando-a das agressões externas. Não gerando pensamentos destrutivos nem acumulando vibrações perturbadoras de ódio, medo, ciúme, rancor, mágoa, concupiscência, não se faz vítima dos conteúdos internos degenerativos.
                Esse estado interior impulsiona aos atos incomuns superiores, passo próximo da iluminação.
                Somente iluminando-se o homem supera todas as dores; erradicando-lhes as causas, resguarda-se de agressões destrutivas.
                A iluminação resulta do esforço da busca íntima do ser profundo, opção de sabedoria que é, em relação ao ego que prevalece no mapeamento das aspirações humanas mais imediatas, portadoras de distúrbios vitais e fragorosas derrotas na luta, que é a breve existência corporal.
                O desenvolvimento da chama divina imanente em todos os seres merece todos os sacrifícios e empenhos, a fim de que arda em todo o seu esplendor, vencendo as teimosas sombras, que são a herança demorada das experiências nas faixas primitivas do processo inicial da evolução.
                A verdadeira iluminação promove o homem que, superando as contingências-limite da estância carnal, anula todas as causas de sofrimento, fazendo-as cessar. Já não necessita da dor para alcançar metas, pois o amor lhe constitui a razão única do existir, em sintonia com o pensamento divino que o atrai cada vez com mais vigor para a meta final.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VII

                Porque se fantasia a existência terrena com quimeras e sonhos, a realidade, desfazendo essa imagem infantil, leva ao sofrimento todos aqueles que, imaturos, confiaram em demasia na transitoriedade das formas e da apresentação física, das promessas de afeto imorredouro e de fidelidade perpétua, de alegria sem tristeza e meio-dia sem crepúsculo no fim da jornada.
                Assim, a morte da ilusão fere aqueles que lhe confiaram a existência, entregando-se-lhe sem reserva, sem precaução.
                A ilusão é, pois, anestésico para o espírito.
                Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo. Entretanto, firmar-se nos alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia movediça ou solo pantanoso coberto por água tranquila apenas na superfície.
                Há quem postergue a realidade, evitando-a, para não sofrer. E existem aqueles que pretendem apoiar-se no realismo rude, que não passa, muitas vezes, de outra forma errônea de ilusão.
                A consciência da realidade resulta da observância dos acontecimentos diários, da transitoriedade do chamado mundo objetivo e de uma análise tranqüila e lúcida a respeito do que é verdadeiro em relação ao aparente, do essencial ao secundário, e sucessivamente.
                A compaixão por si mesmo – amor a si próprio – faculta a visão realista, sem agressão, dos objetos da existência terrena, impulsionando a compaixão pelo seu irmão – amor ao próximo – solidarizando-se com  a sua luta e dando-lhe a mão amiga, a fim de sustentá-lo ou erguê-lo para que prossiga na marcha.
                Essa atitude, ao invés de produzir uma postura pessimista, cética, amargurada, resultante da morte da ilusão, alenta e engrandece, dando sentido e significado a todos os acontecimentos.
                Por isso, a compaixão se torna fator que faz cessar os sofrimentos, como resultado natural dos outros passos, partindo da emoção para a ação.
                Apresenta-se, então, no painel do comportamento, a necessidade de agir com inteireza, com abnegação, transformando os propósitos mantidos em realização enobrecedora.
                Todas as experiências humanas constituem formas de amadurecimento da criatura. Algumas decorrem dos deveres imediatos e são comuns a todos, constituindo a sua vivência um fenômeno natural, sem o qual se experimenta inevitável alienação, com todas as suas conseqüências perniciosas.
                O fato de participar do contexto social, mesmo que sem gestos incomuns ou de arrebatamento, equipa o indivíduo com recursos emocionais que lhe trabalham a existência, aformoseando-a com estímulos crescentes para o seu prosseguimento.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO VI

                É o amor que leva à piedade fraternal, à compaixão, induzindo o homem à solidariedade e mesmo ao sacrifício.
                Há um tipo de compaixão que, não resultando da ação dinâmica do amor profundo, pode ser perniciosa e até deprimente. Trata-se daquela que lamenta o sofrimento e escoroçoa quem o experimenta, como uma forma de aureolá-lo de desdita e abandono, de falta de sorte e desgraça. Essa atitude transparece e resulta de uma óptica equivocada sobre o sofrimento, deixando a perspectiva de que o mesmo é punição arbitrária, injustiça perturbadora.
                A compaixão junta-se ao companheirismo, que comparte dos sentimentos alheios, sem enfraquecer-lhes as resistências morais, incitando o indivíduo à perseverança nos ideais e postulados relevantes, que o impulsionam ao incessante avanço, sem possibilidade de retrocesso.
                Compaixão pelo bem, fruto do amor, o ser age adequadamente, mudando a estrutura do sofrimento, do qual o cinzel da ternura arranca as asperezas e anfractuosidades. Esse sentimento é semelhante à suavidade do luar em noite escura espraiando luz tênue e confortadora sobre a paisagem. Faculta uma visão propiciadora de ações úteis, onde predominavam as sombras do desalento, do medo e  do desespero em crescimento.
                A paixão pelo serviço de elevação irradia piedade construtiva, que estimula à  beneficência e dá calor à filantropia, aureolando-a de vigor fraternal, graças ao qual os sentimentos solidários expressam o amor em sua multiface.
                A ausência de compaixão envilece o homem e a falta de paixão pelo bem torna o ser revel, quando não o mantém apenas na indiferença mórbida, qual observador mumificado diante dos acontecimentos do cotidiano.
                O serviço do bem, com a correspondente paixão de sustentá-lo, transforma-se em caridade que plenifica aquele que recebe o socorro e quem o propicia. Enseja a ação de dupla via: a satisfação que faculta àquele a quem é dirigida e a que retorna como resposta interior da consciência tranqüila pela emoção experimentada.
                A vida sempre responde de acordo com a maneira como é inquirida. A cada ação resulta uma equivalente reação, desencadeando sucessivos efeitos que se tornam conseqüências desta última, por sua vez geradora de novos resultados.
                Para eu seja interrompido o ciclo, quando pernicioso, a compaixão por si mesmo e pelo próximo induz o homem às ações construtivas, nas quais se instalam os mecanismos que desencadeiam resultados favoráveis ao progresso, assim interrompendo a onda propiciadora de sofrimento.
                A paixão de Cristo por todas as criaturas é um estímulo constante a que se compadeçam os indivíduos uns pelos outros, sustentando-se nas dores e dificuldades, jamais piorando as suas necessidades ou afligindo-os mais através dos instintos agressivos, por acaso prevalecentes em sua natureza animal.
                É de vital importância a compaixão no comportamento humano. Ela conduz à análise a respeito da fragilidade da existência corporal e de todos os engodos que a disfarçam.
                Sendo a ilusa um fator responsável por incontáveis sofrimentos, a compaixão desnuda-a.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

CAMINHOS PARA A CESSAÇÃO DO SOFRIMENTO V

                Sem o passo inicial, ninguém vence as distâncias.
                O egoísmo é a estaca zero, às vezes perniciosa, para ensejar os primeiros movimentos no rumo da solidariedade, do bem comum. Pior que ele é o desinteresse, a morbidez da indiferença, deixando transparecer que o amor está morto, não obstante se encontre dormindo, aguardando o estímulo correspondente para despertar.
                A vida é impossível sem o amor.
                Da mesma forma que o crime se disfarça e os sentimentos inferiores se escamoteiam sob máscaras diversas, há várias expressões positivas que surgem no homem refletindo o amor de que ele ainda não se deu conta. À medida que se agiganta, neutraliza o sofrimento e a sua vigência contribui para que cessem as causas degenerativas que facultam o sofrimento. Quando atinge elevada qualidade, em somente uma pessoa, anula a fúria e o ódio com suas incontáveis vítimas, bem como dos seus fomentadores.
                Irradiando-se, à semelhança da luz, domina todos os escaninhos e tudo arrasta na direção do fulcro gerador da energia.
                Amor é sinônimo de saúde moral e quem o possui elimina as geratrizes envenenadas que se expandem produzindo sofrimento.
                O amor é sutil e sensível, paciente e constante, não se irritando nem se impondo nunca. No entanto, quem lhe experimenta o mimetismo, jamais o esquece. Mesmo que momentaneamente lhe interrompa o fluxo, ele sempre volve.
                Na raiz de toda ação enobrecida está a seiva do amor, produzindo vida  e sustentando-a.
                Usar essa energia vital constitui dever e, com a consciência lúcida de sua magnitude, aplicá-la em prol da harmonia faz cessar o sofrimento. Ela é vibração positiva, que enseja entusiasmo e otimismo, dando colorido à existência. Reverdece a terra cansada do coração e drena o charco, no qual a pestilência das paixões deixou que se descompusessem a esperança e a alegria.
                Ninguém ama inerte.
                Dinâmico, o amor induz à ação construtiva, responsável pelo progresso.
                Objetivando sempre o bem, concentra suas forças nele e não desiste enquanto não lobriga a meta. Ainda aí permanece solidário, de modo a evitar que o ser depereça e tombe ao desânimo.
                Como o sofrimento decorre da insatisfação, da distonia, da degeneração dos tecidos e dos fenômenos biológicos desajustados, o amor age sobre as moléculas como onda vitalizante e, restaurando-lhes o equilíbrio, vence o sofrimento, interrompendo-lhe o fluxo causal.
                Quando, porém, perseveram as dores físicas, efeitos dos desarranjos orgânicos, a resignação e a coragem do amor amortecem-lhes os efeitos, tornando-os suportáveis e produzindo os heróis do sofrimento, cujo martírio de qualquer procedência, deles fazem modelos que dão força e dignidade às demais criaturas, assim embelezando a vida moral e humana na Terra.
                Sob a ação do amor, são processados novos mecanismos cármicos positivos, que interrompem aqueles de natureza perniciosa, porquanto o bem anula o mal e suas conseqüências, liberando os infratores das leis, quando eles as recompõem e corrigem os mecanismos que haviam desarticulado.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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