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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

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sexta-feira, 18 de março de 2011

AUTO ENCONTRO V

      Agora vamos estudar as atitudes do filho mais velho na Parábola do Filho Pródigo. Em sua conduta há uma aparência de bondade e servidão ao pai.
Percebemos claramente sua rebeldia quando não quis entrar em casa, por ter o pai recebido festivamente o seu irmão mais novo. Não o reconhece como irmão e refere-se a ele com desprezo.
Ora, se a fazenda era do pai, ele não tinha nada a ver com a perda. Na realidade, esta aparência de dedicação com relação aos bens do pai, esconde apenas a cobiça, o ciúme, a inveja e o despeito. Ele permanecia com o pai por obrigação, como um servo, e não por escolha como um filho.
Ao se colocar como servo, ele fica aguardando remuneração; os interesses dele são diversos do Pai, quer servir a dois senhores, a Deus e a si mesmo, fato impossível de ser praticado. Daí o fato dele, por se considerar servo, não querer entrar na casa, pois já não se sentia confortável nela, por ter os seus interesses contrariados.
Os filhos têm interesse em comum com o pai e por isso ficam “para sempre na casa.” O pai, ao contrário, sentia-se junto ao filho, pois o Ser Essencial sempre está presente, mesmo quando nos distanciamos dele e Deus sempre nos ama e, por isso, está conosco, independentemente de estarmos em comunhão com Ele, ou não.
A mensagem de Jesus nessa parábola é sobre como são nocivas as máscaras, pois nos fazem distanciar mais intensamente da nossa própria essência e conseqüentemente de Deus.
A pessoa que usa as máscaras se acha cumpridora das obrigações, acredita-se melhor do que é, mas na realidade, somente cultiva a aparência de bondade, pois as máscaras provêm do pseudo-amor: parecem amor, mas não é.
Ele usa o irmão mais velho para personificar as máscaras do ego, porque elas são fruto de uma elaboração mental que exige mais experiência, enquanto o irmão mais novo inexperiente e, por isso, mais ignorante, lança-se ao cultivo dos prazeres egóicos, sem máscaras, enquanto o mais velho fica cultivando a aparente dedicação junto ao pai.
O cultivo das máscaras é pior para o indivíduo, do que vivenciar as negatividades. Ao se identificar com estas, sofre imediatamente as conseqüências do desamor praticado e, por isso, retorna, mais cedo ou mais tarde, ao amor.
Quando, ao contrário, se cultiva o pseudo-amor – no  qual o processo de retorno ao essencial se faz mais demorado, porque cultivá-lo é mais fácil e bem visto socialmente – gera a “zona de conforto psicológica.”
A máscara é muito confortável, devido à facilidade com que aparentamos aquilo que ainda não somos. É por isso que o processo de retorno ao Essencial fica difícil, pois é necessário primeiro, fazer cair a máscara, reconhecer as negatividades ocultas por ela – processo que é muito doloroso, porque fere o orgulho – para, somente aí, com exercícios gradativos de humildade, retornar ao amor verdadeiro.
Devido a esse grande empecilho para a evolução humana é que, no evangelho, Jesus se refere às máscaras colocando-as de forma clara, por serem extremamente nocivas à criatura.
Analisemos agora os vários tipos de máscaras do ego que lançamos mão, com objetivo consciente ou inconsciente, de ocultar as negatividades que possuímos.

Do livro: PSICOTERAPIA À LUZ DO EVANGELHO DE JESUS
Alírio de Cerqueira Filho


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