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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

BRASIL - CORRUPÇÕES ANCESTRAIS II

                Grande, é ainda o número dos ímprobos; que nada poderão contra a ética da nova geração que surge. Os desonestos irão desaparecer aos poucos, mas ainda defenderão palmo a palmo os seus obscuros interesses de poder e tramoias.
                Não nos enganemos, haverá, um embate moral inevitável, desigual da geração degradada e já envelhecida, a cair em frangalhos, contra o futuro da nova geração de seres audazes e incorruptíveis. Hoje no Brasil vemos com clareza quem é quem nesse cenário.
                Para que haja paz em nosso país, preciso é que somente a povoem espíritos bons, encarnados e desencarnados. É chegado o tempo das grandes debandadas dos que praticam o mal pelo mal. Serão excluídos, para não ocasionarem perturbação e obstáculo ao progresso.
                Após a desencarnação, muitos irão expiar em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas. A época atual é sem dúvida de transição; confundem-se os personagens das duas gerações. Assistimos á partida de uma e à chegada da outra. Têm ideias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém sobretudo das disposições intuitivas e inatas, cabendo-lhe (nova geração) fundar a era do progresso moral.
                A nova geração se distingue por coragem, inteligência e talentos precoces, tem sentimento inato da honestidade. Já os corrompidos ainda trazem a maldade, a malícia, a mentira. Em face disso tem de ser expurgados porque são incompatíveis com o império da honradez, da fraternidade e porque o contato com eles (os corruptos e corruptores) constituirá sempre um sofrimento para os bons.
                Quando o Brasil se achar livre dos desmoralizados, os homens de bem caminharão sem óbices para o futuro melhor. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais dos tempos que chegaram, destinados a realizar uma higienização e remodelação moral da sociedade brasileira.

Jorge Hessen

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dez/2016
imagem: google

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

BRASIL - CORRUPÇÕES ANCESTRAIS I

                Nestes inquietantes tempos de desonra moral desabando sobre o povo brasileiro, em que políticos geram supostas manobras sorrateiras, dispondo rebaixar as atuais estruturas investigativas no âmbito policial e judicial, é urgente permanecermos em estado de vigília e oração ininterrupta em favor da paz social no Brasil.
                Mas a despeito do preocupante cenário social, político e econômico, enxergamos um horizonte promissor de uma nova geração que vem surgindo em nosso país composta de executivos, professores, médicos, advogados, engenheiros, historiadores, delegados, procuradores e juízes, todos trabalhando com entusiasmo e intrepidez pela consagração da ética em nosso país. Isto nos pacifica sob a expectativa decisiva de transformação dos valores morais que tem manchado esta nação dilacerada pela corrupção destruidora.
                Tal conjuntura nos envia ao último capítulo do livro “A Gênese” de Allan Kardec. Aí arranjamos algumas adequações para fins de comparação com a realidade supra descrita. Vislumbramos uma nova geração de brasileiros, desenfaixados dos detritos do velho sistema corrupto. Observamos pessoas mais moralizadas e possuídas de ideias e de sentimentos muito diferentes da velha geração que está sendo deportada para mundos afins.
                As sociedades se modificam, como já se transformaram noutras épocas, e cada transformação se distingue por uma crise moral. Contudo, nessas ebulições sociais, a fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas, inexiste fraternidade real, sem o avanço moral. Somente o progresso moral pode fazer que entre nós reinem a honestidade, a concórdia, a paz e a fraternidade.
                A velha geração (daqueles atolados nas arapucas da corrupção) que está se despedindo (da Terra) levará consigo seus erros e estragos sociais; a geração que surge, imprimirá à sociedade o progresso moral que assinalará a nova fase da evolução geral no Brasil e no mundo.
                Essa fase já se revela atualmente no Brasil, em razão do conjunto de práticas revolucionárias no combate à improbidade, à imoralidade, à falcatrua através de efetivas e duras punições. Nesse contexto, os espíritas estamos sendo convocados para irradiarmos compreensão, amor e paz em favor dos cidadãos de bem, a fim de facilitar o movimento de regeneração em nosso país.

(continua)

Jorge Hessen

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

VAMOS TRABALHAR NO INFERNO?

                O convite é sério, embora possa não parecer. Você irá entender após a história que vou narrar com as minhas palavras e que pertence à literatura espírita.
                Conta-se que um espírito chegou às elevadas esferas da espiritualidade para adentrar as regiões celestiais dos bem-aventurados, da qual ele se fizera merecedor, segundo os seus cálculos. Vestia-se com uma túnica branca resplandecente de luz. De tão elevado se apresentava que os seus pés não tocavam o chão, volitava.
                Dirigiu-se ao Emissário Divino responsável por aquelas paragens celestiais e solicitou a permissão para entrar naquele local de bonança indescritível. O emissário, porém, de olhar arguto e com longa experiência, disse ao postulante àquelas paragens de luz que antes precisava fazer algumas perguntas a ele para confirmar o direito ao qual se julgava merecedor. O candidato à felicidade indescritível não se fez de rogado e colocou-se à disposição das indagações a ele endereçadas.
                Perguntou-lhe então, o Emissário, se ele tinha incorporado as grandezas do amor, e a resposta foi afirmativa. Em seguida foi-lhe perguntado sobre o dom da sabedoria que também recebeu a mesma resposta. Indagado sobre o exercício da caridade e da paciência, o candidato confirmou suas experiências. Sobre a fé não havia nenhuma dúvida, ele sempre confiara na Providência Divina. No combate aos vícios, o postulante não deixava nada a desejar.
                Entretanto, o Emissário Divino, algo estava errado com aquele candidato ao paraíso. Num momento de inspiração fez uma pergunta muito direta ao interessado: você, meu irmão, que se veste de roupas muito alvas, por acaso já trabalhou no inferno?
                “Como?!” – indignou-se ele. “Então eu poderia ter trabalhado em tal lugar e manter-me na pureza em que me apresento nessa ocasião?!”
                O Emissário Divino percebeu que tinha acertado na mosca! Incontinente respondeu à indignação daquele espírito: “Meu irmão, Jesus, o lírio de Deus, trabalhou junto ao inferno moral da humanidade, e da Terra partiu sem nenhuma mácula! Seremos nós melhores do que Ele?”
                Mas não se dando por satisfeito, completou: “O sol, todos os dias, apesar de estar a uma distância de 150 milhões de quilômetros, lança seus raios aos mais infectos pântanos da vida sem macular-se! Por que haveríamos nós de nos comprometermos por trabalhar no inferno dos homens necessitados de nossos préstimos?”
                E continuou a esclarecer: “É isso que está faltando para você adquirir o direito a regiões celestiais. Quem conhece o amor, precisa descer ao planta para amar aos semelhantes, mesmo que tal decisão represente trabalhar no inferno! Quem possui a sabedoria, precisa descer ao inferno da ignorância para ensinar os que sabem menos! Quem possui a fé sólida, precisa socorrer aos aflitos do mundo no inferno da incredulidade em que vivem. Por isso, meu amigo, é preciso descer ao inferno daqueles que estão em situação piores do que a nossa e socorrer sempre! Boa viagem de regresso!”
                Por isso que no início fiz o convite para trabalharmos no inferno. Não sei quanto a você que lê este texto, mas já ouvi muitas vezes as seguintes frases: “Não aguento mais o inferno dessa vida! Essa mulher é um verdadeiro inferno que me acompanha! Não sei onde estava com a cabeça para casar com o inferno desse homem! Esses filhos são um inferno a trazer-me problemas para resolver! Nesse emprego parece que vivo em um inferno! Esse patrão existe para fazer da minha vida um inferno!”
                Ora, se é trabalhando no inferno que nos candidatamos às regiões elevadas da espiritualidade, vamos aproveitar se já estamos nele!
                Sua esposa, seu marido, seu emprego, seus filhos, seu patrão, seus parentes se constituem em inferno para você? Ótimo! Estamos tendo a oportunidade de galgar nossos degraus para regiões felizes onde moram a felicidade e a paz verdadeiras.
                Se você, de alguma forma, sente-se no inferno em qualquer lugar onde a Providência Divina o colocou na atual existência, e, se ela nunca se engana, agarre a oportunidade com as duas mãos. Está aí o convite para você se fazer merecedor de regiões elevadas da espiritualidade superior. Se for bem-sucedido poderá apresentar-se ao Emissário Divino que irá liberar sua entrada aos paramos de luz!
                Curta seu inferno, meu amigo, ele é o prenúncio do céu”

Ricardo Orestes Forni

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

terça-feira, 31 de outubro de 2017

LEVANTAR-ME-EI

                Expressão utilizada pelo filho pródigo e inserida nos ensinos parabólicos de Jesus, talvez tenha sido a expressão mais audaciosa de alguém que, no fundo do poço, reflexionasse sobre seus equívocos, desejasse se autoperdoar e partir para a reparação.
                Como o ensino é totalmente alegórico e o filho pródigo é um personagem fictício, embora de grande valia para o Pedagogo Rabi, precisamos penetrar o íntimo desse jovem esbanjado e imaginar-lhe o âmago bem antes e após o resoluto “levantar-me-ei”. Como ficção é a parábola, ficcionalmente o faremos, conjeturando o antes e o depois dessa “batida de martelo”.
                Muito antes da resolução arrojada, o desperdício, a distribuição farta dos bens do pai a amigos; muita comida, muita bebida e muitas orgias; todos o adoravam, pois distribuía a mancheias a parte da fortuna que lhe tocara, pensando que ela nunca acabaria. Mas acabou! E o inexperiente jovem vê-se solitário, pois os amigos haviam sumido. Por que ficariam a seu lado, se só desejavam o seu dinheiro? Vê-se obrigado a empregar-se cuidando de porcos e desejou alimentar-se com a comida destes. É nessa hora que, investido de coragem resolve levantar-se: “O menor dos empregados de meu pai vive melhor que eu”, diz a seu íntimo e isso o faz tomas a decisão. Mas quais consequências lhe adviriam?
                Poderia ser tratado como um menor em seu retorno à casa do pai; certamente que se sentiria muito envergonhado, perante o pai, o irmão e a criadagem. Mas que importava? Era filho e não só mereceria como aproveitaria a segunda chance. O mais importante, ou a decisão de arrepender-se e resolver retornar já estava tomada, agora seria só executar seu plano audacioso. Entrevistos o antes e o depois de sua decisão, sabemos o desfecho: O pai não só o perdoa como o cobre de mimos; o irmão mais velho se aborrece e o pai o repreende amorosamente, mas com autoridade.
***
                Todo o soerguer-nos é uma resolução íntima. Ninguém o fará por nós! A toda a resoluta decisão de levantar-se, há uma investida, para frente e para o alto. Uma evolução também se faz dessa forma. Evidente que, a partir de uma decisão dessas, toda ajuda dos Bons Amigos nos será dispensada, mas nós precisaremos desejar, como desejou o jovem.
                Evolução pede-nos esforço e uma visão panorâmica nos requererá primeiro a escalada. Jesus, ou os padrões de Jesus, - todos e somente eles – nos conduzirá de retorno à casa do Pai.

Cláudio Viana Silveira

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

                Certas colocações de Jesus são complicadas, diria até difícil de engolir. Como entender, por exemplo, essa história de amar aos inimigos? Se hoje, com uma certa bagagem intelectual e em pleno terceiro milênio, este axioma nos parece inatingível, quanto mais naquela época e no seio de um povo escravizado? Pois bem, para entender Jesus é preciso conhecer Kardec, pois a Doutrina Espírita é a chave para compreender o pensamento do Mestre. O povo de então se atinava muito em entender o espírito dos textos, deixavam-se impressionar pela letra fria e pelas longas e cansativas exposições dos rabinos. Jesus, embora mais simples e direto, queria mais, desejava que os homens raciocinassem e não apenas obedecessem, mas entendessem as orientações dos profetas que, muito embora adiantados para a época, ainda eram espíritos não completamente evoluídos e que, por isso, acabavam misturando nos seus ensinamentos, o Divino com o humano. Alguém pode acreditar que Deus, o Ser Supremo, mandasse exterminar todos os povos derrotados nas guerras, passando tudo o que tivesse sopro pelo fio da espada, como reza a bíblia?
                Com o espiritismo nos é possível entrar em sintonia com a orientação de Jesus, bem diferente da interpretação da época. No que se aplica aos inimigos, o amar de Jesus nos convida a perdoar quem nos fez mal e ou não buscarmos, nem alimentarmos, desejos de vingança. O Mestre nos ensina a expulsar o inimigo que jaz permanentemente em nossos pensamentos. Quando odiamos, mantemo-nos escravo do desafeto. Acordamos, comemos, trabalhamos, dormimos, enfim, vivemos atrelados a esse sentimento de rancor, alimentando desejos de vingança, tornando-nos escravos do odiado. Fatalmente, isto nos leva a um estado de enfermidades e desequilíbrios. Ao nos chamar a atenção para o perdão, Jesus nos ensina o caminho para desatar os laços que nos prendem aos inimigos. Então, longe está a esperança de que amemos aos nossos desafetos como fazemos com nossos familiares.
                A doutrina espírita nos esclarece que o Mestre quer apenas que afastemos de nosso coração a mágoa, a infelicidade, o ódio e o desejo de vingança. Allan Kardec mostra neste capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, o verdadeiro pensamento de Jesus, conforme a doutrina nos esclarece: Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento  oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo em vez de pesar, com o bem que lhes advenha é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento Amai os vossos inimigos.
                Para encerrar, lembremo-nos do Espírito Léon Tolstói, que nos diz que com a luz que o conceito de reencarnação joga sobre o problema, torna-se mais fácil entender a necessidade de amar aos nossos inimigos para podemos ter a paz e a felicidade que almejamos um dia.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

sábado, 26 de agosto de 2017

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS II

                Grande parte das nossas dificuldades atuais são causadas por nós mesmos, na busca incessante por facilidades e confortos materiais. Para ganhar dinheiro, fama e poder, muitas vezes ofendemos, fazemos escolhas equivocadas, somos egoístas, impiedosos e orgulhosos. É justo que, no curso de uma nova existência, resgatemos nossos débitos com as criaturas e até conosco mesmo, entendendo que somos responsáveis por tudo que sentimos, pensamos e fazemos. Isso explica também as nossas provações e passamos a enxergar a Terra como um imenso território adequado para abrigar espíritos em evolução para a perfeição possível. Neste mundo de expiações e de provas, ainda há a necessidade de experiências dolorosas e desagradáveis, para que os espíritos descubram o prazer de fazer o bem e de viver como irmãos. Enquanto permanecer na rebeldia e não agradecer o benefício da aflição momentânea, a criatura irá de ações e reações, sofrendo o que fez sofrer, colhendo do que plantou, até compreender que somente dela depende libertar-se das aflições desta vida. Em suma, todas as atribulações de nossa vida terrena são consequências de nossas faltas. Quando volvemos nosso olhar para os missionários do mundo moderno, que tanto sofreram dores físicas com enfermidades terríveis, mister se faz lembrar da afirmação de Kardec de que muitas dessas aflições são provas escolhidas pelos próprios espíritos, que as pediram para apressar seu adiantamento ou para concluir processos purificatórios.
                Por último, muito embora o capítulo 5, do Evangelho Segundo o Espiritismo jamais nos permitirá ser tão conclusivos, é fundamental entender a diferença entre prova e expiação. Expiação é sofrer as consequências de nossas faltas, passar pelos mesmos sofrimentos causados a nós ou aos outros, para que desperte em nós a consciência do sofrimento que provocamos, aproveitando as oportunidades para reparar os males causados, corrigindo-nos e prosseguindo em nossa evolução em melhores condições. Já as provações são testes de avaliação do aprendizado, passando pelas mesmas dificuldades que deram origem às ações negativas para resolvê-las, sem ferir a ninguém, usando-as para o desenvolvimento das nossas qualificações intelectuais e morais. Kardec ensina que “a expiação serve sempre de provas, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não precisa ser provado”. Por tudo isso, entender que “bem-aventurados os aflitos” é entender  Deus e reconhecer a necessidade de resignar-se; submeter-se, voluntariamente, às Suas leis, compreendendo que sendo Ele, o Absoluto na perfeição e causa de tudo que existe, por certo não comete erros ou enganos e Suas leis sábias e amorosas se obedecidas, hão de nos levar à felicidade. Esta é a resignação preconizada pelo espiritismo, uma submissão ativa, fruto do entendimento dos objetivos da vida e dos seres, assimilando a promessa de Jesus quando oferta as bem-aventuranças aos que sofrem, aos aflitos. O Mestre não espera que não choremos pela dor, mas nos pede para que tentemos sorrir pela benção da oportunidade de ressarcimento das dívidas do passado, entregando-nos à vontade do Pai. A resignação é a coragem da virtude. (Caibar Schutel)

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS I

                Poucos realmente entendem o sentido que a expressão bem-aventurado tem no discurso do Mestre Jesus, até porque é muito difícil esta compreensão para quem, com os pés fincados numa única existência e num mundo materialista como este nosso, acredita que ser bem-aventurado é sinônimo de ser feliz. Dentro do axioma “ler Kardec, para entender Jesus”, o estudo da doutrina espírita, que alarga nosso campo de visão para além desta vida e nos faz compreender e aceitar as múltiplas encarnações, nos oferece a releitura das bem-aventuranças, percebendo que Jesus deixa expresso na sua alocução a ideia clara da imortalidade da alma, ensinando, todavia, que o universo é regido pela lei de causa e efeito. Ambos os pilares doutrinários, casualidade e imortalidade da alma, ampliam o nosso entendimento e, neste contexto, obtemos a chave para abrirmos o baú dos mistérios da fé. Portanto, entendendo que as aflições não são castigos divinos e muito menos pragas lançadas aleatoriamente pelo Criador para provocar o arrependimento de suas criaturas, compreendemos perfeitamente que a justiça divina é incorruptível e se alicerça na expressão “à cada um, segundo suas obras”.
                Por intermédio do estudo do pentateuco de Kardec, fica fácil entender porque uns vivem na opulência e outros na miséria. Nada de privilégios, apenas mecanismos disponibilizados pela bondade divina, para nos reconduzir ao caminho da redenção e da reforma íntima. Quem se locupletou na avareza e amealhou fortunas escravizando seu irmão, nada mais justo que agora experimente a provação e a dor de não enriquecer. Da mesma forma, porém, o consolo de saber que o espírito que já aprendeu a usar o dinheiro em prol do progresso da sua comunidade, não mais precisará passar pela prova da pobreza, a não ser que desejar para cumprir determinada missão. Portanto, se sofro agora e me mantenho resignado e confiante de que esta prova é para meu bem, bem-aventurada esta dor, porque me proporcionará mais venturosa minha próxima reencarnação.
                De posse deste conhecimento, a imensa injustiça que vige entre os homens na Terra adquire para nós um outro contorno. Deixamos de acreditar que tudo que nos rodeia, inclusive nossos sentimentos, emoções, inteligência, criatividade, etc, provêm da própria matéria ou do cérebro ao aceitar a existência de Deus e n’Ele depositarmos nossa fé e total confiança, vamos finalmente compreender a maravilhosa resposta dada pela espiritualidade maior à Kardec, na pergunta primeira de O Livro dos Espíritos, revelando o que é Deus, reconhecendo-o como a causa primária de todas as coisas. Sendo Deus soberanamente justo, toda aflição humana é efeito de uma causa humana e, por isso, não há como atribuir a Ele a injustiça dos homens, como bem esclarece Kardec, no capítulo V do Evangelho Segundo o Espiritismo, quando revela que “as vicissitudes da vida têm pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa”. Concluindo, no mundo não existem vítimas e nem sofredores inocentes.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

E O TEMPO LEVOU...

                Uma pessoa não espírita fez a seguinte pergunta: “Se existe a reencarnação, não há necessidade de tanta preocupação em se corrigir, mudar nossas más tendências, pois podemos deixar para as próximas reencarnações?”
                Refletindo...
                Nós espíritas temos total certeza na reencarnação, sabemos de fato que tudo na Doutrina Espírita tem profundas ligações com o processo maravilhoso da reencarnação. A filosofia espírita está de uma forma ou outra ligada ao contexto da reencarnação. Toda explicação das disparidades humanas tem suas raízes nas sucessivas existências, pois está alicerçada nos ensinos de Jesus de semear e colher.
                Assim, meu amigo acaba dizendo uma verdade, pois muitos de nós acabamos nos conformando com as coisas e deixando tudo para a próxima existência, como se a mesma fosse um simples trocar de roupa.
                A quem evita falar sobre o assunto, como se não falar em reencarnação a mesma fosse deixar de existir e assim não precisaria mais se preocupar com isso.
                Importante que reflitamos que nossa reencarnação requer um profundo estudo por parte da espiritualidade maior, levando em conta inúmeros fatores, tais como, nossas necessidades espirituais, materiais, emocionais, psicológicas, provas, expiações, méritos, entre outros, que tornam esse processo muito complexo. Tudo é devidamente preparado, inclusive as pessoas à nossa volta, os relacionamentos, vivências, entre tantas outras coisas, o que não é possível relacionar aqui nesse simples texto.
                Tudo é minuciosamente planejado para a nossa existência ser a melhor para nós e, na maioria das vezes, jogamos tudo no lixo.
                Frente a tudo isso, deveríamos dar uma atenção maior à nossa reencarnação atual, vendo nela uma oportunidade bendita, uma escola para o nosso aprendizado, como nos ensina André Luiz: “A vida é sempre o resultado de nossa própria escolha”. Acima de tudo, a prática da caridade na sua mais profunda concepção deveria ser uma constante em nossas vidas.
                Infelizmente, perdemos muito tempo com nossas lamentações, frustrações, falta de amor, preocupações com situações de pouco ou quase nenhum valor para nosso espírito, atitudes de pouco valor espiritual.
                Trabalhando em satisfazer muitas vezes nosso egocêntrico sistema de vida, buscamos no dia a dia apenas e tão somente os resultados materiais da vida, perdendo o nosso bem mais preciosos – o tempo.
                Tempo – esse bem que não volta mais. Tempo gasto com situações que não somam valores para o nosso ser, apenas vivendo situações muitas vezes baseadas em vulgaridades, frivolidades e nada que venha somar, a não ser, novos compromissos espirituais para a próxima encarnação.
                Não podemos e não devemos deixar nada para a próxima encarnação, até porque, quando será essa próxima encarnação? Poderá demorar muito; vamos então aproveitar o hoje. Já aprendemos que o ontem já passou e o amanhã poderá não acontecer. O que interessa é o agora, construir dia a dia o Reino de Deus dentro de nós, nos ensina nosso Mestre Jesus.
                Agora ficou claro para mim o que Jesus nos ensinou: Deixai os mortos enterrarem os seus mortos...
                Assim refletindo na pergunta do início do texto,  podemos pensar “Porque perder tempo!”

Wagner Ideali

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
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segunda-feira, 10 de julho de 2017

FETO ANENCÉFALO OU MICROCEFÁLICO

                Dentro da lógica e da evidência da realidade, não temos dúvidas em concluir que somos espíritos eternos, criados por Deus na simplicidade e na ignorância, tendo como objetivo atingir a perfeição, onde lograremos usufruir da paz e da felicidade que tento almejamos.
                Mas, no contexto dessa linga jornada, que nos conduzirá do estado inferior à angelitude, fazemos uso do livre arbítrio e do e do esforço próprio.
                A Providência Divina, no âmbito da sua sabedoria, fraternidade e justiça, nos aquinhoa com os recursos e mecanismos de que temos necessidade, visando a concretização da nossa proposta de evolução, mas a tarefa de crescer espiritualmente é totalmente nossa.
                Somos absolutamente livres para decidir e escolher caminhos, devendo apenas, dentro da lei de ação e reação e de causa e efeito, colher os reflexos de cada ação praticada. “Do que plantares, colherás”. (Paulo, Gálatas 6:8)
                Em relação ao aborto, esse lamentável e covarde gesto de aniquilar o corpo em formação, de quem não tem como se defender:
                Vislumbremos o sofrimento de um espírito familiar nosso, depois de ter falido na sua existência física, deixando o mundo material pelas nefastas vias do suicídio, mediante o disparo de uma arma de fogo contra a sua cabeça ou mesmo pelo uso infeliz de suas faculdades mentais.
                O ferimento provocado no corpo físico ou no campo mental, por deliberação própria, em momento de aflição e desespero, deixando fortes sequelas em seu corpo espiritual, ao ponto de remetê-lo ao mundo dos desencarnados em grave estado de perturbação e desequilíbrio, somente poderá ser sanado com a volta do espírito, numa nova reencarnação, para reparar na matéria, os danos perpetrados.
                Precisa de um novo corpo, a se formar no ventre de uma mãe que possa entender as suas dores e angústias. Acontece, então, a gravidez e esse espírito ferido, desarrumado, perturbado e sofrido, cheio de esperança na harmonização emocional, psíquica e física, comanda a formação do novo corpo, que tem como modelo o seu períspirito.
                No entanto, o seu períspirito, devido ao suicídio de ontem ou pelo mau uso da inteligência, encontra-se destrambelhado o que determinará a formação de um corpo também destrambelhado, dando origem a u feto anencéfalo ou portador de microcefalia. Nessas condições, quanto mais tempo o espírito ficar ligado à matéria, mais condições tem de reparar os danos perispirituais.
                Assim, mesmo que o feto do anencéfalo ou do portador de microcefalia viva tão somente até o seu nascimento ou quem sabe um pouco mais, terá o espírito reencarnante feito um valiosos trabalho de reequilíbrio mental e emocional.
                Abortá-lo será negar-lhe a possibilidade de recuperação. Isso acontecendo, o espírito ferido vê suas esperanças esvaírem.
                Onde, então, os nossos princípios cristãos?
                Onde o nosso amor e fraternidade por um familiar necessitado?
                Como determinar a morte de um ser amado, cujas mãos suplicantes nos imploram socorro?
                Abortar o feto anencéfalo ou microcefálico em nome do amor, não façamos isso...

Waldenir Cuin

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

sábado, 24 de junho de 2017

AS FRONTEIRAS MORAIS DO FUTURO II

                O homem, com o seu livre-arbítrio, julga poder tudo. Tem agido com sanha incontrolável ao longo dos séculos, utilizando o orgulho, o egoísmo e a ambição para conseguir o que quer. Nessa cegueira não consegue ver, objetivamente, a relação entre as suas ações e as consequências desastrosas que afetam a sua existência. É indiferente aos manuais de orientação espiritual que a humanidade tem registrado através dos milênios, mostrando que a fraternidade é um bem essencial para a união e a paz na Terra.
                A lei universal de causa e efeito que permeia a vida dos homens se manifesta agora e sempre, em resposta às suas ações. Mas, para muitos, parece não haver uma força descomunal e branda que dirige o mundo. Por habitá-lo e serem livres, os homens pensam que tudo é deles e que por isso não precisam prestar contas. Então dominam, oprimem, dilapidam, perseguem, torturam, matam, provocando desequilíbrio geral.
                Contudo, nestes tempos chegados, a Divina Vontade do Deus único começa a se impor sobre os destinos da rebelde e ingrata população da Terra para que as novas fronteiras que distinguirão os povos do futuro sejam apenas alinhavadas pelo traço moral. O amor ligará os seres, que respeitarão as nuances próprias de indivíduos e coletividades. O preconceito, o culto à pátria, o orgulho de raça, o exclusivismo de crença terão desaparecido. E o derramamento de sangue será o horror que os homens farão questão de esquecer para sempre.
                Para tanto, as ordens divinas já foram expedidas e o tempo é de mudanças inapeláveis, pois o arbítrio desnaturado do homem tem limites controlados pela justiça de Deus.
                O que ocorre hoje na velha Europa, diferente do que já ocorreu em outras épocas e em outros lugares, terá algo a ver com essas reflexões? Ou estas não passam de mera fantasia?

Cláudio Bueno da Silva

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

sexta-feira, 23 de junho de 2017

AS FRONTEIRAS MORAIS DO FUTURO I

                Alegoricamente, pode estar ocorrendo na Europa atual uma alteração na composição dos elementos que delimitam as fronteiras étnicas do regime afoito e ininterrupto, do Oriente Médio e Norte da África principalmente, abandonam seu solo natal encharcado de sangue e violência, e invadem terras estranhas para se livrarem do medo e da perseguição e continuarem vivas. São refugiados que trazem consigo além da roupa do corpo e alguns pertences, a esperança por dias melhores, se espalhando por terras europeias.
                Num paradoxo, o estado de guerra e ódio, que jamais abandonou o coração do homem, está fazendo misturar à vida e à cultura consolidadas de muitos países europeus, um contingente humano com características gerais bem diferentes. Estarão esses refugiados com suas línguas nativas, cultura, religião, hábitos e costumes contribuindo para o aparecimento dos germes de uma nova ordem social futura? Esse movimento de massas humanas pelo planeta estaria obrigando nações desenvolvidas e ricas, historicamente dominadoras, a exercitarem a humana solidariedade para com os desgraçados? São meras reflexões.
                Nós espíritas sabemos que encarnados e desencarnados formam uma única humanidade. E que, embora os encarnados sejam os protagonistas das ações que fazem avançar ou estagnar o mundo, o plano espiritual superior, amparado pela alta justiça, no que tange ao progresso humano, elabora medidas para efetivar os avanços necessários no tempo certo, e homens, comunidades e povos, sob inspiração, concretizam essas medidas.
                Ainda no campo das reflexões alegóricas, as linhas que demarcam os territórios dos países europeus estariam começando a ser sutilmente apagadas pelos dedos de Jesus, o coordenador do nosso planeta? Creio que Jesus não desistirá, apesar da rebeldia humana, da sua decisão de tocar a alma dos homens, fazendo-os olhar com brandura uns para os outros, enquanto Deus aplica as suas Leis.
                Assim que as fronteiras terrestres, num futuro auspiciosos, deixarem de ser impeditivas para os homens, os espaços aéreos e marítimos hoje controlados pela mira dos mísseis serão também livres e responsavelmente frequentados pela humanidade unida e pacífica, e a Terra será outra e de todos.

Cláudio Bueno da Silva

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CARIDADE FAZ EVOLUIR O HOMEM II

                É no recôndito de nossa casa que convivemos com espíritos afins, mas também om antigos antagonistas de outras vidas, com o propósito do reajuste mútuo e do sufocamento do egoísmo. Se no ambiente de trabalho desenvolvemos nossas habilidades, é na nossa casa que desenvolvemos as potencialidades do coração. Sejamos pais, filhos, cônjuges, nosso dever é realizar tudo o que estiver ao nosso alcance para harmonizar o lar e atrair os bons e sábios espíritos. O Evangelho Segundo o Espiritismo, nos pede que não sejamos só bons ou só caridosos, mas que sejamos bons e caridosos. A beneficência atrai o amor necessário para que possamos enfrentar qualquer problema de forma equilibrada. Com mais paz e compreensão no lar, podemos, então, alçar voos mais altos, ultrapassando as fronteiras de nossa casa, passando a atuar na sociedade. Por intermédio do E.S.E., os espíritos nos acenam para o fato de que a piedade é a irmã da caridade. Então, é lógico inferir que devemos ser solidários e caridosos para com o próximo. E, ao invés de ver as desgraças e as infelicidades da vida como castigos de Deus, passemos a encará-las como oportunidades de praticar o bem, a benevolência e a caridade. Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, por certo deem ter se condoído com as dores dos seus semelhantes, só que foram além da comiseração e partiram para a ação. A bondade de Deus permitiu que estes missionários viessem reencarnar entre nós para ajudar nosso mundo e, principalmente, para nos darem o exemplo do trabalho em favor do ser humano. Ao contrário de nossos heróis de infância, eles não possuíam poderes extraordinários como visão de raio X, a capacidade de poder voar ou a super força, mas se tornaram poderosos instrumentos de bondade e compaixão pelo semelhante, algo que todos nós podemos ser, pois que não exige privilégios de qualquer natureza. Apenas boa vontade. Esses espíritos de luz vieram acender uma pequena centelha que existe em nós. Se a alimentarmos, colocando mãos à obra na caridade desinteressada, haveremos de nos tornar melhores e ajudar a tornar o mundo melhor. Emmanuel afirma: “A caridade é o processo de somar alegrias, diminuir males, multiplicar esperanças e dividir a felicidade”. Para ajudar os outros, não é preciso ganhar na loteria ou se aposentar, como bem nos lembra Leon Denis, no já citado texto sobre caridade, “há males sobre os quais uma amizade sincera, uma ardente simpatia ou uma afeição operam melhor que todas as riquezas”. Portanto não há no mundo quem não possa ofertar um pouco de si a quem quer que seja.

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2015
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sábado, 11 de fevereiro de 2017

CARIDADE FAZ EVOLUIR O HOMEM I

                Uma das revelações mais fantásticas que o estudo da doutrina espírita nos permite é a de compreender que Deus criou o homem simples e ignorante, porém perfectível. Não importa quantas encarnações, mas o fato é de que todos chegaremos à perfeição. Até mesmo estes irmãos sanguinários que a mídia nos serve todos os dias nas telas das TVs, nas páginas dos jornais e, principalmente, na internet. E tudo isso seria de fácil aceitação por parte de todas as outras doutrinas e vertentes religiosas, simplesmente com o uso da razão. Oras, basta observar que temos provas científicas sobre a evolução humana, os museus estão repletos de documentos, fósseis e tudo o mais que provam que o homem vem evoluindo paulatinamente ao logo dos milênios. Um dia, aquele ser percebeu que diante dos dinossauros, era melhor viver em grupos, pois somente trabalhando em equipe poderia caçar o seu sustento e se proteger das grandes feras. Daí sugiram as pequenas tribos que se multiplicaram ao longo da existência humana, virando as cidades que conhecemos. Desenvolvendo sua inteligência, descobriu o fogo, os metais, a roda, entendeu que, ao invés de ir para lá e para cá, poderia plantar e colher, até que deduziu que poderia construir sua casa e deixar as cavernas. Este foi o início da família.
                Com um olhar um pouco mais apurado, havermos de observar que ao longo dessa evolução, a espiritualidade esteve presente, representada por espíritos de escol, cuja missão era alavancar o progresso do homem e do planeta. Assim, o Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, nos mostra como as ideias de Sócrates e Platão eram adiantadas demais para a época; a personalidade autoritária, porém necessária, de Moisés para disciplinar o povo; a doçura de Jesus, com sua doutrina de amor; até chegar ao Espiritismo Consolador. A partir de então, como Allan Kardec sabiamente definiu, o homem começou a vislumbrar a grande verdade da vida: a de que “Fora da caridade não há salvação”. É fato de que precisamos fazer o bem, praticar a caridade, para que nos transformemos em artífices da paz, sendo auxiliares na construção do Reino de Deus na Terra. Não é à toa que um dos luminares do espiritismo, Leon Denis, dedicou um capítulo inteiro à caridade em um de seus livros, “Depois da Morte”, vaticinando que a perfeição do homem resume-se nestas duas palavras: caridade e verdade. E para nos tornarmos verdadeiramente caridosos, não existe outro ponto de partida que não seja o nosso próprio lar. É no cadinho do nosso lar que se apura a evolução. É na família que exercitamos a bondade, a tolerância, a compreensão, a educação, a gentileza e todos as virtudes que, por certo, nos serão necessárias na vida profissional.

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov./2015
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sábado, 28 de janeiro de 2017

O SILÊNCIO DAS RELIGIÕES

                Vivemos uma época de paradoxos: nunca se falou tanto em paz, mas nunca se ensinou tanto a guerra, a grosseria, a brutalidade, a violência.
                Vivemos em um país que se diz cristão, mas será que o cristianismo é para ser vivenciado apenas no interior das comunidades religiosas? Será que se deveriam isolar do mundo aqueles que não desejam compactuar com o estado de coisas que vivemos, ou lutar para que o mundo se torne compatível com os ensinamentos do Cristo? Se aqueles que desejam manter uma vida equilibrada, respeitosa pretenderem afastar-se do convívio com a sociedade, como interpretariam a recomendação de Jesus, registrada por dois evangelistas: “Eis que vos envio como ovelhas no meio de logos” (Mateus 10:16) e “Ide, eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos” (Lucas, 10:3).
                Diante da recomendação de Jesus, não devemos criar ilhas onde se viva cristãmente, mas devemos trabalhar no sentido de cristianizar todos os lugares.
                E o que estão fazendo as religiões no sentido de despertar as criaturas para uma mudança de atitude, a fim de que assumam sua real posição diante do Cristo? Será que o papel das religiões é levar seus fiéis a pensarem em Deus, ouvindo enternecidamente comentários sobre os ensinamentos de Jesus, somente no interior dos templos, em momentos sagrados? Mas Jesus nunca separou a vida em momentos sagrados e momentos profanos. De acordo com os Seus ensinos, os princípios éticos em orais devem permear todos os atos da vida, em todos os ambientes. Portanto, é premente a necessidade de se despertar o homem para o esforço de proceder de conformidade com esses ensinamentos, em todas as circunstâncias da vida, conforme Ele ensinou e exemplificou. Logo, as religiões devem esclarecer o homem no sentido de não esperar o Céu depois da morte, mas de construí-lo aqui, em todos os ambientes, principalmente dentro de si mesmo, desde agora.
                E como estamos procedendo nós, espíritas, nesse cenário caótico  em que vivemos? As casas espíritas estão promovendo reflexões sérias que nos levem a nos situarmos na vida como espíritos imortais temporariamente encarnados? Estamos tendo oportunidade de avaliação das propostas da televisão, do cinema, do teatro, da literatura ante nosso futuro no Mundo Espiritual? Lembremo-nos de que, se o espiritismo não nos atemoriza com o Inferno, também não nos oferece um Céu conquistado sem esforço no Bem. A verdade é que também nós estamos um tanto acomodados diante do panorama atual, pois raras vozes se erguem para denunciar esse tremendo antagonismo entre o que nos oferece a mídia, e as diretrizes de conduta ensinadas no Evangelho.
                Portanto, diante dessa ruína moral que se vê na atualidade, é de se perguntar onde estão as vozes dos condutores de almas, onde estão as vozes das religiões que silenciam diante de tanta ignomínia? Será que aguardam a volta de João Batista?

Prof. José Passini


Fonte: Jornal Espiritismo estudado – nov./2015
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A TIMIDEZ DOS BONS E A OUSADIA DOS MAUS

                No contexto social em que vivemos, ante os dissabores que a sociedade tem colhido, coo decorrência dos desajustes no âmago dos relacionamentos humanos, sugere o Espírito da Verdade, a Allan Kardec, àqueles que já despertaram para os reais valores da vida, que assumam a preponderância, isto é, que deixem a zona de conforto em que vivem, neutralizando a timidez e aguçando a ousadia.
                Ser ousado, aguerrido, atrevido mesmo, não significa insuflar a violência, mas ter a coragem e o arrojo de defender, com bravura e interesse, aquilo que é nobre, digno e ético.
                Não se pode deixar o mal prosperar nos espaços deixados pela timidez que domina os homens de bem. A criatura humana, além de ser boa ainda é indispensável que seja justa. Calar quando se deve falar, esconder quando se deve apresentar, omitir quando se deve participar, obviamente são práticas que em nada contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
                Os maus são ousados, pois que não temem ela reputação, pela probidade, nem se preocupam com a indignação ou opinião das pessoas, são maus e pronto. Fazem barulho, assustam, destroem, e, no momento da perversidade, anestesiados pelo desequilíbrio, a consciência de nada os acusam, por isso são atrevidos e atuam nos espaços onde os bons deveriam estar, ostentando a bandeira da decência, da honestidade e da fraternidade.
                Os bons precisam estar presentes em todos os segmentos sociais; na escola do filho, na associação de bairro, no grêmio estudantil, na associação filantrópica e assistencial, na política, na organização trabalhista, na organização patronal, nas decisões que interessam a comunidade em que vive... enfim, tem que participar, pois se não se apresentarem para a ocupação dos espaços que são seus, sem dúvida, virão os maus e, sem cerimonia, ocuparão as cadeiras vazias e farão o estrago que já é do conhecimento geral.
                Então, não basta criticar, reclamar, gritar por um mundo mais decente, ordeiro e próspero, imperioso se torna a participação para que tais conquistas cheguem mais depressa e sem tento sofrimento.
                Para tanto não será preciso ser expoentes da cultura, da força, da intelectualidade, da fortuna, da virtude, do desprendimento, da caridade, mas sim será preciso, e muito, é de boa vontade e uma hercúlea dose de esforços. Isso, obviamente, está ao alcance de todos... basta querer.
                Sem nenhuma violência, quando os maus perceberem que os espaços estão sendo preenchidos pela ousadia e coragem dos bons, baterão em retirada, por falta de opção e oportunidade, dai em diante será erguido, com segurança, o edifício da paz e da serenidade que tanto desejamos.
                Observemos, então, qual o espaço que nos pertence, na ordem do progresso e ocupemos a nossa cadeira... para servir, obviamente.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2015
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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A FORÇA DO PERDÃO

                O que é o perdão? Como praticá-lo? Porque?
                O amor já era uma força revelada por outras tradições religiosas, inclusive, no seio do próprio judaísmo, embora com uma diferença fundamental, pois, enquanto estas estimulavam o amor unicamente entre seus pares, produzindo sectarismo, tais como visto no seio do bramanismo e do judaísmo, Jesus ensinou sobre o amor universal, independentemente do sangue e de castas.
O perdão é uma força revelada com primazia por Jesus. Antes do Mestre, a lei que regia as relação humanas era a do talião, a qual institucionalizara a vingança contida na máxima “olho por olho, dente por dente”.
Na lição ministrada a Pedro, Jesus ensinou a necessidade irrestrita do perdão, representada na operação matemática: 70 x 7. Na divina Oração Dominical apresenta-o como a única relação condicional do Pai para com os filhos: “perdoai nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Não foi por acaso que Jesus se valeu de suas últimas forças físicas para exaltar a força do perdão, ao rogar ao ai nos perdoasse a ignorância.
Como o amor, o perdão é uma força da alma. Fruto do desenvolvimento das potencialidades do espírito, ele transforma o simples ser inteligente em uma Criatura Divina, a qual já se reconhece e ao próximo, como idênticos em capacidades, pois tem a mesma origem e destinação: Deus.
O perdão é o antídoto mais eficiente contra o orgulho, pois, ao reconhecer-se ainda falível, o espírito assume sua igualdade perante o semelhante: ninguém é, de fato, superior, senão o Pai.
Na sua origem o termo pecare significava apenas “errar o alvo”. Este é o real sentido desta palavra e, não, aquele equivocadamente apresentado pela ortodoxia da  igreja, qual seja, o erro que implica numa condenação eterna danação da alma falida. Por isso Jesus sentenciou: “quem estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”. Não é por outro motivo, aliás, que o próprio Mestre nos ensina: “O Pai não quer a morte do pecadro, mas, sim, a misericórdia!”
Uma análise corajosa desta força nos mostra que, se necessitamos perdoar nosso irmão 490 vezes pela mesma falta, algo está errado também conosco. Igualmente, se, intolerantes, cobramos de nosso irmão certo comportamento moral e ele não corresponde, pode ser porque não tivera ainda oportunidades de aprendizado em existências anteriores e, assim, estamos cobrando de quem não tem para dar. Por isso, sabendo sermos todos espíritos em evolução moral, devemos agir diante do pecador com a mesma misericórdia que o Pai sempre dedica para conosco.
Portanto, o perdão é uma força desenvolvida em benefício, não do outro, mas, sim, do próprio espírito que perdoa, pois este se liberta dos grilhões que nos aprisionam no mundo e nos impedem de atendermos ao pleno cumprimento da Lei de Amor. Foi por amor que Jesus, valendo-se de suas últimas forças, humilhado pelo madeiro da ignomínia, rogou ao Pai nos perdoasse, exemplificando, assim, no seu momento extremo, o que antes já lecionara: “perdoai, porque também tendes necessidade de perdão”.

Paulo Cezar Fernandes


Fonte: Jornal Tribuna do Espiritismo – jan/2016
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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ENDINHEIRADOS, MÃOS À OBRA!

(continuação)
                O príncipe da Arábia Saudita, Alwaleed Bin Talal Al-Saud, é um dos homens mais ricos do mundo. Com uma fortuna que gira em torno dos US$ 32 bilhões, ele ocupa a 20ª posição no ranking de bilionários da Bloomberg. Porém, parece que ele quer mudar esse cenário. Ele pretende doar toda sua fortuna para causas filantrópicas. Em um comunicado em seu site, Al-Saud afirma que busca construir um mundo com mais tolerância, aceitação, igualdade e oportunidade para todos. O dinheiro vai para a Alwaleed Philanthropies, que tem parceria coma a Bill & Amp; Melinda Gates Foundation, Carter Center e Weill Cornell Medical College, para reforçar os cuidados de saúde e de controle de epidemias pelo mundo.
                Há pessoas arquimilionárias que tem experimentado significativo desprendimento. Como vimos acima, Warren Buffett, quarto homem mais rico do mundo, prometeu doar 99% de sua fortuna antes de desencarnar. Buffett começou anunciando o direcionamento de 83% para a Fundação Gates. O bilionário afirmou que quer dar aos seus filhos  somente o suficiente para que eles sintam que podem fazer tudo, mas não o bastante para que eles achem que não precisam trabalhar. O poderoso Bill Gates, Michael Bloomberg, Nigella Lawson e o músico inglês Sting não deixarão suas fortunas como herança para os filhos. Ambos defendem a tese que seus filhos precisam trabalhar para ganhar o próprio dinheiro.
                Em rápida digressão, vale aqui interpolar uma oportuna reflexão. No Brasil, o paternalismo e o inócuo assistencialismo estatal não atende às necessidades dos deserdados. Tal cultura gera cada vez mais dependência de raras doações e de crescentes arrecadações. Enfraquece a sociedade, diminui as expectativas de recursos para redistribuição de recursos financeiros. A filantropia pública é uma maneira disfarçada de ditadura ideológica, coerção de liberdade, que não sobrevive ante a necessidade do trabalho de todos. Para que a filantropia sustentável seja praticada, e preciso estímulo ao trabalho, igualdade nas ações públicas e eficiência na administração de recursos arrecadados (impostos). Temos muito o que amadurecer nesse quesito nestas plagas tupiniquins.
                Mormente para os ricaços brasileiros, vai aqui um alerta do além. A reflexão é do Espírito Humberto de Campos: “se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós (no além-túmulo), em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque.
                Abastados mãos à obra!

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov./2015
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sábado, 26 de novembro de 2016

ENDINHEIRADOS, MÃOS À OBRA!

                Christopher Catrambone, um milionário empresário americano dono de uma companhia que oferece seguros em zonas de conflitos, criou sua própria fundação de resgate de imigrantes. Desde  2014 sai com sua família pelo Mediterrâneo para salvar estrangeiros que se arriscam a atravessar o mar para chegar à Europa. Sem receio de investir toda fortuna e confiante de que se algum dia seu arrependimento em ter gasto todo dinheiro e tempo nas operações de resgate dos imigrantes.
                A tradição da filantropia americana vem de longe. Cremos que Andrew Carnegie seja seu maior ícone e, de certo modo, definidor conceitual. Imigrante pobre, Carnegie fez fortuna na siderurgia americana, na segunda metade do século XIX. Em 1901, aos 66 anos, vendeu suas indústrias ao banqueiro J.P. Morgan e tornou-se o maior filantropo americano. Uma de suas tantas proezas, não certamente a maior, foi construir mais de 3 mil bibliotecas nos Estados Unidos. Em 1889, escreveu o artigo “The Gospel of Weath”, defendendo que os rios deveriam viver com comedimento e tirar da cabeça a ideia de legar sua fortuna aos filhos. Melhor seria doar o dinheiro para alguma causa, ou várias delas, à sua escolha, ainda em vida.
                Em 2009 Bill Gates lançou, junto com Warren Buffett, o mais impressionante movimento de incentivo à filantropia já visto: The Giving Pledge. A campanha tem mais de 120 signatários para participar, basta ser um bilionário e assinar uma carta prometendo doar, em vida, mais da metade de sua fortuna a projetos humanitários. Para boa parte dessas pessoas, doar 50% é pouco. Larry Elisson, criador da Oracle, comprometeu-se em doar 95% de sua fortuna, hoje avaliada em US$ 56 bilhões. O próprio Buffett foi além: vai doar 99%. Como bem observou o filósofo alemão Peter Sloterdijk, parece que, ao contrário do que acreditávamos no século XX, não são os pobres, mas os ricos que mudarão o mundo.
                Sloterdijk obviamente não conhece bem o brasil. Aqui na suposta “Pátria do Evangelho” a grandeza d’alma dos milionários em prol do altruísmo é pura miragem, ressalvando-se as infrequentes exceções. Nos Estados Unidos, o valor das doações individuais à filantropia chega a US$ 330 bilhões por ano. No Brasil, os números são imprecisos, mas estima-se que o montante não passa de US$ 6 bilhões por ano. Apenas 3% do financiamento a nossas ONGs vem de doações individuais, contra mais de 70% no caso americano. Há, segundo a tradicional lista da revista Forbes, 54 bilionários no Brasil. Nenhum aderiu, até o momento, ao movimento da Giving Pledge.
                Explicações não faltam para essa disparidade. Há quem goste de debitar a mesquinhez dos endinheirados brasileiros na conta de nossa “formação cultural”. Por essa tese, estaríamos atados a nossas raízes ibéricas, sempre esperando pelas esmolas do Estado, indispostos a buscar formas de cooperação entre os cidadãos para construir escolas, museus e bibliotecas, ou simplesmente para consertar os brinquedos e plantar flores na praça do bairro. É possível que haja alguma verdade nisso. O rei Dom João III, lá por volta de 1530, dividiu o país em capitanias hereditárias e as repartiu entre fidalgos e amigos da corte portuguesa. Fazer o quê? Enquanto isso, os peregrinos do Mayflower desembarcaram nas costas da Nova Inglaterra (EUA), movidos pela fé e pelo amor ao trabalho, para construir um novo país.

(continua)

Jorge Hessen


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2015
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sábado, 12 de novembro de 2016

A VIRTUDE DOS FORTES

                “Sem a humildade, apenas vos adornais de virtudes que não possuis, como se trouxésseis um vestuário para ocultas as deformidades do vosso corpo”. (ESE cap. VII, item XI)
                O progresso moral do ser demanda, com é cediço, muito tempo e muito esforço, através dos quais o homem vai amealhando novas experiências, conhecimentos e virtudes, que, por extensão, fazem nele emergir as forças interiores da alma. Contudo, à medida que o homem dá mais importância aos bens terrenais do que aos espirituais – os únicos que lhe podem assegurar a verdadeira felicidade -, apega-se aos exterior, tira Deus do centro e coloca-se no lugar dEle.
                Há, neste sentido, uma interessante frase do Espírito Paulo de Tarso, inserta na quarta parte, cap. II, pergunta 1009 de O Livro dos Espíritos: “Gravitar para a unidade divina, esse é o objetivo da Humanidade”. Gravitar, em sentido estrito, significa girar em torno. Nesta perspectiva, a bem de nosso progresso, devemos deixar Deus no centro.
                Para isso, porém, é necessário que sejamos humildes.
                Quando o orgulho sobressai em nossas atitudes, ficamos presos às nossas próprias limitações e incapazes, portanto, de avançar para as conquistas superiores. Na sociedade terrena atual viceja, de modo geral, o culto ao materialismo, disso resultando numa completa inversão de valores. Neste diapasão, adverte Joanna de Ângelis que:
                Há uma confusão muito grande entre os valores éticos que alçam os indivíduos aos patamares da grandeza moral e aqueles que degradam, que vendem sensações soezes, como se a existência humana devesse estar sempre num circo, dando prosseguimento indefinido ao burlesco, ao cínico, ao despudor. (Jesus e Vida)
                Em assim sendo, a falta de resistências morais dá azo a que permaneçamos, não raramente, adstritos a comportamentos impostos por indivíduos que se consideram heróis da atualidade. Ante isso, cumpre-nos citar novamente o pensamento da Benfeitora Espiritual acima mencionada:
                O heroísmo não se expressa través da vilania, da deformidade, do grotesco, mas, sim, em decorrência da coragem e da envergadura que caracterizam os espíritos fortes, humanos e dignificadores da sociedade. (Jesus e Vida)
                Todo e qualquer investimento aplicado na transformação dos recursos espirituais para melhor e do esforço contínuo em favor da promoção da sociedade constitui ato de heroísmo. Não apenas aqueles que tornam os seus realizadores conhecidos e comentados pelo grupo social, mas especialmente quando passam ignorados, constituindo admirável empreendimento interior em benefício da harmonia.
                Desta forma, inferimos que é ato de coragem lutar contra toda essa onda de materialismo e insensatez que grassa em nosso planeta nestes turbulentos dias. Para tal, é preciso ter coragem para fazer diferente. E ser humilde é fazer diferente, pois a humildade é panaceia contra os males originados pelas suscetibilidades do amor-próprio. Eis por que consideramos a humildade como sendo a virtude dos fortes.

Andres Gustavo Arruda


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov./2015
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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

TEMPO DE PERSEVERAR

                É inegável que a modernidade trouxe consigo grandes benefícios para a humanidade. Hoje, temos acesso a pessoas, informações e produtos de maneira quase instantânea. Distâncias e temos foram virtualmente eliminados. Essa nova realidade, contudo, tem também os seus contratempos.
                Zygmunt Bauman, ilustre sociólogo polonês criador do conceito de “modernidade líquida” e um dos mais influentes pensadores da atualidade, afirmou em recente visita ao Brasil: “Se demoramos mais de um minuto para acessar a internet quando ligamos o computador, ficamos furiosos. Um minuto só! Nosso limiar de paciência diminuiu. Outra coisa é a persistência. Conseguir algo contém em si um número de fracassos que faz com que você perca tempo e tenha que recomeçar do zero. E isso é muito complicado. Não é fácil manter essa persistência nesse ambiente com tanto ruído e tantas informações que fluem ao mesmo tempo de todos os lados.
                O ser urbano e globalizado da atualidade vai, cada vez mais, perdendo contato com os ciclos e processos naturais de desenvolvimento presentes em cada aspecto da natureza, passando a acreditar que todos os mecanismos da vida são regidos pela mesma velocidade do mundo em que está inserido. Em termos de conquistas espirituais, no entanto, o processo é muito diverso, como nos adverte o benfeitor Emmanuel: “Não te creias capaz de trair o espírito de sequência que rege todas as forças e todas as tarefas da natureza”.
                É por alimentarem a ilusão de que as aparentes facilidades da modernidade estarão também presentes na busca pelos valores eternos que muitos se frustram e acabam desistindo ante os primeiros obstáculos encontrados, perdendo preciosas oportunidades de crescimento espiritual. Tudo que traga consigo algum tipo de dificuldade ou exija uma maior cota de sacrifício e de tempo para ser alcançado é então descartado, tido como inconveniente, valorizando-se assim, na maioria das vezes, as conquistas transitórias em detrimento das imperecíveis.
                Disse-nos, porém, o Mestre: “quem perseverar até ao fim, esse será salvo”. O termo utilizado pelo evangelista, traduzido no texto como perseverar, está vinculado à palavra grega hypomoné, de significação ampla, à qual também se podem relacionar, além da perseverança, a resistência, a firmeza e a paciência. Por essa razão, ora é traduzida nos evangelhos como perseverança, cora como paciência. Fica assim evidenciada a profunda ligação entre estas duas virtudes, definidas por Jesus como essenciais para a salvação, isto é, para a redenção espiritual do ser. Complementa ainda Emmanuel: “O tempo não respeita as edificações que não ajudou a fazer. Sem o concurso do tempo, secundado pela perseverança e pela paciência, não existem deificações reais para o espírito.
                As Leis Divinas não se harmonizam com privilégios ou subterfúgios. A questão é de vontade e esforço pessoal, de saber perseverar, com paciência, até à conquista dos valores imortais. Para todo aquele, pois, que se propõe a seguir as pegadas imperecíveis do Divino Mestre, ecoam, pelos séculos afora, as sublimes palavras: “Com a vossa perseverança adquiram as vossas almas”.

Artur Valadares 


Fonte: Jornal Tribuna do Espiritismo – nov/2015
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