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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quinta-feira, 10 de março de 2011

CRISES E TURBULÊNCIAS

            O vocábulo crise provém do sânscrito, kri ou kir, significando desembaraçar ou purificar, dando origem às palavras acrisolar, crisol...
            Desse modo, uma crise pode ser considerada como um crisol (substância química) que depura das gangas o ouro e outros metais preciosos, quando levados às caldeiras nas quais são derretidos.
            Por outro lado, deriva-se do grego krísis, que se pode interpretar como uma mudança, um conflito que tem lugar em uma fase qualquer da vida, em razão de acontecimentos internos que não foram superados diante de outros que surgem com energias novas.
            Todo processo de evolução, nos mais variados aspectos, experimenta periodicamente crises resultantes de avaliações que examinam os métodos comportamentais utilizados, abrindo espaço para novos investimentos, para experimentos outros ainda não tentados.
            A crise é uma necessidade sociológica e psicológica, facultando melhor aproveitamento das oportunidades existentes, ensejando a coragem para serem realizadas mudanças de paradigmas assim como de condutas, sempre objetivando resultados mais saudáveis e práticos.
            Da mesma forma como a crise se apresenta em caráter de falta, de luta, de transformação, também propicia novos rumos, conceituações compatíveis com as épocas e suas estruturas éticas, morais, sociais.
            O mundo contemporâneo encontra-se em crise de valores, mas também em convulsão interna, na adaptação das  placas tectônicas, nos fenômenos sísmicos disso conseqüentes, nas erupções vulcânicas, tempestades, ciclones – que sempre ocorreram na acomodação do planeta ao equilíbrio cósmico – assim como a sociedade que o habita, resultado das convulsões experimentadas pelas criaturas.
            O homem, cuja palavra se deriva de húmus – terra fértil – do mesmo modo encontra-se em turbulência, como resultado da crise de valores em que se apóia, descobrindo que tudo a sua volta sofre os efeitos desse distúrbio, talvez necessário, no momento, a fim de surgirem novos conceitos e comportamentos.
            Em toda parte no Universo existe um sentido de cooperação e não de competição, enquanto as criaturas humanas combatem-se, dominadas pelos interesses escusos em que se apóiam.
            A sociedade é um todo, que deveria ser harmônico, mas os preconceitos nascidos no egoísmo e na prepotência, dividiram-na em grupos étnicos, sociais, raciais, culturais, comportamentais, religiosos, de onde se destacaram inumeráveis subgrupos sempre divisórios no que deveria ser unidade.
            Os preconceitos são frutos espúrios da crise moral que atormenta o indivíduo insatisfeito com a própria conduta, exigindo privilégios para sim em face da insegurança psicológica no trato relacional com o seu próximo.
            Esse comportamento tem levado a humanidade à autodestuição, porque os grupos antagônicos reagem, uns contra os outros, tornando as crises existenciais verdadeiras guerras, que empurram para o fundo poço do desespero, do aniquilamento.
            Torna-se inevitável uma reação de lógica e de compreensão: ou todos se unem em benefício do ideal comum, ou todos são arrastados pela caudal da loucura.
            Nessa luta cotidiana é impossível a sobrevivência do vitorioso, caso ocorresse o surgimento de algum, indivíduo, grupo, nação ou continente, porque logo tombaria, vitimado em si mesmo, sobre os despojos do vencido.
            Toda a cooperação, pois, torna-se necessária e urgente, a fim de que a grande crise que domina os quadrantes do planeta e todas as criaturas sencientes, especialmente humanas, possa viger nas consciências e nos pensamentos dos geradores de crises.
            O próprio planeta sofre a devastação em diversas áreas, como efeito da crise de respeito pela vida, pela natureza, pela mãe Terra, sendo indispensável que haja uma renovação de conceito em torno da sua preservação imediata, antes que o caos se estabeleça por definitivo.
            É certo que a natureza possui recursos próprios de auto-renovação, de auto-reconstrução, necessitando, porém, de tempo e de condições propiciatórias para o cometimento que o ser humano não lhe faculta.
            Então padece o efeito das chuvas ácidas, do envenenamento por metais pesados que extinguem o ozônio, intoxicam o oxigênio, alterando o clima em face do degelo dos pólos, das neves eternas, com a conseqüente aridez de terras antes férteis, desaparecimento de lagos e mares, aumento do volume de águas dos oceanos, desaparecimento paulatino de água potável, ameaças de todo lado...
            Somente uma crise de  consciência humana e sociológica poderá despertar aqueles que destroem o habitat, facultando-lhes a compreensão da responsabilidade e do respeito pelas imposições naturais do equilíbrio cósmico.
            A inconsciência em torno da vida, o abuso dos recursos naturais, os exageros industriais e a prepotência de algumas nações respondem pelo estado em que se encontra a Terra, ameaçada e sem meios de superar a injunção, caso não sejam tomadas medidas salvadoras urgentes em favor da vida.
            Tudo por efeito da crise moral que assalta o homem e a mulher dos últimos tempos, já lúcidos a respeito dos mecanismos planetários, mas indiferentes aos seus efeitos, como se não lhes interessasse o futuro, no qual, pensam, por certo, não estarão.
            Engodo que se origina no conceito materialista em torno da morte como fim da vida, olvidando-se a lei do progresso e de causa e efeito, vigentes em toda parte, mediante as quais o retorno ao caminho da evolução é inevitável, através da reencarnação, quando colherão a aspereza daquilo que estabeleceram durante a vilegiatura carnal anterior, quando depredaram, agrediram, destruíram as dádivas do amor de Deus em a natureza.
            Na raiz dessas crises, porém, encontra-se a ambição econômica dos seres humanos imediatistas, que tudo investem em favor do poder e do ter, na desenfreada pretensão de reunir bens materiais e consumistas, que o tempo se encarrega de demonstrar quão inúteis são em realidade. Pensando apenas em si e não no grupo, esses estúrdios entesouram de qualquer maneira, atormentados pela sede de afirmação da personalidade no grupo social, pela ânsia do destaque, em face do auto desamor de que são portadores e da falta de confiança pessoal. Necessitam do aval da sociedade, para convencer-se de valores que sabem não possuir.
            Então surgem os desastres mediante as grandes crises individuais, coletivas e planetárias, que tomam conta destes conflitivos dias.

Do livro: ENCONTRO COM A PAZ E A SAÚDE
Divaldo P. Franco/Esp. Joanna de Ângelis

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