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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

MEDO


      Decorrente dos referidos fatores sociológicos, das pres­sões psicológicas, dos impositivos econômicos, o medo as­salta o homem, empurrando-o para a violência irracional ou amargurando-o em profundos abismos de depressão.
Num contexto social injusto, a insegurança engendra muitos mecanismos de evasão da realidade, que dilaceram o comportamento humano, anulando, por fim, as aspirações de beleza, de idealismo, de afetividade da criatura.
Encarcerando-se, cada vez mais, nos receios just ificáveis do relacionamento instável com as demais pessoas, surgem as ilhas individuais e grupais para onde fogem os indivíduos, na expectativa de equilibrarem-se, sobrevivendo ao tumulto e à agressividade, assumindo, sem darem-se conta, um com­portamento alienado, que termina por apresentar-se igualmen­te patológico.
As precauções para resguardar-se, poupar a família aos dissabores dos delinquentes, mantendo os haveres em luga­res quase inexpugnáveis, fazem o homem emparedar-se no lar ou aglomerar-se em clubes com pessoal selecionado, per­dendo a identidade em relação a si mesmo, ao seu próximo e consumindo-se em conflitos individualistas, a caminho dos desequilíbrios de grave porte.
Os valores da nossa sociedade encontram-se em xeque, porque são transitórios.
Há uma momentânea alteração de conteúdo, com a con­seqüente perda de significado.
A nova geração perdeu a confiança nas afirmações do passado e deseja viver novas experiências ao preço da aluci­nação, como forma escapista de superar as pressões que so­fre, impondo diferentes experiências.
A quantidade expressiva de atemorizados trabalha a qua­lidade do receio de cada um, que cresce assustadoramente, comprimindo a personalidade, até que esta se libere em des­regramento agressivo, como forma de escapar à constrição.
Na luta furiosa, as festas ruidosas, as extravagâncias de conduta, os desperdícios de moedas e o exibicionismo com que algumas pessoas pensam vencer os medos íntimos, ape­nas se transformam em lâminas baças de vidro pelas quais observam a vida sempre distorcida, face à óptica incorreta que se permitem. São atitudes patológicas decorrentes da fra­gilidade emocional para enfrentar os desafios externos e in­ternos.
Adaptando-se às sombras dominadoras da insensatez, neglicencia o sentido ético gerador da paz.
O excesso de tecnicismo com a correspondente ausência de solidariedade humana produziram a avalanche dos recei­os.
A superpopulação tomando os espaços e a tecnologia re­duzindo as distâncias arrebataram a fictícia segurança indivi­dual, que os grupos passaram a controlar, e as conseqüências da insânia que cresce são imprevistas.
Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de condu­ta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no or­ganismo social e individual necrosado.
Todavia, é no cerne do ser — o Espírito — que se encon­tram as causas matrizes desse inimigo rude da vida, que é o medo.
Os fenômenos fóbicos procedem das experiências passa­das — reencarnações fracassadas —, nas quais a culpa não foi liberada, face ao crime haver permanecido oculto, ou dissi­mulado, ou não justiçado, transferindo-se a consciência fal­tosa para posterior regularização.
O medo é fator dissolvente na organização psíquica do homem, predispondo-o, por somatização, a enfermidades di­versas que aguardam correta diagnose e específica terapêuti­ca.
À medida que a consciência se expande e o indivíduo se abriga na fé religiosa racional, na certeza da sua imortalida­de, ele se liberta, se agiganta, recupera a identidade e huma­niza-se definitivamente, vencendo o medo e os seus sequa­zes, sejam de ontem ou de agora.

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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