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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

MÚSCULOS PARA A ALMA

A jovem reclamava sofrer a perseguição de um Espírito que não a deixava em paz. Ideias infelizes, sentimentos negativos, angústia, tristeza, denunciavam a presença da entidade malfazeja.
E apelava, aflita, dirigindo-se a Chico Xavier:
– Não suporto mais essa pressão! Minha vida está se transformando num inferno. O que devo fazer para libertar-me desse obsessor que me deixa agoniada?
O médium, com a delicadeza que o caracterizava, respondeu, bem-humorado:
– Trabalhe, minha filha. Trabalhe muito, até desfalecer. Quando a gente desmaia de cansaço o obsessor não consegue nos envolver…
O comentário do médium lembra o velho ditado:
Mente vazia é forja do demônio.
Quando não temos o que fazer, afloram as tendências inferiores, favorecendo a sintonia com Espíritos que nos perturbam.
Nossa defesa, portanto, é o trabalho, que disciplina a mente, mantendo-a ocupada, sem aberturas para as sombras.
Na questão 683, de O Livro dos Espíritos, interroga Allan Kardec:
Qual o limite do trabalho?
A resposta é surpreendente:
“O das forças. Em suma, a esse respeito Deus deixa inteiramente livre o homem.”
Dirá você, leitor amigo, que o mentor mais parece diligente representante dos patrões!
Trabalhar até a exaustão lembra os primórdios da Revolução Industrial, no século XVIII, quando havia jornadas de trabalho de dezesseis horas, mal sobrando tempo para o repouso.
Sossegue! Não é esse o sentido da sua observação.
Trabalho é toda iniciativa que representa atividade disciplinada.
Ao escrever estas linhas estou exercitando um trabalho de produção literária.
Meus filhos, na escola, exercitam o trabalho de aprendizado.
A serviçal doméstica, nos afazeres do dia, exercita um trabalho braçal.
O profitente religioso, em oração, exercita um trabalho espiritual.
O voluntário da obra assistencial, atendendo a família carente, exercita um trabalho de filantropia.
O importante, em favor de nossa estabilidade, é estar sempre ativo, considerando que todo processo obsessivo tende a instalar-se na hora vazia.
Não é por outra razão que há nos hospitais psiquiátricos núcleos de praxiterapia, literalmente a terapia do trabalho, oferecendo ocupação aos pacientes, a qual, associada à medicação, favorecerá sua recuperação.
Quando falamos em influências espirituais, imperioso considerar que se há Espíritos interessados em nos envolver e prejudicar, há também os que procuram nos ajudar.
                E se os maus são atraídos pela ociosidade, os bons aproximam-se na medida em que nos vejam ativos, principalmente quando cultivamos iniciativas no campo do Bem, o mais nobre de todos os serviços.
Quanto maior o nosso empenho em servir o próximo, mais ampla a atenção de Benfeitores espirituais, interessados em nos utilizar como instrumentos para abençoadas tarefas em favor dos sofredores de todos os matizes.
Por isso, a par do tratamento espiritual, com passes magnéticos, reuniões de desobsessão, vibrações, orientação de leitura, cursos, é fundamental que o Centro Espírita crie uma estrutura de serviços em favor da multidão carente e sofredora, que constitui boa parcela da população, em qualquer cidade.
E que se vinculem a esses serviços as pessoas que se queixam da falta de motivação, apáticas, depressivas, comprometidas com a inércia.
Abençoada seja a exaustão física que venhamos a experimentar nesse empenho, a situar-se como vigoroso exercício que fortalece os músculos da alma, habilitando-nos a resistir às incursões das sombras.

Richard Simonetti

Fonte: Reformador – março/2006
imagem: google

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