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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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segunda-feira, 24 de julho de 2017

CONSIDERAÇÕES FINAIS

                Não podemos mudar o mundo mas podemos mudar a nós mesmos para sermos felizes nele. Não podemos mudar as pessoas, mas podemos perdoá-las quando nos ofenderem e nos perdoarmos quando ofendermos a elas.
                A palavra perdão vem do latim Perdorare: per significa intenso e donare significa dar, doar.
                Doar com intensidade sem olhar a quem, ou seja, o amor na sua maior intensidade. Perdoar, portanto, é um ato de amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

sábado, 15 de julho de 2017

O PERDÃO PARA VIVER COM EQUILÍBRIO

                A pressão e cobrança de maior produção nossa; a decepção com uma pessoa que amamos muito; o medo do desemprego; uma nova crise financeira. São situações que levam ao desequilíbrio emocional.              
                Deepak Chopra, afirma que as conseqüências físicas da perda de um emprego são semelhantes ao resultado de quando somos atropelados por um automóvel.
                O desequilíbrio emocional causado pelo estresse pode levar á perda de apetite, insônia, alteração no batimento cardíaco e, depois de algum tempo, provocar problemas de saúde como ansiedade, depressão, dores na coluna, gastrites, entre outros.
                Para restabelecer o equilíbrio emocional é necessário parar e avaliar a verdadeira importância da situação pela qual estamos passando como um ser humano imortal, filho de Deus que somos. Devemos, também, analisar quantas situações difíceis já conseguimos vencer. Dessa forma, percebemos o quanto é pequeno o problema daquele momento quando comparado ao que nós somos.
                Buda, um dia, observando um lago, viu uma linda jovem tocando harpa. Dessa imagem fez a seguinte reflexão: “A vida é como a corda da harpa, se esticar demais ela se quebra e traz prejuízos, quando folgada ela não dá acorde e traz o tédio, porém, com equilíbrio tocará uma linda música”.
                Algum aspecto da nossa vida estava como a corda da harpa, esticada demais, e quebrou trazendo-nos prejuízos na saúde, no trabalho, na sociedade. Outros aspectos da nossa vida estavam com a corda folgada e por isso estamos sem acorde, ou seja, com tédio. Estamos com desequilíbrio emocional.
                As técnicas de relaxamento, massagem relaxante, acupuntura, ioga, entre outras terapias, nos ajudam a reencontrar o equilíbrio emocional. A religião tem um papel fundamental nesta busca pois o maior dos terapeutas é Jesus Cristo.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O PERDÃO NOS INDICA O CAMINHO

                “Eu sou co Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”. Esta frase de Jesus pode parecer arrogante e até injusta. Arrogante porque o Mestre diz “o Caminho” e não um caminho.
                Quando Jesus afirma se “o Caminho”, Ele não estabelece número ou ordem. Se fosse um caminho ou primeiro caminho, haveria outros, porém Ele afirma, categoricamente, “eu sou o Caminho”, portanto, o único.
                Mas Jesus deu prova de humildade ao viver ao lado de pobres, doentes e prostitutas. Isto sim, é prova de que não é arrogante. Essa afirmação pode parecer injusta com aqueles que não conhecem e não conhecerão a mensagem de Jesus.
                Por exemplo, mais de um terço dos habitantes da Terra são budistas e, portanto, não-cristãos. Os indígenas que vivem isolados na Amazônica nunca ouviram falar da Bíblia, muito menos de Jesus. Todos estes não irão a Deus por não conhecerem Jesus?
                Se juntarmos todos os povos cristãos do planeta – católicos, protestantes e espiritistas por exemplo – não somarão um terço dos seis bilhões de seres da Terra, portanto, estaria condenando dois terços do planeta a não encontrarem Deus, ou o Pai, como afirma Jesus.
                Então o que é seguir “o Caminho”? Conhecer é caminhar sobre ele e caminhar é seguir o exemplo de Jesus.
                Quando alguém lhe esbofeteou Ele virou a face, um exemplo de perdão. Quando alguém nos ofende, magoa, virar a face é esquecer. Imaginemos alguém a quem emprestamos dinheiro e não nos pagou. Essa pessoa esquece que não nos pagou e pede novamente dinheiro emprestado. Nós emprestamos mesmo sabendo que corremos o risco de não receber novamente. Isto sim é virar a face.
                Andando sobre as águas, Jesus nos deu exemplo de fé. Quantas vezes teremos tormentas em nossas vidas e que a fé nos será fundamental? Esses são apenas alguns exemplos de seguir o caminho de Jesus.
                Quem consegue trilhar o caminho encontra a verdade. “Conhecereis a verdade e a verdade v os libertará”. Quando seguimos o caminho e conhecemos a verdade nos tornamos livres da escravidão dos bens materiais, dos apegos que nos aprisionam, dos vícios dos quais somos escravos.
                Quem conhece o caminho e a verdade acaba por conhecer também a vida, começa a perceber outros prazeres, como a de uma caminhada à beira mar. Perceber as estrelas nas abóbadas dos céus, olhar o sol nascer, o sol se pôr.
                Conhecer a vida com Jesus é conhecê-la com abundância.
                Quando passarmos por todas essas etapas já chegamos ao Pai porque Deus está dentro de nós. As duas letras centrais de Deus são “eu”, ou seja, Ele está em os quando encontramos a paz.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O PERDÃO E O PRAZER DE SER VOCÊ MESMO

                O processo de industrialização, a explosão do consumo e a globalização em contato com os valores morais judaico-cristão provocaram o surgimento de comportamentos duplos, triplos ou mais diversos, fazendo com que o ser humano perdesse sua própria identidade.
                A necessidade de agradar tudo e todos em um mundo onde a concorrência chega dentro de casa, faz com que percamos nossa própria identidade e nos comportemos como as pessoas gostariam que fôssemos.
                Nos refletimos em nosso comportamento a imagem dos outros.
                Em casa, com os nossos pais, somos uma personalidade, com os filhos somos outra. Na igreja, falamos baixinho. No futebol, com amigos, falamos palavrões. Com o patrão somos dóceis. Com a esposa ou marido, somos grosseiros. E nessa grande quantidade de máscaras perdemos nossa própria identidade, não sabemos mais o que somos.
                Espiritualmente somos seres unos. Este comportamento multifacetário nos adoece, provocando estresses, culpa e males orgânicos com conseqüências complexas. O que fazer? O primeiro passo é aprender a dizer não. O segundo é demonstrar, sem violência, a nossa autenticidade.
                Ser você mesmo lhe reduz muitas dores e sofrimentos. Permite que as pessoas te conheçam de verdade e saibam com quem estão lidando. Por outro lado, estimula os que estão ao seu redor à autenticidade pois, sabendo o que você é, são encorajadas a dizerem o que elas são.
                Permanecerão aqueles que tentarão enganar-lhe com falsa imagem, com máscaras, atores que se perderam em seus próprios personagens, mas isto faz parte da pequenez do ser humano. O importante é experimentar o prazer de ser você mesmo.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

terça-feira, 30 de maio de 2017

O PERDÃO NO ATO DE AJUDAR

                Às vezes somos movidos, compulsivamente, por atos de bondade sem refletirmos sobre o que é verdadeiramente ajudar. Isso acontece porque nossos atos de bondade são motivados por sentimento de culpa, obrigação, pena ou suposta superioridade moral. Pensamos assim: “Eu sou bom”, enquanto Jesus, quando chamado de bom, respondeu:”Bom é vosso Pai que está nos céus”, demonstrando para nós a profundidade da palavra bondade.
                Na parábola do Bom Samaritano, Jesus assim se refere: “E tomado de compaixão”... Essa parábola é a melhor reflexão sobre ajudar. Compadecer é tomar o lugar da pessoa que precisa da nossa ajuda.
                Para tomar o lugar do outro é necessário humildade, ou seja, é importante pensar no outro como seu igual. Se isso não acontecer não será bondade mas, simplesmente, um ato de bondade pois não terá o efeito importante que é a transformação do ajudador e do ajudado em seres melhores do que são.
                Minha ajuda não se efetivará enquanto para eu ajudar o outro significa salvá-lo, visto estar ele perdido ou porque eu estou salvo, imaginando-o como pobre coitado.
                Tudo no universo tem uma função. As grandes dificuldades não significam castigos nem punições, mas caminhos para uma vida melhor. Deus respeita nossos livre arbítrio. É necessário que respeitemos as escolhas dos nossos semelhantes mesmo que nos pareçam bastante estranhas.
                Ser bom é olhar as coisas e as pessoas com os olhos do amor. O ser bondoso possui autoconfiança, altruísmo, ternura e destemor. É sincero e fiel consigo mesmo, bom ouvinte, disposto a ser útil, solidário e jovial. É sociável, gosta de crianças e preserva a natureza porque sabe que faz parte dela.
                Joanna de Ângelis diz o seguinte: “O que te faz mal não é o mal que te fazem, as o mal que você faz aos outros. O que te faz bem não é o bem que os outros te fazem, mas o bem que você faz aos outros”.
                Fazer o bem faz bem, lembremos disso por onde quer que passemos, deixando marcas de luz para que os outros se lembrem de nós pelo carinho e a afetividade que construímos nos corações deles.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O PERDÃO NAS DORES E AFLIÇÕES II

                Existem duas formas de encarar o sofrimento: com a revolta ou a compreensão. A revolta faz com que soframos ainda mais. Já a compreensão alivia o sofrimento. Partindo do pressuposto de que somos inteiramente responsáveis pelo nosso sofrimento, a compreensão será também um aprendizado que nos levará à prevenção de sofrimentos futuros, além de ser um contraste da felicidade.
                No “Sermão da Montanha”, Jesus nos diz: “Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados”. Ao fazer essa afirmação, Jesus demonstra a importância das aflições para atingir a nossa maturidade psicológica. Bem-aventurados significa felizes, e ninguém ficará feliz se estiver envolvido em revolta.
                A revolta é prova de orgulho. Mas como podemos ser orgulhosos nós que somos tão pequenos? Uma simples gripe é capaz de nos matar. É por isso que a aflição é uma professora e, se prestarmos bastante atenção em suas aulas, seremos consolados.
                A partir do momento em que assumo a total responsabilidade pelos atos cometidos no passado, e que deram origem a atual aflição, não os cometerei mais ou pelo menos evitarei cometê-los. Terei atitudes exatamente contarias à que tenho vivido até então e, dessa forma, me livrarei daquela aflição.
                Um outro elemento fundamental para os momentos de aflição é a confiança em Deus e fé no futuro, ou seja, ter a convicção de que estamos na Terra de passagem e que tudo aqui é provisório. O sofrimento é provisório e tão logo passará, assim que retirarmos a lição de que necessitamos dele.
                Mas, às vezes, temos dificuldade de identificar as causas das aflições e sofremos por isso. Nesses momentos, é necessário aceitarmos a condição de seres frágeis que somos e buscarmos a ajuda do Altíssimo.
                Os católicos buscam esta ajuda de forma interessante. Ajoelham-se para orar. Este é um ato de humildade pois para ajoelharmos é necessário dobrar a nossa crista. Temos que nos colocar abaixo de Deus. Ao ficar de joelhos, um centro de energia que fica em nossa cabeça se abre.
                Aberta a nossa mente, a Mensagem Divina penetra em nosso ser, tudo fica claro e nosso espírito protetor dará todas as instruções de que precisamos para sair daquela situação. “Bem-aventurados os aflitos, porque eles serão consolados”. Nosso espírito protetor é nosso guardião, nunca nos abandona. Ele representa a presença de Deus em nossa vida mas, quantas vezes nós fechamos a nossa mente para os conselhos que Ele tenta nos inspirar?


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O PERDÃO NAS DORES E AFLIÇÕES I

                A dor está ligada aos tecidos nervosos que circundam nosso corpo. Ela tem origem no sistema nervosos central é o alarme de que alguma coisa está errada em nosso organismo biológico. A dor é uma bênção para o ser humano. Se não houvesse esta sensibilidade nos cortaríamos com freqüência e nos queimaríamos também.
                Portanto, quando sentimos dor é importante saber de onde ela vem e por que ela existe, já que é um alarme de que o organismo não está bem e, logo após isso, devemos tomar algum analgésico. Um amigo cirurgião disse-me que hoje nós não precisamos sentir dor, existem medicamentos para quase todos os tipos de dores.
                A aflição é um tipo de dor moral. Igualmente à dor física, a aflição denuncia de que algo na nossa vida moral não está bem. Porém, diferentemente da física, não existem medicamentos para as dores morais.
                Seguindo o mesmo processo da dor física, é importante buscarmos a origem da nossa aflição. Nesse processo é importante tirar da cabeça a responsabilidade divina da nossa aflição. Afinal, se Deus é Pai, é amor, por que mandaria aflição?
                Se observarmos as nossas aflições, veremos que fomos nós quem elaboramos todas elas. O sofrimento tem origem nas conseqüências dos nossos atos ou na nossa ignorância diante da realidade que nos cerca.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quinta-feira, 27 de abril de 2017

O PERDÃO NO CUIDAR DE SI E DO OUTRO

                Cuidar, um verbo cujo significado é pensar com carinho, atenção, dedicar tempo, planejar, priorizar, preocupar-se (ocupar com antecipação). Será que tenho cuidado de verdade da minha família? Ser pai ou mãe é a missão mais importante de nossas vidas.
                Tenho cuidado dos animais domésticos que moram comigo como o cão, o gato? Ou mesmo dos que me visitam para encantar as minhas manhãs, como os pássaros? Eles cuidam de nós na medida em que nos protegem dos perigos de um furto ou mesmo pelo carinho que nos dispensam.
                A casa onde moro como está? O jardim, as plantas, eu as molho pelo menos duas vezes ao dia? Podo as roseiras? Está provado que as plantas desenvolvem melhor com o cuidado e carinho do dono. Tenho feito o que posso no cuidado com a terra, ou seja, com o meio ambiente evitando contribuir para a poluição ou para a produção de lixo não reciclável?
                Tenho cuidado de mim observando de que me alimento, se faço ou não exercícios físicos, se procuro os profissionais de saúde para a revisão periódica? O nosso desleixo pode dar-nos prejuízos financeiros custando-nos, inclusive, a vida. Tenho observado o meu sono, meus sonhos, minha rotina?
                Cuidar de si e do outro é ter o ser humano como prioridade. É divertir-se sem embebedar. É ir à praia sem adquirir câncer de pele por ficar, irresponsavelmente, muito tempo exposto ao sol. É alimentar-se observando a qualidade e a quantidade do que se está comendo.
                Cuidar-se é viver com qualidade já que a vida é tão curta e passa tão rápido. Cuide-se e cuide de quem você ama.
                Cuide-se e cuide dos outros. Perceberás que isto é o mais importante da vida, que passa muito rápido deixando saudades desses tempos bons. Os dias de hoje são sempre os melhores dias.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

sábado, 8 de abril de 2017

O PERDÃO NAS MARCAS DA VIDA

                Durante a vida temos a oportunidade de marcar os outros e de sermos marcados por eles. Cabe-nos saber de que forma queremos marcar pois há tempo de plantar e o momento de colher. As marcas são os plantios.
                Joanna de Angelis nos diz: “Marque com setas de luz o lugar por onde passar e as pessoas”. Emmanuel afirma: “Quando se faz o bem, desinteressadamente, este fica registrado pela Justiça Divina e no momento em que precisarmos, essa mesma Justiça enviará advogados anônimos a nos defender sem que saibamos”.
                Surpreenda alguém abrindo mão do seu interesse pessoal em favor dele ou dela, experimentarás algo muito bom.
                Opte por marcar a vida dos outros com coisas boas e perceberá que faz muito bem fazer o bem.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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sábado, 25 de março de 2017

O PERDÃO NAS TRÊS DIMENSÕES DA ALMA III

                A terceira dimensão é atingida por pouquíssimas pessoas. É a que Kierkegaard chama de “dimensão religiosa”. Nessa fase, nós vivemos o dever com prazer, ou seja, temos prazer em servir, nos felicitamos em tornar o outro feliz.
                Exemplos de pessoas que vivem sua vida inteira nessa dimensão são raros. Podemos citar alguns: Francisco de Assis, Madre Tereza de Calcutá, Chico Xavier, Bezerra de Menezes, embora existam muitos heróis anônimos que dedicam a existência, esquecendo de si mesmos e servindo aos outros.
                Como já dissemos, São Vicente de Paulo diz: “É possível avaliar o nível moral de uma pessoa pelo seu desinteresse pessoal”. Traduzindo, quanto mais interesseiro é o indivíduo, menor é o seu nível moral.
                Apesar da dimensão religiosa estar tão distante de nós, é necessário que saibamos que existem pessoas nessa dimensão e que, com mudança de paradigmas, entenderemos melhor porque elas optam por este caminho e encontram prazer em cumprir o dever de fazer outrem feliz.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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sexta-feira, 24 de março de 2017

O PERDÃO NAS TRÊS DIMENSÕES DA ALMA II

                A segunda, de acordo com Kierkegaard, é a “dimensão ética” que representa momentos em que, matematicamente, proporcionamos o nosso prazer ao dever. É a dimensão do conflito, da falta de paz espiritual.
                Dois terços dos seres humanos vivem nessa dimensão e é nela que estão presentes a culpa, o remorso, a mágoa, os ressentimentos, etc. nessa mesma dimensão gozamos os nossos prazeres mas agimos sobre os auspícios da nossa consciência ativa ou dormente.
                Quando a nossa consciência está dormente, durante a decisão experimentamos os sentimentos de raiva, mágoa, culpa, etc. É uma dimensão de muitos conflitos íntimos, o que leva á várias doenças da alma humana como depressão, ansiedade, TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – pânico, etc. O nosso desafio é encontrar o equilíbrio na razão matemática: prazer com dever.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quinta-feira, 23 de março de 2017

O PERDÃO NAS TRÊS DIMENSÕES DE ALMA I

                Durante a nossa vida imortal vivemos em dimensões diferentes, que definem nosso nível psicológico, espiritual e moral. O filósofo Soren Kierkegaard afirma que os seres humanos passam por três dimensões, durante a sua existência na Terra.
                A primeira é o que o filósofo chama de “dimensão estética”, dimensão da forma. Para ele, são momentos em que buscamos a satisfação dos nossos prazeres sem analisar as conseqüências deles na vida dos outros.
                Ambicionamos subir de cargo em uma empresa e para isso prejudicamos nossos colegas de trabalho. Às vezes provocamos a perda do seu emprego, alegando que não é problema nosso serem eles incompetentes ou displicentes com relação as suas obrigações.
                Buscamos o prazer sexual, traindo nossos parceiros ou parceiras, sem analisarmos as conseqüências dessas atitudes que resultam em muita dor para eles e, consequentemente, para nós também. Daí resulta o enfraquecimento de uma relação permanente ou mesmo o seu rompimento.
                Trabalhamos horas e horas para acumular bens esquecendo-nos que nosso maior patrimônio está dentro de nosso lar, a esposa, o marido, os filhos, tesouros esses que necessitam dos nossos cuidados até porque os filhos crescem muito rápido.
                Enfim, vivemos como hedonistas, dionisíacos, baconistas em busca do prazer pelo prazer fazendo disto a finalidade da vida sem analisar suas consequências.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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sábado, 4 de março de 2017

O PERDÃO COMO SENTIMENTO DE COMPAIXÃO II

                Disse Joanna de Ângelis: “O amor é a administração dos impulsos”. Para administração destes impulsos se faz necessário a relação direta com o nosso próximo, percebendo os impulsos dele e controlando o nosso.
                Se o outro e diz uma palavra agressiva, percebo as perdas que isto provoca e não revido, ou melhor, abençôo-o para que ele perceba que é melhor abençoar do que amaldiçoar. Talvez eu não consiga na primeira tentativa. Devo insistir na intenção e perceberei que, da próxima vez, meu objetivo será alcançado em parte, até atingir o total controle dos impulsos.
                Na verdade, viver no reino dos céus é manter-se equilibrado pois experimentamos momentos felizes na Terra. Normalmente basta uma contrariedade para perdermos completamente a paz e a harmonia em que estávamos anteriormente.
                Eis aí o nosso desafio na busca de nós mesmos, o que só encontraremos na relação com o outro. É importante lembrar as palavras de Jesus: “Amai ao próximo como a ti mesmo, toda a lei e os profetas estão aí resumidas.”


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O PERDÃO COMO SENTIMENTO DE COMPAIXÃO I

                Nós somos homo sapiens-sapiens, ou seja, homens que sabem que sabe, isto é, somos dotados de consciência que significa um desenvolvimento mental o qual nos permite estar no mundo com algum saber da nossa realidade. Isso nos permite ter consciência de nós mesmos, bem como do outro.
                Ter consciência de si mesmo é quando nos concentramos em nossos sentimentos e pensamentos para administrarmos os nossos atos. Ao falarmos, expomos nossos pensamentos e sentimentos e, por conseqüência, criamos e inovamos. Por isso, gostamos muito de ser ouvidos.
                Alteridade vem do latim alter, que quer dizer o outro, ou seja, alteridade em latim significa eu para o outro. Traduzindo: concentrar-se na consciência do outro. Alteridade é compadecer-se da dor do outro, não é ter pena, é emocionar-se com o outro.
                Para que a alteridade aconteça, é necessário escutar o outro para absorver o conteúdo que o outro traz e, desta forma, reformular, rever, renovar a nossa forma de pensar. Imagine alguém que queira suicidar porque está atolado em dívidas ir visitar um morador de rua, em uma cidade grande, tentando dormir sem cobertor numa noite fria de inverno. Será que o visitante continuará a tentar o suicídio?
                Nós precisamos do outro para construir nossa consciência plena. Se conhecemos o outro mais do que a nós mesmos ocorre uma perda de identidade, um alheamento.
                Porém, se prestamos atenção em nós, esquecendo-nos seres narcisistas e com potenciais de suicídio. Por isso, tiremos um pouco os olhos do nosso umbigo e pensemos um pouco no próximo que necessita do que nós já conquistamos, quase sempre, com poucos esforços.
                Olhemos para nós mesmos nos avaliando verdadeiramente, percebendo o que conquistamos no que tange às nossas imperfeições e ao controle dos nossos instintos e o que ainda precisamos conquistar no domínio dos nossos impulsos.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O PERDÃO E A ESPERANÇA

                Quando temos esperança no coração percebemos que as dificuldades da vida são passageiras e que o sofrimento de hoje representa o porvir.
                Observe uma casa em reforma ou passando por uma faxina rigorosa quanto transtorno traz: poeira, ruídos, despesas, demora. Se alguém chega em meio à reforma ou faxina dirá: “Nossa, que bagunça!”
                Assim é a nossa vida. Quaisquer que sejam as dificuldades pelas quais estamos passando, são temporárias. Elas nos tornarão melhores. É só olhar para trás e ver quantas outras dificuldades já vencemos.
                Como fazer do nosso coração a morada da virtude Esperança? Primeiro, é a plena confiança em Deus ao analisar que se Deus cuidou de nós até hoje, Ele cuidará sempre. Depois, ter fé no futuro, ou seja, ascender-se acima das demais pessoas e olhar para o futuro ao invés do presente.
                Passando estas duas etapas, a próxima é experimentar o Otimismo, que é irmão gêmeo da Esperança. O otimista sorri, está sempre de bem com a vida e contagia a todos que o rodeia. Nesse contágio  ele acaba atraindo coisas boas para si, sua vida melhora, as dificuldades desaparecem ou tornam-se mais leves.
                Se você passa por dores ou problemas de saúde, saiba que o Otimismo gera dopamina, elemento que alivia a dor e acelera a cicatrização. Se consegue isso já surge a morada para a virtude Esperança. A Esperança nos faz ver a verdadeira face da vida.
                São muitos os verdadeiros prazeres da vida que a virtude Esperança vai os proporcionar, ao olharmos de cima para baixo as dificuldades que estamos passando.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O PERDÃO COMO DESPERTAR

                Com os avanços da tecnologia e a corrida pelo consumo, perdemos nossos objetivos básicos como seres humanos ou ainda não acordamos para estes objetivos. Ficamos vivendo a vida animal como se não tivéssemos senso moral.
                A maioria de nós tem a vida resumida em comer, beber, dormir e fazer sexo, a exemplo dos animais irracionais. Compramos o carro mais caro e nos endividamos, como conseqüência aumentamos os conflitos nos relacionamentos familiares.
                Nos ausentamos do lar para acumular bens que alegamos deixar para nossos filhos, porém, quantas vezes pela nossa ausência em casa, criamos filhos indolentes que irão dilapidar o patrimônio que levamos a vida inteira para construir, pensando neles .
                O filósofo Gourdieff divide a consciência humana em três níveis:
                O primeiro nível ele chama de “consciência de sono”, onde o ser está adormecido para sua realidade humana, vive a vida do instinto, a vida dos animais. De acordo com o filósofo, a maioria da humanidade está neste nível de consciência.
                O segundo nível de consciência é chamado de “consciência de sono, com sonhos”. Nesse nível temos pequenos ensaios de despertamento. Começamos a fazer algo diferente da vida medícrre que levamos porém não permanecemos, não perseveramos. Significa que não estamos despertos mas apenas sonhado com a realidade.
                No sono com sonhos pensamos que estamos despertos. É apenas um ensaio para o despertar que só acontecerá mais tarde com a maturidade psicológica, caminho obrigatório para todos os seres humanos.
                O terceiro nível é o “despertar para si”. Em um momento de nossas vidas simplesmente despertamos.
                O despertar é pessoal e não depende de outrem para que aconteça, é um tempo da própria pessoa que passa pelo processo.
                O despertar é pessoal. Só despertamos quando é chegado o nosso momento. O importante é caminhar feliz sem cobrar das pessoas que estão ao nosso lado a mesma postura nossa, pois estas pessoas estão no tempo delas.
                Existe um quarto nível de consciência que pouquíssimas pessoas conseguem atingir. É a “consciência cósmica”. Aqueles que vivem no quarto nível se felicitam em fazer felizes os outros. Madre Tereza de Calcutá dizia que era “amar de doer”. Elas geralmente se destacam na multidão porque suas vidas são devotadas ao próximo.
                São Vicente de Paulo dizia que se identifica o nível moral de uma pessoa pelo seu desinteresse pessoal. Essas pessoas são totalmente desinteressadas por si mesmas e dedicadas ao próximo.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O PERDÃO NOS MOMENTOS DIFÍCEIS

                A vida é cíclica. Aos momentos de alegria e realizações sucedem fases de desafios, crises e derrotas sem os quais não valorizaríamos estes momentos.
                Existem momentos em que somos vítimas da dor física, dor da alma, da traição de pessoas queridas, do desemprego, da doença, da perda de um ente querido, de uma separação conjugal em que nos sentimos abandonados, entre outros tantos.
                Esses momentos, Jesus está conosco, jamais nos abandona, temos um anjo da guarda sempre presente. Somos nós quem nos afastamos Dele. É um convite à nossa fé em Deus e no futuro.
                Se o Pai Celeste cuidou de nós até aqui, oportunizando-nos momentos de alegria, dando-nos força para superar os momentos de crise, períodos que acharíamos que íamos sucumbir, por que é que agora será diferente?
                Busquemos um raciocínio lógico e passaremos firmes pelas dificuldades, chegando ao amanhecer da paz interior e do restabelecimento do que nós achamos ser a felicidade.
                Nunca nos esqueçamos de que Jesus é o comandante do planeta Terra. Embora sejamos o timoneiro de nossas vidas, o comandante é Jesus. Ele sabe de tudo o que acontece conosco hoje e as consequências disto para o nosso amanhã.
                Devemos refletir a respeito das dificuldades, no que aquilo que achamos ruim pode ser bom quando observado a longo prazo e, o que achamos maravilhoso pode ser péssimo se nossos olhos focarem o futuro.
                Ainda assim, se o problema parece sem solução, se a cruz lhe é pesada demais, lembre-se de que Jesus está contigo mesmo que o mundo te queira infeliz. Deus, que é Pai de misericórdia e amor, te quer feliz, na verdadeira felicidade que só depois que passar poderá ser avaliada. Se Deus cuidou bem de você até agora, isto é prova cabal de que Ele continuará cuidando.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O PERDÃO SUPERA O DESTINO

                Nos somos os senhores do nosso próprio destino. A vida sempre nos oferece momento de plantar e momento de colher. O plantio é livre mas a colheita é obrigatória.
                É muito triste vermos pais e mães sofrerem por ver seus filhos com dinheiro, automóvel, moto, conforto e luxo, enfim, drogando-se, matando-se, sem saber o que fazer com este bem maior que é a vida humana. Este é o momento de refletir e de analisar como estamos vivendo.
                Todo momento é hora de mudar nossas vidas pois somos senhores de nossos próprios destinos. Não se paralise culpando-se pelas escolhas do passado, pense nas escolhas  do hoje. Não existe certo e errado, existem consequências.
                A vida é assim, causa e efeito. Jogue uma bola de borracha na parece. Quanto mais força aplicar mais força ela voltará para você. Sábio é o ser humano que administra seus impulsos tendo consciência plena do que faz e das decisões que toma.
                Disse Joanna De Ângelis: “O mal que nos faz mal não é o mal que os outros nos fazem, mas o mal que nós fazemos aos outros. O bem que nos faz bem não é o bem que nos fazem mas, principalmente, o bem que nós fazemos aos outros”.
                Seu destino está em suas mãos.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
imagem: google

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O PERDÃO E O CIÚME

                Ciúme, palavra que tem origem no latim Zelumen ou do grego Zelus, traduzido para o português Zelo, significa “querer o bem do outro, pelo outro, para o outro”. O ciúme é erroneamente interpretado como prova de amor.
                O ciumento, por causa da baixa autoestima, se acha inferior à pessoa amada podendo perdê-la e tem a impressão de que foi excluído da relação, passando a ter uma sensação permanente de angústia, instabilidade, insegurança, vivendo em constante estado de tensão, com medo de ser traído, abandonado ou os dois ao mesmo tempo. Com isso, começa a   vasculhar bolsas, bolsos, agendas, celulares, passa a seguir ou manda alguém seguir o outro. É o momento de buscar ajuda.
                Do ponto de vista psicológico, o ciúme é conhecido como “síndrome de Otelo”. O ciumento ou ciumenta passa a agredir fisicamente chegando a cometer homicídios passionais, suicídio ou os dois, tornando-se um perigo para si ou para pessoa que diz amar.
                Do ponto de vista psiquiátrico ou neuropsiquiátrico é um tipo de disritmia cerebral. O ciúme não é um sentimento que leva a uma relação apetitosa, é um sofrimento para quem o sente e para quem é objeto desse ciúme. Quando ele surge na vida do casal, é o momento de parar e conversar sobre a relação. Deve ser encarado como um sintoma, um sinal amarelo e não uma prova de amor.
                Os doutores Ana Freud, Heinz Hartman e Erik Erison, da corrente da Psicologia do ego, afirmam que se deve resolver os problemas de frente.
                Maslow propõe uma existência saudável, com boa alimentação, exercícios físicos, atividade de voluntariado, pois isso eleva a autoestima e amadurece a forma de encarar o amor ao próximo, que passa a ser como o perfume, ou seja, você deixa o aroma e passa, não se consegue reter o indivíduo mas o bem que ele faz a você e você a ele.
                Existe ciúme entre irmãos, amigos, chefe e subordinado, professor e aluno, colegas de trabalho, mas aquele que mais conhecemos é na vida conjugal. É uma herança da Idade Média a mentalidade de posse entre os nubentes. Ela é capaz de tornar o relacionamento um verdadeiro inferno.
                O ciúme, quanto mais intenso, mais perigoso se torna por isso é importante se proceder a uma autoanálise, ou seja, analisar a relação com o próximo pois quem ama liberta. O amor deve ser incondicional, a exemplo de Jesus que nunca exigiu nada de nós para nos amar. “Amai ao próximo como a ti mesmo”, disse-nos Ele.
                Se você ama ao próximo mais do que a si mesmo, você não o ama, você almeja possuí-lo e isso é ciúme. A maior referência de amor é o amor a si próprio. Nos crimes passionais é comum o parceiro suicidar-se após assassinar o “seu amor”.
                O raciocínio do homicida passional é: “se ele ou ela não pode ser meu, também não será de mais ninguém. Matei por amor”. Será possível frase mais dicotômica que esta? Portanto, devemos amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O PERDÃO E O CURATIVO

                Existem mágoas tão fortes que parecem que não vão desaparecer nunca. É quando nos sentimos profundamente traídos por pessoas a quem confiávamos e/ou amávamos muito. Para esses casos uma  amiga farmacêutica sugere o curativo do perdão.
                Detectada este tipo de mágoa em nosso íntimo é necessário querer perdoar. Querer perdoar é o curativo. Mas só por isso não é suficiente. É necessário que o curativo seja acompanhado de algum medicamento. O medicamento, que nesse caso, é a oração diária pela pessoa que nos prejudicou.
                No Evangelho, na bíblia, Jesus, nos pede para amar os nossos inimigos. Mas como? Amar os inimigos é não querer mal à eles, mas sim torcer para que sejam felizes, até porque sendo felizes eles nos deixarão em paz.
                Os amigos nós amamos e queremos que permaneçam ao nosso lado porque confiamos neles, são como tesouros em nossa vida. Portanto, amar os amigos é diferente de amar os inimigos.
                Não é fácil orar e querer bem a quem nos prejudicou. Comecemos escrevendo o nome da pessoa em uma folha de papel. Diariamente vamos ler aqueles nomes mentalizando o melhor para eles.
                No início vamos fazer isso mecanicamente, sem nenhum sentimento verdadeiro, apenas com a intenção de sentir. Aplicaremos este medicamento todos os dias na ferida. Insistindo nessa terapêutica por alguns meses, perceberemos que sentimos com o coração o que fala a nossa boca.
                O curativo colocado junto com o medicamento é para proteger a ferida, para evitar que fique exposta à infecção ou inflamação. Expor a ferida da mágoa é lembrar do fato e, cada vez que lembramos, sentimos dores. É como se estivéssemos repetindo o ocorrido.
                As lembranças nos levam de volta ao acontecimento provocando todas as reações de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos, amolentamento das pernas, ou seja, sentimos tudo de novo e isto é uma violência contra o nosso próprio corpo. Um amigo me disse certa feita que sentir ódio, alimentar mágoa, é como envenenar o inimigo tomando você o cálice do veneno.
                Então, por um tempo, deixe o curativo agir juntamente com o medicamento, ou seja, tente esquecer o fato. Para conseguir, evite tocar no assunto.  Existem os corvos de plantão, pessoas que adoram lembrar situações da qual nós fomos vítimas, para que nos sintamos coitadinhos.
                Quando os corvos aparecerem e tocarem no fato, fujamos educadamente do assunto de forma que percebam que não queremos falar de tal episódio. Se for preciso, nos expressemos dizendo: “Não quero falar sobre isso.”
                Mantendo o curativo firme e não esquecendo do medicamento diário, em um prazo de três a seis meses, dependendo da mágoa, sentiremos a diferença. Parece muito tempo, porém, existem pessoas que guardam estas mágoas a vida inteira.
                Então, um dia, alguém ou nós mesmos, tocaremos no assunto e perceberemos que a ferida embaixo do curativo está cicatrizada. É importante lembrar que não é simplesmente esquecer ou depositar no inconsciente. De acordo com a psicanálise, isto traria como conseqüência doenças diversas mais tarde.
                A proposta é esquecer de forma terapêutica. Não só evitar lembrar do fato mas orar diariamente pela pessoa que imaginamos ser o nosso algoz. Não existem vítimas e algozes. Todos os seres humanos são espíritos à caminho da luz.


Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio Silva
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