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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O PRIMEIRO LUGAR E O HOMEM INDISPENSÁVEL


   Na área dos conflitos psicológicos a competição surge, quase sempre, como estímulo, a fim de fortalecer a combali­da personalidade do indivíduo que, carente de criatividade, apega-se às experiências exitosas que outros realizaram, para impor-se e, assim, enfrentar as próprias dificuldades, esca­moteando-as com o esforço que se aplica na conquista do que considera meta de triunfo.
Ambicionando a realização pessoal e temendo o insuces­so que, afinal, é um desafio à resistência moral e à sua perse­verança no ideal, prefere disputar as funções e cargos à fren­te, sem qualquer escrúpulo, em luta titânica, na qual se des­gasta, esperando compensações externas, monetárias e de promoção social, assim massageando o ego, ambicioso e frá­gil.
O homem que age desta forma, está sempre um passo atrás da sua vítima provável, que de nada suspeita e ajuda-o, esti­mula-o até padecer-lhe a injunção ousada quão lamentável.
Por sua vez, o triunfador não se apercebe que. no degrau deixado vago, já alguém assoma utilizando-se dos mesmos artifícios ou mascarando-os com os olhos postos no seu tro­no passageiro.
A competição saudável, em forma de concorrência, fo­menta o progresso, multiplica as opções, abre espaços para todos que, criativos, propõem variações do mesmo produto, novidades, idéias originais, renovação de mercado.
De outra forma, as personalidades conflituosas, arquite­tando planos de segurança, apegam-se ao trabalho que reali­zam, às empresas onde laboram, crendo-se indispensáveis, responsáveis pelo primeiro lugar que conseguiram com sa­crifício, e transferem-se, psicologicamente, para a sua Entidade. Somente se sentem felizes e compensadas quando discutem o seu trabalho, a sua execução, a sua importância. O lar, a família, o repouso, as férias se descobrem, porque não preenchem as falsas necessidades do ego exacerbado. Respi­ram o clima de preocupação do trabalho em toda parte e vi­vem em função dele.
Sentem o triunfo após os anos de lutas exaustivas, e in­formam que, a sua saída seria uma tragédia, um caos para a organização, já que são pessoas-chaves, molas-mestras, sem as quais nada funciona, ou se tal se dá é precariamente.
Não percebem que o tempo escoa na ampulheta das ho­ras, os métodos de ação se renovam, o cansaço os vence, a vitalidade diminui e, no degrau, imediatamente inferior, já está o competidor, jovem ambicioso aguardando, disputan­do, aprendendo a sua técnica e mais bem equipado do que ele, em condições de substituí-bo com vantagens. A sua ce­gueira não lhes permite enxergar.
Quando o observam, depri­mem-se, revoltam-se contra os limites orgânicos inexoráveis, utilizando-se de artifícios para prosseguirem.
Dão-se conta que passaram a ser constrangimento no tra­balho, que pensavam pertencer-lhes, lamentando-se, queixan­do “que deram a vida e agora colhem ingratidão”. Certamen­te, os homens indispensáveis doaram a vida como fuga de si mesmos e ofereceram-na a um ser sem alma, sem coração, que apenas objetiva lucros, portanto, insensível, impessoal... Ali, os filhos substituem os pais, expulsam-nos, jovialmente, sob a alegação de que estes merecem o justo repouso, as viagens de férias que nunca tiveram; aposentam-nos. Livram a Empresa deles, de sua dominação, não mais condizente com os tempos modernos. Eles foram bons e úteis no começo, não mais agora, quando começam a emperrar a máquina do pro­gresso, a impedirem, por inadaptação óbvia, o curso do cres­cimento e desenvolvimento da entidade...
Assim, chega o momento da realidade para o homem que ocupa o primeiro lugar, o indispensável. É convidado a soli­citar a aposentadoria, quando não é jubilado sem maior consideração.
Como não cultivou outros valores, outros interesses, ar­roja-se ao fosso da autodestruição, egoisticamente, esqueci­do dos familiares e amigos, afinal, aos quais nunca deu maior importância nem valorização. Afasta-se mais do convívio social e, não raro, suicida-se, direta ou indiretamente.
A em­presa não lhe sente a falta, prossegue em funcionamento.                                
Somente quem realizou uma boa estrutura de personali­dade, enfrenta com razoável tranqüilidade o choque de tal natureza, para o qual se preparou, antevendo o futuro e pro­gramando-se para enfrentá-lo, transferindo-se de uma ação para outra, de uma empresa para um ideal, de uma máquina para um grupamento humano respirável, emotivo, pensante.
Ninguém é indispensável em lugar nenhum. O primeiro de agora será dispensável amanhã, assim como o último de hoje, possívelmente, estará no comando no futuro. A morte, a cada momento, demonstra-o.
A polivalência das aspirações é reflexo de normalidade, de equilíbrio comportamental, de harmonia da personalidade, convidando o homem a buscar sempre e mais.
A desincumbência do dever reflete-lhe o valor moral e a nobreza da sua consciência. Segurar as rédeas da dominação em suas mãos fortes, denota insegurança íntima, crise de con­duta.
O homem tem o dever de abraçar ideais de enobrecimen­to pessoal e grupal, participar, envolver-se emocionalmente, fazer-se presente na comunidade, como complemento da sua conduta existencial.
A criatura terrena está em viagem pela Terra, e todo trân­sito, por mais demorado, sempre termina. Ninguém se enga­ne e não engane a outros.
Uma auto-análise cuidadosa, uma reflexão periódica a respeito dos valores reais e aparentes, a meditação sobre os objetivos da vida concedem pautas e medidas para a harmo­nia, para o êxito real do ser.
A finalidade da existência corporal é a conquista dos va­lores eternos, e o êxito consiste em lograr o equilíbrio entre o que se pensa ter e o que se é realmente, adquirindo a estabi­lidade emocional para permanecer o mesmo, na alegria como na tristeza, na saúde conforme na enfermidade, no triunfo qual sucede no fracasso.
Quem consiga a ponderação para discernir o caminho, e o percorra com tranqüilidade, terá começado a busca do êxito que, logo mais, culminará com alegria.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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Um comentário:

Luz13 disse...

Vocês são sérios e por isso partilho esse evento importante:
VIII Simpósio de Educação
EDUCAÇÃO ESCOLAR NO MUNDO: DESAFIOS GLOBAIS.
Palestrante: Eliane Maciel
Local : UNIFESO – Universidade Fundação Educacional Serra dos Órgãos
Av. Alberto Torres, III – Alto - Teresópolis - RJ
Data: 20 de Agosto de 2013 as 19hs
Entrada gratuita.