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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sábado, 18 de novembro de 2017

EXPRESSÃO DE PAZ DOS QUE MORREM

Pergunta - Por que, na maioria dos casos, após a morte, a fisionomia dos desencarnados adquire uma expressão de suave paz?
Resposta - A maioria das criaturas, em se desencarnando de maneira pacífica, isto é, com a paz de consciência, quase sempre reencontra entes queridos que as antecederam na viagem da chamada morte física e deixam no próprio semblante as derradeiras impressões de paz e alegria que o corpo consegue estampar. (abril de 1977)


Fonte: LIÇÕES DE SABEDORIA - MARLENE ROSSI SEVERINO NOBRE
imagem: google

sexta-feira, 5 de maio de 2017

MORTE E CONSCIÊNCIA II

                A consciência libera a realidade do ser em profundidade, que compreende as naturais alterações dos fenômenos biológicos, que são instrumentos para o seu progresso espiritual.
                Desentorpecida dos anestésicos atávicos do instinto de conservação, que remanescem do primarismo animal, penetra na estrutura da vida, descobrindo a causalidade existencial que é o espírito, independente dos mecanismos orgânicos, que usa com finalidades específicas e abandona quando encerrada a atividade que se lhe faz necessária.
                Graças a tal entendimento, desenvolve recursos preciosos e desvela atributos que lhe dormem nos refolhos, abrindo-se a valores imperceptíveis que o fascinam, em detrimento daqueloutros que são necessários ao trânsito carnal e devem permanecer no teatro terrestre onde se originam.
                A consciência da morte, com as consequentes ações preparatórias para o traspasse, favorece o ser com harmonia interior e segurança pessoal.
                A lucidez em torno dos deveres propele a criatura ao burilamento íntimo, e, ao fazê-lo, descobre que o amor é a fonte inexaurível de recursos para facultar-lhe o tentame.
                O amor que se expande liberta-o das paixões escravizadoras que perturbam e infelicitam.
                Se já podes conscientizar-se da proximidade do fenômeno da morte, que é transformação em tua existência, estás em condições de crescer e planar acima das vicissitudes.
                Vive então o périplo orgânico, conscientemente, usando o corpo com finalidade elevada, porquanto ao chegar o momento da tua morte deixarás a massa material como borboleta ditosa que, após a histogênese, voa feliz nos rios suaves do infinito.

Fonte: MOMENTOS DE SAÚDE E DE CONSCIÊNCIA
Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis      
imagem: google 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

MORTE E CONSCIÊNCIA I

                A perfeita identificação da transitoriedade do corpo físico expressa o superior estágio de consciência do homem. Esse discernimento lúcido, a respeito da fragilidade orgânica, é de alto significado no processo da evolução, constituindo patamar superior de conquista que promove o ser do instinto à razão, e desta à intuição espiritual.
                Repugna ao homem-instinto a lembrança da morte, bem como da sua convivência no cotidiano. Para ele, o estágio corporal tem o sentido de permanência, entorpecendo-lhe o conhecimento da realidade, que se recusa a aceitar, embora o fenômeno biológico das transformações celulares e moleculares dê-se a cada instante.
                A segurança do edifício orgânico apoia-se na fragilidade da sua própria constituição.
                Engrenagens delicadas são susceptíveis de se desorganizar, seja por acidentes da sua estrutura, ou por invasões microbianas, ou traumatismos físicos e emocionais, ou, ainda, por desgaste natural que decorre do uso na sucessão do tempo.
                Agrada, ao homem inconsciente, pensar apenas no imediatismo do aparelho físico e no desfrutar dos aparentes benefícios que propicia, na área dos prazeres e das sensações mais agressivas, que frui com sofreguidão insaciável.
                Esse engano leva-o ao apego das formas que se diluem e alteram; dos objetos de que se apropria e passam de mãos; das aspirações que transforma em metas de vida e às quais se entrega, expressando-as em poder, destaque, abastança, que não pode deter por tempo indefinido.
                Como efeito dessa ação sem apoio na realidade da vida, surgem os quadros da ansiedade, do medo, da insegurança, da irritabilidade, degenerando em mecanismos de infelicidade, porque a vida física torna-se-lhe a razão única pela qual luta e se empenha em preservar.
                Experimentando o desgaste, a enfermidade, a velhice, sente-se próximo do fim e desequilibra-se.
                Ignorando ou teimando por desconhecer a inevitável transformação que encerra um ciclo, para dar lugar ao surgimento de um outro, do qual procede, rebela-se e envena-se com a ira, apressando aquilo que pretende postergar.

Fonte: MOMENTOS DE SAÚDE E DE CONSCIÊNCIA
Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis      
imagem: google 

sábado, 14 de novembro de 2015

SOFRIMENTO NO ALÉM-TÚMULO II

                Ninguém se evade das consequências dos seus atos, como planta alguma produz diferente fruto da sua própria estrutura fatalista.
                O amor é a grande lei da vida. É o amor que estabelece o critério de justiça com igualdade para todos, respondendo em reação conforme praticada a ação.
                A conduta mental e moral cultivada durante a existência corporal propicia resultados correspondentes, impregnando o ser com os hábitos que se transformam em experiências de libertação ou retenção, consoante a qualidade de que se revestem.
                O prolongamento da  vida após a morte física faz-se com as mesmas características, resultando as  fixações como futuros critérios de comportamento. Porque a mente viciada gera necessidades que não encontram correspondente satisfação, o sofrimento é a presença constante naqueles que se enganaram ou lograram prejudicar os outros.
                Consciências encarceradas na ignorância das leis da vida, quando são chamadas ao sofrimento purificador, entregam-se à rebeldia e buscam fugir da colheita que lhes chega mediante o suicídio horrendo.
                Para a própria desdita, mais dolorosa, encontra a vida que ultrajaram com o gesto desvairado, soando às novas dores a frustração por constatarem-se como indestrutíveis, e as aflições decorrentes do ato praticado, eu produz dilacerações no perispírito que passa então a sofrer males que não conduzia. Além desses, que estão na sua realidade espiritual, as consequências infelizes, tais: a dor dos familiares ou a revolta que neles se instala; o exemplo negativo, que estimula outras futuras defecções; os problemas que recaem sobre os que ficaram, produzindo-lhe sofrimentos inenarráveis, que se arrastam por decênios largos até o momento do retorno à Terra, com as marcas da deserção.
                Noutros casos, buscando fugir às enfermidades degenerativas, outras pessoas recorrem a eutanásia, na ingênua perspectiva do sono eterno sem despertar, quando tudo fala de vida, de atividade, de progresso.
                O letargo que buscam é povoado de pesadelos sombrios e presenças espirituais impiedosas, que lhes invectivam o ato e as atormentam sem descanso.
                A morte, em hipótese alguma, faz cessar o sofrimento, porque, não anulando a consciência, faculta-lhe logicar e vivenciar o prosseguimento das experiências, e porque as percepções pertencem ao espírito, continuam sendo transformadas nas delicadas engrenagens da energia em sensações e emoções. Daí a manifestação do sofrimento corrigindo os erros e conduzindo o infrator à reparação.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

SOFRIMENTO NO ALÉM-TÚMULO I

                A culpa assinala a consciência que se abre em chaga viva até a reparação do erro, a recomposição do campo energético agredido. O arrependimento sincero ou os propósitos honestos de reabilitação não bastam para conceder o reequilíbrio no psiquismo e na emoção do delinquente. Por isso, quanto mais esclarecido e lúcido o infrator, tanto maior o grau da sua responsabilidade.
                O erro retém o seu autor nas próprias malhas, que este deve desfazer mediante a correção do que foi praticado. Esse labor faculta dignificação, promovendo o indivíduo.
                Liberado do mal praticado, adquire experiência e abanca, estrada fora, no rumo de novos patamares para a felicidade, sem retentivas na retaguarda.
                Nem mesmo o perdão que a vítima concede ao seu malfeitor libera-o da consciência de culpa. Ajuda-o, naturalmente, a sentir-se melhor consigo próprio e com aquele a quem prejudicou, estimulando-se, ele mesmo, para reparar o dano causado. Mediante a concessão do amor e não o ódio em forma de revide, torna-se-lhe mais factível a vitória, a recuperação moral, assim liberando-se do sofrimento.
                A ilusão da posse, a presença das paixões primitivas, o egoísmo, agasalhados enquanto ao corpo, transferem as chagas que geram para além da sepultura.
                Desde que o homem é espírito e este energia, as suas mazelas permanecem impregnadas, produzindo as ulcerações alucinantes onde quer que este se encontre: no corpo ou fora dele.
                Não provocando real alteração em ninguém, a morte apenas transfere os seres de posição e situação vibratória, mantendo-os conforme são.
                É natural que a troca de indumentária imposta pelo cessar do fenômeno biológico não lhe arranque as estratificações na área da energia, portanto, na sede da consciência.
                O desencarnado desperta além das vibrações moleculares do corpo com as mesmas aptidões, ansiedades, engodos, necessidades cultivadas, boas ou más, voltando a assumir a postura equivalente ao grau de evolução em que estagie.
                As sensações que lhe são predominantes da individualidade permanecem-lhe, quando atrasado, sensual, amante dos prazeres, vinculado aos pensamentos sinistros, licenciosos, egoísticos, fazendo-o experimentar a mesma densidade vibratória que lhe era habitual durante a conjuntura  orgânica. Rematerializa-se e passa a viver como se estivesse encarcerado no corpo somático sofrendo-lhe todos os limites, conjunturas, condicionamentos, doenças, desgastes...  A mente, escrava das sensações, elabora formas ideoplásticas que o aturdem e infelicitam, tornando-lhe o sofrimento de difícil descrição.
                Tenta o contato com os familiares e amigos que ficaram, e eles não se apercebem, o que lhe inflige dores morais superlativas, levando-o à loucura, à agressividade, ao desalento.
                Em alguns momentos esbraveja e exaure-e, entregando-se aos paroxismos do desespero e desmaia, para logo recomeçar, sem termo, até quando brilha na consciência entenebrecida o amor, que o desperta para outro tipo de sofrimento, o do remorso, do arrependimento que o conduz ao renascimento, para recuperação sob os estigmas da cruz que traz insculpida na existência.
                Enquanto não lhe chega esse socorro, une-se em magotes de desesperados, construindo regiões dantescas, onde se homiziam e prosseguem sob o açodar das penas que o automatismo das leis de Deus, neles próprios, como em todos nós inscritas, impõem.
                O sofrimento, nessas regiões, decorre dos atentados perpetrados com a anuência da razão.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sábado, 3 de outubro de 2015

MORTOS AMADOS

(Emmanuel)
Na Terra, quando perdemos a companhia de seres amados ante a visitação da morte, sentimo-nos como se nos arrancassem o coração para que se faça alvejado fora do peito.
Ânsia de rever sorrisos que se extinguiram, fome de escutar palavras que emudeceram.
E bastas vezes tudo o que nos resta no mundo íntimo é um veio de lágrimas estanques, sem recursos de evasão pelas fontes dos olhos.
Compreendemos, sim, neste Outro Lado da Vida, o suplício dos que vagueiam entre as paredes do lar ou se imobilizam no espaço exíguo de um túmulo, indagando por que…
Se varas semelhantes sombras de saudade e distância, se o vazio te atormenta o espírito, asserena-te e ora, como saibas e como possas, desejando a paz e a segurança dos entes inesquecíveis que te antecederam na Vida Maior.
Lembra a criatura querida que não mais te compartilha as experiências no plano físico, não por pessoa que desapareceu para sempre e sim a feição de criatura invisível mas não de todo ausente.
Os que rumaram para outros caminhos, além das fronteiras que marcam a desencarnação, também lutam e amam, sofrem e se renovam.
Enfeita-lhes a memória com as melhores lembranças que consigas enfileirar e busca tranquilizá-los com o apoio de tua conformidade e de teu amor.
Se te deixas vencer pela angústia, ao recordar-lhes a imagem, sempre que se vejam em sintonia mental contigo, ei-los que suportam angústia maior, de vez que passam a carregar as próprias aflições sobretaxadas com as tuas.
Compadece-te dos entes amados que te precederam na romagem da Grande Renovação.
Chora, quando não possas evitar o pranto que se te derrama da alma; no entanto, converte quanto possível as próprias lágrimas em bênçãos de trabalho e preces de esperança, porquanto eles todos te ouvem o coração na Vida Superior, sequiosos de se reunirem contigo para o reencontro no trabalho do próprio aperfeiçoamento, a procura do amor sem adeus.

Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google 


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

NO TREM DOS ESTUDANTES

(J. Herculano Pires)
Emmanuel coloca o problema da desvinculação afetiva em dois planos: o do afastamento de pessoas queridas que se retiram do lar e o da partida para “outros e novos níveis de espaço e tempo”. Em ambos os casos rompe-se o vinculo da convivência. Em ambos os casos há sofrimento moral de parte a parte. O assunto e tratado no item 9 do capitulo XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, e ali encontramos o seguinte aviso aos que sofrem: “As grandes provas são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”.
O desastre do Trem dos Estudantes, em 8 de junho de 1972, entre Suzano e Jundiapeba, inclui-se no capitulo das provas coletivas. Além dos mortos e feridos, estão sofrendo essa prova os familiares duramente atingidos, os amigos e colegas das vítimas. A tragédia caiu sobre verdadeira multidão. Estamos em face de um processo de desvinculação em massa. Quantos lares enlutados pela perda de entes queridos, quantos corações dilacerados, quantos espíritos aturdidos pela brutalidade da ocorrência!
O que mais impressiona e o número de jovens que tiveram sua vida bruscamente cortada, quando a caminho das escolas superiores que cursavam em Mogi das Cruzes. Tudo isso parece aterrador, desnorteante, como se estivéssemos num mundo caótico, sem ordem, sem lei, sem Deus. Não obstante, o Universo nos responde com a ordem absoluta das suas leis que tudo regem, desde a relva humilde na Terra até as constelações gigantescas no infinito.
Nada acontece por acaso. Tudo resulta da lei de causa e efeito. E todo efeito tem um sentido: o da evolução. Todos somos Espíritos faltosos e sofremos as provas que pedimos antes de encarnar. Temos dívidas coletivas a resgatar. Mas além do resgate espera-nos a liberdade, a paz, o progresso. Os jovens que morreram foram poupados de sofrimentos futuros numa vida em que a doença, a velhice e a morte são o salário de todos nós.
Transferidos para a Vida Maior, que realmente corresponde as suas necessidade e a sua natureza, são todos eles seres espirituais e não materiais. Agora precisam da compreensão dos pais, dos irmãos, dos amigos e colegas que deixaram na Terra.
Precisam de paz, de preces, de bons pensamentos, das vibrações de sincera amizade para se recuperarem em Espírito.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MORRER PARA VIVER III

                Ante Jesus, na cruz da ignomínia, Maria e quantos O amavam, choraram.
                Misturavam-se a saudade e a dor, diante da consumação do adeus corporal, no entanto, logo depois, pleno de vida, Ele volveu ao convívio maternal e ao dos seus amigos, demonstrando a perenidade da Vida.
Confia na ressurreição em triunfo e prepara-te para a alegria da sobrevivência.
O apóstolo Paulo, emocionado, exclamou: - “Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde esta, ó morte, o teu aguilhão?”
E iluminado de Assis, pacificando e confiante, asseverou na sua Oração Simples: - “Porque é morrendo, que nascemos para a vida eterna.”
Teus mortos queridos estão vivos e aguardam o momento em que, terminados os teus compromissos terrenos, marcharás na direção do reencontro feliz e perene.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: carlalindolfo.wordpress.com

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MORRER PARA VIVER II

                Programa as tuas atividades contando com o fenômeno inexorável da morte.
                Ela te conduzirá ao retorno.
                Necessário preparar-te para essa viagem libertadora.
                Outrossim, considera, também, nas tuas meditações, a possibilidade da partida de quem se te faz querido, antecedendo-te no regresso ao mundo de origem.
                Reencontrarás os que te precederam no rumo da Vida Espiritual.
                Em homenagem a esses afetos que viajaram antes, prossegue no culto do bem, mantendo as tuas doces recordações e revivendo-as em poemas de carinho, programando a continuação do compromisso eterno.
                Se choras, o que é natural, conforta-te com o lenitivo da certeza de que voltarás a conviver com o ser amado.
                Não te deixes abalar ente a perspectiva improvável da sobrevivência.
                Tudo nos fala de vida.
                A glande do carvalho despedaça-se para que surja a árvore que se agigantará a pouco e pouco.
                A lagarta liberta a borboleta, quando se extingue a forma.
                O pólen libera a perpetuidade da espécie.
                Tudo se transforma ante o milagre da morte, que é dádiva da vida.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: robertacarrilho-div.blogspot.com

terça-feira, 9 de setembro de 2014

MORRER PARA VIVER I

“Aquele que crê em mim, já passou da morte para a Vida” – Jesus

                A conjuntura dolorosa da morte, sombreada por aflições que transitam entre as cortinas das lágrimas contínuas, pospõe a realidade da vida, que prossegue, exuberante, quando se interrompem os envoltórios materiais.
                A morte desvela a vida, que se apresenta em plenitude, quando se ultrapassam as barreiras vibratórias de que o corpo constitui impedimento.
                Não te deixes, portanto, dominar pelo estado de revolta em face da presença da morte.
                Evita que a surpresa se te converta em dano profundo, fazendo que desmoronem as construções de esperança, em torno da necessidade de continuar no rumo dos deveres, após a partida do ser querido...
                A vida, na sua profundidade excelsa, se apresenta em etapas; no corpo e fora dele.
                Todos sabemos que o corpo, por mais duradouro, na sua condição biológica, é sempre breve, podendo interromper o seu ciclo com ou sem aviso prévio.
                Por tal razão, não te fixes em demasia nos valores transitórios da matéria.
                Tem em mente que, não obstante a necessidade de realizar um ministério inteligente, durante a experiência corporal, a vida, em si mesma, tem a sua gênese e o seu fanal, além da matéria mais densa.
                A morte merece acuradas reflexões, de que nos não podemos furtar, considerando que a todas as criaturas domina, no processo das transformações inevitáveis.

Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: universalismocristico.com.br


segunda-feira, 14 de julho de 2014

PERDA DE ENTES QUERIDOS II

                A dor da perda, contudo, está radicada na incompreensão a seu respeito ou na apreensão que a precede e a acompanha. Eliminando-se esses fatores, os indivíduos verão a morte como um  momento de renovação inerente à natureza. Inquestionavelmente, é um período que antecede o reencontro dos atuais e dos antigos amores.
                São compreensíveis as lamentações e os pesares, o pranto e os suspiros, pois o ser humano passa por processos psicológicos de adaptação e de reajuste às perdas da vida. Os pesares e os murmúrios fazem parte da sequência de fatos interiores, que são provimentos mentais gradativos e difíceis, através dos quais as criaturas passam a aceitar lentamente a ausência – mesmo convictas de sua temporalidade – das pessoas que partiram.
                Uma das mais importantes funções da tristeza é a de propiciar um ajustamento íntimo, para que a criatura replaneje ou recomece uma nova etapa vivencial. É importante identificarmos nossa tristeza e sua função de momento; jamais devemos, no entanto, identificar-nos com ela em si.
                “Não, não é verdade! Não pode estar acontecendo!”, “Isso deve ser um horrível pesadelo que vai acabar!” são expressões comumente usadas como negação. São reações costumeiras diante de perdas desesperadoras. A recusa em admitir os fatos e as circunstâncias que os determinaram é uma forma de defesa habitual nas situações devastadoras com nossos entes queridos. É necessária a bênção do tempo para que a alma elabore novamente um ajustamento mental e reúna forças para compreender a privação e a real extensão promovida pela dor.
                Alguns choram em voz alta; outros, porém, ficam sentados em silêncio. O isolamento transitório pode ser considerado também como uma outra forma psicológica de defesa para suportar esses transes dolorosos. A atenção destes se fixa unicamente no falecimento da pessoa querida, não se permitindo fazer contato com outras pessoas, a fim de que o sentimento de tristeza não aperte ainda mais seu coração, ou para evitar sejam evocadas com maior intensidade as lembranças queridas. Dessa forma, a criatura abranda o impacto da perda, fazendo um retraimento introspectivo.
                O Criador da Vida fez com que a natureza se mantivesse num eterno reciclar de experiências e energias, numa constante mudança de formas e ritmos, em nossa viagem maravilhosa de conhecimentos através da imortalidade.
                Quando nossa visão se liga em nossa pura essência, vamos além de todas as coisas diminutas e insignificantes, fazendo com que nosso discernimento se amplie numa imensa lucidez diante de nossa jornada evolutiva.
                Não existe perda, não existe morte, assim garantiram os Espíritos Amigos a Kardec “o que chamais destruição não passa de uma transformação”.


Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed
imagem: chicoxavier.spaceblog.com.br

domingo, 13 de julho de 2014

PERDA DE ENTES QUERIDOS I

                “Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.”
                Nascer e morrer fazem parte de um fenômeno comum e necessário. Tudo nasce, tudo se desenvolve, mas tudo se definha. Sempre há um tempo de partir.
                A morte na Terra é o término de uma existência física, é a passagem do ser infinito para uma nova forma existencial. Ela é um interlúdio, ou seja, um intervalo entre as diversas transformações da vida, a fim de que a renovação e a aprendizagem se estabeleçam nas almas, ao longo da eternidade.
                Morrer não é uma perda fatal, não é um mal, é um essencial processo de harmonização da natureza. Durante quanto tempo lamentaremos o passamento de um ser amado? Dependerá de como estamos preparados para isso, de que modo ocorreu a morte, de como era a nossa história pessoal com ele. No entanto, a perda de um ente querido é universalmente causa de tristezas e de lágrimas, em qualquer rincão do planeta, mas a forma como demonstramos esses nossos sentimentos e emoções está intimamente moldada ao nosso grau evolutivo. O conjunto de conhecimentos adquiridos, ou seja, o acervo cultural, espiritual e intelectual que possuímos, é de fundamental importância em nossa maneira de expressar essa perda.
                Por isso, devemos entender e respeitar as múltiplas reações emocionais manifestadas no luto, pois acontecem de conformidade com as estruturas psicossociais que caracterizam cada indivíduo, levando sempre em conta suas diferentes nacionalidades, crenças e costumes peculiares.


Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed
imagem: www.amormariano.com.br

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O PROCESSO DA DESENCARNAÇÃO


O processo todo da desencarnação e reintegração à vida espírita dependerá:

  1. Das circunstâncias da morte do corpo
Nas mortes por velhice, a carga vital foi esgotando-se pouco a pouco e, por isso, o desligamento tende a ser natural e fácil, e o espírito poderá superar logo a fase de perturbação.
Nas mortes por doença prolongada, o processo de desligamento também é feito pouco a pouco, com o esgotamento paulatino da vitalidade orgânica, e o espírito vai preparando-se psicologicamente para a desencarnação e ambientando-se com o mundo espiritual que, às vezes, até começa a entrever, porque suas percepções estão transcendendo ao corpo.
Nas mortes violentas, o rompimento dos laços que ligam o espírito ao corpo é brusco e o espírito pode sofrer com isso, e a perturbação tende a ser maior. Em casos excepcionais, o espírito poderá sentir-se temporariamente preso ao corpo que se decompõe, o que lhe causará dolorosas impressões.

  1. Do grau de evolução do espírito desencarnante
De modo geral, quanto mais espiritualizado o desencarnante, mais facilmente consegue desvencilhar-se do corpo físico já sem vida. Quanto mais material e sensual tiver sido sua existência, mais difícil e demorado é o desprendimento.
A perturbação natural por se sentir desencarnado é menos demorada e menos dolorosa para o espírito evoluído. Quase que imediatamente ele reconhece sua situação, porque, de certa forma, já vinha libertando-se da matéria antes mesmo de cessar a vida orgânica. Logo retoma a consciência de si mesmo, percebe o ambiente em que se encontra e vê os espíritos ao seu redor. Para o espírito pouco evoluído, apegado à matéria, sem cultivo das suas faculdades espirituais, a perturbação é difícil, demorada, sendo acompanhada de ansiedade, angústia, e podendo durar dias, meses e até anos.

A Ajuda Espiritual

                A bondade divina, que sempre prevê e provê o de que precisamos, também não nos falta na desencarnação.
                Por toda parte há bons espíritos que, cumprindo os desígnios divinos, dedicam-se à tarefa de auxiliar na desencarnação os que retornam à vida espírita.
                Alguns amigos e familiares costumam vir receber e ajudar o desencarnante na sua passagem para o outro lado da vida, o que lhe dá muita confiança, calma e também alegria pelo reencontro.
                Todos receberão essa ajuda normalmente, se não apresentarem problemas pessoais e comprometimento com espíritos inferiores. Em caso contrário, o desencarnante às vezes não percebe nem assimila a ajuda, ou é privado dessa assistência, ficando à mercê de espíritos inimigos e inferiores, até que os limites da lei divina imponham um basta à ação destes e o espírito rogue e possa receber e perceber a ajuda espiritual.

AS MÃES DE CHICO XAVIER
Saulo Gomes (organizador)

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domingo, 21 de agosto de 2011

A VIDA NO ESPAÇO



                A condição dos espíritos na vida de além-túmulo, sua elevação, sua felicidade, tudo depende da respectiva faculdade de sentir e de perceber, que é sempre proporcional ao seu grau evolutivo.
                Os espíritos, envolvidos em fluidos espessos, sofrem as leis da atração e são inclinados para a matéria. Sob a influência dos apetites grosseiros, as moléculas do seu corpo fluídico fecham-se às percepções externas e os tornam escravos das mesmas forças naturais que governam a humanidade.
                Não há de insistir neste fato, porque ele é o fundamento da ordem e da justiça universais.
                As almas colocam-se e agrupam-se no espaço segundo o grau de pureza do seu respectivo invólucro; a condição do espírito está em relação direta com sua constituição fluídica, que é a própria obra, a resultante do seu passado e de todos os seus trabalhos. Determinando a sua própria situação, acham, depois, a recompensa que merecem.  Enquanto a alma purificada percorre a vasta e fulgente amplidão, repousa à vontade sobre os mundos e quase não vê limites ao seu vôo, o espírito impuro não pode afastar-se da vizinhança dos globos materiais.
                Entre esses estados extremos, numerosos graus permitem que espíritos similares se agrupem e constituam verdadeiras sociedades do invisível. A comunhão de sentimentos, a harmonia de pensamentos, a identidade de gostos, de vistas, de aspirações, aproximam e unem essas almas, de modo a formarem grandes famílias.
                Sem fadigas, a vida do espírito adiantado é essencialmente ativa. As distâncias não existem para ele, pois se transporta com rapidez do pensamento. Seu invólucro, semelhante a tênue vapor, adquiriu tal sutileza que o torna invisível aos espíritos inferiores. Vê, ouve, sente, percebe não mais pelos órgãos materiais que se interpõem entre nós e a natureza, mas, sim, diretamente, sem intermediário, por todas as partes do seu ser. Suas percepções, por isso mesmo, são muito mais precisas e aumentadas que as nossas. O espírito elevado desliza, no seio de um oceano de sensações deliciosas. Entretanto, por mais agradáveis que sejam essas impressões, pode subtrair-se a elas, e, se lhe aprouver, recolher-se-á, envolvendo-se num véu fluídico e insulando-se no seio dos espaços.
                 O espírito adiantado está liberto de todas as necessidades materiais. Para ele, não tem razão de ser a nutrição e o sono. Ao abandonar a Terra, deixa para sempre os vãos cuidados, os sobressaltos, todas as quimeras que envenenam a existência corpórea. Os espíritos inferiores levam consigo para além do túmulo os hábitos, as necessidades, as preocupações materiais. Não podendo elevar-se acima da atmosfera terrestre, voltam a compartilhar a vida dos entes humanos, intrometem-se nas suas lutas, trabalhos e prazeres. Suas paixões, seus desejos, sempre vivazes e aguçados pelo permanente contacto da humanidade, os acabrunham; a impossibilidade de os satisfazerem torna-se para eles causa de constantes torturas.
                Os espíritos não precisam da palavra para se fazerem compreender. O pensamento, refletindo-se no perispírito como imagem em espelho, permite-lhes permutarem suas idéias sem esforço, com uma rapidez vertiginosa. O espírito elevado pode ler no cérebro do homem e conhecer os seus secretos desígnios. Nada lhe é oculto. Perscruta todos os mistérios da natureza, pode explorar à vontade as entranhas do globo, o fundo dos oceanos, e assim apreciar os destroços das civilizações submersas. Atravessa os corpos por mais densos que sejam e vê abrir-se diante de si os domínios impenetráveis à humanidade.

Do livro: Depois da Morte – Léon Denis

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

A HORA FINAL I

                As sensações que precedem e se seguem à morte são infinitamente variadas e dependentes sobretudo do caráter, dos méritos, da elevação moral do espírito que abandona a Terra. A separação é quase sempre lenta, e o desprendimento da alma opera-se gradualmente. Começa, algumas vezes, muito tempo antes da morte, e só se completa quando ficam rotos os últimos laços fluídicos que unem o perispírito ao corpo. A impressão sentida pela alma revela-se penosa e prolongada quando esses laços são mais fortes e numerosos. Causa permanente da sensação e da vida, a alma experimenta todas as comoções, todos os despedaçamentos do corpo material.
                Dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. Há, ao contrário, luta, agonia prolongada no espírito preso à Terra, que só conheceu os gozos materiais e deixou de preparar-se para essa viagem.
                Entretanto, em todos os casos, a separação da alma e do corpo é seguida de um tempo de perturbação, fugitivo para o espírito justo e bom, que desde cedo despertou ante todos os esplendores da vida celeste; muito longo, a ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de fluidos grosseiros. Grande número destas últimas crê permanecer na vida corpórea, muito tempo mesmo depois da morte. Para estas, o perispírito é um segundo corpo carnal, submetido aos mesmos hábitos e, algumas vezes, às mesmas sensações físicas como durante a vida terrena.
                Outros espíritos de ordem inferior se acham mergulhados em uma noite profunda, em um completo insulamento no seio das trevas. Sobre eles pesa a incerteza, o terror. Os criminosos são atormentados pela visão terrível e incessante das suas vítimas.
                A hora da separação é cruel para o espírito que só acredita no nada. Agarra-se como desesperado a esta vida que lhe foge; no supremo momento insinua-se-lhe a dúvida; vê um mundo temível abrir-se para abismá-lo, e quer, então, retardar a queda. Daí, uma luta terrível entre a matéria que se esvai, e a alma, que teima em reter o corpo miserável. Algumas vezes, ela fica presa até à decomposição completa, sentindo mesmo, segundo a expressão de um espírito, “os vermes lhe corroerem as carnes”.
                Pacífica, resignada, alegre mesmo, é a morte do justo, a partida da alma que, tendo muito lutado e sofrido, deixa a Terra confiante no futuro.
                Para esta, a morte é a libertação, o fim das provas. Os laços enfraquecidos que a ligam à matéria, destacam-se docemente; sua perturbação não passa de leve entorpecimento, algo semelhante ao sono.

Do livro: Depois da Morte – Léon Denis

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

DESENCARNE

A HORA FINAL


As sensações que precedem e se seguem à morte são infinitamente variadas e dependentes sobretudo do caráter, dos méritos, da elevação moral do espírito que abandona a Terra. A separação é quase sempre lenta, e o desprendimento da alma opera-se gradualmente. Começa, algumas vezes, muito tempo antes da morte, e só se completa quando ficam rotos os últimos laços fluídicos que unem o perispírito ao corpo. A impressão sentida pela alma revela-se penosa e prolongada quando esses laços são mais fortes e numarosos. Causa permanente da sensação e da vida, a alma experimenta todas as comoções, todos os despedaçamentos do corpo material.

Dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. Há, ao contrário, luta, agonia prolongada no espírito preso à Terra, que só conheceu os gozos materiais e deixou de preparar-se para essa viagem.

Entretanto, em todos os casos, a separação da alma e do corpo é seguida de um tempo de perturbação, fugitivo para o espírito justo e bom, que desde cedo despertou ante todos os esplendores da vida celeste; muito longo, a ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de fluidos grosseiros. Grande número destas últimas crê permanecer na vida corpórea, muito tempo mesmo depois da morte. Para estas, o perispírito é um segundo corpo carnal, submetido aos mesmos hábitos e, algumas vezes, às mesmas sensações físicas como durante a vida terrena.

Outros espíritos de ordem inferior se acham mergulhados em uma noite profunda, em um completo insulamento no seio das trevas. Sobre eles pesa a incerteza, o terror. Os criminosos são atormentados pela visão terrível e incessante das suas vítimas.

A hora da separação é cruel para o espírito que só acredita no nada. Agarra-se como desesperado a esta vida que lhe foge; no supremo momento insinua-se-lhe a dúvida; vê um mundo temível abrir-se para abismá-lo, e quer, então, retardar a queda. Daí, uma luta terrível entre a matéria, que se esvai, e a alma, que teima em reter o corpo miserável. Algumas vezes, ela fica presa até à decomposição completa, sentindo mesmo, segundo a expressão de um espírito, “os vermes lhe corroerem as carnes”.

Pacífica, resignada, alegre mesmo, é a morte do justo, a partida da alma que, tendo muito lutado e sofrido, deixa a Terra confiante no futuro. Para esta, a morte é a libertação, o fim das provas. Os laços enfraquecidos que a ligam à matéria, destacam-se docemente; sua perturbação não passa de leve entorpecimento, algo semelhante ao sono. Deixando sua residência corpórea, o espírito, purificado pela dor e pelo sofrimento, vê sua existência passada recuar, afastar-se pouco a pouco com seus amargores e ilusões, depois, dissipar-se como as brumas que a aurora encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer. O espírito acha-se, então, como que suspenso entre duas sensações: a das coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha à frente. Entrevê essa vida como através de um véu, cheia de encanto misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Após, expande-se a luz, não mais a luz solar que nos é conhecida, porém uma luz espiritual, radiante, por toda parte disseminada. Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela, um tanto de vigor, de remoçamento e de serenidade. O espírito mergulha nesse banho reparador, aí se despoja de suas incertezas e de seus temores. Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu leito mortuário0, e dirige-se para as alturas. Divisa os céus imensos e outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais belos que vêm recebê-lo, guiá-lo no ceio dos espaços. Com eles caminha e sobe às regiões etéreas que seu grau de depuração permite atingir. Cessa, então, sua perturbação, despertam faculdades novas, começa o seu destino feliz.

A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a posição moral dos espíritos. Aqueles cujas existências se desenrolam indecisas, sem faltas graves nem méritos assinalados, acham-se, a princípio, mergulhados em um estado de torpor, em um acabrunhamento profundo; depois, um choque vem sacudir-lhes o ser. O espírito sai, lentamente, de seu invólucro: como uma espada da bainha; recobra a liberdade, porém, hesitante, tímido, não se atreve a utilizá-la ainda, ficando cerceado pelo temor e pelo hábito aos laços em que viveu. Continua a sofrer e a chorar com os entes que o estimaram em vida. Assim corre o tempo, sem ele o medir; depois de muito, outros espíritos auxiliam-no com seus conselhos, ajudando a dissipara sua perturbação, a libertá-lo das últimas cadeias terrestres e a elevá-lo para ambientes menos obscuros.

Em geral, o desprendimento da alma é menos penosos depois de uma longa moléstia, pois o efeito desta é desligar pouco a pouco os laços carnais. As mortes súbitas, violentas, sobrevindo quando a vida orgânica está em sua plenitude, produzem sobre a alma um despedaçamento doloroso e lançam-se em prolongada perturbação. Os suicidas são vítimas de sensações horríveis. Experimentam, durante anos, as angústias do último momento e reconhecem, com espanto, que não trocaram seus sofrimentos terrestres senão por outros ainda mais vivazes.

O conhecimento do futuro espiritual, o estudo das leis que presidem à desencarnação são de grande importância como preparativos à morte. Podem suavizar os nossos últimos momentos e proporcionar-nos fácil desprendimento, permitindo mais depressa nos reconhecermos no mundo novo que se nos desvenda.



DEPOIS DA MORTE – LÉON DENIS