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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sábado, 12 de fevereiro de 2011

DISCIPLINA DOS DESEJOS

            Quando desejamos o bem, sentimos amor, a compaixão e a fraternidade pelo outro.
            Quando desejamos o mal, sentimos o ódio, a raiva e a indiferença ao outro.
            Quando desejamos estagnar, sentimos a preguiça, o pessimismo e a descrença.
            Quando desejamos o progresso, sentimos o idealismo, o otimismo e a fé.
            Entre nós é muito conhecido o enunciado “Desejando, sentes. Sentindo, mentalizas. Mentalizando, ages”, que estabelece uma realidade quase geral sobre a rotina da mente.
            Desejo, fenômeno da vida mental inconsciente, conquista evolutiva de valor na formação da consciência. Podemos classifica-lo como uma “inteligência instintiva” ampliando o  espectro das pesquisas modernas sobre a multiplicidade das inteligências.
            Temos o desejo de viver, desejo dos sentidos, desejo de amar, desejo de pensar, desejo de raciocinar, desejo de gratificação, todos consolidados no que vamos nomear como “inteligência primária automatizada”, guardando vínculos estreitos com as memórias estratificadas do psiquismo na evolução hominal. É dessa “inteligência” que são determinados o impulso do sentir conforme o desejo central, desejo esse que mais não é senão o reflexo indutor da rotina mental na vida do homem.
            Intensificando ainda mais essas “forças impulsivas” do desejo central, encontramos os estímulos sociais da atualidade delineando novos hábitos e atitudes, no fortalecimento de velhas bagagens morais da alma através do instinto de posse, degenerando em apego lamentável no rumo das apropriações desrespeitosas entre os homens.
            Na convivência, a intromissão desse hábito de posse estabelece o ciúme, a inveja, a dependência e a dor em complexas relações. Façamos uma análise mais atenta.
            O afeto, como expressão do sentimento humano, carreia, em muitos lances da experiência relacional, um conglomerado de desejos. Entre eles encontram-se aqueles que nos mantém na retaguarda espiritual, carecendo de educação a fim de não fazer da vida interpessoal um colapso de energias, em circuitos delicados de conflitos e atitudes desajustadas do bem, provenientes de ligações malsucedidas e possessivas.
            Devemos trabalhar para que todos consórcios de afeto, com quem seja, progridam sempre para a desvinculação, abstraindo-se de elos de idolatria e intimidade ou desprezo e mágoa - posturas extremas no terreno dos sentimentos que conduzem aos excessos.
            O afeto que temos é somente aquele que damos, porque o experimentamos nas nascentes do coração, irradiando de nós. E porque é nosso podemos dar, gratificando mais plenamente em cede-lo ao outro que criar vínculos doentios por exigi-lo de outrem, em aprisionamentos velados ou declarados. Em verdade, esse “possuir afetivo” é a nossa busca de completude, entretanto a verdadeira complementaridade gera autonomia, liberdade e crescimento, enquanto essa possessividade gera escravidão, desrespeito e desequilíbrio.
            A afeição deve ser administrada na medida exata. Nem frieza, nem excessos. Isso solicita a disciplina sobre os desejos que são, em boa parte, forças de propulsão nas fibras sensíveis da afetividade.
            Quando se trata do tema transformação íntima na vitória sobre nós mesmos, estamos referindo, sobretudo, a esses “impulsos-motrizes” de sentimento que são originados nas pulsões dos desejos. Graças aos desejos centrais que, costumeiramente, assenhoreiam nossa rotina mental, constata-se uma dicotomia entre pensar, sentir e fazer. Exemplo comum disso é o ideal de espiritualização que esposamos. Temos consciência da urgência de unirmos, amarmos, somar esforços, crescer e melhorar, porém, nem sempre é assim que sentimos sobre aquilo que já conhecemos. Fortes interferências no sentir causam solavancos e acidentes nos percursos da mudança interior. Falamos, pensamos e até agimos no bem em muitas ocasiões, mas nem sempre sentimos o bem que advogamos, estabelecendo “hiatos de afeto” no comprometimento com a causa, atraindo desmotivação, dúvida, preguiça, perturbação e ausência de identificação com as responsabilidades assumidas. Tudo isso coadjuvado por interferências de adversários espirituais, nos quadros da obsessão em variados níveis.
            É assim que nossos sentimentos sofrem a “carga psico-afetiva” milenar dos desejos exclusivistas e inferiores, que ainda caracterizam a rotina induzida nos campos da mentalização.
            E como instaurar matrizes novas no psiquismo de profundidade em favor da renovação de nossos sentimentos? Como renovar esse “coração milenar” pulsando independente da vontade?
            Eis um empreendimento desafiante e progressivo. A solução está na aplicação de intenso regime disciplinar dos desejos, deixando de fazer o que gostaríamos e não devemos, e fazendo o que não gostaríamos, mas é o dever.
            Em outras palavras, saber desejar afinando impulsos com os alvitres conscienciais.
            A disciplina dos desejos tem duas operações mentais principais, que são a contenção e a repetição, para que essa disciplina alcance o patamar de fator de educação emocional.
            Na contenção é utilizado todo o potencial da vontade ativa e esclarecida, com finalidade de assumir o controle sobre as fontes energéticas de teores primários e suscetíveis de causar “danos” aos novéis propósitos que acalentamos.
            Já a repetição é a força que coopera na dinamização dos exercícios formadores de hábitos novos, com os quais desenvolvemos os valores divinos depositados na intimidade do ser desde a criação.
            Contenção e repetição são movimentos mentais neutros, que adquirirão natureza e qualidade na dependência das cargas afetivas com as quais serão impregnadas, e nisso encontra-se a verdadeira transformação interior.

REFORMA ÍNTIMA SEM MARTÍRIO

Ermance Dufaux

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DESEJO

O desejo é gerador da vontade e pertence às estruturas mais íntimas do espírito; é através das experiências acumulativas do espírito que ele se enraíza no perispírito gerando os condicionamentos.

A maioria dos desejos conscientes do ser humano obedece aos condicionamentos orgânicos ainda embrionários e perispirituais já consolidados.

O processo evolutivo implica em educar os desejos, já transformados em condicionamentos, a serviço do espírito. Erradicá-los, não só é prejudicial, como, de certa forma, impossível. É nesse sentido que toda repressão gera necessidade de realização futura, visto que, se trata, muitas vezes, de se tentar intervir em condicionamentos perispirituais.

O desejo é a força interna que move a vontade. Esta é o ato voluntário com objetividade para a realização de algo. O animal não possui vontade. Seu instinto é a manifestação do desejo oriundo de sua essência divina.

Por causa do condicionamento, sem o necessário preparo educativo do desejo, o ser humano costuma atendê-lo abruptamente, assim que ele irrompe à consciência. Às vezes, nem à consciência ele precisa vir para que nos movamos para atendê-lo, face ao automatismo perispiritual inconsciente. Por esse motivo, atendemos a desejos dos quais mais tarde nos arrependemos, atribuindo aos estímulos externos sua ocorrência.

A educação do desejo se inicia com a percepção de sua existência, identificação dos fatores que estimulam seu surgimento, experimentação moderada e adequada de sua realização, renúncia a atendê-lo quando lhe perceber o dano que possa causar, mobilização da energia gerada por ele para outro foco, e, por fim, com seu direcionamento para os objetivos de auto-realização.

As obsessões espirituais, ocorrência comum ao ser humano e típica do nível evolutivo em que se encontra, decorrem, muitas vezes, da realização inadequada dos desejos.

As medicações inibidoras da motivação, da ansiedade e da mobilidade, longe de erradicarem os desejos humanos, os ampliam, adiando sua expressão para algum momento em que o espírito se sinta mais corajoso para realizá-los. Toda repressão gera acúmulo que necessita de escape.

No ser humano é importante que seu desejo o guie para a felicidade, sem que amarras psíquicas o prendam ao passado e sem que ele mesmo tente desviar ou boicotar seu destino.

Do Livro : PSICOLOGIA DO ESPÍRITO
Adenáuer Novaes