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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quinta-feira, 1 de maio de 2014

SOMOS MARTA OU MARIA?


              “Enquanto caminhava, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em casa, sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!” O Senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.” (Lucas 10:38-42)
                O Mestre Jesus, ciente de que sua passagem pela Terra seria curta, serviu-se de todos os momentos para deixar lições imorredoura. Mais dos que isso, como professor das lições do espírito, ensinou-nos a pensar, refletir, reflexionar. Por isso, todas as palavras, episódios, diálogos e até mesmo os silêncios de Jesus, não podem e nem devem deixar de ser analisados profundamente, repetidas vezes. A cada novo estudo, um novo ensinamento. Nesse ínterim, a passagem do meigo rabi à casa das irmãs de Lázaro, relata exclusivamente no Evangelho de Lucas, ganha maior profundidade e significação muito rica a lição, que nos permite descobrir e redescobrir faces dos ensinamentos de Jesus nesta nossa senda em busca do autoconhecimento e da evolução moral.
                Para um grande estudioso da doutrina, o relato de Lucas não deve ser visto apenas como uma situação relativa apenas às duas irmãs. Existem dentro de nós porções de Martas e Marias. O ativismo, a preocupação com as coisas materiais, nosso zelo com as responsabilidades no lar, no trabalho e na vida física, refletem o nosso lado Marta, ligado à vida ativa e à correria das coisas humanas. Já o nosso lado contemplativo, ligado aos íntimos momentos em que nos desnudamos e nos entregamos à espiritualização, à oração, na busca do contato com os bons espíritos, é o nosso lado Maria. Numa primeira vista, poder-se-ia dizer que é mais importante ser Maria do que Marta, mas ledo engano, ambas as personalidades nos são essenciais.
                Assim, como a maior parte da humanidade, Marta contempla sua existência numa visão de horizontalidade, fixada nos interesses materiais. Ciosa, honesta e laboriosa, preocupa-se em como cuidar da casa, providenciar suprimentos, preparar as refeições, trabalhar e outras coisas do gênero. Isso não é condenável, faz parte das atribuições do homem enquanto ser gregário. Embora isso nos dê uma sensação de realização, nos damos conta de que nos falta algo. Esse estado Marta reflete aquele que busca, que procura Jesus. Maria já se encontra numa visão vertical, de espírito que aspira a comunhão com a Divindade, que busca o aprendizado superior junto ao Mestre. O estado Maria reflete aqueles que escolheram a melhor parte, que ninguém lhes vai tirar. Simbolizam os que já encontraram Jesus, como Chico Xavier, Irmã Dulce, entre outros.
                O relato de Lucas é a clara lição do Mestre sobre a necessidade do equilíbrio que precisamos buscar diante da vida material e da vida espiritual. Destarte não condene o trabalho, a sentença de Jesus nos deve ser muito clara e deve soar em nossos ouvidos: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; porém, uma só coisa é necessária”, Jesus não condenava o trabalho, apenas aconselhava Marta a pensar nas coisas espirituais que são eternas e colocar as prioridades em seu lugar certo. Tudo tem seu tempo certo e, assim como o tempo de cozinhar, de trabalhar, precisamos encontrar o tempo de aproveitar a presença de Jesus em nossa vida. Jesus nos adverte para que reflitamos: quantas vezes somos Martas, ligados ao materialismo do mundo moderno, na busca da riqueza, da acumulação de posses?               
                Há muitas Martas pela vida, preocupadas com seus negócios, com sua profissão, com sua casa, com seus bens materiais, sem tempo para cuidar do espírito. É importante que tenhamos nossa profissão, nosso emprego, nosso sustento, nossa casa, nossos bens materiais, mas quando isso tudo começa a ocupar demasiado espaço em nossa vida, começamos a marcar passo na jornada evolutiva e perdemos preciosas oportunidades de aprendizados e renovação. Mesmo nas lides espíritas, onde jamais isso deveria acontecer, tendo em vista a clareza e a profundidade da mensagem codificada por Allan Kardec, muitos perdem tempo em busca do que lhes será tirado, perdendo tempo em não buscar valores que lhes enriqueceriam para sempre a existência.
 Orlando Ribeiro
 Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – setembro/2013
imagem: atendanarocha.com

2 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Excelente, amiga Denise. Um abraço. Tenhas uma boa noite.

Maria José Rezende de Lacerda disse...

Olá amiga. Sempre o material atrapalhando o espiritual. Ainda temos muito o que aprender. Beijos e ótimo final de semana.