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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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segunda-feira, 18 de abril de 2016

PARENTESCO E AFINIDADE

(J. Herculano Pires)
Pensamos geralmente que a herança biológica é a determinante dos temperamentos e caracteres. O Espiritismo nos mostra que a natureza humana é espiritual e não material. Assim, o que determina a condição do homem é a sua essência e não a sua forma, o seu Espírito e não o seu instrumento de manifestação corpórea. As famílias são aglomerados de Espíritos afins que estabelecem, nas encarnações sucessivas, a linha da hereditariedade biológica.
Cada espírito que se encarna traz em si mesmo a sua personalidade já formada em encarnações anteriores. As semelhanças de características psíquicas e morais entre pais, filhos e outros descendentes não provém da carne, mas do Espírito. Cada ser humano é o que ele é por si mesmo. Há, portanto, um paralelismo cartesiano entre hereditariedade e afinidade. Admitindo-se isso, que hoje é considerado com atenção em grandes centros de pesquisas cientificas, é fácil compreendermos a necessidade de independência não apenas social, mas também afetiva, para os filhos que se emanciparam e especialmente para os que constituíram a sua própria família.
As afinidades espirituais não implicam dependência e sujeição, porque cada Espírito é o responsável direto pela sua evolução. Os pais são responsáveis pelos filhos no tocante à orientação que lhes fornecem pelos exemplos e pela educação. Mas não podem querer sujeitá-los as suas ideias e formas de vida.
Afinidade não quer dizer identidade. Gostamos de nos reunir com pessoas afins porque nos entendemos melhor com elas, mas nem por isso pensamos e vivemos exatamente da mesma maneira. Se assim fosse, a evolução teria de estagnar. Nossos filhos mais afins, mais ligados a nós, podem tomar caminhos diferentes do nosso. E devemos respeitar-lhes o desejo de novas experiências, sem que isso importe em rompimento conosco. Cada Espírito deve ter a jurisdição de si mesmo.
É por isso que Emmanuel nos lembra o amor sem apego, sem intenções de sujeição, para que não criemos problemas a liberdade de ação e de experiências dos filhos casados. Devemos ampará-los, auxiliá-los e não torturá-los com as nossas exigências egoístas.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

quinta-feira, 14 de abril de 2016

CASAMENTO E CICLOS VITAIS II

D)     O casal e a adolescência dos filhos
Nesta situação, novos atributos serão solicitados dos mais para lidar com o período de diferenciação psicológica e espiritual dos filhos. Comumente, nesse período de transição, ocorrem confrontos de autoridade, bem como a busca de aliança de filhos com um dos pais com o qual tenham maior identificação, gerando conflitos entre o casal quanto à administração das novas regras para esse período da vida de seus filhos.
Há pais que sentem muita dificuldade para desempenhar suas funções com os adolescentes, não obstante possam ter tido bom desempenho na infância desses mesmos filhos.
Justifica-se, por vezes, o auxílio da hebiatria, - especialidade médica que cuida da adolescência – ou da ciência psicológica atuante na juventude.
E)      Casal novamente sem filhos
Agora, com os filos morando noutra cidade, embora dependentes financeiramente, ou então já efetivamente emancipados, o lar experimenta a crise do ninho vazio.
É a antítese da fase em que surgiu o primeiro filho. O espaço físico e emocional se amplia, e de repente os pais como que deixam de ser pais, pois há um esvaziamento das funções parentais, e o casal se ressente, sobretudo quando os parceiros compensavam a fragilidade ou o esquecimento da interação conjugal com os cuidados no papel de pais. Muitos casais conflitados vêem-se forçados ao encontro face a face, sem poderem se esconder atrás dos filhos.
As crises se tornam comuns nessa época, caso não exista um bom manejo do casal, no reacasalamento, perante a nova conjuntura existencial doméstica que se apresenta desafiadora.
O espiritismo é de fundamental importância nesse momento, para auxiliar o casal no redesenho da vida conjugal, bem como no aproveitamento do tempo, inclusive por meio de um engajamento melhor no movimento espírita.
Quando indicado, um bom terapeuta de casal ou de família poderá ser útil.
F)      Casal e menopausa
O climatério é um período delicado para a mulher, que se reflete na vida afetivo-sexual, considerando-se a mudança no padrão hormonal feminil com repercussão no organismo de uma forma geral. Às vezes, essa mudança afeta o próprio psiquismo da mulher, e principalmente a sua libido e conseqüente atividade sexual.
O diálogo entre os parceiros atenderá muitas demandas da esposa, inclusive inseguranças emocionais oriundas do fantasma do envelhecimento que atormenta a mente feminil.
Indispensável o suporte pelo menos do ginecologista, que sugerirá outros profissionais, se necessário.

(continua)

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

quarta-feira, 13 de abril de 2016

CASAMENTO E CICLOS VITAIS I

                No transcurso do tempo de acasalamento, os casais vivem etapas variadas, que requisitam habilidades para enfrentar as diversas vicissitudes que cada fase apresenta.
                Ao longo do tempo de convivência, o par é desafiado a recasar-se muitas vezes, tais são os cenários novos eu se apresentarão pela frente, em diversas ocasiões inteiramente diferentes entre si, reclamando maestria na manutenção e crescimento do relacionamento, dentro da dança matrimonial.
                Para cada ciclo despontam demandas novas, exigindo competências específicas do casal e de cada parceiro em si, dando novos contornos para a viagem no navio do casamento, sempre ameaçado por naufrágios, encalhes e colisões, caso não existam conhecimentos mínimos para uma boa navegação conjugal.
                Surgem desse modo algumas fases que podem ou não obedecer à seguinte sequência:
A)     Recém casados
Durante a após as núpcias, tudo ainda é festa e encantamento. O casal vive muitas fantasias, resultado das idealizações recíprocas.
B)      Casal sem filhos
Depois surge a vida real, com suas exigências cotidianas, como contas a pagar, administração da casa, o sincronismo dos horários das refeições, o deslocamento ao trabalho, etc.
C)      O casal e o nascimento do primeiro filho
Aparece o pequeno “rei” que ocupa, soberano, grande espaço não só físico mas também psicológico, exigindo a redistribuição do tempo e do campo vital, requisitando, do casal, o desempenho de novo papel, o de pais.
É nessa oportunidade que se vê frequentemente não só o triângulo edipiano, mas, sobretudo, o reencontro de almas, muitas vezes numa reedição de triangulações amorosas do passado reencarnatório, acordando memórias inúmeras vezes conflitantes nas relações da família.
Aqui o conhecimento espírita é de excelência para o casal dispor de outro semblante acerca da dinâmica familiar.
Nessa fase, além do pediatra, às vezes é de bom tom o apoio de um terapeuta de família ou de um profissional da área psicológica, quando aparecem conflitos ameaçando a estabilidade do casamento.

(continua)

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CASAIS COM FILHOS DE OUTRO CASAMENTO

                Mais complicado e complexo é o novo encaixe afetivo, se ambos os parceiros já constituíram família com filhos.
                É comum, em um novo relacionamento, estabelecer-se uma competição entre o homem que se aproximou para nova conjugação e os filhos da mulher que está sendo outra vez desposada. Um cabo de guerra se apresenta sutil ou explícito, onde, de um lado, um homem puxa a sua mulher; do outro, o filho requisita a mãe. A mulher-mãe fica no meio, estrangulada pelas demandas diferentes. Idêntico processo se dá quando é a mulher que se aproxima do pai separado com filhos.
                É importante considerar que são papéis distintos, com funções específicas que devem ser respeitadas, especialmente pelos adultos, que precisam ter maior consciência para evitar, assim, uma luta inglória, desnecessária e sem vencedores.
                Torna-se imprescindível compreender que os filhos, quase sempre, mesmo que inconscientemente, alimentam a possibilidade de reatamento da relação dos seus pais, ainda que de forma mágica. Este desejo será tanto maior quanto mais recente for a separação e menos maduros forem os espíritos dos filhos.
                Desse modo, quem se aproxima deve ter toda paciência para permitir que esse sentimento de luto se conclua naquela família na qual a separação tiver ocorrido recentemente, ao tempo em que aquele que chega se aplica em conquistar os futuros enteados.
                É de boa lembrança destacar que jamais o padrasto ou a madrasta deve usurpar o papel do pai ou da mãe existente, considerando que a separação foi conjugal e não parental. Isto favorecerá que o pai (ou a mãe) aceite com menos resistência a pessoa que ocupará o lugar do novo parceiro daquela de quem se separou, e não se sinta ameaçado de perder seus filhos para quem chega.
                Cabe, também, ao padrasto alimentar e proteger as relações sagradas já existentes no âmbito pais/filhos, entrando como aliado, e não intruso, a benefício de todos os membros, inclusive dele próprio, que se aproxima.
                Compete igualmente ao pai ou à mãe facilitar a aproximação do novo parceiro com os enteados, minimizando os conflitos que possam surgir, bem como evitando empurrar goela abaixo dos filhos o novo cônjuge, contornando, assim, as resistências previsíveis para a convivência que vai se estabelecendo e, ao mesmo tempo, fazendo a prevenção para que os filhos não minem a nova conjugalidade em curso.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

CRIANÇAS EM DIFICULDADES

(Chico Xavier)
“Nossa reunião publica do dia 4 de setembro de 1972 foi integrada por grande número de senhoras, sendo precedida por longo diálogo em que algumas delas formulavam perguntas em torno de crianças em dificuldades, conquanto filhas de pais ainda vivos na Terra.
“Como agir diante dos pequeninos em tenra infância, sob o impacto das questões que aparecem na área dos casais desquitados? Como socorrer as criancinhas abandonadas pelos pais nas mãos abnegadas, entretanto em penúria, de mães largadas pelos companheiros?
“Que fazer dos pequeninos nascidos de dedicadas mães solteiras em luta pela própria manutenção? Como agir a mulher diante dos filhinhos necessitados de proteção e assistência, quando os maridos ou companheiros se fazem alcoólatras inveterados?
“Indagações quais essas foram feitas em grande número. E os argumentos alusivos ao assunto foram os mais diversos.
 “Ao término da reunião nosso caro Emmanuel escreveu a mensagem “Palavras as mães”.
Palavras às mães
(Emmanuel)
Se o Senhor te concedeu filhos ao coração de mulher, por mais difícil se te faça o caminho terrestre, não largues os pequeninos à ventania da adversidade.
É possível que o companheiro haja desertado das obrigações que ele próprio aceitou, bandeando-se para a fuga sob a compulsão de enganos, dos quais um dia se desvencilhara.
Não lhe condenes, porém, a atitude. Abençoa-o e, quanto possível, ampara os filhos inexperientes que te ficaram nos braços fatigados de espera.
Quem poderá, no mundo, calcular a extensão das forças negativas que assediam, muitas vezes, a criatura enfrascada no corpo físico, induzindo-a a transitório esquecimento dos encargos que abraçou? Quem conseguirá, na Terra, medir a resistência espiritual da pessoa empenhada ao resgate complexo de compromissos múltiplos a lhe remanescerem das existências passadas?
Se foste sentenciada a indiferença e, em muitas ocasiões, até mesmo a extremada penúria, ao lado de pequeninos a te solicitarem proteção e carinho, permanece com eles e, esposando o trabalho por escudo de segurança e tranquilidade, conserva a certeza de que o Senhor te proverá com todos os recursos indispensáveis a precisa sustentação.
Natural preserves a própria independência e que não transformes a maternidade em cativeiro no qual te desequilibres ou em que venhas a desequilibrar os entes amados, através do apego doentio. Mas enquanto os filhos ainda crianças te pedirem apoio e ternura, de modo a se garantirem na própria formação da qual consigam partir em demanda ao mar alto da experiência, dispensando-te a cobertura imediata, auxilia-os, quanto puderes, ainda mesmo a preço de sacrifício, a fim de que marchem, dentro da segurança necessária, para as tarefas a que se destinam.
Teus filhos pequeninos!… Recorda que as Leis da Vida aguardam do homem a execução dos deveres paternais que haja assumido diante de ti; entretanto, se és mãe, não olvides que a Previdência Divina, com relação ao homem, no que se reporta a conhecimento e convívio, determinou que os filhos pequeninos te fossem confiados nove meses antes.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

terça-feira, 15 de setembro de 2015

AO ENCONTRO DO FILHO

(Chico Xavier)
“Na certeza de que os Amigos Espirituais nos observam, creio que a palavra de nosso caro Emmanuel foi suscitada por um acontecimento que nem todos em nossa reunião publica perceberam.
“Dentre os visitantes estava um casal de amigos que viera não só ao contato de nossos trabalhos, mas igualmente ao encontro de um filho que chegou de cidade próxima a fim de revê-los.
Tratava-se de um rapaz detido na prisão de comunidade vizinha que, com permissão generosa das autoridades, vinha escoltado por dois guardas para ver os genitores, especialmente a mãezinha, portadora de moléstia grave.
“Num banco ao nosso redor, vi quando a senhora abraçou o jovem e exclamou: “Ah, meu filho, meu filho!” Notando que as lágrimas dos pais e do filho se confundiam, não consegui também conter as minhas. Lembrei-me da bondade de meus pais para comigo e pensei que eu poderia estar na posição daquele filho sequioso de perdão e de afeto e confesso que chorei. Penso, porém, que alguma coisa de muito grave estará nos registros do que haja acontecido, porque pequeno grupo de pessoas não gostou da nossa simpatia pelo moço.

“Observando isso procurei conter-me para que os pais sofredores não tivessem conhecimento da reduzida movimentação de censura que se fizera. E o fato passou sem maiores comentários. Ao fim da reunião nosso caro Emmanuel escreveu, por nosso intermédio, a página que lhe envio.”

Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FRONTEIRAS ENTRE CONJUGES E FILHOS

                Qualquer interferência dos filhos no espaço matrimonial pode trazer conseqüências indesejáveis para todos os envolvidos.
                Por isso, o casal deve discernir quando estão funcionando como pais e quando atuam como cônjuges.
                Há uma ligação estreita entre os pois e os filhos, com uma hierarquia funcional muito bem definida, considerando a autoridade e que se reveste o papel dos pais na educação dos filhos e, como conseqüência, os filhos dando o retorno para os pais, numa relação de via de mão dupla.
                É natural, portanto, os filhos darem palpites na educação que estão recebendo, reivindicando direitos não atendidos, reclamando regalias que foram concedidas somente para algum dos irmãos, etc. os pais, ao seu tempo, também conversam com os filhos, explicando suas atitudes, argumentando sobre as queixas e reivindicações deles, esmiuçando valores morais, etc.
                Todavia, na dinâmica conjugal deve haver certa distância, para resguardar não só a intimidade do casal, mas do mesmo modo, assegurar uma interação matrimonial livre das interveniências impróprias dos filhos.
                Entretanto, em muitas situações é o próprio casal, infelizmente, que busca os filhos para participar de encrencas que não lhes dizem respeito.
                Este ou aquele cônjuge vale-se de um ou mais filhos, a fim de estabelecer alianças contra o parceiro em posição antagônica. Quantos transformam o filho em depositário das suas confidências matrimoniais; em várias ocasiões, colocam o filho como advogado de defesa face aos litígios com o seu par; em muitas ocorrências, o filho é chamado à posição de juiz para arbitrar sobre demandas conflituosas conjugais; algumas vezes, a criança é usada como arma contra o outro, separado, jogada como carteiro que traz correspondências abertas, conduzindo os recados. Em outras circunstâncias, os filhos são cristos com braços abertos, puxados pelos crucificadores, tal a disputa do casal que os reivindica como trunfos, um contra o outro, em completa desconsideração pela dor dos filhos ameaçados de serem esquartejados pela imaturidade dos litigantes.
                Enfim, estes são alguns dos inúmeros papéis que os filhos desempenham à revelia de si mesmos, por soberana decisão dos cônjuges, em franca disfuncionalidade. Os problemas do casal devem ser resolvidos pelo casal e não pelos filhos, que se ressentem tanto mais intensamente quanto mais imaturos são.
                São numerosas as situações em que os filhos, presenciando conflitos conjugais, buscam por eles mesmos intervir para resolver os problemas encontrados. É comum que o façam de acordo com a consciência disponível, experimentando as dificuldades inerentes à sua posição de filhos que, nessa qualidade, atuam tanto mais desengonçadamente quanto menores são e, na maioria das vezes, mais complicando do que ajudando no encaminhamento das questões em foco.
                Ante as brigas dos cônjuges na presença dos filhos estes oferecem tentativas de ajuda espontâneas, habitualmente imaturas e refletem o desejo de silenciar conflitos deflagrados em família. Porém, sem conseguirem discernir que aquelas demandas dizem respeito mais aos pais como casal do que aos pais no papel de pais.
                É de bom-tom que os filhos e cônjuges se mantenham a uma distância ecológica, para que as dificuldades do casal não fiquem agravadas pelas intervenções indébitas dos filhos, bem como os filhos não fiquem onerados por um encargo que não lhes pertence.
                Quando esses espaços se misturam, é comum surgirem seqüelas para os filhos, especialmente nos acasalamentos atormentados, difíceis, pelos exemplos negativos que testemunham e pelas suas participações inadequadas; é freqüente o fato de as conseqüências infelizes aparecerem mais tarde, quando os filhos se casam, repetindo os padrões disfuncionais que internalizaram modelando seus pais numa vivência recheada de cenas infelizes. Igualmente, surgem na vida dos filhos, agora adultos, culpas introjetadas indevidamente pelo que na conseguiram evitar entre seus pais, esquecidos de que não eram competências suas, mas sim de seus pais na função de casal.
                É comum os pais lamentarem as dores transferidas aos filhos, que poderiam ter sido evitadas caso os tivessem poupado de presenciar os conflitos conjugais negativos. Sentem ainda mais quando solicitaram ou aceitaram a participação dos filhos na vã expectativa de solucionarem conflitos que não lhes estavam afetos.
                É verdade que os filhos podem e devem observar os pais como cônjuges, todavia, não devem se imiscuir nos conflitos destes, cujo equacionamento é exclusivo da esfera conjugal.
                Também é compreensível que o casal possa e deva dar bom exemplo de como se lida com os desafios da vida a dois, no convívio social com os filhos, marcando-lhes a personalidade com o esforço para um bom desempenho matrimonial. Porém, o casal não deve se esquecer de salvaguardar os filhos de participarem de encaminhamentos que somente a eles, parceiros conjugais, pertencem, assim como jamais devem atribuir aos filhos as responsabilidades conjugais que somente a eles, esposos, competem.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

sábado, 18 de julho de 2015

PREPARAÇÃO PARA O CASAMENTO III

                Os filhos não são afetados apenas pelo comportamento dos pais como cônjuges, mas também pelas relações pais/filhos. Ou seja, todas as pendências, vazios, abandonos, castrações, agressões e outros conflitos que resultaram da convivência entre pais e filhos pequenos reaparecem nos filhos adultos nas interações amorosas em geral, e, especialmente, nas de natureza conjugal.
                Precisando atualizar as suas relações com seus pais, os filhos transferem essas necessidades na direção de outras pessoas, dentre elas as que ocupam o lugar de namoradas ou esposas, por exemplo.
                Não é por outra razão que buscam pessoas muito parecidas com o pai e/ou a mãe, na ânsia inconsciente de equacionar problemas não resolvidos em sua história de vida.
                Justifica-se, desse modo, o faro com que identificam, mediante micromensagens, pessoas com as quais passam a se relacionar, sem se darem conta de que são escolhas inconscientes, automáticas, estabelecidas por comandos psicológicos estruturados ao longo de sua história de vida, implicadas com seus genitores.

(continua)

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

                                                                                                                                       

segunda-feira, 16 de março de 2015

O AMPARO DOS PAIS

(J. Herculano Pires)
Todos os jovens precisam do amparo dos pais, embora na adolescência, em geral, a rebeldia dos filhos seja inevitável. Uma tradição de severidade paterna, pautada pelo autoritarismo político e religioso, deu aos pais o conceito errôneo de que devem sujeitar os filhos – e particularmente os jovens – aos seus princípios e maneira de ser. Mas os jovens trazem a sua própria personalidade e o seu próprio roteiro de vida, e justamente nessa fase da adolescência estão firmando o seu eu diante do mundo.
É conhecido o problema da “crise da adolescência”, sobre a qual Maurice Debesse escreveu um dos seus livros mais belos e profundos. Mas é em René Hubert, no capitulo sobre a Psicologia da Juventude, de sua Pedagogia Geral, que encontramos maior sintonia com os princípios espíritas.
Psicólogos e pedagogos conhecem bem esse problema que responde pelo chamado “conflito de gerações”. Emmanuel nos dá a sua chave ao lembrar que cada espírito já traz para a Terra a sua prova e o seu roteiro de serviço, escolhidos livremente na vida espiritual segundo as suas necessidades de evolução e aprimoramento.
O amparo dos pais não pode ser dado por meio de imposição e autoritarismo, sob pena de deixar de ser amparo para se transformar em tirania. Se o “conflito de gerações” sempre existiu no mundo, agora se mostra mais violento porque o tempo da tirania esta no fim e porque a era de transição em que vivemos acentua nos jovens os anseios do futuro. Os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los sem exigências. Esta é também uma hora de aprendizado para os pais. E só o amor verdadeiro pelos filhos pode socorrê-los.
O jovem de hoje é o homem de amanhã. Os tempos mudam e não podemos querer sujeitá-los ao nosso modelo. Qualquer coação paterna só poderá afastá-los de casa e da família, lançando-os a meios e companhias perigosos. A verdadeira educação é o equilíbrio entre o amor e a compreensão. A energia paterna e a disciplina filial brotam naturalmente entre essas duas margens, fluindo como as águas de uma fonte na paisagem da vida.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

domingo, 15 de março de 2015

JOVENS DIFÍCEIS

(Emmanuel)
Terás talvez contigo jovens difíceis para instalar convenientemente na vida.
Inquestionavelmente é preciso apoiá-los quanto se nos faça possível. Capacitemo-nos, porém, de que ampará-los não será traçar-lhes a obrigação de copiar-nos os tipos de felicidade ou vivência.
Claro que não nos compete o direito de abandoná-los a si próprios quando ainda inexperientes. Entretanto, isso não significa devamos destruir-lhes a vocação, furtando-lhes a autenticidade em que se lhes caracteriza a existência.
Sonharemos para nossos filhos, no mundo, invejável destaque nas profissões liberais com primorosas titulações acadêmicas, mas é provável hajam renascido conosco para os serviços da gleba, aspirando a adquirir duros calos nas mãos a fim de se realizarem na elevação que demandam.
De outras vezes ideamos para eles a formação do lar em que nos premiem o anseio de possuir respeitáveis descendentes. No entanto, é possível estejam conosco para longas experiências em condições de celibato, carregando problemas e provas que lhes dizem respeito ao burilamento espiritual.
Às vezes gritamos revoltados contra eles, exigindo nos adotem o modo de ser. Frequentemente, porém, se isso acontece, acabamos por perdê-los em mãos que lhes deslustram os sentimentos ou lhes estragam a vida, quando não os empurramos, inconscientemente, para a furna dos tóxicos ou para os
despenhadeiros do desequilíbrio mental com que se matriculam nos manicômios.
Compadece-te dos filhos que pareçam diferentes de ti.
Aceita-os como são e auxilia a cada um deles na integração com o trabalho em que se façam dignos da vida que vieram viver.
Ampara-os sem imposição e sem violência.
Antes de te surgirem à frente por filhos de teu amor, são filhos de Deus, cujo Amor Infinito vela em nós e por nós.
Ainda mesmo quando evidenciem características inquietantes, abençoa-os e orienta-os, quanto possível, a fim de que se mantenham por esteios vivos de rendimento do bem no Bem Comum.
E mesmo quando não te possam compartilhar do teto e se te afastem da companhia a pretexto de independência, abençoa-os mesmo assim, compreendendo que todos nós, desde que nos vinculemos a ordem e ao trabalho no dever que nos compete, sem prejudicar a ninguém, desfrutamos por Lei Divina o privilégio de descobrir qual é para nos o melhor caminho de agir e servir, viver e sobreviver.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CRIANÇAS DOENTES

Cap. VIII – Item 3
Acalentas nos braços o filhinho robusto que o lar te trouxe e, com razão, te orgulhas dessa pérola viva. Os dedos lembram flores desabrochando, os olhos trazem fulgurações dos astros, os cabelos recordam estrigas de luz e a boca assemelha-se a concha nacarada em que os teus beijos de ternura desfalecem de amor.
Guarda-o, de encontro ao peito, por tesouro celeste, mas estende compassivas mãos aos pequeninos enfermos que chegam à Terra, como lírios contundidos pelo granizo do sofrimento.
Para muitos deles, o dia claro ainda vem muito longe...
São aves cegas que não conhecem o próprio ninho, pássaros mutilados, esmolando socorro em recantos sombrios da floresta do mundo... Às vezes, parecem anjos pregados na cruz de um corpo paralítico ou mostram no olhar a profunda tristeza da mente anuviada de densas trevas.
Há quem diga que devem ser exterminados para que os homens não se inquietem; contudo, Deus, que é a Bondade Perfeita, no-los confia hoje, para que a vida, amanhã, se levante mais bela.
Diante, pois, do teu filhinho quinhoado de reconforto, pensa neles!... São nossos outros filhos do coração, que volvem das existências passadas, mendigando entendimento e carinho, a fim de que se desfaçam dos débitos contraídos consigo mesmos...
Entretanto, não lhes aguardes rogativas de compaixão, de vez que, por agora, sabem tão-somente padecer e chorar.
Enternece-te e auxilia-os, quanto possas!...
E, cada vez que lhes ofertes a hora de assistência ou a migalha de serviço, o leito agasalhante ou a lata de leite, a peça de roupa ou a carícia do talco, perceberás que o júbilo do Bem Eterno te envolve a alma no perfume da gratidão e na melodia da bênção.
Meimei

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
imagem: google

domingo, 5 de outubro de 2014

FILHOS: VENCER O MUNDO II

                Sabendo que as conquistas materiais são efêmeras, indispensável que reflitamos, madura e responsavelmente, sobre como estamos guiando aos pequenos que a Providência Divina colocou em nosso convívio. E, ela o fez, confiando na nossa firmeza em educá-los.
                Utilizemos todos os recursos e informações disponíveis visando o sucesso da nossa tarefa de educador, mas jamais olvidemos a exemplificação da ética, dignidade, honradez e sublimidade. As palavras esclarecem mas somente os exemplos convencem.
                Falemos a eles sobre os malefícios do álcool, do tabagismo e de outros vícios mais pesados, mas demonstremos, na prática, que também não nos damos a tais descuidos.
                Ofereçamos aos nossos meninos tratamento médico e dentário de qualidade, escolas conceituadas, recreação saudável, alimentação adequada, roupas e calçados da moda, recursos da tecnologia do momento, tudo isso relacionado com a nossa natureza material, mas jamais ignoremos a inadiável necessidade de encaminha-los, também, para a evangelização infantil, pré-mocidade e mocidades espíritas, disponíveis nos Centros Espíritas que frequentamos, socorrendo assim a nossa natureza espiritual.
                Nossos filhos estarão diante dos ídolos da música, do esporte, da dramaturgia, da política, que nem sempre dão bons exemplos. Em inúmeras oportunidades tais ícones exemplificam a degradação moral, os vícios tóxicos, a inversão de valores reais, então apresentemos, também, aos nossos rebentos a lições de Jesus, a Codificação Kardequiana, os feitos notáveis de Francisco Cândido Xavier, de Madre Tereza de Calcutá e de tantos outros que nos entregaram verdadeira melodia de dignidade e nobreza de caráter.
                São importantes os passeios que fazemos com eles em shoppings, colônias de férias, praças esportivas, pois que vislumbramos o lado bonito da vida, mas os levemos, também, para conhecerem um barro periférico, uma casa pobre, uma família que vive com extremas dificuldades, para que conheçam o lado sofrido da existência física. Assim terão uma ideia geral de como é a vida na Terra.
                Os presenteemos com brinquedos e equipamentos de alta tecnologia, como celulares, tablets, notebooks, mas jamais deixemos de dar-lhes, também, livros eu descrevem os imprescindíveis ensinamentos de Jesus.
                Nos reunamos para almoços em família, assistir programas televisivos, participação em programas esportivos e recreativos, mas jamais olvidemos a importância e o valor das reuniões para feitura do culto do evangelho no lar.
                Cuidemos, com muito esmero e atenção da natureza físicas dos nossos filhos, e, utilizemos a mesma força, o mesmo ímpeto e o mesmo tempo para cuidar, também, com muita responsabilidade e zelo, pela natureza espiritual deles.
                Orientemos a geração infanto-juvenil, que está sob a nossa responsabilidade, para que vença o mundo, e, não somente para que vença no mundo, conforme lecionou Jesus Cristo, Aquele que Deus os enviou como guia e modelo a ser seguido.
                Reflitamos...                                                                                                                                                   

Waldenir Cuin

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2014
imagem: google

sábado, 4 de outubro de 2014

FILHOS: VENCER O MUNDO I

                Voltamos a viver na Terra, mediante o processo reencarnatório, para a redenção do nosso passado e vivência de novas experiências que nos impulsione em busca da felicidade no futuro, ao alcançarmos a perfeição e que todos estamos destinados.
                Renascemos na vida material, nos moldes  que se dá, dentro do contexto infantil, pois que se forma ao redor do reencarnante, a ambiência própria para a captação de novas lições, mudanças psicológicas e comportamentais das milenares e inadequadas estruturas que ainda nos prendem à inferioridade.
                A paternidade é uma missão. Isso, obviamente, diante da importância da condução infanto-juvenil, pois que o espírito que deixou o mundo espiritual buscando prosperidade, tem absoluta necessidade de orientação advinda daqueles que tem a responsabilidade pela sua educação.
                Então, diante da tão importante e inadiável tarefa; a de conduzir convenientemente os rebentos que nos foram confiados por Deus, sejamos prudentes, convictos e responsáveis em ajudar aqueles que aportaram ao mundo físico, trazendo na bagagem da esperança  a séria proposta de empreender esforços para a evolução espiritual. Assim, os preparemos para vencer o mudo e não somente para ganharem destaque no mundo.
                As conquistas materiais e os destaques sociais terão valor e importância se nos remeterem ao progresso espiritual. Os primeiros são efêmeros, passageiros, enquanto o último é definitivo, pois conosco seguirão para os dias da eternidade, com proveito, somente as realizações que nos permitirem avanço espiritual.

Waldenir Cuin

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2014
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