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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


domingo, 13 de abril de 2014

HISTÓRIA - O Pintor

                Certo pintor foi contratado para pintar o barco de um homem rico, que morava na mesma cidade que ele. Durante seu trabalho, perceber um furo no casco, que poderia provocar o afundamento da embarcação e por em risco seus ocupantes. Reparou o problema e concluiu seu trabalho, deixando o barco como novo.
                Dias depois, o dono do barco o procurou para pagar pelo serviço feito. Ao receber o cheque, o pintor notou que o valor era muito superior ao combinado. Estende-o de volta, informa o emitente sobre o erro e o valor correto. E o homem rico se explica:
                - O cheque é seu e você merece o valor que registrei aí. Depois que recebi o barco de volta, pintado, e deixei que meus filhos saíssem nele, é que me lembrei do furo no casco, que queria ter-lhe pedido que reparasse antes da pintura. Corri, desesperado, até à beira do lago, imaginando que o barco teria afundado e meus filhos morrido. Encontrando-os de volta à terra firme, tomei conhecimento de que você havia feito o conserto sem que eu lhe pedisse. Além do serviço perfeito, você não me cobrou por ele. Aliás, sequer o mencionou. Você tem ideia do que fez? Foi além do demandado e salvou a vida dos meus filhos. Receba o cheque – você merece cada centavo.
                O pintor ouviu com atenção e retrucou:
                - Por favor, pegue seu cheque de volta e me faça outro, no valor que havíamos combinado pela pintura. Não me tire a oportunidade e o prazer de ter sido útil sem ganho financeiro. A alegria que sinto, sabendo que fui útil, ainda mais acrescido com a possibilidade de ter salvado as vidas de seus filhos, é pagamento mais do que suficiente pelo que fiz. Além disso, creio que a vida deles vale muito mais do que isso. Mesmo que e aceitasse seu dinheiro, não creio que você consideraria que foi o suficiente.
                Essa parábola, cuja origem é desconhecida, nos leva a refletir nas nossas motivações. De tudo o que fazemos num dia de trabalho, o que é motivado pela remuneração pretendida, e o que é pelo espírito de servir além do pagamento? Quanto somos levados a agir em troca de algo, e quanto apenas pelo prazer de fazer um bem, mesmo que pequeno? Que fração de nós é mercantil, e que fração é benemérita? Já aprendemos a agir de forma totalmente desinteressada, pelo menos em algumas oportunidades, ou só nos movimentamos tendo em vista alguma compensação?
                Trabalhar por um salário é justo e necessário, afinal de contas precisamos sobreviver. Mas trabalhar só pelo salário é muito empobrecedor. Qualquer um que só vise o ganho, financeiro ou não, sempre recebe mais do que vale.
                O espírito de servir vai muito ale do simples trabalhar. Implica uma doação de algo que flui da alma e só pode fazê-lo quem tem o que doar. Mercenários que somos na maior parte do tempo, sempre pensamos em termos de reciprocidade. Num mundo mesmerizado pelo consumismo exacerbado, pensamos o tempo todo em termos de troca – o que ganho, se lhe dou isso? Qual a paga pelo meu esforço extra? Quanto vale cada gesto que faço?
                Nessa pauta, perdemos um dos prazeres mais puros e, talvez, o que mais dignifica o homem – o prazer de servir, de fazer o bem pelo bem. Essa incapacidade é que nos leva a cobrar a gratidão do outro – “Não precisa me pagar; basta-me um ‘muito obrigada’! “Na própria expressão de agradecimento está o aprisionamento moral do beneficiado, que passa a estar obrigado a uma contrapartida. E recusamos novos préstimos, se o outro não é agradecido o suficiente.
                Doadores não cogitam retorno.
                Conta-se que alguém, observando o trabalho abnegado de Madre Teresa de Calcutá, disse-lhe:
                - Irmã, por dinheiro nenhum do mundo eu faria o que a senhora faz!”.
E ela respondeu:
- “Nem eu, meu filho, nem eu.”
Poucos entendem essa postura, e muitos a reprocham.
O ato de bondade desinteressado é alimento para nossas almas.

José Lourenço de Souza Neto

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – janeiro/2014
imagem: www.sidneylace.com.br

2 comentários:

Leonice disse...

Este texto nos deixa uma grande reflexão!!

Quantas e quantas vezes ouvimos esta frase -"Não sou pago pra isso", no entanto quanto e quanto nos sentimos felizes, em paz e realizados ao fazer algo de bom, com amor no coração, fazer por simplesmente querer ajudar, sem interesse algum...
Um carinhoso abraço Denise e muita paz.

tesco disse...

Interessante que não lembro que alguém tenha me oferecido serviço a mais além do combinado.
Porém, ao lembrar dos serviços prestados de graça, e por gente que nem me conhecia, sinto-me devedor.
Beijos.