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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sexta-feira, 6 de maio de 2016

O FILHO COM NECESSIDADES ESPECIAIS

(Chico Xavier)
“O poema “Romance na Vida” foi recebido em nossa reunião pública. O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deu o item 8 de seu capitulo XIV e O Livro dos Espíritos a questão 372 para estudo.
“Feitos os comentários por companheiros presentes, quem se comunicou foi o poeta Alphonsus de Guimaraens, doando-nos a peça poética que passo as suas mãos. Consideramo-la adequada e comovente.
“Com surpresa, porém, na manhã seguinte a reunião, ao sair de casa, fomos procurados por uma senhora que nos trouxe o filhinho com necessidades especiais para conhecermos, solicitando o amparo do Dr. Bezerra de Menezes em seu favor.
“Essa senhora, em quase penúria, disse-nos haver estado presente na reunião publica da véspera; só não trouxera o pequeno enfermo por ter chegado já muito tarde, procedente de Ouro Preto. Deixara o doentinho em descanso numa pensão.
“Conquanto muito sofredora, prestara atenção a mensagem e viera pedir uma cópia.
“Comovi-me muito e fiquei meditando no assunto.”
* * *
NOTA – O item 8 do capitulo XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo trata do parentesco corporal e espiritual, mostrando que os Espíritos não se ligam pelos chamados laços de sangue, mas por afinidades espirituais. O item 372 de O Livro dos Espíritos consiste na seguinte pergunta de Kardec: “Qual o objetivo da Providencia ao criar seres desgraçados como os cretinos e os idiotas?”. A resposta dos Espíritos é a seguinte:
“São os espíritos em punição que vivem em corpos de idiotas. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento a que estão sujeitos e pela impossibilidade de manifestar-se através de órgãos não desenvolvidos ou defeituosos”.

Romance na vida
(Alphonsus de Guimaraens)
No campo, em que o luar engrinalda a escumilha,
O par freme de amor, a noite dorme e brilha.

Ele, o poeta aldeão, era humilde pastor;
Ela, a fidalga, expunha a mocidade em flor.

Ao longe da mansão, quantos beijos ao vento!…
Quantas juras de afeto a luz do firmamento!

Em certa noite, a eleita envia antigo pajem
Que entrega ao moço ansioso imprevista mensagem.

“Perdoe – a carta diz – se não lhe fui sincera
Desposarei agora o homem que me espera.

“Nunca deslustrarei o nome de meus pais.
Nosso amor foi um sonho… Um sonho. Nada mais.”

Chora o moço infeliz, sem ninguém que o conforte,
Surdo a razão, anseia arrojar-se na morte.

Corre a choca de taipa. A gesto subitâneo,
Arma-se em desespero e arrasa o próprio crânio.

Foi-se o tempo… E, no Além, o menestrel suicida
Era um louco implorando um novo corpo a vida.

Um dia, a castelã, no refúgio dourado,
Morre amargando, aflita, as lições do passado.

Pendem alvos jasmins do féretro suspenso,
Filhos clamam adeus em volutas de incenso.

Largando-se, por fim, dos enfeites de prata,
Sente-se agora a dama envilecida e ingrata.

Lembra o campo de outrora e o pobre moço aldeão,
Pede para revê-lo e rogar-lhe perdão.

Encontra-o, finalmente, em vasta enfermaria,
Demente, cego e mudo em angústia sombria.

Ela suporta em pranto a culpa que a reprova,
Quer voltar para a Terra e dar-lhe vida nova.

A eterna Lei de Amor no amor se lhe revela,
Retorna ao corpo denso em aldeia singela.

Hoje, mãe a sofrer, fina-se, pouco a pouco,
Carregando no colo um filho mudo e louco…

E enquanto o enfermo espraia o olhar triste e sem brilho,
Ela vive a rogar: “Não me deixes, meu filho!…”

O romance prossegue e os momentos se vão…
Bendita seja a dor que talha a perfeição.

Nas montanhas de Minas
(J. Herculano Pires)
Chico não sabia da presença da mãe infeliz na sessão. A mãe, entretanto, apesar de sua situação de miséria e aparente ignorância, captou no poema a sua própria historia, vivida em encarnação anterior, nos tempos medievais. E assim que a verdade oculta se revela para os que tem, como ensinava Jesus, olhos de ver e ouvidos de ouvir. Na solidão das montanhas de Minas uma tragédia europeia veio ter o seu desfecho em nossos dias. E o poeta dos amores tristes, que nasceu, viveu e morreu em Ouro Preto, incumbiu-se de revela-lo em seus versos límpidos, perfeitos, carregados da mesma melancolia que impregna toda a sua musa, usando agora a psicografia de Chico Xavier.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagens: google

Um comentário:

ॐ Shirley ॐ disse...

A maioria das pessoas, Denise, ignora que tudo tem uma razão de ser...
A cada momento criamos o nosso destino.
Bela mensagem.
Abraços!