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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

RAIVA I

Raiva e Primarismo


A raiva é um sentimento que se exterioriza toda vez que o ego sente-se ferido, liberando esse abominável adversário que destrói a paz no indivíduo.

Inerente a todos os animais, no ser humano, porque portador de vontade e discernimento, é responsável por transtornos que conseguem obscurecer-lhe a razão e perturbar-lhe o equilíbrio, produzindo danos emocionais de pequeno ou grande alcance, a depender da extensão e da profundidade de que se reveste.

Quando existe a prioridade dos instintos agressivos, na contextura do ser, este, diante de qualquer ocorrência desagradável, real ou imaginária, afunda-se na situação danosa, cujos resultados são sempre lamentáveis.

Predominando nele o instinto de arbitrária dominação, em falsa postura de superioridade, percebendo a fragilidade dessa conduta e a impossibilidade de impor-se, porque não considerado quanto gostaria, recorre ao mecanismo psicológico da raiva para exteriorizar a violência ancestral que lhe dorme no íntimo.

A raiva pode iniciar-se por uma simples insinuação de pequena monta, transformando-se em vulcão de cólera destruidora que avassala.

Há indivíduos dotados da facilidade de enraivecer-se, que alternam essa emoção com a psicastenia (forte tendência para a depressão, o medo, a incapacidade de suportar desafios e dificuldades mentais).

A raiva produz uma elevada descarga de adrenalina e cortisol, no sistema circulatório, alcançando o sistema nervoso central, que se agita, produzindo ansiedade e mantendo o sangue na parte superior do corpo, no que resultam diversos prejuízos para as organizações físicas, emocionais e psíquicas.

Repetindo-se com freqüência, produz o endurecimento das artérias e predispõe a vários distúrbios orgânicos.

De alguma forma, a raiva é um mecanismo de defesa do referido instinto de conservação da vida, que se opõe a qualquer ocorrência que interpreta como agressão, reagindo, de imediato, quando deveria agir de maneira racional. Porque obscurece a faculdade de discernir, irrompe, desastrosa, assinalando a sua passagem por desconforto, cansaço e amolestamento das forças, logo cessa o seu furor...

O ser humano agride antes, por medo de ser agredido, aumentando a gravidade de qualquer ato sob a coerção do pânico que se lhe instala de momento, ante situações que considera perigosas, evitando racionalizar a atitude, antes parecendo comprazer-se nela, sustentando a sua superioridade sobre o outro, aquele a quem atribui o perigo que lhe ronda.

O seu processo de evolução do pensamento e da consciência, porque estacionado nos remanescentes do período egocêntrico, ora transformado em egóico, estimula esse comportamento inoportuno e prejudicial, cujos efeitos danosos logo serão sentidos em toda a sua extensão.

O círculo da raiva é vicioso, porque o indivíduo adapta-se a essa injunção, passando a gerar um comportamento agressivo, quando não vivenciando uma postura contínua de mau humor.

Essa raiva é resultado de pequenas frustrações e contínuas castrações psicológicas, iniciadas no ceio da família, quando pais rigorosos e imprudentes, violentos e injustos, assumem postura coercitiva em relação aos filhos, impondo-se-lhes, sem a possibilidade de diálogos esclarecedores.

Lentamente vão-se acumulando esses estados de amargura pela falta de oportunidade de defesa ou de justificação, que se convertem em revolta surda, explodindo, indevidamente, quando já se faz uma carga muito pesada na conduta.

Por natural necessidade de afirmação da personalidade, a criança é teimosa, gerando atritos com pais e familiares, que nem sempre estão dispostos a conversas com esclarecimentos. Ou quando não se interessam pelos problemas da prole, causando-lhe um fundo ressentimento, desdobrando em raiva acumulada.

Ou como resultado da timidez, o indivíduo refugia-se na raiva, e porque não a pode expressar foge para transtornos profundos que o torturam.

A falta de conhecimento das próprias debilidades emocionais, faz que não disponha de equilíbrio para enfrentamentos, competições, discussões, derrapando facilmente no comportamento infeliz da raiva.

Não admitem a vitória do outro, em qualquer campo político ou esportivo, a quem consideram adversário, quando é somente competidor, enraivecendo-se e dando lugar a situações graves, muitas vezes redundando em crimes absurdos.

A raiva é choque violento que abala profundamente o ser humano, deixando rastros de desalento e de infelicidade.

Ao invés da análise tranqüila do fenômeno, a tirania do ego exalta-o, o instinto de predominância do mais forte ressuma e a pessoa acredita que está sendo diminuída, criticada, passando a reagir antes de ouvir, a defender-se antes da acusação, partindo para a agressão desnecessária de que sempre arrepende-se depois.

Do Livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

2 comentários:

*MARCIA E CARLOS* E LINDAS MENSAGENS disse...

tem selinho para vc amiga no meu cantinho de 135 seguidores bjos

blog da Paraguassu disse...

Olá Denise, gostei muito do texto que postaste acima. Fala-nos muito daquilo que nos acomete, quando não se tem o devido equilíbrio espiritual. Achei ótimo teu blog. Parabéns, amiga.
Voltarei sempre ao teu blog.
Bjs., Maria Paraguassu.