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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sábado, 14 de setembro de 2013

PRAZER E GOZO III


Na busca da felicidade são inevitáveis os estági­os de sofrimento e de prazer, por constituírem fenô­menos da experiência humana, da realização do self desidentificando-se do ego. O lamentável, nessa ocor­rência, tem lugar com o surgimento e instalação do tormentoso sentimento de culpa, que nega inconsci­entemente ao indivíduo o direito de fruir a felicidade, ou mesmo o prazer, sem o estigma do sofrimento. Para fugir-lhe à imposição, busca-se o oceano do gozo, afo­gando ali os ideais mais altos na denominada opção realista, que entretanto consome os sentimentos e perturba as emoções, saturando-os ou desbordando-­os, rebaixando-os ao nível das sensações.
Há um mecanismo castrador impeditivo da ex­periência do prazer, que podemos considerar como sendo inibição. Além dele, a consciência de culpa conspira contra a realização da felicidade.
Tão arrai­gada se encontra no ser humano, que toda vez que as circunstâncias propiciam a presença do prazer — a pes­soa crê não merecer desfrutá-lo — ou da felicidade — o indivíduo receia vivê-la, não se permitindo experien­ciá-la — surge o temor de que algo mau sucederá.
Para desarticular esse mecanismo conflitador, torna-se necessária uma tomada de consciência de si mesmo, procurando descobrir a fonte geradora da inibição, para a psicoterapia libertadora convenien­te, que pode ter origem na conduta infantil — educa­ção coercitiva, meio social asfixiante, família domina­dora — ou proceder de reencarnações passadas — uso incorreto do livre-arbítrio, conduta irregular, exagero de paixões. Tal inibição, associada ao sentimento de culpa, castiga o ser, impedindo-o de fruir momentos de recreação, de ócio, levando-o a tormentos quando não se encontra produzindo algo concreto, o que se lhe torna uma necessidade compulsiva, portanto patológica.
Certamente não se deve viver para a ociosidade dourada, tampouco, exclusivamente, para a atividade estressante. Há todo um rico arsenal desportivo, um infinito painel de belezas naturais convidativas, um sem-número de estesias mediante a leitura, a arte, a conversação, um abençoado campo de idealismo atra­vés da prece, da meditação, do controle da mente, que se constituem tônicos revigorantes para as ações ge­radoras da felicidade e dos quais todos podem e de­vem dispor quanto aprouver. Esses interregnos nas atividades, enriquecidos de prazeres mais amplos, são estímulos para a criatividade, a libertação de car­gas psicológicas compressivas, a auto-realização.
Essa busca, do self profundo, deve superar e mes­mo arrebentar as resistências inibidoras, o sentimen­to de culpa, cujas energias serão canalizadas para a conquista da felicidade.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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2 comentários:

Maysa disse...

um bom domingo
forte abraço
elisa

tesco disse...

Certamente a felicidade só se encontra após uma caminhada de sofrimento - "ad augusta per angusta" já lembra o provérbio - mas não há uma linearidade obrigatória, não temos que "continuar sofrendo até...", não, isto é opcional.
A boa caminhada é justamente ir transformando o sofrimento em felicidade, não se tornar masoquista e dizer "tá amargo mas é queijo", quando se está comendo sabão, mas conscientizar-se que se está no caminho.
E o ruim não é caminhar, mas ficar parado. Água estagnada é a que causa patologias.
Beijos.