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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sábado, 30 de novembro de 2013

DOR III

Dor Expiação
                Os erros humanos decorrentes da cólera incontrolável, do egoísmo obsessivo, das viciações inconseqüentes, da sexualidade irresponsável, da maldade premeditada, às vezes, com requintes de sadismo, são os vetores responsáveis pelos débitos morais que se acumulam nos bancos imperecíveis de nossa memória espiritual. A prática do mal desarmoniza profundamente a essência pensante, cria uma espécie de morbo energético de teor vibratório bastante densificado, que permanece aderido à malha eletromagnética sutil do campo perispiritual. Constitui-se algo incomodativo e desagradável, por tratar-se de verdadeira moléstia a pulsar nas entranhas multidimensionais do ser. Tal condição anômala de natureza anímica é a responsável pelo desencadeamento, na criatura encarnada, de manifestações degenerativas do organismo físico tanto quanto de perturbações mentais, ao mesclar crises de intenso remorso com depressões profundas e manifestações esquizofrênicas de difícil solução. Assim, manifestam-se as chamadas doenças cármicas, expressões autênticas das expiações educativas. A dor expiação se diferencia da condição citada no item anterior, por não decorrer dos fatores agressivos externos. Aí está a diferença. Vejamos a respeito, o pensamento de André Luiz: “Em nossos estudo, porém, analisamos a dor expiação que vem de dentro para fora, marcando a criatura no caminho dos séculos, detendo-a em complicados labirintos de aflição, para regenerá-la, perante a justiça...” Infelizmente a dor expiação constitui-se contingência assídua em nossa programação encarnatória, porquanto, nos revelamos carentes de maiores aquisições evangélicas, exceção feita àqueles que já superaram as más tendências e se mostram familiarizados com as práticas da justiça, do amor e da caridade.

(continua)

Vitor Ronaldo Costa


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2013 


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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

DOR II

Dor Evolução
                A dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão. O ferro sob o malho, a semente n a cova, o animal em sacrifício, Tanto quanto a criança chorando, irresponsável ou semi-consciente, para desenvolver os próprios órgãos, sofrem a dor evolução, que atua de fora para dentro, aprimorando o ser, sem a qual não existiria progresso. Ampliando ainda mais este conceito podemos aduzir ao citado esquema, outros acontecimentos tidos na conta de desafios provacionais, comuns a quase todos nós na condição de encarnados. O que caracteriza a dor evolução é o confronto com os vetores desarmonizantes que nos atingem de fora para dentro, mas que servem para estimular a paciência, a resignação, a fé, o perdão e a capacidade de luta. Poucos amadurecem efetivamente sem que experimentem dificuldades e obstáculos de toda ordem. A luta intensiva, porém, dilata as aspirações íntimas. O sofrimento, quando aceito à luz da fé viva, é uma fonte criadora de asas espirituais. Os exemplos são incontáveis: é o convívio com o parente difícil; a paciência a ser requisitada diante do cônjuge incompreensivo; a dificuldade em educar e encaminhar para o bem o filho rebelde; as pressões exercidas pela chefia no trabalho profissional; a ameaça de perda do emprego honesto que nos sustenta; a traição de alguém muito amado em quem depositávamos irrestrita confiança; a perda precoce de um ente querido vitimado por acidente ou doença incurável e assim por diante. São problemas corriqueiros, comuns à maioria das pessoas, mas eu nos atingem de inopino nos deixando marcados pela dor dilacerante e pelas lágrimas sentidas. As provações, ando enfrentadas com a devida resignação e confiança no auxílio do Pai Maior, não passam de convites da própria vida ofertados em prol do nosso aprimoramento íntimo.

(continua)

Vitor Ronaldo Costa


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2013 


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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

DOR

  
 Significativa parcela da comunidade planetária desconhece a verdadeira causa e o valor do processo doloroso no intercâmbio habitual com a criatura humana. Quando avaliada “a vôo de pássaro”, a dor é tida na conta de tormento indesejável capaz de suscitar o sofrimento, as lágrimas e o pavor das criaturas desesperadas perante as aflições terrenas. Todos repudiam a dor, desejam afastá-la por qualquer meio, muito embora, apenas a vontade, nem sempre seja o recurso suficiente para impedir a visita daquela que se esconde sob o manto de duas variantes implacáveis: a dor física e a dor moral. Ao contrário do que imaginam os desavisados, a dor não se trata de um castigo imposto por Deus ou de uma condição aleatória que nos atinge sem um motivo aparente. De acordo com os princípios que norteiam a doutrina espírita, o acaso e o determinismo absoluto inexistem, de maneira que, ninguém deveria atribuir a tais fatores a causa das desditas atrozes que, por vezes, fustigam a alma humana. Diante do fato impõe-se o conhecimento de causa, maneira correta de se nortear os passos na desafiadora caminhada ao longo da existência planetária. Ao classificar o orbe terreno como morada de provações e expiações, Allan Kardec nos alerta para o atual padrão evolutivo da humanidade, na medida em que ressalta a prevalência do mal sobre o bem. Ora, isto serve como um chamamento capaz de nos predispor ao esforço da reforma íntima. Então, conscientizados de nossas atuais restrições evolutiva, não podemos falar de dor sem fazer referência à questão da responsabilidade individual posta em prática no decorrer das reencarnações sucessivas. A tendência da maioria é culpar a má sorte, como se as aflições corriqueiras não respondessem aos mecanismos sutis da mente assolada por dívidas morais e sentimentos de culpa. Por isso, costumamos afirmar que as diretrizes espíritas servem para aclarar a nossa percepção interior, facilitando-nos a reflexão a respeito das próprias vivências desarmônicas ensaiadas em todas as épocas. O mal que infligimos aos semelhantes não se dilui na esteira dos tempos, assim como a fumaça se dissipa no ar atmosférico. A memória espiritual retém em seus refolhos os atentados cometidos intencionalmente contra a harmonia cósmica. Todavia, o remorso resultante assemelha-se a verdadeiro corpo estranho passível de atormentar o equilíbrio desejável do nosso campo mental. A consciência profunda, a cenoura inflexível de nossas atitudes infelizes, em determinado instante, nos impele à drenagem saneadora daquilo que nos infelicita. Invariavelmente tal escoamento se processa por meio das múltiplas formas de sofrimento e aflição. A dor sinalizada reflete a quantidade de desarmonia interna de que é portador. Quanto maior a sua intensidade, maior a pendência a ser resolvida da melhor maneira no transcorrer do jornadear terreno. Portanto, em relação à dor, o problema é de ordem individual, pois a alma, na condição de instrumento refletivo da perfeição divina não apresenta condições de albergar em sua intimidade, por tempo dilatado, aquilo que não contribua para o engrandecimento progressivo de si própria. O livre arbítrio constrói diariamente o nosso destino, alternando harmonia e felicidade ou sofrimento e tristeza, tudo na dependência do comportamento com o qual marcamos as nossas existências. O espírito André Luiz, o querido mentor residente na metrópole espiritual “Nosso Lar”, nos propicia significativas informações ao discorrer sobre os três tipos de dor experimentados pelo ser encarnado.

(continua)
Vitor Ronaldo Costa


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2013 


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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

TER E SER II


Ninguém tem coisa alguma no mundo: nem cor­po, nem valores amoedados, nem pessoas sob domí­nio... A incessante transformação, vigente no Cosmo, tudo altera a cada instante, e o vivo de agora estará morto logo mais; o dominador torna-se vítima; o cor­po se dilui; os objetos passam de mãos...
Todo aquele que busca a posse, o ter e reter, per­manece vazio de sentimentos e, porque nada é, en­che-se de artefatos e coisas brilhantes, porém mor­tas, prosseguindo cheio de espaços e abarrotado de preocupações afugentes.
O objetivo da vida humana parte do ponto inicial no corpo — a infância — e cresce sem perder o contato com a sua realidade original, ser transcendental que é. Chegando à realização da consciência, deve expan­di-la, enquanto mais se autopenetra e descobre no­vos potenciais a desenvolver.
Ser consciente de si mesmo é a meta existencial, conseguindo o auto-amor que desdobra a bondade, a compaixão, a ação benéfica em favor do próximo.
A meditação transcendental — abstrata—, os sentimen­tos de amor e autodoação — concretos — devem pre­valecer emulando o indivíduo a ser integral, realiza­do, capacitado para a felicidade.
Os conflitos então cedem lugar, quando os seus espaços são preenchidos pelas realizações expressi­vas, libertadoras.
A autovalorização não-egoísta, despretensiosa, permite o encontro do self, que se desvela com infini­tas possibilidades. Rompem-se os limites que ames­quinham e ampliam-se as áreas de produção que en­grandecem.
Correspondendo a esse estágio, o amadurecimen­to psicológico faz que o indivíduo cresça sempre e cada vez mais, reconhecendo a sua pequenez, que se agranda ante a excelência da Vida que ele con­quista.
O individualismo que nele prevalecia cede lugar ao amor que convive e se expande na direção dos ou­tros, aqueles que constituem a sociedade na qual se encontra, passando a trabalhá-la, a fim de que tam­bém ela seja feliz.
A vaidade, o narcisismo, que existiam na sua per­sonalidade, desaparecem por ausência da vitalidade fornecida pelo ego inseguro, que tinha necessidade de sobreviver, já que o self se encontrava soterrado no desconhecimento.
A conquista do si é realização que independe do ter, do reter, mas que não prescinde do interesse e da luta enviada para ser.
A segurança psicológica do indivíduo centraliza-se no autoconhecimento, na auto-identificação, no auto-amor, no ser.


O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis

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terça-feira, 26 de novembro de 2013

TER E SER I

   
     Remanescem da infância física traços de insegu­rança, e conflitos perduram na idade adulta, em razão da falta de maturidade psicológica do ser, expressan­do-se como apegos às coisas e pessoas, com a conse­quente rejeição de si mesmo, instabilidade emocional e desajuste social.
Usando os conhecidos mecanismos de evasão da responsabilidade e sentindo-se fragilizado, o indiví­duo busca a auto-realização, fixando-se em valores externos como forma de destaque no grupo social, ig­norando a sua realidade profunda.
Sentimentos egocêntricos passam a aturdi-lo e, inconscientemente, acredita-se merecedor de tudo em primeiro lugar, com desconsideração pelos de­mais. Quando tal não ocorre, surgem-lhe as marcas predominantes do egoísmo e passa a reunir recursos que amontoa satisfazendo o ego, mesmo quando atin­ge os picos do poder ganancioso.
A imaturidade asselvaja-lhe e obnubila-lhe a ra­zão, que permanece asfixiada pelos tormentos do ter, enlouquecendo, a pouco e pouco, a sua vítima, cada vez mais ansiosa por novos haveres.
Ninguém vive bem sem a segurança de si mes­mo. Quando esta não decorre do auto-encontro liber­tador, é buscada através dos meios externos, que en­volvem o seu possuidor em preocupações de aumen­tá-las, em medos de perdê-las, passando à angústia de mais assegurar-se da sua retenção. Como efeito, vai traído pela concupiscência da posse, tornando-se possuído pelo objeto que supõe possuir.
Desperta-se-lhe em grau crescente a avareza que o amarfanha, e, depois da alegria fugaz da posse material, transfere-se para a ilusão da dominação ar­bitrária de outras vidas, de outras pessoas, acredi­tando-se capaz de detê-las, subjugá-las como con­quistas a mais.
Autodesprezando-se, graças à insegurança ínti­ma, não se considera merecedor de afetos, supondo que, quantos se lhe acerquem, estão interessados no que ele tem, e jamais no que é.
Porque se sente sem possibilidade de amar, em­bora lhe irrompam episódios de afetividade, que con­verte em paixões de gozo imediato, não crê que pode ser amado com desinteresse pelos seus haveres.
Assim não sucedendo e vindo a consorciar-se, ele o faz mediante cláusulas de separação de bens, bens que lhe são alicerces de segurança no inconsciente.
Com a percepção embotada, mede os fenômenos existenciais com os instrumentos da atividade contá­bil, considerando triunfadores somente os que dis­põem de contas bancárias volumosas, latifúndios lar­gos e semoventes aos milhares...
A sua louca ambição torna-o misantropo, deten­do-o no pórtico das grandes realizações, sem a cora­gem moral para atravessá-lo, amesquinhando-o. Se vence o medo de doar algo e o realiza, necessita de ter o ego recompensado pela gratidão, passando à condição de benfeitor, quando tudo no mundo, com o seu caráter de transitoriedade, faz, das criaturas aqui­nhoadas, mordomos que prestarão contas, ou servi­dores encarregados de bem aplicar, qual o ensina­mento de Jesus através da parábola dos talentos no Evangelho.
O bom aplicador, além dos juros que recebe, ex­perimenta o júbilo da realização, a imensa alegria do serviço, exteriorizada no bem-estar que proporciona.

(continua)


O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ESTEJAMOS CONTENTES

" Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes..”
Paulo (I Timóteo, 6:8)

O monopolizador de trigo não poderá abastecer-se à mesa senão de algumas fatias de pão, para saciar as exigências da sua fome.
O proprietário da fábrica de tecidos não despenderá senão alguns metros de pano para a confecção de um costume, destinado ao próprio uso.
Ninguém deve alimentar-se ou vestir-se pelos padrões da gula e da vaidade, mas sim de conformidade com os princípios que regem a vida em seus fundamentos naturais.
Por que esperas o banquete, a fim de ofereceres algumas migalhas ao companheiro que passa faminto?
Por que reclamas um tesouro de moedas na retaguarda, para seres útil ao necessitado?
A caridade não depende da bolsa. É fonte nascida no coração.
É sempre respeitável o desejo de algo possuir no mealheiro para socorro do próximo ou de si mesmo, nos dias de borrasca e insegurança, entretanto, é deplorável a subordinação da prática do bem ao cofre recheado.
Descerra, antes de tudo, as portas da tua alma e deixa que o teu sentimento fulgure para todos, à maneira de um astro cujos raios iluminem, balsamizem, alimentem e aqueçam. . .
A chuva, derramando-se em gotas, fertiliza o solo e sustenta bilhões de vidas.
Dividamos o pouco, e a insignificância da boavontade, amparada pelo amor, se converterá com o tempo em prosperidade comum.
Algumas sementes, atendidas com carinho, no curso dos anos, podem dominar glebas imensas.
Estejamos alegres e auxiliemos a todos os que nos partilhem a marcha, porque, segundo a sábia palavra do apóstolo, se possuímos a graça de contar com o pão e com o agasalho para cada dia, cabe-nos a obrigação de viver e servir em paz e
contentamento.


Fonte: Fonte Viva – Chico Xavier/Emmanuel


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domingo, 24 de novembro de 2013

OS ADVERSÁRIOS, MESTRES OPORTUNOS

   
           O mundo ainda não tem condições de compreender e aceitar o compromisso da iluminação íntima como primeiro passo para a marcha ascensional.
            Por enquanto, somente aqueles que se fizeram fortes e decididos conseguem ultrapassar as barreiras das dificuldades, colocando marcos na senda escura, de maneira que facilite a jornada espiritual dos que virão depois.
            Todo desbravador carrega as marcas da sua audácia de aventureiro do progresso. Abre picadas na densa mata, traça roteiros nos mares bravios, alça-se aos céus ampliando os espaços e caminha sobre espinhos, quebrando-os, assim preparando a senda para o porvir.
            Exulta, portanto, por teres adversários, mestres desconhecidos, a seres adversário de quem quer que seja.

Do livro: Entrega-te a Deus     
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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sábado, 23 de novembro de 2013

PERFEIÇÃO E APERFEIÇOAMENTO

Emmanuel
Todos estamos ainda muito longe da perfeição, contudo, ninguém vive fora do constante aperfeiçoamento.
Aceita, em Jesus, o Mestre que te aprimora e aproveita a bênção do tempo, mobilizando sentimento e raciocínio, atenção e boa vontade, para que te faças melhor cada dia.
Não podes hoje ostentar a auréola da santidade, mas conseguirás estender, sem entraves, em teu benefício, os recursos da gentileza.
Não podes, sem dúvida, revelar de improviso, a resistência do mártir, ante os sofrimentos que te assaltam a vida, no entanto, é justo te consagres, em favor de ti mesmo, ao culto da disciplina.
Não sustentarás, de inopino, a atitude superior e espontânea da beneficência simples e pura diante daquele que te apunhala com a lâmina invisível da ofensa, mas podes sorrir, contendo os instintos de reação ao preço do esforço supremo de quem sabe que nada existe oculto para a verdadeira justiça.
Realmente, não te será possível a ascensão imediata ao Reino da Luz Eterna, onde a nossa presença decerto nublaria o semblante dos anjos, no entanto, podes ser o apoio firme do lar em que Deus te situa, exercendo aí a bondade e a renúncia, o carinho e o desvelo, o consolo e a paciência incessantes.
Não te creias capaz de trair o espírito de seqüência que rege todas as forças e todas as tarefas da natureza.
A semente de agora será flor no porvir e a flor de hoje será o fruto amanhã.
Disse Jesus: “Sede perfeitos como o Pai Celestial”.
Isso não que dizer que já estejamos habilitados para a Glória Divina, mas sim que, em matéria de aperfeiçoamento, é indispensável tenhamos todos a coragem de começar.
Não podes paralisar o verbo que fere e vergasta, mas é fácil guardar o próprio espírito em silêncio para somente movimentá-lo na bondade que ajuda, compreende e perdoa.


Fonte: Irmão – Chico Xavier/Espíritos Diversos


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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

TU, PORÉM

"Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina." - Paulo. (TITO, 2:1.)

Desde que não permaneças em temporária inibição do verbo, serás assediado a falar em todas as situações.
Convocar-te-ão a palavra os que desejam ser bons e os deliberadamente maus, os cegos das estradas sombrias e os caminheiros das sendas tortuosas.
Corações perturbados pretenderão arrancar-te expressões perturbadoras.
Caluniadores induzir-te-ão a caluniar.
Mentirosos levar-te-ão a mentir.
Levianos tentarão conduzir-te à leviandade.
Ironistas buscarão localizar-te a alma no falso terreno do sarcasmo.
Compreende-se que procedam assim, porquanto são ignorantes, distraídos da iluminação espiritual. Cegos desditosos sem o saberem, vão de queda em queda, desastre a desastre, criando a desventura de si mesmos.
Tu, porém, que conheces o que eles desconhecem, que cultivas na mente valores espirituais que ainda não cultivam, toma cuidado em usar o verbo, como convém ao Espírito do Cristo que nos rege os destinos. É muito fácil falar aos que nos interpelam, de maneira a satisfazê-los, e não é difícil replicar-lhes como convém aos nossos interesses e conveniências particulares; todavia, dirigirmo-nos aos outros, com a prudência amorosa e com a tolerância educativa, como convém à sã doutrina do Mestre, é tarefa complexa e enobrecedora, que requisita a ciência do bem no coração e o entendimento evangélico nos raciocínios.
Que os ignorantes e os cegos da alma falem desordenadamente, pois não sabem, nem vêem... Tu, porém, acautela-te nas criações verbais, como quem não se esquece das contas naturais a serem acertadas no dia próximo.


Fonte: Vinha de Luz – Chico Xavier/Emmanuel


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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

QUE É A CARNE?

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” — Paulo.
(GÁLATAS, capítulo 5, versículo 25.)

Quase sempre, quando se fala de espiritualidade, apresentam-se muitas pessoas que se queixam das exigências da carne.
É verdade que os apóstolos muitas vezes falaram de concupiscências da carne, de seus criminosos impulsos e nocivos desejos. Nós mesmos, freqüentemente, nos sentimos na necessidade de aproveitar o símbolo para tornar mais acessíveis as lições do Evangelho. O próprio Mestre figurou que o espírito, como elemento divino, é forte, mas que a carne, como expressão humana, é fraca.
Entretanto, que é a carne?
Cada personalidade espiritual tem o seu corpo fluídico e ainda não percebestes, porventura, que a carne é um composto de fluídos condensados?
Naturalmente, esses fluídos, em se reunindo, obedecerão aos imperativos da existência terrestre, no que designais por lei de hereditariedade; mas, esse conjunto é passivo e não determina por si. Podemos figurá-lo como casa terrestre, dentro da qual o espírito é dirigente, habitação essa que tomará as características boas ou más de seu possuidor.
Quando falamos em pecados da carne, podemos traduzir a expressão por faltas devidas à condição inferior do homem espiritual sobre o planeta.
Os desejos aviltantes, os impulsos deprimentes, a ingratidão, a má-fé, o traço do traidor, nunca foram da carne.
É preciso se instale no homem a compreensão de sua necessidade de autodomínio, acordando-lhe as faculdades de disciplinador e renovador de si mesmo, em Jesus-Cristo.
Um dos maiores absurdos de alguns discípulos é atribuir ao conjunto de células passivas, que servem ao homem, a paternidade dos crimes e desvios da Terra, quando sabemos que tudo procede do espírito.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL


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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

EUTANÁSIA DE ANIMAIS

Gostaria de saber o que acontece a um cão que falece por eutanásia?
            Quando um animal falece, seu espírito é amparado por espíritos encarregados de encaminhá-los aos locais adequados no plano espiritual. Não importa se falecem naturalmente ou por eutanásia, eles são igualmente assistidos e amparados pelas equipes espirituais. Quando um veterinário procede à eutanásia, ele usa anestesia geral para que, perdendo a consciência e dormindo profundamente, o animal se desligue parcialmente do corpo. Em seguida a equipe espiritual, que se encarrega desse animal, procede aos desligamentos complementares desse corpo para que seu corpo espiritual separe-se de modo definitivo, enquanto o espírito do animal mantém-se também inconsciente naquela outra dimensão. Então, além do desligamento parcial criado pela anestesia, há o desligamento complementar promovido pelos espíritos. Logo após, o veterinário, aplicando alguma substância letal, consegue provocar uma parada cardíaca no corpo físico. Nesse momento, o espírito do animal já não se encontra mais ligado a ele. Portanto, desse modo não há sofrimento nem dor neste procedimento.

Fonte: A Espiritualidade dos Animais – Marcel Benedeti


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terça-feira, 19 de novembro de 2013

SOLIDÃO III

              
               Todos os livros sacros da humanidade têm como máxima ou mandamento o amor. A base de todo compromisso é o amor. O amor enriquece mutuamente as pessoas e é responsável pela riqueza do seu mundo interior.
                A estrutura do verdadeiro ensino religioso nos deve unir amorosamente uns aos outros e não nos manter unidos pela intimidação, pelo medo do futuro ou pelas convenções sociais.
                O ensino espírita, propagado pelo O Livro dos Espíritos, nos faz redescobrir o sentimento de religiosidade inato em cada criatura de Deus. Religiosidade é o que possuía Allan Kardec em abundância, pois enxergava os fatos da vida com os olhos da alma, quer dizer, ia além dos recursos físicos, usando os sentidos da transcendência a fim de encontrar a verdade escondida atrás dos aspectos exteriores.
                O verdadeiro sentido da religião deve consistir na busca da liberdade, no culto da verdade e na clara distinção entre o temporal/passageiro e o real/permanente.
                Estar com alguém por temor religioso é diferente de estar com alguém por amor. Somente o amor tem significado perante a Divina Providência.
                Lembremo-nos de que a solidão aparece, quando negamos nossos sentimentos e ignoramos nossas experiências interiores. Essa forma comportamental tende a fazer-nos ver as coisas do jeito como queremos ver, ou seja, como nos é conveniente, em vez de vê-las como realmente são. Assim é que distorcemos nossa realidade.
                Não rejeitemos o que de fato sentimos. Isso não quer dizer viver com liberdade indiscriminada e sem controle, mas sim reconhecer o devido lugar que corresponda aos nossos sentimentos, sem ignorá-los, nem tampouco deixá-los ser donos de nossa vida.
                Se devemos permanecer ou não ao lado de alguém, é decisão que se deve tomar com espontaneidade, harmonia e liberdade, sem mesclas de medo ou imposições.
                             

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed


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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

SOLIDÃO II

            
               Quase todos nós crescemos ansiosamente querendo ser adequados e certos para o mudo, porque acreditamos que não somos suficientemente bons para ser amados pelo que somos. Por isso, procuramos, desesperadamente, igualar-nos a uma imagem que criamos de como deveríamos ser. O esforço metódico para sustentar essa versão idealizada é responsável por grande parte dos nossos problemas de relacionamento conosco e com os outros.
                Entre todos os problemas de convivência, o de casais, talvez, seja um dos mais comuns entre as pessoas. Todavia, todos nós queremos companhia e afeto, mas para desfrutarmos uma união amorosa, madura e equilibrada é preciso, acima de qualquer coisa, respeitar o direito que cada criatura tem de ser ela mesma, sem mudar suas predileções, idéias e ideais.
                Os traços de personalidade não são futilidades, teimosia ou manias. Cada parceiro tem seus direitos individuais de manter sua parcela de privacidade e preferências.
                Para tanto, o diálogo compreensivo, a renúncia aos próprios caprichos, o compromisso de lealdade são fatores imprescindíveis na vida a dois, que não pode permitir a confusão de direitos individuais com direitos individualistas, com vulgaridade, com cobrança e com leviandade.
                Eis a razão de viver bem consigo mesmo tudo passa, pois todos somos viajores do universo, porém só nós viveremos eternamente com nós mesmos.
                A complexidade maior das dificuldades nos matrimônios talvez seja a não-valorização dos verdadeiros sentimentos, que força um dos parceiros, ou mesmo ambos, a contrariar sua natureza para satisfazer as opressões, intolerâncias e imposições do outro. Ninguém pode ser feliz assim, subordinando-se ao que o cônjuge quer ou decide.
                Declarar de modo geral que o divórcio é sempre errado é tão incorreto quanto assegurar que está sempre certo. Em algumas circunstâncias, a separação é um subterfúgio para uma saída fácil ou um pretexto com que alguém procura esquivar-se das responsabilidades, unicamente.
                Há uniões em que o divórcio é compreensível e razoável, porque a decisão de casar foi tomada sem maturidade e somente na busca egoística de sexo e prazer. São diversos os equívocos e desencontros humanos.
                Em outros casos, há anos de atitudes de desrespeito e maus-tratos, como também há os que impedem o crescimento do outro. São variadas as necessidades da alma humana e, muitas vezes, é melhor que os parceiros se decidam pela separação a permanecerem juntos, fazendo da união conjugal uma hipocrisia e um verdadeiro tormento. No entanto, em todas as atitudes e acontecimentos da vida, só a própria consciência do indivíduo pode fazer o autojulgamento, ou seja, com base nas carências, necessidades e dificuldades da vida a dois, decidir se deseja continuar ou partir.


Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed


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domingo, 17 de novembro de 2013

SOLIDÃO I

             
               Sofremos de solidão toda vez que desprezamos as inerentes vocações e naturais tendências de nossa alma. Assim que nos distanciamos do que realmente somos, criamos um autodesprezo, passando, a partir daí, a desenvolver um sentimento de soledade, mesmo rodeados das pessoas mais importantes e queridas de nossa vida.
                Na auto-rejeição, esquecemos de perceber a presença de Deus vibrando em nossa alma; logo, anulamos nossa força interior. É como se esquecêssemos a consciência de nós mesmos.
                Para que nossa essência emerja, é preciso abandonarmos nossa compulsão de fazer-nos seres idealizados, nossa expectativa fantasiosa de perfeição e nosso modelo social de felicidade. Somente assim, exterminamos o clima de pressão, de abandono, de tensão e de solidão que sentimos interiormente, para transportarmo-nos para um existência de satisfação íntima e para uma indescritível sensação de vitalidade.
                A renúncia de nosso eu idealizado nos dará uma sensação de renascimento e uma atmosfera de liberdade como nunca antes havíamos sentido.
                O ser idealizado é uma fantasia mental. E uma imitação inflexível, construída artificialmente sobre uma combinação de dois básicos comportamentos neuróticos, a saber: adotar padrões existenciais super-rígidos, impossíveis de serem atingidos, e alimentar o orgulho de acreditar-se onipotente, superior e invulnerável.
                A coexistência desses dois modos de pensar ocasiona freqüentes estados de solidão, tristeza habitual e sentimentos mútuos de vazio e aborrecimento na vida afetiva de um casal.
                O amor e o respeito a nós mesmos cria uma atmosfera propícia para identificarmos nossa verdadeira natureza, isto é, nossa identidade de alma, facilitado nosso crescimento espiritual e, por conseguinte, proporcionando-nos alegria de viver.


Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed


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sábado, 16 de novembro de 2013

SOLUÇÃO OU DIVULGAÇÃO

              
                Provavelmente, alguém poderá contestar nossas idéias dizendo que não estão reclamando ou queixando e, sim, falando dos problemas para desabafar.
                Contudo, lembramos que a lamentação é caracterizada pela inutilidade de sua existência. Quando falamos das nossas infelicidades, limitações, medos ou qualquer outro sentimento que possa ser visto como reclamação para alguém que possa ajudar, deveremos falar sem problemas.
                Claro que falar dos nossos problemas para amigos ou profissionais que possam nos ajudar nos processos de solução é fundamental.
                Quando falamos sobre o vício da reclamação, nos referimos infalivelmente ao hábito (vício) de divulgar nossos problemas e aflições para todos e que, na maioria das vezes, nada podem fazer para nos auxiliar a encontrar soluções.
                No fundo, esparramamos nossas tristezas e problemas sem benefício algum e, com esta ação, insuflamos toda a tristeza à nossa volta. Viciamos o ambiente depois somos influenciados por aquilo que viciamos.
                Falar no bem é atraí-lo. Falar no mal sem finalidade de repará-lo ou de gerar benefício, é apenas divulgação. E divulgar o mal é revivê-lo e voltar a sofrer, como se tirássemos as cascas de uma ferida que dizemos querer ver sarar.
                Geralmente, não conseguimos nos conter quando ficamos sabendo de algo sobre a vida alheia, afinal, de que vale saber se não podemos espalhar?
                Então, seja de nossa vida ou de outras pessoas, a queixa como a divulgação do mal são esforços contra a paz e o equilíbrio emocional que buscamos.
                Sendo assim, reclamar até é lícito quando aquele que ouve pode, de alguma forma, auxiliar ou gerar benefícios aos envolvidos ou aos processos de recuperação. Mesmo porque, em muitos casos onde os problemas com a reclamação são mais graves, necessitamos de ajuda profissional pois, ao reclamar constantemente, adotamos uma postura de auto-obsessão, inutilizando inúmeros recursos benéficos que recebemos e que evidentemente não vão gerar êxito.
                Buscar auxílio seja médico, psicológico ou espiritual e prosseguir reclamando, mina todo o benefício gerado pelo tratamento. Se deseja se tratar, antes fique em paz com a vida.
                Existe uma impossibilidade em experimentar a paz enquanto cultivarmos nossas tristezas no coração.


Do livro: Terapia Antiqueixa – Roosevelt Andolphato Tiago


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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MECANISMOS DE EVASÃO II


Outras vezes, a imaturidade psicológica reage pela forma de violência, de agressividade, decorrentes dos caprichos in­fantis que a vida, no relacionamento social, não pode aten­der.
Uma peculiar insensibilidade emocional domina o indi­víduo, que se desloca, por evasão psicológica, do ambiente e das pessoas com quem convive, poupando-se a aflições e somente considerando os próprios problemas, que o como­vem, ante a frieza que exterioriza quando em relação aos so­frimentos do próximo.
O homem nasceu para a auto-realização, e faz parte do grupo social no qual se encontra, a fim de promovê-lo cres­cendo com ele. Os problemas devem constituir-lhe meio de desenvolvimento, em razão de serem-lhe estímulos-desafios, sem os quais o tédio se lhe instalaria nos painéis da atividade, desmotivando-o para a luta.
Desse modo, são parte integrante da estruturação mental e emocional, responsáveis pelos esforços do próximo e do grupo em conjunto, para a sobrevivência de todos.
O solitário é prejuízo e dano na economia social, pertur­bando a coletividade.
Fatores que precedem ao berço, presentes na historiogra­fia do homem, decorrentes das suas existências anteriores, situam-no, no curso dos renascimentos, em lares e junto aos pais de quem necessita, a fim de superar as dívidas, desen­volver os recursos que lhe são inerentes e lhe estão adorme­cidos, dando campo à fraternidade que deve viger em todos os seus atos.
Assim, cumpre-lhe libertar-se da infância psicológica, mediante as terapias competentes, que o desalgemam dos condicionamentos perniciosos, ao mesmo tempo trabalhan­do-lhe a vontade, para assumir as responsabilidades que fa­zem parte de cada período do desenvolvimento físico e inte­lectual da vida.
Partindo de decisões mais simples, o exercício de ações responsáveis, nas quais o insucesso faz parte dos empreendi­mentos, o homem deve evitar os mecanismos de evasão, as­sim como as justificativas sem sentido, tais: não tenho culpa, não estou acostumado, nada comigo dá certo, aí ocultando a sua realidade de aprendiz, para evitar as outras tentativas que certamente se farão coroar de êxitos.
A experiência do triunfo é lograda através de sucessivos feitos. O acerto, nos primeiros tentames, não significa a segu­rança de continuados resultados positivos.
Em todas as áreas do comportamento estão presentes a glória e o fracasso, como expressões do mesmo empreendi­mento.
A fixação de qualquer aprendizagem dá-se mediante as tentativas frustradas ou não. Assim, vencer o desafio é esforço que resulta da perseverança, da repetição, sem enfado nem cansaço.
Toda fuga psicológica contribui para a manutenção do medo da realidade, não levando a lugar algum. Mediante sua usança, aumentam os receios de luta, complicam-se os meca­nismos de subestima pessoal e desconsideração pelos própri­os valores.
O homem, no entanto, possui recursos inesgotáveis que estão ao alcance do esforço pessoal.
Aquele que se demora somente na contemplação do que deve fazer, porém, não se anima a realizá-lo, perde excelente oportunidade de desvendar-se, desenvolvendo as capacida­des adormecidas que o podem brindar com segurança e reali­zação interior.
Todo o esforço a ser envidado, em favor da libertação dos mecanismos de fuga, contribui para apressar o equilíbrio emocional, o amadurecimento psicológico, de modo a assu­mir a sua humanidade, que é a característica definidora do indivíduo: sua memória, seus valores, seus atos, seu pensa­mento.
A fuga, portanto, consciente ou não, no comportamento psicológico, deve ser abolida, por incondizente com a lei do progresso, sob a qual todas as pessoas se encontram submeti­das pela fatalidade da evolução.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

MECANISMOS DE EVASÃO I

        
A larga infância psicológica das criaturas é dos mais gra­ves problemas, na área do comportamento humano.
Habituada, a criança, a ter as suas necessidades e anseios resolvidos, imaturamente, pelos adultos — pais, educadores, familiares, amigos — ou atendidos pela violência do clã e da sociedade, nega-se a crescer, evitando as responsabilidades que enfrentará.
No primeiro caso, porque tudo lhe chega às mãos de for­ma fácil, dilata o período infantil, acreditando que a vida não passa de um joguete e o seu estágio egocêntrico deve perma­necer, embora a mudança de identidade biológica, de que mal se dá conta.
Mimada, acomoda-se a exigir e ter, recusando-se o esfor­ço bem dirigido para a construção de uma personalidade equi­librado, capaz de enfrentar os desafios da vida, que lhe che­gam, a pouco e pouco.
Acreditando-se credora de todos os direitos, cria meca­nismos inconscientes de evasão dos deveres, reagindo a eles pelas mais variadas como ridículas formas de atitude, nas quais demonstra a prevalência do período infantil.
No segundo caso, sentindo-se defraudada pelo que lhe foi oferecido com má vontade e azedume ou sistematicamente negado, a criança se transfere de uma para outra faixa etária, sem abandonar as seqüelas da sua castração, buscando reali­zar os desejos sufocados, mas, vivos, quando lhe surja a opor­tunidade.
Em ambos acontecimentos, o desenvolvimento emocio­nal não corresponde ao físico e ao intelectual, que não são afetados pelos fenômenos psicológicos da imaturidade.
Excepcionalmente, pode suceder que o alargamento do período infantil, por privação dos sentimentos e pelas angús­tias, produza distúrbios na saúde física como na mental, ge­rando dilacerações profundas, difíceis de sanadas.
Na generalidade, porém, o que sucede são as apresenta­ções de adulto susceptível, medroso, instável, ciumento, que não superou a crise da infância, nela permanecendo sob con­flitos lastimáveis.
As figuras domésticas representadas pelo pai e pela mãe permanecem em atividade emocional, no inconsciente, re­solvendo os problemas ou atemorizando o indivíduo, que se refugia em mecanismos desculpistas para não lutar, manten­do-se distante de tudo quanto possa gerar decisão, envolvi­mento responsável, enfrentamento.
Fugindo das situações que exigem definição, parte para as formulações e comportamentos parasitas, buscando nas pessoas que considera fortes e são elegidas como seus heróis ou seus superiores, porqüanto, tudo que elas empreendem se apresenta coroado de êxito.
Não se dá conta da luta que travam, das renúncias e sacri­fícios que se impõem. Esta parte, não lhe interessa, ficando propositadamente ignorada.
Como efeito cresce-lhe a área dos conflitos da personali­dade, com predominância da autocompaixão, num esforço egoísta de receber carinho e assistência, sem a consciência da necessidade de retribuição.
Não lhe amadurecendo os sentimentos da solidariedade e do dever, crê-se merecedor de tudo, em detrimento do esfor­ço de ser útil ao próximo e à comunidade, esquecendo-se das falsas necessidades para tornar-se elemento de produção em favor do bem geral.
Instável emocionalmente, ama como fuga, buscando apoio, e transfere para a pessoa querida as responsabilidades e preocupações que lhe são pertinentes, tornando o vínculo afetivo insuportável para o eleito.

(continua)


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A MISERICÓRDIA E A LEI DE CAUSA E EFEITO

           
          Em algumas passagens do evangelho Jesus, explicitamente, faz alusão à misericórdia. O Mestre evidencia claramente a Lei de Causa e Efeito, quando afirma que os misericordiosos alcançarão misericórdia. Anotem a máxima importância que a aplicação da lei de causa e efeito nos nossos atos diários terá em nossa vida espiritual. Se tudo o que fizermos, voltará para nós mesmos, esta é uma das razões mais determinantes para que tenhamos compreensão para com os nossos companheiros mais problemáticos, para com aqueles que nos causam contrariedades, já que nós muitas vezes, necessitamos dessa mesma compreensão. O fardo de Jesus é leve, reflitamos no verdadeiro sentido do perdão: perdoar porque todos também precisaremos ser perdoados.
                Percebamos a profundidade do pensamento de Jesus em resposta ao questionamento do discípulo, quando afirma que se deve perdoar 70 vezes 7 vezes. O Mestre sinaliza que a necessidade do perdão é infinita e que não existe uma quantidade definida para isto. Apenas o nosso estado de limitação e a nossa falta de paciência é que limitam a quantidade de perdão que vamos praticar. Quando anunciou números, Ele apenas apontou que a quantidade de vezes não tem importância alguma, o que realmente tem peso e valor é a qualidade do perdão. O bom perdão é aquele em que há o esquecimento do fato gerador da falha ou, lembrar apenas como aprendizado, sem sentimentos de mágoas ou ódio.
                Depois da Lei de Causa e Efeito, Jesus nos fala da reencarnação, aconselhando a cada um de nós que aproveite esta oportunidade que ora temos na matéria, que prossigamos sem deixar nenhuma mágoa e nem ódios para as vidas futuras. Nosso adversário pode ser transitório ou não, isso depende de nossas atitudes. Se nos mostrarmos benemerentes, mesmo que não tenhamos sido responsáveis pelo problema ocorrido, não teremos inimigos futuros. Conseguir perdoar é o maior demonstrativo de que estamos, finalmente, abolindo o nosso orgulho.
                Em nossa imperfeição, acreditamos que Deus vai gostar mais de nós pela nossa assiduidade ao templo religiosos ou ao centro espírita. Podemos até crer que a doação de cestas básicas aos mais necessitados, também seria nosso passaporte para o Reino. Na realidade, o que o Mestre Jesus nos pede é que nos reconciliemos com o nosso adversário. Quem perdoa, exercita num único ato três virtudes agradáveis à Deus: humildade, paciência e misericórdia. A oferta verdadeira do cristão não são atos materiais ou exteriores, mas a modificação espiritual, com atos de reflexão íntima e em favor do próximo. De que adianta estudar o evangelho e não praticá-lo?
                O Mestre é explicito: que misericórdia é esta nossa quando reparamos mais nos pequenos defeitos dos outros, esquecendo-se que nossas imperfeições são maiores? Com que rapidez vestimos a toga de juízes ou promotores, a severidade com que observamos as faltas alheias é proporcionalmente inversa quanto às desculpas que encontramos para justificar nossas falhas. Jesus, por esta passagem, ainda condena a maledicência e o pensamento maléfico. O Senhor não nos impede de auxiliar e aconselhar os que erram, desde que isso seja feito de maneira cortês, sem segundas intenções e uma atitude voltada para aprendizado. Quando formos alertar um irmão que está no erro, temos que agir com um verdadeiro sentimento de caridade e benevolência, e não com uma superioridade moral que muitas vezes não temos para jamais ter dúvidas de como agir, questionemos os nossos atos diários e vejamos se estamos seguindo a lei máxima de Jesus: Fazei ao próximo aquilo que quereis que o próximo faça a você.


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2013


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terça-feira, 12 de novembro de 2013

O HOMEM CONSCIENTE II

    
     Estar desperto é mais do que encontrar-se vivo, do ponto de vista fisiológico, superando os automatis­mos, para localizar-se nas realizações da inteligência e do sentimento enobrecido.
As distrações habilmente se disfarçam, justifican­do trabalho exaustivo, repouso demorado, conversa­ções prolongadas, caminhadas e ginásticas que con­somem horas, e que, não obstante úteis, desviam da meta essencial que é o despertamento de si mesmo.
Há uma generalizada preferência humana pelas distrações, pela fuga da realidade, consumindo-se tempo e saúde no secundário, com desconsideração ou por ignorância do essencial.
Lentamente, por processo de saturação das dis­trações ou pelo imperativo de novas reencarnações, o homem aspira à conquista de outros níveis de cons­ciência e emerge do sono, passando a identificar o atraso em que se encontra, diante das infinitas pos­sibilidades de que dispõe.
Altera-se-lhe então a visão para a auto-identifica­ção, entendendo que o largo período de sono é res­ponsável pela existência dos inúmeros conflitos que o aturdem, das contradições entre o que pensa e o que faz, entre ao que aspira e o que realiza, manten­do a sensação permanente de incompletude.
Quando anestesiado no nível de sono, sente a mesma necessidade de completar-se, porém, identi­ficando os meios para o tentame, arroja-se mais nas experiências do instinto, frustrando-se e sofrendo.
A razão propele-o para a tomada de consciência e, nesse estado, à medida que se envolve na liberta­ção das cargas psicológicas opressoras, asfixiantes, passa a fruir emoções que o enlevam, aumentando o número de vivências dos logros íntimos, que lhe cons­tituem degraus e patamares a galgar, tendo em men­te o acume, que será a perfeita conscientização de si mesmo.
Ser consciente significa estar desperto, respon­sável, não-arrogante, não-submisso, livre de algemas, liberado do passado e do futuro.
Cada momento atual é magno na vida do homem consciente, e tudo quanto se propõe realizar, ao invés de tornar-se desafio, é-lhe estímulo ao prosseguimen­to tranqüilo da iluminação interior.
Usa a inteligência e aplica o sentimento em per­feita interação, avançando sempre, sem recuos nem amarguras.
Certamente experimenta as contingências da vida social, dos prejuízos políticos, das injunções do corpo, sem que tais ocorrências o desanimem ou o infelici­tem.
Consciente desses fenômenos, mais se afervora na busca da harmonia, conquistando novas áreas que antes permaneciam desconhecidas.
Age sempre lúcido, e cada compromisso que assume, dele se desincumbe em paz, sem a preocupa­ção de vitória exterior ou mesmo de superação.
A autoconquista é-lhe um crescimento natural e não-perturbador, assinalado pelo aprofundamento da visão da vida, totalmente diverso do comum, passan­do-a a transpessoal, portanto, espiritual.
Harmonizando aspirações e lutas, buscas e reali­zações, o homem consciente vive integralmente todos os momentos, todas as ações, todos os sentimentos, todas as aspirações.


O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O HOMEM CONSCIENTE I


O trânsito pela reencarnação enseja ao ser o de­senvolvimento dos valores éticos, ampliando-lhe o espaço mental para as conquistas relevantes.
Ao mesmo tempo, quando entorpecida a consci­ência, antes lúcida, o indivíduo deixa-se conduzir atra­vés do mergulho nas distrações, que lhe constituem os interesses máximos do dia-a-dia, olvidando as quali­dades superiores que propiciam realmente a felicidade.
Essas distrações prendem-lhe a atenção e detêm-lhe o processo de busca interior, empurrando-o para as fugas espetaculosas e as transferências das metas prioritárias, importantes, para aquelas que enganam, apaixonando-o e levando-o às conquistas vazias das coisas que não proporcionam mais do que o breve bem-estar da volúpia egoística do momento, expres­sa nos prazeres que logo se esfumam.
Quando convidado às reflexões profundas a res­peito da sua realidade como ser imortal, encharcado pelas paixões como se encontra, não consegue deter-se em uma demorada análise de si mesmo, porque logo os pensamentos se expandem em várias dire­ções, afugentando-o do objetivo essencial propiciador do auto-encontro.
Saciado pelo gozo, embora atormentado pelo de­sejo de novos prazeres, a sua fixação mental é somen­te possível quando se refere ao campo das sensações, nas quais chafurda até a exaustão, para retornar à posição anterior de ansiedade e insatisfação.
Acostumado às idéias do imediato, que trazem respostas momentâneas, logo a seguir, qualquer pro­jeção no tempo constitui-lhe sacrifício vão, porquanto não se dispõe a levar adiante a proposta inicial de realização demorada.
Os indivíduos, psicologicamente adormecidos, são ainda fisiológicos, não obstante possam estar projetados na sociedade e até mesmo bem considerados por ela.
Despertar significa identificar novos recursos ao alcance, descobrir valores expressivos que estão des­perdiçados, propor-se significados novos para a vida e antes não percebidos...
O despertamento retira o véu da ilusão e faculta a percepção da realidade não fugidia, aquela que pre­cede a forma e permanece depois da sua disjunção.
Estar desperto é encontrar-se participe da vida, estuante, tudo realizando com integral lucidez.
E mesmo o ato de dormir, para a aquisição do repouso físico, porque precedido de conhecimento do seu objetivo, torna-se um fenômeno de harmonia, sem os assaltos de clichês mentais arquivados, que asso­mam em forma de pesadelos tormentosos.
A fixação do despertamento resulta dos insisten­tes e contínuos espaços da mente, preenchidos pelo desejo veemente de adquirir lucidez.
Tudo quanto faz, realiza-o de forma consciente, desde o ato de coçar-se, quando concentrado, até o de superar o cansaço com o seu séquito de indisposi­ções orgânicas e psíquicas.

(continua)


O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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