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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 4 de abril de 2012

ADOLESCÊNCIA - FASE DE TRANSIÇÃO E DE CONFLITOS I

       
A adolescência é o período próprio do desenvolvimento físico e psicológico, que se inicia aproximadamente aos catorze anos para os rapazes
e aos doze anos para as moças, prolongando-se, até aos vinte e dezoito anos,
respectivamente, nos países de clima frio, sendo que nos trópicos há uma variação para mais cedo.
Nessa fase, há um desdobramento dos órgãos secundários do sexo,
dando surgimento aos fatores propiciatórios da reprodução, como sejam o
espermatozóide no fluido seminal e o catamênio. Os rapazes experimentam
alterações na voz, enquanto as moças apresentam desenvolvimento dos ossos
da bacia, dos seios, o que ocorre com certa rapidez, normalmente
acompanhados pelo surgimento da afetividade, do interesse sexual e dos
conflitos na área do comportamento, como insegurança, ansiedade, timidez,
instabilidade, angústia, facultando o espaço para desenvolvimento e definição da personalidade, aparecimento das tendências e das vocações.
Completando a reencarnação, o adolescente passa a viver a experiência
nova, definindo os rumos do comportamento que o tempo amadurecerá através
da vivência dos novos desafios.
Inadaptado ao novo meio social no qual se movimentará, sofre o conflito
de não ser mais criança, encontrando-se, no entanto, sem estrutura organizada
para os jogos da idade adulta. É, portanto, o período intermediário entre as duas fases importantes da existência terrena, que se encarrega de preparar o
ser para as atividades existenciais mais profundas.
Inseguro, quanto aos rumos do futuro, o jovem enfrenta o mundo que lhe
parece hostil, refugiando-se na timidez ou expandindo o temperamento,
conforme sejam as circunstâncias nas quais se apresentem as propostas de vida.
As bases de sustentação familiar, religiosa e social, sentem-lhe os
embates dos desafios que enfrenta, pois relaciona tudo quanto aprendeu com o
que encontra pela frente.
Não possuindo a maturidade do discernimento, e fascinado pelas
oportunidades encantadoras que lhe surgem de um para outro momento, atira-se com sofreguidão aos prazeres novos sem dar-se conta dos comprometimentos que passa a firmar, entregando-se às sensações que lhe
tomam todo o corpo.
Outras vezes, vitimado por conflitos naturais que surgem da incerteza de
como comportar-se, refugia-se no medo de assumir responsabilidades
decorrentes das atitudes e faz quadros psicopatológicos, como depressão,
melancolia, irritabilidade, escamoteando o medo que o assalta e o intimida.
Nos dias atuais as licenças morais são muito agressivas, convidando o
jovem, ainda inadequado para os jogos velozes do prazer, a lances audaciosos
na área do sexo, que parece constituir-lhe a meta prioritária em que chafurda
até o cansaço, dando surgimento à usança de recursos escapistas, que não
atendem às necessidades presentes, antes mais o perturbam, comprometendo-o de maneira lamentável.
Nesse período, o corpo adolescente é um laboratório de hormônios que
trabalham em favor das definições orgânicas, ao tempo em que o psiquismo se
adapta às novas formulações, passando um período de ajustamento que deve
facultar o amadurecimento dos valores éticos e comportamentais.
Como é compreensível, a escala de valorização da vida se modifica ante o mundo estranho e atraente que ele descortina, contestando tudo quanto antes lhe constituía segurança e estabilidade.
Os novos painéis apresentam-lhe cores deslumbrantes, e não encontrando conveniente orientação, educação consistente, firmadas no
entendimento das suas necessidades, contesta e agride os valores
convencionais, elaborando um quadro compatível com o seu conceito, no qual
passa a comprazer-se, ignorando os cânones e paradigmas nos quais se
baseiam os grupos sociais, que perdem, para ele, momentaneamente, o significado.
A velocidade da telecomunicação, a diminuição das distâncias através dos recursos da mídia, da computação, das viagens aéreas, amedrontam os
caracteres mais frágeis, enquanto estimulam os mais audaciosos, propondo-lhes o descobrimento do mundo e o sorver de todos os prazeres quase que de
um só gole.

ADOLESCÊNCIA E VIDA       
DIVALDO PEREIRA FRANCO/JOANNA DI ÂNGELIS

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