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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sábado, 2 de julho de 2016

CRÍTICA

Cap. XII – Item 2
Se você está na hora de criticar alguém, pense um pouco, antes de iniciar.
Se o parente está em erro, lembre-se de que você vive junto dele para ajudar.
Se o irmão revela procedimento lamentável, recorde que há moléstias ocultas que podem atingir você mesmo.
Se um companheiro faliu, é chegado o momento de substituí-lo em trabalho, até que volte.
Se o amigo está desorientado, medite nas tramas da obsessão.
Se o homem da atividade pública parece fora do eixo, o desequilíbrio é problema dele.
Se há desastres morais nos vizinhos, isso é motivo para auxílio fraterno, porquanto esses mesmos desastres provavelmente chegarão até nós.
Se o próximo caiu em falta, não é preciso que alguém lhe agrave as dores de consciência.
Se uma pessoa entrou em desespero, no colapso das próprias energias, o azedume não adianta.
Ainda que você esteja diante daqueles que se mostram plenamente mergulhados na loucura ou na delinqüência, fale no bem e fuja da crítica destrutiva, porque a sua reprovação não fará o serviço dos médicos e dos juízes indicados para socorrê-los, e, mesmo que a sua opinião seja austera e condenatória, nisso ou naquilo, você não pode olvidar que a opinião de Deus, Pai de nós todos, pode ser diferente.
André Luiz

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
imagem: google

terça-feira, 10 de maio de 2016

VIOLÊNCIA E JESUS

                Diante da agressividade que te vigia, impiedosa, exerce o equilíbrio, guardando serenidade.
                Em todos os trâmites da vida, Jesus é o modelo e guia em quem encontramos a diretriz de segurança.
                Acicatado pela impiedade farisaica, Ele preconizou o amor indistinto.
                Perseguido pela malta irresponsável, Ele recomendou o perdão.
                Instado a aceitar a justiça arbitrária, Ele propôs a resignação e a humildade.
                Antes, porém, em todos os Seus passos, vemos Sua vida assinalada pela total abnegação, com que estabeleceu, na Terra, o primado do Espírito Imortal.
                Quando a fome angustiava a multidão, Ele transformou peixes e pães em abundante repasto para todos.
                Quando defrontou a mulher equivocada, que lhe foi trazida para lapidação, Ele ensinou misericórdia.
                Insulado, na soledade, buscou Deus.
                Abandonado pelos comensais do seu afeto, volveu a demonstrar fidelidade ao amor.
                Traído por um amigo, distendeu a Sua magnanimidade como lição de complacência.
                Nunca receitou a violência.
                A violência, nos quadros do Cristianismo, não vige, em página alguma.
                Quando hoje, a Terra em aturdimento estertora sob os guantes da agressividade e da violência, que se transformam em lobos ferozes, apavorando os homens, Jesus prossegue o modelo.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

segunda-feira, 9 de maio de 2016

JULGAMENTOS

Se alguém te surge em erro
Tranquiliza-te e cala.
Não sabes o princípio
Dos fatos que registras.
Quanta dor na criatura
Antes de haver caído!
Se vês a falta alheia,
Usa a misericórdia.
Virtude que condena
É orgulho disfarçado.
Hoje, podes julgar...
Amanhã, ninguém sabe.


Fonte: O Essencial – Chico Xavier/Emmanuel
imagem: google

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

QUEM ÉS?

“Há só um Legislador e um Juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?” — (TIAGO 4:12)

Deveria existir, por parte do homem, grande cautela em emitir opiniões relativamente à incorreção alheia.
Um parecer inconsciente ou leviano pode gerar desastres muito maiores que o erro dos outros, convertido em objeto de exame.
Naturalmente existem determinadas responsabilidades que exigem observações acuradas e pacientes daqueles a quem foram conferidas. Um administrador necessita analisar os elementos de composição humana que lhe
integram a máquina de serviços. Um magistrado, pago pelas economias do povo, é obrigado a examinar os problemas da paz ou da saúde sociais, deliberando com serenidade e justiça na defesa do bem coletivo. Entretanto, importa compreender que homens, como esses, entendendo a extensão e a delicadeza dos seus encargos espirituais, muito sofrem, quando compelidos ao serviço de regeneração das peças vivas, desviadas ou enfermiças, encaminhadas à sua responsabilidade.
Na estrada comum, no entanto, verifica-se grande excesso de pessoas viciadas na precipitação e na leviandade.
Cremos seja útil a cada discípulo, quando assediado pelas considerações insensatas, lembrar o papel exato que está representando no campo da vida presente, interrogando a si próprio, antes de responder às indagações tentadoras: “Será este assunto de meu interesse? Quem sou? Estarei, de fato, em condições de julgar alguém?”

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL
imagem: google

quinta-feira, 11 de abril de 2013

NÃO JULGUEIS


              Quando exercitamos o mister de julgar, invocamos para nós a posição de Deus, pois que somente Ele pode julgar com exatidão e na boa media, pois conhece o mais íntimo de nós. O apóstolo Tiago (4:12) nos diz: “Só há um legislador e juiz, a saber, aquele que pode salvar e destruir. Tu, porém, o que és para julgar o teu irmão”? na nossa inferioridade, deveríamos saber que o verbo julgar não pode pertencer ao dicionário de quem se diz cristão. Jesus nos exemplificou, inúmeras vezes, que seu Evangelho era de amor. E amar, significa ser capaz de aceitar o outro mesmo com todos os seus defeitos, sem condenar. Em suma, exercitar o pleno perdão.
                Quem já leu a passagem bíblica que relata o episódio da Mulher Adúltera, entende a verdadeira mensagem cristã. No tempo de Jesus, quando surgia algum caso legal difícil de ser solucionado, era costume da comunidade levar o problema para que o rabino tomasse uma decisão. Estando o povo sob domínio romano, os escribas e os fariseus quiseram desacreditar Jesus, colocando-o “entre a cruz e a espada”. Trouxeram-no uma mulher surpreendida em adultério, crime grave de acordo com a lei judaica. Os rabinos diziam: “Todo judeu deve morrer antes de cometer idolatria, adultério ou assassinato”; portanto invocavam a pena de morte, com base no que está escrito em Levítico 20:10: “Se um homem comete adultério com a mulher de seu próximo, o adultero e a adúltera indefetivelmente serão mortos”. No Deuteronômio 22, 23-24, estabelece-se a pena de morte por apedrejamento no caso da mulher já estar casada. Também a Mishna estabelece que a pena para o adultério é o estrangulamento para o homem e o apedrejamento para a mulher.
                Em suma, na opinião dos escribas e fariseus, se Jesus seguisse a lei, determinaria que a mulher fosse morta. Com isso, o Mestre perderia a fama que conquistou por seu amor aos fracos e sua misericórdia aos pecadores. Além disso, Jesus iria desafiar a lei romana, que tirara dos judeus o direito de condenar alguém à morte. Ou seja, se a condenasse, Jesus se condenaria também, perderia o respeito da população e ainda se tornaria um criminoso diante do Império Romano. Se, ao contrário, Jesus a absolvesse, de imediato os seus algozes diriam que Ele ensinava a desobedecer a Lei de Moisés, tornando-o um incentivador do adultério, um propagador do pecado. O que fez Jesus? Começou a escreve sobre o solo,  oferecendo a sua primeira lição: antes de qualquer decisão, é preciso pensar, refletir, orar. Deu também ao povo um tempo necessário para que todos tomassem consciência do que estavam fazendo.
                Ante o olhar arrogante, lascivo e malicioso dos escribas e fariseus, enfrentando a curiosidade da multidão, que se divertia com a vergonha da mulher, vaticinou: “O homem que estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra”. Após um ligeiro silêncio, lentamente, os acusadores, envergonhados, foram se afastando. Em seu Sermão, Santo Agostinho decreta o fim da passagem: “Ficou uma grande miséria, a da mulher. E uma grande misericórdia, a de Jesus”. Todo mundo sabe o que aconteceu depois; Jesus perguntou à mulher: “Ninguém te condenou?”. “Ninguém, Senhor”, ela respondeu. “Então, vá e não peques mais”. Ao contrário dos escribas e fariseus, os eruditos legais da época, que acreditavam que autoridade era o poder para condenar, o meigo rabi da Galiléia fez ver que a autoridade pode e deve basear-se na compreensão e que seu objetivo é o de recuperar o pecador, jamais humilhá-lo. A autoridade autêntica é aquela que vem de Jesus, que se baseia na compreensão. Por isso, ao vermos um criminoso na televisão, ao invés de desejar-lhe a pena de morte, deveríamos dizer: “Graças à Deus, não estou no lugar dele”.
                Jesus disse “Não julgueis, para que não sejais julgados (Mateus 7:1). Disse também que aquele que pretende julgar a seu irmão é como quem tem uma trave no olho e trata de tirar o cisco do olho do outro (Mateus 7:3-5). Jesus foi mais além quando completou “vá e não peques mais”. Além de não condená-la, lança-lhe um desafio, para que ela se esforce e vença seus erros. O espiritismo nos esclarece que o espírito culpado é quem se julga a si mesmo e nesse tribunal da consciência, não adiantam advogados caros e nem promotores impiedosos como nos tribunais humanos. Em lugar do julgamento seguido da condenação dos culpados, os espíritos transgressores, encarnados ou desencarnados, são conduzidos às retificações através das provas e expiações, pela lei da reencarnação, o instrumento da Justiça Divina.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – Nov/2012


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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

JUSTIÇA E PROVIDÊNCIA DIVINA III

Para procedermos bem precisamos primeiro buscar o Reino de Deus, isto é, buscar desenvolver as questões essenciais da vida. Essencial, significando buscar aquilo que é realmente necessário e essencial, relativo à nossa essência.
            Quando desenvolvemos o Ser Essencial que somos, as nossas necessidades mudam. Aquilo que antes tinha grande importância, deixa de ter, pois, ao desenvolver o Ser Essencial, tendemos a buscar as coisas mais simples, advindo, com isso, uma serenidade muito grande.
            As necessidades do ego relacionadas ao ter, geradoras de inquietude, ansiedade, vão aos poucos sendo substituídas pela calma, serenidade de se ter o necessário para uma vida confortável, na qual os prazeres cultivados não são a simples satisfação dos sentidos sensoriais, mas prazeres cada vez mais refinados de ser uma pessoa útil, co-criadora com Deus, de um mundo mais feliz para todos.
            Para que possamos desenvolver o “Reino de Deus” em nós mesmos e asserenar o nosso coração, é fundamental que façamos uma revisão do sentido de nossa vida.
            Se observarmos a vida sob um ângulo exclusivamente material, ela se torna sem sentido.
            Dentro de uma visão transpessoal, a vida tem um sentido: viver é uma experiência fascinante, na qual despertamos a nossa consciência rumo ao infinito. Dentro de um foco espiritualista, a vida é um maravilhoso desafio com muitos obstáculos, que significam alavancas de apoio para o crescimento pessoal e transpessoal.
            O propósito maior da vida é cumprir uma finalidade cósmica. Tudo existe ocupando um determinado papel, interagindo entre si, formando o todo, o Holos.
            Dentro desse todo, cada ser vivo desempenha uma finalidade específica e nós, além do nosso papel como seres vivos, num corpo físico, temos uma missão maior, que é a nossa evolução para o amor, para alcançar a plenitude do ser.
            Buscar um sentido para a vida é encontrar o nosso eu verdadeiro, através da busca constante de conhecermos a nós mesmos como Seres Essenciais que somos.

PSICOTERAPIA À LUZ DO EVANGELHO DE JESUS        
            Alírio de Cerqueira Filho                

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domingo, 22 de janeiro de 2012

JUSTIÇA E PROVIDÊNCIA DIVINA II

Posturas em relação ao tempo:       
            Pós-ocupação = centrada no passado. A pós-ocupação está relacionada com a lamentação em relação àquilo que passou. Gera culpa, ansiedade ou angústia, por ter agido de forma equivocada no passado. O indivíduo assume uma atitude de irresponsabilidade pela condução de sua vida. Ele fica se lamentando pela forma como praticou determinadas ações no passado, sem, contudo, corrigi-las.
            Preocupação = centrada no futuro. O indivíduo gasta energia se pré-ocupando com as atividades que deve fazer, ou com as atitudes que deve tomar no dia de amanhã. Geralmente se preocupa negativamente, fantasiando as ocorrências do futuro com cores negras e sombrias, produzindo o pessimismo. Outras vezes, cria expectativas maiores que suas possibilidades de realizá-las, gerando um falso otimismo. Gera muita ansiedade em relação ao futuro. Não precisamos nos preocupar, despendendo energia, tentando controlar um tempo que ainda não ocorreu. O futuro é o vir a ser, portanto incontrolável.
            A maioria das pessoas oscila entre a pós-ocupação e a preocupação. Lamentam-se pelo que aconteceu e tendem a projetar os resultados dos acontecimentos negativos do passado, no futuro, se preocupando com o fato daquele resultado negativo vir a ocorrer novamente. Gastem, com isso, muita energia que poderia ser despendida no mento presente, único a ser vivido realmente.
            Ocupação = centrada no presente. Gera a resolução de conflitos e problemas. Toda a sua energia é refletinda na melhor maneira de superar os obstáculos que surgem, no momento que eles aparecem. Podemos, no entanto, nos ocupar com o passado, refletindo sobre o que nos ocorreu, tirando dele um aprendizado para nortear as nossas ações no presente. Podemos, também, nos ocupar com o futuro, estabelecendo planejamentos, metas a serem cumpridas, pois o que é problemático não é pensar no amanhã, é pensar no mal de amanhã. Para isso é essencial a confiança na Providência Divina, que de maneira alguma substitui a previdência que todo ser humano deve ter, planejando o melhor para o seu futuro. Como só podemos viver, verdadeiramente, o tempo presente, após termos planejado as ações em relação ao futuro, necessitamos passar a cumpri-las, concentrando todo o nosso esforço em ações positivas no aqui e agora. Com este procedimento estaremos nos concentrando no bem do dia de hoje, transmutando o seu mal para que procedamos bem amanhã.

(continua)

PSICOTERAPIA À LUZ DO EVANGELHO DE JESUS        
            Alírio de Cerqueira Filho                

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sábado, 21 de janeiro de 2012

JUSTIÇA E PROVIDÊNCIA DIVINA I


            A crença na justiça e providência divinas é fundamental para que possamos viver em equilíbrio e realizarmos o nosso auto-encontro.
            Deus provê a todas as suas criaturas. É claro que não devemos viver descuidados de nossa vida, a aguardar que Deus nos provenha de todos os recursos que nos são necessários.
            Busquemos asserenar os nossos corações, pois quando entramos na ansiedade da busca das questões puramente materiais, perdemos a nossa serenidade e a paz interior. Ficamos inquietos, preocupados com o dia de amanhã, esquecidos de que só podemos viver no tempo presente.
            O nosso coração se turba diante das necessidades comezinhas da existência, nas quais depositamos todo o nosso tesouro, esquecendo-nos da vida espiritual.
            Vivemos numa época em que a ansiedade é um problema grave. Uma das causas da ansiedade é a tentativa de controlar o tempo, especialmente o tempo futuro.
            Podemos ter, em relação ao tempo, três movimentos: duas posturas egoícas e uma essencial. O primeiro movimento egóico é a pós-ocupação, que está fixado no passado; o segundo é a preocupação, fixado no futuro e o movimento essencial é a ocupação, fixado no presente.

(continua)

PSICOTERAPIA À LUZ DO EVANGELHO DE JESUS        
            Alírio de Cerqueira Filho                

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE, RESPONSABILIDADE


Tanto no moral, como no físico, tudo se encadeia e liga no universo. Na ordem dos fatos, desde o mais simples ao mais complexo, tudo é regulado por uma lei; cada efeito se prende a uma causa e cada causa engendra um efeito que lhe é idêntico. Daí, no domínio moral, o princípio de justiça, a sanção do bem e do mal, a lei distributiva, que dá a cada um segundo as suas obras. Assim como as nuvens formadas pela vaporização solar se resolvem fatalmente em chuva, assim também as conseqüências dos atos praticados recaem inevitavelmente sobre seus autores. Cada um desses atos, cada uma das volições do nosso pensamento, segundo a força que os impulsiona, executa sua evolução e volta com os seus efeitos, bons ou maus, para a fonte que os produziu. O mal, do mesmo modo que o bem, torna ao seu ponto de partida em razão da afinidade de sua substância. Há faltas que produzem seus efeitos mesmo no curso da vida terrena. Outras, mais graves, só fazem sentir suas conseqüências na vida espiritual e, muitas vezes até, nas encarnações ulteriores.
A pena de talião nada tem de absoluto, mas não é menos verdade que as paixões e malefícios do ser humano produzem resultados., sempre idênticos, aos quais ele não pode subtrair-se. O orgulhoso prepara para si um futuro de humilhações, o egoísta cria o vácuo ou a indiferença, e duras privações esperam os sensuais. É a punição inevitável, o remédio eficaz que deve curar o mal em sua origem. Tal lei cumprir-se-á por si própria, sem haver necessidade de alguém constituir-se algoz dos seus semelhantes.
                O arrependimento, em ardente apelo à misericórdia divina, pondo-nos em comunicação com as potências superiores, devem emprestar-nos a força necessária para percorrermos a via dolorosa, o caminho de provas delineado pelo nosso passado; porém, nada, a não ser a expiação, apagará as nossas faltas. Só o sofrimento, esse grande educador, poderá reabilitar-nos.
                A lei de justiça não é mais que o funcionamento da ordem moral universal, as penas e os castigos representam a reação da natureza ultrajada e violentada em seus princípios eternos. As forças do universo são solidárias, repercutem e vibram unissonamente. Toda potência moral reage sobre aquele que a infringir e proporcionalmente ao seu modo de ação. Deus não fere a pessoa alguma; apenas deixa ao tempo o cuidado de fazer dimanar os efeitos de suas causas. O homem é, portanto, o seu próprio juiz, porque, segundo o uso ou o abuso de sua liberdade, torna-se feliz ou desditoso. Às vezes, o resultado de seus atos faz-se esperar. Vemos neste mundo criminosos calcarem sua consciência, zombarem das leis, viverem e morrerem cercados de respeito, ao mesmo tempo que as pessoas honestas são perseguidas pela adversidade e pela calúnia! Daí, a necessidade das vidas futuras, em cujo percurso o princípio de justiça encontra a sua aplicação e onde o estado moral do ser encontra o seu equilíbrio. Sem esse complemento necessário, não haveria motivo para a existência atual, e quase todos os nossos atos ficariam sem punição.
                As gerações  são solidárias através dos tempos; vapores de suas paixões envolvem-nas e seguem-nas até ficarem completamente purificadas. Essa consideração faz-nos sentir mais intensamente ainda a necessidade de melhorar o meio social, esclarecendo os nossos semelhantes sobre a causa dos males comuns e criando em torno de nós, por esforços coletivos, uma atmosfera mais sã e pura. Enfim, o homem deve aprender a medir o alcance de seus atos, a extensão de sua responsabilidade, a sacudir essa indiferença que fecunda as misérias sociais e envenena moralmente este planeta, onde talvez tenha de renascer muitas vezes. É necessário que um influxo renovador se estenda sobre os povos e produza essas convicções onde se originam as vontades firmes e inabaláveis. É preciso também todos saberem que o império do mal não é eterno, que a justiça não é uma palavra vã, pois ela governa os mundos e, sob o seu nível poderoso, todas as almas se curvam na vida futura, todas as resistências e rebeliões se anulam.

Do livro: Depois da Morte – Léon Denis

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