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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CRUELDADE I

Psicogênese da Crueldade
            Na raiz da crueldade existe um transtorno profundo da personalidade.
            Essa alienação perversa origina-se em conduta criminosa pretérita, quando o espírito, sentindo-se injustiçado por não entender as leis de equilíbrio que vigem no Cosmo, tomou a falsa justiça como sua responsabilidade.
            O crime não foi desvelado, ficando no agressor as marcas do sentimento perverso, que se ressumam em crueldade.
            Pode ser que a justiça haja descoberto o homicida e tenha-o levado ao tribunal para prestar contas à sociedade, sendo-lhe aplicada a punição compatível, conforme a lei. Ao invés do transgressor utilizar-se da corrigenda para refazer-se emocionalmente, revoltou-se e na convivência de outros companheiros desditosos, introjetou o veneno do ódio, infelicitando-se. Hoje encontram-se assinaladas na conduta as reações de mágoa e de vingança contra a humanidade que passou a detestar.
            Ao renascer, imprimiu nos tecidos do cérebro as impressões grotescas que lhe influenciam as conexões neuroniais, dando lugar a uma personalidade alienada, insensível, hedionda.
            Em face da lei de causa e efeito renasceu em um lar desagregado, a fim de experimentar os efeitos infelizes das suas ações nefastas, padecendo a injunção de sofrimentos impostos pela mãe enferma ou alcoólica, do pai desarvorado e destituído de compaixão, que lhe aplicaram injustificadas punições ou o expulsaram do lar, atirando-o na voragem das ruas infectas e sombrias da criminalidade.
            Sob outro aspecto, num ambiente mais róseo, econômica em oralmente desenvolveu a inveja e a amargura, não conseguindo superar a inferioridade espiritual que o precipitou novamente nos desvãos da perversidade, cultivando desdém contra as demais criaturas, desejando criva-las de espinhos.
            Em alguns quadros da esquizofrenia encontramos o paciente perverso, que é totalmente destituido de sentimento de culpa ou de consciência de dever, mantendo-se impassível diante do mais tenebroso comportamento que se permite.
            Com imensa capacidade de dissimular os sentimentos, pode manter-se de maneira afável e gentil, para logo expressar-se na sua realidade cruel, quando maltrata e predispõe –se a dizimar aquele contra quem volta o temperamento doentio.
            A ausência de amor, produziu-lhe desvios emocionais, em face do cérebro padecer a escassez de progesterona e serotonina, desarmonizando-lhe as sinapses.
            Sendo o criminoso fruto de uma convivência infeliz com a mãe desnaturada, que não teve condições de amar ou atender o filho, aplicando-lhe sovas contínuas, agredindo-o com expressões danosas, desenvolvendo nele a capacidade de odiá-la, que se refletiu na sociedade a quem culpa pelos sofrimentos experimentados. Toda vez quando agride ou fer, mata ou estupra, no seu inconsciente está fazendo-o à sua mãe ou ao pai detestados, que pretende destruir.
            Esta é a história de criminosos seriais, de bandidos profissionais remunerados para o crime, que apresentam altíssimo índice de crueldade, sem que dêem conta do estado em que se encontram.
            As punições legais aplicadas, nada conseguem com respeito à sua modificação emocional. Mais correto seria o tratamento psiquiátrico, para torna-los úteis, no cerceamento à liberdade, pelo menos a si mesmos, e mais remotamente à sociedade à qual não se sentem vinculados.
            Em pessoas de comportamento normal, a ingestão do ódio em face de preconceitos e injustiças impostas, pode desenvolver a crueldade sobrecarregada com o peso da culpa e da autocompaixão tornando-lhes o fardo mais afligente.
            Na amargura que as domina, surgem crises de arrependimento e formulam propósitos de renovação, que se podem fixar quando encontram apoio, afetividade e compreensão fraternal.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

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