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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A VONTADE E OS FLUIDOS


                A vontade é a faculdade soberana da alma, a força espiritual por excelência, e pode mesmo dizer-se que é a essência da sua personalidade. Seu poder sobre os fluidos é acrescido com a elevação do espírito. No meio terrestre, seus efeitos sobre a matéria são limitados, porque o homem se ignora e não sabe utilizar-se das forças que estão em si; porém, nos mundos mais adiantados, o ser humano, que já tem aprendido a querer, impera sobre a natureza inteira, dirige facilmente os fluidos, produz fenômenos, metamorfoses que vão até o prodígio. No espaço e nesses mundos, a matéria apresenta-se sob estados fluídicos de que apenas podemos ter uma idéia vaga. Assim como na Terra certas combinações químicas se produzem unicamente sob a influência da luz, assim também, nesses meios, os fluidos não se unem nem se ligam senão por um ato da vontade dos seres superiores.
                Se a vontade exerce tal influência sobre a matéria bruta e sobre os fluidos rudimentares, tanto melhor se compreenderá seu império sobre o perispírito e os progressos ou as desordens que nele determina, segundo a natureza de sua ação, tanto no curso da vida como após a desencarnação.
                Todo ato da vontade, reveste uma forma, uma aparência fluídica, que se grava no invólucro perispirítico. Torna-se evidente que, se esses atos fossem inspirados por paixões materiais, sua forma seria material e grosseira. As moléculas perispirituais, impregnadas, saturadas dessas formas, dessas imagens, materializam-se a seu contacto, espessam-se cada vez mais, aproximam-se, condensam-se. Desde que as mesmas causas se reproduzam, os mesmos efeitos acumulam-se, a condensação acelera-se, os sentidos enfraquecem-se e atrofiam-se, as vibrações diminuem de força e reduzem-se. Por ocasião da morte acha-se o espírito envolvido por fluidos opacos e pesados que não mais deixam passar as impressões do mundo exterior e tornam-se para a alma uma prisão e um túmulo. Esse é o castigo preparado pelo próprio espírito; essa situação é obra sua e somente cessa quando aspirações mais elevadas, o arrependimento, a vontade de melhorar, vêm romper a cadeia material que o enjaula.
                Efetivamente, se as paixões baixas e materiais perturbam, obscurecem o organismo fluídico, os pensamentos generosos, em um sentido oposto, as ações nobres apuram e dilatam as moléculas perispiríticas. Sabemos que as propriedades da matéria aumentam com seu grau de pureza. O perispírito rarefazendo-se, ganha sutileza e sensibilidade; seu poder de irradiação e sua energia aumentam proporcionalmente e permitem-lhe que escape às atrações terrestres. O espírito adquire, então, sentidos novos, com cujo auxílio poderá penetrar em meios mais puros, comunicar-se com seres mais etéreos. Essas faculdades, esses sentidos, que franqueiam o acesso das regiões felizes, podem ser conquistados e desenvolvidos por qualquer alma humana, visto todas possuírem os seus germes imperecíveis. As nossas vidas sucessivas, cheias de trabalhos e de esforços, tem por alvo fazer desabrochar em nós essas faculdades.
                Tudo pode a vontade exercida no sentido do bem e de acordo com as leis naturais. Muito também pode para o mal. Nossos maus pensamentos, nossos desejos impuros, nossos atos culpáveis, corrompem, por neles se refletirem os fluidos que nos rodeiam, e o contato destes produz mal-estar e impressões desagradáveis nas pessoas que de nós se aproximam, pois todo organismo sofre a influência dos fluidos ambientes. Do mesmo modo, sentimentos de ordem elevada, pensamentos de amor, exortações calorosas vão penetrar os seres que nos cercam, sustentá-los e vivificá-los. Assim se explica o império exercido sobre as multidões pelos grandes missionários e pelas almas eminentes. Embora os maus também assim possam exercer a sua influência funesta, podemos sempre conjurar esta última por volições em sentido inverso e através de resistência enérgica da nossa vontade.
                Um conhecimento mais completo das potências da alma e de sua aplicação deverá modificar totalmente as nossas tendências e os nossos atos. Sabendo que todos os fatos da nossa vida se inscrevem conosco, testemunham pró ou contra nós, dirigiremos a cada um deles uma atenção mais escrupulosa. Esforçar-nos-emos desde então por desenvolver os nossos recursos latentes e por agir por nosso intermédio sobre os fluidos espalhados no espaço, de modo a depurá-los, a transformá-los para o bem de todos, a criar em torno de nós uma atmosfera límpida e pura, inacessível aos fluidos viciados. O espírito que não age, que se deixa levar pelas influências materiais, fica débil e incapaz de perceber as sensações delicadas da vida espiritual. Acha-se em uma inércia completa depois da morte; as perspectivas do espaço não oferecem a seus sentidos velados senão a obscuridade e o vácuo. O espírito ativo, preocupado em exercer suas faculdades por um uso constante, adquire forças novas; sua vista abrange horizontes mais vastos, e o círculo de suas relações alarga-se gradualmente.

Do livro: Depois da Morte – Léon Denis


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

VONTADE

                A vontade é o desejo educado. A vontade é patrimônio do espírito, o qual, dotado de razão, deverá, para seu progresso, colocá-la a serviço da evolução. Ela é uma potência que nasce da intimidade do espírito, sendo continuação ou expressão da vontade divina.
                É a disposição consciente para fazer algo. Nela, a iniciativa faz parte de conexões emocionais e racionais dirigidas a determinado fim.
                A falta de ânimo numa pessoa não lhe anula o desejo, mas apenas inibe sua vontade, a qual estará impedida pelo direcionamento daquele a outro móvel.
                É fundamental que estejamos sempre a nos perguntar a serviço de que objetivo está nossa vontade, a fim de que não nos peguemos de surpresa, atendendo a desejos inconscientes contrários aos nossos propósitos de vida. Esse objetivo deve pertencer aos ideais de vida e ser considerado como algo que transcende o tempo e as limitações do corpo.
                Quando nossa vontade nos dirige para objetivos que nem sempre estão de acordo com o que queremos de bom, pode ser que estejam ocorrendo influências externas, além daquelas oriundas do nosso mundo interior. Muitas vezes nos afirmamos sem força de vontade por não percebermos a sutileza dessas influências. Face à interferência dos complexos e das influências espirituais, a vontade dirige os nossos pensamentos para um alvo determinado, porém nem sempre consciente. Esses complexos, na sua maioria estruturados no decorrer das vidas passadas, necessitam da percepção consciente da natureza de seus conteúdos, a fim de que a vontade possa se manifestar em sua plenitude para dissolvê-los. Mesmo conscientes do que queremos e percebendo a direção de nossa vontade, isso não significa que conheçamos seus motivos estruturais. Mesmo que se encontre um nome para definir essa objetividade inconsciente, sempre há que considerar a impossibilidade de obstaculizar-lhe a direção ascencional. É preciso que nos conscientizemos desse movimento para o qual a vida nos conduz. Entendê-lo e trabalhar na sua direção é condição essencial à felicidade; torna-se fundamental aprender a perceber o fluxo espontâneo da vida e para onde ela nos leva, diminuindo a ansiedade e a impulsividade.
                Ela é direcionadora do princípio da evolução de espírito. É o motor da existência real. Saber educá-la e direcioná-la a serviço do amor e da vida é garantia de felicidade.
                É necessário em algum nível realizar a vontade. Por algum motivo ela é conseqüência do impulso criador do espírito querendo fluir. Muitas vezes sua manifestação em algumas atitudes nos choca pela flagrante oposição ao amor, à paz e à harmonia; no entanto devemos ter o discernimento para avaliar o nível de evolução daquele que a manifesta a fim de não disparar o crivo forte do juízo ao comportamento alheio. O respeito ao equívoco do outro é fundamental ao próprio equilíbrio.
                O perispírito contém várias configurações que representam as diversas experiências reencarnatórias, os inúmeros processos existenciais, bem como as aquisições evolutivas. A vontade perpassa essas configurações, trazendo novas re-configurações, as quais mobilizam a matéria sutil do perispírito gerando pensamentos e atitudes.
                O espírito, no ato da criação, não possui livre-arbítrio, visto que essa é uma  conquista decorrente das experiências no contato com a vida. Nele há apenas o impulso natural para o desenvolvimento.
                É preciso que coloquemos a vontade a serviço da própria felicidade dentro dos objetivos singulares de Deus para conosco. Onde a vontade é conscientemente e harmonicamente exercida, o destino se mostra mais flexível e os caminhos se abrem à disposição do espírito para que melhor possa escolher.
                O que nos move para construir e realizar na vida tem vários nomes. Pode ser chamado de necessidade, instinto, motivação, desejo, impulso; não importa a denominação que se lhe dê, porém deve-se ter a consciência de que é isso que leva o ser humano a atender algum anseio íntimo; esse anseio é a expressão de Deus através do espírito. Há que considerar a existência de uma motivação inconsciente no ser humano, da qual ele só se dá  conta quando ascende na escala evolutiva. Ele tem um desejo, ou necessidade latente, em realizar, em construir, em fazer, em se movimentar na vida.
                Há um influxo criador divino. Há algo que de Deus emana e flui, o qual perpassa cada ser, que, devido à configuração ou arranjo de cada molde, corporifica-se.
                Os motivos pelos quais realizamos as coisas são manifestações características da expressão de Deus e podem ser entendidos sob vários ângulos distintos. Quando buscamos a satisfação dos instintos nas manifestações primárias da energia psíquica, nem sempre educadas; nas respostas ao ambiente, o qual nos estimula a trocas para o necessário convívio; quando aparece o desejo de poder, o qual nos impulsiona ao exercício da autoridade; no desejo de satisfação sexual com a permuta das energias geradoras de vida; quando queremos segurança para estabelecer uma base pessoal; sempre que percebemos a necessidade de amor no equilíbrio das relações pessoais; quando queremos a aceitação dos outros para que nos sintamos existentes; ao buscar uma significação para a própria vida; na busca da necessária socialização por conta da existência do outro; na necessidade de crescer e amadurecer para fazer face aos desafios da vida; no impositivo da autopreservação, condição inerente à imortalidade; quando temos a necessidade de valorização pessoal na busca da individuação; na necessidade de realização do próprio destino e do si mesmo; quando estamos na busca do que consideramos ser o criador da vida; quando estamos à procura de algo ou alguém que nos complemente. Em todas essas circunstâncias estaremos expressando a vontade divina para a manifestação do Deus interior que em nós habita.
                A motivação é um componente básico da personalidade. Sem ela estaríamos à mercê do inconsciente e das influências externas. Tê-la sob o fluxo que nos leva às realizações superiores do espírito, possibilitando a conquista da harmonia.
                A motivação se traduz num certo querer, numa inclinação para um objeto além de nós, num impulso para a saída da inércia, numa tendência a que algo se realize fora de nós, num anseio a que algo se concretize. Todas essas possibilidades nos levam à manifestação daquilo que flui de Deus para a realização de sua obra.
                A necessidade do encontro com o outro, bem como a integração com Deus, também são manifestações desse fluxo criador e realizador da vida.
                Deus quando criou o espírito e consequentemente fez o universo, colocou-Se nele para que o ser O buscasse de acordo com suas possibilidades evolutivas.
                O impulso criador da vida é dotado de um certo poder de renovação e criatividade. Quando, através da motivação e da vontade, o colocamos a serviço do amor, realizamos a obra divina.

Do Livro : PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes