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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DROGADIÇÃO - COMO CONQUISTAR A CURA DA DEPENDÊNCIA


A cura das enfermidades, quando possível, necessita, antes de tudo, do interesse do doente. Ninguém pode se curar no lugar dele. Embora seja óbvia essa ponderação, há pessoas que, apesar de doentes, não demonstram interesse em recuperar a saúde, não aceitando o tratamento indicado.
                A vontade de se curar ganha relevância quando o paciente a ser tratado é o dependente químico. Não se pode esquecer que a descoberta do problema poderá se deparar com um obstáculo a ser vencido? “Não sou viciado, paro quando quero”, é o que dizem. Mas, caso se insista, poderá dizer um enérgico: “Não me aborreça!”.
                Nesse caso, será exigida dos familiares compreensão e paciência, com reaproximação afetiva e discreta do jovem sob tormenta, sob o cuidado de não assumir de um momento para o outro o controle de sua vida. Isso irá afastá-lo mais.
                O importante é estabelecer um clima de confiança, com um diálogo amigo e respeitoso, capaz de levar ao entendimento. A partir daí, haverá menos dificuldades em aceitar o tratamento. É evidente que, se desde logo houver o reconhecimento da dependência, as possibilidades de reabilitação se ampliam.
                Todavia, é preciso ficar claro que o tratamento da dependência de drogas não significa a internação do paciente. São as constatações acerca da freqüência e espécie de droga consumida que ajudarão a definir a espécie de tratamento a ser buscado, como visto.
                Quando se tratar da dependência do álcool, com o consumo diário, haverá necessidade de internação hospitalar para se atenuar os sintomas da ceise de abstinência, provocados pela falta da bebida no organismo, que reagirá intensamente durante o período de desintoxicação.
                Essa internação é apenas preparatória para o ingresso em programa de reabilitação de longa duração, que poderá ser em regime de internato ou n ao, dependendo das condições físicas, psicológicas e sociais do paciente. Em todo caso, será importante integrá-lo em grupos de autoajuda. Porém, o maior desafio no tratamento do alcoolismo, sem a internação, está na mistura que o paciente costuma fazer ao tomar os remédios recomendados e beber escondido.
                Se o consumo for somente de maconha, ainda que diário, é importante que se tente inicialmente o tratamento com psicólogos, grupos de autoajuda, e por fim avaliação psiquiátrica, sem internação.
                No entanto, se a dependência instalada for de cocaína ou crack, associadas ou não a outras drogas, somente com a internação será possível tratar o paciente, pelas graves conseqüências que essas drogas produzem no corpo e na mente. Só não se justifica a internação se o consumo dessas drogas for esporádico.
                Deve-se levar em conta ainda o histórico de vida do paciente que, apesar da dependência, tem conseguido trabalhar e cumprir os horários. Sendo importante, nesse caso, tentar o tratamento sem internação, a fim de que não se rompa seu vínculo com a disciplina imposta por atividades estudantis ou profissionais, caso não representem perigos para o paciente nem para os outros.
                Em qualquer caso, não se pode desconsiderar que, internado ou não, a adoção de atividades que despertem a espiritualidade e permitam a ocupação útil do paciente contribui significativamente para elevar a sua autoestima, que, por sua vez, enseja a motivação para se abancar no tratamento.
                Quando o paciente solicita a internação com insistência, é muito provável que esteja sob grave ameaça a sua integridade física, em virtude de dívidas contraídas com a compra de drogas, pressionada e com medo, a pessoa ameaçada tende a esconder esse fato de seus familiares, o que poderá resultar e agressões físicas ou morte.
                No curso das avaliações, o paciente sob ameaça tem prioridade no ingresso para ser colocado o quanto antes sob proteção especial. Os pais costumam omitir tais ameaças, porque sofrem a coação das cobranças à porta de casa, exercidas diretamente pelos traficantes, mas não têm a coragem de denunciá-los à polícia, porque temem pela represália desses criminosos. Não são pouco os jovens que, em decorrência do sofrimento, buscam com determinação a terapia.
                As experiências indicam que o tratamento da dependência é procurado pela maioria somente quando a família não suporta a situação, inclusive por acreditar nas promessas difíceis de serem cumpridas pelo dependente. Quando não de uma grande confusão, como a prisão em flagrante, porque o dependente foi surpreendido furtando bens para conseguir a droga, ou um acidente de trânsito so o efeito de bebidas ou drogas ilícitas.
                Todavia, nem sempre o toxicômano tem o tempo a seu favor, para realizar o caminho de volta. Algo muito trágico pode surpreendê-lo de maneira irremediável, seja quando assassinado pelas mãos ávidas de vingança dos narcotraficantes, ou pela morte em acidentes com veículos, ou, ainda, quando vítima de overdose. Alguns jovens foram, lamentavelmente, assassinados, poucos dias antes da data marcada para a internação.
                Crescem os casos de adolescentes drogaditos que são apresentados para o tratamento pelos avós, porque os pais são igualmente dependentes. As avós nos surgem como verdadeiros anjos de ternura, cujos semblantes, apesar de vincados pela angústia e pelas marcas do tempo, seguem saturados de bondade e paciência, enquanto relatam, resignadas, os seus padecimentos, demonstrando que sublimaram a dor. Não se rebelam ante o problema, parecem preparadas para suportar tudo, ante a força do amor incondicional que nutrem pelos netos. Corajosas, não escondem o que sentem, deixam que as lágrimas corram dos olhos para o coração.
                Certo dia, uma avó nos disse:
                “Preciso salvar o meu neto, porque os pais á não têm mais jeito. Estão perdidos no crack e, sem rumo, saíram pelo mundo afora. Agora somente eu e ele moramos juntos. Necessito tirar o meu neto das drogas. Mas eu sou pobre, vivo de minha pequena aposentadoria. Às vezes, nos faltam dos remédios à comida porque meu neto leva o pouco dinheiro que tenho.”
                A idosa senhora, embora de pouca instrução escolar, havia adquirido a sabedoria na universidade da vida. Resoluta, preocupava-se com a saúde e a educação do neto. Mas reclamava que, com as drogas, o neto deixara de lhe obedecer. Sentia que o perdia, dia após dia, porque passara a chegar em casa às altas horas da madrugada. Estava viciado em cocaína.
                A seguir, falamos com Theo, 16 anos, que demonstrando tristeza e emoção disse:
                “Meu pai deixou minha mãe quando eu tinha 12 anos. Pouco depois, ela passou a beber e a consumir crack. Ela se fechava no quarto e consumia drogas em casa mesmo. Muitas vezes, a vi deitada no chão de bruços. Se eu tentasse ajudá-la, ela gritava para eu não me aproximar. Um dia arrumou as malas e disse que iria atrás de meu pai, e nunca voltou. Por isso, estou morando com a minha avó há dois anos. Minha mãe nunca mais nos procurou. Farei o tratamento, não por mim, mas pela minha avó. Já não suporto mais vê-la chorar e rezar de joelhos, em frente à imagem de Nossa Senhora.”
                Em razão das emoções que foi levado a sentir ao recordar do sofrimento de sua avó, Theo não conseguiu prosseguir. Repentinamente, as lágrimas inundaram seus olhos, momento em que cuidamos de reanimá-lo, relacionando suas reais possibilidades de vencer as drogas. Menos fragilizado, perguntou: “Então, quando posso começar?”
                Assim, chamamos a avó para integrar o momento final do encontro, informando-lhe quais providências teriam de ser adotadas para o breve ingresso.
                No entanto, cinco dias depois, a avó telefonou aflita, informando que o seu neto havia desaparecido, mas que estava providenciando os exames solicitados, porque aquela não era a primeira vez que ele se ausentava de casa.
                No dia seguinte, o jornal noticiava que o corpo de Theo havia sido encontrado em um canavial, alvejado por muitos disparos de arma de fogo.
                A notícia trouxe enorme frustração à nossa equipe, porque não dói possível alcançar a tempo a vida de Theo, seqüestrado que fora por mãos homicidas. Não foi possível saber se, quando da entrevista, Theo á estava sob ameaça. Se eventualmente soubesse, não a revelou por medo ou porque não e importância ao fato.
                O crime abriu profunda ferida no coração de sua avó, enquanto ampliava o número de homicídios de adolescentes, decorrentes da dependência química.
                A melhor prevenção da dependência, ou a sua cura, começa pela ação da família, ao se equipar de conhecimentos a respeito do assunto, freqüentar os grupos de autoajuda e adotar práticas que despertem os sentimentos de espiritualidade.
                Introduzir no lar o estudo do evangelho do Cristo, apertar ou reatar os laços com a religião da família são providências que não passarão desprotegidas pelo filho envolvido com as drogas. Pouco a pouco ele aceitará o tratamento, ao ver a mobilização dos familiares em torno da oração e da fé. Essas demonstrações de amor o sensibilizarão com certeza, e produzirão em tempo os resultados desejados, especialmente pela eficácia da atuação das forças do invisível.
                Ainda que o dependente olhe com desdém, a movimentação dos familiares, esse cerco afetivo o ajudará a aceitar ajuda. O desejo de se curar, embora seja extremamente subjetivo, é percebido através  de alguns indícios.
                Nas entrevistas avaliativas, busca-se realizar uma leitura emocional do dependente, avaliando suas reações durante a conversa, com o intuito de se examinar o grau de complexidade de cada situação.
                Esse desejo, quando inexistente, há de ser conquistado pelo grupo familiar, porque o quanto antes se iniciar a terapia, melhor. Ninguém ignora os permanentes riscos a que o dependente estará exposto, enquanto não se liberar do vício.
                Há um momento em que o somatório de padecimentos físicos e morais lhe pesam tanto que levam o dependente à intensa saturação do problema, surgindo, senão o desejo, a necessidade imperiosa de abandonar os becos do tráfico, para a retomada dos caminhos que o lêem a uma vida saudável.
                Por distração ou espírito de aventura, ou mesmo para completar seus vazias emocionais ou, ainda, para calar suas angústias, derivadas de conflitos psicológicos, transtornos neurológicos ou por processo obsessivo, ninguém consegue deixar os tóxicos para continuar sendo o mesmo.
                Abandonar as drogas e se curar exige uma ampla transformação pessoa. Significa romper com o modelo de vida que não deu certo. Se houve coragem para se lançar às drogas, o agora reclama igualmente ousadia, esforço e perseverança para a adoção de um novo paradigma, a se constituir em um Projeto de Vida.
                Se após a terapia a pessoa retoma os velhos hábitos e volta aos mesmos ambientes no convívio com as mesmas companhias, em pouco tempo poderá se contaminar de novo com as fragilidades, com as circunstâncias e a convivência que cuidarão de atraí-lo de volta às drogas.
                Isso não significa que, após a terapia, a família deva mudar de endereço, porque as drogas lamentavelmente estão presentes em quase todos os bairros e cidades.
                A mudança há de ser pessoal e intransferível. A cura real será o resultado da transformação interior, uma vez que o ser humano é o que pensa e realiza, não o que ele diz e deseja.
                A verdadeira saúde não se restringe apenas à harmonia e ao funcionamento dos órgãos, possuindo maior extensão, que abrange a serenidade íntima, o equilíbrio emocional e as aspirações estéticas, artísticas, culturais, religiosas.

Filhos da dor – prevenção e tratamento da dependência de drogas
Relatos e casos reais – Vilson Disposti

(continua)

AS MÃES DE CHICO XAVIER
Saulo Gomes (organizador)
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