- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -

- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -
PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quinta-feira, 19 de maio de 2016

CASAMENTO E CELEBRAÇÃO DO COTIDIANO

                Invariavelmente, o par da relação afetiva deixa só para momentos magnos os cuidados que deveria oferecer no continuum do relacionamento, esquecido de que qualquer intercâmbio sentimental assenta-se na tecedura do cotidiano. E, no caso da conjugalidade, essa necessidade assume caráter solene, em razão da especificidade desse tipo de vinculação amorosa, que implica muito tempo de convivência, aliada a uma grande proximidade física e emocional. Resulta que, se o casal não cuidar da interação, será inevitável o envenenamento, redundando na futura morte da união conjugal.
                Portanto, não são os momentos pontuais que fazem a concretude de uma relação: aniversário, dia dos namorados, dia da mulher, aniversário de bodas. Estes são arremates para a consolidação do dia a dia.
                O cotidiano tratado como celebração, como evento momentoso, empresta ao relacionamento a argamassa fixadora para uma relação crescente, evolutiva.
                Logo, é importante a comemoração das datas convencionais; porém, isto tem efeito paradoxal quando não existe a sacralização dos dias laicos.
                Não tem ressonâncias a dádiva, o presente, ofertado no aniversário de casamento, se o dia a dia não é observado como uma dádiva.
                A energia monetária colocada numa jóia, num automóvel, como demonstração de amor, é insuficiente para convencer e suprir a ausência dessa afetividade, quando ela não  é alocada nos dias comuns.
                Por isso, além das circunstâncias de datas singulares, deve-se também comparecer com um toque especial nos dias rotineiros, para que a vida seja brilhante.
                Mais do que surpresas em dias festivos convencionais, devemos estabelecer a surpresa do reencontro nos dias profanos.
                Aqui não se trata de proposta de relações idealizadas entre cônjuges vivendo o paraíso dos sonhos romanescos. Ao contrário, fala-se de uma convivência feita de desafios, lutas, ajuste de diferenças, circunstâncias próprias de um par amoroso. Eis, então, o desafio de tornar sagrados todos esses momentos ditos negativos, adotando uma forma criativa de lidar com eles, facultando que o relacionamento seja grande, amoroso, profundo, sagrado.
                É nos embalos e embates diários que construímos o monumento do acasalamento.
                Quando embalamos o relacionamento valendo-nos da canção do cuidar com atos pequenos – porque são pequenas grandes coisas que fundamentalmente afetam as relações – a pessoa amada se impregna de respeito, ternura, autoestima, e assim, fica estimulada a devolver ao outro o tratamento recebido numa reciprocidade automática, garantindo, desse modo, a circulação da energia amorosa capaz de impedir que os embates se transformem em combates, duelos desnecessários à conjugalidade.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
imagem: google

Nenhum comentário: