- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -

- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -
PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


terça-feira, 7 de agosto de 2012

HISTÓRIA - Perdão


                Conhecemo-nos quando tínhamos apenas dez anos de idade cada. Íamos, ele e eu, levar marmita para nossos pais almoçar. Ambos trabalhavam na construção civil.
                Estranhei ao conversar com um menino que falava como menina. Imagine a cabeça de um garoto de dez anos deparar com a situação em conhecer um amigo com trejeitos femininos. Nunca havia prestado atenção nessa possibilidade.
                Este garoto foi estudar na mesma escola que eu. Durante o recreio, muitas algazarras. Os demais garotos diziam “mulherzinha”, “bicha” entre outros nomes que prefiro não mencionar. A diretora da escola pediu aos pais que lhe transferisse para outra instituição de ensino.
                Cinco anos depois, o pai do jovem Antonio o expulsou de casa ao descobrir que seu filho era homossexual. A mãe era empregada doméstica de uma família rica, cuja segunda residência era na capital Vitória. Pediu à patroa que acolhesse o filho, de preferência que o levasse para lá, pois seus familiares não queriam acolher o garoto. A patroa, então, contratou o garoto para fazer serviços domésticos em sua residência na capital do Espírito Santo, o que lhe garantiria sustento e ele voltaria a estudar.
                Mais tarde, Antonio terminou os estudos e montou um salão de beleza, localizado no maior shopping Center do estado, ocasião em que escreveu aos pais informando-lhes que não precisaram mais trabalhar em serviço pesado. Comprou-lhes uma casa e passou a enviar mensalmente um cheque para cobrir todas as despesas deles. Antonio passou a morar sozinho, comprou o próprio apartamento e trocava de carro todos os anos. Levava uma vida de muita diversão e promiscuidade em uma época de poucos esclarecimentos sobre a contaminação pela AIDS.
                Acabou contaminado pelo HIV. Naqueles anos ainda não havia medicamentos para conter o vírus, o que levou rapidamente à manifestação da doença. Em estágio terminal, o jovem foi removido para a cidade do interior e lá poder morrer ao lado dos seus pais e demais familiares. Médicos e enfermeiros tinham medo de chegar perto de seu filho. Era o pai que, sem maiores experiências, o medicava e fazia-lhe a higiene pessoal. Seu corpinho agora muito magro não tinha força para tal.
                Em uma noite, o filho percebendo a aproximação da morte, diz ao pai:
                - Papai, me perdoe, sei que sendo o único filho, gostaria que eu seguisse seu exemplo. Perdoe-me por isso papai, eu não quês magoá-lo. Perdoe-me, pois eu te amo tanto.
                Meu filho, ali, com aqueles olhos verdes que, apesar da vida esvair, teimava em brilhar.
                Então foquei os seus olhos e lhe disse: “Sou eu quem te peço perdão, meu filho. Minha ignorância levou-me a expulsá-lo de nossa casa. Quantas noites chorei arrependido. Cada vez que o rapaz dos correios nos entregava o aviso de retirada do cheque, era como se meu coração me lembrasse do meu ato insano. Perdoa-me filho. Sinto-me culpado pela sua doença, perdoa-me. Se pudesse voltaria atrás e, ao invés de expulsá-lo, o protegeria como os pais devem proteger seus filhos”.
                E o filho lhe respondeu:
                - Não existe motivo para perdão papai, o senhor fez o que um pai com o esclarecimento que dominava na época podia fazer. Não se martirize. O senhor é o maior pai do mundo. Cuidou de mim com os cuidados que uma mãe faz a uma criança. Sou muito grato ao senhor, te amo muito papai deus há de recompensá-lo por todo o carinho e cuidado que teve comigo nestes últimos dias. Diga à mamãe que também a amo muito.
                E aí meu filho fechou os lindos olhos verdes que herdou da mãe. Que posso eu fazer agora que ele se foi?
                Eu respondi:
                - Orar para que os emissários de Jesus o acolham como você o acolheu. E lembrar-se dos momentos felizes que viveram juntos.
                O pai questionou:
                - Onde estará meu filho?
                Neste instante observei uma luz esverdeada entrar no recinto onde estávamos. Esta luz abraçou aquele pai sofrido. Era o filho amado. Os corações de ambos fundiram-se numa verdadeira cena de amor. O pai parecia derreter em lágrimas, o filho demonstrava um misto de sorriso com lágrimas. Uma das cenas mais belas da minha vida. A esposa surgiu na sala de visita da humilde residência e abraçou o marido. De sua boca surgiu a seguinte frase:
                - Meu bem, nosso filho parece estar aqui, sinto a presença carinhosa dele.
                Os dois se debulharam em lágrimas. O perdão faz redescobrir o amor.

Do livro: Terapêutica do Perdão – Aloísio


x_3c9af6bf

2 comentários:

Orvalho do Céu disse...

Olá, querida Denise
É verdade!!!
Uma vez minha filha me disse o mesmo face a um perdão que lhe ofertei pela Graça Divina...
E o amor exala um perfume novinho em folha... ainda mais em se tratando do amor personificado entre pais e filhos... como é o seu post...
DEUS te cubra de bênçãos e te faça feliz!!!
Bjs festivos de paz

ELAINE disse...

Denise querida! Que história linda! Mias uma rica lição de vida e reflexão! Muito obrigada pela visita ao níver do blog! Significou muito pra mim..... Em datas importantes a presença dos amigos se faz ainda mais necessária! Que o amor renovador e a Paz de Jesus Cristo habitem nossos corações sempre! Desculpe se não consigo visitar mais frequentemente.... Mas vou saltitando de blog em blog e, entre um e outro, daqui a pouco tô chegando aí..... A postagem atual, vai permanecer a semana toda, excepcionalmente, por ser a semana de aniversário do blog! Nova postagem, dia 13/08, segunda-feira!
Uma iluminada semana! Abraço carinhoso!
Elaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/