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CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


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sábado, 26 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - Conhece-te a Ti Mesmo II


Aquele que, possuído do propósito de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como de seu jardim arranca as ervas daninhas, evocasse todas as noites as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si próprio o bem ou o mal que houvera feito, grande força adquiriria para aperfeiçoar-se porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos, questões nítidas e precisas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou qual circunstância, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos espíritos, onde nada de novo no mundo dos espíritos, onde nada pode ser ocultado? Examinai o que puderdes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o fim que nos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem?
                Não acha que vale a pena por em prática tão preciosa recomendações?

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - Conhece-te a Ti Mesmo I


     A felicidade foi, é e será sempre a maior e a mais profunda aspiração do homem.
                Ninguém há que não deseje conquistá-la, tê-la como companheira inseparável de sua existência.
                Raros, no entanto, aqueles que a tem conseguido.
                É que grande parte dos terrícolas, não se conhecendo a si mesmos, quais imagem e semelhança de Deus, e ignorando os altos destinos para que foram criados, não compreendem ainda que a verdadeira felicidade na consiste na posse nem no desfrute de algo que o mundo nos possa dar e que, em nos sendo negado ou retirado, nos torna infelizes.
                Com efeito, aquilo que venha  de fora ou dependa de outrem (bens materiais, poder, fama, glória, comprazimento dos sentidos, etc.) é precário, instável, contingente. Não nos pode oferecer, por conseguinte, nenhuma garantia de continuidade. Além disso, conduz fatalmente à desilusão, ao fastio, à vacuidade.
                O reino dos céus está dentro de vós, proclamou Jesus.
                Importa, então, que cultivemos nossa alma, a pérola de subido preço de que nos fala a parábola, e cuja aquisição compensa o sacrifício de todos os tesouros de menor valor a que nos temos apegado, porquanto é na auto-realização espiritual, no aprimoramento de nosso próprio ser, que haveremos de encontrar a plenitude da paz e da alegria com que sonhamos.
                Tanto aqui na Terra como no outro lado da vida, a felicidade é inerente e proporcional ao grau de pureza e de progresso moral de cada um.
                Toda imperfeição – di-lo Kardec – é causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos. Não há uma só ação, um só pensamento mau que não acarrete funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que se perca. Destarte, a alma que tem dez imperfeições, por exemplo, sofre mais do que a que tem três ou quatro; e quando dessas dez imperfeições não lhe restar mais que metade ou um quarto, menos sofrerá. De todo extintas, a alma será perfeitamente feliz.
                Pela natureza dos seus sofrimentos e vicissitudes na vida corpórea, pode cada qual conhecera a natureza das fraquezas e mazelas de que se ressente e, conhecendo-as, esforçar-se no sentido de vencê-las, caminhando, assim, para a felicidade completa reservada aos justos.
                É verdade que esse autoconhecimento não é muito fácil, já que nosso amor-próprio sempre atenua as faltas que cometemos, tornando-as desculpáveis, assim como rotula como qualidades meritórias o que não passa de vícios e paixões.
                Urge, porém, que aprendamos a ser sinceros com nós mesmos e procuremos aquilatar o real valor de nossas ações, indagando-nos como as qualificaríamos se praticadas por outrem.
                Se forem censuráveis em outra pessoa, também o serão em nós, eis que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça.
                Será útil conhecermos, igualmente, qual o juízo que delas fazem os outros, principalmente aqueles que não pertencem ao círculo de nossas amizades, porque, livres de qualquer constrangimento, podem estes expressar-se com mais franqueza.

(continua)

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - As Paixões II


Muito natural o nosso desejo de preparar dias melhores para nós e a nossa família, bem assim as lutas a que nos entregamos e os sacrifícios que nos impomos, visando a tal objetivo. Todavia, é preciso que essa preocupação pelo futuro não ultrapasse os limites do razoável, para que não se converta em obsessão.
                A recreação, por outro lado, é uma exigência de nossos espírito, e os entretenimentos ocasionais valem por excelentes fatores de higiene mental. Infelizes, no entanto, os que, seduzidos pelas emoções de uma partida de baralho ou de víspora, pelo lucro fácil de um lance na roleta, ou quejandos, se deixem dominar pelo jogo! A desgraça não tardará a abatê-los, como abatidos tem sido todos quantos se escravizam a essa terrível viciação.
                Calor excessivo ou frio intenso podem forçar-nos , vez por outra, a um refrigerante gelado ou a uma dose alcoólica, com o que nos dessedentamos, ou nos reconfortamos gostosamente. Mas todo cuidado será ouço para não descambarmos para a bebedice, pois seus malefícios, provam-no as estatísticas, assumem características de verdadeiro flagelo social.
                Todos nós sentimos necessidade de dar e receber carinho, já que ninguém consegue ser feliz sem isso. É de todo conveniente, entretanto, repartir nosso afeto com os que pertencem ao nosso afeto com os que pertencem ao nosso círculo familiar, estendê-lo a amigos e outros semelhantes, evitando concentrá-lo em uma só pessoa, fazendo depender unicamente dela o nosso interesse pela vida, pois, ao perder esse alguém, poderemos sofrer um golpe doloroso demais para ser suportado sem perda do equilíbrio espiritual.
                Não há quem não deseje autoafirmar-se, mediante a realização de algo que corresponda às suas tendências dominantes, e daí porque alguns se atiram, com inusitado entusiasmo, a determinados estudos, outros se empolgam na  procura ou no apuramento de uma nova técnica com que sonham projetar-se na especialidade de sua predileção, e outros ainda descuidam de tudo e de todos para devotar-se, inteiramente, às atividades artísticas ou científicas que os abrasam. Importa, porém, acautelar-nos com o perigo do monoideísmo, responsável por neuroses ou insânias de difícil recuperação.
                Como se vê, o princípio das paixões nada tem de mau, visto que assenta numa das condições providenciais de nossa existência, podendo inclusive, em certos casos e enquanto governadas, levar o homem a feitos nobilitantes.
                Todo mal reside no abuso que delas se faz.
                Urge, portanto, que, na procura do melhor, do que nos traga maior soma de gozo, aprendamos a respeitar as leis da vida, para que elas, inexoráveis como são, não se voltem contra nós, compelindo-nos a penosos processos de reajuste e reequilíbrio.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - As Paixões I


Todas as paixões tem como princípio originário uma necessidade ou um sentimento natural, colocados em nosso âmago com o fim de estimular-nos ao trabalho e à conquista da felicidade.
                Deus é amor e, ao criar-nos, fez-nos participantes de Sua natureza, isto é, dotados dessa virtude por excelência, carecendo apenas que a desenvolvamos e a depuremos, até a sublimação.
                Houve por bem, então, tornar-nos, sensíveis aos prazer para que cada um de nós, buscando-o, cultivasse o amor a si mesmo, para, numa outra etapa, ser capaz de estender esse amor aos semelhantes.
                Pode parecer que a busca do prazer pessoal seja uma forma errônea, por sumamente egoísta, para que possa conduzir-nos à efetivação desse grandioso desiderato. Deus, porém, em Sua onisciência, sempre escolhe os melhores caminhos possíveis para o nosso progresso, e se assim há determinado é porque sabe que, sem experimentarmos, antes, quanto é bom o amor que nos devotamos e ao qual tudo sacrificamos, jamais chegaríamos ao extremo oposto, de sacrificar-nos por amor a outrem.
                Os gozos que o mundo nos proporciona, entretanto, são regulados por leis divinas, que lhes estabelecem limites em função das reais necessidades de nosso corpo físico e dos justos anseios de nossa alma, e transpô-los ocasiona conseqüências tanto mais funestas quanto maiores sejam os desmandos cometidos.
                Nisto, como em todo aprendizado que lhe cumpra fazer, seja de um ofício, de uma arte, ou do exercício de um poder qualquer, o homem começa causando, a si mesmo e ao próximo, mais prejuízos que benefícios.
                É que, em sua imensa ignorância, não sabe distinguir o uso do abuso, exagera suas necessidades e sentimentos, e é aí, no excesso, que aquelas e estes se transformam em paixões, provocando perturbações danosas ao seu organismo e ao seu psiquismo.
                Apresentemos alguns exemplos:
                Alimentar-nos é um imperativo da natureza, cujo atendimento é coisa que nos dá grande satisfação. Quantos, entretanto, façam dos prazeres da mesa a razão de sua existência, rendendo-se à glutoraria, mais dias, menos dias, terão que pagar, com a enfermidade, senão mesmo com a morte, o preço desse mau hábito.

(continua)

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris
                

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - Esmola e Caridade II


Escusam-se muitos de não poderem ser caridosos, alegando precariedade de bens, como se a caridade se reduzisse a dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus e proporcionar um teto aos desabrigados.
                Além dessa caridade, de ordem material, outra existe – a moral, que não implica o gasto de um centavo sequer e, não obstante, é a mais difícil de ser praticada.
                Várias circunstâncias poderiam ser lembradas em que, uma amizade sincera, um gesto fraterno ou uma simples demonstração de simpatia, seriam expressões inequívocas da maior de todas as virtudes.
                Nós, porém, quase não nos apercebemos dessas oportunidades que se nos apresentam, a todo instante, para fazermos a caridade.
                É porque esse tipo de caridade não transpõe as fronteiras de nosso mundo interior, não transparece, não chama a atenção, nem provoca glorificações.
                Nós traímos, empregamos a violência, tratamos os outros com leviandade, desconfiamos, fazemos comentários de má fé, compartilhamos do erro e da fraude, mostramo-nos intolerantes, alimentamos ódios, praticamos vinganças, fomentamos intrigas, espalhamos inquietações, desencorajamos iniciativas nobres, regozijamo-nos com a impostura, prejudicamos interesses alheios, exploramos os nossos semelhantes, tiranizamos subalternos e familiares, desperdiçamos fortunas no vício e no luxo, transgredimos, enfim, todos os preceitos da caridade, e, quando cedemos algumas migalhas do que nos sobra ou prestamos algum serviço, raras vezes agimos sob a inspiração do amor ao próximo; via de regra fazemo-lo por mera ostentação, ou por amor a nós mesmos, isto é, tendo em mira o recebimento de recompensas celestiais.
                Quão longe estamos de possuir a verdadeira caridade!
                Somos, ainda, demasiadamente egoístas e miseravelmente desprovidos do espírito de renúncia para praticá-la.
                Mister se faz, porém, que a exercitemos, que aprendamos a dar ou sacrificar algo de nós mesmos em benefício de nossos semelhantes, porque “a caridade é o cumprimento da Lei.”

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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domingo, 20 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - Esmola e Caridade I


Esmola e caridade são tas, por alguns, como uma só e mesma coisa, enquanto para outros a primeira seria apenas uma faceta da segunda, ou melhor, uma de suas múltiplas manifestações.
                Por outro lado, há quem considere a esmola um constrangimento para aquele que a dá e uma humilhação para o que a recebe, negando, assim, seu caráter filantrópico.
                Do ponto de vista espírita, pode haver: esmola sem caridade, esmola com caridade e caridade sem esmola, dependendo tudo dos sentimentos que acompanhem ou inspirem o modo de agir das criaturas.
                Conceituemos, esmola, é a coisa que se dá, enquanto caridade é essencialmente amor, não amor na os mesmos (egoísmo), mas amor ao próximo (altruísmo).
                Dentre as esmolas sem caridade incluem-se as doações arrancadas contra a vontade, por injunções a que, a pesar seu, a vítima não pode resistir nem esquivar-se; os auxílios dados com fins propagandísticos, seja para fazer cartaz em períodos preeleitorais, seja para exaltação da própria personalidade, visando a granjear fama de sento ou de benemérito; os donativos feitos com total indiferença pala sua aplicação, assim como quem atira fora a ponta de seu charuto, etc.
                As esmolas com caridade, a seu turno, compreendem uma escala progressiva de mérito, não evidentemente em função do quantum distribuído, mas sim dos estados de ama, que lhes sejam intrínsecos. Em outras palavras, isto quer dizer que a esmola será tanto mais meritória aos olhos de Deus quanto mais puro seja o seu conteúdo caritativo, isto é, quanto mais às escondidas seja feita, quanto mais delicadeza encerra, quanto mais abnegação expresse e quanto menos vergonha cause a quem a recebe.
                No primeiro degrau situam-se os óbolos concedidos de boa vontade, quando solicitados, esperando os doadores provas de gratidão dos infelizes aos quais favoreceram.
                No segundo, as esmolas da mesma espécie, cujos autores, conquanto não contem com a gratidão imediata dos homens, tem como certo tornarem-se merecedores do mparaíso por causa delas.
                No terceiro, as espontâneas, porém não na justa medida dos recursos de que disponha o esmoler.
                No quarto, as dadas com alegria e em acordo com as possibilidades de quem as dá, mas de forma que o favorecido saiba a procedência do favor recebido.
                No quinto, idem, mas já sem que o beneficiado tenha conhecimento de quem seja o seu benfeitor.
                No sexto, aquelas que se realizam em absoluto anonimato e de maneira tal que nem o dispensador de benefícios conheça individualmente seus beneficiários, nem estes possam identificar o filantropo que os ajuda.
                No sétimo, aquelas que, ao invés de simplesmente socorrer os pobres, os enfermos, enfim, os necessitados de todos os matizes, concorram para eliminar a pobreza, a enfermidade e os demais aspectos da miséria humana, ensejando novas e mais amplas oportunidades de educação e trabalho, elevando física, mental, espiritual e socialmente os párias de todo mundo, para que se promovam, sintam-se gente como nós e experimentem, cada vez mais, a alegria de viver.
                A caridade sem esmola, consiste no cultiva das virtudes cristãs, que são filhas od amor, havendo para todos inúmeras formas de exercitá-las.
                Do nababo ao mendigo, ninguém há que, no pleno gozo de suas faculdades, não possa prestar um serviço qualquer, prodigalizar um consolo, minorar um sofrimento físico ou moral, fazer um esforço útil.
                Podendo, como pode, o ouro amoedado, transformar-se em toda sorte de bens  utilidades de consumo é, sem dúvida, um precioso elemento de que a caridade sói lançar mãos nas tarefas do bem; nem sempre, entretanto, é ele o recurso mais apropriado para estancar lágrimas, curar feridas e dirimir aflições, pois qualidades do coração valem mais ou operam melhor que todas as riquezas materiais.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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sábado, 19 de janeiro de 2013

LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE - O Direito de Propriedade


O direito de viver é o primeiro de todos os direitos do homem, cabendo-lhe, subsequentemente, também o de acumular bens que lhe permitam repousar quando não mais possa trabalhar.
                Se todos os homens fossem previdentes e, ao invés de malgastar seus rendimentos no vício e no luxo, tratassem de formar um pecúlio com que assegurar a tranqüilidade de sua velhice, a sociedade não teria que arcar, como hoje acontece, com o pesado ônus da manutenção de tantas criaturas que chegam ao fim de seus dias na maior indigência, precisadas de teto, alimento, agasalho, remédio, etc.
                O desejo de possuir, com o fim de resguardar-se das incertezas do futuro, não justifica, entretanto, os meios que certos homens soem empregar para conseguir bens de fortuna.
                Propriedade legítima só é aquela que foi conseguida por meio do trabalho honesto, sem prejuízo de ninguém.
                Ora, se se pudesse investigar a origem de muitas fortunas acumuladas nas mãos de determinadas famílias, verificar-se-ia, com horror, que são frutos de roubos vergonhosos, traficância infames e crimes execráveis.
                O tempo, porém, tudo santifica, de sorte que, após algumas gerações, tais haveres se transformam em sagrado e inviolável patrimônio, defendido com unhas e dente pelos netos e bisnetos dos ladrões, traficantes e criminosos que o erigiram.
                Não raro, essas fortunas se transferem, por herança, a pessoas que solicitaram, no plano espiritual, a oportunidade de voltar ao proscênio da Terra para dar-lhes uma aplicação nobre, proporcionando assim uma reparação aqueles que inicialmente as adquiriram mal, reparação essa que, se efetuada, lhes suavizaria os remordimentos de consciência.
                Quase sempre, todavia, não resistem ao fascínio das riquezas e, longe de corresponderem ao que delas se esperava, deixam-se tomar pela cobiça, tratando de aumentar, egoisticamente, aquilo que receberam.
                Neste mundo e no grau evolutivo em que nos encontramos, a aquisição e a defesa da propriedade individual devem e precisam ser consagradas, porque a ambição é, e tão cedo não deixará de sê-lo, um dos mais fortes sentimentos humanos, constituindo-se, mesmo, em mola propulsora do progresso.
                Pretender-se que, a curto prazo, o homem renuncie aos interesses pessoais em nome de um ideal igualitário, é desconhecer-lhe a natureza e esperar o impossível.
                O que de melhor se deve fazer é aperfeiçoar nossas leis, criando condições para que aumente o número de proprietários, mediante uma participação mais equitativa da riqueza.
                À medida que se adianta espiritualmente, o homem passa a compreender que, em última análise, ninguém é dono de nada, pois tudo pertence a Deus, sendo, todos nós, meros usufrutuários dos bens terrenos, já que eles não poderão seguir conosco, de forma alguma, além das fronteiras da morte. Por conseguinte, se a Providência no-los confia, por determinado período, não é para que os utilizemos em proveito exclusivamente familiar, pás para que aprendamos a movimentá-los em benefício de todos, dando-lhes uma função social.
                Filhos que somos do Pai Celestial e portanto co-herdeiros do Universo, dia virá quando, libertos, por merecimento, do ciclo de reencarnações em mundos grosseiros como o nosso, haveremos de tornar-nos puros espíritos, tendo por morada as suaves maravilhosas esferas siderais.
                Será, então, com imensa autopiedade que nos recordaremos desta frase de nossa evolução em que tão grande é o nosso apego a uns pedaçinhos de chão lamacento e tão desesperada a nossa luta por uns papeizinhos coloridos, estampados na casa da moeda.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris        


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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

LEI E JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE


Direito e justiça deveriam ser sinônimos perfeitos, ou seja, deveriam expressar a mesma virtude, pois, se aquele significa o que é justo, esta se traduz por conformidade com o direito.
                Lamentavelmente, porém, aqui na Terra, direito e justiça nem sempre se correspondem, porque, ignorando ou desprezando a Lei de Deus, outorgada para a felicidade universal, a justiça humana há feito leis prescrevendo como direitos umas tantas práticas que favorecem apenas os ricos e poderosos, em detrimento dos pobres e dos fracos, o que implica tremenda iniqüidade, assim como há concedido a alguns certas prerrogativas que de forma nenhuma poderiam ser generalizadas, constituindo-se, por conseguinte, em privilégios, quando se sabe que todo privilégio é contrário ao direito comum.
                Ora, esses modos de agir, conquanto baseados na jurisprudência terrena, não se harmonizam com a verdadeira justiça, a justiça natural, que o divino mestre Jesus sintetizou na máxima: Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles (Mat. 7:12).
                Se aplicássemos em nossas relações sociais, em toda e qualquer circunstância, jamais erraríamos. Ninguém deseja para si senão o que é agradável, bom e útil; assim, se cada qual procedesse com seus irmãos de conformidade com aquela regra, é evidente que só lhes faria o bem, resultando da a extinção do egoísmo, que é a causa mater de quase todos os atritos e conflitos que infelicitam a humanidade.
                Em todos os tempos e sob o império de todas as crenças o homem sempre se esforçou para que prevalecesse o seu direito pessoal. A sublimidade da religião cristã está em que ela tomou o direito pessoal por base do direito do próximo.
                Talvez nos digam que se os homens atribuírem a si mesmos, indistintamente, iguais direitos, a hierarquia de poderes será desfeita e então o caos, e não a ordem, é que prevalecerá no complexo social.
                Respondemos com as vozes do Alto:
                “Os direitos naturais são os mesmos para todos os homens, desde os de condição mais humilde até os de posição mais elevada. Deus não fez uns de limo mais puro do que o de que se serviu para fazer os outros, e todos, aos seus olhos, são iguais. Esses direitos são eternos. Os que o homem estabeleceu perecem com as suas instituições. Demais, cada um sente bem a sua força ou a sua fraqueza e saberá sempre ter uma certa deferência para com os que a mereçam por suas virtudes, é importante acentuar isto, para que os que se julgam superiores conheçam seus deveres, a fim de merecer essas deferências. A subordinação não se achará comprometida, quando a autoridade for deferida á sabedoria”. (Livro dos Espíritos q. 878)
                Com efeito, não há razão para temer-se que o reconhecimento da igualdade dos homens possa prejudicar a organização social.
                À medida que os homens progridem em moralidade, melhores concepções vão tendo acerca de tudo, de sorte que, quando o cristianismo se haja implantado, de verdade, em cada coração, o direito e a justiça confundir-se-ão finalmente, fundamentando-se numa só norma: ama a teu próximo como a ti mesmo, pois em tal consiste toda a Lei e os Profetas.
                                                                         
Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris        


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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

LEI DA LIBERDADE - Conhecimento do Futuro


Existe uma possibilidade, muito relativa, do homem conhecer seu futuro. As pessoas trazem ao nascer, certas tendências, aptidões e qualidades inatas, cujas manifestações, mais ou menos evidentes, que permitem prever, até certo ponto, o que serão ou o que farão na vida.
                Afora isto, porém, tudo o mais será bem mais difícil, por duas razões:
                Primeira: grande parte de nossa sorte futura ainda não está nem poderia estar delineada, semelhando-se a páginas em branco de um livro parcialmente anotado. É que se todo sucesso tem uma causa, reciprocamente, cada causa produz determinado efeito. Destarte, os acontecimentos porvindouros de nossa existência vão depender do que estivermos fazendo agora, com as modificações provocadas por aquilo que formos fazendo de instante a instante.
                Segunda: as circunstâncias a que chamaríamos inevitáveis, ligadas ao nosso carma (débitos ou créditos perante a Justiça Divina, resultantes de nosso procedimento em encarnações anteriores), por outro lado também não podem ser-nos desvendadas, pois, se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não agiria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a idéia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria ob star a que acontecesse. Não quis Deus que assim fosse, a fim de que cada um concorra para a realização das coisas, até daquelas a que desejaria opor-se.
                Algumas vezes, entretanto, o futuro pode ser revelado, e o tem sido. É quando a revelação favoreça  a consumação de algo em benefício da humanidade.
                Importa esclarecer, todavia, que, embora muitos fatos possam ser previstos, por constarem dos planos das entidades espirituais que, como prepostos de Deus, dirigem os destinos do mundo ou tem sob sua tutela este ou aquele setor das atividades humanas, o livre arbítrio das pessoas diretamente ligadas a esses fatos é sempre respeitado, de modo a que, em última instância, tenham plena liberdade de cumprir ou não as tarefas que lhes estavam assinaladas, assim como de resistirem ou cederem a um alvitre que poderá acarretar-lhes as mais dolorosas conseqüências.
                Isto deixa claro que ninguém é constrangido, de forma absoluta, a obrar desta ou daquela maneira, e que ninguém, jamais, há sido predestinado a praticar um crime ou qualquer outro ato delituoso que envolva responsabilidade moral.
                O que sucede é que cada um é tentado segundo suas próprias concupiscências, o ambicioso pode sucumbir ante uma situação que lhe exacerbe a cobiça, etc.
                Sempre que algo de suma importância deva necessariamente acontecer, e aquele ou aqueles que seriam os possíveis agentes não se mostrem à altura, ou se tenham desviado de modo próprio do caminho que os levaria a tal objetivo, as referidas entidades espirituais sabem como encaminhar as coisas de maneira que outrem lhes tomem o lugar, o mesmo acontecendo quando, inversamente, o desfecho é que deva ser outro.
                A curiosidade que tantos demonstram em conhecer o seu futuro apresenta sérios inconvenientes. Um deles, o de contribuir para que espertalhões sem escrúpulos façam da astrologia, da cartomancia, da necromancia, da quiromancia, da vidência, rendosos meios de vida. Outro, a sôfrega expectativa de um evento feliz, a falta de iniciativa e de ação, julgadas desnecessárias, face à segurança de um porvir próspero e venturoso, do que podem resultar terríveis decepções, ou, ainda, o desespero, senão mesmo a loucura e o suicídio ante um funesto presságio.
                O espiritismo, amiúde e injustamente confundido com as práticas adivinhadeiras, saibam-no de uma vez por todas, não as utiliza nem as recomenda; pelo contrário, desaconselha-as aberta e veementemente, pois, embora admita a possibilidade de eventuais revelações do futuro, subordina-as a estas duas condições:
1-      A espontaneidade;
2-      Um fim sério que justifique, em conformidade com os desígnios providenciais.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris        


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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

LEI DA LIBERDADE - Como Conquistar a Prosperidade


A aparente boa sorte nada mais é que o resultado de uma conduta inteligente à face das vicissitudes terrenas.
                Se quisermos prosperar, urge, antes de mais nada, que nos determinemos claramente o objetivo a ser alcançado. Não pode ter ímpeto de subir quem não tem orientação. Aquele que não sabe para onde vai, acaba por acomodar-se à situação em que está, deixando passar as choras, os dias e os anos na mais completa passividade.
                Outrossim, não devemos esperar, ingenuamente, que nos convidem a participar do banquete da vida. Quando ficamos na expectativa da ocasião oportuna para intentarmos algo, geralmente ela não chega. É preciso partir em direção do triunfo desejado, arrostando sacrifícios, desafiando contingências, criando, enfim, as oportunidades que almejamos, tendo sempre na lembrança aquela máxima que nos adverte: “Há poucos bancos com sombra no caminho da glória”.
                Quase todas as pessoas tem aspirações, desejos; poucas, entretanto, as que se propõem chegar à meta de seus sonhos. Diariamente desperdiçam ensejos de se melhorarem, renovam promessas e intenções, mas o certo é que jamais chegam a realizá-las.
                Cumpre estejamos advertidos, também, de que apreciável parte do que fazemos é produto ou resultado de influências que outros exercem em nós e muitas de nossas atitudes são o reflexo desse poder. Inconsciente ou conscientemente, imitamos, amoldamos, copiamos os atos e pensamentos de outras pessoas.
                Assim, pois, se pretendemos classificar-nos entre os homens de primeira ordem, não devemos louvar-nos nos indolentes, nem nos negligentes, menos ainda nos pessimistas, que façam diminuir o nosso interesse pelas coisas grandiosas, inclinando-nos para a mediocridade e o comodismo. Inspiremo-nos, isto sim, naqueles que mostram possuir uma vontade poderosa, dominante, e que por ela conseguiram vencer suas próprias fraquezas e deficiências, chegando a ocupar lugares de destaque, valor e distinção.
                Investiguemos como e porque essas pessoas conseguiram sobrepor-se a todas as adversidades, como e porque se tornaram verdadeiros luminares, escrevendo, com seus exemplos, episódios sublimes de paciência, firmeza e pugnacidade.
                Procuremos conhecer a biografia dessas criaturas vitoriosas que se constituíram paradigmas para a humanidade e sigamos-lhes, corajosamente, as pegadas.
                Como disse Rui Barbosa, a vida não tem mais que duas portas: uma de entrar, pelo nascimento; outra de sair, pela morte. Em tão breve trajeto cada um há de acabar a sua tarefa. Com que elementos? Com os que herdou e os que ceia. Aqueles são a parte da natureza. Estes, a do trabalho. Ninguém desanime, pois, de que o beco lhe não fosse generoso, ninguém se creia malfadado, por lhe minguarem de nascença haveres e qualidades. Em tudo isso não há surpresas, que se não possam esperar da tenacidade e santidade do trabalho.   
                Qualquer, portanto, nos limites de sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas e, pela fé em si mesmo, pela atividade, pela perseverança, pelo aprimoramento constante de suas faculdades, igualar-se e até mesmo sobrepujar os que a natureza ou a sociedade melhor haviam aquinhoado.
                Nesse aprimoramento, não devem ser esquecidas certas virtudes a que poderíamos chamar domésticas, como a pontualidade, a delicadeza, a sobriedade, a ética profissional, etc, de que necessitamos para uso cotidiano, pois muitos homens mentalmente superiores tem fracassado em seus empreendimentos por negligenciarem de tais predicados.
                Faz-se mister, ainda, que adquiramos o hábito da economia e nele nos adestremos. Não certamente, como alguns indivíduos, que se privam do útil e até do necessário, só para ficarem mais ricos; nem tão pouco procedendo como aqueles que gastam tudo quanto possuem, e às vezes mesmo o que não possuem, perdulariamente, em coisas supérfluas ou no aprazimento de vícios perniciosos e vaidades tolas. Esses dois extremos são deformações infelizes. O ideal está no meio termo: não ser pródigo, nem avarento, as criterioso no gastar, graduando as necessidades na proporção das rendas que se  tenham, de sorte que haja sempre algumas sobras, para com elas formar um pecúlio que nos ponha a salvo das incertezas do amanhã.
                Mas, fixemos bem isto: não é apenas o dinheiro que devemos poupar. Há outros bens de maior valia que precisam e devem ser poupados com mais cuidado ainda. É o tempo, que não convém ser malbaratado à toa, as sabiamente aproveitado na aquisição de novos conhecimentos e experiências que nos enriqueçam a personalidade. São as energias físicas e espirituais, que não devem ser dissipadas loucamente em noites mal dormidas, na satisfação de prazeres desonestos, pois tais desregramentos, sobre serem contrários aos princípios da moral cristã, arruínam a saúde, roubam a paz interior e aviltam a dignidade humana.
                Ao contrário do que a alguns possa parecer, o progresso é ilimitado, infinito, existindo sempre mil e uma possibilidades de realizações bem inspiradas, capazes de nos premiarem com êxito e a prosperidade.
                Assumamos, portanto, uma atitude de otimismo e de autoconfiança e marchemos, resolutos, para a frente, sempre para a frente, na convicção plena e inabalável de que a vida é bela e boa e venturosa, para todos aqueles que a saibam viver!
                                            
Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris        


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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

LEI DA LIBERDADE - Fatalidade e Destino


Fatalidade e destino são dois termos que se empregam, amiúde, para expressar a força determinante e irrevogável dos acontecimentos da vida, bem assim o arrastamento irresistível do homem para tais sucessos, independentemente de sua vontade.
                Estaríamos nós, realmente, à mercê dessa força e desse arrastamento?
                Raciocinemos:
                Se todas as coisas estivessem previamente determinadas e nada se pudesse fazer para impedi-las ou modificar-lhes o curso, a criatura humana se reduziria a simples máquina, destituída de liberdade e, pois, inteiramente irresponsável.
                Subsequentemente, os conceitos de bem e mal ficariam sem base, tornando nulo todo e qualquer princípio ditado pela moral.
                Ora, é evidente que, quase sempre, nossas decepções, fracassos e tristezas decorrem, não de nossa má estrela, como acreditam os supersticiosos, mas pura e simplesmente de nossa maneira errônea de proceder, de nossa falta de aptidão para conseguir o que ambicionamos, ou por uma expectativa exageradamente otimista sobre o que este mundo nos possa oferecer.
                Importa reconhecermos, entretanto, que, embora grande parte daquilo que nos acontece sejam conseqüências naturais de atos consciente ou inconscientemente praticados por nós, ou por outrem, com ou sem a intenção de atingir-nos, vicissitudes, desgostos e aflições há que nos alcançam sem que possamos atribuir-lhes uma causa cognoscível, dentro dos quadros de nossa existência atual.
                Sirvam-nos de exemplo certos acidentes pessoais, determinadas doenças e aleijões, desastres financeiros absolutamente imprevisíveis, que nenhuma providência nossa ou de quem quer que seja teria podido evitar, ou o caso de pessoas duramente feridas em suas afeições ou cujos reveses cruéis não dependeram de sua inteligência, nem de seus esforços.
                As doutrinas que negam a pluralidade das existências, impossibilitadas de apresentar uma explicação satisfatória para essa importante questão, limitam-se a dizer que os desígnios de Deus são imperscrutáveis, ou a recomendar paciência e resignação aos desgraçados, como se isso fosse suficiente para saciar a sede das mentes perquiridoras e tranqüilizar os corações dilacerados pela dor.
                Os acontecimentos que nos ferem e magoam, no corpo ou na alma, sem causa imediata nem remota nesta vida, longe de se constituírem azares da fatalidade ou caprichos de um destino cego, são efeitos da Lei de Retorno, pela qual cada um recebe de volta aquilo que tem dado.
                Em anteriores existências, tivemos a faculdade de escolher entre o amor e o ódio, entre a virtude e o vício, entre a justiça e a iniqüidade; agora, porém, temos que sofrer, inexoravelmente, o resultado de nossas decisões, porque a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
                Quando assim não seja, as dificuldades e os sofrimentos por que passamos fazem parte das provas por nós mesmos escolhidas, antes de reencarnarmos, com o objetivo de desenvolver esta ou aquela boa qualidade de que ainda nos ressentimos, ativando, destarte, nosso aperfeiçoamento, a fim de merecermos acesso a planos mais felizes onde a paz e a harmonia reinam soberanamente.
                Em suma, algumas circunstâncias graves, capazes de ensejar nosso progresso espiritual, podem, sim,  ser fatais; mas já vimos que somos nós próprios, no exercício do livre arbítrio, que lhes geramos as causas determinantes.
                Nosso presente nada mais é, portanto, que o resultado de nosso passado, assim como n osso futuro está sendo construído agora, pelos pensamentos, palavras e ações de cada momento.
                Tratemos, então, de dignificar nossa presença à face da Terra, agindo sempre em conformidade com as leis divinas, para que nossas agruras de hoje se transformem, amanhã, somente em bênçãos e alegrias, bem-estar e tranqüilidade.
                                                         
Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris         


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domingo, 6 de janeiro de 2013

LEI DA LIBERDADE - O Livre Arbítrio


O livre-arbítrio é definido como a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta, ou, em outras palavras, a possibilidade que ele tem de, entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras.
                Acham alguns que o livre arbítrio é absoluto, que os pensamentos, palavras e ações do homem são espontâneos e, pois, de sua inteira responsabilidade.
                Evidentemente, laboram em erro, porquanto não há como deixar de reconhecer as inúmeras influências e constrangimentos a que,  em maior ou menor escala, estamos sujeitos, capazes de condicionar e cercear a nossa liberdade.
                No extremo oposto, três correntes filosóficas existem que negam peremptoriamente o livre arbítrio: o fatalismo, o predestinacionismo e o determinismo.
                Os fatalistas acreditam que todos os acontecimentos estão previamente fixados por uma causa sobrenatural, cabendo ao homem apenas o regozijar-se, se favorecido com uma boa sorte, ou resignar-se, se o destino lhe for adverso.
                Os predestinacionistas baseiam-se na soberania da graça divina, ensinando que desde toda a eternidade algumas almas foram predestinadas a uma vida de retidão e, depois da morte, à bem-aventurança celestial, enquanto outras foram de antemão marcas para uma vida reprovável e, consequentemente, precondenadas ás penas eternas do inferno. Se Deus regula, antecipadamente, todos os atos e todas as vontades de cada indivíduo, como pode este indivíduo ter liberdade para fazer ou deixar de fazer o que Deus terá decidido que ele venha a fazer?
                Estas duas doutrinas, como se vê, reduzem o homem a simples autômato, sem mérito nem responsabilidade, ao mesmo tempo que rebaixam o conceito de Deus, apresetando-O à feição de um déspota injusto, a distribuir graças a uns e desgraças a outros, unicamente ao sabor de seu capricho. Ambas repugnam às consciências esclarecidas, tamanha a sua aberração.
                Os deterministas, a seu turno, sustentam que as ações e a conduta do indivíduo, longe de serem livres, dependem integralmente de uma série de contingências a que ele não pode furtar-se, como os costumes, o caráter e a índole da raça a que pertença; o clima, o solo e o meio social em que viva; a educação, os princípios religiosos e os exemplos que receba; além de outras circunstâncias não menos importantes, quais o regime alimentar, o sexo, as condições de saúde, etc.
                Os fatores apontados acima são, de fato, incontestáveis e pesam bastante na maneira de pensar, de sentir e de proceder do homem.
                Assim, por exemplo, diferenças climáticas, de alimentação e de filosofia, fazem de hindus e americanos do norte tipos humanos que se distinguem profundamente, tanto na compleição física, no estilo de vida, como nos ideais; via de regra, a fortuna nos torna soberbos, enquanto a necessidade nos faz humildes; um dia claro e ensolarado nos estimula e alegra, contrariamente a uma tarde sombria e chuvosa, que nos deprime e entristece; uma sonata romântica nos predispõe à ternura, ao passo que os acordes marciais nos despertam ímpetos belicosos; quando jovens e saudáveis, estamos sempre dispostos a cantar e a dançar, já na idade provecta, preferimos a meditação e a tranqüilidade.
                Daí, porém, a dogmatizar que somos completamente governados pelas células orgânicas, de parceria com as impressões, condicionamentos e sanções do ambiente que nos cerca, vai uma distância incomensurável.
                Com efeito, há em nós uma força íntima e pessoal que sobreexcede e transcende a tudo isso: nosso eu espiritual.
                Esse eu, ser moral ou alma, numa criatura de pequena evolução espiritual, realmente pouca liberdade tem de escolher entre o bem e o mal, visto que se rege mais pelos instintos do que pela inteligência ou pelo coração. Mas, à medida que se esclarece, que domina suas paixões e desenvolve sua vontade nos embates da vida, adquire energias poderosíssimas que o tornam cada vez mais apto a franquear obstáculos e limitações, sejam de que natureza forem. Não é só. Habilita-se também a pesar as razões e medir conseqüências, para decidir sempre pelo mais justo, embora desatendendo, muitas vezes, aos seus próprios desejos e interesses.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris        

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sábado, 5 de janeiro de 2013

A LEI DE LIBERDADE


O homem é, por natureza, dono de si mesmo, isto é, tem o direito de fazer tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao desenvolvimento de sua vida.
                Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sê-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esse mesmo direito em cada um de seus semelhantes.
                Isto posto, todo e qualquer costume, que torne uma pessoa completamente sujeita a outra, constitui uma iniqüidade contrária à lei de Deus.
                Durante muito tempo, aceitou-se, como justa, a escravização dos povos vencidos em guerras, assim como foi permitido, pelos códigos terrenos, que homens de certas raças fossem caçados e vendidos, quais bestas de carga, na falsa suposição de que eram seres inferiores e, talvez, nem fossem nossos irmãos em humanidade.
                Coube ao cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie de homens e que, mais ou menos puros e elevados eles o são, não pela cor da epiderme ou do sangue, mas pelo espírito, isto é, pela melhor compreensão que tenham das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos.
                Felizmente, de há muito que a escravatura foi abolida e, com ela, o privilégio que tinha o senhor de poder maltratar impunemente o escravo, ou mesmo matá-lo, se assim lhe aprouvesse.
                Agora, todos somos cidadãos, podendo dispor, livremente, de nossos destinos.
                A liberdade de pensamento e a de consciência, por se inscreverem, também, entre os direitos naturais do homem, conquanto padeçam, ainda, aqui, ali e acolá, certas restrições e repressões, vem alcançando, igualmente, notáveis progressos.
                De século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no que tange à inviolabilidade do foro íntimo.
                O sistema do crê ou morre, que alguns retrógrados desejariam ver restabelecido, está definitivamente superado e não voltará jamais, de jeito nenhum.
                Vingam e viçam, hoje, idéias bem diferentes.
                Nas dissensões religiosas, as chamas das fogueiras foram substituídas pelas luzes do esclarecimento, e na catequese filosófica ou política, estejamos certos, daqui para o futuro, buscar-se-á empregar, cada vez mais, a força da persuasão ao invés da imposição pela força.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris         


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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A LEI DE IGUALDADE


Perante Deus, todos os homens são iguais, pois tiveram o mesmo princípio e destinam-se, sem exceção, ao mesmo fim: a glória e a felicidade.
                As dissemelhanças que apresentam entre si, quer em inteligência, quer em moralidade, não derivam da natureza íntima deles; resultam apenas de haverem sido criados há mais ou há menos tempo e do maior ou menor aproveitamento desse tempo, no desenvolvimento das aptidões e virtudes que lhes são intrínsecas, consoante o bom ou o mau uso do livre arbítrio por parte de cada um.
                A igualdade absoluta dos homens perante Deus não é válida em sociologia, a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.
                A ambição e a inveja de uns, somadas ao idealismo irrefletido de outros, fazem que muitos sonhem com uma quimérica igualdade das riquezas, que, se chegasse a concretizar-se, seria desfeita a curto prazo pela força das coisas.
                Não infira daí que as falhas de nossa estrutura sócio-econômica, responsáveis por tantos sofrimentos, não devam ser sanadas. Pelo contrário, todos devemos lutar para que as instituições terrenas se aperfeiçoem, permitindo alcancemos uma situação tal em que caiam os privilégios de casta ou de nascimento; extingam-se os preconceitos de cor, de raça e de crença; haja oportunidades educacionais para quantos as desejem, indistintamente; as sanções penais não recaiam tão somente sobre os fracos; a mão-de-obra seja associada e não escrava do capital, etc.
                O melhor meio de atingirmos esse objetivo, todavia, não é a subversão da sociedade, o que retardaria o progresso e o bem-estar coletivos, mas sim a cristianização do homem, levando-o ao cumprimento exato de seus deveres para consigo mesmo, para com o próximo e para com Deus, incutindo-lhe, outrossim, serena e inabalável confiança nos desígnios da Providência, que não desampara ninguém e, malgrado certas aparências enganadoras, a todos retribui de conformidade com seus méritos, através do mecanismo das vidas sucessivas.
                Urge compreendamos que, qualquer que seja a posição em que se achem situados, todos os homens são proletários da evolução e que a diversidade de funções no complexo social é tão indispensável à sua harmonia quanto as variadas finalidades dos órgãos o são ao equilíbrio de nosso organismo.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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sábado, 1 de dezembro de 2012

LEI DE PROGRESSO - A Evolução da Humanidade


Em que pese à opinião dos cépticos e da criaturas mal informadas, um exame tento e sem juízo preconcebido da conduta humana há-de levar-nos à conclusão irrefutável de que, a despeito dos inúmeros males sociais que ainda nos assoberbam, a humanidade tem progredido, afastando-se, pouco a pouco, do egoísmo, da crueldade e da injustiça, fazendo que prevaleçam os sentidos nobres, inspiradores dos mais belos e puros ideais.
                Graças àqueles que, em vez de julgarem o mal uma fatalidade, se dispõem, ao contrário, a trabalhar pela vitória do bem, dia a dia mais se desenvolve a noção de solidariedade para com nossos semelhantes, mais vivazes se mostram os anseios pela abolição da guerra e maiores avanços se verificam na luta em prol dos direitos humanos.
                Uma boa prova disso no-la dão as nações unidas no relatório correspondente aos seus 20 anos de existência. Digna de destaque, nesse documento, a informação de que algumas das nações mais prósperas estão doando seus excedentes agrícolas e outros gêneros alimentícios para amenizar os graves efeitos da fome em outras áreas do mundo, fornecendo-lhes, em complemento, vultosos empréstimos, em condições de resgate bastante vantajosas, bem assim assistência técnica, visando ao aumento da produção de víveres e conseqüente melhoria de seus padrões de nutrição.
                Ressalte-se, por outro lado, o compartilhamento de conhecimentos científicos promovido pelas Nações Unidas, tendo em vista o desenvolvimento de todos os países e a eficiente ajuda da Organização Mundial da Saúde, um de seus órgãos, na elevação das condições sanitárias de toda a humanidade, seja amparando e fomentando a pesquisa médica internacional, seja auxiliando a erradiação de doenças epidêmicas ou de disseminação em massa, como a febre amarela, a varíola, a malária, a tuberculose, etc.
                Perguntamos: essa colaboração espontânea dos povos mais adiantados em benefício dos menos desenvolvidos não constitui indício seguro de que estamos caminhado rumo ao altruísmo, ou seja, ao solidarismo cristão?
                As relações amistosas entre as nações vão, a seu turno, ganhando extensão e profundidade. Haja vista que, através de mediações ou negociações entre as partes litigantes, vários conflitos armados foram evitados ou tiveram fim nestas últimas duas décadas, evitando-se, com tais soluções conciliatórias, o sacrifício de milhões de vidas.
                O magno problema do desarmamento, inclusive a proscrição das armas de destuição maciça, um dos objetivos precípuos da ONU, tem sido alvo, igualmente, de persistentes debates no seio da Assembléia Geral e, apesar das divergências entre as principais potências nele interessadas, notáveis progressos já foram alcançados, dando-nos a esperança de que um acordo geral venha a ser firmado em breve, garantindo-se, finalmente, a segurança e a paz internacionais.
                Enquanto esse dia não chega, as guerras continuam flagelando diversas regiões, obrigando milhares de pessoas a deixar suas pátrias em busca de refúgio em outros países. Sob os auspícios das Nações Unidas, porém, esses refugiados recebem abrigo, alimentação, cuidados médicos, educação e formação profissional, tornando-se, assim, capazes de se auto-sustentarem onde quer que venham a viver.
                Tais realizações revelam que entre os homens não existe apenas ódio, mas também muita bondade e muito esforço sincero no sentido de acabar com o sofrimento.
                Fecunda e incansável, do mesmo modo, tem sido a porfia da Organização das Nações Unidas pela implantação da justiça social em todas as partes do mundo, e daí o haver elaborado e proclamado, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, segundo a qual todos, indistintamente, tem direito à vida, à liberdade e segurança física, à liberdade e movimento, de religião, de associação e de informação; o direito a uma nacionalidade; o direito de trabalhar sob condições favoráveis, recebendo remuneração igual por igual trabalho realizado; o direito ao casamento e a constituir família.
                Certos setores especializados, como os direitos da mulher, os direitos da criança e a eliminação da discriminação racial na educação, no emprego, nas práticas religiosas e no exercício dos direitos políticos, tem-lhe merecido, outrossim, acurados estudos, dos quais resultaram declarações especiais, juntamente com a solicitação a todos os seus estados membros de providências efetivas para a concretização dos princípios aprovados.
                Não é só. Agindo em consonância com os propósitos gerais da Organização, as Nações Unidas utilizaram fortes estímulos junto aos povos dependentes para que reivindicassem o autogoverno, resultando desse apoio o surgimento de grande número de novas nações independentes, notadamente na Ásia e na África, fazendo que seu quadro de membros, que abrangia apenas 51 estados fundadores, subisse para 114. Isso equivale a dizer que as liberdades fundamentais do homem vigoram, hoje, em mais do dobro dos países que, há vinte anos, gozavam desse privilégio.
                A evolução da humanidade, como se vê, é palpável. Não enxergá-la, pois, é d ar mostra de acentuada miopia espiritual.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

LEI DO PROGRESSO


O progresso é lei natural, cuja ação se faz sentir em tudo no universo, não sendo admissível, por conseguinte, possa o homem frustrá-la ou contrapor-se-lhe.
                Com efeito, impulsionado por ela, o homem foi perdendo, ao longo dos séculos, as ferezas do troglodita, a amoralidade do bárbaro, a insipiência do selvagem, num desenvolvimento intelecto-moral vagaroso, mas seguro e ininterrupto, eis que, imagem e semelhança de Deus, está fadado a adquirir todos os conhecimentos da Sabedoria e todas as virtudes da Santidade.
                Claro que ele se encontra, ainda, bastante distanciado dessa perfeição, mas quem quer que conheça um pouquinho de história da civilização, não pode deixar de reconhecer o enorme avanço, não só na técnica como nos costumes, que conseguiu realizar.
                É verdade, sim, que o seu progresso moral se acha muito aquém do fabuloso progresso intelectual a que chegou,  e daí porque prevalece, em nossos dias, uma ciência sem consciência, valendo-se, não poucos, de suas aquisições culturais, apenas para prática do mal.
                Os funestos resultados do mau emprego de sua inteligência recairão, porém, fatalmente, sobre si mesmo, arrancando-lhe sangue, suor e lágrimas em crescente profusão, até que, trabalhado pela dor, ganhará experiência, aprendendo então a equilibrar as forças da mente e do coração, como lhe convém, para que sua marcha ascensional se efetue sem quedas nem desvios.
                É verdade, também, que o egoísmo e o orgulho, inspiradores de muitas das leis iníquas em vigência neste mundo, favorecendo os poderosos em prejuízo dos fracos, podem retardar, como efetivamente têm retardado, a prosperidade e o bem-estar comuns.
                E que a Providência, para dar ao homem o mérito do elevar-se pelo próprio esforço e livre iniciativa, sempre lhe concede moratória para que corrija e aperfeiçoe suas instituições, visando aquele objetivo.
                De tempo em tempo, entretanto, esgotados os compassos de espera, sacode-as violentamente, destruindo privilégios odiosos, preconceitos estúpidos e govdrnos opressores, dando ensejo a que, embora a contragosto dos reacionários e dos retrógrados, o progresso se faça e a conduta humana se harmonize, gradativamente,com a Lei Divina, que outra coisa não quer senão que os bens terrenos sejam partilhados equitativamente por quantos hajam concorrido para produzi-los, e que a paz, alicerçada na justiça, seja uma bênção a felicitar todas as raças e nações.
                Antes de malsinar a civilização, urge que cada um de nós ofereça a sua contribuição pessoal para que ela se apure; e, em vez de tentarmos embaraçar a torrente do progresso, acompanhemo-lo, porque, resistir-lhe, é correr o risco de ser esmagado.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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terça-feira, 20 de novembro de 2012

LEI DE SOCIEDADE - A Missão dos Pais


                Como todos sabem, os seres infra-humanos tornam-se adultos e portanto independentes dos pais em menos de um décimo do tempo médio de vida da respectiva espécie, enquanto o homem precisa de um terço de sua existência para alcançar a maturidade.
                Em face disso, os cuidados e obrigações dos pais para com os filhos, entre aqueles, são também muitíssimo menores do que na espécie humana.
                O amor dos animais pela prole é mais instinto do que sentimento, e dura apenas enquanto seja necessário protegê-la contra aquilo e aqueles que lhe ameacem a sobrevivência, cessando, geralmente, quando ela se mostre apta a defender-se e a prover-se, por si mesma, do que tenha mister para a sua conservação.
                Nos homens, essa amor não só é mais duradouro, pois persiste até a morte, como se manifesta em maior intensidade, atingindo, não raro, as raias do heroísmo.
                Essa virtude, entretanto, como acontece com as demais, não se acha igualmente desenvolvida em todos os indivíduos.
                Alguns existem que não têm pelos filhos o carinho e a solicitude das aves e dos mamíferos, já que não titubeiam em dá-los ou mesmo abandoná-los à própria sorte desde a mais tenra idade. Tais criaturas não se compenetraram, ainda, de quanto é sagrada a missão de ser pai ou mãe.
                Outros, ao contrário, fazem dos filhos verdadeiros ídolos, que colocam acima de tudo e de todos, inclusive de Deus. Em seu fanatismo por eles, julgam-nos possuidores das mais excelsas qualidades, recusando-se a admitir sejam capazes de qualquer ação menos digna. Daí porque sempre encontram um meio de justificar-lhes os erros e as sordícias, enxergando neles, invariavelmente, vítimas inocentes da maldade do mundo.
                Essa falta de equilíbrio entre o amor materno ou paterno e o senso de justiça, pode levar muitos pais a praticarem crueldades tremendas, desde que se trate de livrar os filhos de um vexame, de dificuldade ou uma sanção dolorosa, embora lhes caiba inteira responsabilidade por tais situações.
                Essa dedicação das mães pelos frutos de suas entranhas, conquanto compreensível e indispensável até certo ponto, pode tornar-se prejudicial se não for controlada pela mente, isto é, se não obedecer aos ditames da razão, porquanto, aqueles aos quais chamamos nossos filhos são, como nós, espíritos em evolução, reencarnados em nossos lares para que os auxiliemos a melhorarem, a se despojarem de suas imperfeições.
                Sob a aparência de angelitude que lhes caracteriza a infância, podem ocultar-se individualidades que se transviaram do bom caminho, necessitadas de reajuste, a exigirem de nós um pulso firme para conter-lhes os maus pendores, a par de segura orientação cristã para que possam reformar seus caracteres, adquirindo o gosto pelo que é belo, puro e nobre.
                Nos primeiros anos de vida dos filhos, mais no período infantil do que na adolescência, é que podem os pais exercer salutar influência em favor do aprimoramento moral deles, através dos bons conselhos e, o que é mais importante, dos bons exemplos que lhes possam oferecer.
                Se se descuidarem disso, ou, movidos por um amor piegas, deixarem sem corrigenda seus impulsos inferiores, vê-los-ão, ao atingirem a maioridade, reintegrarem-se na posse de si tenha unido aqui na Terra será levado em conta por Deus, no sentido de garantir que continuemos juntos no além? E a mãe que haja merecido o céu, poderá trabalhar pela salvação dos filhos supostamente condenados ao inferno, de modo a poder aconchegá-los, novamente, em seus braços?
As almas formam, no outro lado da vida, grupos afins, nos quais todos aqueles que se estimam permanecem unidos, integrando comunidades tanto mais felizes quanto mais perfeitas as qualidades morais que hajam adquirido. Quando uns reencarnam, seja em missão ou em expiação, os outros que se mantêm na pátria espiritual velam por eles, ajudando-os a saírem vitoriosos. Frequentemente aceitam novas encarnações no mesmo país, no mesmo meio social ou na mesma família, a fim de trabalharem juntos pelo ideal comum  ou pelo seu mútuo adiantamento.
Mesmo os que tenham fracassado numa ou mais existências,  e se achem, por isso, em regiões purgatoriais, sofrendo com as conseqüências de seus erros ou de suas paixões infamantes, não permanecem nessa situação mais que o tempo necessário a que se arrependam e se disponham a redimir-se. Tão logo isso aconteça, aqueles que os amam, embora retardando o seu progresso ou renunciando à felicidade a que fazem jus, descem a ampará-los, encorajam-nos e, não raro, precedem-nos no retorno à Terra, para recebê-los em tutela e encaminhá-los na senda do aperfeiçoamento.
Não se creia, todavia, que todos quantos aqui estiveram ligados pelo parentesco mantenham esses mesmos vínculos nas esferas espirituais. Enganam-se os que imaginam seja assim. As uniões, lá, conforme dissemos acima, obedecem à afeição real, à semelhança de inclinações ou à igualdade de nível evolutivo. Destarte, as pessoas que se uniram, neste mundo, apenas pela atração física, por mera conveniência ou por outra razão qualquer, sem que, em tal convívio, a simpatia lhes fizessem vibrar as cordas do coração, estas, em verdade, não tem nenhum motivo para se procurarem no mundo dos espíritos, visto que as relações de natureza carnal ou de interesse exclusivamente material se extinguem com a causa que lhes deu origem.
Pela lei da reencarnação, as almas amigas se mantêm solidárias, não apenas durante o fugaz período que vai do berço ao túmulo, mas pelos milênios afora, gravitando, juntas, em busca de Deus, nosso Pai Celestial.

Do Livro: As Leis Morais – Rodolfo Calligaris


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