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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

BRASIL - CORRUPÇÕES ANCESTRAIS II

                Grande, é ainda o número dos ímprobos; que nada poderão contra a ética da nova geração que surge. Os desonestos irão desaparecer aos poucos, mas ainda defenderão palmo a palmo os seus obscuros interesses de poder e tramoias.
                Não nos enganemos, haverá, um embate moral inevitável, desigual da geração degradada e já envelhecida, a cair em frangalhos, contra o futuro da nova geração de seres audazes e incorruptíveis. Hoje no Brasil vemos com clareza quem é quem nesse cenário.
                Para que haja paz em nosso país, preciso é que somente a povoem espíritos bons, encarnados e desencarnados. É chegado o tempo das grandes debandadas dos que praticam o mal pelo mal. Serão excluídos, para não ocasionarem perturbação e obstáculo ao progresso.
                Após a desencarnação, muitos irão expiar em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas. A época atual é sem dúvida de transição; confundem-se os personagens das duas gerações. Assistimos á partida de uma e à chegada da outra. Têm ideias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém sobretudo das disposições intuitivas e inatas, cabendo-lhe (nova geração) fundar a era do progresso moral.
                A nova geração se distingue por coragem, inteligência e talentos precoces, tem sentimento inato da honestidade. Já os corrompidos ainda trazem a maldade, a malícia, a mentira. Em face disso tem de ser expurgados porque são incompatíveis com o império da honradez, da fraternidade e porque o contato com eles (os corruptos e corruptores) constituirá sempre um sofrimento para os bons.
                Quando o Brasil se achar livre dos desmoralizados, os homens de bem caminharão sem óbices para o futuro melhor. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais dos tempos que chegaram, destinados a realizar uma higienização e remodelação moral da sociedade brasileira.

Jorge Hessen

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dez/2016
imagem: google

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

BRASIL - CORRUPÇÕES ANCESTRAIS I

                Nestes inquietantes tempos de desonra moral desabando sobre o povo brasileiro, em que políticos geram supostas manobras sorrateiras, dispondo rebaixar as atuais estruturas investigativas no âmbito policial e judicial, é urgente permanecermos em estado de vigília e oração ininterrupta em favor da paz social no Brasil.
                Mas a despeito do preocupante cenário social, político e econômico, enxergamos um horizonte promissor de uma nova geração que vem surgindo em nosso país composta de executivos, professores, médicos, advogados, engenheiros, historiadores, delegados, procuradores e juízes, todos trabalhando com entusiasmo e intrepidez pela consagração da ética em nosso país. Isto nos pacifica sob a expectativa decisiva de transformação dos valores morais que tem manchado esta nação dilacerada pela corrupção destruidora.
                Tal conjuntura nos envia ao último capítulo do livro “A Gênese” de Allan Kardec. Aí arranjamos algumas adequações para fins de comparação com a realidade supra descrita. Vislumbramos uma nova geração de brasileiros, desenfaixados dos detritos do velho sistema corrupto. Observamos pessoas mais moralizadas e possuídas de ideias e de sentimentos muito diferentes da velha geração que está sendo deportada para mundos afins.
                As sociedades se modificam, como já se transformaram noutras épocas, e cada transformação se distingue por uma crise moral. Contudo, nessas ebulições sociais, a fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas, inexiste fraternidade real, sem o avanço moral. Somente o progresso moral pode fazer que entre nós reinem a honestidade, a concórdia, a paz e a fraternidade.
                A velha geração (daqueles atolados nas arapucas da corrupção) que está se despedindo (da Terra) levará consigo seus erros e estragos sociais; a geração que surge, imprimirá à sociedade o progresso moral que assinalará a nova fase da evolução geral no Brasil e no mundo.
                Essa fase já se revela atualmente no Brasil, em razão do conjunto de práticas revolucionárias no combate à improbidade, à imoralidade, à falcatrua através de efetivas e duras punições. Nesse contexto, os espíritas estamos sendo convocados para irradiarmos compreensão, amor e paz em favor dos cidadãos de bem, a fim de facilitar o movimento de regeneração em nosso país.

(continua)

Jorge Hessen

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

VAMOS TRABALHAR NO INFERNO?

                O convite é sério, embora possa não parecer. Você irá entender após a história que vou narrar com as minhas palavras e que pertence à literatura espírita.
                Conta-se que um espírito chegou às elevadas esferas da espiritualidade para adentrar as regiões celestiais dos bem-aventurados, da qual ele se fizera merecedor, segundo os seus cálculos. Vestia-se com uma túnica branca resplandecente de luz. De tão elevado se apresentava que os seus pés não tocavam o chão, volitava.
                Dirigiu-se ao Emissário Divino responsável por aquelas paragens celestiais e solicitou a permissão para entrar naquele local de bonança indescritível. O emissário, porém, de olhar arguto e com longa experiência, disse ao postulante àquelas paragens de luz que antes precisava fazer algumas perguntas a ele para confirmar o direito ao qual se julgava merecedor. O candidato à felicidade indescritível não se fez de rogado e colocou-se à disposição das indagações a ele endereçadas.
                Perguntou-lhe então, o Emissário, se ele tinha incorporado as grandezas do amor, e a resposta foi afirmativa. Em seguida foi-lhe perguntado sobre o dom da sabedoria que também recebeu a mesma resposta. Indagado sobre o exercício da caridade e da paciência, o candidato confirmou suas experiências. Sobre a fé não havia nenhuma dúvida, ele sempre confiara na Providência Divina. No combate aos vícios, o postulante não deixava nada a desejar.
                Entretanto, o Emissário Divino, algo estava errado com aquele candidato ao paraíso. Num momento de inspiração fez uma pergunta muito direta ao interessado: você, meu irmão, que se veste de roupas muito alvas, por acaso já trabalhou no inferno?
                “Como?!” – indignou-se ele. “Então eu poderia ter trabalhado em tal lugar e manter-me na pureza em que me apresento nessa ocasião?!”
                O Emissário Divino percebeu que tinha acertado na mosca! Incontinente respondeu à indignação daquele espírito: “Meu irmão, Jesus, o lírio de Deus, trabalhou junto ao inferno moral da humanidade, e da Terra partiu sem nenhuma mácula! Seremos nós melhores do que Ele?”
                Mas não se dando por satisfeito, completou: “O sol, todos os dias, apesar de estar a uma distância de 150 milhões de quilômetros, lança seus raios aos mais infectos pântanos da vida sem macular-se! Por que haveríamos nós de nos comprometermos por trabalhar no inferno dos homens necessitados de nossos préstimos?”
                E continuou a esclarecer: “É isso que está faltando para você adquirir o direito a regiões celestiais. Quem conhece o amor, precisa descer ao planta para amar aos semelhantes, mesmo que tal decisão represente trabalhar no inferno! Quem possui a sabedoria, precisa descer ao inferno da ignorância para ensinar os que sabem menos! Quem possui a fé sólida, precisa socorrer aos aflitos do mundo no inferno da incredulidade em que vivem. Por isso, meu amigo, é preciso descer ao inferno daqueles que estão em situação piores do que a nossa e socorrer sempre! Boa viagem de regresso!”
                Por isso que no início fiz o convite para trabalharmos no inferno. Não sei quanto a você que lê este texto, mas já ouvi muitas vezes as seguintes frases: “Não aguento mais o inferno dessa vida! Essa mulher é um verdadeiro inferno que me acompanha! Não sei onde estava com a cabeça para casar com o inferno desse homem! Esses filhos são um inferno a trazer-me problemas para resolver! Nesse emprego parece que vivo em um inferno! Esse patrão existe para fazer da minha vida um inferno!”
                Ora, se é trabalhando no inferno que nos candidatamos às regiões elevadas da espiritualidade, vamos aproveitar se já estamos nele!
                Sua esposa, seu marido, seu emprego, seus filhos, seu patrão, seus parentes se constituem em inferno para você? Ótimo! Estamos tendo a oportunidade de galgar nossos degraus para regiões felizes onde moram a felicidade e a paz verdadeiras.
                Se você, de alguma forma, sente-se no inferno em qualquer lugar onde a Providência Divina o colocou na atual existência, e, se ela nunca se engana, agarre a oportunidade com as duas mãos. Está aí o convite para você se fazer merecedor de regiões elevadas da espiritualidade superior. Se for bem-sucedido poderá apresentar-se ao Emissário Divino que irá liberar sua entrada aos paramos de luz!
                Curta seu inferno, meu amigo, ele é o prenúncio do céu”

Ricardo Orestes Forni

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

terça-feira, 31 de outubro de 2017

LEVANTAR-ME-EI

                Expressão utilizada pelo filho pródigo e inserida nos ensinos parabólicos de Jesus, talvez tenha sido a expressão mais audaciosa de alguém que, no fundo do poço, reflexionasse sobre seus equívocos, desejasse se autoperdoar e partir para a reparação.
                Como o ensino é totalmente alegórico e o filho pródigo é um personagem fictício, embora de grande valia para o Pedagogo Rabi, precisamos penetrar o íntimo desse jovem esbanjado e imaginar-lhe o âmago bem antes e após o resoluto “levantar-me-ei”. Como ficção é a parábola, ficcionalmente o faremos, conjeturando o antes e o depois dessa “batida de martelo”.
                Muito antes da resolução arrojada, o desperdício, a distribuição farta dos bens do pai a amigos; muita comida, muita bebida e muitas orgias; todos o adoravam, pois distribuía a mancheias a parte da fortuna que lhe tocara, pensando que ela nunca acabaria. Mas acabou! E o inexperiente jovem vê-se solitário, pois os amigos haviam sumido. Por que ficariam a seu lado, se só desejavam o seu dinheiro? Vê-se obrigado a empregar-se cuidando de porcos e desejou alimentar-se com a comida destes. É nessa hora que, investido de coragem resolve levantar-se: “O menor dos empregados de meu pai vive melhor que eu”, diz a seu íntimo e isso o faz tomas a decisão. Mas quais consequências lhe adviriam?
                Poderia ser tratado como um menor em seu retorno à casa do pai; certamente que se sentiria muito envergonhado, perante o pai, o irmão e a criadagem. Mas que importava? Era filho e não só mereceria como aproveitaria a segunda chance. O mais importante, ou a decisão de arrepender-se e resolver retornar já estava tomada, agora seria só executar seu plano audacioso. Entrevistos o antes e o depois de sua decisão, sabemos o desfecho: O pai não só o perdoa como o cobre de mimos; o irmão mais velho se aborrece e o pai o repreende amorosamente, mas com autoridade.
***
                Todo o soerguer-nos é uma resolução íntima. Ninguém o fará por nós! A toda a resoluta decisão de levantar-se, há uma investida, para frente e para o alto. Uma evolução também se faz dessa forma. Evidente que, a partir de uma decisão dessas, toda ajuda dos Bons Amigos nos será dispensada, mas nós precisaremos desejar, como desejou o jovem.
                Evolução pede-nos esforço e uma visão panorâmica nos requererá primeiro a escalada. Jesus, ou os padrões de Jesus, - todos e somente eles – nos conduzirá de retorno à casa do Pai.

Cláudio Viana Silveira

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

                Certas colocações de Jesus são complicadas, diria até difícil de engolir. Como entender, por exemplo, essa história de amar aos inimigos? Se hoje, com uma certa bagagem intelectual e em pleno terceiro milênio, este axioma nos parece inatingível, quanto mais naquela época e no seio de um povo escravizado? Pois bem, para entender Jesus é preciso conhecer Kardec, pois a Doutrina Espírita é a chave para compreender o pensamento do Mestre. O povo de então se atinava muito em entender o espírito dos textos, deixavam-se impressionar pela letra fria e pelas longas e cansativas exposições dos rabinos. Jesus, embora mais simples e direto, queria mais, desejava que os homens raciocinassem e não apenas obedecessem, mas entendessem as orientações dos profetas que, muito embora adiantados para a época, ainda eram espíritos não completamente evoluídos e que, por isso, acabavam misturando nos seus ensinamentos, o Divino com o humano. Alguém pode acreditar que Deus, o Ser Supremo, mandasse exterminar todos os povos derrotados nas guerras, passando tudo o que tivesse sopro pelo fio da espada, como reza a bíblia?
                Com o espiritismo nos é possível entrar em sintonia com a orientação de Jesus, bem diferente da interpretação da época. No que se aplica aos inimigos, o amar de Jesus nos convida a perdoar quem nos fez mal e ou não buscarmos, nem alimentarmos, desejos de vingança. O Mestre nos ensina a expulsar o inimigo que jaz permanentemente em nossos pensamentos. Quando odiamos, mantemo-nos escravo do desafeto. Acordamos, comemos, trabalhamos, dormimos, enfim, vivemos atrelados a esse sentimento de rancor, alimentando desejos de vingança, tornando-nos escravos do odiado. Fatalmente, isto nos leva a um estado de enfermidades e desequilíbrios. Ao nos chamar a atenção para o perdão, Jesus nos ensina o caminho para desatar os laços que nos prendem aos inimigos. Então, longe está a esperança de que amemos aos nossos desafetos como fazemos com nossos familiares.
                A doutrina espírita nos esclarece que o Mestre quer apenas que afastemos de nosso coração a mágoa, a infelicidade, o ódio e o desejo de vingança. Allan Kardec mostra neste capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo, o verdadeiro pensamento de Jesus, conforme a doutrina nos esclarece: Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento  oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo em vez de pesar, com o bem que lhes advenha é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento Amai os vossos inimigos.
                Para encerrar, lembremo-nos do Espírito Léon Tolstói, que nos diz que com a luz que o conceito de reencarnação joga sobre o problema, torna-se mais fácil entender a necessidade de amar aos nossos inimigos para podemos ter a paz e a felicidade que almejamos um dia.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – dezembro/2016
imagem: google

sábado, 26 de agosto de 2017

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS II

                Grande parte das nossas dificuldades atuais são causadas por nós mesmos, na busca incessante por facilidades e confortos materiais. Para ganhar dinheiro, fama e poder, muitas vezes ofendemos, fazemos escolhas equivocadas, somos egoístas, impiedosos e orgulhosos. É justo que, no curso de uma nova existência, resgatemos nossos débitos com as criaturas e até conosco mesmo, entendendo que somos responsáveis por tudo que sentimos, pensamos e fazemos. Isso explica também as nossas provações e passamos a enxergar a Terra como um imenso território adequado para abrigar espíritos em evolução para a perfeição possível. Neste mundo de expiações e de provas, ainda há a necessidade de experiências dolorosas e desagradáveis, para que os espíritos descubram o prazer de fazer o bem e de viver como irmãos. Enquanto permanecer na rebeldia e não agradecer o benefício da aflição momentânea, a criatura irá de ações e reações, sofrendo o que fez sofrer, colhendo do que plantou, até compreender que somente dela depende libertar-se das aflições desta vida. Em suma, todas as atribulações de nossa vida terrena são consequências de nossas faltas. Quando volvemos nosso olhar para os missionários do mundo moderno, que tanto sofreram dores físicas com enfermidades terríveis, mister se faz lembrar da afirmação de Kardec de que muitas dessas aflições são provas escolhidas pelos próprios espíritos, que as pediram para apressar seu adiantamento ou para concluir processos purificatórios.
                Por último, muito embora o capítulo 5, do Evangelho Segundo o Espiritismo jamais nos permitirá ser tão conclusivos, é fundamental entender a diferença entre prova e expiação. Expiação é sofrer as consequências de nossas faltas, passar pelos mesmos sofrimentos causados a nós ou aos outros, para que desperte em nós a consciência do sofrimento que provocamos, aproveitando as oportunidades para reparar os males causados, corrigindo-nos e prosseguindo em nossa evolução em melhores condições. Já as provações são testes de avaliação do aprendizado, passando pelas mesmas dificuldades que deram origem às ações negativas para resolvê-las, sem ferir a ninguém, usando-as para o desenvolvimento das nossas qualificações intelectuais e morais. Kardec ensina que “a expiação serve sempre de provas, mas a prova nem sempre é uma expiação. Mas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, pois aquele que é perfeito não precisa ser provado”. Por tudo isso, entender que “bem-aventurados os aflitos” é entender  Deus e reconhecer a necessidade de resignar-se; submeter-se, voluntariamente, às Suas leis, compreendendo que sendo Ele, o Absoluto na perfeição e causa de tudo que existe, por certo não comete erros ou enganos e Suas leis sábias e amorosas se obedecidas, hão de nos levar à felicidade. Esta é a resignação preconizada pelo espiritismo, uma submissão ativa, fruto do entendimento dos objetivos da vida e dos seres, assimilando a promessa de Jesus quando oferta as bem-aventuranças aos que sofrem, aos aflitos. O Mestre não espera que não choremos pela dor, mas nos pede para que tentemos sorrir pela benção da oportunidade de ressarcimento das dívidas do passado, entregando-nos à vontade do Pai. A resignação é a coragem da virtude. (Caibar Schutel)

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS I

                Poucos realmente entendem o sentido que a expressão bem-aventurado tem no discurso do Mestre Jesus, até porque é muito difícil esta compreensão para quem, com os pés fincados numa única existência e num mundo materialista como este nosso, acredita que ser bem-aventurado é sinônimo de ser feliz. Dentro do axioma “ler Kardec, para entender Jesus”, o estudo da doutrina espírita, que alarga nosso campo de visão para além desta vida e nos faz compreender e aceitar as múltiplas encarnações, nos oferece a releitura das bem-aventuranças, percebendo que Jesus deixa expresso na sua alocução a ideia clara da imortalidade da alma, ensinando, todavia, que o universo é regido pela lei de causa e efeito. Ambos os pilares doutrinários, casualidade e imortalidade da alma, ampliam o nosso entendimento e, neste contexto, obtemos a chave para abrirmos o baú dos mistérios da fé. Portanto, entendendo que as aflições não são castigos divinos e muito menos pragas lançadas aleatoriamente pelo Criador para provocar o arrependimento de suas criaturas, compreendemos perfeitamente que a justiça divina é incorruptível e se alicerça na expressão “à cada um, segundo suas obras”.
                Por intermédio do estudo do pentateuco de Kardec, fica fácil entender porque uns vivem na opulência e outros na miséria. Nada de privilégios, apenas mecanismos disponibilizados pela bondade divina, para nos reconduzir ao caminho da redenção e da reforma íntima. Quem se locupletou na avareza e amealhou fortunas escravizando seu irmão, nada mais justo que agora experimente a provação e a dor de não enriquecer. Da mesma forma, porém, o consolo de saber que o espírito que já aprendeu a usar o dinheiro em prol do progresso da sua comunidade, não mais precisará passar pela prova da pobreza, a não ser que desejar para cumprir determinada missão. Portanto, se sofro agora e me mantenho resignado e confiante de que esta prova é para meu bem, bem-aventurada esta dor, porque me proporcionará mais venturosa minha próxima reencarnação.
                De posse deste conhecimento, a imensa injustiça que vige entre os homens na Terra adquire para nós um outro contorno. Deixamos de acreditar que tudo que nos rodeia, inclusive nossos sentimentos, emoções, inteligência, criatividade, etc, provêm da própria matéria ou do cérebro ao aceitar a existência de Deus e n’Ele depositarmos nossa fé e total confiança, vamos finalmente compreender a maravilhosa resposta dada pela espiritualidade maior à Kardec, na pergunta primeira de O Livro dos Espíritos, revelando o que é Deus, reconhecendo-o como a causa primária de todas as coisas. Sendo Deus soberanamente justo, toda aflição humana é efeito de uma causa humana e, por isso, não há como atribuir a Ele a injustiça dos homens, como bem esclarece Kardec, no capítulo V do Evangelho Segundo o Espiritismo, quando revela que “as vicissitudes da vida têm pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa”. Concluindo, no mundo não existem vítimas e nem sofredores inocentes.

Orlando Ribeiro

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

E O TEMPO LEVOU...

                Uma pessoa não espírita fez a seguinte pergunta: “Se existe a reencarnação, não há necessidade de tanta preocupação em se corrigir, mudar nossas más tendências, pois podemos deixar para as próximas reencarnações?”
                Refletindo...
                Nós espíritas temos total certeza na reencarnação, sabemos de fato que tudo na Doutrina Espírita tem profundas ligações com o processo maravilhoso da reencarnação. A filosofia espírita está de uma forma ou outra ligada ao contexto da reencarnação. Toda explicação das disparidades humanas tem suas raízes nas sucessivas existências, pois está alicerçada nos ensinos de Jesus de semear e colher.
                Assim, meu amigo acaba dizendo uma verdade, pois muitos de nós acabamos nos conformando com as coisas e deixando tudo para a próxima existência, como se a mesma fosse um simples trocar de roupa.
                A quem evita falar sobre o assunto, como se não falar em reencarnação a mesma fosse deixar de existir e assim não precisaria mais se preocupar com isso.
                Importante que reflitamos que nossa reencarnação requer um profundo estudo por parte da espiritualidade maior, levando em conta inúmeros fatores, tais como, nossas necessidades espirituais, materiais, emocionais, psicológicas, provas, expiações, méritos, entre outros, que tornam esse processo muito complexo. Tudo é devidamente preparado, inclusive as pessoas à nossa volta, os relacionamentos, vivências, entre tantas outras coisas, o que não é possível relacionar aqui nesse simples texto.
                Tudo é minuciosamente planejado para a nossa existência ser a melhor para nós e, na maioria das vezes, jogamos tudo no lixo.
                Frente a tudo isso, deveríamos dar uma atenção maior à nossa reencarnação atual, vendo nela uma oportunidade bendita, uma escola para o nosso aprendizado, como nos ensina André Luiz: “A vida é sempre o resultado de nossa própria escolha”. Acima de tudo, a prática da caridade na sua mais profunda concepção deveria ser uma constante em nossas vidas.
                Infelizmente, perdemos muito tempo com nossas lamentações, frustrações, falta de amor, preocupações com situações de pouco ou quase nenhum valor para nosso espírito, atitudes de pouco valor espiritual.
                Trabalhando em satisfazer muitas vezes nosso egocêntrico sistema de vida, buscamos no dia a dia apenas e tão somente os resultados materiais da vida, perdendo o nosso bem mais preciosos – o tempo.
                Tempo – esse bem que não volta mais. Tempo gasto com situações que não somam valores para o nosso ser, apenas vivendo situações muitas vezes baseadas em vulgaridades, frivolidades e nada que venha somar, a não ser, novos compromissos espirituais para a próxima encarnação.
                Não podemos e não devemos deixar nada para a próxima encarnação, até porque, quando será essa próxima encarnação? Poderá demorar muito; vamos então aproveitar o hoje. Já aprendemos que o ontem já passou e o amanhã poderá não acontecer. O que interessa é o agora, construir dia a dia o Reino de Deus dentro de nós, nos ensina nosso Mestre Jesus.
                Agora ficou claro para mim o que Jesus nos ensinou: Deixai os mortos enterrarem os seus mortos...
                Assim refletindo na pergunta do início do texto,  podemos pensar “Porque perder tempo!”

Wagner Ideali

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

segunda-feira, 10 de julho de 2017

FETO ANENCÉFALO OU MICROCEFÁLICO

                Dentro da lógica e da evidência da realidade, não temos dúvidas em concluir que somos espíritos eternos, criados por Deus na simplicidade e na ignorância, tendo como objetivo atingir a perfeição, onde lograremos usufruir da paz e da felicidade que tento almejamos.
                Mas, no contexto dessa linga jornada, que nos conduzirá do estado inferior à angelitude, fazemos uso do livre arbítrio e do e do esforço próprio.
                A Providência Divina, no âmbito da sua sabedoria, fraternidade e justiça, nos aquinhoa com os recursos e mecanismos de que temos necessidade, visando a concretização da nossa proposta de evolução, mas a tarefa de crescer espiritualmente é totalmente nossa.
                Somos absolutamente livres para decidir e escolher caminhos, devendo apenas, dentro da lei de ação e reação e de causa e efeito, colher os reflexos de cada ação praticada. “Do que plantares, colherás”. (Paulo, Gálatas 6:8)
                Em relação ao aborto, esse lamentável e covarde gesto de aniquilar o corpo em formação, de quem não tem como se defender:
                Vislumbremos o sofrimento de um espírito familiar nosso, depois de ter falido na sua existência física, deixando o mundo material pelas nefastas vias do suicídio, mediante o disparo de uma arma de fogo contra a sua cabeça ou mesmo pelo uso infeliz de suas faculdades mentais.
                O ferimento provocado no corpo físico ou no campo mental, por deliberação própria, em momento de aflição e desespero, deixando fortes sequelas em seu corpo espiritual, ao ponto de remetê-lo ao mundo dos desencarnados em grave estado de perturbação e desequilíbrio, somente poderá ser sanado com a volta do espírito, numa nova reencarnação, para reparar na matéria, os danos perpetrados.
                Precisa de um novo corpo, a se formar no ventre de uma mãe que possa entender as suas dores e angústias. Acontece, então, a gravidez e esse espírito ferido, desarrumado, perturbado e sofrido, cheio de esperança na harmonização emocional, psíquica e física, comanda a formação do novo corpo, que tem como modelo o seu períspirito.
                No entanto, o seu períspirito, devido ao suicídio de ontem ou pelo mau uso da inteligência, encontra-se destrambelhado o que determinará a formação de um corpo também destrambelhado, dando origem a u feto anencéfalo ou portador de microcefalia. Nessas condições, quanto mais tempo o espírito ficar ligado à matéria, mais condições tem de reparar os danos perispirituais.
                Assim, mesmo que o feto do anencéfalo ou do portador de microcefalia viva tão somente até o seu nascimento ou quem sabe um pouco mais, terá o espírito reencarnante feito um valiosos trabalho de reequilíbrio mental e emocional.
                Abortá-lo será negar-lhe a possibilidade de recuperação. Isso acontecendo, o espírito ferido vê suas esperanças esvaírem.
                Onde, então, os nossos princípios cristãos?
                Onde o nosso amor e fraternidade por um familiar necessitado?
                Como determinar a morte de um ser amado, cujas mãos suplicantes nos imploram socorro?
                Abortar o feto anencéfalo ou microcefálico em nome do amor, não façamos isso...

Waldenir Cuin

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

sábado, 24 de junho de 2017

AS FRONTEIRAS MORAIS DO FUTURO II

                O homem, com o seu livre-arbítrio, julga poder tudo. Tem agido com sanha incontrolável ao longo dos séculos, utilizando o orgulho, o egoísmo e a ambição para conseguir o que quer. Nessa cegueira não consegue ver, objetivamente, a relação entre as suas ações e as consequências desastrosas que afetam a sua existência. É indiferente aos manuais de orientação espiritual que a humanidade tem registrado através dos milênios, mostrando que a fraternidade é um bem essencial para a união e a paz na Terra.
                A lei universal de causa e efeito que permeia a vida dos homens se manifesta agora e sempre, em resposta às suas ações. Mas, para muitos, parece não haver uma força descomunal e branda que dirige o mundo. Por habitá-lo e serem livres, os homens pensam que tudo é deles e que por isso não precisam prestar contas. Então dominam, oprimem, dilapidam, perseguem, torturam, matam, provocando desequilíbrio geral.
                Contudo, nestes tempos chegados, a Divina Vontade do Deus único começa a se impor sobre os destinos da rebelde e ingrata população da Terra para que as novas fronteiras que distinguirão os povos do futuro sejam apenas alinhavadas pelo traço moral. O amor ligará os seres, que respeitarão as nuances próprias de indivíduos e coletividades. O preconceito, o culto à pátria, o orgulho de raça, o exclusivismo de crença terão desaparecido. E o derramamento de sangue será o horror que os homens farão questão de esquecer para sempre.
                Para tanto, as ordens divinas já foram expedidas e o tempo é de mudanças inapeláveis, pois o arbítrio desnaturado do homem tem limites controlados pela justiça de Deus.
                O que ocorre hoje na velha Europa, diferente do que já ocorreu em outras épocas e em outros lugares, terá algo a ver com essas reflexões? Ou estas não passam de mera fantasia?

Cláudio Bueno da Silva

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
imagem: google

sexta-feira, 23 de junho de 2017

AS FRONTEIRAS MORAIS DO FUTURO I

                Alegoricamente, pode estar ocorrendo na Europa atual uma alteração na composição dos elementos que delimitam as fronteiras étnicas do regime afoito e ininterrupto, do Oriente Médio e Norte da África principalmente, abandonam seu solo natal encharcado de sangue e violência, e invadem terras estranhas para se livrarem do medo e da perseguição e continuarem vivas. São refugiados que trazem consigo além da roupa do corpo e alguns pertences, a esperança por dias melhores, se espalhando por terras europeias.
                Num paradoxo, o estado de guerra e ódio, que jamais abandonou o coração do homem, está fazendo misturar à vida e à cultura consolidadas de muitos países europeus, um contingente humano com características gerais bem diferentes. Estarão esses refugiados com suas línguas nativas, cultura, religião, hábitos e costumes contribuindo para o aparecimento dos germes de uma nova ordem social futura? Esse movimento de massas humanas pelo planeta estaria obrigando nações desenvolvidas e ricas, historicamente dominadoras, a exercitarem a humana solidariedade para com os desgraçados? São meras reflexões.
                Nós espíritas sabemos que encarnados e desencarnados formam uma única humanidade. E que, embora os encarnados sejam os protagonistas das ações que fazem avançar ou estagnar o mundo, o plano espiritual superior, amparado pela alta justiça, no que tange ao progresso humano, elabora medidas para efetivar os avanços necessários no tempo certo, e homens, comunidades e povos, sob inspiração, concretizam essas medidas.
                Ainda no campo das reflexões alegóricas, as linhas que demarcam os territórios dos países europeus estariam começando a ser sutilmente apagadas pelos dedos de Jesus, o coordenador do nosso planeta? Creio que Jesus não desistirá, apesar da rebeldia humana, da sua decisão de tocar a alma dos homens, fazendo-os olhar com brandura uns para os outros, enquanto Deus aplica as suas Leis.
                Assim que as fronteiras terrestres, num futuro auspiciosos, deixarem de ser impeditivas para os homens, os espaços aéreos e marítimos hoje controlados pela mira dos mísseis serão também livres e responsavelmente frequentados pela humanidade unida e pacífica, e a Terra será outra e de todos.

Cláudio Bueno da Silva

Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – abril/2016
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

A GRAVE QUESTÃO DO AMOR

O amor é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. O amor existe nas formas mais diferenciadas, tais como: amor de mãe, pai, filhos, irmãos, amigos, parentes, cônjuges etc.
Mas há que se desmistificar essa questão do amor, quando ele é a manifestação do sentimento entre duas pessoas de preferência – como diz Platão, discípulo de Sócrates – de sexos opostos. Pois sendo de essência divina, não deveria ser tão banalizada como tem sido até os dias atuais.
Diz-se com muita facilidade: Eu te amo! Quando em realidade se nutre, muitas vezes, apenas um sentimento de simpatia, desejos sexuais, emanações de sensualidade e até mesmo uma forma mais simples de amor que é o carinho ou a afeição.
Sexo sem sentimento é volúpia da carne desprovido daquela essência divina que norteia o amor, aproximando a criatura do animal irracional, que faz sexo para atender ao seu instinto natural de reprodução. Infelizmente, muitas uniões conjugais já nasceram em erro, quando os casais não levaram em conta a Lei de Deus.
Daí, dizer Jesus: – “(...) no começo, não foi assim. ”A lei de reencarnação, inexorável em nossas vidas, amplia essa visão limitada do amor, provocando muitas vezes reencontros que mostram a gravidade da troca equivocada de sentimentos ao longo dos séculos. E que leva ao retorno mais tarde para os “acertos” do passado pela lei de causa e efeito, na qual todos estão fatalmente inseridos. Ainda é quase um tabu, até mesmo dentro do Espiritismo, a abordagem de tais questões, já que muitas dessas situações envolvem grandes sofrimentos.
O atavismo do pecado da traição, pelo adultério, é muito forte na consciência das pessoas, desde tempos imemoriais, aliado à hipocrisia de alguns pseudomoralistas que, sistematicamente, têm negligenciado o auxílio àqueles irmãos que se encontram em dificuldades para suportar, ao menos com um certo equilíbrio, tamanha problemática existencial, que são os desejos sexuais e até mesmo o reencontro com os “amores” do passado.
Muitos desses falsos moralistas parecem os fariseus da parábola da mulher adúltera. Esquecendo-se, também, da afirmativa do Espírito Emmanuel, que não há dor pior do que a separação de Espíritos que se amam de verdade.
Há que se respeitar ao menos tais situações, pois ninguém pode medir o grau de comprometimento ou a dor daqueles que se amaram muito no passado e hoje estão separados. Todo espírita sabe da sua responsabilidade com a vida atual e com as pessoas que agora fazem parte da sua trajetória, mas daí a julgar comportamentos e sentimentos alheios vai uma distância muito grande.
Respeito para a dor dos outros e caridade acima de tudo no trato com tais questões, orientando e amparando quando solicitado, sempre com uma postura cristã. O que falta a muitas pessoas, para evitarem tais problemas futuros, é mais responsabilidade no relacionamento com outras pessoas. Nunca direcionar o sentimento de amor a alguém, sem que esteja certo do seu sentimento, e que esse investimento não seja apenas momentâneo, para não incorrer no erro tão comum na atualidade, principalmente entre os jovens, do abuso decorrente da liberdade sexual. E com isso, vão se comprometendo com várias pessoas para futuros resgates, por vezes penosos.
As consequências disso são um número cada vez maior de uniões infelizes, fruto da irresponsabilidade daqueles que se unem para atender apenas aos “prazeres” do que aos “deveres” que deveriam ligar uns aos outros ao longo das eras... Em seminários, principalmente para jovens, diante da pergunta acerca do relacionamento sexual, nossa resposta, de sempre: “Sexo com amor e responsabilidade.”
Fora disso é só instinto, é retornar à condição animal que já deixamos para trás em face da evolução de todos nós.

Robinson Soares Pereira


Fonte: Reformador – jan/2006
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terça-feira, 9 de maio de 2017

REFORMA DA PREVIDÊNCIA VERSUS LEI DO TRABALHO

               “Meu Pai trabalha até agora, eu também trabalho” –                 Jesus (Jo 6:17)

A Doutrina Espírita, como em qualquer outro campo, tem muito para nos esclarecer com relação ao trabalho.
Allan Kardec destinou o terceiro capítulo da terceira parte d’O Livro dos Espíritos ao assunto, propondo logo na abertura do capítulo:
A necessidade do trabalho é uma lei da natureza?
– O trabalho é uma lei natural, por isso mesmo é uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta suas necessidades e prazeres. (Questão 674)
Note-se que os Espíritos Superiores se referem a satisfação das necessidades e prazeres humanos, ficando claro que a satisfação de ambos é responsabilidade pessoal, mas como também temos necessidades e obrigações subjetivas somos direcionados a outro questionamento:
Devem-se entender por trabalho somente as ocupações materiais?
– Não; o Espírito também trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho. (Questão 675)
E o trabalho, continuam os Benfeitores, é:
“Um meio de aperfeiçoar sua inteligência. Sem o trabalho, o homem permaneceria na infância da inteligência; por isso deve seu sustento, segurança e bem-estar apenas ao seu trabalho e à sua atividade. Àquele que tem o corpo muito fraco, Deus deu a inteligência como compensação; mas é sempre um trabalho”. (Questão 676)
E que por isso mesmo o objetivo é duplo:
“A conservação do corpo e o desenvolvimento do pensamento, que é também uma necessidade que o eleva acima de si mesmo”. (Questão 677)
A finalidade da encarnação, como sabemos, é a de dar condições ao Espírito de atingir a sua perfeição, e por isso há a necessidade do trabalho de crescimento íntimo, não importando a condição material em que se estagia, inclusive na abastança, como se verifica no questionamento feito por Kardec:
O homem que possui bens suficientes para assegurar sua existência está livre da lei do trabalho?
– Do trabalho material, pode ser, mas não da obrigação de se tornar útil conforme seus meios, de aperfeiçoar sua inteligência ou a dos outros, o que é também um trabalho. Se o homem a quem Deus distribuiu bens suficientes não está obrigado a se sustentar com o suor de seu rosto, a obrigação de ser útil a seus semelhantes é tanto maior quanto as oportunidades que surjam para fazer o bem, com o adiantamento que Deus lhe fez em bens materiais. (Questão 679)
Porém, como na sociedade humana há os que não possuem condições de conseguir seu sustento, Allan Kardec pergunta:
Não há homens impossibilitados para trabalhar no que quer que seja e cuja existência é inútil?
– Deus é justo. Apenas desaprova aquele que voluntariamente tornou inútil sua existência, porque esse vive à custa do trabalho dos outros. Ele quer que cada um se torne útil conforme suas aptidões. (Questão 680)
Observando o ciclo natural de nossas vidas, facilmente, observamos que a força física necessária ao trabalho se alterna, e por isso vale o questionamento:
A lei natural impõe aos filhos a obrigação de trabalhar por seus pais?
– Certamente, do mesmo modo que os pais devem trabalhar por seus filhos; é por isso que Deus fez do amor filial e do amor paternal um sentimento natural para que, por essa afeição recíproca, os membros de uma mesma família fossem levados a se ajudarem mutuamente, o que é frequentemente esquecido em vossa sociedade atual(Questão 681)
Quanto ao repouso, que também é uma necessidade, os Benfeitores Espirituais esclarecem-nos que se trata de Lei Natural, porque:
O repouso repara as forças do corpo e é também necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, para que se eleve acima da matéria. (Questão 682)
Mas, se o trabalho e o repouso são necessidades humanas, o limite do primeiro e o tamanho do segundo estão sujeitos às forças e consciência de cada um, e sempre sujeitos às Leis Divinas, que corrige, naturalmente, os abusos cometidos.
A respeito do assunto e aproveitando o momento em que a sociedade brasileira discute a reforma do Sistema Previdenciário oficial, convém meditarmos nos seguintes questionamentos e respostas constantes do capítulo em tela:
O homem tem direito ao repouso na velhice?
– Sim. Ao trabalho está obrigado apenas conforme suas forças. (Questão 685)
Mas que recurso tem o idoso necessitado de trabalhar para viver, se já não pode?
– O forte deve trabalhar pelo fraco e, na falta da família, a sociedade deve tomar o seu lugar: é a lei da caridade. (Questão 685 a)
Do exposto acima, parece-nos que está implícito nas respostas dos Espíritos Superiores que, aposentar-se não exime ninguém do trabalho, enquanto ainda houver forças para tal e respeitando-se, evidentemente, a condição física em relação a função. Assim como também está implícito que essa mesma sociedade, leia-se o Governo que a representa, tem a obrigação de amparar os que, comprovadamente, não possuem condições de se sustentarem e de viverem com um mínimo de dignidade, não sendo, portanto, tão somente uma questão de déficit auferido pela matemática fria e desumana das teorias econômicas.
Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

A DIVINA BÊNÇÃO DO ESQUECIMENTO

               Importantes advertências nos fazem os espíritos superiores para que aprendamos a aproveitar o momento presente de nossas vidas na Terra, alertando-nos para o fato de que o passado há se foi, e do futuro nada sabemos. Em vista disso, o dia de hoje é o mais importante a ser vivido! E, foi por essa razão que a soberana sabedoria do universo nos beneficiou com o esquecimento das nossas ações do passado quase sempre desditosas, equivocada e negativas, que só nos trariam enormes embaraços diante daqueles que fazem parte de nossas relações do presente.
                Se o ser humano não recebesse da providência divina o inestimável benefício que o esquecimento do passado nos propicia, estaríamos às voltas com as lembranças dolorosas de nossas ações infelizes do passado, sofrendo as consequências morais do mal que fizemos aos entes queridos do nosso coração, ou dos sofrimentos que eles nos causaram; dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, etc., situações essas que nos deixariam profundamente desequilibrados, sem qualquer condição de tê-los como familiares, ou mesmo entre os nossos amigos.
                Isso porque, como nos aclara a Doutrina Espírita, é por meio da reencarnação que nos relacionamos novamente com aqueles a quem tivemos por familiares, amigos ou inimigos do passado, que hoje podem estar em nossa família como nossos pais, irmãos, filhos, ou mesmo entre nossos mais queridos amigos, tendo novamente a sublime oportunidade para que nos reconciliemos, perdoando-nos mutuamente, pois, somos filhos do mesmo Pai, consequentemente, irmãos em Deus.
                Precisamos entender que tudo o que nos acontece no presente e que, aparentemente, tem uma causa anterior, isto é, são dívidas contraídas perante a lei maior de amor e caridade, pois, sendo Deus soberanamente bom e justo, impossível é que um filho seu possa ser injustiçado, pagar por aquilo que não deve. Daí, podemos concluir com absoluta certeza de que alguém que tem um filho ou um pai, ou qualquer outro familiar ou não, como entrave em sua vida, é porque algo o prende a essa criatura, por força das leis que regem os destinos das criaturas na Terra.
                “... Todas as lágrimas procedem de razões justas, embora não alcances prontamente as suas nascentes.
                Reconforta-te na decisão das atitudes sãs a que te entregas e não permitas que as leviandades dos fracos e irresponsáveis tisnem de sombras os claros céus do teu porvir.
                Faze a tua parte ajudando sem, contudo, colocares sobre os ombros o fardo da responsabilidade que te não compete.
                Ninguém se poupa às dores, inevitáveis, na senda evolutiva. Não é justo, porém, permitir que estas esmaguem ou anulem os objetivos relevantes da tua promissora e produtiva reencarnação”.
                Sabemos que a família representa,  para cada um de nós, uma dádiva da misericórdia divina, ofertando-nos imprescindíveis oportunidades de reaproximação com os nossos desafetos de outrora para que, sob a bênção do esquecimento do passado, aprendamos a amá-los e perdoá-los e, ao mesmo tempo, também sermos perdoados e auxiliados por aqueles a quem devemos, reatando os vínculos interrompidos por desavenças e incompreensões causadas pela ignorância que nos mantinham escravos do egoísmo e do orgulho, causadores de nossas infelicidades e dores.
                Pela lei natural da reencarnação, Deus nos concede novas oportunidades que carecemos para a devida reparação dos equívocos de ontem, para que, por meio do esforço no trabalho de burilamento individual, possamos dar nossa parcela de contribuição para o progresso e crescimento do bem e da paz entre os homens, contribuindo com nossa pequena, mas importante e imprescindível tarefa de elevação moral espiritual, nossa e do nosso planeta.
                Precisamos cumprir o plano que traçamos com a ajuda dos amigos celestes quando da matéria, pois, todos nós, ao reencarnarmos, trazemos um “planejamento de vida”, o qual nos comprometemos a cumprir à risca os nossos deveres perante à espiritualidade, e diante da necessidade de pacificação de nossa consciência atormentada  que tanto nos incomoda e que nos cobra a urgente reparação do mal e a devida disposição de servir como verdadeiros discípulos sinceros e operosos do Mestre de Nazaré.

Francisco Rebouças

Fonte: Jornal Verdade e Vida – nov/2015
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quarta-feira, 5 de abril de 2017

NEM SEMPRE O SILÊNCIO É UMA PRECE

                É comum encontrarmos nas casas espíritas a indicação, por meio de placas e cartazes, de que “O silêncio é uma prece”, porém, sem discordar da importância do silêncio, podemos estar na mais profunda angústia ou perturbação, embora estejamos quietos.
                Mesmo no habitual convite para que todos entrem em oração no início das palestras, o fato de todos ficarem em silêncio e de olhos fechados não quer dizer que estejam todos em oração.
                O silêncio pode esconder muitas faces da alma humana, enganando aos que apenas veem a aparência e julgam que ela traduza a intimidade do espírito.
                A frase correta seria: “Aproveite o silêncio, fazendo uma prece”, afinal, orar é colocar o silêncio em ação, numa atividade ampliada pela quietude das distrações humanas.
                Encontramos em O Livro dos Médiuns uma observação que qualifica o silêncio: “Recolhimento e silêncio respeitosos, durante as confabulações com os espíritos; união de todos os assistentes, pelo pensamento, ao apelo feito aos espíritos que sejam evocados”.
                Novamente, é importante compreender que eles não falam de um silêncio qualquer, mas de “recolhimento e silêncio respeitoso”, ou seja, de qualificar o ato de silenciar, utilizando da quietude para impulsionar nosso pensamento para onde desejamos.
                Na mesma obra já citada, na questão 332, ainda com referência ao silêncio, lemos: “Sendo o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais a toda reunião séria, fácil é de compreender que o número excessivo dos assistentes constitui uma das causas mais contrarias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número e bem se concebe que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em melhore condições do que estariam dez, se distraídas e bulhentas”.
                Muitas observações podem ser colhidas desta contribuição, mas todas indicam que o silêncio é neutro e pode ser utilizado para ascender em direção às alturas do bem , ou algemar nas estâncias sombrias dos objetivos fúteis.
                Quando aprendemos a buscar a paz no silêncio, obtemos o primeiro passo para a convivência conosco mesmo, lembrando o poeta Mario Quintana: “O excesso de gente me impede de ver as pessoas”, assim o silêncio é importante para aprendermos a nos abster das ilusões das multidões, dando um pouco de tempo a nós mesmos.
                Aproveitar do ambiente da casa espírita para silenciar e refletir, fugindo dos excessos das conversas fúteis, é sinal de inteligência, mas que deve estar a serviço do bem próprio, visando à elevação geral.
                O silêncio é certamente importante, mas que não basta isoladamente. É necessário ser conduzido, pelo pensamento, onde se deseja repousar. Afinal, silêncio ociosos vai para onde ele quer, nos levando para onde não queremos ir.
                São inúmeras as oportunidades em que podemos colher do Evangelho, situações onde Jesus se isolava para orar, cultivando a eloquência do silêncio elevado.
                Mergulhe no silêncio sempre que puder, mas que ele tenha objetivo e finalidade útil.

Roosevelt A. Tiago

Fonte: Jornal Verdade e Vida – nov/2015
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segunda-feira, 20 de março de 2017

GUERRA SANTA POR UM PEDAÇO DO CÉU

                Em época em que a liberdade religiosa é pregada aos quatro ventos nos países laicos, ainda existe uma grande resistência por parte de alguns pseudo religiosos que acreditam que o deus deles é melhor, ou que a religião que a servem é a única porta de entrada para o “céu”, e que todas as demais levam ao infortúnio e pecado em vida, e ao “inferno” no desencarne.
                As disputas pelos credos – muitas vezes são camufladas e, em outras tantas, são expostas publicamente nas mídias impressas e televisivas -, já geraram guerras e ceifaram a vida de milhões de inocentes no mundo todo. Ainda assim, tem quem faça parte do exército implacável, que acredita que vale qualquer preço para angariar mais ovelhas para o pastoreio do Cristo. Acreditam que o simples fato de trazerem alguém para a sua religião, pode gerar a tão sonhada salvação. Ora, mas como isso pode ser possível se a salvação é individual, como prega a Bíblia?
                Essa é a questão primordial que deveria ser colocada em pauta nos meios religiosos e nas discussões acerca do tema. Esquecer de olhar a sua própria vida e, querer mudar a conduta do próximo, é como tapar os olhos e andar rumo ao despenhadeiro, é queda na certa! Em Mateus 7:5, o recado é bem claro: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás de tirar o argueiro do olho do teu irmão”. Deus e Jesus não são representados por construções ou placas de igreja ou de centro espírita. Eles são a personificação do amor, fraternidade, paz, união, humildade e boa vontade, lições que precisam ser seguidas. De acordo com Lucas 6:43-44, “não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto, cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas”.
                Que a regeneração do  mundo traga para o ser humano o entendimento de que ninguém deixará de viver provas e expiações na Terra, ou gozará de boa vida no plano espiritual por conta da sua doutrina, mas pelas suas ações e trabalho no bem.

Renata Girodo

Fonte: Jornal Verdade e Vida – nov/2015
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CARIDADE FAZ EVOLUIR O HOMEM II

                É no recôndito de nossa casa que convivemos com espíritos afins, mas também om antigos antagonistas de outras vidas, com o propósito do reajuste mútuo e do sufocamento do egoísmo. Se no ambiente de trabalho desenvolvemos nossas habilidades, é na nossa casa que desenvolvemos as potencialidades do coração. Sejamos pais, filhos, cônjuges, nosso dever é realizar tudo o que estiver ao nosso alcance para harmonizar o lar e atrair os bons e sábios espíritos. O Evangelho Segundo o Espiritismo, nos pede que não sejamos só bons ou só caridosos, mas que sejamos bons e caridosos. A beneficência atrai o amor necessário para que possamos enfrentar qualquer problema de forma equilibrada. Com mais paz e compreensão no lar, podemos, então, alçar voos mais altos, ultrapassando as fronteiras de nossa casa, passando a atuar na sociedade. Por intermédio do E.S.E., os espíritos nos acenam para o fato de que a piedade é a irmã da caridade. Então, é lógico inferir que devemos ser solidários e caridosos para com o próximo. E, ao invés de ver as desgraças e as infelicidades da vida como castigos de Deus, passemos a encará-las como oportunidades de praticar o bem, a benevolência e a caridade. Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá, Bezerra de Menezes, Chico Xavier, por certo deem ter se condoído com as dores dos seus semelhantes, só que foram além da comiseração e partiram para a ação. A bondade de Deus permitiu que estes missionários viessem reencarnar entre nós para ajudar nosso mundo e, principalmente, para nos darem o exemplo do trabalho em favor do ser humano. Ao contrário de nossos heróis de infância, eles não possuíam poderes extraordinários como visão de raio X, a capacidade de poder voar ou a super força, mas se tornaram poderosos instrumentos de bondade e compaixão pelo semelhante, algo que todos nós podemos ser, pois que não exige privilégios de qualquer natureza. Apenas boa vontade. Esses espíritos de luz vieram acender uma pequena centelha que existe em nós. Se a alimentarmos, colocando mãos à obra na caridade desinteressada, haveremos de nos tornar melhores e ajudar a tornar o mundo melhor. Emmanuel afirma: “A caridade é o processo de somar alegrias, diminuir males, multiplicar esperanças e dividir a felicidade”. Para ajudar os outros, não é preciso ganhar na loteria ou se aposentar, como bem nos lembra Leon Denis, no já citado texto sobre caridade, “há males sobre os quais uma amizade sincera, uma ardente simpatia ou uma afeição operam melhor que todas as riquezas”. Portanto não há no mundo quem não possa ofertar um pouco de si a quem quer que seja.

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2015
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sábado, 11 de fevereiro de 2017

CARIDADE FAZ EVOLUIR O HOMEM I

                Uma das revelações mais fantásticas que o estudo da doutrina espírita nos permite é a de compreender que Deus criou o homem simples e ignorante, porém perfectível. Não importa quantas encarnações, mas o fato é de que todos chegaremos à perfeição. Até mesmo estes irmãos sanguinários que a mídia nos serve todos os dias nas telas das TVs, nas páginas dos jornais e, principalmente, na internet. E tudo isso seria de fácil aceitação por parte de todas as outras doutrinas e vertentes religiosas, simplesmente com o uso da razão. Oras, basta observar que temos provas científicas sobre a evolução humana, os museus estão repletos de documentos, fósseis e tudo o mais que provam que o homem vem evoluindo paulatinamente ao logo dos milênios. Um dia, aquele ser percebeu que diante dos dinossauros, era melhor viver em grupos, pois somente trabalhando em equipe poderia caçar o seu sustento e se proteger das grandes feras. Daí sugiram as pequenas tribos que se multiplicaram ao longo da existência humana, virando as cidades que conhecemos. Desenvolvendo sua inteligência, descobriu o fogo, os metais, a roda, entendeu que, ao invés de ir para lá e para cá, poderia plantar e colher, até que deduziu que poderia construir sua casa e deixar as cavernas. Este foi o início da família.
                Com um olhar um pouco mais apurado, havermos de observar que ao longo dessa evolução, a espiritualidade esteve presente, representada por espíritos de escol, cuja missão era alavancar o progresso do homem e do planeta. Assim, o Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, nos mostra como as ideias de Sócrates e Platão eram adiantadas demais para a época; a personalidade autoritária, porém necessária, de Moisés para disciplinar o povo; a doçura de Jesus, com sua doutrina de amor; até chegar ao Espiritismo Consolador. A partir de então, como Allan Kardec sabiamente definiu, o homem começou a vislumbrar a grande verdade da vida: a de que “Fora da caridade não há salvação”. É fato de que precisamos fazer o bem, praticar a caridade, para que nos transformemos em artífices da paz, sendo auxiliares na construção do Reino de Deus na Terra. Não é à toa que um dos luminares do espiritismo, Leon Denis, dedicou um capítulo inteiro à caridade em um de seus livros, “Depois da Morte”, vaticinando que a perfeição do homem resume-se nestas duas palavras: caridade e verdade. E para nos tornarmos verdadeiramente caridosos, não existe outro ponto de partida que não seja o nosso próprio lar. É no cadinho do nosso lar que se apura a evolução. É na família que exercitamos a bondade, a tolerância, a compreensão, a educação, a gentileza e todos as virtudes que, por certo, nos serão necessárias na vida profissional.

Orlando Ribeiro


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov./2015
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